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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012
Associação Portuguesa de Sociologia
PAP1371 - As linhas de montagem teleoperacionais no mundo dos call centres
Na transição para o século XXI, a agressividade do mercado económico em prol da maximização da produção desembocou no crescimento do desemprego reforçando as situações de precariedade e flexibilização global que se traduzem numa corrosão do carácter (Sennett, 2001). Afetados por uma crise identitária que se carateriza por um novo sentimento de alienação e/ou frustração do próprio trabalho, outrora passaporte para o direito à cidadania e liberdade, assistimos à criação de uma nova geração de ciberproletarios (Antunes; Braga; 2009). Na verdade, a sociedade atual tende a manter uma determinada representação da inserção social através do emprego estável. A procura pela sobrevivência passa pela aceitação de qualquer oferta de emprego, pouco ou nada relacionado com a sua área de formação.
Na transição para o século XXI as empresas de call centre passaram a representar o papel de embaixadoras do trabalho atípico, funcionando como um dos únicos meios de eventual integração no mercado de trabalho. As desigualdades consequentes da globalização económica não se verificam apenas no desemprego mas no próprio seio do emprego, nas entidades empregadoras que seguem actualmente lógicas de flexibilização e que se repercutem entre os trabalhadores por meio da opressão e exploração, gerando mecanismos de consentimento ou resignação (Burawoy, 1979). Os trabalhadores com receio de vir a perder o pouco que possuem mergulham em lógicas de consentimento e resignação, quer em relação ao trabalho em si quer ao poder incutido pelas chefias. Existe uma repressão silenciada por parte dos trabalhadores que permanecem enclausurados num invólucro de terror diário com receio de perda da pseudo-segurança que possuem.
Através das páginas de um diário de campo “precário”, redigido no âmbito de uma investigação etnográfica vivida na primeira pessoa, pretende-se relatar o dia-a-dia dos jovens adultos licenciados de Coimbra, representação simbólica nacional da vida estudantil. Narrativas precárias são relatadas de modo a revelar como o somatório de obstáculos incorporados num poder despótico, por vezes inumano, exercido na figura do call centre, conduz ao desenvolvimento de uma identidade incerta por parte do operador que se vê obrigado a viver num quadro de readaptação constante. Como súmula do estudo, constatou-se que, de facto, trata-se uma realidade que se pretende breve e/ou temporária mas que, com as dificuldades que o actual cenário de capitalismo desenfreado coloca, tem assumido contornos permanentes.
- ROQUE, Isabel Maria Bonito

Isabel Roque, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e o Centro de Estudos Sociais de Coimbra (isabelroque@ces.uc.pt)
Interesses de investigação: Metamorfoses e Relações Laborais; Desigualdades Sociais; Movimentos Sociais; Trabalho e Organizações; Culturas de Empresa, Negociação e Conflito; Call Centres
Biografia Académica:
2001 – 2006 - Licenciatura em Sociologia na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Orientador: Professor Doutor João Arriscado Nunes
Dissertação: “O processo de socialização em Coimbra: igreja católica e a igreja protestante”.
2007 - 2009 - Mestrado em Sociologia - Relações de Trabalho, Desigualdades Sociais e Sindicalismo na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.
Dissertação: “As linhas de montagem teleoperacionais no mundo dos call centers: um retrato local numa moldura transnacional”. Orientador: Professor Doutor Elísio Estanque
2010 - presente - Doutoramento em Sociologia - Relações de Trabalho, Desigualdades Sociais e Sindicalismo na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.
Dissertação: "A precariedade licenciada: vivências do emprego precário de longa duração no sector das telecomunicações". Orientador: Professor Doutor Elísio Estanque
Artigos em atas de eventos
Roque, Isabel (2008), "Trabalho e precariedade no sector das telecomunicações: uma experiência local num quadro transnacional", VI Congresso da Associação Portuguesa de Sociologia – Mundos sociais: Saberes e práticas, In Atas do VI Congresso da Associação Portuguesa de Sociologia – Mundos sociais: Saberes e práticas, Lisboa.
PAP0811 - Reconfigurações do ensino superior e do mercado de trabalho: contributos teóricos para a análise da inserção profissional dos licenciados em Direito
A presente proposta
visa inscrever-se no
Grupo de Trabalho
submetido ao VII
Congresso Português
de Sociologia com a
designação “Inserção
de diplomados do
ensino superior:
relações objectivas
e subjectivas com o
trabalho”.
Esta comunicação
enquadra-se num
projecto de
investigação sobre
inserção
profissional de
jovens licenciados e
pretende contribuir
para a articulação
conceptual entre os
estudos da inserção
profissional e da
sociologia das
profissões, a partir
da análise das
reestruturações dos
mercados de trabalho
e do ensino superior
e da forma como
estas novas
dinâmicas têm
enformado as
profissões e os
percursos
profissionais dos
licenciados em
Direito.
Nas últimas três
décadas, a expansão
do ensino
universitário,
público e privado,
especificamente da
área do Direito,
quer em termos do
número de vagas quer
em termos do número
de cursos, conferiu
o acesso
generalizado ao
ensino superior,
aumentando
substancialmente o
volume relativo e
absoluto destes
diplomados. O curso
em Direito,
historicamente
associado a um
relativo fechamento
social, foi-se
tornando permeável
ao progressivo
alargamento da sua
base de recrutamento
potenciando
diferentes
estratégias e
representações dos
vários agentes
envolvidos, como o
caso dos
representantes do
ensino superior e
dos grupos
profissionais das
áreas jurídicas. Em
paralelo, têm
ocorrido profundas
recomposições dos
mercados de trabalho
e da estrutura
socioprofissional,
em particular das
profissões
jurídicas, mudanças
estas associadas à
emergência dos
processos de
globalização dos
mercados económicos,
como a concentração
dos serviços
jurídicos em grandes
empresas, o
progressivo
assalariamento e a
crescente
especialização e
segmentação interna
dos profissionais. A
estas tendências
acresce a
generalização das
formas atípicas de
emprego, visível na
flexibilização e na
precariedade,
sobretudo com maior
impacto junto dos
jovens licenciados,
como têm atestado os
estudos na área da
inserção
profissional.
Procura-se, no
âmbito desta
comunicação,
sistematizar as
tendências quer do
ensino universitário
quer do mercado de
trabalho num esforço
de deslumbrar pistas
teóricas para a
compreensão das
trajectórias
profissionais dos
licenciados em
Direito. Esta
reflexão beneficiará
do confronto entre
as principais
correntes teóricas
da sociologia das
profissões e dos
trabalhos
desenvolvidos no
âmbito da inserção
profissional e do
recurso à análise de
dados de fontes
secundárias:
indicadores e dados
estatísticos sobre a
evolução e a
situação
profissional destes
licenciados.
Prevê-se com este
debate potenciar uma
discussão profícua
sobre os desafios
com que se deparam
os juristas na
sociedade portuguesa
contemporânea.
- SANTOS, Mónica

Mónica Santos, licenciada e mestre em Sociologia pela Faculdade de Economia de Coimbra. Investigadora integrada do Instituto de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Bolseira de doutoramento da Fundação para a Ciência e Tecnologia com projecto intitulado “As trajetórias profissionais dos licenciados em Direito: análise dos tipos de percursos e identidades sociais e profissionais e sociais” (SFRH/BD/75312/2010). Tem participado em diversos projectos de investigação nas áreas da inserção profissional de licenciados, das escolhas profissionais e escolares e do empreendedorismo social. Co-autora do livro “Licenciados, precariedade e família” (2009), Porto: Estratégias Criativas. Os seus interesses de investigação centram-se na Sociologia do trabalho e das profissões e na sociologia da educação.