PAP0073 - A relação governo-universidade-empresa: o caso do “Green Island Project” no Programa MIT-Portugal
As universidades
portuguesas estão a
atravessar um
período de
transformação e de
redefinição do modo
como se relacionam
com a sociedade.
Inseridas num
contexto global, às
universidades é
exigido um papel
activo na promoção
do desenvolvimento
económico, uma nova
missão a acrescentar
ao ensino e à
investigação.
Perante este
desafio, em 2006 foi
lançado o Programa
MIT-Portugal, uma
parceria de 5 anos
que pretendia tornar
as universidades
portuguesas mais
dinâmicas e
empreendedoras. O
Programa propôs-se a
aproveitar a
experiência do
Massachussets
Institute of
Technology (MIT)
para promover
mudanças nas áreas
da investigação, da
formação e do
empreendedorismo e
inovação – esta
última sobretudo
através da promoção
das relações
governo-universidade-empresa,
tendo em conta o
modelo teórico da
“tripla hélice”.
Perante este
enquadramento, serão
apresentadas as
conclusões de um
estudo de caso sobre
o “Green Island
Project” (GIP),
realizado no âmbito
do projecto - “As
Parcerias
Internacionais em
Portugal: uma
análise do impacto
das redes
científicas na
sociedade do
conhecimento”.
O GIP foi um
projecto inserido no
Programa
MIT-Portugal, que
teve como objectivo
o desenvolvimento de
uma estratégia
energética
sustentável para os
Açores. Incluiu um
consórcio
multidisciplinar com
universidades,
empresas e
estruturas
governamentais. As
conclusões a
apresentar serão
baseadas em cerca de
20 entrevistas aos
principais actores
deste projecto,
incluindo
investigadores,
empresários e
decisores políticos,
procurando
caracterizar as
relações
estabelecidas entre
eles, os métodos de
trabalho e
colaboração ao longo
da implementação do
GIP,, quer do ponto
de vista do projecto
em si, quer do ponto
de vista da
sustentabilidade das
relações
governo-universidade-empresa
entretanto
estabelecidas.
- DURÃO, Rui

- PATRÍCIO, Teresa

Rui Durão, originalmente professor de ciências naturais formado na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, é actualmente doutorando em Sociologia no CIES/ISCTE-IUL. Trabalhou vários anos como gestor de projectos na Ciência Viva - Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica, onde desenvolveu um particular interesse sobre os modelos de organização dos sistemas científicos, sobre a sua relação com a sociedade, e sobre o papel das políticas públicas no desenvolvimento científico, social e económico.
Maria Teresa Patrício, é Professora Associada na Escola de Sociologia e Políticas Públicas do ISCTE-IUL e é Investigadora no CIES-IUL. Obteve o seu doutoramento na Rutgers University como "Fulbright scholar". Foi Presidente do CIES entre 1992 e 1993, e esteve na criação do Observatório da Ciência e da Tecnologia. Entre 1997 e 2002 foi vice-presidente do Instituto de Cooperação Cientifica e Tecnológica Internacional. Está neste momento a desenvolver um projecto de investigação sobre "As Parcerias Internacionais em Portugal: uma análise do impacto das redes científicas na sociedade do conhecimento".
PAP0872 - Inovação Urbana nos serviços de base local prestados pelas organizações da economia social
A cidade congrega todo o potencial associado à sua densidade. Por um lado, é palco privilegiado da criatividade, do movimento e dos fluxos. Por outro, concentra dualidades sociais marcantes que evidenciam as desigualdades na redistribuição dos rendimentos. Distinguir estes campos traduz-se apenas num exercício analítico que não procura tratar cada uma das dimensões de forma desligada. Muito pelo contrário, o que existe de mais interessante é a miscigenação entre as diferentes variáveis em jogo.
Face às tensões e às oportunidades que emergem da cidade, interessa perceber a forma como as organizações procuram dar uma resposta direta aos problemas e às necessidades dos cidadãos. Incidindo sobre as organizações cujo perfil se enquadra nos critérios europeus de definição da economia social (Ávila e Campos, 2007), o enfoque é centrado sobre aquelas que desenvolvem serviços de base local. Entendem-se por estes serviços aqueles que suprem necessidades sociais dos indivíduos a partir de uma perspetiva assente nas características específicas de cada local (Bradford, 2011) e a partir de relações subjetivas e objetivas de proximidade (Laville, 2005; 2009). Estaremos perante um novo localismo ou uma outra abordagem territorialista que recupera as potencialidades das intervenções «bottom-up» não descurando o caráter sistémico e global em que se enquadram as relações sociais.
Trata-se de saber que tipo de respostas são dadas por estas organizações, que recursos mobilizam e qual a sua importância na construção da vida da cidade. A partir de uma análise descritiva que decorre do seu mapeamento na cidade de Lisboa, pretende-se dar conta dos elementos mais inovadores. Uma inovação entendida: i) pela forma como são mobilizados os recursos para além das lógicas assistencialistas que medeiam parte da intervenção social; ii) a partir da mobilização de áreas de ação e de grupos sociais distintos como meio de promoção da inclusão; iii) pela ativação de novas formas de organização coletiva para o consumo e a produção que valorizam a proximidade como elemento central na construção de uma cidadania ambiental urbana; iv) pela reivindicação e lobby exigindo o direito à vivência e à apropriação da cidade; v) através da participação ativa dos cidadãos na valorização e na reabilitação do património; vi) pela criação de sistemas autónomos de proteção face a riscos assentes na confiança entre desconhecidos.
Apresentam-se os casos mais emblemáticos que refletem a capacidade de auto-organização cidadã para a criação de respostas diretas aos problemas emergentes da cidade.
- SOUSA, Vanessa

“Vanessa Duarte de Sousa é assistente convidada da Faculdade de Economia da Universidade do Algarve, associada do Dinâmia’CET, ISCTE – IUL e Bolseira da FCT para o doutoramento em Cidades e Culturas Urbanas pelo Centro de Estudos Sociais e Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. É licenciada em Sociologia e Planeamento e Mestre em Planeamento e Avaliação de Processos de Desenvolvimento, ambos pelo ISCTE. Áreas de interesse: construção de indicadores de desenvolvimento social, investigação-ação, sociologia da intervenção, sociologia do território, políticas sociais e economia social urbana, tema em que se centra a tese de doutoramento em desenvolvimento.”
PAP0057 - Reconfiguração da ciência em tempo de crise: entre o conhecimento aplicado e o desenvolvimento tecnológico
O actual cenário económico-social impõe novas
pressões à criação de conhecimento, bem como à
sua gestão e aplicação produtiva. As
organizações que querem sobreviver nos tempos
futuros, não têm apenas que criar, mas sim
criar com valor acrescentado; e disseminar
esse valor para a envolvente. Universidades,
empresas e estado já não podem continuar a
viver em separado; isto, se querem manter uma
sociedade em desenvolvimento. Assim, a ciência
passa também pela necessidade de uma urgente
reconfiguração. Se não quer cristalizar entre
as suas “paredes laboratoriais” tem ir ao
encontro das problemáticas emergentes. O
presente trabalho apresenta os resultados que
advêm desta nova realidade.
Adoptou-se a perspectiva da construção social
da inovação, sob os contributos de Berger e
Luckmann (1967), e do grupo MIRP (Minnesota
Innovation Research Program - Van de Ven et
al, 2000; 1999; 1993; 1990, 1986), sobre a
gestão da inovação. Em paralelo, são
apresentadas práticas de gestão da inovação
portuguesas, que evidenciam a importância do
conhecimento aplicado e do desenvolvimento
tecnológico, numa lógica de tripla-hélice,
como estratégia de competitividade. Estas
práticas servem, também, como reflexão para
uma nova reconfiguração, na interacção entre
os vários actores sociais. O desenvolvimento
científico, neste novo cenário, passa, assim,
por ultrapassar fronteiras, integrando o
conhecimento aplicado e o desenvolvimento
tecnológico ao serviço de uma sociedade,
também em reconfiguração.
Por fim, entre os dados empíricos e as
reflexões teóricas, o trabalho discute a
necessidade de cooperar e competir em rede. A
inovação assenta no esforço de construir redes
onde se promova o desenvolvimento de
transacções e relações, com pessoas
suficientemente envolvidas nas suas ideias,
conduzindo à sua aceitação e legitimação (Tidd
et al., 1997).
- PITEIRA, M. Margarida

Informação Biográfica de Margarida Piteira
Licenciada em Sociologia pela Universidade Autónoma de Lisboa; Mestre em Comportamento Organizacional pelo Instituto Superior de Psicologia Aplicada; e Doutorada em Sociologia Económica e das Organizações pelo Instituto Superior de Economia e Gestão/Universidade Técnica de Lisboa.
É atualmente investigadora do SOCIUS – Centro de Investigação em Sociologia Económica e das Organizações/Instituto Superior de Economia e Gestão/Universidade Técnica de Lisboa. Em paralelo, tem vindo a lecionar em várias universidades portuguesas, sendo, no presente momento, coordenadora do Curso de Licenciatura em Gestão de Recursos Humanos (ISLA de Santarém).
A investigação desenvolvida tem-se orientado para as áreas de Gestão de Recursos Humanos e Inovação; Mudança e Desenvolvimento Organizacional; e para a perspetiva da Construção Social e dos Estudos de Caso.
PAP1014 - TERRITÓRIOS RESILIENTES, CRIATIVOS E SOCIALMENTE INOVADORES: desafios e paradoxos à transformação e mudança face a disrupções e processos com expressões difusas e diluídas no tempo
No actual contexto de reconfiguração de paradigmas, modificam-se as relações sociais e as formas de apropriação do espaço. A necessidade de adaptação a estes processos assume uma actualidade e urgência de dimensões colectivas que convida a uma reflexão critica sobre conceitos como resiliência, criatividade e inovação social na tentativa de compreender e explorar formas alternativas das mudanças em curso.
Para Walker, Holling et al (2004), o conceito de resiliência está associado à “capacity of a system to absorb disturbance and reorganize while undergoing change so as to still retain essentially the same function, structure, identity and feedbacks”. O conceito de resiliência centra-se assim na capacidade de superar ou recuperar da adversidade, mas surge normalmente associado a epifenómenos tais como desastres naturais e/ou tecnológicos ou actos terroristas. Porém torna-se importante reflectir sobre o conceito de resiliência na acomodação da transformação e das mudanças dos territórios e das comunidades que resultam de processos mais diluídos no tempo, tais como a sua desvitatização ou a "crise" vivida na sua expressão territorial.
Também, a criatividade surge em contextos de mudança e de “crise” como um activo importante. Muitas vezes, associa-se a criatividade ao combate à adversidade, à imprevisibilidade, à incerteza e/ou ao risco respondendo aos desafios com outras formas de interpretar os processos que desencadeiam transformação. São condições necessárias à configuração e ao desenvolvimento de um meio criativo ser resilente, ou seja, permitir a mudança sem se fragmentar e sem perder a sua unidade e coerência, associando-se o conhecimento, a diversidade, a aprendizagem, a tolerância e/ou a participação.
A esta configuração associa-se também a inovação social que permite encontrar novas respostas para problemas não reconhecidos ou não solucionados, visando a transformação das relações sociais, a coesão das comunidades locais e o combate à exclusão (Moulaert et al. 2009; Klein e Harrisson 2007, André e Abreu 2006).
A conciliação destes conceitos – resiliência, criatividade e inovação social – coloca assim questões específicas à sua abordagem e desenvolvimento quando aplicada a processos colectivos com expressão territorial disruptiva cuja visibilidade e diluição no tempo assumem uma forma mais difusa. Qual o papel da resiliência face a estes factores disruptivos? Quais as suas fronteiras com o do conceito de "resistência" e de "sobrevivência"? Onde entra a criatividade e a inovação social nestes contextos numa perspectiva de "community (re)building"? Uma comunidade resiliente é necessariamente uma comunidade criativa e aberta à inovação social? Porquê? E o que é que isso poderá querer dizer, na prática, na reconfiguração dos papeis, das relações e dos desafios que se colocam aos vários actores em acção ou com acção junto destas comunidades?
- FREITAS, Maria João

- ESTEVENS, Ana
Maria João Freitas. *Socióloga, Investigadora Auxiliar no Núcleo de
Ecologia Social do Laboratório Nacional de Engenharia Civil,.Tem
desenvolvido atividade de investigação, contrato e consultoria técnica
em torno das questões da habitação e das questões urbanas, nomeadamente
em torno modelos de habitar, intervenções integradas de base
territorial, modelos de governança colaborativa, dinâmicas de ação
coletiva e processos de transformação e desenvolvimento sócio-territorial.
PAP0525 - Viver até morrer: que modelos organizativos inventar?
A transformação das estruturas da população
segundo a idade tem fortes implicações na
organização da vida colectiva.
Nas sociedades em que o trabalho é factor
crucial de integração social, a passagem à
condição social de “idoso” representa, para
muitos, a entrada num processo de
vulnerabilidade social ou, até, de exclusão.
A sociedade portuguesa é um caso de evolução
contraditória. A progressiva integração
económica dos reformados não impediu que
grande parte da população envelhecida fosse
remetida para condições objectivas de
existência que os expõem a diversas formas de
marginalização. São de destacar a pobreza, a
perda dos laços sociais e de significado da
existência, assim como do sentido da utilidade
social.
Um importante contingente dos activos
envelhecidos que exerceram a sua actividade
profissional com baixos níveis remuneratórios
corre o risco de não contar com redes mínimas
de protecção social.
A nossa investigação propõe-se analisar as
repostas sociais existentes e conceber e
planear intervenções que diminuam o risco de
pobreza e evitem que a reforma seja vivida
como morte social.
As profundas alterações que afectam as
estruturas familiares têm um impacto directo
sobre as relações de poder entre as gerações,
nomeadamente sobre o conteúdo e intensidade
das trocas entre filhos e pais e sobre a
definição das suas obrigações recíprocas.
Grande parte das tarefas e cuidados
tradicionalmente assumidos pela família, e que
contribuíam para a sua coesão, está a ser
remetida para instituições e profissionais
especializados. Esta mudança, que secundariza
os mecanismos de resolução de problemas na
base de trocas e negociações directas quer no
quadro da família, quer na colectividade de
vizinhança, está na base do isolamento social
e da solidão, bem como do fechamento da
identidade no passado.
Neste quadro, a qualidade da protecção social
dos idosos é crucial para preservar a sua
dignidade social e para que possam viver até
morrer. O contributo das organizações
produtoras de serviços para criar redes de
relacionamento social é crucial para prevenir
ou corrigir o isolamento e a solidão,
substituindo ou complementando os laços
primários.
A nossa investigação pretende, pois, conceber
modelos organizacionais compatíveis com a
valorização simbólica, a intensificação das
relações sociais, a descoberta de interesses e
o envolvimento na prestação de serviços à
colectividade de modo a permanecerem
integrados na vida social, demonstrando a sua
utilidade social.
- MAIA, Berta
- ROCHA, Maria Lúcia
- ALMEIDA, Maria Sidalina

- GROS, Marielle
Nome: Maria Sidalina Almeida
Afiliação institucional: Instituto Superior de Serviço Social do Porto
Área de formação - licenciatura em serviço social; mestrado em serviço social e política social e doutoramento em ciências da educação.
Interesses de investigação: diversos temas no campo da gerontologia social; transição dos jovens para a vida adulta.