PAP0430 - A construção da identidade : jovens em busca do reconhecimento
A construção da identidade: jovens em busca do reconhecimento
Ana Lúcia Hazin Alencar e Sueli Pereira Guimarães
O Estado brasileiro vem investindo, nos últimos anos, elevados recursos em programas de desenvolvimento de ações que contemplem a diversidade cultural do seu povo. Justifica-se assim a realização de uma pesquisa que objetivou verificar de que forma os jovens participantes dos projetos governamentais se apropriam ou ressignificam a cultura. A investigação contemplou ações desenvolvidas em 3 municípios de Pernambuco que serviram como estudos de caso: utilizou-se a pesquisa documental e entrevistas semi-estruturadas para a coleta de dados.
O objetivo deste paper é fazer uma reflexão sobre a construção da identidade do jovem a partir do seu consumo cultural. Para Bourdieu, a identidade se afirma na diferença. Parte-se, aqui, do princípio da diversidade, uma vez que se entende que a juventude é uma categoria socialmente construída, cujos valores, hábitos e comportamentos dependem e variam segundo o momento histórico em que se vive e a inserção em determinada sociedade e/ou grupos sociais específicos.
O conhecimento da própria identidade é um processo difícil para o jovem que ainda está em processo de formação. O espaço social em que está inserido é relevante, uma vez que a identidade é constituída tanto por experiências passadas, embasadas em valores e normas – podendo ser claramente apreendidas através do conceito de habitus de Bourdieu – quanto pelo contato com o novo, através dos meios de comunicação ou da convivência com pessoas que servem muitas vezes de espelho ou referência. Portanto, a maneira como as pessoas constroem sua identidade decorre não só de condições objetivas, mas também, do ser percebido por si mesmo ou pelos outros.
Tal assertiva pode ser percebida em depoimentos dos jovens entrevistados, a maioria oriunda de famílias de baixa renda. A condição econômica é um fator limitante para o acesso a atividades culturais e de lazer. A rua pode, então, ser um atrativo para o jovem que adentra o perigoso mundo das drogas e outros vícios. Entretanto, a possibilidade de participar de atividades culturais permite aos jovens, através do aprendizado da música, por exemplo, a redefinição de suas identidades, pela valorização do eu.
- ALENCAR, Ana Lúcia Hazin
- GUIMARÃES Sueli Maria Pereira
PAP1551 - Comportamentos dos jovens universitários europeus na transição para a vida adulta
Nas últimas décadas a sociedade assistiu a processos de mudança profunda, que conduziram a novos comportamentos e a novas formas de ser e estar. Estas mudanças verificaram-se nos mais diversos campos sociais, entre eles a educação, o trabalho, a família e, no fundo, todos os percursos individuais ou colectivos Ao contrário do que se verificava em gerações passadas, a idade cronológica é cada vez menos uma referência e importa então questionar como é hoje feita pelos jovens a transição para a vida adulta. Nas gerações passadas, à infância seguia-se uma rápida transição para a vida adulta, em que a maioria dos indivíduos, quase sempre sequencialmente, entravam no mercado de trabalho, saiam de casa dos pais, casavam e tinham filhos. Actualmente, o espaçamento entre o momento de terminar a frequência do sistema de ensino (nomeadamente, o superior), arranjar um primeiro emprego e todos os restantes acontecimentos que tradicionalmente se seguiam, torna-se maior. Há também hoje uma maior variabilidade no modo como cada acontecimento vai surgindo na vida de cada indivíduo. A passagem para a vida adulta é hoje um período de vida mais longo e menos previsível, em que cada indivíduo toma as suas decisões e opções. Assistimos ainda ao maior investimento na formação e à tendência de continuidade dos estudos ao nível do ensino superior, que se tem revelado uma resposta às novas exigências do mercado de trabalho mas, também, uma possível forma de fuga à realidade do desemprego. Ao mesmo tempo, esta situação resulta no adiamento da entrada na vida adulta dos jovens de hoje. No presente estudo, procuramos compreender como é que o contexto social, económico e demográfico dos países europeus, e a frequência do ensino superior, contribuem para ‘novos’ comportamentos dos jovens na transição para a vida adulta, nomeadamente, no que diz respeito ao impacto da questão da empregabilidade. Para isso, numa análise multidisciplinar, que envolve a Sociologia e a Demografia, e através de uma metodologia essencialmente quantitativa, procuraremos identificar indicadores que poderão explicar a relação entre contexto social e económico, frequência do ensino superior e transição para a vida adulta na Europa.
- CACHAPA, Filipa C.

- MENDES, Maria Filomena

- REGO, Maria Conceição

Filipa Cachapa licenciou-se em Sociologia na Universidade de Évora e está a frequentar aí o último ano do mestrado em Sociologia. É também bolseira em projectode investigação (CEFAGE/UÉ), financiado pela FCT. As suas áreas de interesse relacionam-se com a demografia e ciclos de vida, sociologia da educação, sociologia da cultura e metodologias de investigação.
Maria Filomena Mendes, licenciada em Economia e doutorada em Sociologia na especialidade de Demografia pela Universidade de Évora é Professora Associada no Departamento de Sociologia desta Universidade.
Publicou recentemente, entre outras, as seguintes publicações:
2010, “A diferença de esperança de vida entre homens e mulheres: Portugal de 1940 a 2007” (com I. T. de Oliveira) in Análise Social, Vol. XLV (1.º), 2010 (n.º 194), 115-138.
2010, “Perfil dos imigrantes em Portugal: dos países de origem às regiões de destino” (com C. Rego, J. R. dos Santos e M. G. Magalhães), in Revista Portuguesa de Estudos Regionais, RPER, nº 24-2º Quadrimestre, artigo 7, APDR, Coimbra, pp. 17-39.
Maria da Conceição P. Rego é professora auxiliar com nomeação definitiva no Departamento de Economia da Universidade de Évora. Licenciou-se em Economia, na Universidade de Évora, em 1991, concluiu o curso de Mestrado em Economia Aplicada na Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa em 1996 e em 2003 obteve o grau de Doutor em Economia pela Universidade de Évora. Os seus interesses incidem sobre as temáticas da economia e desenvolvimento regional e urbano, população e economia da educação, com destaque para a análise dos efeitos regionais das instituições de ensino superior.
PAP1444 - Escola, leitura(s) e imagem(ens): contribuições metodológicas
Este trabalho é parte de uma pesquisa de doutorado na área da educação. O objetivo geral do estudo foi discutir com professores e alunos de uma escola pública de ensino médio do Rio de Janeiro algumas questões relacionadas com as suas práticas de leitura. De modo mais específico queríamos discutir a relação das denominadas novas tecnologias com a leitura, entendida como uma prática cultural mais ampla, realizada em diferentes suportes e sujeitas a diferentes avaliações. Tal compreensão da leitura como prática social mais ampla seguiu principalmente as proposições de Roger Chartier. Com isso foi possível superar uma visão restrita de leitura identificada apenas com o material impresso, em particular com os livros, e sua restrição à leitura literária.
Em termos metodológicos optei por utilizar imagens fotográficas produzidas pelos sujeitos da pesquisa. O uso da imagem tinha o objetivo inicial de promover uma melhor aproximação com esses sujeitos, dirimindo a sua possível resistência à participação na pesquisa. Elas também proporcionariam o ponto de partida para a realização das entrevistas. Ao longo da realização da pesquisa a produção das imagens trouxe importantes contribuições tanto do ponto de vista da discussão das relações entre o pesquisador e os sujeitos da pesquisa e do próprio fazer da pesquisa, quanto em relação às discussões dos temas relacionados à leitura. Desta forma, pude problematizar minha intenção inicial de utilizar as imagens fotográficas apenas como forma de estimular a participação dos sujeitos e como ponto de partida para a realização das entrevistas. Elas foram incluídas com a pretensão de serem mais do que uma ilustração ao texto escrito. Também tentei não utilizá-las como uma cópia do real, prova de realidade, acentuando minha autoridade como pesquisador. Várias foram então as possibilidades abertas pelo uso das imagens fotográficas nessa pesquisa. Sua produção por parte dos sujeitos serviu para conferir-lhes maior liberdade, tornando o processo de muito mais colaborativo, diluindo a autoridade do pesquisador. Seu uso também permitiu conferir importância e visibilidade a determinados aspectos do cotidiano escolar relacionados à diferentes práticas de leitura que muitas vezes passam desapercebidas. São essas e outras possibilidades do uso das imagens em minha pesquisa que gostaria de discutir nesse texto.
- ROCHA, Sérgio Luiz Alves da

Sérgio Luiz Alves da Rocha. Professor do Centro Universitário Moacyr Sreder Bastos. Doutor em educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação (ProPEd), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) . Possui graduação e licenciatura em Ciências Sociais pela UERJ. Atua também no ensino médio como professor de sociologia da rede pública. Sua área de interesse são os estudos sobre as práticas de leitura dos jovens na sua relação com as denominadas novas tecnologias.
PAP0921 - Intergenacionalidade: Que futuro?
Neste trabalho realizado no âmbito da Gerontologia Social, com o tema a “Intergeracionalidade: Que futuro?” o contacto entre gerações assume-se como uma temática assaz pertinente na época que se vive, numa sociedade a envelhecer, na qual é necessário redimensionar o papel dos mais velhos na sociedade, e mais especificamente, o futuro das relações entre jovens e idosos.
Pretendemos realçar o valor da pessoa idosa na sociedade e a importância das relações entre gerações diferentes, neste caso específico, relações entre pessoas jovens e idosas, assim como os benefícios que estas relações podem ter para ambas as partes.
Apresentamos exemplos de que relações entre gerações são possíveis, podendo ser proveitosas ao nível da intervenção com jovens e com pessoas idosas, na promoção do seu desenvolvimento individual através da intergeracionalidade.
Defendemos que participar e interagir em actividades intergeracionais positivas, são exemplos a seguir e práticas possíveis de ser implementadas. Constatámos através de testemunhos e depoimentos de jovens e idosos intervenientes nos projectos em causa a importância e impacto que tiveram na sua vida, elevando a auto-estima e contribuindo para o envelhecimento activo e positivo.
Envelhecer bem, depende de uma constante aprendizagem durante a vida de cada ser humano. Uma aprendizagem cujo principal objectivo é alcançar e manter, tanto quanto possível, estilos de vida saudáveis, bem como, continuar a desenvolver capacidades físicas e psíquicas no último estádio da vida, sem deixar de reconhecer que as bases de uma velhice sadia e enriquecedora são lançadas numa etapa inicial da vida.
Olhar o Futuro a partir dos desafios que a intergeracionalidade nos proporciona é, sem dúvida, promover o envelhecimento activo e poder acreditar que os mais velhos são cidadãos de pleno direito, numa sociedade que se sentiria incompleta sem a mais-valia daqueles que a ajudaram a construir, e ainda são fonte de grande potencial para a sua (re)construção.
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- SOUSA, Ana Paula

- CORTEZ, Mariana Grazina

Nome: Ana Paula Sousa
Santa Casa da Misericórdia de Lisboa
Licenciatura em Gerontologia Social
Interesses – Gerontologia Social e Políticas Sociais
Nome: Mariana Grazina Cortez
Escola Superior de Educação João de Deus
Doutoramento em Sociologia
Interesses – Sociologia do Género e Ciclo de Vida Humano