PAP0860 - O trabalho de mediação cultural em Portugal: alguns contextos e os seus figurinos organizacionais
O aumento da programação de actividades
pedagógicas para os públicos de museus,
teatros e outros espaços culturais constitui
uma das principais mudanças que marcam o
sector cultural e artístico, em Portugal, nas
últimas duas décadas. Possuindo um historial
mais antigo nos museus, este tipo de
intervenção tem vindo a intensificar-se num
número crescente de instituições e de
iniciativas.
A prática da mediação cultural não é uma
realidade homogénea, verificando-se a
existência de percursos profissionais diversos
e de diferentes modelos organizacionais nas
instituições/contextos que promovem e acolhem
actividades de mediação cultural.
Esta comunicação foca algumas iniciativas de
divulgação cultural e criação de novos
públicos – nas áreas das artes visuais, música
e livro e leitura –, dando destaque aos
formatos organizacionais que, nos diversos
contextos, estruturam o seu funcionamento. Na
área das artes visuais, são abordados os
Serviços educativos do Centro de Arte Moderna
José de Azeredo Perdigão da Fundação Calouste
Gulbenkian, em funcionamento desde 2002, e da
Área de Exposições do Centro Cultural de
Belém, com actividades pedagógicas desde 1998.
No domínio da música analisam-se duas
iniciativas de divulgação musical, com
diferente longevidade: i) Música em Diálogo,
orientada pelo maestro José Atalaya desde os
anos 80 do século XX; ii) Descobrir. Programa
Gulbenkian Educação para a Cultura, iniciativa
da Fundação Calouste Gulbenkian, e em especial
a intervenção pedagógica do Serviço da Música,
intensificada desde 2005. Na área do livro e
da leitura, consideram-se dois projectos de
promoção e o incentivo do gosto pela leitura e
pela escrita, ambos lançados em 1997: i)
Programa de Acções de Promoção da
Leitura/Itinerâncias, promovido pela tutela da
cultura; ii) Artes na Escola, projecto
coordenado pelo Ministério da Educação.
A análise conjunta destas diferentes
iniciativas e contextos evidencia traços
comuns – desde logo, no que se refere aos
figurinos organizacionais mas também no que
respeita ao crescente investimento das
políticas do sector público e do terceiro
sector em iniciativas tendo por objectivo
disseminar o conhecimento da cultura e das
artes. E identifica características mais
distintivas – como a centralidade que a figura
do divulgador cultural pode assumir na
dinamização de um projecto, reconfigurando-o
de acordo com as transformações que vão
ocorrendo no sector cultural.
Teresa Duarte Martinho é socióloga e completou o doutoramento em Sociologia em 2011 no ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL). É licenciada em Sociologia (1990) pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE). É mestre em Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação (2000), pelo ISCTE, e em Estudos Curatoriais (2006), pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa (FBAUL).
Actualmente, é investigadora de pós-doutoramento no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL) (http://www.ics.ul.pt). Desde 1996, participou em diversos projectos de investigação no Observatório das Actividades Culturais (OAC) (http://www.oac.pt) entidade fundada em 1996 por: Ministério da Cultura, Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e Instituto Nacional de Estatística (INE). Interesses de investigação: profissões e ocupações culturais e artísticas; políticas culturais; processos de mediação da arte e da ciência: práticas, actores e trajectórias.