PAP0064 - Construção de um Painel de indicadores para a monitorização social da cidade do Porto
A monitorização da realidade social constitui
um importante contributo para a caracterização
e acompanhamento das dinâmicas urbanas,
permitindo aferir situações de maior
fragilidade, potencialidades e recursos e
apoiar o estabelecimento de objectivos
estratégicos relacionados com o
desenvolvimento social do território. O
trabalho de monitorização em curso no Gabinete
de Estudos e Planeamento do município do
Porto – decorrente da elaboração do Pré-
Diagnóstico da Rede Social da cidade –,
constituindo um input para a definição de um
quadro de referência capaz de informar as
políticas e agentes intervenientes na acção
social local, afigurou-se uma oportunidade
para a construção de um Sistema de Indicadores
Sociais, através de uma metodologia de
trabalho alicerçada numa sequência de etapas
que se pretende apresentar.
Definiu-se, à partida, como objectivo
principal a necessidade de obter um quadro de
análise tão completo quanto possível sobre a
realidade social do Porto, cuja actualização
da informação permitisse dispor, a todo o
tempo, de conhecimento actualizado sobre a
situação social da cidade. A proposta de base
contendo a estrutura lógica de domínios e
temas de análise, a identificação de critérios
que sustentam a escolha dos indicadores e a
sua posterior discussão e validação interna
tornaram possível a constituição de um Painel
de Indicadores Sociais, traduzindo um
exercício que é sempre de selecção no conjunto
imenso dos indicadores passíveis de
monitorização social.
No processo alargado de construção de um
Sistema de Indicadores Sociais emergem
vicissitudes/desafios de natureza diversa -
desde os que se relacionam com procedimentos
técnicos de trabalho propriamente ditos a
cond
- FERREIRA, Célia

- ROCHA, Eugénia

Célia Ferreira nasceu em 1983 em Valongo. É Licenciada em Geografia, ramo de Ordenamento do Território, pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, onde frequenta atualmente o Mestrado em Sistemas de Informação Geográfica e Ordenamento do Território. Faz parte, desde 2006, da equipa técnica do Gabinete de Estudos e Planeamento da Câmara Municipal do Porto, onde tem realizado trabalhos no âmbito da análise das dinâmicas demográficas e sociais da cidade e integrado projetos relacionados com a manutenção de sistemas de indicadores sobre a Qualidade de Vida Urbana e a Monitorização social.
Eugénia Rocha, nasceu no Porto, em 1968. Licenciada em Sociologia pelo ISCTE (atual IUL), onde obteve uma pós-graduação em Sociologia do Território. Trabalhou em projetos de investigação sobre o tema da pobreza e exclusão social. Foi responsável pela Avaliação dos Impactos Sociais da Reabilitação Urbana no centro histórico do Porto. Desde 2000 integra a Câmara Municipal do Porto onde começou, no Pelouro da Qualidade de Vida Urbana, por coordenar e assegurar iniciativas e eventos centrados no tema da Qualidade de Vida. A partir de 2002, integra a equipa técnica do Gabinete de Estudos e Planeamento, participando em estudos diversos centrados no diagnóstico, na monitorização e análise das dinâmicas sociais e urbanas como instrumentos de apoio ao planeamento e à decisão. Integra a equipa de projeto do Sistema de Monitorização da Qualidade de Vida Urbana do município. Os resultados dos projetos em que participa estão publicados e /ou divulgados no site institucional.
PAP0074 - Da Medida do Desenvolvimento ao Índice de Desenvolvimento Humano Sustentável
As designações crescimento e
desenvolvimento, quando aplicadas à dinâmica
social, são, muitas vezes, tomadas uma pela
outra. Mas, hoje, tende se, cada vez mais, a
usar o termo crescimento, quando se refere aos
aspetos económicos dessa dinâmica, e
desenvolvimento para se reportar à evolução,
para mais e melhor, da interligação de todos
os aspetos do social. No âmbito da análise
aqui proposta, é, sobretudo, o desenvolvimento
que se terá em conta, procurando uma medida
para ele.
Por isso, a partir de uma noção de
desenvolvimento suficiente simples e precisa,
para poder ser quantificada, vai-se procurar
criar um Índice de Desenvolvimento Humano
Sustentável, tendo em conta a informação
disponível de conceituadas entidades
internacionais e os dados empíricos de uma
situação concreta.
Palavras-chave: Bem-estar, Desenvolvimento,
Indicadores, PIB.
- ANTUNES, Manuel de Azevedo
PAP1391 - Indicadores de Apropriação de Tecnologias da Informação. Entre a conceituação e construção de categorias analíticas
O presente artigo tem como objetivo a conceituação e construção de categorias elementares para a organização dos indicadores de Apropriação de Tecnologias da Informação. Essa proposta surge da necessidade inicial de entender e pontuar o conceito de Apropriação tecnológica, e da própria condição da revolução informacional. Buscamos ultrapassar a analise superficial dos números de uso das tecnologias da informação, através de uma categorização que atrele os dados de acesso e perfil de navegação na internet.
Entendemos a Apropriação Tecnológica como a forma em que se configura o acesso as TIC’s, seguindo assim uma tendência de disposição social tanto na perspectiva individual quanto de suas relações sociais. A possibilidade de acesso crescente e veloz de informações potencializa a necessidade de indicadores que consigam abarcar o mundo digital como espaço de conhecimento.
A origem dessa revolução informacional estaria na oposição entre a máquina como instrumento objetificado e a automação com a transferência de funções cerebrais para a máquina. O caráter novo da dinâmica informacional e da revolução iniciada envolve a complexidade de condicionalidade das tecnologias, o que demonstra que não é uma simples revolução do instrumento ou do computador, mas influi nas relações profissionais e não profissionais.
A perspectiva comunicativa e emancipatória que as tecnologias da informação englobam, demonstram como a discussão dos indicadores de TIC’s tem de buscar também os ‘sentidos’ latentes dos números de navegação, dos conteúdos visitados e da produção de conhecimentos através da internet.
Através da identificação de um panorama de constituição das tecnologias da informação em uma determinada realidade, é possível analisar a condição de apropriação das TIC’s baseada em três categorias centrais em que se observem as condições físicas, digitais e sociais de acesso às tecnologias.O nosso exercício metodológico se acresce com preenchimento dessas categorias com os indicadores concernentes a cada uma, em que pese as seguintes descrições:
Condição Física – Conformação do acesso a computadores e conexão com de internet. Condição Digital – Material digital, páginas criadas, perfil de acesso as informações. Condição Social – Relação estabelecida com as estruturas socioeconômicas e relação com as tecnologias.
A analise conceitual dessas três categorias nos possibilita a organização dos dados de pesquisas sobre TIC’s serem concentradas e analisadas cada qual em sua esfera epistemológica, possibilitando a identificação de avanços e empecilhos para o desenvolvimento da sociedade informacional.
- OLIVEIRA, Janikelle Bessa
- CARDOSO, Antonio Dimas

CARDOSO, Antônio Dimas
É bacharel e especialista em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Montes Claros – UNIMONTES (Brasil), mestre e doutor em Sociologia, com tese sobre ação coletiva e arranjos corporativos, no Centro de Pós-Graduação sobre as Américas, na Universidade de Brasília (UnB/Brasil). Atualmente, está realizando projeto de pós-doutoramento na Universidade Nova de Lisboa/UNL, Portugal, com investigação sobre "Modos de Apropriação de Espaço", no estudo da Sociologia de Jean Rémy. É professor efetivo da Universidade Estadual de Montes Claros (Brasil), na Graduação em Ciências Sociais, onde ministra cursos de Sociologia Urbana, e no Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Social. Possui experiência como sociólogo em Administração Pública, com atuação em projetos de geração de trabalho e renda e apoio às atividades produtivas, além de atuar como gestor público em planejamento de cidade média no Brasil, implementando programas de governança democrática.
PAP0085 - Medindo pobreza, riqueza e desigualdade em saúde
A quantificação da
desigualdade, da
pobreza e, mais
recentemente, da
riqueza tem o seu
espaço próprio na
literatura
especializada. A
aplicação de medidas
tradicionais no
contexto de
avaliação da
distribuição do
rendimento pode ser
desenvolvida com
vantagem no contexto
da avaliação
empírica da saúde. A
nossa contribuição
para a literatura
está na utilização
desse tipo de
medidas com base num
índice de saúde
susceptível de
captar a
multidimensionalidade do
fenómeno. Ilustramos
a aplicação das
medidas de pobreza,
riqueza e
desigualdade em
saúde ao caso
português, usando
dados do último
Inquérito Nacional
de Saúde (INS).
A análise da
desigualdade e da
pobreza –
tradicional no
contexto de
avaliação da
distribuição do
rendimento – pode
ser alargada a
outras dimensões de
fenómenos mais
abrangentes como o
desenvolvimento dos
países ou o
bem-estar das suas
populações.
Enquadra-se neste
âmbito, por um lado,
a literatura que tem
procurado explorar,
de forma individual,
cada uma dessas
dimensões adicionais
e, por outro, a
vertente que se tem
centrado na leitura
multidimensional da
pobreza e da
desigualdade. Neste
artigo, seguimos a
primeira destas vias
de análise,
centrando o nosso
foco na dimensão
saúde.
Adicionalmente,
agregamos à
avaliação da
desigualdade e da
pobreza a leitura da
riqueza em saúde,
alargando, desta
forma, a abrangência
do conceito. Apesar
de relativamente
escassos, é possível
identificar na
literatura
especializada,
contributos no
sentido da
mensuração da
pobreza e da
desigualdade em
saúde. Todavia,
esses trabalhos
utilizam como
variável de
referência uma
variável simples de
saúde, como seja o
peso ou o índice de
massa corporal. A
principal limitação
desse procedimento
reside no facto de
essas variáveis não
captarem cabalmente
a
multidimensionalidade que
caracteriza os
estados de saúde.
Neste artigo
procuramos contornar
essa limitação
propondo o cálculo
de um índice de
saúde, isto é,
aplicando ao caso
português a
metodologia
utilizada pelo
EuroQol na
determinação dos
estados de saúde,
com base nos
micro-dados do INS.
- CRESPO, Nuno
- SIMÕES, Nádia
- MOREIRA, Sandrina

- Docente na Escola Superior de Ciências Empresariais do Instituto Politécnico de Setúbal. Pertence ao Departamento de Economia e Gestão.
- Investigadora na Business Research Unit (BRU) do ISCTE-IUL, Instituto Universitário de Lisboa. Pertence ao Grupo de Economia do Centro BRU/UNIDE.
- Doutora em Economia pelo ISCTE-IUL, Instituto Universitário de Lisboa; Mestre em Economia pelo ISEG, Instituto Superior de Economia e Gestão; Licenciada em Economia pela FEUC, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.
- Atuais Interesses de Investigação: Medição do Desenvolvimento de Países ou Regiões, incluindo Componentes do Desenvolvimento como Distribuição do Rendimento, Emprego, Saúde...