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VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

PARA O VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

Ficha Técnica:

Organização e Edição:
Associação Portuguesa de Sociologia
Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9
1600-189 Lisboa
Tel: 217804738 / Fax: 217940274 / E-mail: aps@aps.pt / http://www.aps.pt

Produção técnica:
Plug & Play
Rua José Augusto Coelho nº 117
2925-543 Azeitão
Tel: 210 854 236 / Fax: 210 854 236 / http://www.plugeplay.com

ISBN: 978-989-97981-0-6

Depósito legal: 281456/08

Requisitos Mínimos:
Windows XP ou superior.
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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012

Associação Portuguesa de Sociologia

 

Como referenciar os textos desta edição

SOBRENOME DO AUTOR, Prenome(s) (2012). Título do texto. in Atas do VII Congresso Português de Sociologia, Lisboa: APS. ISBN: 978-989-97981-0-6. Disponível em http://www.aps.pt/vii_congresso/?area=016&lg=pt. Acesso em: Dia mês (abreviado) ano.

Pesquisa:

Resultados da pesquisa por: «Igualdade»

PAP0995 - Assimetrias de género no poder político local
Resumo de PAP0995 - Assimetrias de género no poder político local  PAP0995 - Assimetrias de género no poder político local
PAP0995 - Assimetrias de género no poder político local

A questão das desigualdades de género no mercado de trabalho tem sido sobejamente estudada o que não lhe retira, contudo, centralidade nas análises sobre as desigualdades nas sociedades actuais. E quando se fala sobre a escassa representação de mulheres em cargos de liderança política também está também a falar-se de um problema da limitação dos direitos de participação política, que, por sua vez, é um reflexo da qualidade da democracia. Embora muito tenha sido feito em Portugal nas últimas três décadas e meia, ainda há um longo caminho a percorrer em direcção a uma verdadeira igualdade de oportunidades no que respeita ao acesso ao mercado de trabalho, incluindo as posições de topo das hierarquias. A arena política, por ser um círculo altamente masculinizadas e com uma exposição pública potencialmente elevada, representa um observatório particularmente interessante para o estudo de assimetrias de género. A juntar-se às dificuldades de acesso inerentes a este campo específico, há que acrescentar os factores de discriminação que são comuns à maioria das áreas do mercado de trabalho, e que dizem respeito à disparidade salarial e problemas com a conciliação da vida profissional, privada e familiar, entre outros. O objectivo deste trabalho é analisar os dados das eleições locais, correspondendo a parte de uma investigação com um âmbito um pouco mais alargado que está em curso. Nesta análise pretende-se observar a tendência da participação das mulheres neste campo particular da vida política, entre 1976 e 2009. Mais, a avaliação de tais tendências será particularmente útil na tentativa de compreender o impacto da aplicação da lei da paridade, aprovada em Portugal em 2006.
  • DIAS, Ana Lúcia Teixeira CV de DIAS, Ana Lúcia Teixeira
Ana LúciaTeixeiraDias
Doutorandaem Sociologia e Mestre emProspecção e Análise de Dados;Investigadora do ObservatórioNacional de Violência e Género e do CESNOVA (FCSH-UNL), onde temdesenvolvidoprojectos de investigaçãonasáreasdosestudos de género.


PAP1475 - CRECIMIENTO, DESIGUALDAD Y HETEROGENEIDAD ESTRUCTURAL EN AMÉRICA LATINA BAJO DISTINTOS MODELOS DE POLÍCITA ECONÓMICA (1990-2010). EL CASO ARGENTINO
Resumo de PAP1475 - CRECIMIENTO, DESIGUALDAD Y HETEROGENEIDAD ESTRUCTURAL EN AMÉRICA LATINA BAJO DISTINTOS MODELOS DE POLÍCITA ECONÓMICA (1990-2010). EL CASO ARGENTINO PAP1475 - CRECIMIENTO, DESIGUALDAD Y HETEROGENEIDAD ESTRUCTURAL EN AMÉRICA LATINA BAJO DISTINTOS MODELOS DE POLÍCITA ECONÓMICA (1990-2010). EL CASO ARGENTINO
PAP1475 - CRECIMIENTO, DESIGUALDAD Y HETEROGENEIDAD ESTRUCTURAL EN AMÉRICA LATINA BAJO DISTINTOS MODELOS DE POLÍCITA ECONÓMICA (1990-2010). EL CASO ARGENTINO

"GT: SOCIEDADE, CRISE E RECONFIGURAÇÕES NA AMÉRIC LATINA" Las reformas “neoliberales” llevadas a cabo a fines del siglo XX en la mayor parte de los países de América Latina con el objetivo de integrar las economías nacionales a la dinámica de la globalización, se realizaron acompañadas de programas de ajuste y estabilización que procuraban corregir desequilibrios macro económicos crónicos. Si bien tales programas buscaban restaurar dichos equilibrios, es bien sabido que esta estrategia desencadenó tanto una mayor concentración del poder económico como una serie de nuevas crisis financieras. Este proceso tuvo un impacto regresivo sobre las estructuras productivas, el mercado de trabajo y, en especial, sobre los niveles de vida de amplios sectores de la población. De esta manera, durante la década del noventa, aunque creció el PBI per cápita, la pobreza no cedió terreno y tuvo lugar un aumento de la heterogeneidad estructural y de la desigualdad económica en casi toda la región. Pero después de varios años recesivos (1998-2002), la región inició -en 2003- un nuevo ciclo de recuperación económica, observándose mejoras en el empleo y la pobreza, en el marco de nuevas políticas macroeconómicas y condiciones internacionales. En efecto, el crecimiento encontró respaldo en una coyuntura externa favorable, caracterizada por la sostenida expansión de la economía mundial y la abundante liquidez en los mercados de capitales, factores que permitieron un significativo incremento del volumen exportado, así como una mejora de los términos de intercambio y en la expansión del mercado interno. Justamente, el alejamiento de las políticas ortodoxas habría potenciado este ciclo virtuoso. Sin embargo, habría indicios de que tal dinámica de crecimiento no sería suficiente para revertir las marginalidades estructurales que caracterizan a las economías latinoamericanas. Es decir, que más allá de la mayor heterodoxia de las medidas económicas, ellas no estarían en condiciones de abrir un efectivo sendero de desarrollo y convergencia social. El proceso argentino es un caso paradigmático –y a la vez ilustrativo- de este proceso histórico y de los dos ciclos de políticas arriba mencionados –ortodoxia radical y heterodoxia ejemplar-. En este marco, la presente ponencia presenta una revisión general comparativa de lo ocurrido en una muestra de países latinoamericanos a nivel de los indicadores de crecimiento, ingresos, pobreza, empleo, ingresos y desigualdad distributiva. El análisis en particular del caso argentino permitirá ilustrar los mecanismos sociales que subyacen a los cambios y las tendencias estructurales dominantes durante los diferentes ciclos político-económicos analizados.
  • SALVIA, Agustín CV de SALVIA, Agustín
Dr. Agustín Salvia
Coordinador General - Investigador Jefe
Programa Observatorio de la Deuda Social
Universidad Católica Santa María de los Buenos Aires
Ed. San Alberto Magno, Alicia M. De Justo 1500 4º piso
Of. 462 - Buenos Aires (C1107AFD) - Tel. (54-11) 4338-0810

PAP0988 - DESIGUALDADES DE PERCURSO DOS ESTUDANTES DO ENSINO SUPERIOR
Resumo de PAP0988 - DESIGUALDADES DE PERCURSO DOS ESTUDANTES DO ENSINO SUPERIOR PAP0988 - DESIGUALDADES DE PERCURSO DOS ESTUDANTES DO ENSINO SUPERIOR
PAP0988 - DESIGUALDADES DE PERCURSO DOS ESTUDANTES DO ENSINO SUPERIOR

A partir de uma abordagem assente no cruzamento de três escalas de observação, apresentamos nesta comunicação os resultados de um processo de pesquisa sobre factores de insucesso, sucesso e abandono escolares no ensino superior português, em resposta a um desafio em forma de concurso lançado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, através da FCT (PSE/DIV/0001/2006, realizado entre 2008 e 2009 em consórcio entre o CIES/ISCTE-IUL e o ISFLUP). Assim, procurámos desenvolver a análise destes fenómenos em torno de três níveis intrinsecamente articulados: um nível extensivo, de enquadramento estrutural, simultaneamente sincrónico e diacrónico, assente na exploração de uma vasta plêiade de bases de dados, nacionais e internacionais, sobre condições sociais e (in)sucesso nos estudantes do ensino superior; um segundo nível, de tipo meso, centrado em estudos organizacionais sobre a missão das instituições de ensino superior (analisando documentos e discursos de actores); um terceiro nível, o mais desenvolvido, de cariz microssociológico, elaborado a partir da construção de 170 retratos sociológicos (metodologia inspirada em Bernard Lahire e que visa resgatar a pluralidade disposicional e contextual das práticas sociais). Sobre este nível delinearam-se oito percursos-tipo de estudantes no ensino superior. Concluiu-se, então, pela existência cumulativa e intersectada de desigualdades de índole vária: de acesso (concomitante aos fenómenos da “democratização” e “massificação”), de sucesso e de percurso, estas últimas frequentemente sub-representadas em pesquisas análogas e fortemente relacionadas à articulação entre modos de agência e coeficientes de singularidade dos actores sociais.
  •  LOPES, João Teixeira CV - Não disponível 
  •  COSTA, António Firmino da CV - Não disponível 

PAP0731 - Desafios e tendências das políticas de igualdade de mulheres e homens em Portugal: o feminismo de Estado desafiado
Resumo de PAP0731 - Desafios e tendências das políticas de igualdade de mulheres e homens em Portugal: o feminismo de Estado desafiado PAP0731 - Desafios e tendências das políticas de igualdade de mulheres e homens em Portugal: o feminismo de Estado desafiado
PAP0731 - Desafios e tendências das políticas de igualdade de mulheres e homens em Portugal: o feminismo de Estado desafiado

Na apresentação pretendo expor algumas das minhas conclusões acerca do “feminismo de Estado” em Portugal, tema pouco estudado no país e objeto central da minha investigação de doutoramento em Sociologia do Estado, Direito e Administração (FEUC/CES). Na pesquisa interroguei a ação do Estado português na promoção da igualdade de mulheres e homens desde 1970, concretamente o papel que atualmente designada Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (anteriormente CCF, CIDM) como mecanismo oficial para a igualdade tem vindo a desempenhar em articulação com os movimentos de mulheres na promoção de políticas públicas de igualdade. Baseando-me no contributo da abordagem do feminismo de Estado, questionei a eficiência deste mecanismo oficial na produção de políticas de igualdade e na representação e empowerment dos movimentos de mulheres num quadro de governação global. Uma das dimensões da investigação centrou-se numa análise diacrónica dos mais de 30 anos de existência de feminismo de Estado em Portugal, que permitiu detetar tendências, marcos na evolução das políticas, da Comissão e da relação entre o Estado e os movimentos de mulheres. Esta evolução está, como demonstrarei, associada a episódios de produção do Estado, a metamorfoses no contexto político-institucional e nas dinâmicas de interação e de “cooperação conflitual” (Guiny e Passy, 1998) entre atores institucionais. Defini como principais fases da evolução do fenómeno no nosso país: feminismo de Estado emergente, feminismo de Estado potenciado, feminismo de Estado formal e feminismo de Estado desafiado. É sobre esta última fase ou tipo de feminismo de Estado (2002-2007) que me concentrarei nesta apresentação, uma vez que nela se expressam com especial ênfase e impactos tendências e desafios não só para a Comissão, mas também para o restante Estado e para as associações de mulheres. Intensificou-se a nova abordagem das políticas de igualdade – o mainstreaming de género. Deram-se saltos legislativos marcantes que desafiam agora a capacidade do Estado na sua implementação. Intensificaram-se as tecnologias e retóricas de nova governação, da nova gestão pública. Alterou-se substancialmente a relação com as ONG. Adotaram-se conceções sobre a diversidade e a inclusão de novos agentes e de novas desigualdades. Alterou-se a linguagem para uma linguagem de “género”, expressa, por exemplo, na mudança de designação da Comissão, com a nova lei orgânica da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género.
  • MONTEIRO, Rosa CV de MONTEIRO, Rosa
Rosa Monteiro

Socióloga. Professora no Instituto Superior Miguel Torga e investigadora do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Doutorada em Sociologia, tem desenvolvido o seu trabalho em torno das questões da desigualdade de género ao nível do emprego, trabalho e organizações, bem como no estudo e avaliação das políticas públicas. Membro da equipa de avaliação dos Planos Nacionais para a Igualdade, e atualmente da “avaliação da integração da Igualdade de género nos fundos estruturais (QREN)” - IGFSE. Publicações mais recentes: “Metamorfoses das relações entre o Estado e os movimentos de mulheres em Portugal: entre a institucionalização e a autonomia”, Exaequo, 25 (2012); “A agenda da descriminalização do aborto em Portugal: Estado, movimentos de mulheres e partidos políticos”, Análise Social, no prelo; “A Política de Quotas em Portugal: O papel dos partidos políticos e do feminismo de Estado”, RCCS, 92 (2011).

PAP0999 - Desigualdades de género no mercado de trabalho português – a satisfação laboral enquanto possível indicador
Resumo de PAP0999 - Desigualdades de género no mercado de trabalho português – a satisfação laboral enquanto possível indicador PAP0999 - Desigualdades de género no mercado de trabalho português – a satisfação laboral enquanto possível indicador
PAP0999 - Desigualdades de género no mercado de trabalho português – a satisfação laboral enquanto possível indicador

A deslocação das questões de género para a esfera dos direitos públicos abriu todo um novo conjunto de possibilidades e também de debates, consubstanciados no estabelecimento das primeiras disciplinas de estudos sobre as mulheres. Esta fase foi marcada por uma série de alterações que concorreram não só para a emancipação das mulheres como também para o próprio questionamento das desigualdades de género baseado numa assimetria de poder. Transformações ao nível das relações familiares, ao nível educativo e tecnológico que permitiram a problematização das desigualdades em termos de papéis de género distintos e socialmente construídos e reproduzidos. A esfera do trabalho é uma arena privilegiada para a análise das desigualdades de género. A relativamente recente entrada massificada das mulheres no mercado de trabalho, as condições em que a sua entrada se processou, as representações e valores associados ao feminino e as questões da conciliação da vida familiar com a profissional contribuíram para delinear os contornos da participação das mulheres no mercado de trabalho. Muitos trabalhos têm sido desenvolvidos nesta área tentando explicar a por vezes difícil relação das mulheres como o mercado de trabalho. Com a presente análise pretende-se explorar uma outra dimensão da problemática laboral: a satisfação no trabalho enquanto espelho de desigualdades de género reificadas nas práticas e nas percepções dos homens e das mulheres. A satisfação laboral, para além de ser um campo de análise autónomo, pode afigurar-se também como um terreno de pesquisa importante para compreender os mecanismos que subjazem aos diferenciais objectivos e para perceber até que ponto os papéis de género estão ou não enraizados nas estruturas mentais não só dos homens como também das mulheres.
  • DIAS, Ana Lúcia Teixeira CV de DIAS, Ana Lúcia Teixeira
Ana LúciaTeixeiraDias
Doutorandaem Sociologia e Mestre emProspecção e Análise de Dados;Investigadora do ObservatórioNacional de Violência e Género e do CESNOVA (FCSH-UNL), onde temdesenvolvidoprojectos de investigaçãonasáreasdosestudos de género.


PAP0932 - Desigualdades sociais e acção colectiva: propostas teóricas para o estudo das práticas associativas em contexto local
Resumo de PAP0932 - Desigualdades sociais e acção colectiva: propostas teóricas para o estudo das práticas associativas em contexto local PAP0932 - Desigualdades sociais e acção colectiva: propostas teóricas para o estudo das práticas associativas em contexto local
PAP0932 - Desigualdades sociais e acção colectiva: propostas teóricas para o estudo das práticas associativas em contexto local

A relevância do estudo da acção colectiva enquanto elemento configurador central das dinâmicas das sociedades contemporâneas tem constituído, ao longo do percurso pelas teorias sociológicas (desde os clássicos até à actualidade), um terreno de fértil e desafiante conhecimento sociológico acumulado. A persistência e perenidade das desigualdades sociais nas sociedades contemporâneas terão relevância sobre a acção colectiva e cidadania modernas? Mais especificamente, é proposta uma discussão teórica com vista ao aprofundamento do estudo das práticas associativas sob a óptica problemática das desigualdades sociais. Com vista a um profícuo e acutilante «estado da arte» das relações entre as desigualdades sociais e a acção colectiva, serão convocados os contributos de Marx, Weber e Simmel; procurar-se-á um debate actualizado das teorias das classes sociais e do conflito (nas suas variantes neo-marxistas, neo-weberianas e interaccionistas); tal implicará a discussão das teorias organizacionais, da mobilização dos recursos e dos novos movimentos sociais; e incorporar-se-ão os novos contributos teóricos de autores como Pierre Bourdieu, Margaret Archer e Nicos Mouzelis. As propostas teóricas avançadas visam o aprofundamento de perspectivas de pesquisa em contexto local, que procurem analisar a relevância e o impacto das desigualdades sociais sobre as práticas associativas dos actores colectivos e individuais, e respectivas dinâmicas de identidade cultural geradas. Ancorando no conceito de práticas associativas, e partindo da mobilização dos actuais e principais instrumentos da sociologia das classes sociais, constituem objectivos de investigação sociológica, a parametrização de um programa holístico no estudo da acção colectiva que, articulando os níveis macro, meso e micro–sociais, entrecruze os processos e as dinâmicas estruturais, institucionais, configuracionais, simbólicas, interactivas, posicionais e disposicionais que atravessam um determinado espaço social associativo. Este é um contributo para um maior conhecimento das dinâmicas da acção colectiva, relativamente aos perfis e relações das classes sociais, condições objectivas, modos e estilos de vida, valores e referentes simbólico-ideológicos e correspondente produção de identidades culturais (individuais e colectivas), características e dinâmicas dos actores colectivos e do conflito, presença das instituições, configurações e processos de reprodução e mudança social. São propostos horizontes teóricos que integrem no estudo da acção colectiva os efeitos multidimensionais e das intersecções das desigualdades sociais contemporâneas, no que diz respeito aos domínios das relações de produção, das sociedades do conhecimento e das instituições políticas.
  • NUNES, Nuno CV de NUNES, Nuno
Envio a seguinte Nota Biográfica: Nuno Nunes é investigador do CIES-IUL do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE) e membro do Observatório das Desigualdades. As desigualdades sociais, a análise de classes, a ação coletiva e a mudança social são os seus principais interesses de investigação. A participação em projetos internacionais como o "European Social Survey" e o desenvolvimento de uma investigação pós-doutoral intitulada "Desigualdades sociais, atores coletivos e identidades culturais: práticas associativas em contexto local" visam o aprofundamento da problemática das desigualdades sociais. Destacam-se as seguintes publicações: Carmo, Renato and Nunes, Nuno (2012). Class and social capital in Europe: a transnational analysis of the European Social Survey, European Societies; Nunes, Nuno and Josué Caldeira (2011), "Desigualdades sociais e ação coletiva na sociedade portuguesa", in Carmo, Renato Miguel (coord.), Desigualdades em Portugal: Problemas e Propostas, Lisboa, Edições 70; e, Nunes, Nuno, and Renato Miguel do Carmo (2010), “Condições de classe e acção colectiva na Europa” in Carmo, Renato Miguel do (org.), Desigualdades Sociais 2010. Estudos e Indicadores, Lisboa, Editora Mundos Sociais.

PAP0287 - Direito da Família em Portugal: desafios ao princípio constitucional da igualdade
Resumo de PAP0287 - Direito da Família em Portugal: desafios ao princípio constitucional da igualdade 
PAP0287 - Direito da Família em Portugal: desafios ao princípio constitucional da igualdade

A consagração do princípio da igualdade na Constituição da República em 1976, após a revolução de 1974, teve impactos especialmente profundos no Direito da Família e na condição das mulheres em Portugal, com a consagração do princípio da igualdade entre homens e mulheres, entre marido e mulher e entre crianças nascidas dentro e fora do casamento. Contudo, e apesar de já terem passado quase quarenta anos desde a consagração do princípio da igualdade, a igualdade material contínua longe de ser uma realidade, o que é visível nas contribuições desiguais de homens e mulheres para a vida familiar, a assimetria nas horas de trabalho e nos salários ou na diferença de horas dispensadas por homens e mulheres com a família (Torres, 2008). Nesta comunicação discutiremos, em primeiro lugar, os desafios e limitações do princípio da igualdade entre homens e mulheres, a partir da perspectiva crítica e feminista do direito. Em seguida, apresentaremos as rupturas e continuidades do Direito da Família em Portugal desde 1974 até aos dias de hoje, no que respeita ao princípio da igualdade. Por fim, discutiremos se e como estas transformações têm impacto na prática judiciária, através do estudo de caso de processos findos de regulação de responsabilidades parentais em dois tribunais portugueses, Lisboa e Braga. Em suma, partimos nesta comunicação, como no projecto de investigação “O Género do Direito e da Justiça de Família em Portugal” no âmbito do qual é desenvolvida, da hipótese geral que, apesar da transformação do direito de família nos últimos 30 anos, a lei e a prática judiciária são ainda dominadas ou pelo menos reflexo, de forma manifesta ou latente, pela/da ideologia patriarcal ou masculina.
  •  PEDROSO, João CV - Não disponível 
  •  CASALEIRO, Paula CV - Não disponível 
  •  BRANCO, Patrícia CV - Não disponível 

PAP1297 - Divisão sexual do trabalho, recursos e poder doméstico: alguns resultados de uma pesquisa em Portugal continental
Resumo de PAP1297 - Divisão sexual do trabalho, recursos e poder doméstico: alguns resultados de uma pesquisa em Portugal continental PAP1297 - Divisão sexual do trabalho, recursos e poder doméstico: alguns resultados de uma pesquisa em Portugal continental
PAP1297 - Divisão sexual do trabalho, recursos e poder doméstico: alguns resultados de uma pesquisa em Portugal continental

No âmbito dos estudos sobre a família, designadamente em Portugal, não obstante os notáveis avanços no conhecimento sobre esta área temática, há um tema que tem sido pouco analisado no âmbito da divisão sexual do trabalho doméstico: o grau e a distribuição do poder doméstico entre homem e mulher, tratando-se de casais ou uniões de facto heterossexuais. Este texto, começando por fazer uma breve revisitação de posicionamentos relativamente à (in)existência de relações patricêntricas/patriarcais ou matricêntricas/matriarcais nas casas em Portugal, tem por base dados empíricos recolhidos a partir de uma investigação centrada nas (des)igualdades de género, em que, entre outros instrumentos e técnicas quantitativas e qualitativas, foi aplicado um inquérito a 800 pessoas em Portugal Continental distribuídas por sexo, idade, profissão, tipo de residência (rural ou urbano), activo-não activo, projecto este aprovado e financiado pela FCT e finalizado em 2011 (PTDC/SDE/72257/2006). Entre outros resultados, os dados recolhidos confirmam conclusões de outros trabalhos nacionais e internacionais: a desigualdade entre homem e mulher em desfavor desta na distribuição das tarefas domésticas e respectivas horas semanais despendidas e, em particular, a discrepância entre representações e práticas analisadas por sexo e grupo profissional. Porém, o foco de análise incide, no quadro da dinâmica (in)comunicativa entre os membros do casal, sobre quais os aspectos da vida que se alteraram com a entrada na conjugalidade e após o nascimento dos filhos, qual o tipo relações (mais fusional ou mais individualista) no que concerne conversas, iniciativas e actividades levadas a cabo por cada um dos membros do casal ou por ambos e em que medida, como se organiza a gestão e aplicação do dinheiro, quem decide e em que medida – o homem, a mulher ou ambos – sobre determinadas questões mais importantes (por exemplo, autorização de actividades dos filhos mais a cargo da mulher, compra de casa e/ou carro mais por parte do homem, local de férias por ambos). Por fim, conclui-se que, para além da persistência de um determinado grau de desigualdade na repartição de tarefas domésticas e nos cuidados despendidos com os filhos com sobrecarga para a mulher, não há, em regra, relações que se caracterizem por serem de tipo patriarcal ou matriarcal e, portanto, verifica-se em certo equilíbrio por co-decisão ou por esferas de acção, embora seja de observar um certo predomínio por parte do homem em determinadas matérias nomeadamente quando este seja o único ou principal provedor económico da casa. Palavras-chave: poder doméstico, família, género, desigualdade, Portugal
  • SILVA, Manuel Carlos CV de SILVA, Manuel Carlos
Silva, Manuel Carlos
Licenciado e doutorado pela Universidade de Amesterdão em Ciências Sociais, Culturais e Políticas. Professor catedrático em Sociologia e Director do Centro de Investigação em Ciências Sociais (CICS) na Universidade do Minho. Distinguido com o Prémio Sedas Nunes pela obra “Resistir e Adaptar-se” (1998, Afrontamento) sobre o campesinato, tem publicado sobre o rural-urbano, o desenvolvimento e as desigualdades sociais. Foi Presidente da Associação Portuguesa de Sociologia (APS).

PAP0828 - Divórcio e assimetrias de género: processos, negociações e impactos
Resumo de PAP0828 - Divórcio e assimetrias de género: processos, negociações e impactos   PAP0828 - Divórcio e assimetrias de género: processos, negociações e impactos
PAP0828 - Divórcio e assimetrias de género: processos, negociações e impactos

As estatísticas evidenciam uma elevada taxa de divorcialidade nas últimas décadas com um considerável impacto nas vidas familiares e na sociedade. O divórcio, seja nos seus antecedentes, seja nos próprios processos e seja ainda nos seus impactos e consequências nomeadamente nas responsabilidades parentais em relação aos filhos configura um campo em que desigualdades de género afloram, se reproduzem ou mesmo se agravam. Neste âmbito, após um breve enquadramento teórico sobre as diferenças e assimetrias de género, far-se-á uma breve resenha histórica da evolução numérica e social do divórcio e correlativas alterações legais desde a I República ao 25 de Abril de 1974 e subsequentes alterações. Seguidamente serão apresentados dados relativos ao divórcio tendo por base as respostas de 56 inquiridos divorciados (34 mulheres e 22 homens) no âmbito de uma pesquisa levada a cabo em Portugal, tendo por base a aplicação de um inquérito a 800 pessoas sobre as (des) igualdades de género em Portugal num projecto aprovado e financiado pela FCT e finalizado em 2011 (PTDC/SDE/72257/2006). Considerando na análise variáveis como o sexo, a profissão, a idade, os 56 divorciados inquiridos responderam, para além das questões comuns a pessoas não divorciadas, a determinadas questões relativas ao divórcio: as suas opiniões passadas face ao divórcio, os motivos para a decisão do divórcio, a iniciativa da separação ou divórcio, qual o tipo de processo (litigioso ou por mútuo consentimento), a atitude inicial face ao divórcio, a existência ou não de tentativa de reconciliação, o grau de satisfação face ao divórcio, a avaliação da decisão do divórcio, a probabilidade de novo casamento e eventuais razões. Para além destas respostas ao referido inquérito foram ainda realizadas entrevistas semi-estruturadas a pessoas divorciadas que, do ponto de vista qualitativo, permitiram um olhar mais aprofundado sobre as diferenciadas representações e expectativas sobre o casamento, tensões e negociações no exercício do poder doméstico, assim como motivações e razões, balanços e impactos do divórcio, uns positivos outros negativos. Dos dados de ordem quantitativa e qualitativa foi possível inferir que o divórcio se, por um lado, gera, em grande parte dos casos, processos de descompressão, alívio e satisfação recíproca, por outro, comporta práticas e representações diferenciadas por sexo e, por vezes, impactos desiguais nomeadamente em termos económicos e psico- sociais, com mais frequência em desfavor da mulher, embora nalguns casos com impactos negativos no homem nomeadamente de dependência na gestão do quotidiano, o que leva mais homens que mulheres a recasarem-se. Palavras chave: divórcio, desigualdade, família, género,Portugal
  • SILVA, Manuel Carlos CV de SILVA, Manuel Carlos
  • JORGE, Ana CV de JORGE, Ana
  • QUEIROZ, Aleksandra CV de QUEIROZ, Aleksandra
Silva, Manuel Carlos
Licenciado e doutorado pela Universidade de Amesterdão em Ciências Sociais, Culturais e Políticas. Professor catedrático em Sociologia e Director do Centro de Investigação em Ciências Sociais (CICS) na Universidade do Minho. Distinguido com o Prémio Sedas Nunes pela obra “Resistir e Adaptar-se” (1998, Afrontamento) sobre o campesinato, tem publicado sobre o rural-urbano, o desenvolvimento e as desigualdades sociais. Foi Presidente da Associação Portuguesa de Sociologia (APS).
Ana Jorge é doutoranda em Ciências da Comunicação pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, com bolsa da FCT, e mestre em Comunicação, Cultura e Tecnologias da Informação pelo ISCTE. Integra o projecto europeu de investigação EU Kids Online, sobre crianças e internet.
Aleksandra Queiroz
Socióloga, Mestre em Políticas Comunitárias e Cooperação Territorial, pela Universidade do Minho em co-tutela com a Universidade de Vigo, área de especialização Desigualdades Sociais e Desenvolvimento Rural.
Assistente de Investigação no âmbito projeto intitulado "Desigualdade de género no trabalho e na vida privada: das leis as práticas sociais (PTDC8/SDE/72257/2006) no Centro de Investigação em Ciências Sociais da Universidade do Minho (CICS-UM), Braga. Bolseira co-coordenadora no terreno, em Portugal, do Projeto europeu SHARE (Survey of Health, Ageing and Retirement in Europe) referência VP/2009/009/0048. Comunicante em vários Congressos Nacionais e Internacionais, é co-autora de vários artigos sobre os temas dos projectos referidos. E-mail: aleksandraqueiroz@gmail.com

PAP1501 - ENSINO SUPERIOR E GÉNERO: DIPLOMADOS E MERCADO DE TRABALHO
Resumo de PAP1501 - ENSINO SUPERIOR E GÉNERO: DIPLOMADOS E MERCADO DE TRABALHO PAP1501 - ENSINO SUPERIOR E GÉNERO: DIPLOMADOS E MERCADO DE TRABALHO
PAP1501 - ENSINO SUPERIOR E GÉNERO: DIPLOMADOS E MERCADO DE TRABALHO

A inserção profissional dos jovens diplomados continua a ser uma preocupação, muito em particular em momentos como o actual em que a taxa de desemprego tende a subir, e em que os diplomados do ensino superior encontram dificuldades acrescidas no acesso ao mercado de trabalho europeu. E se são as mulheres que apresentam taxas de conclusão do ensino superior mais elevadas, inversamente são elas que têm maiores dificuldades em ingressar no mundo do trabalho. Partindo do pressuposto que as políticas de promoção a igualdade de género têm nos últimos anos sido reforçadas, com particular destaque no âmbito da UE27, estamos perante algumas constatações reveladoras de diferenças de género no conhecimento assim como nas trajectórias académicas e carreiras. Com recurso à metodologia da análise de clusters, será desenvolvido um estudo comparativo em países da UE27, com vista à identificação dos factores com maior significância para a compreensão das formas de segregação no acesso ao mercado de trabalho.As relações de poder subjacentes à problemática do género assim como o produto do trabalho colectivo de socialização difusa e contínua corporiza em habitus claramente diferenciados, de acordo com P. Bourdieu (1990), leva-nos a admitir que as áreas de formação preferencialmente escolhidas pelas mulheres são as que denotam menor procura no mercado de trabalho.
  • BALTAZAR, Maria da Saudade CV de BALTAZAR, Maria da Saudade
  • CALEIRO, António CV de CALEIRO, António
  •  REGO, Conceição CV - Não disponível 
MARIA DA SAUDADE BALTAZAR é professora auxiliar, com nomeação definitiva, do Departamento de Sociologia da Universidade de Évora e investigadora integrada no CESNOVA – FCSH da UNLisboa e colaboradora do CISA-AS da UÉvora. Licenciada em Sociologia pela Universidade de Évora, em 1990, Mestre em Sociologia pelo ISCSP - Universidade Técnica de Lisboa, em 1994 e Doutorada em Sociologia pela Universidade de Évora, em 2002. É Auditora de Defesa Nacional (IDN/Curso 2006). Tem diversas publicações sobre as áreas a que correspondem os seus principais interesses de investigação: Segurança, Defesa e Forças Armadas; Desenvolvimento; Planeamento (metodologia e instrumentos de intervenção). Tem coordenado e constituído várias equipas de investigação de projetos nacionais e internacionais sobre desenvolvimento regional e local, prospetiva, planeamento, intervenção comunitária e relações civil-militares. Tem uma vasta experiência no acompanhamento e apoio técnico a projetos de intervenção comunitária. Tem exercido diversos cargos de gestão na Universidade de Évora, entre os quais Diretora de vários cursos e do Departamento de Sociologia.
António B.R. Caleiro, é professor auxiliar no Departamento de Economia da Universidade de Évora. Licenciou-se em Economia, na Universidade de Évora, em 1988, concluiu o curso de Mestrado em Matemática Aplicada à Economia e à Gestão, no Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa, em 1993, e realizou o seu Doutoramento em Economia, no Instituto Universitário Europeu (Florença), em 2001. A sua visão multi-disciplinar, facilmente identificável no âmbito das suas publicações, tem conduzido o autor a realizar investigação em diversos temas, incluindo alguns associados às interfaces Economia-Demografia, Economia-Política e Economia-Sociologia.

PAP0728 - Educação, desigualdades sociais e usos do computador Magalhães: uma pesquisa comparativa
Resumo de PAP0728 - Educação, desigualdades sociais  e usos do computador Magalhães: uma pesquisa comparativa PAP0728 - Educação, desigualdades sociais  e usos do computador Magalhães: uma pesquisa comparativa
PAP0728 - Educação, desigualdades sociais e usos do computador Magalhães: uma pesquisa comparativa

A educação tem sido assumida como uma das áreas chave de intervenção no âmbito da promoção do que se tem designado de sociedade da informação, do conhecimento ou em rede (Castells, 2005; Lyon, 1992; Webster, 2006). Ao longo das últimas décadas têm-se implementado múltiplos programas governamentais e realizado investimentos consideráveis em tecnologias da informação e comunicação nas escolas, na generalidade dos países europeus, incluindo no nosso país. Uma das crenças que acompanha este esforço é a de que estão em causa políticas essenciais para a inclusão digital das novas gerações, particularmente dos grupos sociais mais desfavorecidos. Na esteira destas políticas, a distribuição de computadores portáteis às crianças do 1º ciclo do ensino básico, em Portugal, realizada no quadro do programa e.escolinha, com início em 2008/09, tem, ainda, a particularidade de pretender promover precocemente o uso das tecnologias de informação e comunicação desde o início da escolaridade, bem como de incidir a sua intervenção, além da escola, no contexto familiar. Alguns dados já apurados apontam para o efeito que este programa teve na democratização do acesso a estas tecnologias na população em causa (GEPE, 2001; Silva e Diogo, no prelo). Resta, contudo, aprofundar em que medida esta democratização de acesso se está a traduzir numa verdadeira democratização de usos. Interessa-nos enquadrar este problema no campo da Sociologia da Educação, nomeadamente, na questão das desigualdades sociais face à educação, mais especificamente, na análise da articulação entre escola e família nos velhos e novos processos de (re)produção social e cultural (Zanten, 2005). A partir de dados de dois estudos de caso, um na Região Centro e outro na Região Autónoma dos Açores, baseados em métodos extensivos (inquérito a pais, alunos e professores) e intensivos (entrevistas a pais e professores e registos etnográficos de uma turma), com tratamento da informação por procedimentos estatísticos e por análise de conteúdo, propomo-nos analisar, numa perspetiva comparativa, como é que as crianças dos diferentes grupos sociais usam o computador Magalhães e como é mediado esse uso pela escola e pela família. Nesse sentido, serão analisados dados provenientes da pesquisa nas duas comunidades educativas.
  •  DIOGO, Ana CV - Não disponível 
  •  SILVA, Pedro CV - Não disponível 
  •  COELHO, Conceição CV - Não disponível 
  •  FERNANDES, Conceição CV - Não disponível 
  •  GOMES, Carlos CV - Não disponível 
  •  VIANA, Joana CV - Não disponível 

PAP0449 - Entre a escola e a família: usos do computador Magalhães
Resumo de PAP0449 - Entre a escola e a família: usos do computador Magalhães PAP0449 - Entre a escola e a família: usos do computador Magalhães
PAP0449 - Entre a escola e a família: usos do computador Magalhães

A distribuição de computadores portáteis às crianças do 1º ciclo do ensino básico, em Portugal, constituiu uma medida política que, no seguimento de outras, teve como desígnios democratizar o acesso às tecnologias de informação e comunicação (TIC) e, assim, promover a utilização destas nos processos de ensino-aprendizagem, preparando precocemente as novas gerações para a sociedade do conhecimento. Contudo, a ideia de que as TIC, por si sós, podem ser geradoras de mudança e progresso, presente em muitos discursos sobre a sociedade da informação, parece padecer de algum determinismo tecnológico que tem vindo a ser denunciado pela evidência empírica (Lyon, 1992). No campo da educação, estudos têm revelado que a aplicação simples das TIC, sem nada modificar as práticas de ensino, não traz mudanças significativas aos sistemas educativos e pode agravar desigualdades de aprendizagem iniciais (Eurydice, 2001; Miranda, 2007). Ao distribuir computadores às famílias, o programa e.escolinha veio amplificar o potencial alcance deste tipo de iniciativas, colocando questões relativas ao processo de integração das novas tecnologias no espaço escolar, como também no espaço familiar, e, em particular, em relação à articulação entre estes dois contextos. A sociologia da educação tem dado conta de obstáculos estruturais e dificuldades de interacção na relação escola-família (Dubet, 1997; Montandon e Perrenoud, 2001; Silva, 2003) que poderão contribuir para compreender a forma como a medida política em causa está a ser apropriada pelos actores sociais. Com o objectivo de investigar os usos e efeitos do computador Magalhães no 1º ciclo do ensino básico no quadro da relação escola-família, temos em curso um estudo de caso numa Escola Básica Integrada de Ponta Delgada (Açores), baseado em métodos extensivos (inquérito a pais, alunos e professores) e intensivos (entrevistas a pais e professores e registos etnográficos de uma turma). Entre os resultados já apurados (Diogo, Gomes e Barreto, 2010), foi possível constatar que o computador Magalhães tem sido muito mais amplamente utilizado em casa do que na escola, quer pela frequência do uso, quer pela amplitude do tipo de utilizações que lhe é dado. Trata-se de resultados que não são surpreendentes, na medida em que estão em consonância com os encontrados noutros trabalhos em relação ao uso das TIC em geral (Almeida, Alves e Delicado, 2008; Fluckinger, 2007). Nesta comunicação iremos centrar-nos na exploração de pistas para a compreensão desta constatação, incidindo, especialmente, na hipótese relativa aos modos de articulação e colaboração estabelecidos entre escola e família. Para o efeito, serão mobilizados dados provenientes de inquéritos por questionário, entrevistas e registos etnográficos realizados na comunidade escolar onde o estudo decorre.
  •  DIOGO, Ana CV - Não disponível 
  •  GOMES, Carlos CV - Não disponível 

PAP0747 - Literacia e desigualdades sociais em Portugal: Uma análise a partir dos dados do PISA (2000-2009)
Resumo de PAP0747 - Literacia e desigualdades sociais em Portugal: Uma análise a partir dos dados do PISA (2000-2009) PAP0747 - Literacia e desigualdades sociais em Portugal: Uma análise a partir dos dados do PISA (2000-2009)
PAP0747 - Literacia e desigualdades sociais em Portugal: Uma análise a partir dos dados do PISA (2000-2009)

O PISA tem estado na vanguarda da avaliação internacional das competências dos alunos de 15 anos um pouco por todo o mundo (países da OCDE e parceiros) nos domínios da leitura, da matemática e das ciências, permitindo acompanhar a evolução do desempenho e aperfeiçoar a qualidade e eficiência na educação. Para além de sofisticados procedimentos de medição das competências nos domínios referidos, este instrumento de larga escala recolhe também informação socio-demográfica detalhada que permite uma análise comparativa, complexa e de natureza sociológica, da literacia juvenil. No âmbito dos princípios de comparabilidade pelos quais se rege o PISA, é seguida uma das duas estratégias possíveis nos estudos sobre composição social, a que resulta na utilização de um índice (quantitativo e estandardizado) que usa implicitamente a noção de escala social (por oposição à que utiliza a noção de “classe social”, usando mais uma classificação nominal do que uma ordenação ou hierarquização quantitativa). No caso do PISA, o complexo índice utilizado é denominado de Estatuto Socioeconómico e Cultural (ESCS) e abrange variáveis como o estatuto profissional (com base na classificação ISCO) e o nível (em anos) de escolaridade dos pais, bem como variáveis relacionadas com os bens domésticos (índices de bem-estar familiar, recursos educacionais e culturais em casa). Entre outras evidências, os dados demonstram que apesar de, em Portugal, o efeito do ESCS na literacia em leitura ter vindo a diminuir entre 2000 e 2009, dos alunos com origens sociais mais desfavorecidas terem sido aqueles que, neste período, mais melhoraram o desempenho neste domínio, e da percentagem dos alunos a que a equipa do PISA denomina de “resilientes” ser superior à da OCDE; o ESCS continua a ser a variável que, em todos os domínios e todas as escalas geográficas (OCDE, UE e Portugal), maior correlação mantém com o desempenho em literacia. A análise destes dados pode colocar-se, desta forma, no centro de um dos infindáveis mas mais importantes debates da arena sociológica, sobre a relação entre percursos escolares e mobilidade social.
  • CARVALHO, Helena CV de CARVALHO, Helena
  •  ÁVILA, Patrícia CV - Não disponível 
  • NICO, Magda CV de NICO, Magda
  •  PACHECO, Pedro CV - Não disponível 
HELENA CARVALHO tem o doutoramento em Sociologia. Professora auxiliar do ISCTE-IUL. Diretora do Departamento de Métodos de Pesquisa Social no ISCTE-IUL. Diretora da Pós-graduação em Análise de Dados em Ciências Sociais (ISCTE-IUL). Leciona e coordena diversas disciplinas de Estatística e Análise de Dados em Mestrados. É investigadora do(CIES-ISCTE-IUL). A sua área de investigação privilegiada tem por enfoque os métodos quantitativos e multivariados para variáveis categorizadas, privilegiadamente métodos de interdependência e de dependência (Categorical Regression) via optimal scaling (Escola de Leiden). Tem participado em diversos projetos de investigação desenvolvendo as suas competências em análise de dados. Tem publicado diversos livros e artigos. Algumas publicações mais recentes: Ramos, M. and Carvalho, H. (2011) Perceptions of quantitative methods in higher education: mapping students profile. Higher Education, 61, pp:629-647.; Oliveira, L. and Carvalho, H. (2010). Why firms do not enrol in socio-technical networks- empirical evidence from Portugal. Sociology of Science and Technology, Vol 1, 3-d Issue; Oliveira, L. and Carvalho, H. (2009). The segmentation of the S&T space and gender discrimination in Europe. In Prpic, K., Oliveira, L. and Hemlin, S. (editors), Women in Science and Technology. Institute for Social Research, Zagreb, pp. 27-51. Carvalho, H. (2008). Análise Multivariada de Dados Qualitativos. Utilização da Análise de Correspondências Múltiplas (ACM) com o SPSS, Lisboa, Edições Sílabo.
Magda Nico, Investigadora de Pós Doutoramento do CIES - Instituto Universitário de Lisboa, actualmente a desenvolver um projecto sobre gerações, cursos de vida e mobilidade social.
Autora da tese de doutoramento "Transição Biográfica Inacabada. Transições para a Vida Adulta na Europa e em Portugal na Perspectiva do Curso de Vida", desenvolvida no CIES-Institutito Universitário de Lisboa.
Os principais interesses de investigação e temas de publicações são: Metodologias do Curso de Vida, Transições para a Vida Adulta e Mudança Social, Saída de casa dos pais, Gerações, Género e mais recentemente Mobilidade Social.

PAP0085 - Medindo pobreza, riqueza e desigualdade em saúde
Resumo de PAP0085 - Medindo pobreza, riqueza e desigualdade em saúde PAP0085 - Medindo pobreza, riqueza e desigualdade em saúde
PAP0085 - Medindo pobreza, riqueza e desigualdade em saúde

A quantificação da desigualdade, da pobreza e, mais recentemente, da riqueza tem o seu espaço próprio na literatura especializada. A aplicação de medidas tradicionais no contexto de avaliação da distribuição do rendimento pode ser desenvolvida com vantagem no contexto da avaliação empírica da saúde. A nossa contribuição para a literatura está na utilização desse tipo de medidas com base num índice de saúde susceptível de captar a multidimensionalidade do fenómeno. Ilustramos a aplicação das medidas de pobreza, riqueza e desigualdade em saúde ao caso português, usando dados do último Inquérito Nacional de Saúde (INS). A análise da desigualdade e da pobreza – tradicional no contexto de avaliação da distribuição do rendimento – pode ser alargada a outras dimensões de fenómenos mais abrangentes como o desenvolvimento dos países ou o bem-estar das suas populações. Enquadra-se neste âmbito, por um lado, a literatura que tem procurado explorar, de forma individual, cada uma dessas dimensões adicionais e, por outro, a vertente que se tem centrado na leitura multidimensional da pobreza e da desigualdade. Neste artigo, seguimos a primeira destas vias de análise, centrando o nosso foco na dimensão saúde. Adicionalmente, agregamos à avaliação da desigualdade e da pobreza a leitura da riqueza em saúde, alargando, desta forma, a abrangência do conceito. Apesar de relativamente escassos, é possível identificar na literatura especializada, contributos no sentido da mensuração da pobreza e da desigualdade em saúde. Todavia, esses trabalhos utilizam como variável de referência uma variável simples de saúde, como seja o peso ou o índice de massa corporal. A principal limitação desse procedimento reside no facto de essas variáveis não captarem cabalmente a multidimensionalidade que caracteriza os estados de saúde. Neste artigo procuramos contornar essa limitação propondo o cálculo de um índice de saúde, isto é, aplicando ao caso português a metodologia utilizada pelo EuroQol na determinação dos estados de saúde, com base nos micro-dados do INS.
  •  CRESPO, Nuno CV - Não disponível 
  •  SIMÕES, Nádia CV - Não disponível 
  • MOREIRA, Sandrina CV de MOREIRA, Sandrina
- Docente na Escola Superior de Ciências Empresariais do Instituto Politécnico de Setúbal. Pertence ao Departamento de Economia e Gestão.
- Investigadora na Business Research Unit (BRU) do ISCTE-IUL, Instituto Universitário de Lisboa. Pertence ao Grupo de Economia do Centro BRU/UNIDE.
- Doutora em Economia pelo ISCTE-IUL, Instituto Universitário de Lisboa; Mestre em Economia pelo ISEG, Instituto Superior de Economia e Gestão; Licenciada em Economia pela FEUC, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.
- Atuais Interesses de Investigação: Medição do Desenvolvimento de Países ou Regiões, incluindo Componentes do Desenvolvimento como Distribuição do Rendimento, Emprego, Saúde...

PAP0568 - Mobilidade geográfica e desigualdades sociais. Desafios para a formulação de políticas públicas na AML.
Resumo de PAP0568 - Mobilidade geográfica e desigualdades sociais. Desafios para a formulação de políticas públicas na AML. PAP0568 - Mobilidade geográfica e desigualdades sociais. Desafios para a formulação de políticas públicas na AML.
PAP0568 - Mobilidade geográfica e desigualdades sociais. Desafios para a formulação de políticas públicas na AML.

A produção de mobilidades geográficas tem sido abordada de uma forma multifacetada (Urry, 2000; Cresswell, 2006; Kaufmann, 2004; Montulet, 2005). A mobilidade refere-se tradicionalmente a deslocações geográficas, a movimentos de uma origem a um destino através de uma trajectória que pode ser descrita em termos de espaço e de tempo (Kaufmann e outros, 2004: 746). Condição mutável, é resultado de tendências de classe, acesso às infra-estruturas e da definição social das obrigações familiares, conjugando aspectos sociopolíticos e estratégias diárias dos indivíduos ou das famílias (Camarero e Oliva, 2008:345). Reflecte então dinâmicas de desigualdade – colocadas em termos de diferentes condições de acessibilidade aos lugares e de mobilidade das pessoas – que configuram situações de inclusão/ exclusão. Estas dinâmicas de desigualdade são simultaneamente produto e matéria do planeamento de base territorial. A estrutura urbana fornece possibilidades e constrangimentos para a mobilidade dos indivíduos e das famílias constituindo um factor determinante na maior ou menor acessibilidade aos lugares (de trabalho, residência, lazer, família, etc.). No entanto, os indivíduos transformam e apropriam-se destes espaços e possibilidades de mobilidade contribuindo para a produção social do espaço (Lefebvre, 1974). Entre a acção sobre a estrutura urbana e a promoção de boas práticas de mobilidade pela população, evocar-se-á o papel das políticas públicas na redução das desigualdades sociais e procura de maior justiça social/espacial (Harvey, 1973; Lefevbre, 1974; Asher, 2010; Soja, 2010). Na Área Metropolitana de Lisboa (AML), são estreitas as relações entre o desenvolvimento dos sistemas de transportes, as alterações dos padrões de mobilidade e o desenvolvimento das configurações urbanas (Salgueiro, 2001; Ferrão e outros, 2002; Marques da Costa, 2007). De 1991 para 2001 o fluxo de veículos a entrar em Lisboa aumentou 60% (CML, 2005), colocando não só os mais conhecidos desafios ambientais, de congestão e disfuncionalidade da rede viária mas também questões de diferenciação social que poderão acentuar-se numa cidade cuja mobilidade parece cada vez mais dependente do transporte individual. Um análise preliminar dos dados do recenseamento de 2011 e das politicas urbanas e de transportes de Lisboa, ajudar-nos–ão a compreender como aqui se aborda a relação entre a mobilidade geográfica quotidiana, o planeamento em transportes públicos e dinâmicas de redução ou reprodução de desigualdades sociais.
  • SANTOS, Sofia CV de SANTOS, Sofia
Sofia Santos. Bolseira de doutoramento (sociologia) no CIES-IUL. Licenciada e mestre em Geografia Humana e Planeamento. Interesses de investigação: mobilidade geográfica, desigualdades socio-espaciais, identidades territoriais, políticas públicas, desenvolvimento local.

PAP0949 - O TEMPO LIVRE EM FAMÍLIA – UMA ABORDAGEM DE GÉNERO
Resumo de PAP0949 - O TEMPO LIVRE EM FAMÍLIA – UMA ABORDAGEM DE GÉNERO PAP0949 - O TEMPO LIVRE EM FAMÍLIA – UMA ABORDAGEM DE GÉNERO
PAP0949 - O TEMPO LIVRE EM FAMÍLIA – UMA ABORDAGEM DE GÉNERO

O uso que os atores fazem do tempo é, em grande parte, condicionado por fatores sociais e culturais, em articulação com as características individuais, nas quais se inclui o género. Nesta comunicação abordamos as concepções do tempo e os modos de passar o tempo de homens e mulheres a viver em casal, dando relevo à maneira como percebem e usam o tempo livre. Tendo como base a análise da literatura sobre o tema, apresentamos e interpretamos os dados mais relevantes de uma pesquisa realizada nos distritos de Castelo Branco e Braga através de inquérito por questionário, grupos de foco e entrevistas semidiretivas. Tal como afirmam vários autores, o tempo livre designa o tempo não dedicado a responsabilidades e atividades consideradas «necessárias», tais como o trabalho remunerado, o trabalho doméstico, os cuidados de outros e os cuidados pessoais. Distingue-se do tempo de «lazer» que tende a agregar atividades, por regra com elevado índice de prazer, realizadas durante o tempo livre. Nesta comunicação pretendemos mostrar que os usos do tempo livre em família evidenciam desigualdades de género de extrema importância, no contexto do debate sobre as políticas igualdade de género no trabalho e na vida privada. Tais desigualdades não são apenas definíveis a partir da dimensão quantitativa (em geral, as mulheres dispõem de menos tempo livre do que os homens com a mesma situação familiar), mas também a partir de outras dimensões, designadamente os índices de previsibilidade e de fragmentação (o tempo que as mulheres podem ter para si é menos previsível e mais fragmentado), a natureza das atividades e das preferências especialmente vinculadas a “identidades de género”. Pretendemos, assim, consolidar algumas hipóteses não só acerca da divisão sexual do tempo livre e do tempo de lazer, mas também sobre a forma como homens e mulheres tendem a valorizá-los, a preenchê-los e a narrá-los. Seguimos, neste contexto, diversas abordagens situadas na sociologia da família e do género, e, igualmente, alguns dos contributos fundamentais sobre a importância das classes sociais na experiência do tempo quotidiano, assim como das características dos modos de vida nas sociedades modernas.
  • SCHOUTEN, Maria Johanna CV de SCHOUTEN, Maria Johanna
  • ARAÚJO, Emilia Rodrigues CV de ARAÚJO, Emilia Rodrigues
Maria Johanna Schouten

Universidade da Beira Interior;
Centro de Investigação em Ciências Sociais da Universidade do Minho.

Áreas de formação: Antropologia, História, Sociologia.

Interesses de investigação:
Sociologia da família, sociologia do género, sociologia da saúde, sociologia do envelhecimento, relações interculturais, estudos sobre o Sudeste Asiático
Emília Rodrigues Araújo
Universidade do Minho. departamento de sociologia e centro de estudos de comunicação e sociedade
Sociologia, com interesses atuais na área da sociologia do tempo, sociologia política e das mobilidades.

PAP0158 - OS TERRITÓRIOS DA PROSTITUIÇÃO FEMININA DE RUA EM RECIFE, PERNAMBUCO – BRASIL: CONFLITOS E TRANSFORMAÇÕES NO ESPAÇO GEOGRÁFICO
Resumo de PAP0158 - OS TERRITÓRIOS DA PROSTITUIÇÃO FEMININA DE RUA EM RECIFE, PERNAMBUCO – BRASIL: CONFLITOS E TRANSFORMAÇÕES NO ESPAÇO GEOGRÁFICO  PAP0158 - OS TERRITÓRIOS DA PROSTITUIÇÃO FEMININA DE RUA EM RECIFE, PERNAMBUCO – BRASIL: CONFLITOS E TRANSFORMAÇÕES NO ESPAÇO GEOGRÁFICO
PAP0158 - OS TERRITÓRIOS DA PROSTITUIÇÃO FEMININA DE RUA EM RECIFE, PERNAMBUCO – BRASIL: CONFLITOS E TRANSFORMAÇÕES NO ESPAÇO GEOGRÁFICO

O presente ensaio aborda os conflitos sócio-territoriais no bairro de Boa Viagem, situado na cidade do Recife – Pernambuco - Brasil, decorrentes da presença acentuada de profissionais do sexo na área. Analisa-se os territórios da prostituição feminina de rua, em uma das principais vias do bairro, a Av. Conselheiro Aguiar. Ressalta-se que, com a instalação da prostituição, a partir da década de 90, surgiram embates sócio-territoriais mais evidentes na área, devido à inserção de uma atividade historicamente marginalizada pela sociedade em um espaço de moradia e de empreendimentos econômicos. O foco central da pesquisa concentra-se na análise dos territórios da prostituição, considerando, as razões da instalação da prostituição em Boa Viagem, a realidade social das prostitutas, os conflitos territoriais decorrentes de sua instalação no espaço de classes sociais abastadas, as estratégias e as táticas de convivência entre os grupos sociais (prostitutas, moradores, empresários etc), os motivos de sua permanência e as implicações na dinâmica do bairro. A princípio, a cidade do Recife, a exemplo do que, historicamente, ocorreu em cidades portuárias, concentrava a prostituição nos bairros adjacentes ao porto, a qual se desenvolvia vinculada aos interesses da zona portuária. A modernização dos meios de transporte e comunicação, aliada ao surgimento do pólo portuário de Suape e ao do processo de urbanização da cidade, encetado em meados do século XX e intensificado em seu final, promoveu um deslocamento das áreas atrativas à prostituição. Nesse novo desenho ou configuração urbana, Boa Viagem assume o papel de atração turística e foco de mobilidades sociais, em paralelo a uma progressiva decadência da área portuária, favorecendo a transferência da prostituição ou dos pontos de prostituição. Portanto, este espaço valorizado da cidade do Recife passa a atrair várias atividades, entre elas a prostituição que, encontra no bairro as melhores condições para esse tipo de trabalho, pois é palco de grande movimentação e badalação, o que facilita a abordagem dos clientes. Por meio de pesquisas de gabinete, observações in loco e realização de entrevistas constatou-se que, é preciso a população e o poder público reconhecer como legítimo o território das prostitutas, já que o desprezo e a exclusão só acentuam os conflitos e impedem o estabelecimento de normas de convivência que atendam democraticamente aos interesses dos atores sociais usuários do espaço do bairro de Boa Viagem.
  • PARENTE, Luciana Rachel Coutinho CV de PARENTE, Luciana Rachel Coutinho
LUCIANA RACHEL COUTINHO PARENTE, LICENCIATURA PLENA EM GEOGRAFIA E MESTRADO EM GEOGRAFIA PELA UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO. PROFESSORA ASSISTENTE DA UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO. DOUTORANDA DO INSTITUTO DE GEOGRAFIA E ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO, DA UNIVERSIDADE DE LISBOA. ÁREAS DE ATUAÇÃO: CONFLITOS SÓCIO-TERRITORIAIS; GESTÃO E ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO; DESENVOLVIMENTO E SUSTENTABILIDADE.

PAP0110 - Origens, destinos e trajectórias de classe: Uma análise da mobilidade social em 2 gerações de portugueses
Resumo de PAP0110 - Origens, destinos e trajectórias de classe: Uma análise da mobilidade social em 2 gerações de portugueses PAP0110 - Origens, destinos e trajectórias de classe: Uma análise da mobilidade social em 2 gerações de portugueses
PAP0110 - Origens, destinos e trajectórias de classe: Uma análise da mobilidade social em 2 gerações de portugueses

Diversos estudos têm demonstrado a manutenção de elevados níveis de desigualdade na sociedade portuguesa, com a situação da família de origem a influenciar fortemente a trajectória social dos indivíduos. Tendo como pano de fundo as significativas alterações que enquadram a modernidade portuguesa, o objectivo central desta comunicação é o de apresentar um conjunto de reflexões e de dados novos sobre mobilidade social, a partir da investigação comparativa das trajectórias de classe social de portugueses nascidos em diferentes gerações. Parte-se de uma perspectiva teórica sobre as classes sociais, que as entende como um conjunto de agentes que ocupam posições aproximadas, num sistema pluridimensional de desigualdades, e valoriza-se uma perspectiva sobre o percurso de vida que reconhece a importância central dos constrangimentos estruturais, mas não os assume como um determinismo, salientando a necessidade de os analisar longitudinalmente. Usando dados do projecto "Trajectórias familiares e redes sociais: a trajectória de vida numa perspectiva intergeracional" examinam-se comparativamente trajectórias de classe seguindo o percurso de vida. Utiliza-se uma metodologia inovadora que recorre à análise sequencial procurando estabelecer uma relação entre tempo histórico e mobilidade social. Comparam-se trajectórias de classe dos indivíduos em função das suas origens de classe, visando relacionar mobilidade, geração e género. Conclui-se que a desigual distribuição de recursos, materiais e escolares, continua a ser fulcral para a compreensão das trajectórias de classe e de mobilidade social, embora se observem diferenças geracionais consideráveis nos mecanismos de reprodução das desigualdades. Para além da importância da classe social de origem, a desigual distribuição das qualificações escolares, em particular das mães, revela-se decisiva para compreender a mobilidade social em Portugal.
  • RAMOS, Vasco CV de RAMOS, Vasco
Vasco Ramos
Doutorando FCT no ICS-UL.
Mestre em Sociologia pelo ISCTE-IUL
Interesses: Classes e Estratificação Social; Família e Género; Populações, Gerações e Ciclos de Vida.

PAP1084 - Os Modos de Transição para a Vida Adulta no Contexto de Classe
Resumo de PAP1084 - Os Modos de Transição para a Vida Adulta no Contexto de Classe PAP1084 - Os Modos de Transição para a Vida Adulta no Contexto de Classe
PAP1084 - Os Modos de Transição para a Vida Adulta no Contexto de Classe

A juventude é um tema que abrange questões complexas e inquietantes na sociedade contemporânea. A juventude é uma construção social relativa no tempo e no espaço. Dessa forma, os modos de transição para a vida adulta se constituem sob modelos distintos e determinados por vários fatores sociais, econômicos, individuais, políticos e históricos. Charlot (2007), Margulis (1998), Feixa (1997) e Bourdieu (1983) são determinantes quando afirmam que a juventude não está inteiramente relacionada com a questão etária, mas constitui-se essencialmente de uma construção social determinada ainda pela posição de classes e pelas condições históricas. Margulis (1996) apresenta claramente que cada época e cada setor social postula formas distintas de ser jovem. Destarte, agora segundo Charlot (2007), é possível falar em juventude no singular e juventudes, no plural. Isto é, existe uma categoria ou como melhor denominada por autores, condição da juventude que é singular entre as culturas: os modos de transição para a vida adulta. Entretanto, esses modos se dão de formas distintas relacionando-se com outros fatores como gênero, classe, tempo e território; por isso denomina-se juventudes no plural, na tentativa de contemplar essa condição múltipla e polissêmica que afeta todos os seres humanos em diferentes medidas. Margulis ainda explicita que essas diferentes maneiras de ser jovem alteram substancialmente os modelos que regulam e legitimam a condição da juventude. Ou seja, ser jovem pobre é diferente de ser jovem classe média ou alta, os modelos, as expectativas, as trajetórias, são profundamente modificadas. A partir dessa ótica, a presente proposta objetiva investigar os modos de transição para a vida adulta tendo como enfoque o contexto de classe no Brasil. Partindo do ponto que o jovem oriundo das classes populares não se constitui adulto nas mesmas formas de transição que os de classes mais abastadas, o conceito de moratória social e vital (FEIXA,1997 e MARGULIS, 1998) apresenta-se como foco da discussão. A noção de moratória permite não apenas diferenciarmos, dentro dos grupos e classes, a distribuição desigual do uso da condição juvenil como um capital simbólico, como também fundamenta a compreensão que a juventude não é só uma condição etária, biológica, mas que ela se realiza socialmente como um símbolo cuja distribuição é diferente de acordo com a posição social que se ocupa. Assim, como categoria social a juventude incorpora dois aspectos diferentes e não-excludentes: por um lado é um corte geracional, referindo-se a experiência geracional comum, e por outro engloba diversas e heterogêneas culturas juvenis.
  •  PRATA, Juliana de Moraes CV - Não disponível 

PAP0692 - POBREZA E DESIGUALDADE NO BRASIL: Uma análise da contradição capitalista.
Resumo de PAP0692 - POBREZA E DESIGUALDADE NO BRASIL:  Uma análise da contradição capitalista.  PAP0692 - POBREZA E DESIGUALDADE NO BRASIL:  Uma análise da contradição capitalista.
PAP0692 - POBREZA E DESIGUALDADE NO BRASIL: Uma análise da contradição capitalista.

Desde o início de sua história o Brasil é perpassado por fortes relações de desigualdade social, que têm permanecido até este momento. Este artigo procura fazer uma análise da pobreza no Brasil na conjuntura atual, a partir de dados empíricos coletados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - PNAD- 1993 a 2008, realizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística - IBGE. Consideramos, neste estudo, que o sistema capitalista tem forte influência no agravo da questão social, pobreza e desigualdade, ao passo que é um sistema econômico onde a produção e distribuição da riqueza são regidas pelo mercado, e não mais pelo Estado, visando lucro e acumulação de capital. Com o fortalecimento desse sistema, o dinheiro passa a ter grande força sobre o homem, se torna um valor dentro da sociedade, ou seja, possuir dinheiro é centralizar poder, manipular a sociedade, buscar o seu próprio bem-estar, e isso gerou consequências, como as desigualdades sociais. Assim, a problemática da pobreza tem alcançado patamares elevados a nível mundial. No caso brasileiro essa questão sempre esteve presente, como também se verificam historicamente algumas formas ou ações de enfrentamento, porém, tais ações nem sempre ocorreram de forma sistemática. A situação social no Brasil tem apresentado progressos, os investimentos em melhorias da política econômica e programas de atendimento ás famílias pobres permitiram mudanças na realidade do seu perfil socioeconômico. Entretanto, apesar da melhora nos últimos anos, segundo a PNAD, o nível de desigualdade brasileiro continua elevado. Enquanto os 40% mais pobres vivem com 10% da renda nacional, os 10% mais ricos vivem com mais de 40%. Embora a situação há uma década fosse certamente pior, ainda hoje, a renda apropriada pelo 1% mais rico é igual à dos 45% mais pobres. O que um brasileiro pertencente ao 1% mais rico pode gastar em três dias equivale ao que um brasileiro nos 10% mais pobres levaria um ano para gastar. Em função da elevada desigualdade que prevalece, a pobreza e, em particular, a extrema pobreza está muito acima do que se poderia esperar de um país com a renda per capita do Brasil. Se 1/3 da renda nacional fosse perfeitamente distribuída, seria possível garantir a todas as famílias brasileiras a satisfação de suas necessidades básicas. Contudo, quase 50 milhões de pessoas vivem em famílias com renda abaixo desse nível. A insuficiência de renda dos mais pobres, isto é, o volume de recursos necessários para que todas as famílias pobres superem a linha de pobreza, representa apenas 3% da renda nacional ou menos de 5% da renda dos 25% mais ricos. Para aliviar a extrema pobreza seria necessário contar apenas com 1% da renda dos 25% mais ricos do país. Esses números são alarmantes, e é preciso haver estratégias eficazes de combate a pobreza, nas suas diversas determinações, atuando sobre a família e o indivíduo no âmbito social e econômico, bem como políticas públicas eficientes.
  • SILVA, Cristiane Freitas da CV de SILVA, Cristiane Freitas da
  • SOUSA JUNIOR, Airton Silva de CV de SOUSA JUNIOR, Airton Silva de
SILVA, Cristiane Freitas da

Graduanda da Faculdade de Serviço Social da Universidade Federal do Pará-UFPA, Brasil. Bolsista de iniciação científica PIBIC-CNPQ do Projeto de Pesquisa “Os Impactos das Transformações Contemporâneas na Região Amazônica Brasileira: tendências da formação e do Mercado de trabalho profissional” no período de 2009-2012. Publica artigos em periódicos especializados e trabalhos em anais de eventos, principalmente no que concerne às temáticas: Trabalho, Políticas Públicas, Movimentos Sociais e Desigualdades. Endereço para acessar Currículo Lattes:http://lattes.cnpq.br/7768890344998301. Email: cris.ssocial08@gmail.com
SOUSA JUNIOR, Airton Silva de


Graduando de Ciência da Computação da Universidade Federal do Maranhão-UFMA, Brasil. Participa e publica artigos em anais de eventos científicos na área de computação e interdisciplinares, tendo interesse principalmente nas temáticas de inclusão digital, socialização da informática, direitos humanos e desigualdades sociais. Email: airjubx@hotmail.com

PAP0125 - Racismo e desigualdade uma nova abordagem à história de grupos étnicos no Agreste e Sertão de Pernambuco Brasil
Resumo de PAP0125 - Racismo e desigualdade uma nova abordagem à história de grupos étnicos no Agreste e Sertão de Pernambuco Brasil PAP0125 - Racismo e desigualdade uma nova abordagem à história de grupos étnicos no Agreste e Sertão de Pernambuco Brasil
PAP0125 - Racismo e desigualdade uma nova abordagem à história de grupos étnicos no Agreste e Sertão de Pernambuco Brasil

A pobreza e a desigualdade embora constantes na sociedade não podem ser consideradas como situações naturais e espontaneas uma vez que são materializadas a partir de processos e estruturas políticas, econômicas e sociais. O objetivo desse artigo é identificar o racismo como principal mecanismo de sustentação a construção da pobreza e desigualdade econômica e social a que foram submetidos grupos de negros no Agreste e Sertão de Pernambuco. O artigo contrapõe-se a idéia de que a grande necessidade de mão-de-obra concentrava escravos apenas na zona açucareira apresentando vários documentos que indicam sua presença no Agreste e Sertão do estado. Em seguida, explica o que é o ciclo de pobreza descrevendo que fatores históricos o impulsionou, bem como os mecanismos que foram essenciais a sua fixação. Assim, o racismo é esmiuçado e ilustrado a partir da análise de relatos e documentos históricos entre os anos de 1845 e 1970, criando um perfil que o exemplifica destrinchando suas principais ações. Para mensurar que aspectos esse ciclo alcançou bem como a instituição da desigualdade, foi utilizado o censo brasileiro por amostra de domicílio que reúne dados sobre raça e cor baseados em técnicas de amostragem representativas com todos os setores da sociedade representados em proporções adequadas sendo capaz de documentar desigualdades étnicas, por isso, verificou-se junto ao IBGE, no censo 2000, dados sobre educação, ocupação e renda em todas as categorias concluindo que as diferenças étnicas mantiveram os negros em constante vulnerabilidade uma vez que a desigualdade tem estado inalterada ao longo dos anos citados.
  •  JALES, Danielly Amorim de Queiroz CV - Não disponível 

PAP1228 - Sociedade de Metamorfose: a criação de uma orquestra sinfónica num bairro da Amadora
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PAP1228 - Sociedade de Metamorfose: a criação de uma orquestra sinfónica num bairro da Amadora

A Orquestra Geração apresenta-se como um processo de aprendizagem musical que está desenhado para ensinar crianças e jovens em situações sociais de adversidade. O projecto da Orquestra Geração está a ser implementado em Portugal desde 2007 em escolas, que estão alocadas a alunos de bairros periféricos, do 1º, 2º e 3º ciclo de escolaridade. As bases da formação musical das orquestras assenta no sistema de ensino das orquestras sinfónicas da Venezuela, que se denomina, El Sistema. O sistema classifica as orquestras por níveis de aprendizagem: A, B, C, ou D. O nível “A” corresponde ao nível mais desenvolvido e o “D” abrange as crianças mais novas, normalmente do 1º ciclo. Embora exista esta “arrumação conceptual” temos de considerar as palavras de uma coordenadora pedagógica: “... cada escola é um mundo e temos de estar atentos às suas circunstâncias.” A comunicação que pretendo realizar quer explorar e reflectir as relações entre cultura urbana e risco de exclusão social. Como é que os jovens que vivem um determinado contexto familiar, social e cultural, do bairro analisado, se entregam ao esforço de aprender a executar composições de música erudita? Quais são os padrões culturais em jogo? Quais são as mudanças, se elas existirem, nesses padrões? Qual a interdependência entre mobilidade social e identidade cultural nos jovens que integram a Orquestra? Que peso têm os conceitos de papel e status? Como é que os trajectos individuais são alterados através da interacção e do interconhecimento vivido entre os elementos da Orquestra Geração? Na Orquestra geração podemos encontrar uma dupla ambiguidade. Se as relações da periferia com o centro geram sempre algumas tensões, o que sucede quando o centro, visto aqui como a instituição da orquestra sinfónica, se desloca para a periferia? A música erudita como expressão cultural elitista está usualmente conectada a uma rede de relações complexa. Essa rede é, regra geral, o resultado das decisões politicas, económicas e sociais que permitem o surgimento de instituições complexas, como neste caso específico: escolas de música, conservatórios, e orquestras. A presente comunicação procura apresentar resposta às questões formuladas, através da articulação entre o social e o cultural, na interacção e observação com os diversos elementos da Orquestra Geração e do estudo dos contextos da vida urbana do bairro analisado. Para tal está a ser desenvolvido um trabalho de campo, com o acompanhamento da orquestra que está inserida no bairro, edificado em 2001, para realojamento de diversas famílias do concelho da Amadora que, anteriormente, viviam em bairros degradados.
  • BENTO, Ricardo Alves CV de BENTO, Ricardo Alves
Ricardo Alves Bento, estudante no ramo de investigação no âmbito do
mestrado de Sociologia ministrado no ISCTE-IUL, tem uma licenciatura
em Filosofia pela Universidade Nova de Lisboa (UNL). As principais
áreas de interesse de investigação relacionam-se com Educação, Arte,
Inovação Social, Desigualdades e Antropologia Urbana.