PAP0016 - Estratégias colectivas de governação local no campo social
Perfila-se um novo paradigma de governança-
local, colectivo, negocial e integrado- que,
além das questões relacionadas com a assunção
de arquitecturas institucionais mais
horizontais, incorpore a ideia de,
participação dos actores chave nos assuntos
públicos. Este paradigma esboça-se, ao mesmo
tempo, que, se afirma um novo paradigma
sociopolítico de intervenção social, cujos
grandes marcos teóricos, reconhecendo a
relação entre os fenómenos protecção social e
desenvolvimento local, sublinham a importância
da intervenção intersectorial e da preparação
do contexto de referencia, recontextualizando
o discurso oficial e promovendo, no decurso da
acção, processos reflexivos capazes de gerar
aprendizagem e espaço de manobra para os
actores locais. As teorias de Beck (2000),
Giddens (1997, 2001), Fukuyama (2006),
Castells (2007), entre outros, oferecem
elementos de fundamentação do novo paradigma,
que, sugerem a experimentação de novos
mecanismos de acção conjunta, como redes,
parcerias e outras fórmulas de associativismo.
Este novo paradigma comporta a necessidade de
se encontrarem estratégias adequadas de
intervenção territorial, capazes de acautelar
um certo oportunismo do Estado, de
distribuição da responsabilidade do combate à
pobreza por novos e diferentes actores. Tratar-
se-á de concretizar os princípios de um Estado
Social accionando no local, fórmulas de
governação ou governança, capazes de
comprometer, em complementaridade, outros
agentes e outras redes sociais, no suporte
social aos indivíduos e famílias.
Entende-se a noção de governança como um
fenómeno pluridimensional, que, além das
questões relacionadas com a arquitectura dos
órgãos locais, mais centralistas ou mais
horizontais, incorpora a ideia de participação
dos actores chave nos assuntos públicos e
corresponde ao conjunto de processos e de
actores locais envolvidos na acção local.
Hermínia Júlia de Castro Fernandes Gonçalves, Professora auxiliar na Universidade de Trás os Montes e Alto Douro (UTAD), Departamento de Economia, Sociologia e Gestão (DESG). Investigadora Efetiva do Centro de Estudos Transdisciplinares para o Desenvolvimento (CETRAD- UTAD). Com Interesses de investigação em políticas sociais, democracia participativa, cidadania, governança; ação coletiva; redes sociais; parcerias; movimentos sociais, pobreza, desenvolvimento local, responsabilidade social, terceiro sector e metodologias participativas. Doutorada em Sociologia, pela Universidade de Salamanca. Recebeu o Prémio de Investigação Doutoramento Extraordinário, pela Universidade de Salamanca.
Exerce ainda funções:
Vice Directora da Licenciatura de Serviço Social da UTAD
Coordenadora da REAPN/EAPN (rede Europeia Anti-Pobreza, Núcleo Distrital de Vila Real;
Juiz Social na Comarca de Vila Real para a área dos menores em risco.
Já exerceu funções:
Directora da Unidade de Proteção Social de Cidadania no Centro Distrital de Segurança Social de Vila Real.
Presidente da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Vila Real
Coordenadora do Grupo de Ação Local da Associação do Douro Histórico (ADH) para aplicação do Programa LEADER (Ligação de Acções de Desenvolvimento Rural).