PAP0565 - A participação política dos evangélicos brasileiros
A presente comunicação busca analisar a presença políticas dos evangélicos brasileiros, algo facilmente perceptível depois do período de redemocratização do país, ocorrida após 1985. Dentro da perspectiva de análise, a ampliação da representatividade política do referido grupo religioso está dentro da ótica do chamado “voto evangélico”, dentro da ideia de que “irmão vota em irmão”, instrumentalizando-o como uma estratégia de angariar votos dentro desse segmento. Além disso, o uso de lideranças carismáticas que ofereçam candidaturas, o uso do púlpito para o apoio oficial de algumas denominações evangélicas em prol de um determinado candidato escolhido pela cúpula eclesiástica, a possibilidade de conseguir novas concessões públicas de rádios e TV, a participação de colocarem as propostas morais para a sociedade em temáticas como homossexualismo, eutanásia e aborto, a busca de ocupação dos espaços públicos, como por exemplo, a “Marcha para Jesus” organizada pela Igreja Renascer em Cristo, o aumento tanto em números absolutos quanto percentuais dos evangélicos nas duas últimas décadas (fenômeno chamado por Magaldi Cunha de “explosão gospel”) formam um conjunto de fatores que trouxeram os evangélicos para dentro da cenário político. Rompe-se assim, ao menos em parte, a mentalidade de que o evangélico ou o crente não se mete em política porque isso faz parte “do mundo”, ou seja do pecado, e como os cristãos são separados por Deus, nessa teologia, as preocupações do cristianismo seriam apenas no mundo transcendental ou espiritual e não no mundo terreno. A expressão “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” reforça essa ideia. Neste sentido, a influência dos grupos pentecostais e principalmente dos neopentecostais com a teologia da prosperidade com a ênfase na prosperidade financeira e na saúde está fazendo uma leitura que a prosperidade do Brasil enquanto nação passa pela ocupação da maior quantidade de cargos públicos como forma de cristianizar o seu povo e as esferas estatais.
Eduardo Guilherme de Moura Paegle é graduado e mestre em História pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), na qual, atualmente é doutorando por esta universidade no Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas. Atualmente tem uma bolsa de estudo da CAPES (governo brasileiro) no ISCTE\IUL por quatro meses em Lisboa. Sua área de interesse é sobre os evangélicos brasileiros, relações da religião com a política e mercado, o trânsito e o transnacionalismo religioso, e as interfaces entre fé e performance. Seu tema de tese de doutorado é "A 'mcdonaldizaçã' da fé. O culto como espetáculo entre os evangélicos brasileiros." Estuda em Portugal, igrejas neopentecostais de origem brasileira para verificar o fenômeno de transnacionalismo religioso, de como as igrejas brasileiras se adaptam em contextos diferentes das suas origens.