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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012
Associação Portuguesa de Sociologia
PAP0356 - Plural, flexível e reflexiva: discutindo novas configurações de identidade sexual
O conceito de identidade sexual ganhou sentido
e relevância histórica a partir do lugar que a
sexualidade passou a ocupar na cultura
ocidental moderna, possibilitando a emergência
de sujeitos em determinados contextos de
relações sociais que expressam um discurso de
verdade na descrição de si ligado ao sexo.
Vincula-se à vertente teórica do
construtivismo que associa a cultura e a
história na definição dos padrões da
experiência sexual dos grupos sociais. A
partir da compreensão do caráter mutável das
identidades sexuais, este trabalho discute a
configuração de identidades sexuais flexíveis
em um contexto urbano de participação juvenil
no Brasil. Utiliza-se a observação
participante e entrevistas em profundidade
para analisar a construção social da
sexualidade por jovens que estabelecem
relações amorosas estáveis tanto com pessoas
de mesmo sexo quanto de sexo diferente. A rede
social que conforma a participação é complexa,
diversa e multiplicada por vários domínios
sociais, oportunizando uma crescente abertura
na atualização de princípios de classificação
social constituintes da identidade. Esses
jovens entendem que o compromisso e a filiação
a uma identidade específica tende a
cristalizar possibilidades de experiências e
de crescimento individual. Na possibilidade de
se libertar das restrições instituídas pelas
normas sociais, eles vão percebendo a
diversidade de expressões do afeto e do
erotismo e vivendo sua sexualidade com mais
fluidez e menos sujeita a classificações. Em
conformidade, a rejeição ao termo bissexual
advém da crítica às rotulações dos
comportamentos sexuais e a uma condição humana
essencializada. Articula-se fundamentalmente
com um estilo de vida elaborado como uma
estratégia de expressar “eu vivo o momento”.
Esse estilo inerentemente desordenado
desprende-se da ideia de um atributo
identitário fundamental e uma conduta adequada
correspondente. Os contextos de participação
foram profícuos para o exercício reflexivo
sobre as performances identitárias,
propiciando novos modos de interação entre os
jovens. Eles regulam e reinventam suas
relações e práticas sociais, e narrativas do
eu em um ambiente caracterizado pela
problematização e contestação do mundo social
e organizado a partir de princípios
democráticos e valores do pluralismo. O
distanciamento crítico frente às convenções
sociais se expressa na afirmação de que o sexo
do parceiro não é essencial para o
entendimento da relação, além de não
compreenderem a identidade sexual como
elemento encompassador na constituição de suas
identidades sociais. A produção de novas
condutas é impulsionada pela desconstrução das
estruturas binárias e excludentes homem-mulher
e heterossexual-homossexual diante das
múltiplas possibilidades de configuração do
self oportunizadas por este ambiente.
- GUIMARÃES, Jamile Silva

Jamile Silva Guimarães é bacharel em Sociologia e mestre em Saúde Comunitária pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Desde a graduação propôs-se a desenvolver uma linha de estudos de caráter holístico sobre a Infância e a Juventude. Dedicou sua monografia a discutir a construção da Infância como questão social no Brasil e na dissertação analisou o papel da participação juvenil na promoção da saúde. Atua em estudos interdisciplinares nos seguintes temas: promoção da saúde, participação social, direitos humanos, desenvolvimento humano, educação, sexualidade e uso de drogas.
PAP1224 - Reconstruindo os nexos entre o eu e o nós: a participação juvenil como processo de individualização e socialização
Entendida como habilitação social e empoderamento, a participação conforma um processo de socialização que contempla uma combinação entre a participação em processos decisórios na esfera pública e o acúmulo de capital social. Constitui uma fonte de significados e de experiência que permite aos jovens estruturar e organizar papéis sociais e visões de mundo sob a égide de valores democráticos, contrastando com referenciais autoritários oferecidos por modelos tradicionais de família e escola vigentes no Brasil. Esta pesquisa analisou como a experiência da participação possibilita aos jovens perceber e construir pontos de interseção entre sua individualidade e o coletivo. Procedeu-se um estudo de caso qualitativo com grupos de jovens integrantes de uma ONG que trabalha na formação para cidadania e atuação comunitária de adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade social. Foram utilizados os seguintes instrumentos: entrevistas em profundidade, observação participante, diário de campo e pesquisa documental de textos, reportagens e vídeos no blog institucional. O processo participativo apresenta-se como um momento de imersão significativa em seu contexto social. Em uma dinâmica problematizadora, os jovens aprendem a exercer o protagonismo ao desempenhar o papel de antagonistas à estrutura social e ao status quo. Nesse movimento, eles confrontam seus sentimentos negativos pela comunidade de origem, relacionados ao estigma da pobreza e da violência. Ao transcenderem da realidade imediata, eles desconstroem a objetividade reificada das relações sociais estabelecidas. O desenvolvimento da crítica remete ao despertar da sensibilidade no encontro com a comunidade nas ações sociais ali empreendidas. Os jovens destacam a descoberta da referência do coletivo no seu ser que, através da cooperação, reciprocidade e do respeito, modificam o sentido de seu individualismo. A individuação é não apenas narcísica como a originada nos valores do consumo, mas amplia-se com nexos entre o eu e o nós que passam a constituir a matriz discursiva utilizada pelos jovens para organizar sua identidade. Os relatos convergem na solidariedade incorporada como valor que orienta a constituição de uma ética de responsabilidade mediante a multiplicação de conhecimentos em projetos educativos e ações coletivas em grupos juvenis articulados com a associação de moradores, escolas e centro de saúde de seus bairros. De tal modo, vínculos afetivos e sociais são gerados a partir da percepção de que conquistas pessoais subjazem a luta política cotidiana. Destarte, novas relações com o social são produzidas à medida que o jovem identifica a si próprio nos projetos comuns e interesses coletivos. Constituindo-se, assim, a experiência da participação em um duplo sentido: como processo de individualização e de socialização.
- GUIMARÃES, Jamile Silva

Jamile Silva Guimarães é bacharel em Sociologia e mestre em Saúde Comunitária pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Desde a graduação propôs-se a desenvolver uma linha de estudos de caráter holístico sobre a Infância e a Juventude. Dedicou sua monografia a discutir a construção da Infância como questão social no Brasil e na dissertação analisou o papel da participação juvenil na promoção da saúde. Atua em estudos interdisciplinares nos seguintes temas: promoção da saúde, participação social, direitos humanos, desenvolvimento humano, educação, sexualidade e uso de drogas.
PAP0014 - Sobre a virtualização do lazer
Num contexto de
crescente
(des)regulação e
globalização das
atividades humanas
contemporâneas, esta
comunicação
apresenta e discute
os resultados dum
inquérito
eletrónico, a partir
do qual se infere
como o lazer dá
sinais de estar a
ficar domiciliado,
desmaterializado e,
sobretudo,
virtualizado.
- FABRÍCIO, Ricardo

Ricardo Fabrício
Doutorado em Sociologia Económica e das Organizações (ISEG/UTL), professor auxiliar na Universidade da Madeira e investigador do SOCIUS (ISEG/UTL).
Interesses de investigação: ideologias económicas e empresariais; lazer; turismo; empregabilidade e empreendedorismo.