PAP0723 - A dimensão identitária e a promoção cidadania
A dimensão
identitária e a
promoção cidadania
Nesta reflexão
busca-se apresentar
e discutir as
metodologias
orientadoras das
ações programáticas
desenvolvidas pela
Diretoria de
Inclusão e Cidadania
do Instituto Inhotim
com o intuito de
promover a cidadania
em comunidades
marcadas pela
pobreza, localizadas
no município
brasileiro de
Brumadinho, estado
de Minas Gerais. O
ponto central da
reflexão vincula-se
à discussão sobre o
modo como se
relacionam os
conceitos de
modernidade,
identidade e memória
na construção dessas
ações que buscam a
superação das
conseqüências da
exclusão social.
Resistente às
tentativas de
definição, Inhotim
pode ser pensado
como um complexo
museológico original
constituído por uma
sequência não linear
de pavilhões de arte
contemporânea e um
jardim botânico em
área de 100 ha. É
também âncora para o
desenvolvimento de
ações científicas,
educacionais e
conservacionistas,
tendo a arte e a
biodiversidade
vegetal como
elementos centrais.
O Instituto
desenvolve práticas
sociais
comprometidas com a
inclusão e a
cidadania da
população de
Brumadinho e seu
entorno. Em 2007,
esse compromisso com
o desenvolvimento
social da região
originou a criação
da Diretoria de
Inclusão e
Cidadania. Em abril,
o Instituto foi
reconhecido como
Organização da
Sociedade Civil de
Interesse Público –
OSCIP, pelo Governo
de Minas Gerais. Em
2009, no mês de
junho, o governo
federal também
reconheceu Inhotim
como uma OSCIP.
No âmbito da
Diretoria de
Inclusão e Cidadania
são desenvolvidas,
há quatro anos,
ações que buscam
desenvolver as
potencialidades da
comunidade local. Os
programas e projetos
buscam garantir a
acessibilidade, a
interação e a
inclusão social. Na
reflexão a ser
apresentada, será
destacada e
analisada uma ação
programática voltada
para a dimensão
identitária dos
sujeitos e que tem
por objetivo a
recuperação,
conservação e
publicização do
patrimônio
Histórico, cultural
e ambiental herdado
pela sociedade
local. O
desenvolvimento
dessa ação garante
uma transversalidade
que perpassa as
demais ações
programáticas
desenvolvidas pela
diretoria. O eixo
central que norteia
a ação parte das
considerações de
Ecléa Bosi , ao
afirmar que a
espoliação da
memória é um dos
efeitos mais
perversos da miséria
(BOSI,1994).
Portanto, recuperar
memória pode
contribuir para a
afirmação dos homens
como sujeitos
históricos.
Trata-se, pois, de
uma comunicação que,
considerando a
dimensão conceitual
própria do campo da
sociologia, almeja a
discussão de
práticas sociais
emancipadoras.
- LOPES, Rosalba

- OLIVEIRA, Juliana

Dra. Rosalba Lopes
Possui Doutorado em História pela Universidade Federal Fluminense (2010), onde desenvolveu pesquisa sobre a relação das esquerdas revolucionárias brasileiras com a democracia, no período de 1974-1982; mestrado em Ciência Política pela UFMG (2001) e graduação em História pela UFF (1990). Atualmente trabalha no Instituto Inhotim, onde coordena a implantação e desenvolvimento do Centro Inhotim de Memória e Patrimônio – CIMP, que visa captar, organizar e disponibilizar fontes referentes ao patrimônio Histórico-Cultural e ambiental de Brumadinho e Médio Vale do Paraopeba. Nesta nova fase o campo de pesquisa ao qual se dedica vincula-se, sobretudo, à Memória e à Identidade.
Juliana G. Oliveira
Mestranda do Programa de Pós Graduação em Ambiente Construído e Patrimônio Sustentável da Escola de Arquitetura da UFMG e Bacharel em Turismo pela Universidade FUMEC/BH. Atualmente trabalha no Instituto Inhotim, em Brumadinho, MG, na Diretoria de Inclusão e Cidadania, na Ação Programática Desenvolvimento Territorial, focando no Turismo de base comunitária na região do Médio Vale do Paraopeba. Elabora e executa projetos que visam o fortalecimento e autonomia de diferentes redes sociais, a interação e a inclusão social da população aos conceitos de sustentabilidade e desenvolvimento social. Em termos de pesquisa tem se dedicado às investigações sobre patrimônio e desenvolvimento comunitário.
PAP0663 - O rap e o graffiti como dispositivos de reflexão identitária. O caso do bairro da Kova da Moura.
Partindo de distintas investigações desenvolvidas pelos dois investigadores e tomando o bairro da Cova de Moura como território de investigação, a presente comunicação pretende discutir o papel que o rap e o graffiti assumem como dispositivos de reflexão identitária de jovens que habitam este bairro maioritariamente negro. A Cova da Moura é um bairro clandestino de auto-construção que despontou nos anos 70 com a vaga de imigrantes provenientes das ex-colónias portuguesas em África. Este localiza-se na Amadora e, ainda hoje, é habitado na sua grande maioria por imigrantes Africanos e seus filhos. O rap e o graffiti são manifestações culturais apropriadas e empregues por diferentes jovens e que parecem funcionar como dispositivos identitários fulcrais através dos quais conquistam um espaço na esfera pública, confrontando e desafiando as representações e discursos hegemónicos mais profusamente difundidos pelos media. O rap político ou underground tem sido, aliás, uma produção cultural fortemente associada à vida de jovens excluídos e, particularmente, dos jovens comummente referidos como de segunda geração. Este facto deriva da própria natureza deste fenómeno musical que, desde as suas origens, está associado a uma cultura de rua fabricada e consumida por jovens de minorias étnicas ou em situação de exclusão. A cultura hip-hop surgida nos anos 70 do século passado no Bronx nova-iorquino dá-nos precisamente conta desse facto. Entretanto, as distintas vertentes do hip-hop (rap, graffiti e break-dance) globalizaram-se e foram apropriadas por grupos juvenis nos mais diversos contextos geográficos e culturais. A literatura revela, precisamente, esta adaptação do hip-hop aos distintos contextos locais e a apropriação do mesmo enquanto dispositivo de comunicação ao serviço de políticas de identidade, nomeadamente étnicas e culturais. No bairro da Cova da Moura quer o rap, quer o graffiti, têm uma presença considerável. Para além de existir um estúdio de produção e de gravação, diferentes rappers aí residentes adquiriram já uma projecção relevante neste circuito de natureza amadora. O graffiti encontra-se, também, fortemente presente na paisagem do bairro, por exemplo através de murais de grandes dimensões retratando uma série de ícones negros (Martin Luther King, Amilcar Cabral, etc.). Ambas as expressões parecem, por isso, servir de alguma forma à construção de diferentes patamares identitários, que ora remetem para uma ideia de comunidade imaginada (africana), ora problematizam a condição complexa das identidades múltiplas.
- VAZ, Cláudia

- CAMPOS, Ricardo

Cláudia Vaz é licenciada, mestre e doutora em Antropologia, pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (Universidade Técnica de Lisboa). É Professora Auxiliar no ISCSP e investigadora no Centro de Administração e Políticas Públicas (CAPP). Integra o Sh.A.R.P - A Platform for Share and Representing, projecto europeu de investigação-acão desenvolvido no quadro do Programa de Aprendizagem ao Longo da Vida (Lifelong Learning Programme) da União Europeia e faz parte da comissão editorial da revista Cadernos de Arte e Antropologia. É coordenadora do livro wwwCulturasDigitais.com (ISCSP, 2011) e autora de Afinal quem sou eu? A identidade de crianças de origem cabo-verdiana em espaço escolar (ISCSP, 2006).
Ricardo Campos é mestre em Sociologia e Doutorado em Antropologia Visual. Actualmente é investigador auxiliar no Centro de Estudos das Migrações e Relações Interculturais, da Universidade Aberta (Portugal). É autor do livro Porque pintamos a cidade? Uma abordagem etnográfica ao graffiti urbano (Fim de Século, 2010) e co-organizador do livro Uma cidade de Imagens (Mundos Sociais, 2011). É igualmente um dos editores da revista Cadernos de Arte & Antropologia.
PAP0324 - Perceções e divulgação de artistas plásticos africanos em Portugal
Em Portugal a receção e divulgação da obra de artistas plásticos africanos tem evidenciado, ao longo das últimas duas décadas uma cadência intermitente, marcada pontualmente pela integração das artes plásticas no discurso da lusofonia ou do pós-colonialismo sem que estes factos tenham contribuído na realidade para uma discussão ou análise crítica das suas linguagens particulares, decorrentes, nomeadamente, dos seus trânsitos transnacionais ou permanências continuadas, bem como das dinâmicas históricas que envolvem Portugal e África.
Com esta comunicação propõe-se um olhar sobre a obra de alguns artistas africanos, procurando vislumbrar algumas dinâmicas tais como a afirmação de identidades partilhadas, a problematização das realidades experienciadas nos países de origem ou nos espaços diaspóricos, a guerra e a violência, a reflexão acerca da própria história que envolveu a Europa e a África, assumidas como matéria de reflexão plástica, e desvendando linhas de continuidade entre passado e presente, numa trajetória solvente das fronteiras impostas pelo discurso histórico, que, em última análise, revelam as transfigurações e múltiplas faces da temporalidade vivida, narrada ou transformada em terreno de utopias.
- PEREIRA, Teresa Matos

Nota Curricular
Nome: Teresa Matos Pereira
Formação: Doutoramento em Belas Artes, Mestrado em Teorias da Arte e Licenciatura em Artes Plásticas – Faculdade de Belas Artes de Lisboa
Docente no Instituto Politécnico de Setúbal – Escola Superior de Educação e Investigadora no CIEBA- Faculdade de Belas Artes de Lisboa.
Interesses de investigação. Artes visuais e colonialismo; discursos artísticos e pós-colonialidade.
Textos :
- «A Condição da mulher em Angola na cerâmica de Helga Gamboa, in :ESTÚDIO, Vol.3, nº5, FBA-Ul/CIEBA, Lisboa, 2012( pp.112-118). ISSN 1647-6158
- «As Artes Plásticas nos Labirintos da Colonialidade», in RODRIGUES, José Damião e RODRIGUES Casimiro. Representações de África e dos Africanos na História e Cultura – séculos XV a XXI. PONTA Delgada: CHAM, 2011 (pp.371-387)
- «Desenhos de África, Desígnios Coloniais, Desejos Suspensos: Artes Plásticas e Colonialidade» in CIEA7, Lisboa, ISCTE-IUL (disponível em http://hdl.handle.net/10071/2533 )
- "Intervisualidade e Metáfora. Trajectórias dos Signos na Pintura Angolana e Portuguesa durante a segunda metade do séc. XX " In Actas do VI Congreso de Estudios Africanos en el Mundo Ibérico (CD-ROM) Depósito Legal: GC- 247-2009
PAP0681 - A (re)construção identitária e projetos de futuro de jovens brasileiros imigrantes em Portugal
Em geral as pesquisas sobre a imigração brasileira em Portugal têm dado prioridade aos estudos das características da imigração, destacando questões econômicas, de gênero, e estereótipos atribuídos aos(às) brasileiros(as). Porém, este texto, que resulta de uma pesquisa desenvolvida como pós-doutoramento no Centro de Estudos Sociais – CES/UC, realizada em 2011, procura aproximar os estudos de juventude dos estudos migratórios, especificamente da imigração brasileira em Portugal. Em grande parte dos estudos migratórios, a juventude possui quase total invisibilidade, raramente a expressão “jovem” ou “juventude” aparece, pois, se for identificada e considerada como uma categoria social específica tornar-se-iam imprescindíveis outras formas de olhar e considerar essa população, uma vez que, para esse grupo, há uma série de implicações que impactam diretamente nas políticas de acolhimento. Nesse sentido, nas políticas migratórias os jovens são incluídos em outras categorias, como trabalhador, estudante ou filho de imigrante. Tomando o jovem brasileiro, imigrante em Portugal, como categoria central de estudo, e, a partir dos seus contextos vivenciais nas regiões de Lisboa, Costa da Caparica e do Porto, que esta investigação foi realizada, revelando o complexo processo de (re)construção identitária e diferentes projetos de futuro pautados em elementos de autoidentificação, majoritariamente relacionados com a origem brasileira. Foram identificados três tipos de estratégias identitárias utilizadas pelos jovens brasileiros: uma corresponde aos jovens que tentam a todo custo preservar a identidade brasileira, e para isso apegam-se às memórias do vivido no Brasil, outra, corresponde aos jovens que aceitam negociar a identidade, e como defesa criam uma imagem negativa dos próprios brasileiros, e, por último, aqueles que, mesmo assumindo uma identidade brasileira, demonstram disposição em assimilar elementos da cultura portuguesa e encontrar e criar identificações com os jovens do país anfitrião, procurando amenizar o sofrimento das perdas deixadas para trás. Apesar das adversidades que o processo migratório apresenta, os jovens imigrantes apostam no futuro, esperam ter uma vida melhor e deparar-se com o sucesso. Para alguns, o futuro é planejado para ser vivido em Portugal; para outros, em diferentes países europeus, América do Norte ou Austrália, mas para a maioria dos jovens entrevistados, no Brasil, sua terra de origem.
- GRACIOLI, Maria Madalena

Maria Madalena Gracioli possui graduação em Geografia e Pedagogia, doutorado em Sociologia e, pós-doutorado pelo Centro de Estudos Sociais - CES da Universidade de Coimbra. Área de pesquisa: Sociologia da Juventude, com ênfase em migrações, identidade, educação e trabalho. Atualmente atua como docente, investigadora e, coordenadora de pesquisa e Pós-graduação da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ituverava – FFCL/FEI, Brasil. É coordenadora Institucional do PARFOR, e, participa como pesquisadora do Grupo de pesquisa: Segurança urbana, Juventude e Prevenção de Delitos da UNESP – Araraquara.
PAP0433 - A Identidade e a Plasticidade Territorial e os Processos de Regeneração Urbana
A regeneração urbana e a revitalização dos centros históricos, conjuntamente com as questões da sustentabilidade energética e da necessidade de redução de emissões poluentes, são hoje os principais desafios que se colocam ao planeamento das cidades. Desde logo em Portugal, dadas as condições de crescente abandono e degradação em que se encontram muitos dos edifícios dos centros históricos das cidades portuguesas, mas também na Europa, uma vez que, a maioria dos centros urbanos europeus são cidades históricas e, por isso mesmo, muito antigas.
As cidades parecem estar a redescobrir o valor económico das indústrias criativas e da cultura e, muitas delas, começam a apostar fortemente nestes sectores como forma de dinamização económica e de regeneração de zonas particularmente sensíveis em termos patrimoniais e arquitectónicos. As indústrias criativas e da cultura são actividades que convivem bem com edifícios e zonas particularmente nobres das cidades.
Exactamente por isso, assistimos ao surgimento de um conjunto de apostas na rentabilização das oportunidades de regeneração urbana associadas a este tipo de indústrias. De que são exemplo, as estratégias assentes na afirmação de unidades territoriais especializadas em actividades no âmbito das industrias criativas, nomeadamente os Design Districts (district entendido enquanto bairro, área, zona, quarteirão ou circuito urbano), os Fashion Districts, os Museum Districts, os Art Districts, os Antiques Districts, os Video & Cinema Districts, os Music Districts, que começam a ser concretizados em várias cidades em Portugal e no mundo.
Muitas das soluções adoptadas têm fortes implicações na identidade e plasticidade dos territórios. Muitas delas, consolidam e tiram partido das identidades territoriais, mas em muitas outras, no esforço de reproduzir localmente soluções bem sucedidas noutros contextos territoriais, assistimos a uma crescente degeneração da identidade dos lugares bem como a alterações estruturais significativas da sua plasticidade que importa acautelar.
Nesta comunicação será assim analisada a problemática dos processos de regeneração urbana no que respeita aos modos de se assegurar um justo equilíbrio entre a salvaguarda da identidade dos lugares, e a capacidade de construir condições que lhes possibilite o desempenho de novas funções urbanas e de novas soluções de modernidade.
- NETO, Paulo

- SERRANO, Maria Manuel

Paulo Neto é Professor na Universidade de Évora, Departamento de Economia, tem Doutoramento e Agregação em Economia, e é autor de vários artigos e livros científicos publicados em Portugal e no estrangeiro. Foi Pró-Reitor para o Planeamento Estratégico e Director do Departamento de Economia desta Universidade, onde também coordenou vários cursos de licenciatura, pós-graduação e mestrado. É investigador colaborador do Centro de Estudos e Formação Avançada em Gestão e Economia da Universidade de Évora (CEFAGE-UE) e do Centro de Investigação sobre o Espaço e as Organizações da Universidade do Algarve (CIEO-UALG).
Maria Manuel Serrano é Doutorada em Sociologia Económica e das Organizações e Mestre em Sistemas Socio-Organizacionais da Atividade Económica, pelo ISEG/UTL e Licenciada em Sociologia pela Universidade de Évora.
É investigadora do SOCIUS – Centro de Investigação em Sociologia Económica e das Organizações do ISEG/UTL .
É Professora Auxiliar no Departamento de Sociologia da Universidade de Évora e Diretora do 1.º Ciclo de Estudos em Sociologia desta Universidade, desde 2009.
É autora de diversas publicações científicas na área da Sociologia Económica e das Organizações.
PAP0477 - A Pobreza e a Exclusão Social no Brasil e em Portugal: um estudo comparativo
Nosso trabalho é resultado de pós doutoramento
realizado na Universidade do Porto, que propôe-
se a um estudo comparativo a fim de pensar as
relações centro / periferia em dois países (
Brasil e Portugal), nas cidades de Ribeirão
Preto (Brasil) e Porto ( Portugal ), em
espaços sociais periféricos e violentos das
duas cidades, o bairro periférico do Ipiranga
( Ribeirão Preto/Brasil ) e o bairro social do
Lagarteiro (Porto/Portugal ), no intuito de
analisar e compreender a organização desses
espaços sociais, em suas características e
imbricações, identidades e diversidades,
especificidades e generalidades, abarcando a
organização desses espaços econômicos, sociais
e culturais internos, bem como em sua dinâmica
interna / ampliada; entre centro e periferia
do capitalismo mundial. No decorrer do
trabalho, nos deparamos com as dinâmicas e
formas de sociabilidade desses espaços, o que
nos chamou a atenção para as relações de
gênero alí estabelecidas. Enquanto espaços de
segregação social, encontramos uma
rearticulação entre formas de sociabilidade
tradicional, capitalista e das/nas ruas, bem
como a reorganização familiar
predominantemente baseada na monoparentalidade
materna. . Assim, ao pensarmos num espaço
social periférico no Brasil, trabalhamos com a
cidade de Ribeirão Preto, um espaço
privilegiado dentro do Brasil, que possui uma
dinâmica muito desenvolvida e tecnologicamente
avançada em todos os setores da produção,
distribuição e terceirização, porém isso não a
livra dos espaços de pobreza e exclusão, como
o bairro do Ipiranga. A fim de compararmos os
espaços em estudo, em Portugal, trabalhamos
com a cidade do Porto, cidade mais importante
da industrializada zona do litoral norte de
Portugal, no bairro social Lagarteiro, uma
região do Complexo do Cerco, caracterizada
como área de segregação/exclusão social. Os
sujeitos, nesses espaços, denunciam, por meio
de sua sociabilidade, pela força, pela
violência e criminalidade, uma sociedade que
os exclui e os segrega para longe dos grandes
centros integrados. Encontramos então
sujeitos, espaços e sociedades calcadas na
contradição entre classes, entre trabalho e
não trabalho, entre gêneros, etnias, gerações,
espaços socias de inclusão e exclusão e toda a
multiplicidade de contradições que
caracterizam as nossas sociedades Dessa forma,
nos propomos a tratar, nesse trabalho, de
pensar nas diversas e rearticuladas formas de
vivência familiar, em espaços sociais
segregados/de exclusão, numa perspectica
comparativa entre Brasil e Portugal, entre
centro e periferia do capitalismo atual,
considerando as diversas e significativas
modificações, nesses espaços, no que concerne
às suas vivências nessas famílias e espaços
sociais.
- PAULA, Sandra Leila de
PAP0661 - A Universidade Católica Portuguesa é uma Universidade Católica?
A doutrina da Igreja estabelece, em vários documentos, o que deve ser uma universidade católica. A Constituição Apostólica Ex corde ecclesiae é, talvez, o mais importante desses documentos actualmente, mas existem outros. E as próprias universidades católicas têm Estatutos, aprovados superiormente, que definem a sua identidade.
Da documentação vaticana resultam obrigações genéricas mas claras. Exemplos: tanto na formação como na investigação deve existir interdisciplinaridade, a qual conterá uma perspectiva teológica e filosófica; os alunos deverão, tanto quanto possível, tornar-se “homens verdadeiramente eminentes pela doutrina” e pelo testemunho da fé; promover a justiça social e a Doutrina Social da Igreja; integrar razão e fé.
Os Estatutos da Universidade Católica Portuguesa (U.C.P.) reafirmam a submissão às orientações da Santa Sé e especificam vários objectivos de que destaco dois: empreender os diálogos fé/razão e ciências/teologia, com presença de disciplinas de teologia nos planos de estudos; formar quadros inspirados na Doutrina Social da Igreja.
Numa Faculdade de Teologia ou de Filosofia, estas orientações não deverão ser de aplicação muito difícil. Já nos cursos de ciências e tecnologias, sujeitos a intensa concorrência no mercado de ensino, a questão assume outros contornos, dado o peso esmagador que a qualidade técnica profana da formação alcança na procura.
No âmbito das ciências (sociais), as Faculdades de Economia e Gestão são um caso muito sensível: os seus cursos, tendo uma forte componente técnica, abrangem temática tratada na Doutrina Social da Igreja. É precisamente sobre estas Faculdades da U.C.P. que se debruça o presente estudo. Divididas por três centros, apresentam consideráveis diferenças entre si e também em relação a congéneres estrangeiras. As diferenças dizem respeito ao ensino, à investigação e à extensão universitária. Os dados ainda são preliminares mas permitem algumas conclusões: uma Faculdade (ou um Departamento, se se tratar do Centro das Beiras) pode apoiar dezenas de projectos de economia social por todo o país e outra não; os percursos de formação também são variados e, em certos casos, é possível ter todo um trajecto académico da licenciatura ao doutoramento sem cursar uma única disciplina de teologia nem de Doutrina Social da Igreja.
Pode-se, nalgumas circunstâncias, falar de um ensino secularizado na U.C.P.?
- COSTA, Joaquim

Joaquim Costa (Funchal, 1960), licenciado em Sociologia pela U. Évora (1989), doutorado em Sociologia pela U. Minho (2005), professor auxiliar do Deptº Sociologia do ICS/U. Minho, investigador do CICS (U. Minho). Tem publicados trabalhos sobretudo na área da Sociologia da Religião, de que se destacam:
Sociologia dos Novos Movimentos Eclesiais - focolares, carismáticos e neocatecumenais em Braga (Porto, Afrontamento, 2006); Sociologia da Religião - uma breve introdução (Aparecida - São Paulo, Editora Santuário, 2009); "Sentido da Vida, Desespero e Transcendência" (Revista Lusófona de Ciências da Religião, 2009, nº 12);
"O Zapping do Cristão" (in A. M. Brandão e E. R. Araújo (org.), Intersecções Identitárias, Famalicão, Húmus, 2011).
Grato pela atenção,
Joaquim Costa.
PAP0081 - A condição masculina na vivência com o transtorno mental
Desde a década de 1960, quando cresceu a
produção científica sobre gênero, a maioria dos
estudos na área era sobre as mulheres. Certos
autores consideram que uma das falhas mais
frequentes nesta literatura é a insuficiência
de estudos mais sistematizados sobre a condição
masculina.
Na saúde mental, a questão de gênero ainda é
abordada restritamente, já que muitos dos
estudos dedicam-se apenas à saúde mental da
mulher. Mas certos trabalhos consideram as
diferenças sexuais como fatores relacionados ao
início, prevalência e evolução de alguns
transtornos mentais.
Este trabalho tem como tema a questão de gênero
presente no quotidiano da saúde mental a partir
da experiência de homens portadores de
transtorno mental. Considera-se que
determinantes sociais podem estar associados ao
surgimento de um transtorno mental e aos
impactos do sofrimento psíquico causado por
aquele.
A pergunta de partida do estudo é “O que é ser
homem com transtorno mental?”. A partir do que
Goffman (1996: 112) diz sobre “carreira moral
do doente mental”, pretende-se analisar de que
maneira o homem, em tal “carreira”, vê a si
mesmo e como esta provoca mudanças no “eu da
pessoa e em seu esquema de imagens para julgar
a si mesma e aos outros”? Pretende-se analisar,
com base numa perspectiva sociológica de
gênero, a identidade de homens portadores de
transtorno mental através da vivência de
usuários internados em instituição
psiquiátrica. Pretende-se especificamente:
identificar/analisar as representações dos
homens portadores de transtorno mental sobre as
“causas” de seu transtorno;
identificar/analisar, através da representação
dos homens, os impactos do transtorno nas
esferas da família, das amizades e do trabalho.
O campo empírico é a ala psiquiátrica do
hospital São Marcos, em Braga-Portugal.
Pode se verificar, até o momento, que há uma
relação entre a construção da identidade de
gênero e a eclosão e continuidade do transtorno
destes homens; e que há uma forma predominante
- baseada na masculinidade hegemônica de
Connell(1997) - de vivência para estes homens.
- ALVES, Tahiana Meneses

Tahiana Meneses Alves. Mestranda em Sociologia pela Universidade do Minho. Bacharel em Serviço pela Universidade Federal do Piauí. Mestranda em Políticas Públicas (actualmente interrompido) também pela Universidade do Piauí. Tem interesses principalmente nas seguintes temáticas de investigação: serviço social, políticas públicas, saúde mental, sociologia da saúde, identidades, masculinidades, mulheres e relações de gênero.
PAP1350 - A construção da Identidade Profissional no decurso do Estágio Profissional: Um estudo com estudantes-estagiários de Educação Física
O estágio profissional, no âmbito da formação de professores, é
entendido como uma etapa fundamental no processo de construção da
Identidade Profissional (IP). Deste modo, o propósito deste estudo foi
percepcionar os traços da IP que emergem nos Estudantes-Estagiários
(EE) durante o Estágio Profissional. Adicionalmente procurou-se
identificar as características em que estes se distinguem enquanto
professores e as características que os aproximam enquanto elementos
de uma mesma classe, a de professores. Participaram neste estudo 12
EE (6 do sexo feminino e 6 do sexo masculino) da Faculdade de
Desporto da Universidade do Porto (FADEUP), do ano letivo 2010/2011,
pertencentes a 4 núcleos de estágio de escolas do Distrito do Porto.
Para a recolha dos dados foram realizados 4 Focus Grupo com todos os
EE subordinados às seguintes temáticas: i) partilha de experiências
acerca do percurso formativo enquanto alunos; ii) construção do diário
de bordo; iii) aprendizagens mais significativas em resultado da
elaboração do diário de bordo; iv) conceções do que é ser professor e
professor de educação física. As sessões foram gravadas em aúdio e
transcritas verbatim. Na análise dos dados recorreu-se à análise
temática com temas definidos a priori. Da análise efetuada ficou
evidente que: i) a maioria dos EE refere que sempre quis seguir o curso
de educação física, reconhecendo uma identidade distinta à sua
faculdade, materializada em aspetos como a indumentária, a atitude e
o vocabulário específico; ii) os EE descrevem aspetos positivos
(conquista, vitória) e negativos (medo, receio) relacionados com o
estágio. Os registos relacionam-se com a condução das aulas, sendo
estas os elementos referidos como mais relevantes na construção da IP;
iii) o registo no diário de bordo evoluiu para reflexões mais
interpretativas e estratégicas, sendo que o foco que inicialmente era
pedagógico, passou a incluir aspetos relacionais. Deu-se um
alargamento da tipologia dos episódios relatados, por exemplo o
desporto escolar e conselhos de turma, demonstrando uma maior
consciencialização acerca da diversidade de papéis/funções do
professor. O diário de bordo foi entendido como um veículo promotor
da reflexão e da atribuição de significado às vivências na escola e aos
episódios marcantes na construção da sua IP; iv) os EE referem que o
professor não atua somente no espaço da sala de aula e que as suas
responsabilidades transcendem o espaço da escola e o da su
- FERREIRA, Ana

- PEREIRA, Ana
- GRAÇA, Amândio
- BATISTA, Paula
Ana Margarida Alves Ferreira
Mestre em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico eDoutoranda em Ciências do Desporto na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto.Tema de investigação: construção da Identidade Profissional em professores de Educação Física.
Últimas publicações: Ferreira, A.; Pereira, A.; Silveira, G.; Batista, P. (2012). Discursos de professores cooperantes iniciantes e experientes acerca da função de orientação: um estudo com professores cooperantes da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. R. Min. Educ. Fís., Viçosa, Edição Especial, 1, 188-200.
Alves, M.; Pereira, A.; Graça, A.; Batista, P. (2012). Practicum as a space and time of transformation: self-narrative of a Physical Education pre-service teacher. US-China Education Review. [In Press]
PAP0430 - A construção da identidade : jovens em busca do reconhecimento
A construção da identidade: jovens em busca do reconhecimento
Ana Lúcia Hazin Alencar e Sueli Pereira Guimarães
O Estado brasileiro vem investindo, nos últimos anos, elevados recursos em programas de desenvolvimento de ações que contemplem a diversidade cultural do seu povo. Justifica-se assim a realização de uma pesquisa que objetivou verificar de que forma os jovens participantes dos projetos governamentais se apropriam ou ressignificam a cultura. A investigação contemplou ações desenvolvidas em 3 municípios de Pernambuco que serviram como estudos de caso: utilizou-se a pesquisa documental e entrevistas semi-estruturadas para a coleta de dados.
O objetivo deste paper é fazer uma reflexão sobre a construção da identidade do jovem a partir do seu consumo cultural. Para Bourdieu, a identidade se afirma na diferença. Parte-se, aqui, do princípio da diversidade, uma vez que se entende que a juventude é uma categoria socialmente construída, cujos valores, hábitos e comportamentos dependem e variam segundo o momento histórico em que se vive e a inserção em determinada sociedade e/ou grupos sociais específicos.
O conhecimento da própria identidade é um processo difícil para o jovem que ainda está em processo de formação. O espaço social em que está inserido é relevante, uma vez que a identidade é constituída tanto por experiências passadas, embasadas em valores e normas – podendo ser claramente apreendidas através do conceito de habitus de Bourdieu – quanto pelo contato com o novo, através dos meios de comunicação ou da convivência com pessoas que servem muitas vezes de espelho ou referência. Portanto, a maneira como as pessoas constroem sua identidade decorre não só de condições objetivas, mas também, do ser percebido por si mesmo ou pelos outros.
Tal assertiva pode ser percebida em depoimentos dos jovens entrevistados, a maioria oriunda de famílias de baixa renda. A condição econômica é um fator limitante para o acesso a atividades culturais e de lazer. A rua pode, então, ser um atrativo para o jovem que adentra o perigoso mundo das drogas e outros vícios. Entretanto, a possibilidade de participar de atividades culturais permite aos jovens, através do aprendizado da música, por exemplo, a redefinição de suas identidades, pela valorização do eu.
- ALENCAR, Ana Lúcia Hazin
- GUIMARÃES Sueli Maria Pereira
PAP0646 - A reconstrução identitária nos jovens institucionalizados em Centro Educativo
A delinquência juvenil e as questões sobre reinserção social têm assumido um papel de destaque nas agendas políticas de vários governos, ao longo dos tempos, tanto em Portugal como em vários outros países. Esta investigação, resultante de um trabalho de mestrado, aborda o fenómeno da delinquência juvenil e as questões da reconstrução identitária, incidindo sobre os jovens institucionalizados no Centro Educativo de Santo António. A investigação foi desenvolvida em duas fases: numa primeira fase exploratória, procedeu-se à consulta dos dossiers tutelares de forma a aceder ao perfil biográfico dos jovens institucionalizados; numa segunda fase analisaram-se os discursos dos próprios jovens delinquentes, através da realização de entrevistas semi-estruturadas. O objectivo principal foi perceber as continuidades e as descontinuidades entre as visões projetadas pela instituição e as representações sociais construídas pelos próprios indivíduos que são alvo dos processos de normalização e de educação para o direito. Uma vez que o objectivo da medida de internamento é atingir a normalização, apagando as dissemelhanças entre o mundo “normal” e o mundo da delinquência, importa perceber se de facto os jovens adquiriram normas, valores e comportamentos em moldes considerados aceitáveis pelo sistema de justiça. Pela análise dos discursos obtidos pelos jovens em situação de entrevista, fica aqui uma interrogação: se de facto eles construíram mesmo as mudanças previstas na lei e operacionalizadas pelos programas “terapunitivos” das instituições ou se apenas as referem numa atitude de conformidade “temporária”. Por agora o que se sabe é que os jovens manifestam o desejo de deixar o Centro Educativo. Assim, procuram comportar-se no dia-a-dia de modo a não atrasar o momento da saída. Após este período fica tudo em aberto admitindo-se a hipótese de regresso a uma carreira delinquente.
- SILVA, Adriana

- MACHADO, Helena

Adriana Silva é licenciada e mestre em Sociologia pela Universidade do Minho desde 2009. Entre 2010 e 2011 foi bolseira de investigação em dois projetos de investigação coordenados pela Doutora Helena Machado. Desde janeiro é doutoranda no Centro de Investigação em Ciências Sociais na Universidade do Minho com um projeto de doutoramento intitulado “Envelhecer na Prisão: Processos identitários, vivências prisionais e expectativas de reinserção por reclusos idosos”, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Os seus interesses de investigação incidem principalmente sobre os estudos prisionais, envelhecimento e género.
Helena Machado
hmachado@ics.uminho.pt
Helena Machado é doutorada em sociologia e professora associada com agregação no Departamento de Sociologia da Universidade do Minho. É membro do Centro de Investigação em Ciências Sociais e do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Os seus interesses de investigação centram-se na área da sociologia da genética forense, da genetização das relações sociais, e das representações mediáticas em torno da tecnologia no combate ao crime. Tem coordenado diversos projetos de investigação sobre esses temas, com o apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Desenvolve investigação pioneira em Portugal sobre os impactos sociais, jurídicos e éticos da utilização de tecnologia de DNA em contextos forenses.
PAP0954 - A transexualidade e o género: Identidades e (in)visibilidades de homens e mulheres transexuais
Pretende-se na presente comunicação dar conta de parte dos resultados obtidos com o projecto “Transexualidade e transgénero: identidades e expressões de género”, desenvolvido no CIES-IUL, com financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), que constitui uma das primeiras abordagens da temática no âmbito das ciências sociais em Portugal. Do vasto leque de expressões de género que o termo aglutinador “transgénero” inclui, nesta comunicação centrar-nos-emos apenas nas pessoas transexuais, ou seja, aquelas que permanentemente se sentem e se expressam no género “oposto” ao sexo que lhes foi atribuído à nascença. A informação que sustenta esta comunicação provém sobretudo de 25 entrevistas biográficas realizadas a pessoas transexuais, complementada por um conjunto de informação conseguida pela abordagem etnográfica desenvolvida ao longo da investigação. A transexualidade revela-se um terreno fértil para as discussões em torno da feminilidade e da masculinidade, do que é ser homem e do que é ser mulher íntima e socialmente. No decurso das entrevistas biográficas e das incursões etnográficas realizadas sobressaiu uma diferença acentuada entre homens e mulheres transexuais, a nível das identidades de género e dos percursos sociais, revelando-se pois o sexo/género para a população transexual, tal como acontece para a população cissexual (ou seja, aquela em que não existe descoincidência entre sexo atribuído à nascença e género experienciado), como uma das principais variáveis produtoras de diferença. Só que neste caso a complexidade analítica é acrescida, uma vez que obriga a jogar com uma dupla referência: o sexo/género atribuído e o sentido e expressado. Um elemento chave a mobilizar para análise é o capital corporal, que, condicionando ou possibilitando a invisibilidade social das pessoas transexuais, actua diferentemente sobre homens e mulheres e contribui (ou não) para a credibilidade social de género. Um outro foco de análise é a relação que é socialmente estabelecida entre “a masculinidade e os homens” e “a feminilidade e as mulheres” e a medida da sua exclusividade ou permeabilidade. Para a análise das identidades transexuais, há ainda que ter em conta estarmos perante identidades fortemente medicalizadas, existindo uma “narrativa clássica da transexualidade” oriunda das ciências médicas, à qual se têm vindo a juntar mais recentemente, e com frequência em oposição, novas referências ou referências alternativas construídas a partir de movimentos vindos de “dentro”. Estas novas referências, materializadas em novas expressões de género, têm potencialidades para alterar as identidades e visibilidades de homens e mulheres transexuais.
- SALEIRO, Sandra Palma
PAP1023 - Barreiras, discursos e recursos: o caso da reconstrução identitária das pessoas com lesão vertebro-medular
A ruptura existencial imposta pela experiência de uma lesão vertebro-medular obriga a um processo de reconfiguração pessoal e, consequentemente, a alterações significativas a nível identitário. Este processo de reconstrução identitária abarca diferentes dimensões, incluindo aspectos corporais, psico-sociais e culturais.
Tal como a literatura sociológica evidencia, a vida das pessoas com deficiência tem sido dominada pelo discurso biomédico, cuja influência neste processo de reconfiguração identitária é inegável. No caso das pessoas com lesão vertebro-medular, tal influência é ainda mais marcante tendo em conta as recorrentes complicações de saúde que reposicionam o lesionado vertebro-medular ciclicamente na posição de paciente, bem como o carácter súbito e traumático da lesão vertebro-medular que contribui para uma maior vulnerabilidade face ao poder biomédico, nomeadamente os serviços de reabilitação.
Contrariamente a outros contextos geográficos, no caso português a ausência de uma politização da questão da deficiência – capaz de oferecer discursos e recursos alternativos de construção identitária – e a consequente inexistência de uma identidade colectiva partilhada pelas pessoas com deficiência, aumenta a vulnerabilidade face ao poder biomédico. Neste contexto, o processo de reconstrução identitária torna-se refém da complexa rede de instituições, profissionais e poderes que domina a vida das pessoas com lesão vertebro-medular e que ignora por completo a importância das barreiras sociais na deficientização das pessoas com deficiência.
Esta apresentação, alicerçada no modelo social da deficiência, resulta do projecto actualmente em curso no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra – ‘Da lesão vertebro-medular à inclusão social: a deficiência enquanto desafio pessoal e sociopolítico’ – financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (PTDC/CS-SOC/102426/2008). Tendo por base um vasto conjunto de entrevistas biográficas, nesta comunicação apresentaremos o processo de reconfiguração identitária que se segue a uma lesão vertebro-medular traumática, identificaremos os factores chave neste processo e discutiremos o impacto a este nível da fraca politização das pessoas com deficiência em Portugal e da hegemonia do discurso biomédico.
- FONTES, Fernando
- MARTINS, Bruno Sena

- BERG, Aleksandra
- HESPANHA, Pedro

"Bruno Sena Martins é licenciado em Antropologia pela Universidade de
Coimbra e Doutorado em Sociologia pela mesma instituição. Sempre
enleado na questão das representações culturais, tem dedicado o seu
trabalho de investigação aos temas do corpo, deficiência e conflito
social.
Em 2006, publicou o livro 'E se Eu Fosse Cego: narrativas silenciadas
da deficiência', produto da sua dissertação de mestrado galardoada com
Prémio do Centro de Estudos Sociais para Jovens Cientistas Sociais de
Língua Oficial Portuguesa. Foi Research Fellow no Centre for
Disability for Disability Studies (CDS) na School of Sociology and
Social Policy da Universidade de Leeds, entre Abril e Junho de 2007.
Na sua tese de doutoramento - 'Lugares da Cegueira: Portugal e
Moçambique no Trânsito de Sentidos' - explorou as relações entre as
histórias de vida das pessoas cegas e os valores culturais dominantes
através dos quais a cegueira é pensada. Paralelamente, no contexto do
CES tem integrado a equipa de vários projectos de investigação que se
dedicam a temas como Guerra Colonial portuguesa e a inclusão social
das pessoas com deficiência."
Pedro Hespanha
Sociólogo. Professor da Faculdade de Economia de Coimbra e Membro Fundador do Centro de Estudos Sociais.
Coordenador do Programa de Mestrado “Políticas Locais e Descentralização".
Tem investigado e publicado nas áreas dos estudos rurais, políticas sociais, sociologia da medicina, pobreza e exclusão social
Coordena o Grupo de Estudos sobre Economia Solidária (ECOSOL/CES)
PAP0143 - CRISES IDENTITÁRIAS NA PRODUÇÃO E CONSUMO DE BANDAS DESENHADAS: questões de Reprodução e Hibridização
Fruto de uma dissertação de mestrado em Sociologia, o trabalho apresenta diversas questões: Será que a maneira de desenhar uma BD revela a cultura de sua região de origem? Será possível reconhecer uma linguagem nacional em cada tipo de HQ? Os “Comics” representam a cultura estadunidense? As Bandé Dessinée representam a cultura francófona? E os Mangás, por sua vez, representam a japonesa?
Se a resposta for positiva – e se defende esta perspectiva – como avaliar as produções que se espelham na linguagem de uma BD de outra cultura? BD de super-heróis que visualmente lembram os mangás japoneses, mas produzidos nos EUA, são um “Comic” ou um “Mangá”? Como proceder para avaliar estas HQ´s? O quanto elas têm de uma cultura o quanto se apropriam da outra? Estas nomenclaturas não são simples verbetes que nominam “Bandas Desenhadas” em inglês, francês ou em japonês.
Compreender os limites estéticos de cada um é compreender os meios necessários para acessar suas Representações Sociais e efetivar os meios pelos quais os quadrinhos representam a cultura em que é produzida, isto é, se compõe enquanto produto identitários.
O trabalho analisa o surgimento dos Mangá Nacionais, as assim chamadas bandas desenhadas produzidas no país com uma estética visual baseada nas HQ´s japonesas. Avalia o papel desempenhado pelos quadrinhistas na produção de fanzines e revistas e as escolhas estéticas que são feitas, na constituição e reconhecimento de uma linguagem nacional dos quadrinhos brasileiros e até que ponto reproduzem padrões comerciais e como corroboram para engendrar uma hibridização cultural responsável, segundo Bauman, por uma liquidez da identidade cultural.
O trabalho resgata os perfis estéticos que definem a aparência e a estrutura do mangá no Japão e os compara com aqueles presentes nas versões nacionalizadas, concentrando o levantamento e o enfoque analítico em várias BD´s de sucesso editorial.
Partindo da estrutura semiótica unida com a análise sociológica, procura-se discutir como os processos de reprodução da estética seqüencial – acolhido de forma despretensiosa por parte dos produtores de BD, podem incentivar a hibridização cultural, um fenômeno com efeitos não planejados na identidade e na estética nacional. O objetivo do trabalho, portanto, é mapear as estruturas que permitem perceber até que ponto a produção e consumo de BD contribui para dissipar ou fortalecer as fronteiras simbólicas entre “nós” e “eles”.
- JÚNIOR, Amaro Xavier Braga
PAP1066 - Cidadania e acção colectiva: o caso do movimento de pessoas com deficiência em Portugal
A proliferação de conflitos sociais durante os anos 1960 resultante da acção de novos movimentos sociais teve como efeito uma expansão do modelo tripartido de cidadania (civil, política e social) tal como pressuposto por T. H. Marshall. A acção de novos movimentos sociais, como o movimento feminista, o movimento ecologista ou o movimento LGBT, deu origem a novas formas de cidadania, ao mesmo tempo que permitiu a incorporação de grupos sociais anteriormente excluídos do processo de cidadania. Entre os novos movimentos sociais conta-se o movimento de pessoas com deficiência.
Tal como acontece noutros contextos geográficos, o movimento de pessoas com deficiência em Portugal emerge apenas na década de 1970, uma realidade pós 25 de Abril de 1974. Não obstante existirem em Portugal organizações de pessoas com deficiência desde os anos 1920, a maioria destas organizações centravam-se em incapacidades específicas, não eram politizadas e eram dirigidas por pessoas sem deficiência. O 25 de Abril de 1974 permitiu, todavia, uma mudança significativa na acção colectiva na área da deficiência em Portugal. A emergência de novas organizações, a sua politização e a conquista do poder por parte das pessoas com deficiência nas organizações já existentes criou as bases para a construção do movimento de pessoas com deficiência no contexto nacional. Este movimento social tem sido responsável não só pela denúncia de processos de exclusão e opressão social, como também pela reivindicação de direitos de cidadania.
Tendo por base a investigação desenvolvida no âmbito da minha tese doutoramento recentemente concluída em Estudos de Deficiência, esta comunicação apresenta algumas das características mais marcantes deste movimento social, assim como as principais consequências da sua acção a nível político, social e cultural. Na última parte reflectir-se-á sobre o papel deste movimento social na construção da cidadania das pessoas com deficiência e no desafio das concepções dominantes de deficiência em Portugal.
- FONTES, Fernando
PAP1114 - Compartilhando significados culturais:: produção, circulação e consumo da cultura surda e a constituição de identidades surdas
O presente trabalho é resultado de uma pesquisa que analisa a produção, circulação e consumo da cultura surda brasileira. Centrado nas produções culturais das comunidades surdas, procuramos problematizar as relações de poder envolvidas na produção de significados culturais e de identidades surdas. Para tanto, filia-se ao campo dos Estudos Culturais por entender a cultura como campo de luta em torno de significação social e aos Estudos Surdos, por conceber a cultura surda como espaço de contestação e de constituição de identidades e diferenças que determinam a vida de indivíduos e de populações. Cabe ressaltar que as produções culturais de pessoas surdas envolvem, em geral, o uso de uma língua de sinais, o pertencimento a uma comunidade surda e o contato com pessoas ouvintes, sendo que esse contato linguístico e cultural pode proporcionar uma experiência bilíngue a essa comunidade, ou seja, experiências que se dão no campo visual. Até o momento foi possível mapear as produções culturais das comunidades surdas brasileiras consolidadas em editorias impressos ou em formato digital (CDs / DVDs) com distribuição comercial ou distribuição gratuita em projetos do Ministério da Educação. Também coletamos produções culturais nas diferentes regiões brasileiras, com ênfase nos artefatos que circulam nos espaços dos movimentos surdos organizados e nos espaços escolares. Dessa forma constituímos um corpus de analise dos processos de significação envolvidos na produção, circulação e consumo dos artefatos pertencentes à cultura surda. Com ênfase no registro das produções culturais de pessoas surdas, a presente investigação prioriza os registros visuais, como as filmagens, a escrita da língua de sinais, as traduções da Libras para a escrita da língua portuguesa e outras produções artísticas. Tais formas de registro contribuem para a manutenção do leque de possibilidades artísticas e expressões da língua de sinais da comunidade surda, já que tradicionalmente a manifestação da cultura surda tem como requisito a necessidade do encontro presencial entre surdos. As possibilidades de registros visuais elencadas na pesquisa estabelecem uma relação singular tempo-espaço, abrindo outras possibilidades de encontros em que compartilhamento e trocas de significações são potencializadas entre as comunidades surdas. Diante dessas múltiplas possibilidades de produção, circulação e consumo da cultura surda, abrem-se novos desafios para pesquisas comparadas no campo cultural.
- KLEIN, Madalena

- KARNOPP, Lodenir Becker

- LUNARDI-LAZZARIN, Marcia Lise

Madalena Klein possui graduação em Serviço Social, especialização em Psicologia Social, mestrado e doutorado em Educação. Atualmente é professora adjunta no Departamento de Fundamentos da Educação e no Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Pelotas (UFPel- Brasil). Tem experiência na área de Educação, com ênfase em pesquisas nos seguintes temas: educação de surdos, formação profissional e docente, diferença e currículo.
Lodenir Becker Karnopp possui graduação em Letras, Mestrado e Doutorado em Linguística e Letras. Atualmente é professora adjunta no Departamento de Estudos Especializados e no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Desenvolve pesquisas no campo dos Estudos Culturais em Educação e na área de Linguística, com ênfase em Línguas de Sinais e educação de surdos. Bolsista Produtividade 2 do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Márcia Lise Lunardi-Lazzarin, possui graduação em Educação Especial, Mestrado e Doutorado em Educação. Atualmente é professora adjunta no Departamento de Educação Especial e no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Desenvolve pesquisas na área de Educação, com ênfase na Educação de Surdos e Educação Especial, nos seguintes temas: currículo, políticas de inclusão/exclusão, filosofia da diferença.
PAP0292 - Comunicação organizacional e identidade coletiva – a comunicação como uma meta-ideia
O artigo que nos propomos apresentar pretende dar conta das principais conclusões da investigação que produzimos no âmbito de um Doutoramento em ciências sociais que teve como objeto de estudo os processos de comunicação e a sua influência na redefinição da identidade de um agrupamento de escolas em contexto de mudança.
Nele pretendemos discutir o reforço e a diversificação do investimento na comunicação por parte das instituições educativas como uma das consequências da nova gestão pública (Santiago, Carvalho e Magalhães, 2005). O nosso argumento é o de que prosseguindo os ideais de ‘qualidade’ e ‘eficácia’, as escolas têm procurado reforçar o diálogo com os seus diferentes ‘públicos’, apostando na comunicação organizacional como parte integrante de uma estratégia empreendedora, que lhes tem vindo a conferir uma nova identidade colectiva, unificada em torno de valores neo-liberais.
Revelando a influência de pressões híbridas, os complexos sistemas de comunicação então criados, transformaram-se num contexto mediador da mudança que decorre das novas concepções de escola e dos novos mandatos para a educação, assumindo-se como o locus de produção de novas identidades. O que sustentamos é que tal acontece porque a comunicação constitui o ponto de convergência entre as diferentes políticas educativas e as práticas localmente adoptadas na sequência de um processo de interpretação criativa das diferentes pressões. É este o sentido com que afirmamos que a comunicação se constitui numa meta-ideia ao serviço da ‘qualidade’, ainda que, como argumenta Stensaker (2004) esta possa ser perspectivada a partir do ideal burocrático da organização (como sinónimo de eficiência administrativa), do ideal profissional (centrada no processo de ensino-aprendizagem) ou do ideal empreendedor (valorizando a capacidade de resposta às solicitações do mercado).
Os dados empíricos que sustentaram este estudo resultam da observação do quotidiano de um agrupamento de escolas do ensino básico e dos testemunhos recolhidos, ao longo de três anos, nesta comunidade educativa.
Quanto aos resultados, apontam para a centralidade dos processos de comunicação na transformação induzida pela nova gestão pública e para o desenvolvimento de uma matriz discursiva bilinguista (Clarke e Newman, 1997), que procura harmonizar os imperativos de ‘mercado’ com o discurso pedagógico e com modelos burocrático-profissionais de organização.
Clarke, J. and Newman J. (1997). The Managerial State. London: Sage Publications.
Santiago, R. A.; Magalhães. A. e Carvalho. T. (2005). O surgimento do managerialismo no sistema de ensino superior português. Coimbra: CIPES.
Stensaker. B. (2004). The transformation of organizational identities: Interpretations of policies concerning the quality of teaching and learning in Norwegian higher education. Twente: CHEPS/UT.
- FARIA, Susana

Susana Faria, Professora Adjunta na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Instituto Politécnico de Leiria, integra o Centro de Investigação Identidades e Diversidades (CIID) do Instituto Politécnico de Leiria.
Doutorada em Ciências Sociais pela Universidade de Aveiro, atua na área de Sociologia, em que é licenciada, e das Ciências da Educação, onde obteve o grau de Mestre. Nos últimos anos, tem vindo a privilegiar como áreas de investigação: a comunicação organizacional, a cultura e identidade(s) coletiva(s) e os processos de transformação identitária.
PAP0977 - Consumos, Identidades e Processos de Diferenciação Social no Parque das Nações
Na cultura de consumo que também tem caracterizado a sociedade portuguesa nas últimas décadas, o valor de uso dos objectos é suplantado pelo seu valor de significação. Os objectos entram na mesma lógica identitária e estetizante que envolve as práticas quotidianas e os espaços onde elas acontecem, sendo manipulados pelos consumidores com vista a marcar posições sociais e a compor estilos de vida. Estilos de vida que tanto podem ser entendidos enquanto formas padronizadas de estabelecer identificações sociais através dos significados dos objectos consumidos, como de retratar as opções que formalizam as negociações das identidades pessoais.
Tendo por base esta articulação de postulados teóricos pretende-se nesta comunicação demonstrar como é que o consumo se pode traduzir em formas complexas de composição identitária e de representação social, com repercussões directas ao nível dos valores e modos de vida. Para tal será apresentado um caso de estudo centrado nos residentes do Parque das Nações e nos seus hábitos de consumo.
É amplamente reconhecido que o consumo de praticamente todo o tipo de bens deixou de estar sujeito à simples satisfação de necessidades para funcionar, entre outros aspectos, como uma espécie de negociação de identidades, valores e imagens, sublinhando-se a sua capacidade de expressão e comunicação. Acontece que esta capacidade também participa na inevitável categorização da realidade e na consequente diferenciação social.
Tendo como ponto de partida o consumo do espaço habitacional, o percurso desta comunicação em direcção a escalas de análise mais finas sobre hábitos de consumo e práticas de vida quotidiana visa demonstrar não só a existência de diferentes sentidos e relações com o consumo dentro de um estilo de vida aparentemente único, como também a importância das estratégias de diferenciação social na construção e recomposição de identidades, valores e modos de vida.
- GATO, Maria Assunção

Maria Assunção Gato
Afiliação institucional: DINÂMIA'CET-ISCTE/IUL
área de formação: doutoramento em Antropologia Cultural e Social
principais interesses de investigação: recomposições sociais, consumos e estilos de vida, modos de vida em espaço urbano
PAP0228 - Cultura e comunicação na contemporaneidade
Nesta comunicação pretende-se apresentar algumas ideias e sugestões sobre diversas modalidades de relações que empreendem e envolvem todos os elementos necessários para uma clara abordagem sobre a noção de cultura e de comunicação na sociedade contemporânea. Pode dizer-se que a cultura é uma modalidade totalizante da experiência humana e caracteriza-se-á, antes de mais, pela assimilação das diferentes dimensões ontológicas da realidade. No entanto, para as modalidades tradicionais da experiência humana, aquilo que é verdadeiro é simultaneamente belo e bom. Pode dizer-se também que a comunicação, não exclui a cultura, mas produz o contexto específico da cultura. Portanto, o que significa a cultura e a comunicação para nós? Segundo Tony Schirato & Susan Yell: ―Communication can be understood as the practice of producing meanings and the ways in which system of meaning are negotiated by participants in a culture. Culture can be understood as the totality of communication practices and system of meaning” (Schirato & Yell 2000). No entanto, a cultura e a comunicação são, sem dúvida, um instrumento ou uma condição humana que engloba o labor, a diversão e todos os demais aspectos da vida, pois o homem na sua plenitude serve-se dela para enfrentar o universo e exprimir as suas competências dentro dos grupos sociais a que pertence. Mas, será possíveis os dois conceitos – cultura e comunicação – podem ajudar-nos afastar o conflito que se encontra todos os dias? será a violência humana e guerra é também uma prática cultural? Será o conflito como a guerra é também influenciada pelo poder da comunicação e influenciada pela cultura do outro? Qual é o papel do Estado para preservar a identidade cultural de seu povo - no caso concreto do povo timorense - no mundo de tecnologia de informação e de comunicação? Estas questões vão ser abordadas também neste trabalho.
- PAULINO, Vicente

Pequena bio-nota
Vicente Paulino é licenciado e mestre em Ciências da Comunicação pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. É doutorando em Comunicação e Cultura no Departamento Anglístico – FLUL. Foi fundador e redactor do Bulletin kuda Ulun Lian, em Maliana – Timor-Leste e Vogal do Conselho Fiscal da APARATI em Lisboa. Actualmente é investigador do Projecto: As ciências da classificação antropológica em “Timor Português” – Projecto HC/0089/2009, financiado pela FCT (2010-2014) e membro do Conselho de Política Científica da AICSHLP e Sócio da SOPCOM. Tem publicado artigos em capítulos de livros e actas, como “A imprensa católica Seara e a tradição timorense: 1949-1973”, in: Silva, Kelly & Sousa, Lúcio (org), Ita Maun Alin - o livro do irmão mais novo, 2011, Lisboa: Edições Colibri; “Crónica literária e relato jornalístico no jornal Seara, 1950-1970”, in Actas do Colóquio Timor: Missões Científicas e Antropologia Colonial, 2001, Lisboa: IICT; “Cultura e Múltiplas identidades linguísticas em Timor-Leste”, in Sousa, Ivo Carneiro de & Correia, Ana Maria (org), Lusofonia encruzilhadas culturais, Macau: Saint Joseph Academic Press; “Remembering the Portuguese Presence in Timor and Its Contribution to the Making of Timor’s National and Cultural Identity”. In Laura Pang (ed.), Portuguese and Luso-Asian Legacies, 1511-2011: Complexities of Engagement, Culture, and Identity in Southeast Asia. Vol. 2: The Tenacities and Plasticities of Culture and Identity, 2011, Singapura: Institute of Southeast Asian Studies. Tem apresentado as comunicações em colóquios, congressos e conferências nacionais e internacionais.
PAP0932 - Desigualdades sociais e acção colectiva: propostas teóricas para o estudo das práticas associativas em contexto local
A relevância do estudo da acção colectiva enquanto elemento configurador central das dinâmicas das sociedades contemporâneas tem constituído, ao longo do percurso pelas teorias sociológicas (desde os clássicos até à actualidade), um terreno de fértil e desafiante conhecimento sociológico acumulado. A persistência e perenidade das desigualdades sociais nas sociedades contemporâneas terão relevância sobre a acção colectiva e cidadania modernas? Mais especificamente, é proposta uma discussão teórica com vista ao aprofundamento do estudo das práticas associativas sob a óptica problemática das desigualdades sociais.
Com vista a um profícuo e acutilante «estado da arte» das relações entre as desigualdades sociais e a acção colectiva, serão convocados os contributos de Marx, Weber e Simmel; procurar-se-á um debate actualizado das teorias das classes sociais e do conflito (nas suas variantes neo-marxistas, neo-weberianas e interaccionistas); tal implicará a discussão das teorias organizacionais, da mobilização dos recursos e dos novos movimentos sociais; e incorporar-se-ão os novos contributos teóricos de autores como Pierre Bourdieu, Margaret Archer e Nicos Mouzelis.
As propostas teóricas avançadas visam o aprofundamento de perspectivas de pesquisa em contexto local, que procurem analisar a relevância e o impacto das desigualdades sociais sobre as práticas associativas dos actores colectivos e individuais, e respectivas dinâmicas de identidade cultural geradas. Ancorando no conceito de práticas associativas, e partindo da mobilização dos actuais e principais instrumentos da sociologia das classes sociais, constituem objectivos de investigação sociológica, a parametrização de um programa holístico no estudo da acção colectiva que, articulando os níveis macro, meso e micro–sociais, entrecruze os processos e as dinâmicas estruturais, institucionais, configuracionais, simbólicas, interactivas, posicionais e disposicionais que atravessam um determinado espaço social associativo.
Este é um contributo para um maior conhecimento das dinâmicas da acção colectiva, relativamente aos perfis e relações das classes sociais, condições objectivas, modos e estilos de vida, valores e referentes simbólico-ideológicos e correspondente produção de identidades culturais (individuais e colectivas), características e dinâmicas dos actores colectivos e do conflito, presença das instituições, configurações e processos de reprodução e mudança social.
São propostos horizontes teóricos que integrem no estudo da acção colectiva os efeitos multidimensionais e das intersecções das desigualdades sociais contemporâneas, no que diz respeito aos domínios das relações de produção, das sociedades do conhecimento e das instituições políticas.
- NUNES, Nuno

Envio a seguinte Nota Biográfica: Nuno Nunes é investigador do CIES-IUL do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE) e membro do Observatório das Desigualdades. As desigualdades sociais, a análise de classes, a ação coletiva e a mudança social são os seus principais interesses de investigação. A participação em projetos internacionais como o "European Social Survey" e o desenvolvimento de uma investigação pós-doutoral intitulada "Desigualdades sociais, atores coletivos e identidades culturais: práticas associativas em contexto local" visam o aprofundamento da problemática das desigualdades sociais. Destacam-se as seguintes publicações: Carmo, Renato and Nunes, Nuno (2012). Class and social capital in Europe: a transnational analysis of the European Social Survey, European Societies; Nunes, Nuno and Josué Caldeira (2011), "Desigualdades sociais e ação coletiva na sociedade portuguesa", in Carmo, Renato Miguel (coord.), Desigualdades em Portugal: Problemas e Propostas, Lisboa, Edições 70; e, Nunes, Nuno, and Renato Miguel do Carmo (2010), “Condições de classe e acção colectiva na Europa” in Carmo, Renato Miguel do (org.), Desigualdades Sociais 2010. Estudos e Indicadores, Lisboa, Editora Mundos Sociais.
PAP0554 - ENTRE FRAGMENTAÇÕES E PERMANÊNCIAS: IDENTIDADES DE GÊNERO E AS VIOLÊNCIAS NA ESCOLA
Partindo da perspectiva de que não são as características sexuais que determinam o que é ser masculino ou feminino, defende-se que é a forma como essas características são representadas, aquilo que se diz ou se pensa sobre elas que vai constituir identidades gendradas em uma dada sociedade e em dado momento histórico. Na modernidade tardia descentramentos e fragmentações caracterizam as identidades de homens e mulheres, provocando a perda das estabilidades, das ancoragens que forneciam elementos para o “sentido de si” estável, conhecido, previsível. Na escola este processo é intensificado por ser local de socialização e aprendizagens diversas, onde diferenças são produzidas, espaços são delimitados, relações de poder e discursos delineiam as práticas; gestos, sentidos, movimentos, olhares, condutas e posturas são incorporados por alunos e alunas tornando-se parte de suas experiências e representações cotidianas. A escola não apenas transmite conhecimentos, mas também fabrica sujeitos, produz identidades étnicas, de gênero, de classe, geralmente através de relações desiguais. Compreender as relações de gênero como constituinte da identidade dos sujeitos, nos levou a investigar jovens de ambos os sexos de 15 a 24 anos de uma escola da rede pública da cidade de Aracaju, capital do estado de Sergipe, localizada no nordeste brasileiro. Fruto de pesquisa ora em andamento este artigo busca fomentar reflexões em torno dos valores nos quais estão sendo embasadas as construções das identidades de gênero e seus possíveis nexos com as violências no âmbito escolar. O estudo de caso de cunho etnográfico permitiu utilizar além das conversas informais, técnicas e instrumentos de investigação como a entrevista semi estruturada, a observação participante e o diário de campo de modo a perceber a cultura escolar, suas práticas rotineiras e comuns, os gestos e as palavras banalizados, tornando-os alvos de atenção, de questionamento e, em especial, de desconfiança. Conclusões preliminares apontam para identidades lastradas em bases tradicionais de oposição entre o masculino e o feminino tendo como elemento novo a representação feminina associada à ascensão no espaço público através do trabalho. Identifica-se ainda o preconceito velado contra a homossexualidade expondo o não reconhecimento das identidades consideradas diferentes, bem como o entrelaçamento das violências.
- COUTO, Maria Aparecida Souza

Maria Aparecida Souza Couto, professora de Educação Física da Rede Pública Estadual de Ensino de Sergipe, doutoranda em Educação pela Universidade Federal de Sergipe; Mestra em Educação por essa mesma Universidade; graduada em Serviço Social pela Universidade Católica do Salvador – UCSAL. Membro do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher e Relações de Gênero (NEPIMG), integrante do grupo de pesquisa Educação, Formação, Processo de Trabalho e Relações de Gênero, ambos da Universidade Federal de Sergipe. Temas de investigação de interesse: Gênero; Violência de Gênero;Violências nas Escolas; Bullying; Sexualidade; Diversidade Sexual; Juventudes; Família; Educação Física escolar.
PAP0981 - Entre a identidade e a justiça: contributos da teoria do reconhecimento
A teoria do reconhecimento tem sido desenvolvida consistentemente por Charles Taylor e Axel Honneth, a partir da ideia original de F. Hegel e com os contributos da psicologia social de George Mead. Honneth (2011) formula uma concepção intersubjetiva da autoconciência humana, uma vez que ela é obtida na medida em que o sujeito compreende a sua própria ação a partir da perspetiva, simbolicamente representada, de uma segunda pessoa. Para Honneth, esta tese representa a primeira etapa na fundamentação naturalista da teoria do reconhecimento de Hegel, em que Mead inverte a relação do “Eu” e “mundo social”, afirmando a antecedência da percepção do outro sobre o desenvolvimento da autoconsciência.
O sujeito obtém assim a capacidade de participação nas interações normativas do seu meio e ao adotar como suas as normas sociais de ação do outro generalizado, desenvolve a identidade de um sujeito aceite na sua comunidade. Neste processo de socialização, operado na relação intersubjetiva, o conceito de reconhecimento é desdobrado em três esferas: Amor, Direito e Estima Social. Estas esferas, através da aquisição cumulativa de autoconfiança, auto respeito e auto-estima, criam as condições sociais que permitem os atores chegar a uma atitude positiva para com eles mesmos, originando o indivíduo autónomo. De igual forma, às correspondentes formas de reconhecimento mútuo, poder-se-á atribuir experiências paralelas de desrespeito social.
Para Taylor (2009), a importância do reconhecimento é admitida hoje universalmente de uma forma renovada. No plano da intimidade somos todos conhecedores de como se forma e deforma a identidade no nosso contato com os outros significativos. No plano social temos uma política incessante de reconhecimento no plano da igualdade. O reconhecimento igual ao ser negado pode prejudicar aquele a quem é recusado. Para Taylor, a projeção no outro de uma imagem depreciativa pode realmente oprimi-lo, na medida em que for interiorizada.
A identidade de cada um depende das relações dialógicas estabelecidas com os outros. Segundo Taylor, definimo-nos sempre em diálogo, exterior e interior, por concordância ou oposição, com a identidade que os outros significativos querem, ou quiseram, reconhecer em nós.
Neste trabalho pretende-se uma abordagem sociológica capaz de aferir os princípios normativos próprios de uma época, estruturalmente inscritos na relação de reconhecimento recíproco, de modo a explicar os processos de mudança social. Parece adequada uma metodologia qualitativa, compreensiva, com recurso à análise documental e a entrevistas semi-directivas. Pretende-se aplicar o quadro teórico à pesquisa da sociedade insular micaelense, a partir de dois grupos sociais extremos no espetro social, como sejam os indivíduos que se encontram desafiliados socialmente, como o caso dos sem-abrigo por contraste aos indivíduos que se encontram no topo da estratificação social.
- FONTES, Paulo Vitorino

Paulo Vitorino Fontes, nascido a 9 de Junho de 1975, nos Estados Unidos da América, vive desde a infância nos Açores. Licenciado em Sociologia em 2001 e a realizar a dissertação de mestrado na Universidade dos Açores. Exerce actividade profissional de coordenação e intervenção social e interessa-se pela investigação na teoria crítica com articulação e especial enfoque na teoria do reconhecimento.
PAP1451 - Estratégias de gestão dos processos de aculturação: as identidades pessoais como processos em gerúndio
A partir de entrevistas etnobiográficas com professores, com idosos e com imigrantes brasileiros em Portugal, tenho tentado compreender a identidade como processo inacabado, em gerúndio, de reconstrução ontológica entre o passado (memória) e o futuro (projecto) sendo a aculturação vista como processo de aprendizagem e de transformação de si.
Nesta comunicação, procuro mostrar como os sujeitos interiorizam os vários elementos culturais de que se apropriam, nesse processo de bricolage (Lévi-Strauss, 1977, 1983 ), e como gerem as várias pertenças e identificações. Simultaneamente, cruza-se a análise com os conceitos de projecto e metamorfose estudados por Gilberto Velho (1981; 1994) para quem a existência de projecto é a afirmação de uma crença no indivíduo-sujeito.
A construção de identidade, tal como a operacionalizamos, consiste em dar um significado consistente e coerente à própria existência, integrando as suas experiências passadas e presentes, com o fim de dar um sentido ao futuro. Trata-se de uma incessante definição de si próprio: o que/quem sou, o que quero fazer/ser, qual o meu papel no mundo e quais os meus projectos futuros, processo nem sempre pacífico e causador, por vezes, de muitas crises e angústias existenciais (Dubar, 2000).
Neste quadro orientador, daremos conta, através das vozes dos entrevistados, das estratégias de gestão das diversidades culturais que atravessam o Ego, essa identidade pessoal que, assim, é sempre, também, social. O Eu é um nós mais monocultural, mais multicultural (ou ambivalente) ou intercultural que gere múltiplas pertenças de modo estratégico, como daremos conta na comunicação.
- VIEIRA, Ricardo

Ricardo Vieira, antropólogo e sociólogo, é Professor Coordenador Principal da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Instituto Politécnico de Leiria e investigador do CIID-IPL. Concluiu a sua Agregação em 2006. A sua investigação tem incidido sobre multiculturalidade e educação intercultural; histórias de vida e identidades; identidades pessoais e profissionais; identidades e velhices; mediação intercultural; educação e serviço social. No ano de 2000 foi galardoado com o prémio Rui Grácio, prémio para a melhor investigação em Portugal no domínio das Ciências da Educação. É autor e co-autor de uma dúzia de livros e de dezenas de artigos publicados em revistas nacionais e estrangeiras.
PAP0711 - Fragmentos de vidas profissionais de professores: vivências e reacções às recentes reformas educativas
Enquanto medidas profissionais e gestionárias definidas “de fora para dentro”, a implementação da revisão do Estatuto da Carreira Docente (2007) e da Gestão e Direcção Escolar (2008) tiveram implicações na autonomia e autoridade dos professores, desafiando e reenquadrando as suas identidades profissionais. Apresentamos nesta comunicação resultados parciais obtidos numa investigação qualitativa que, procurando um aprofundamento das trajectórias profissionais dos professores para desvendar as suas identidades profissionais, permitiu entender a relação entre perfis de identidade e respostas às reformas educativas. Interessou-nos, fundamentalmente, analisar as reacções em função de variáveis que têm sido consideradas relevantes - anos de serviço, género, área disciplinar, experiência profissional -, mas também o nível de envolvimento dos professores em associações e sindicatos de professores. Esta abordagem implica, por um lado, uma análise dos processos institucionais tendo em consideração os processos individuais e, por outro, o entendimento da identidade profissional como processo dinâmico, construído e reconstruído em determinadas épocas histórias e contextos sociais, através de dinâmicas de conflito e negociação. A partir de uma discussão articulada entre a Sociologia da Educação, a Sociologia das Profissões e a utilização da metodologia de Histórias de Vida, analisamos fragmentos de biografias e discursos de um conjunto de professores do ensino secundário que ilustram características-chave das formas de posicionamento e apropriação simbólica das reformas: aceitação, conformidade, afastamento, resistência, transformação. Os resultados obtidos permitem constatar que os professores se posicionam baseando-se em esquemas de pensamento e acção reflexivos, na mobilização de valores e poderes e na expressão de emoções. Trazemos para a discussão algumas questões pertinentes e actuais: poder-se-á falar de um posicionamento generalizado dos professores face às reformas? Existirão diferenças consoante grupos específicos? São essas reacções estratégias de preservar poderes profissionais, uma identidade profissional reivindicada?
- STOLEROFF, Alan
- SANTOS, Patrícia
PAP0806 - GT Estudos Ciganos em Portugal - A integração de ciganos em Portugal
A integração social consiste na aprendizagem das normas sociais que se incorporam nas formas de estar, agir e sentir, ou seja, fazem com que o indivíduo se identifique com a realidade social que o rodeia. A aprendizagem decorre com o processo de socialização, nos quadros de vida envolventes e nas experiências sociais a que cada um tem acesso. Trata-se de uma realidade dinâmica com múltiplas combinações de traços sociais, culturais e identitários.
Num estudo qualitativo realizado em Portugal sobre ciganos integrados, constatou-se que os motivos ou factores na origem da integração podem ser diversos, sendo que há distinções de percursos e de histórias de vida de integração sobretudo por razões que se prendem com questões de género, com as origens socioeconómicas e culturais, a ascendência familiar, o tipo de uniões conjugais, a escolaridade, a habitação e as relações sociais diversificadas.
Os resultados deste estudo revelam a diversidade dessas trajectórias e percursos de vida, a heterogeneidade de origem e de traços culturais e identitários que, aparentemente, não coloca em causa o sentimento de pertença e de ancoragem à identidade cigana.
- MAGANO, Olga

Olga Magano, Universidade Aberta/ Centro de Estudos das Migrações e Relações Interculturais (CEMRI). Licenciatura e Doutoramento em Sociologia.
Interesses de investigação: ciganos; sociologia da integração; sociologia da exclusão; identidade social; mobilidade social.
PAP0216 - Jovens (sub)urbanos: identidades e estilos de vida juvenis no Pica Pau Amarelo
Esta comunicação baseia-se na pesquisa que estamos a desenvolver no âmbito do Doutoramento em Sociologia Urbana. Trata-se de um estudo de caso do Bairro Amarelo em Almada, especificamente dos jovens deste bairro. Interessava-nos perceber se a uma imagem exterior de uma população homogénea (de jovens "párias urbanos" e marginais e/ou anómicos) correspondia uma realidade interna. Através da pesquisa de terreno - observação participante, conversas informais e entrevistas - cedo começámos a perceber que não estamos, de facto, na presença de uma população homogénea. Estes jovens apresentam, com efeito, diversas estratégias de vida, diversas formas de configuração das suas identidades e de gestão de si face aos "outros significativos". Podemos identificar, assim, diversos estilos de vida entre estes jovens. Num primeiro grupo encontramos os jovens que desenvolvem as suas sociabilidades, estilos de vida e identidade nas imediações da actividade desenvolvida pelas instituições representantes da Política Pública desenvolvida nos "bairros críticos" (nomeadamente através do Programa Escolhas e da Santa Casa da Misericórdia de Almada), girando a sua vida em torno das propostas de actividades destas instituições. Num outro grupo identificamos jovens que se “constroem” enquanto indivíduos “dentro” da actividade das associações de bairro criadas por “filhos do bairro”, associações estas também impulsionadas pelo objectivo de “retirar os jovens dos maus caminhos” de que o bairro seria indutor (falamos, especificamente de duas associações, uma que desenvolve a actividade das marchas populares e outra que centra a sua acção no atletismo junto dos jovens). Encontramos, por fim, dois grupos de jovens que se constituem como actores e desenvolvem os seus estilos de vida em torno de grupos informais “alternativos”: um constituído pelos “jovens do hip hop underground” que se desenvolvem como indivíduos dentro desta subcultura/tribo urbana (uma reflexão sobre a adequação de uma ou outra categoria, ou de outras, será feita na comunicação), afectando os seus tempos e recursos a esta actividade que se torna, para eles, a parte central das suas existências. Temos, por fim, o grupo de jovens que vive “à margem”, isto é, numa cultura de contranormatividade, praticando actividades e desenvolvendo a sua identidade e estilo de vida “contra o sistema” e propondo (tal como muitos dos jovens do hip-hop aliás), uma forma de vida alternativa e um novo modelo de sociedade, pondo em prática uma estratégia de “inversão simbólica” dos atributos valorizados. Mais interessante do que inventariar a diversidade de identidades e estratégias de vida destes jovens será, no entanto, perceber como estes diferentes estilos de vida se entrecruzam e criam realidades e estilos de vida “híbridos”, através da análise das biografias dos jovens do Pica Pau Amarelo.
- BARBIO, Leda

Leda Barbio, Socióloga pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da
Universidade Nova de Lisboa.
Doutoranda em Sociologia Urbana na mesma universidade, associada ao
Cesnova e bolseira de doutoramento FCT.
Investigação desenvolvida nas áreas da exclusão social, espaços urbanos
degradados e culturas juvenis, a nível de formação académica e ainda
nas áreas de sociologia da educação e dos consumos de substâncias
psicoactivas a nível de investigação desenvolvida no Cesnova.
PAP1510 - Kuduro, estilos de vida e processos de identificação em Lisboa
O kuduro é um estilo de dança e música que surgiu em Luanda, nos anos noventa, e que chegou a Portugal logo em seguida.Um dos objetivos é compreender como, ao lado de outras formas de expressão cultural juvenis, em Lisboa, o kuduro, assim como o hip-hop, o rap e o reggae, passou a fazer parte integrante do consumo e da produção cultural dos jovens da periferia, principalmente dos jovens africanos e descendentes. Em meio à música e à dança como formas de entretenimento, um universo de tensões sociais, étnicas e geracionais se fazem presentes em tal contexto e fazem emergir interessantes processos de identificação social, demarcados pelo conteúdo e pelo modo particular como os jovens envolvidos com o kuduro se expressam e dinamizam a presença deste estilo de música e dança.A escola, a rua e a internet se tornaram os principais espaços de socialização do kuduro, principalmente na Região Metropolitana de Lisboa, fazendo emergir um estilo de vida que parece constituir laços de afinidade geracionais, além de afinidades sonoras, corporais, linguísticas e culturais, expressas na forma de fazer e ouvir música, de vestir, andar e dançar, de falar, assim como de reproduzir saberes, práticas e histórias familiares e de vida. Como são expressos e se constituem os processos de produção, circulação e consumo local do kuduro, quais suas características e quem são os atores sociais envolvidos, estas são algumas das questões que serão abordas na apresentação deste trabalho, que está baseado em dados obtidos a partir de pesquisas de observação direta realizada na Região Metropolitana de Lisboa nos últimos dois anos. tidos a partir de pesquisas de observação direta realizada na Região Metropolitana de Lisboa nos últimos dois anos. A análise de tais questões está implicada pelas novas dinâmicas dos fluxos contemporâneos transnacionais de pessoas, de produtos culturais e de informações, em contextos metropolitanos e pós-coloniais, no qual Portugal e as ex-colônias estão mutuamente envolvidos.
- MARCON, Frank Nilton

FRANK NILTON MARCON
Doutor em Antropologia. Professor de Antropologia do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Sergipe (BRASIL). Atua no mestrado e doutorado em Sociologia e no mestrado em Antropologia na mesma universidade. Coordenada o Grupo de Estudos Culturais, Identidades e Relações Interétnicas.
PAP1121 - O OUTRO LADO DO PRAZER: um estudo de caso das travestis que atuam nos pontos de prostituição do Centro do bairro de Campo Grande (R.J.– BR)
Trata-se do estudo de caso de um grupo de travestis, profissionais do sexo, de um determinado ponto do centro do bairro de Campo Grande, Zona Oeste da Cidade do Rio de Janeiro (Brasil), o qual proporcionou a construção de uma amostragem para a identificação e possível análise dos aspectos sociais, que fazem parte do cotidiano deste grupo de trabalhadores. Este retrata um perfil de profissionais que se confrontam com a realidade perversa do mercado de trabalho, a qual se agrava pelas questões de ordem cultural e de identidade sexual dessas trabalhadoras, que por vezes pouco se reconhecem como trabalhadores ou mesmo indivíduos portadores de direitos. Partindo do debate sobre identidades e sua relação com a construção de espaços societários, este ensaio, promove uma reflexão sobre o papel social e mercadológico desenvolvido pelas travestis, apontando a necessidade e a importância de sua existência como trabalhador alienado e desprotegido para o processo de acumulação capitalista, retratando o binômio exclusão x aceitação, que é referido da sociedade para a travesti, da travesti para outra travesti e do trabalhador para a travesti. Para tal a análise, conta com um arcabouço teórico apoiado em literaturas, filmes e reportagens que versam sobre a temática, esboçando seu caráter qualitativo e exploratório, uma vez que, não consegue analisar os dados de forma quantificada, ela se define por meio dentre os discursos coletados, ao passo que explora quando visa obter-se mais informações sobre um determinado assunto, como no caso do presente estudo. Desta forma foi possível pautar o debate sobre a travesti na sociedade e no mercado de trabalho, bem como o processo de construção de identidade destas travestis como trabalhadoras e como homossexuais, articulado com as lutas sociais e ações públicas implantadas no cenário nacional e estadual de defesa e reconhecimento da cidadania deste segmento da sociedade.
- SOARES, Maurício Caetano M.

- FERREIRA, Silvia da S.
Maurício Caetano Matias Soares
Graduado em Serviço Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e Mestre em Política socail pela Universidade Federal Fluminense atua como asssitente social na área da saúde há 9 anos e há 10 anos realiza pesquisas na área da súde voltadas para atuação profissional frente as políticas sociais de saúde brasileira e avaliação das políticas sociais brasileira frente ao acesso a elas como efetivação de direito através do Nucleo de Pesquisa de Questão Social, Serviço Social e Polítca Social da Escola de Serviço Social da UFRJ e faz parte como membro do corpo docente do centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM/RJ).
PAP0092 - O conservador-restaurador: análise de percursos de construção identitária numa profissão em transformação
A Conservação e Restauro ocupa hoje um lugar preponderante na salvaguarda e recuperação do património. Sendo aparentemente uma disciplina de cariz prático, a Conservação e Restauro é principalmente a aplicação de diversificados conhecimentos teóricos provenientes de várias disciplinas (ex: Química, Física, Biologia, História, História da Arte, Museologia), tendo sempre presente a teoria da Conservação e Restauro e o respeito pelo Código de Ética da Profissão, advogado pela Confederação Europeia dos Conservadores-Restauradores (ECCO).
Vários factores impulsionaram a mudança que se tem vivido nas três últimas décadas no seio desta profissão, residindo principalmente: na criação de programas de nível superior (Magalhães e Curvelo, 2007), na evolução das práticas profissionais, associada a uma crescente especialização sempre atenta à requerida interdisciplinaridade (Philippot, 1960), acompanhada do recente reconhecimento legal da necessária competência técnica na direcção de obras ou intervenções (Decreto-Lei n.º 140 /2009; Remígio, 2010b), no recurso a movimentos associativos e na progressiva valorização e visibilidade desta carreira científica e técnica. Múltiplos factores contribuíram para a gradual legitimação de um discurso e valorização de um saber profissional.
Face a este cenário de mudança, a presente comunicação* procura apresentar uma incursão sobre o processo de socialização e construção da identidade profissional do conservador-restaurador.
Tendo privilegiado uma démarche indutiva, as questões orientadoras do “universo interpretativo do investigador” (Paillé e Mucchielli, 2003: 74) potenciaram a análise deste corpo profissional, assente na conceptualização teórica de identidade profissional de Dubar (1997a), e conduzida numa metodologia de cariz qualitativo. Numa lógica próxima das pessoas, das suas acções e testemunhos, a abordagem biográfica (Demazière, 2007; Bertaux, 1997) consistiu a nossa forma de aproximação ao Outro, conferindo sempre um especial estatuto à palavra dos actores (Demazière e Dubar, 1997).
Neste contexto, cuidaremos de apresentar alguns traços de quatro percursos experienciais, obtidos através de narrativas biográficas orais, analisando a singularidade emergente de cada trajectória profissional, inscrita numa perspectiva dinâmica. Pela justaposição dos perfis, daremos conta de um conjunto de linhas interpretativas da dinâmica identitária deste grupo profissional. Numa recursividade permanente entre leitura do teórico e do vivencial, destacaremos alguns elementos que configuram dimensões de um viver colectivo.
*A comunicação retoma sumariamente os principais resultados da dissertação defendida pela autora, em Outubro de 2011, no âmbito do Mestrado em Ciências da Educação do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa.
- SÁ, Silvia

Silvia Sá
Afiliação institucional - Assistente Convidada do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, Área de formação - Mestrado em Ciências da Educação e Pós-graduação em Gestão de Recursos Humanos; Interesses de investigação - Missão Educativa dos Museus; Formação Profissional; Profissões, Identidade Profissional e Trabalho; Metodologias de Investigação qualitativas - estudo biográfico.
Responsável pelo Serviço de Formação do Museu da Presidência da República nos últimos 6 anos, colaborei paralelamente em diversos trabalhos de investigação relacionados com a implementação das TIC em sala de aula, necessidades de formação, acreditação de entidades formadoras.
PAP0883 - Pleasure in the Body, Pain in the Soul: the Identity Construction in BDSM
INTRODUCTION
For my presentation I would like to share a knowledge renewal, or revival, inspired in my academic monography, developed for the purpose of obtaining the undergratuade level. The central theme of the research was BDSM, that is, bondage/Discipline, Domination/submission and Sadomasochism. These are erotic and sexual practices that (re)create situations of power and pain in the pursuit of pleasure. The size of the first letters of each word was intentionally written to express that the power equilibrium is not balanced. On one side, the masterful; on the other, the obedient. Yet, due to the demands of deep communication and understanding of each parts, BDSM is perhaps one of the most egalitarian worlds of power exercise. These terms are interchangeable, that is, there is a blend between all these possibilities.
OBJECTIVES
One of the main objectives, and given the lack of studies in this area, was to assess the evolution of BDSM until the aggregation into pathologized pratices and identities. My presentantion will focus on the paths that practitioners choose when managing their personal and grupal identities facing the discrimination which they are targets.Their sources of inspiration, their relations to the group, and the association of the BDSM with their other social roles will be taken into account. To this end, their interpretations about BDSM,about the ways they think society sees and treats them, and the ways they seem themselves, will be revealed.
Methodology
The initial contacts were made through a portuguese internet forum dedicated to BDSM. After, some observations were made on a weekly basis on a bar where the participants of that forum usually gathered. From there, it was possible to achieve a sample of 11 interviewees.
CONCLUSIONS
As expected, the identity management is highly conflituous. The consciousness of the discrimination they could be faced to leads them to occult or dissimulate any revealing signal. Discrete symbols are used to express the belonging to the group, but they are only recognizable by other members. Even participants that seem more secure and open about their choices, demonstrate some sort of difficulties to treat BDSM as another part of their identity. Coping strategies are created and shared between them, generating an individual and collective form of handling with the feelings of stigma.
Keywords: BDSM, Bondage, Discipline, Domination, Submission, Sadomasoquism, identity, sexuality, body
- MONTEIRO, Núria Augusta Venâncio

Núria Augusta Venâncio Monteiro,
Licenciada em Sociologia, com o Mestrado obtido na mesma área de estudos, exerce funções de investigação no Sapo Labs, Departamento de Comunicação e Arte, da Universidade de Aveiro. Os interesses de investigação orientam-se para as esferas da construção do género e da sexualidade, assim como para qualquer domínio de índole (sub)cultural.
PAP0356 - Plural, flexível e reflexiva: discutindo novas configurações de identidade sexual
O conceito de identidade sexual ganhou sentido
e relevância histórica a partir do lugar que a
sexualidade passou a ocupar na cultura
ocidental moderna, possibilitando a emergência
de sujeitos em determinados contextos de
relações sociais que expressam um discurso de
verdade na descrição de si ligado ao sexo.
Vincula-se à vertente teórica do
construtivismo que associa a cultura e a
história na definição dos padrões da
experiência sexual dos grupos sociais. A
partir da compreensão do caráter mutável das
identidades sexuais, este trabalho discute a
configuração de identidades sexuais flexíveis
em um contexto urbano de participação juvenil
no Brasil. Utiliza-se a observação
participante e entrevistas em profundidade
para analisar a construção social da
sexualidade por jovens que estabelecem
relações amorosas estáveis tanto com pessoas
de mesmo sexo quanto de sexo diferente. A rede
social que conforma a participação é complexa,
diversa e multiplicada por vários domínios
sociais, oportunizando uma crescente abertura
na atualização de princípios de classificação
social constituintes da identidade. Esses
jovens entendem que o compromisso e a filiação
a uma identidade específica tende a
cristalizar possibilidades de experiências e
de crescimento individual. Na possibilidade de
se libertar das restrições instituídas pelas
normas sociais, eles vão percebendo a
diversidade de expressões do afeto e do
erotismo e vivendo sua sexualidade com mais
fluidez e menos sujeita a classificações. Em
conformidade, a rejeição ao termo bissexual
advém da crítica às rotulações dos
comportamentos sexuais e a uma condição humana
essencializada. Articula-se fundamentalmente
com um estilo de vida elaborado como uma
estratégia de expressar “eu vivo o momento”.
Esse estilo inerentemente desordenado
desprende-se da ideia de um atributo
identitário fundamental e uma conduta adequada
correspondente. Os contextos de participação
foram profícuos para o exercício reflexivo
sobre as performances identitárias,
propiciando novos modos de interação entre os
jovens. Eles regulam e reinventam suas
relações e práticas sociais, e narrativas do
eu em um ambiente caracterizado pela
problematização e contestação do mundo social
e organizado a partir de princípios
democráticos e valores do pluralismo. O
distanciamento crítico frente às convenções
sociais se expressa na afirmação de que o sexo
do parceiro não é essencial para o
entendimento da relação, além de não
compreenderem a identidade sexual como
elemento encompassador na constituição de suas
identidades sociais. A produção de novas
condutas é impulsionada pela desconstrução das
estruturas binárias e excludentes homem-mulher
e heterossexual-homossexual diante das
múltiplas possibilidades de configuração do
self oportunizadas por este ambiente.
- GUIMARÃES, Jamile Silva

Jamile Silva Guimarães é bacharel em Sociologia e mestre em Saúde Comunitária pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Desde a graduação propôs-se a desenvolver uma linha de estudos de caráter holístico sobre a Infância e a Juventude. Dedicou sua monografia a discutir a construção da Infância como questão social no Brasil e na dissertação analisou o papel da participação juvenil na promoção da saúde. Atua em estudos interdisciplinares nos seguintes temas: promoção da saúde, participação social, direitos humanos, desenvolvimento humano, educação, sexualidade e uso de drogas.
PAP1230 - Processo de socialização e construção de identidades profissionais: um estudo a partir de narrativas biográficas de trainees de uma multinacional brasileira
Um dos grandes desafios da juventude nos dias atuais é em relação à angustia quanto às possibilidades de inserção e realização profissional. Os dados demográficos no Brasil retratam um paradoxo: existe um contingente de profissionais no campo da Administração (estudantes, recém formados, pós-graduados, profissionais de carreira) em busca de uma oportunidade, no entanto, existe também uma demanda por profissionais que correspondam aos objetivos cada vez maiores das organizações e às exigências dos espaços ocupacionais. A cobiça por uma carreira diferenciada conduz milhares de jovens aos “Programas Trainnes” das grandes corporações. São programas altamente concorridos e desenhados para “encontrar” os talentos em potencial para ocupar posições de liderança no presente e/ou no futuro. Os estudos sociológicos demonstram que esses talentos não se fizeram apenas ao longo do processo de escolarização, tão pouco parece limitado pensar e acreditar que nasceram com atributos que os distinguem. Os estudos de Dubar(2005), Dubet (1994) Elias (1994) demonstram que os indivíduos se constituem profissionalmente ao longo do processo de socialização e de suas experiências sociais. A formação e conservação da identidade é um fenômeno que deriva da dialética entre um indivíduo e a sociedade, portanto, determinados pela estrutura social. Estas duas dimensões caracterizam o que Dubar (2005) tipifica como processo biográfico e processo relacional. Este trabalho tem como objetivo compreender o processo de construção da identidade de profissionais de trainees, atuantes numa multinacional brasileira a partir da identificação de regularidades e singularidades no processo de socialização e quais estratégias são/foram desenvolvidas para reconhecimento dessa identidade no campo profissional. Metodologicamente, para compreender o processo de construção da identidade profissional é importante olhar para a história de vida do sujeito, porque de acordo com Dubar (2005, p.150) quando olhamos para os jovens, a criação de estratégias pessoais e de representações de si pode ter grande peso no desenvolvimento futuro da vida profissional. Os dados empíricos são oriundos de narrativas biográficas obtidas por meio de entrevistas semi-estruturadas, intensivas e em profundidade, com quatro (duas moças e dois rapazes) dos vinte e um jovens que ingressaram na corporação pelo Programa Trainee 2010. A “análise dos mundos” na história de vida dos indivíduos por meio de sua própria narrativa possibilitou identificar as distinções que apresentam em suas identidades profissionais oriundas dos espaços de socialização primária e secundária.
Palavras-chave: Socialização; Identidade profissional; Espaço Ocupacional; Programa Trainee
- CUNHA, Marciano de Almeida

- SOBRAL, Mariana Cristina Tosta
- SOARES, Gabrielle Tosin
Marciano de Almeida Cunha
Professor da área de Gestão de Pessoas da Escola de Negócios da Pontifícia Universidade Católica do Paraná - PUCPR Brasil, atuando nos cursos de graduação e pós-graduação. Doutor em Educação (PUCSP) com estágio sandwich na Université de Montréal - Canadá, Mestre em Administração e em Educação (PUCPR) e formação em Administração e Ciências Biológicas (UEPB). Palestrante e consultor em Desenvolvimento Humano. e profissional. É líder do grupo de pesquisa “Formação e profissionalização no campo das Ciências Sociais Aplicadas”, no qual desenvolve pesquisas vinculado às seguintes Linhas de Pesquisa 1. “Processos de socialização, formação e profissionalização: da escolarização à carreira profissional” e 2. “Impactos de práticas e tecnologias de desenvolvimento profissional nos processos da Gestão de Pessoas e nas estratégias das organizações”. para conhecer mais www.marcianocunha.com.br
PAP0690 - Reflexões estratégicas de desenvolvimento local no contexto da preservação da identidade de Penedos (Mértola).
1. Enquadramento teórico
A proposta em presença tem como objecto de
estudo as questões da identidade e da memória
de uma aldeia alentejana, enquanto território
de partilha de uma comunidade rural, tendo em
conta a participação estratégica dos actores
locais. Estudaremos a partir daí, a sua
relação com a terra, o quotidiano, a mudança,
a organização social, a ruralidade, os
factores portadores de futuro e novas
propostas de desenvolvimento local, para
territórios de baixa densidade.
Em função do exposto, pretendemos encontrar
formas contributivas para preservar a
identidade da aldeia e concomitantemente
encontrar conjuntamente com os actores locais
territorializados, alternativas de
desenvolvimento local, capazes de contrariar a
tendência de despovoamento e empobrecimento
territorial.
2. Metodologia
Com este trabalho de investigação, que se
insere no âmbito da Sociologia da Acção, será
utilizada metodologicamente o MACTOR e a sua
aplicabilidade na determinação da estratégia
de actores e respectivas relações de forças
com o território e o que a ele diz respeito e
ainda a observação participante/método de
pesquisa de terreno e consequentemente o
inquérito por entrevista.
3. Enquadramento empírico
Pretendendo-se aprofundar e conhecer os
problemas da interioridade e abandono
populacional, designadamente na aldeia de
Penedos que se situa na margem direita do rio
Guadiana, freguesia de S. Miguel do Pinheiro e
concelho de Mértola, no Baixo Alentejo,
integrando-se num dos territórios mais
despovoados e envelhecidos do País, com todas
as características que lhe são inerentes:
êxodo rural, despovoamento, baixa natalidade,
duplo envelhecimento, redução ou ausência de
ofertas de serviços, entre outras.
Neste trabalho procura-se uma participação
efectiva dos actores locais, cujo objectivo é
a elaboração de reflexões e propostas
alternativas de desenvolvimento local que
permitam às pessoas continuar no território,
através da sua identidade e memória. Prevendo-
se a realização de um filme e criar um museu,
para além da valorização de tradições, de
artes, de produtos locais e de outros
elementos do saber-fazer a serem trabalhados
junto dos actores locais que protagonizarão o
processo de investigação-acção, com vista a
atrair pessoas, criar riqueza e bem-estar e
assim assegurar a sustentabilidade da aldeia
de Penedos.
- PEREIRA, Orlando Manuel Fonseca

- MARQUES, António Pedro Sousa

Orlando Manuel Fonseca Pereira, tema da comunicação. REFLEXÕES
ESTRATÉGICAS DE DESENVOLVIMENTO LOCAL NO CONTEXTO DA PRESERVAÇÃO DA
IDENTIDADE DE Penedos(MÉRTOLA)"
É secretário executivo da Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo
.Colaborador/ docente no Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes de
Portimão/Grupo Lusófona.
Licenciado e Mestre em Sociologia (variante Recursos Humanos e
Desenvolvimento Sustentável), Pós-Graduado em Administração Pública e
Desenvolvimento Regional na Perspetiva das Comunidades
Europeias,Doutorando em Sociologia 2010/2013, pela Universidade Évora.
Temas de interesse - Planeamento,Desenvolvimento local, mundo rural
-sALVAR AS ALDEIAS E O INTERIOR. Autor de algumas obras e artigos
individual e coletivamente.
Alguns exemplos, designadamente: O Papel da Formação Autárquica no
Desenvolvimento Local: o caso particular do Pólo do CEFA em Beja,
Coimbra: 2001, (tese de mestrado), Reivindicações por um Alqueva
Humano - 1º Congresso de Demografia, participações conjuntas - "Além
da Água" e "Alqueva o centro do Mundo?", Contributos para um Modelo
de Desenvolvimento alternativo para territórios de baixa densidade,
entre outros. Obra de Poesia: Pedaços de Poesia Escorrendo
Amor.Exposição: Pedaços de Poesia Debaixo dos Pés.Participou em
estudos e grupos de trabalho - formação,planos integrados e programas
teritoriais de desenvolvimento, cartas educativas, redes culturais,
cooperação trasnacional e transfronteiriça, Quadros comunitários de
Apoio, QREN, Beja digital...
Nome:António Pedro Sousa Marques
Habilitações:Licenciatura em Sociologia (ISCTE-IUL); Mestrado em Sociologia do Território (ISCTE-IUL) ;Doutoramento em Sociologia (Universidade de Évora)
Profissão / Ocupação:Professor Universitário
Instituição /Empresa:Universidade de Évora, Escola de Ciências Sociais, Departamento de Sociologia
Cargo desempenhado:Professor Auxiliar Convidado
Outras informações relevantes:
Investigador Associado do CesNova/Universidade Nova de Lisboa
Interesses de investigação nas áreas do desenvolvimento local, estratégias de atores, territórios metropolitanos, territórios de baixa densidade e territórios transfronteiriços
Artigos publicados:
“Da construção do Espaço à Construção do Território”, Fluxos & Riscos, nº 1, Lisboa, Universi-dade Lusófona, 2011, pp.75-88
“Urbanismo e Planeamento Urbano”, Inuaf-Studia, Suplemento nº 16 – Gestão e Me-diação Imobiliária, Loulé, Instituto Universitário D. Afonso III, 2009, edição em CD-Rom
“Mudança Social, Modernidade e Globalização”, Inuaf-Studia, nº 5, Loulé, Instituto Universitário D. Afonso III, 2003, pp. 265-284
PAP0144 - Representações Sociais do Erotismo Nipônico: Dominação, Consumo e Influências na Produção de BD´s
O trabalho analisa as interligações semióticas na produção e consumo de Bandas Desenhadas e desenhos animados vinculados aos produtos eróticos produzidos pelo mercado Japonês, através dos Mangás e Animes. Apesar das trocas sexuais e das relações inter-raciais entre os grupos seguir os parâmetros da normalidade social, a produção de uma arte erótica midiatizada, através das BD´s produzidos no Japão, caminho no sentido contrário. Em relação às animações e às BD´s, existe uma dominação no gênero erótico pelo mercado japonês. Até que ponto estas trocas interculturais, de consumo e produção destes bens afeta as relações interpessoais? Um dos ambientes destacados na pesquisa faz referências à grande diversidade de modalidades eróticas produzidas pelo Japão nestes produtos midiáticos e as reconstruções múltiplas quanto às práticas homoafetivas e de outras sexualidades. Estes produtos são desenvolvidos não só para Gays e Lésbicas, mas para meninas héteros que gostam de vê relações entre meninos (Boy´s Lover) ou com meninas (Shoujo-Ai) o contrário, meninos héteros que gostam de lê histórias com romances lésbicos (Yuri) ou entre meninos (Yaoi) e ainda BD´s para Crossdressing, Hermafroditas (Futanari), ou que se vinculem a modalidades sexuais ainda consideradas desviantes socialmente como Pedofilia. Compreender a inserção destes temas inusitados (para os padrões ocidentais) é compreender que é possível dialogar com a diversidade sexual sem o perigo de tropeçar em visões deterministas quanto aos conceitos de impropriedade, barbárie ou quais outros levantados por aqueles que vêem a diversidade sexual como antinatural ou problemática. Os japoneses, através dos mangás, conseguem apresentar esta pluralidade de papeis e identidades sexuais sem tratar tais questões como problema ou transtorno.
O trabalho avalia as mudanças indiretas que penetram através da publicação e consumo de Bandas Desenhadas Japonesas (Mangas) com temas vinculados a Sexualidade ou com concepções de gênero completamente distintas e que são apropriadas pelos leitores destes gêneros e que inconscientemente incorporam seus valores sociais e definitórios. Questiona-se até que ponto elas corroboram para uma emancipação compreensiva ou fortalecem estereótipos sobre as questões de sexualidade e gênero, ocasionando uma reconfiguração sobre a percepção da população quanto às temáticas envolvidas.
- JÚNIOR, Amaro Xavier Braga
PAP0600 - VIVER COM DEPRESSÃO CRÓNICA – RECONSTRUÇÃO BIOGRAFICA E REPRESENTAÇÕES SOBRE A SUA PROPRIA DOENÇA
O aumento das doenças crónicas, nomeadamente das doenças mentais crónicas, bem como as mudanças operadas no domínio das respostas à doença mental coloca-nos perante a necessidade de avaliar os seus impactos na vida das pessoas, dos grupos e das organizações sociais, mas também de compreender as vivências, as alterações e ajustamentos que exige ao nível da identidade e dos modos de vida.
Em Portugal há poucos estudos sobre a experiência com a doença mental, sobretudo sobre a forma como aqueles que a vivenciam no seu quotidiano a experienciam e com ela convivem quotidianamente. Nesta comunicação, que se baseia em evidência empírica resultante de um estudo exploratório apoiado em entrevistas em profundidade junto de 10 pessoas com diagnóstico psiquiátrico de depressão crónica, onde se analisam as concepções sobre a sua própria doença e a percepção sobre os impactos na vida quotidiana, procuram-se os sentidos que se tecem a partir dessas experiências pessoais no quotidiano.
Esta pesquisa adopta uma abordagem qualitativa que privilegia o ponto de vista do nativo de Geertz (1993) e se apoia no argumento de pluralidade de habitus e de contextos de acção (Lahire, 2005).
Procurámos assim compreender como é que os próprios sujeitos que vivenciam a depressão a entendem, a explicam e interpretam, a introduzem no seu quotidiano e lidam com as suas consequências e impactos nos vários níveis e contextos onde a sua vida decorre. Daremos especial ênfase às concepções e representações sobre a sua própria doença, evidenciando as tensões entre a ‘normalidade’ (passado) e a experimentação subjectiva do novo ‘eu’ (identidade actual).
Nota: Pesquisa efectuada no âmbito do Mestrado em Sociologia da Saúde e da Doença (ISCTE/IUL) por Cecília Neto (na qualidade de mestranda) e Fátima Alves (na qualidade de orientadora cientifica).
- NETO, Cecília

- ALVES, Fátima

Nome:
Neto, Cecília
Afiliação institucional:
Centro de Educação Especial Rainha Dona Leonor – Socióloga e responsável técnica do serviço CAAAPD – Centro de Atendimento, Acompanhamento e Animação à Pessoa com Deficiência e Doença Mental
Área de formação:
Mestrado em Sociologia da Saúde e da Doença (2008-2010)
Licenciatura em Sociologia Industrial das Organizações e do Trabalho (1990-1995)
Pós-Graduação em Gestão de Projectos em Parceria (2004-2005)
Interesses de investigação:
Sociologia da Saúde e da Doença, com Preferencial interesse Saúde e Doença Mental
Trabalhos de Investigação:
2012/2013 – Participação no Projeto Luso-Alemão Doença Mental, coordenado pela Profª Fátima Alves
2010/2011 – Projecto de Investigação “Experiência Subjectiva com a Doença Mental Crónica”enquadrado no âmbito do Mestrado em Sociologia da Saúde e da Doença do ISCTE/IUL, Co-coordenado por Fátima Alves e Graça Carapinheiro.
2009/2011 – Elemento do grupo de trabalho epidemiológico “Rastreio no âmbito da doença mental no conselho de Caldas da Rainha” em parceria do Núcleo de Intervenção em Saúde Mental de Caldas da Rainha com a Delegação de Saúde Pública; com orientação do Doutor Luís Pais Ribeiro
Publicações
2011 – Artigo: “A Experiência Subjectiva com a Doença Mental Crónica - Estudo Exploratório sobre os Impactos na Vida Quotidiana em sujeitos diagnosticados com Depressão Crónica”, Co-autoras: Cecília Neto; Fátima Alves; Graça Carapinheiro; (Enviado para publicação em revista nacional).
2012 – Documento conjunto, J. Pais-Ribeiro, Cecília Neto, Jorge Nunes, Mafalda Silva, Carla Abrantes, Sílvia Freitas, Sílvia Ferreira, Ângela Cerqueira, Ana Almeida, e Vítor Coelho, “Ulterior validação do questionário de saúde geral de Goldberg de 28 itens”, apresentada pelo Profº J. Pais-Ribeiro no 9º Congresso Nacional de Psicologia da Saúde, held in Aveiro, Portugal, 9-11 February 2012.
Fátima Alves
prof Auxiliar do Departamento de Ciências Sociais e de Gestão da Universidade Aberta; Investigadora integrada no CEMRI - Participa atualmente em dois projectos de investigação financiados: 'Politicas e Racionalidades de Saúde' em parceria com o ISCSP; ISCTE; UNiversidade de Évora; Universidade Federal do Rio Grande do Sul; é investigadora responsável pelo projeto “Impacto das políticas de saúde mental nas redes sociais de apoio à reabilitação e integração em contextos interculturais diversos: o caso de Portugal e Alemanha”, em parceria com a Universidade de Hamburgo, o Centro de Psicologia da Universidade do Porto, o CAPP/ISCSP e o Laboratório de reabilitação psicossocial.