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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012
Associação Portuguesa de Sociologia
PAP1377 - Blogs e direitos humanos à comunicação para comunidades de contexto popular: um estudo de caso sobre a comunicação comunitária através da web 2.0
O artigo analisa a participação de duas
comunidades de contextos populares em blogs
hospedados na web 2.0, para saber se esses
novos meios possuem potencial de influenciar o
desenvolvimento local e de promover direitos
humanos à comunicação. Entende-se, nessa
pesquisa, as comunidades de contextos
populares como agrupamentos de habitantes em
uma área comum, que compartilham uma situação
de vulnerabilidade econômica e social e,
nesses ambientes, a comunicação comunitária se
torna um bem de grande valor para a melhoria
da situação dessa população. Acredita-se que
quando pessoas desfavorecidas socialmente
acessam um novo direito humano elas se
desenvolvem e, a cada novo direito
conquistado, as diferenças sociais são
reduzidas também. Observa-se, no contexto da
cibercultura, uma crescente produtividade e
consumo simbólico de conteúdos digitais
distribuídos e consumidos, principalmente, a
partir de sites com formato de blog, que
possibilitam a postagem de comentários dos
leitores. O que caracteriza a web 2.0,
basicamente, são as possibilidades
interativas, por isso os blogs se tornam
componentes fundamentais desse ambiente de
redes digitais. O grande volume de conteúdos
disponíveis na internet vem possibilitando aos
indivíduos um maior desenvolvimento
intelectual, questão abordada também por
Pierre Levy (2004). Além disso indivíduos, que
antes da web apenas conheciam a comunicação de
fluxo unidirecional, estão obtendo através
dela, espaço para promoção de suas ideias e,
para os mais empreendedores, a possibilidade
de ganhos financeiros, questões que podem
influenciar processos de desenvolvimento local
sustentável. Assim, para realizar essa análise
foram selecionados, como amostra, os conteúdos
dos blogs de representantes das comunidades,
localizadas na Região Nordeste do Brasil: Ilha
de Deus e Caranguejo Tabaiares. O artigo busca
embasamento teórico para entender os sentidos
de comunidade local e consumo simbólico, em
Zygmunt Bauman (2008, 1999); para debater a
novas mídias digitais, observa os textos de
Carlos A. Scolari (2008) e Charo Lacalle
(2010); para falar de desenvolvimento local
sustentável, estuda Sérgio C. Buarque (2008) e
José Eli da Veiga (2005); e sobre direitos
humanos à comunicação, Mione Sales e Jefferson
Ruiz (2009) e Fábio Konder Comparato (1997).
Dois questionamentos emergem em uma avaliação
preliminar: um relacionado ao compromisso dos
administradores do blog com a regularidade do
conteúdo e outro ligado ao engajamento da
população do loca
- FREIRE, Adriana do Amaral

Adriana do Amaral Freire é Comunicadora Social com Habilitação em Relações Públicas pela Universidade Católica de Pernambuco - UNICAP, especialista em Administração com Ênfase em Marketing e Mestra em Extensão Rural e Desenvolvimento Local pela Universidade Federal Rural de Pernambuco - UFRPE, Brasil. Professora universitária do Instituto Superior de Economia e Administração, onde ministra disciplinas de Introdução a Tecnologia da Informação, Comércio Eletrônico, Tecnologias da Informação para Educação, Ética e Cidadania, Metodologia da Pesquisa, dentre outras; Professora da Faculdade Joaquim Nabuco, responsável pela disciplina de Radiojornalismo. Participou dos Projetos de Pesquisa: Pescando Pescadores - UFRPE; e Rádio Comunitária, Gênero e Desenvolvimento Local, a recepção do Programa Rádio Mulher pelas mulheres da Comunidade do Pirapama - PE, também pela UFRPE. Possui trabalhos publicados na Revista Comunicação e Sociedade, Revista Polêm!ca e Biblioteca Online de Ciências da Comunicação - BOCC, nas áreas de comunicação comunitária, rádio, estudos de gênero, desenvolvimento local e sustentável e novas mídias sociais.
PAP1019 - DISCUTINDO O CONSUMO E A CULTURA INFANTIL CONTEMPORÂNEA
A relação entre infância e mídia se reconfigura
em função de processos históricos, econômicos e
culturais que jamais podem ser dissociados do
fenômeno da cultura do consumo. O trabalho tem
como objetivo problematizar as representações
da estreita relação do consumo e a criança
contemporânea. A análise partiu das chamadas de
anúncios publicitários e comerciais, tendo como
questão norteadora a representação do universo
infantil na mídia. Tomando contribuições de
Zigmunt Bauman, Nestor Garcia Canclini e
Beatriz Sarlo, o texto procura trazer elementos
que possam potencializar a problematização das
relações entre cultura infantil contemporânea e
consumo. O texto resulta de pesquisa
qualitativa que, em termos metodológicos, foi
desenvolvida com base em duas abordagens
técnicas: 1) análise de dois conjuntos de
anúncios publicitários veiculados na mídia
brasileira onde a infância esteja representada:
o primeiro voltado para o público infantil e o
segundo para o público adulto; 2) oficinas de
Educação e Consumo desenvolvidas em uma escola
pública. Este trabalho procura trazer ao centro
do debate acadêmico as relações entre infância
e cultura do consumo. A obesidade, a anorexia,
a pedofilia e a erotização precoce fazem parte
da rotina das crianças e são pautas recorrentes
quando o assunto é infância e consumo na mídia
brasileira. Ao mesmo tempo, no atual contexto
em que vivemos, são inúmeros os argumentos e
evidências para afirmar que o consumo infantil
pode ser considerado a grande “descoberta
mercadológica”. É neste sentido que este texto
aposta na pertinência de problematizar a
pedagogia do consumo que nos educa de
diferentes formas para olhar, compreender e
naturalizar o universo infantil. Quando o tema
é a criança estamos lidando com narrativas
culturais que nos interpelam e nos fazem crer
em certezas naturalizadas como únicas e
universais. Vivemos um tempo em que a criança
aparece de forma multifacetada na mídia nossa
de cada dia, onde os pequenos aprendem nas
propagandas que o mundo é daqueles que tem o
poder e sabem chegar antes e que as meninas
precisam saber seduzir desde a mais tenra
idade. Talvez com tais discussões seja possível
estabelecer uma nova relação entre os campos da
Comunicação, da Educação e da Sociologia,
buscando os contornos de um debate sobre
consumo e cultura infantil.
- SCHMIDT, Saraí Patrícia

Saraí Patrícia Schmidt possui Doutorado (2006) e Mestrado (1999) pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Graduada em Comunicação Social (1991) é Professora Titular da Universidade Feevale, docente do Mestrado Acadêmico em Processos e Manifestações Culturais e coordenadora do projeto de extensão Nosso Bairro em Pauta na mesma instituição. Tem experiência como pesquisadora nas áreas de Comunicação e Educação, atuando principalmente nos seguintes temas: juventude, infância e consumo.