PAP0474 - Ter saúde na última fase da vida: lógicas do saber leigo
O mundo contemporâneo da saúde reúne
características que permitem a produção de
contextos sociais plurais, por vezes com
elementos contraditórios entre si. Nestes,
cada indivíduo constrói o seu espaço singular
face à saúde, apropriando-se e recriando no
seu quotidiano o material social que lhe é
mais significativo. Esta acção criativa
expressa um território de decisão e
transformação importante, a que acresce ainda
a diferença de expressão da saúde por
associação a cada etapa do trajecto de vida.
Cada tempo social de vida confere um pano de
fundo único na compreensão das lógicas que
movem as práticas e o pensar sobre a saúde
individual. Na velhice, a leitura realizada
sobre as mudanças fisiológicas ocorridas
determina a progressiva alteração de
necessidades, do tipo de problemas que podem
surgir, assim como a percepção que cada
indivíduo desenvolve sobre a sua condição,
recursos necessários e estratégias de actuação
adequadas. Nesta fase, ocorrem igualmente
significativas mudanças ao nível da estrutura
familiar, actividade económica e redes
sociais, com potenciais efeitos na saúde,
assim como no tipo de utilização dos recursos
sociais disponíveis. O ter saúde é uma noção
subjectiva em permanente mudança, construída
no confronto dinâmico entre as disposições
sociais dominantes ou mesmo residuais sobre o
significado de ser saudável. Constitui assim
um elemento micro de leitura das lógicas
sociais que estabelecem a condição pessoal
perante a saúde num certo tempo da vida, num
determinado tempo sócio-histórico. Por outro
lado, o progressivo aumento da esperança de
vida tem vindo a permitir o aparecimento de
uma última idade temporalmente mais longa, com
a possibilidade de ser vivida com mais saúde.
Esta expectativa social permite o
desenvolvimento de novas lógicas em torno da
noção de saúde pessoal, que importa analisar.
Com base na realização de entrevistas junto de
mulheres e homens em idade mais avançada,
procurou-se apreender e explorar as lógicas
que suportam à construção das suas noções
pessoais de saúde no seu tempo actual de
vida.
- GOMES, Inês

Inês Gomes é Investigadora Colaboradora no CESNOVA – Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa, onde actualmente desenvolve o seu doutoramento em sociologia, subordinado ao tema “Saúde e envelhecimento: Práticas e representações sociais de género”. Mestre em Saúde Pública, conta com um trajecto profissional e académico na área da saúde, tendo-se dedicado neste âmbito aos temas do envelhecimento e do género.
PAP1485 - Cenários de participação política de crianças e jovens em contextos local: análise de uma experiência
As discussões atuais
no âmbito da
cidadania, apelam a
novos modos de a
analisar, propondo
um afastamento de
visões formalistas e
restritas
direitos/deveres,
para uma visão que
permita a inclusão
de grupos sociais e
etários dela
afastados. Nestas, a
ideia de inclusão e
exclusão, de esferas
públicas e privadas,
e de exercícios
diversos e distintos
de cidadania, são
centrais para a
compreensão das
cidadanias
complexas. Nestes
contextos, as
crianças e jovens
como grupos
especialmente
votados a exclusões
sistemáticas de
exercícios de
cidadania -
particularmente
visíveis em esferas
públicas da vida
social - suscitam
interesses
investigativos
particulares,
enquanto ausentes de
um estatuto pleno. É
ainda nesta medida,
que a sociologia da
infância em
particular, tem
vindo a discutir as
suas possibilidades,
tensões e
fragilidades.
Regulada por modos
de controle
fortemente distantes
dos seus contextos
diários, as crianças
dificilmente acedem
a oportunidades
concretas de
participação
política, de
auscultação sobre
assuntos da sua
importância, de
criarem influência e
de participarem em
tomadas de decisão,
sejam de ordem
individual ou
coletiva. Nessa
medida, a ideia de
cidadania enquanto
pressuposto de fazer
parte de, de
influenciar decisoes
e por ela ser
influenciado, é
distante da idiea de
Infância. As
relações de poder
entre adultos e
crianças, as
assunções acerca das
suas incompetências
para o fazerem
parecem justificar
esse afastamento.
Nesse sentido, a
investigação
conduzida pretendeu
analisar as
perspetivas de
crianças e de
adultos, acerca das
suas competências de
participação em
processos de co
decisão política, a
partir da análise de
instrumentos de
participação a eles
destinados,
desenhados em
contexto de poder
local. A discussão
dos resultados,
assumirá a ideia de
reconhecimento
enquanto coletivo e
em esfera pública
como crucial para a
ideia da criança
cidadã. A partir de
metodologias de
caráter qualitativo,
da observação de
Assembleias
Municipais Jovens,
da realização de
entrevistas com
crianças e jovens, e
adultos responsáveis
por estes
mecanismos,
apontar-se-ão ideias
centrais, como a de
competências de
decisão,
priorização,
influência, de
crianças e jovens,
movendo-se em
cenários que ao
contrário do
advogado por alguns
autores, apontam uma
lógica de
reciprocidade e
interdependência
entre crianças e
jovens que vale a
pena explorar.
- TREVISAN, Gabriela de Pina

Gabriela de Pina trevisan. nascida a 13 de outubro de 1975. Mestre em Sociolgia da Infância pela Univ. do Minho, doutoranda em Estudos da Crianças, UM/IE. Tem como interesses fundamentais de investigação a area da Infãnica, em particular a constituição da Infância e a cidadania infantil, tema que trabalha na tese.
Professora adjunta na Escola Superior de Educação de Paula Frassninetti e coordenadora adjunta do Departamento de Educação Social, onde leciona diferentes unidades curriculares e participa em projetos de investigação e intervenção comunitária.
PAP0403 - Dos cravos ao bouquet. O casamento entre pessoas do mesmo sexo em Portugal
Não existem, até ao momento, quaisquer estudos sobre o processo que conduziu à aprovação da lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo em Portugal, nem na área das ciências sociais, nem em nenhuma outra. Este processo afigura-se consideravelmente opaco para o observador desatento, incluindo o cientista social, 36 anos depois da revolução de 1974 e quatro décadas decorridas desde o início dos movimentos LGBT contemporâneos, mas apenas uns escassos quinze anos após a instalação tardia deles no nosso país. Um processo com fases sequenciais bem demarcadas, em sociedades tidas por modelares neste âmbito, ter-se-ia concluído em Portugal sem etapas intermédias. O presente paper pretende ensaiar uma primeira abordagem das interrogações e perplexidades por aquele levantadas. As questões relevantes para esclarecer o sentido da lei tratam de inquirir: em que consiste o seu adquirido (jurídico-político, social, cultural) no plano da alteração qualitativa por ele provocada no associativismo (representatividade, credibilidade e influência) e na inserção (visibilidade, aceitação e integração) das comunidades LGBT na sociedade portuguesa. As respostas permitem concluir, em contraposição, que: a) um grupo formalmente discriminado obtém um direito universal, com b) a consequente aquisição em termos de capital simbólico e c) cujo maior efeito para a sociedade portuguesa e para as comunidades LGBT é a desautorização das pretensões dos detratores históricos destas a representar qualquer maioria sociológica e o exclusivo de autoridade moral; mas que, em contrapartida, d) o processo foi inteiramente temporalizado pelas necessidades estratégicas da agenda político-partidária/governamental e por isso, centrífugo relativamente ao associativismo LGBT, desempoderando-o numa dependência imposta e ameaçando-o com o espetro da irrelevância; e) a lei tem o ónus do contra-ciclo, com o recuo em múltiplas outras conquistas sociais, por outro lado coincidente com um pico de descredibilização da classe política; f) à dinâmica emancipatória não correspondeu equivalente integração, visibilidade e capacidade de ação das pessoas LGBT que constituem a massa social de apoio ao casamento, cuja situação prevalecente de marginalidade tolerada as impede de tirar proveito próprio da lei, com o consequente risco de imposição de uma nova (homo)normatividade. Finalmente, as conclusões do presente estudo confirmam idênticos fenómenos e tendências verificados em estudos comparativos já realizados para os países europeus onde existe uma lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo.
- CASCAIS, António Fernando

António Fernando Cascais
Docente de Ciências da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa e membro do Centro de estudos de Comunicação e Linguagens. Doutor em Ciências da Comunicação. Interesses de investigação: mediação dos saberes, filosofia e ética das ciências e das técnicas, estudos queer, biopolítica.
PAP1444 - Escola, leitura(s) e imagem(ens): contribuições metodológicas
Este trabalho é parte de uma pesquisa de doutorado na área da educação. O objetivo geral do estudo foi discutir com professores e alunos de uma escola pública de ensino médio do Rio de Janeiro algumas questões relacionadas com as suas práticas de leitura. De modo mais específico queríamos discutir a relação das denominadas novas tecnologias com a leitura, entendida como uma prática cultural mais ampla, realizada em diferentes suportes e sujeitas a diferentes avaliações. Tal compreensão da leitura como prática social mais ampla seguiu principalmente as proposições de Roger Chartier. Com isso foi possível superar uma visão restrita de leitura identificada apenas com o material impresso, em particular com os livros, e sua restrição à leitura literária.
Em termos metodológicos optei por utilizar imagens fotográficas produzidas pelos sujeitos da pesquisa. O uso da imagem tinha o objetivo inicial de promover uma melhor aproximação com esses sujeitos, dirimindo a sua possível resistência à participação na pesquisa. Elas também proporcionariam o ponto de partida para a realização das entrevistas. Ao longo da realização da pesquisa a produção das imagens trouxe importantes contribuições tanto do ponto de vista da discussão das relações entre o pesquisador e os sujeitos da pesquisa e do próprio fazer da pesquisa, quanto em relação às discussões dos temas relacionados à leitura. Desta forma, pude problematizar minha intenção inicial de utilizar as imagens fotográficas apenas como forma de estimular a participação dos sujeitos e como ponto de partida para a realização das entrevistas. Elas foram incluídas com a pretensão de serem mais do que uma ilustração ao texto escrito. Também tentei não utilizá-las como uma cópia do real, prova de realidade, acentuando minha autoridade como pesquisador. Várias foram então as possibilidades abertas pelo uso das imagens fotográficas nessa pesquisa. Sua produção por parte dos sujeitos serviu para conferir-lhes maior liberdade, tornando o processo de muito mais colaborativo, diluindo a autoridade do pesquisador. Seu uso também permitiu conferir importância e visibilidade a determinados aspectos do cotidiano escolar relacionados à diferentes práticas de leitura que muitas vezes passam desapercebidas. São essas e outras possibilidades do uso das imagens em minha pesquisa que gostaria de discutir nesse texto.
- ROCHA, Sérgio Luiz Alves da

Sérgio Luiz Alves da Rocha. Professor do Centro Universitário Moacyr Sreder Bastos. Doutor em educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação (ProPEd), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) . Possui graduação e licenciatura em Ciências Sociais pela UERJ. Atua também no ensino médio como professor de sociologia da rede pública. Sua área de interesse são os estudos sobre as práticas de leitura dos jovens na sua relação com as denominadas novas tecnologias.
PAP0823 - Gestão de Conhecimento em Organizações Turísticas
O debate sobre a Gestão do Conhecimento tem mobilizado uma variedade de áreas que procuram descortinar a complexidade do conceito e do próprio processo. Atendendo à importância crescente do conhecimento nos processos de inovação e de desenvolvimento das sociedades na era da globalização, a diferença entre as sociedades e as organizações depende, cada vez mais, da qualidade da gestão do capital humano e do conhecimento.
O cerne da questão não se encontra no recurso em si mas sim na criação de um contexto, onde a criação, a aquisição e a difusão de novo conhecimento possa ser promovida e alimentada, recorrendo aos instrumentos organizacionais explicitamente criados para o efeito.
Assim, o conhecimento da organização deve ser entendido como o fruto de interacções específicas entre indivíduos, sendo um activo socialmente construído.
No âmbito das organizações, a Gestão do Conhecimento emerge intrinsecamente ligada à capacidade destas utilizarem e combinarem as várias fontes e tipos de conhecimento organizacional, com os objectivos de promoverem o desenvolvimento de competências específicas e assumirem uma capacidade inovadora, traduzida em novos produtos, novos processos e, desejavelmente, a liderança do mercado onde se inserem.
A importância da Gestão do Conhecimento no sector turístico é ainda mais fulcral devido ao facto de este se basear em serviços que apresentam características associadas à intangibilidade, à perecibilidade ou à heterogeneidade.
Neste âmbito, a presente comunicação, consubstancia-se na apresentação do um modelo de análise e dos resultados preliminares de uma investigação, designada “Gestão do Conhecimento Organizacional em Organizações Turísticas”. A qual, tem como objectivo analisar a forma como organizações turísticas no Algarve gerem o seu conhecimento, ou seja, observar como criam, retêm, partilham e utilizam o conhecimento.
A investigação empírica, ainda a decorrer, tem como metodologia de base a análise aprofundada a três estudos de caso em grupos hoteleiros com recurso ao inquérito por questionário, à entrevista semi-estruturada e à análise documental.
O modelo de análise utilizado nesta investigação estrutura-se em torno de dois eixos analíticos: i) as etapas do processo e ii) as práticas facilitadoras da Gestão do Conhecimento; os quais, embora não existindo isoladamente afiguram-se como fundamentais para uma abordagem global dos processos de Gestão do Conhecimento Organizacional.
A abordagem da Gestão do Conhecimento centra-se nos processos relacionados com a criação, retenção, transferência e utilização do conhecimento organizacional, realçando a importância de diversas práticas de gestão facilitadoras dos mesmos: gestão estratégica; cultura organizacional; estrutura e processos de trabalho; políticas de recursos humanos; sistemas de informação e comunicação; medição de resultados e relação com o ambiente externo.
- SEQUEIRA, Bernardete Dias

- SERRANO, António Manuel
- MARQUES, João Filipe

Bernardete Dias Sequeira, Assistente da Faculdade de Economia da Universidade do Algarve, investigadora integrada do Centro de Investigação em Inovação, Espaço e Organizações (CIEO) da Faculdade de Economia da Universidade do Algarve, licenciada em Sociologia, Mestre em Organização e Sistemas de Informação, interesses de investigação em Sociologia das Organizações, Recursos Humanos, Sociologia da Comunicação e Metodologias de Investigação.
João Filipe Marques é Doutor em Sociologia pela École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris, Professor Auxiliar na Faculdade de Economia da Universidade do Algarve e Director da Licenciatura e do Mestrado em Sociologia daquela Universidade. Para além de leccionar na área das Teorias Sociológicas, tem publicado e ensinado nas áreas da Sociologia do Racismo, das Relações Inter-étnicas e da Etnicidade. Para além de vários artigos e capítulos de livros sobre aqueles temas é autor do livro Du «non racisme» portugais aux deux racismes des Portugais, (Lisboa, Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural, 2007). Atualmente, é membro da Direção da Associação Portuguesa de Sociologia.
PAP0508 - Grupo de Trabalho Estudos ciganos em Portugal - Relações Interétnicas, Dinâmicas Sociais e Estratégias Identitárias de uma Família Cigana Portuguesa – 1827 – 1957
Grupo de Trabalho Estudos ciganos em Portugal.
Relações Interétnicas, Dinâmicas Sociais e
Estratégias Identitárias de uma Família Cigana
Portuguesa são estudadas desde 1827 – ano do
nascimento de Manuel António Botas – até 1957,
ano do falecimento de António Maia, neto
deste, e filho de Maria da Conceição de Sousa
e Botas. As histórias de vida destes três
indivíduos pertencentes a uma família cigana
lisboeta são investi¬gadas a partir dos
relatos orais de membros desta família; do
jazigo de família; dos registos paroquiais de
batismo, casamento e óbito; dos jornais
relativos aos períodos que medeiam aquelas
datas; dos arquivos militares e da Liga dos
Combatentes da Grande Guerra. Estas fontes
foram instru¬mentalizadas de maneira a
possibilitar e a inter-rela¬cio¬nar categorias
de informa¬ção que permitiram, através da sua
triangulação, a consoli¬da¬ção, descoberta e a
criação de novos conhecimentos.
Nascido dois anos depois do primeiro quartel
do século XIX, Manuel António Botas foi
bandarilheiro, diretor de corridas,
guitarrista, amigo da Severa e do Conde de
Anadia, entre outros. A sua participação
pessoal e, sobretudo, profissional na
sociedade oitocentista portuguesa influenciou
a geração do seu tempo e as vindouras. A sua
filha, Maria da Conceição de Sousa e Botas,
casou pela igreja católica e de acordo com a
Lei cigana, com um cigano, José Paulos Botas,
com quem conceberia oitos filhos. Tia Chata,
nome pelo qual viria a ser conhecida na idade
adulta, transformou-se numa mulher de
respeito. Um dos seus filhos, António Maia,
casou com uma jovem cigana que não seria,
segundo os testemunhos, o amor da sua vida.
Foi combatente na Primeira Grande Guerra,
vindo a falecer, vítima de gases nela
inalados. A sua atividade
política/social/económica/profissional e,
sobretudo, a mediação cultural fize¬ram dele
um tradutor-intérprete intra/intercultural.
As dinâmicas sociais, culturais e étnicas
desenvolvidas por estes três indivíduos, e a
sua família, foram objeto de investigação de
forma a compreender a pluralidade das suas
pertenças étnicas através dos contrastes e
continuidades, nas suas dimensões sociais e
culturais, com a restante sociedade portuguesa.
- SOUSA, Carlos Jorge dos Santos

Nome: Sousa, Carlos Jorge dos Santos
Afiliação institucional: CEMRI – Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais – Universidade de Lisboa
Área de formação: Doutoramento em Sociologia (Especialidade em Relações Interculturais)
Interesses de investigação: Cultura, Etnicidade, Trajetórias, Narrativas e Identidades
Outros interesses:
· A50 - Sociologia
· A91 - Ciência Política
· B12 - Políticas Educativas
· C03 - Conceção e Organização de Projetos Educativos
· D02 - Educação e Multiculturalidade
· D05 - Relações Entre Educação e Sociedade
(Formador creditado pelo Conselho Cientifico e Pedagógico da Formação Continua (CCPFC/RFO-14653/02)
PAP0490 - Mulheres Brasileiras em Portugal: o que esconde um sorriso?
A imigração brasileira para Portugal já não pode mais ser considerada um fenômeno novo, seja porque lá se vão quase quatro décadas desde quando se considera seu início (meados dos anos 70), seja porque quantitativamente representam a maior comunidade estrangeira em Portugal, seja porque nos últimos anos vários estudos e investigações tem mapeado de forma exaustiva e cuidadosa a realidade dessa população. Contudo, isso não significa que não sejam possíveis novas problematizações acerca desse tema; principalmente no que diz respeito as questões de gênero, que sistematicamente tem sido ou desconsiderada ou invizibilizada.
O imaginário em relação a mulher brasileira em Portugal é bastante consolidado, as brasileiras gozam de uma identificação própria, não sendo confundidas com outros grupos de imigrantes (Padilla, Fernandes, Gomes 2010) - como acontece por exemplo com romenas, ucranianas e moldavas que, em geral, são classificadas como mulheres imigrantes do leste europeu. Contudo esse imaginário está montado em cima das relações coloniais entre Portugal e Brasil, que confere ao Brasil, e por consequência seu povo, uma posição subalterna. De forma que o lugar reservado as mulheres brasileiras em Portugal é também um lugar de inferioridade. Assim, os discursos – midiáticos, oficiais – acerca das imigrantes brasileiras em geral essencializam, racializam e estigamatizam essas mulheres, uma vez que associam-nas tanto à sexualidade, ao erótico e ao exuberante, como a submissão e docilidade, alegria.
A partir dessas colocações objetiva-se analisar como esse imaginário atuam nos processos de a inserção das mulheres brasileiras na sociedade portuguesa, em especial no mercado de trabalho. Para tanto entrevistou-se e analisou-se o discursos 15 de mulheres brasileiras imigrantes que trabalham em Portugal, bem como algumas matérias veiculadas pela mídia portuguesa.
Observa-se que a ambiguidade desse discurso que ao mesmo tempo em que hiperssexualiza a mulher brasileira, também ressalta características que são socialmente reconhecidas – como a simpatia e a docilidade – age principalmente no sentido de justificar a inserção precária e segregada da mulher brasileira em Portugal, contribuindo para sua marginalização. Cria-se um mecanismos perverso, que por um lado diferenciam as mulheres brasileiras das demais imigrantes, através desses atributos que são positivamente aceitos na sociedade – alegria, sensualidade, beleza – que dificulta que essas mulheres identifiquem que os mecanismos que as aprisionam em uma imagem sexualizada e subalterna.
- FRANÇA, Thais

Thais França.
Doutoranda do Programa de Relações de Trabalho, Desigualdaes Sociais e Sindicalismos do Centro de Estudos Sociais, da Universidade de Coimbra - Portugal. Mestra pelo programa Erasmus Mundos em Work, Organizational and Personnel Psychology - WOP-P pela Universidade de Bolonha - Itália (2008). Gradução em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará - Brasil (2004). Tem experiência na área de Psicologia e Sociologia, com ênfase em Psicologia Social e do Trabalho , atuando principalmente nos seguintes temas: gênero, feminismos, trabalho, precarização, migrações.
PAP0860 - O trabalho de mediação cultural em Portugal: alguns contextos e os seus figurinos organizacionais
O aumento da programação de actividades
pedagógicas para os públicos de museus,
teatros e outros espaços culturais constitui
uma das principais mudanças que marcam o
sector cultural e artístico, em Portugal, nas
últimas duas décadas. Possuindo um historial
mais antigo nos museus, este tipo de
intervenção tem vindo a intensificar-se num
número crescente de instituições e de
iniciativas.
A prática da mediação cultural não é uma
realidade homogénea, verificando-se a
existência de percursos profissionais diversos
e de diferentes modelos organizacionais nas
instituições/contextos que promovem e acolhem
actividades de mediação cultural.
Esta comunicação foca algumas iniciativas de
divulgação cultural e criação de novos
públicos – nas áreas das artes visuais, música
e livro e leitura –, dando destaque aos
formatos organizacionais que, nos diversos
contextos, estruturam o seu funcionamento. Na
área das artes visuais, são abordados os
Serviços educativos do Centro de Arte Moderna
José de Azeredo Perdigão da Fundação Calouste
Gulbenkian, em funcionamento desde 2002, e da
Área de Exposições do Centro Cultural de
Belém, com actividades pedagógicas desde 1998.
No domínio da música analisam-se duas
iniciativas de divulgação musical, com
diferente longevidade: i) Música em Diálogo,
orientada pelo maestro José Atalaya desde os
anos 80 do século XX; ii) Descobrir. Programa
Gulbenkian Educação para a Cultura, iniciativa
da Fundação Calouste Gulbenkian, e em especial
a intervenção pedagógica do Serviço da Música,
intensificada desde 2005. Na área do livro e
da leitura, consideram-se dois projectos de
promoção e o incentivo do gosto pela leitura e
pela escrita, ambos lançados em 1997: i)
Programa de Acções de Promoção da
Leitura/Itinerâncias, promovido pela tutela da
cultura; ii) Artes na Escola, projecto
coordenado pelo Ministério da Educação.
A análise conjunta destas diferentes
iniciativas e contextos evidencia traços
comuns – desde logo, no que se refere aos
figurinos organizacionais mas também no que
respeita ao crescente investimento das
políticas do sector público e do terceiro
sector em iniciativas tendo por objectivo
disseminar o conhecimento da cultura e das
artes. E identifica características mais
distintivas – como a centralidade que a figura
do divulgador cultural pode assumir na
dinamização de um projecto, reconfigurando-o
de acordo com as transformações que vão
ocorrendo no sector cultural.
- MARTINHO, Teresa Duarte

Teresa Duarte Martinho é socióloga e completou o doutoramento em Sociologia em 2011 no ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL). É licenciada em Sociologia (1990) pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE). É mestre em Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação (2000), pelo ISCTE, e em Estudos Curatoriais (2006), pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa (FBAUL).
Actualmente, é investigadora de pós-doutoramento no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL) (http://www.ics.ul.pt). Desde 1996, participou em diversos projectos de investigação no Observatório das Actividades Culturais (OAC) (http://www.oac.pt) entidade fundada em 1996 por: Ministério da Cultura, Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e Instituto Nacional de Estatística (INE). Interesses de investigação: profissões e ocupações culturais e artísticas; políticas culturais; processos de mediação da arte e da ciência: práticas, actores e trajectórias.
PAP1084 - Os Modos de Transição para a Vida Adulta no Contexto de Classe
A juventude é um tema que abrange questões complexas e inquietantes na sociedade contemporânea. A juventude é uma construção social relativa no tempo e no espaço. Dessa forma, os modos de transição para a vida adulta se constituem sob modelos distintos e determinados por vários fatores sociais, econômicos, individuais, políticos e históricos.
Charlot (2007), Margulis (1998), Feixa (1997) e Bourdieu (1983) são determinantes quando afirmam que a juventude não está inteiramente relacionada com a questão etária, mas constitui-se essencialmente de uma construção social determinada ainda pela posição de classes e pelas condições históricas. Margulis (1996) apresenta claramente que cada época e cada setor social postula formas distintas de ser jovem.
Destarte, agora segundo Charlot (2007), é possível falar em juventude no singular e juventudes, no plural. Isto é, existe uma categoria ou como melhor denominada por autores, condição da juventude que é singular entre as culturas: os modos de transição para a vida adulta. Entretanto, esses modos se dão de formas distintas relacionando-se com outros fatores como gênero, classe, tempo e território; por isso denomina-se juventudes no plural, na tentativa de contemplar essa condição múltipla e polissêmica que afeta todos os seres humanos em diferentes medidas.
Margulis ainda explicita que essas diferentes maneiras de ser jovem alteram substancialmente os modelos que regulam e legitimam a condição da juventude. Ou seja, ser jovem pobre é diferente de ser jovem classe média ou alta, os modelos, as expectativas, as trajetórias, são profundamente modificadas.
A partir dessa ótica, a presente proposta objetiva investigar os modos de transição para a vida adulta tendo como enfoque o contexto de classe no Brasil. Partindo do ponto que o jovem oriundo das classes populares não se constitui adulto nas mesmas formas de transição que os de classes mais abastadas, o conceito de moratória social e vital (FEIXA,1997 e MARGULIS, 1998) apresenta-se como foco da discussão.
A noção de moratória permite não apenas diferenciarmos, dentro dos grupos e classes, a distribuição desigual do uso da condição juvenil como um capital simbólico, como também fundamenta a compreensão que a juventude não é só uma condição etária, biológica, mas que ela se realiza socialmente como um símbolo cuja distribuição é diferente de acordo com a posição social que se ocupa. Assim, como categoria social a juventude incorpora dois aspectos diferentes e não-excludentes: por um lado é um corte geracional, referindo-se a experiência geracional comum, e por outro engloba diversas e heterogêneas culturas juvenis.
- PRATA, Juliana de Moraes
PAP0271 - Racismo contra Mulheres Brasileiras em Portugal? Algumas Reflexões.
Este artigo parte de
pesquisa empírica e
bibliográfica sobre
mulheres brasileiras
imigrantes em
Portugal, através
das quais foi
possível evidenciar
situações de
preconceito e
discriminação que
estas mulheres
sofrem nesse país.
Empreende, também,
um mapeamento
empírico discursivo
de como o
preconceito é
(re)construído,
especialmente nos
media. Busca-se
refletir sobre esse
fenômeno a partir
das discussões
conceituais em torno
do racismo, enquanto
ideologia e prática
social (Machado,
2000). Ao entender a
importância dos
diferentes conceitos
(racismo novo,
cultural,
diferencialista e
desigualitário),
propõe-se uma
abordagem ainda
pouco difundida e
uma especificação
teórica, no intuito
de colaborar com
avanço no
conhecimento sobre
migrações,
etnicidade e
racismo. Trata-se de
introduzir a
perspectiva
epistemológica
descolonial
(Quijano, 2000;
Mignolo, Grosfogel,
2008), descolonial
de gênero (Gonzáles,
1988; Brah,
Anzaldua, et al,
2004; Lugones, 2008)
e o conceito
histórico de racismo
(Fanon, 1983;
Balibar,
Wallerstein, 1988;
Munanga, 2003). Na
perspectiva
proposta, a
modernidade é
entendida como
profundamente
marcada pela
colonização e,
assim, a sociedade
atual não pode ser
compreendida
distante de uma
análise crítica
desse processo
histórico e de suas
consequências
contemporâneas. Uma
das principais
marcas da
colonização consiste
na introdução e na
disseminação da
categoria mental
raça, a qual
permanece
atualmente. Segundo
essa perspectiva, o
racismo colonial
dividiu a população
em raças,
articulando para
isso supostas
características
físicas, culturais e
comportamentais,
para inferiorizar,
essencializar e
estigmatizar grupos
humanos não
europeus. Essa
divisão (mental,
ideológica) em raças
continuaria operando
atualmente, o que se
alteraria são as
práticas de
discriminação e os
grupos alvo conforme
o contexto. Na
Europa, os grupos
mais afetados por
essa racialização
são os imigrantes,
que em sua maioria
são oriundos de
antigas colônias. Na
atual conjuntura de
crise econômica esse
racismo tende a
agravar-se. O
presente trabalho
propõe que essa
perspectiva é
importante para
compreender a
situação das
mulheres brasileiras
imigrantes. A partir
da pesquisa empírica
verificou-se que
essas mulheres são
vistas em Portugal
como portadoras de
características
comuns, são elas:
comportamentais
(sorrir, seduzir,
ser simpática,
disponível para
sexo, ser dócil),
culturais (dançar
sensualmente, falar
errado, alto e
sensual, gostar de
festas) e físicas
(são mestiças –
incluindo aquelas
que no Brasil são
consideradas
brancas, têm o corpo
em curvas, têm
nádegas
sobressalientes).
Através dessas
características, as
imigrantes
brasileiras são
essencializadas,
inferiorizadas e
estigmatizadas em
Portugal. Torna-se
possível perceber
que elas são vistas
a partir da
categoria mental
raça e são vítimas
de práticas sociais
que podem ser
entendidas como
discriminação
racial.
- PADILLA, Beatriz
- GOMES, Mariana Selister.

Mariana Selister Gomes é Doutoranda em Sociologia no Instituto Universitário de Lisboa, acolhida no Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES-ISCTE-IUL), Bolseira da CAPES/Ministério da Educação do Brasil. Bacharel em História e Mestre em Sociologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Brasil). Bacharel em Turismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Brasil). Pesquisadora Associada no Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Mulher e Gênero da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (NIEM-UFRGS/Brasil). Seus temas de interesse são: relações de gênero, racismo, imaginários sociais, turismo, imigração, cultura, identidades.
Endereço eletrônico: marianaselister@gmail.com
PAP1157 - Relação com os Fármacos: casos de toxicodependentes e alcoólicos em tratamento
Com base na experiência de trabalho numa comunidade terapêutica e na centralidade que a medicação parece assumir para os toxicodependentes e alcoólicos aí internados, propusemo-nos indagar da relação destes com os fármacos. Apoiamo-nos nos estudos existentes sobre automedicação e nas indagações acerca dos usos problemáticos e dos usos não problemáticos de substâncias psicoactivas. A nossa abordagem conjuga a medicalização das sociedades e a farmacologização da vida quotidiana com a especificidade de uma população cuja “doença” consiste no abuso de álcool e/ou de outras drogas. Coloca-se a hipótese de que a familiaridade desta população com essas substâncias e os seus efeitos, e a banalidade da procura de estados alterados de consciência por via de consumos, tornam a experiência própria e dos pares uma das fontes de conhecimento, favorecendo a interpenetração dos seus saberes experienciais com os saberes dos sistemas periciais. Outra dimensão equacionada no desenho da relação desta população com os medicamentos é o seu estatuto de indivíduos inseridos nos dispositivos de tratamento específico do sistema nacional de saúde, que se constituiria como facilitadora da permeabilização dos seus saberes aos saberes periciais consolidando assim a especialização dos seus saberes leigos.
É abordado não só o comportamento presente – em que o internamento restringe a autonomia dos indivíduos e estes se engajam num processo declarado de mudança de comportamentos face a substâncias e a outras dimensões globalizantes da própria vida – como os comportamentos passados – de quotidiano não institucionalizado, com a “doença” activa e com o eventual recurso a formas de aquisição desviante das substâncias, quer nos casos em que os consumos são ocultados com sucesso através da arte de administrar impressões, quer nos casos em que são assumidos rótulos como o de “agarrado” .
Avaliar-se-à, entre outros, se o comportamento face aos medicamentos difere com a legalidade ou ilegalidade da droga de eleição (álcool/outras drogas) e se a relação com medicamentos de efeito psicotrópico se distingue da relação com os restantes tipos de medicamentos.
- NUNES, Madalena

Madalena Ferreira Nunes
Licenciatura em Sociologia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP), em 1996.
Mestrado em Sociologia pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH-UNL), em 2008.
Formadora certificada pelo Conselho Científico-Pedagógico.
Directora de Sociodrama pela Sociedade Portuguesa de Psicodrama (SPP).
Trabalha junto de toxicodependentes e alcoólicos na Comunidade Terapêutica de Ponte da Pedra (ARS-Norte)
PAP0979 - Teatro brasileiro: a experiência corporal no teatro pernambucano a partir de reflexões sobre o Vivencial Diversiones
O teatro brasileiro sofreu diversas transformações no período ditatorial militar. O Estado autoritário trouxe maior controle em relação às manifestações culturais e aquelas que se contrapunham ao regime sofriam maiores restrições do Governo. Comumente, as bibliografias que abordam a temática da produção teatral brasileira do período focam a análise na tríade Arena, Oficina e Olho Vivo, grupos da região sudeste do Brasil. Seguindo um caminho pouco explorado, esta pesquisa se propõe a investigar o teatro pernambucano, região nordeste do país, com o objetivo de refletir acerca da expressão corporal experimentada pelo grupo de teatro Vivencial Diversiones, que tentava transgredir a repressão e a imposição de uma verdade moral e sexual. Busca-se identificar e analisar sob quais critérios os atores do grupo estudado preparavam seus corpos para assumir o estatuto de força questionadora e de resistência, sendo o corpo aqui compreendido como superfície de impressão das marcas dos fenômenos sociais. A importância de estudar o Vivencial Diversiones reside no fato de que este grupo introduziu uma nova estética e um novo modo de fazer teatro na cena pernambucana. Em épocas de perseguições, o grupo realiza experimentos estéticos que caminham na contramão das exigências do Estado, como o fato de pôr atrizes nuas ou seminuas nas peças e somar em suas produções a arte do transformismo, o que se tornou, no decorrer de sua existência, a expressão mais pujante no grupo. Para compreender a experiência corporal do Vivencial Diversiones foram utilizadas as ideias elaboradas por Foucault, que afirma ser o corpo um instrumento de poder, carregado de intencionalidades. As dinâmicas históricas do grupo foram analisadas com base no método genealógico proposto por Nietzsche e esmiuçado por Foucault, que o apresenta como sendo uma pesquisa cautelosa, preocupada não com a linearidade dos fatos, mas com as variações de direções destes. Estudos sobre gênero e sexualidade foram utilizados como aporte teórico para compreender as relações do corpo com essa temática. Os dados foram sistematizados em pesquisas bibliográficas e documental na hemeroteca do Estado. Foram realizadas entrevistas e analisados vídeos do grupo. Pôde-se verificar que aqueles artistas assumiam uma postura que contrapunha à moral cristã vigente à época e fomentavam discussões sobre gênero e sexualidade em suas produções, bem como utilizavam de seus corpos para imprimir suas ideias que iam além do teatro, causando frisson à comunidade.
- MONTENEGRO, Wagner

Wagner Montenegro é graduando no curso de Licenciatura em Ciências
Sociais da Universidade Federal de Pernambuco, Brasil, integra o
Programa de Educação Tutorial em Ciências Sociais da UFPE, tem
interesses na formação de cientistas sociais em interface com as
artes, com ênfase na expressão corporal e na composição sociológica do
teatro pernambucano. Atua no âmbito do ensino, pesquisa e extensão
universitária.
PAP0600 - VIVER COM DEPRESSÃO CRÓNICA – RECONSTRUÇÃO BIOGRAFICA E REPRESENTAÇÕES SOBRE A SUA PROPRIA DOENÇA
O aumento das doenças crónicas, nomeadamente das doenças mentais crónicas, bem como as mudanças operadas no domínio das respostas à doença mental coloca-nos perante a necessidade de avaliar os seus impactos na vida das pessoas, dos grupos e das organizações sociais, mas também de compreender as vivências, as alterações e ajustamentos que exige ao nível da identidade e dos modos de vida.
Em Portugal há poucos estudos sobre a experiência com a doença mental, sobretudo sobre a forma como aqueles que a vivenciam no seu quotidiano a experienciam e com ela convivem quotidianamente. Nesta comunicação, que se baseia em evidência empírica resultante de um estudo exploratório apoiado em entrevistas em profundidade junto de 10 pessoas com diagnóstico psiquiátrico de depressão crónica, onde se analisam as concepções sobre a sua própria doença e a percepção sobre os impactos na vida quotidiana, procuram-se os sentidos que se tecem a partir dessas experiências pessoais no quotidiano.
Esta pesquisa adopta uma abordagem qualitativa que privilegia o ponto de vista do nativo de Geertz (1993) e se apoia no argumento de pluralidade de habitus e de contextos de acção (Lahire, 2005).
Procurámos assim compreender como é que os próprios sujeitos que vivenciam a depressão a entendem, a explicam e interpretam, a introduzem no seu quotidiano e lidam com as suas consequências e impactos nos vários níveis e contextos onde a sua vida decorre. Daremos especial ênfase às concepções e representações sobre a sua própria doença, evidenciando as tensões entre a ‘normalidade’ (passado) e a experimentação subjectiva do novo ‘eu’ (identidade actual).
Nota: Pesquisa efectuada no âmbito do Mestrado em Sociologia da Saúde e da Doença (ISCTE/IUL) por Cecília Neto (na qualidade de mestranda) e Fátima Alves (na qualidade de orientadora cientifica).
- NETO, Cecília

- ALVES, Fátima

Nome:
Neto, Cecília
Afiliação institucional:
Centro de Educação Especial Rainha Dona Leonor – Socióloga e responsável técnica do serviço CAAAPD – Centro de Atendimento, Acompanhamento e Animação à Pessoa com Deficiência e Doença Mental
Área de formação:
Mestrado em Sociologia da Saúde e da Doença (2008-2010)
Licenciatura em Sociologia Industrial das Organizações e do Trabalho (1990-1995)
Pós-Graduação em Gestão de Projectos em Parceria (2004-2005)
Interesses de investigação:
Sociologia da Saúde e da Doença, com Preferencial interesse Saúde e Doença Mental
Trabalhos de Investigação:
2012/2013 – Participação no Projeto Luso-Alemão Doença Mental, coordenado pela Profª Fátima Alves
2010/2011 – Projecto de Investigação “Experiência Subjectiva com a Doença Mental Crónica”enquadrado no âmbito do Mestrado em Sociologia da Saúde e da Doença do ISCTE/IUL, Co-coordenado por Fátima Alves e Graça Carapinheiro.
2009/2011 – Elemento do grupo de trabalho epidemiológico “Rastreio no âmbito da doença mental no conselho de Caldas da Rainha” em parceria do Núcleo de Intervenção em Saúde Mental de Caldas da Rainha com a Delegação de Saúde Pública; com orientação do Doutor Luís Pais Ribeiro
Publicações
2011 – Artigo: “A Experiência Subjectiva com a Doença Mental Crónica - Estudo Exploratório sobre os Impactos na Vida Quotidiana em sujeitos diagnosticados com Depressão Crónica”, Co-autoras: Cecília Neto; Fátima Alves; Graça Carapinheiro; (Enviado para publicação em revista nacional).
2012 – Documento conjunto, J. Pais-Ribeiro, Cecília Neto, Jorge Nunes, Mafalda Silva, Carla Abrantes, Sílvia Freitas, Sílvia Ferreira, Ângela Cerqueira, Ana Almeida, e Vítor Coelho, “Ulterior validação do questionário de saúde geral de Goldberg de 28 itens”, apresentada pelo Profº J. Pais-Ribeiro no 9º Congresso Nacional de Psicologia da Saúde, held in Aveiro, Portugal, 9-11 February 2012.
Fátima Alves
prof Auxiliar do Departamento de Ciências Sociais e de Gestão da Universidade Aberta; Investigadora integrada no CEMRI - Participa atualmente em dois projectos de investigação financiados: 'Politicas e Racionalidades de Saúde' em parceria com o ISCSP; ISCTE; UNiversidade de Évora; Universidade Federal do Rio Grande do Sul; é investigadora responsável pelo projeto “Impacto das políticas de saúde mental nas redes sociais de apoio à reabilitação e integração em contextos interculturais diversos: o caso de Portugal e Alemanha”, em parceria com a Universidade de Hamburgo, o Centro de Psicologia da Universidade do Porto, o CAPP/ISCSP e o Laboratório de reabilitação psicossocial.
PAP0045 - Violência, crime e a dimensão simbólica da Lei
A presente
comunicação versa
sobre um projecto de
investigação de
doutoramento em
Sociologia que se
encontra a ser
desenvolvido no
CIES-ISCTE-IUL, sob
a orientação
científica do Sr.
Prof. Doutor Paulo
Pereira de Almeida
(ISCTE-IUL). O objecto
empírico abordado é
o crime de violência
doméstica e as suas
dimensões materiais
e simbólicas através
do olhar dos
diversos operadores
que lidam de perto
com esta realidade
(magistrados
judiciais,
magistrados do
Ministério Público,
advogados, órgãos de
polícia criminal,
assistentes sociais,
psicólogos, sem
olvidar as vítimas),
com um especial
enfoque no papel
desempenhado pelas
forças de segurança,
à luz da Sociologia
do Crime, em
triangulação com o
universo da
Sociologia do
Direito e as
Políticas de
Segurança que, nesta
senda, pretendemos
repensar. É nosso
desiderato, assim,
apresentar um
contributo com
aplicabilidade
prática, na medida
em que as conclusões
da presente
investigação deverão
representar um
avanço positivo para
a sociedade em
matéria de relações
entre os cidadãos e
os diversos
operadores da
justiça, sobretudo
as forças de
segurança. Para isso
importa perceber a
forma como os
diversos actores
encaram o objecto
empírico sub judice,
os restantes
parceiros, o
articulado da lei e
as vítimas. Ao
compreendermos este
campo de fenómenos
consideramos que
será possível
apresentar subsídios
para a (re)definição
das políticas de
segurança neste
âmbito em Portugal,
tendo como ponto de
partida a análise ao
Inquérito Nacional à
Vitimação: 2008-2009
desenvolvido pelo
CIES-IUL, financiado
pelo Ministério da
Administração
Interna, e que
consubstancia o
primeiro inquérito
aplicado à escala do
território português
(Continente e
Regiões Autónomas).
- POIARES, Nuno Caetano Lopes de Barros

Nuno Caetano Lopes de Barros Poiares
Formado pelo Colégio Militar, titular de duas licenciaturas pré-Bolonha (Direito e Ciências Policiais) e mestre em Sociologia. Frequentou, com a média final de 18 valores, o curso de doutoramento em Sociologia (componente curricular) e, neste momento, é doutorando em Sociologia (2.º ano curricular) no Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL). É Oficial da Polícia de Segurança Pública, Professor de Sociologia do Direito no Curso de Licenciatura em Solicitadoria do Instituto Politécnico de Beja; Professor de Sociologia do Desvio no Curso de Pós-graduação em Enfermagem Forense da Universidade de Atlântica e no Curso de Mestrado em Criminologia e Investigação Criminal no Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna (Lisboa), onde também orienta dissertações de mestrado. É Assistente de Investigação no Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES-IUL) e Investigador Convidado do Lab UbiNET – Segurança Informática e Cibercrime e do Centro de Investigação do ISCPSI. Tem experiência de trabalho em Bruxelas e Angola e em outros estabelecimentos de ensino superior. É autor e co-autor de diversos títulos da área da Sociologia e dos Comportamentos Desviantes. É Consultor em diversos Organismos.