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VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

PARA O VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

Ficha Técnica:

Organização e Edição:
Associação Portuguesa de Sociologia
Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9
1600-189 Lisboa
Tel: 217804738 / Fax: 217940274 / E-mail: aps@aps.pt / http://www.aps.pt

Produção técnica:
Plug & Play
Rua José Augusto Coelho nº 117
2925-543 Azeitão
Tel: 210 854 236 / Fax: 210 854 236 / http://www.plugeplay.com

ISBN: 978-989-97981-0-6

Depósito legal: 281456/08

Requisitos Mínimos:
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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012

Associação Portuguesa de Sociologia

 

Como referenciar os textos desta edição

SOBRENOME DO AUTOR, Prenome(s) (2012). Título do texto. in Atas do VII Congresso Português de Sociologia, Lisboa: APS. ISBN: 978-989-97981-0-6. Disponível em http://www.aps.pt/vii_congresso/?area=016&lg=pt. Acesso em: Dia mês (abreviado) ano.

Pesquisa:

Resultados da pesquisa por: «MINI»

PAP1411 - Aplicação do levantamento bibliométrico em pesquisa sobre processo de socialização e construção de identidades profissionais no campo da Administração: um exemplo de delineamento teórico-metodológico
Resumo de PAP1411 - Aplicação do levantamento bibliométrico em pesquisa sobre processo de socialização e construção de identidades profissionais no campo da Administração: um exemplo de delineamento teórico-metodológico PAP1411 - Aplicação do levantamento bibliométrico em pesquisa sobre processo de socialização e construção de identidades profissionais no campo da Administração: um exemplo de delineamento teórico-metodológico
PAP1411 - Aplicação do levantamento bibliométrico em pesquisa sobre processo de socialização e construção de identidades profissionais no campo da Administração: um exemplo de delineamento teórico-metodológico

Este trabalho demonstra o processo de “Levantamento Bibliométrico” e sua relevância quando utilizado como parte da metodologia de investigação científica numa área de alto índice de produção acadêmica como são as Ciências Sociais. Inicialmente, diferenciamos levantamento bibliométrico de pesquisa bibliomética, em seguida, descrevemos o processo desde a escolha dos descritores a serem utilizados, enfatizando a importância da ligação com o referencial teórico empregado na pesquisa, a escolha das bases de dados e a organização e utilização dos resultados obtidos. Um levantamento bibliométrico consiste em encontrar toda e qualquer produção feita acerca de um tema num determinado período de tempo e publicado em bases de dados que permite ao pesquisador aprofundar seu conhecimento em relação ao seu campo de interesse e proporciona uma visualização em escala mundial da ocorrência de publicações de artigos. É possível mapear onde, quando e como autores ao redor do mundo estão escrevendo dando subsídio para a construção do Estado da Arte no campo investigado. Para efeito de ilustração é demonstrado o levantamento realizado para a pesquisa “Processo de socialização e construção de identidades profissionais no campo da Administração” que aconteceu nas bases de dados do site da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior) que publica periódicos relevantes para a área de interesse, no caso, as Ciências Sociais. O trabalho foi realizado em dez bases internacionais e somente uma de origem nacional. Em função do referencial teórico da investigação para a qual o levantamento foi realizado, Berger e Luckmann(2000), Dubar (2005) e Dubet (1994), foram definidos os descritores socialização (socialization), trajetória de vida (lived experience) e identidade profissional (professional identity). A aplicação do filtro utilizando os descritores trouxe 11.993 artigos publicados, a partir do ano 1990, que foram tabulados em planilha. Isso nos possibilitou analisar de maneira mais sistemática a quantidade e a qualidade dos artigos encontrados nas bases de dados o que nos levou a selecionar após a leitura dos títulos e resumos apenas 64 efetivamente relacionados com nossa pesquisa. Cumpre destacar, à guisa de conclusão, que foram enfrentadas algumas dificuldades como incoerência dos conteúdo do trabalho com os descritores, instabilidade do sistema de busca o que reiniciou muitas vezes a busca e, algumas vezes, os links dos artigos disponibilidades no site da CAPES não direcionavam ao site da base de dados na qual o trabalha estava. Contudo, o levantamento bibliométrico alcança resultados satisfatórios, pois apresenta frutos quantitativos e qualitativos, ao contrário de uma pesquisa bibliométrica, que tem por finalidade encontrar somente a quantidade do que foi produzido sobre determinado tema em determinado intervalo de tempo.
  • CUNHA, Marciano de Almeida CV de CUNHA, Marciano de Almeida
  •  SOARES, Gabrielle Tosin CV - Não disponível 
  •  SOBRAL, Mariana Cristina Tosta CV - Não disponível 
Marciano de Almeida Cunha
Professor da área de Gestão de Pessoas da Escola de Negócios da Pontifícia Universidade Católica do Paraná - PUCPR Brasil, atuando nos cursos de graduação e pós-graduação. Doutor em Educação (PUCSP) com estágio sandwich na Université de Montréal - Canadá, Mestre em Administração e em Educação (PUCPR) e formação em Administração e Ciências Biológicas (UEPB). Palestrante e consultor em Desenvolvimento Humano. e profissional. É líder do grupo de pesquisa “Formação e profissionalização no campo das Ciências Sociais Aplicadas”, no qual desenvolve pesquisas vinculado às seguintes Linhas de Pesquisa 1. “Processos de socialização, formação e profissionalização: da escolarização à carreira profissional” e 2. “Impactos de práticas e tecnologias de desenvolvimento profissional nos processos da Gestão de Pessoas e nas estratégias das organizações”. para conhecer mais www.marcianocunha.com.br

PAP1442 - Condomínios Habitacionais Fechados: (im)precisões conceptuais. Apontamentos para um debate sobre urbanidade e autonomia, segregação e qualidade de vida
Resumo de PAP1442 - Condomínios Habitacionais Fechados: (im)precisões conceptuais. Apontamentos para um debate sobre urbanidade e autonomia, segregação e qualidade de vida PAP1442 - Condomínios Habitacionais Fechados: (im)precisões conceptuais. Apontamentos para um debate sobre urbanidade e autonomia, segregação e qualidade de vida
PAP1442 - Condomínios Habitacionais Fechados: (im)precisões conceptuais. Apontamentos para um debate sobre urbanidade e autonomia, segregação e qualidade de vida

Esta comunicação é dedicada à reflexão sobre as imprecisões históricas e conceptuais de que parecem revestir-se algumas das analogias e comparações recorrentemente estabelecidas entre condomínios habitacionais fechados (sua definição e origem) e outras formas e realidades – nomeadamente, o gueto, e áreas de génese ilegal, castigadas pela pobreza e exclusão social, como as favelas, os bairros de barracas ou shanty towns. Metaforicamente poderosas, defende-se que tais analogias e comparações prejudicam a análise sobre o que está em jogo em cada umas das realidades que, mais ou menos retoricamente, se tende a aproximar. Elaborada no âmbito do curso de Doutoramento em Arquitectura – Dinâmicas e Formas Urbanas da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP), nela se defende que a reflexão em torno do fenómeno do surgimento e expansão dos condomínios habitacionais fechados reveste-se de um particular potencial estratégico no alavancar de uma discussão sobre a cidade que pensamos ter e a cidade desejada, sobre a importância (também) simbólica das características da vizinhança próxima e sobre os mecanismos e conteúdos que legitimam a concepção de modelos ideais de habitat e modos de organização vocacionados para o governo do/sobre o espaço.
  • MARTINS, Marta CV de MARTINS, Marta
Marta Martins
Estudou Sociologia no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), instituição pela qual se licenciou, em 2006.

Presentemente, é doutoranda em Arquitectura – Dinâmicas e Formas Urbanas na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP), onde colabora, enquanto Bolseira de Investigação, com o Centro de Estudos em Arquitectura e Urbanismo (CEAU-FAUP).

Nesse âmbito, e também com o apoio do DINÂMIA’CET-IUL, Centro de Estudos sobre a Mudança Socioeconómica e o Território do ISCTE-IUL, o projecto que actualmente mais a ocupa (e preocupa!) propõe-se apreender e interpretar os códigos de convivência e negociação que estruturam o quotidiano da vida em comum na metrópole contemporânea, sedimentando novas coexistências em áreas atravessadas por dinâmicas de recomposição do seu tecido social e edificado.

Nele se revisita, pois, o clássico problema da urbanidade, interrogado a partir da tensão entre a moderna valorização da autonomia crítica das escolhas individuais e a emergência de dinâmicas de segregação sócioespacial que, além de descrever, importa compreender.

PAP0731 - Desafios e tendências das políticas de igualdade de mulheres e homens em Portugal: o feminismo de Estado desafiado
Resumo de PAP0731 - Desafios e tendências das políticas de igualdade de mulheres e homens em Portugal: o feminismo de Estado desafiado PAP0731 - Desafios e tendências das políticas de igualdade de mulheres e homens em Portugal: o feminismo de Estado desafiado
PAP0731 - Desafios e tendências das políticas de igualdade de mulheres e homens em Portugal: o feminismo de Estado desafiado

Na apresentação pretendo expor algumas das minhas conclusões acerca do “feminismo de Estado” em Portugal, tema pouco estudado no país e objeto central da minha investigação de doutoramento em Sociologia do Estado, Direito e Administração (FEUC/CES). Na pesquisa interroguei a ação do Estado português na promoção da igualdade de mulheres e homens desde 1970, concretamente o papel que atualmente designada Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (anteriormente CCF, CIDM) como mecanismo oficial para a igualdade tem vindo a desempenhar em articulação com os movimentos de mulheres na promoção de políticas públicas de igualdade. Baseando-me no contributo da abordagem do feminismo de Estado, questionei a eficiência deste mecanismo oficial na produção de políticas de igualdade e na representação e empowerment dos movimentos de mulheres num quadro de governação global. Uma das dimensões da investigação centrou-se numa análise diacrónica dos mais de 30 anos de existência de feminismo de Estado em Portugal, que permitiu detetar tendências, marcos na evolução das políticas, da Comissão e da relação entre o Estado e os movimentos de mulheres. Esta evolução está, como demonstrarei, associada a episódios de produção do Estado, a metamorfoses no contexto político-institucional e nas dinâmicas de interação e de “cooperação conflitual” (Guiny e Passy, 1998) entre atores institucionais. Defini como principais fases da evolução do fenómeno no nosso país: feminismo de Estado emergente, feminismo de Estado potenciado, feminismo de Estado formal e feminismo de Estado desafiado. É sobre esta última fase ou tipo de feminismo de Estado (2002-2007) que me concentrarei nesta apresentação, uma vez que nela se expressam com especial ênfase e impactos tendências e desafios não só para a Comissão, mas também para o restante Estado e para as associações de mulheres. Intensificou-se a nova abordagem das políticas de igualdade – o mainstreaming de género. Deram-se saltos legislativos marcantes que desafiam agora a capacidade do Estado na sua implementação. Intensificaram-se as tecnologias e retóricas de nova governação, da nova gestão pública. Alterou-se substancialmente a relação com as ONG. Adotaram-se conceções sobre a diversidade e a inclusão de novos agentes e de novas desigualdades. Alterou-se a linguagem para uma linguagem de “género”, expressa, por exemplo, na mudança de designação da Comissão, com a nova lei orgânica da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género.
  • MONTEIRO, Rosa CV de MONTEIRO, Rosa
Rosa Monteiro

Socióloga. Professora no Instituto Superior Miguel Torga e investigadora do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Doutorada em Sociologia, tem desenvolvido o seu trabalho em torno das questões da desigualdade de género ao nível do emprego, trabalho e organizações, bem como no estudo e avaliação das políticas públicas. Membro da equipa de avaliação dos Planos Nacionais para a Igualdade, e atualmente da “avaliação da integração da Igualdade de género nos fundos estruturais (QREN)” - IGFSE. Publicações mais recentes: “Metamorfoses das relações entre o Estado e os movimentos de mulheres em Portugal: entre a institucionalização e a autonomia”, Exaequo, 25 (2012); “A agenda da descriminalização do aborto em Portugal: Estado, movimentos de mulheres e partidos políticos”, Análise Social, no prelo; “A Política de Quotas em Portugal: O papel dos partidos políticos e do feminismo de Estado”, RCCS, 92 (2011).

PAP0746 - Entre a profissão e a comunidade académica: Contributos para uma caracterização sócio-organizacional
Resumo de PAP0746 - Entre a profissão e a comunidade académica: Contributos para uma caracterização sócio-organizacional   PAP0746 - Entre a profissão e a comunidade académica: Contributos para uma caracterização sócio-organizacional
PAP0746 - Entre a profissão e a comunidade académica: Contributos para uma caracterização sócio-organizacional

A profissão académica foi apelidada em 1969 por Harold Perkins de ‘profissão-chave’. O autor pretendia com esse termo, enfatizar a influência e o papel central destes profissionais na sociedade em geral. A associação da actividade académica a uma ‘profissão’ tem sido amplamente discutida na literatura (Altbach, 2000; Askling, 2001; Becher, Trowler, 2001; Enders, 1999; 2001). Tendo por referência o contexto anglo-saxónico alguns autores criticam a existência de uma ‘profissão’ académica dado que não lhe reconhecem a existência de boa parte das características associadas às profissões na literatura do campo (Brennan, Locke & Naidoo, 2007). Com isto não pretendemos argumentar a recusa da utilização do termo ‘profissão académica’, mas, pelo contrário, defendemos uma discussão comparativa do termo em relação ao conceito de ‘comunidade académica’. A ‘comunidade académica’, baseada no ethos mertoniano e no próprio conceito de ‘profissão académica’, emerge na sociedade portuguesa como errática (Sousa, 2010) não sendo claro quem constitui a comunidade académica e como se caracterizam os académicos. Tal carácter errático permite-nos enfatizar a única dimensão em comum a todos os académicos: o conhecimento. Seja ele relativo à sua transmissão (na docência), produção (na investigação), difusão ou aplicação (no serviço). Não obstante a problemática em torno da sua classificação os académicos têm, nos últimos anos, enfrentado desafios importantes decorrentes do impacto das alterações da sociedade em geral e, de forma mais particular, das mudanças nas Instituições de Ensino Superior (IES). Face aos desafios colocados por estas alterações os académicos são cada vez mais interpretados como meros assalariados, em lugar de ‘profissionais de elite’ (Carvalho, 2011; Musselin, 2004; 2008; Carvalho, 2011). Em Portugal os estudos neste domínio são relativamente escassos (Sousa, 2010, 2011; Meira-Soares, 2001; Santiago & Carvalho, 2008; Carvalho & Santiago, 2010). Assim, é objectivo desta comunicação contribuir para a discussão desta problemática usando os conceitos de profissão académica e o de comunidade académica para caracterizar o corpo de profissionais das instituições de ensino superior em Portugal. Para que se inicie uma discussão mais profunda sobre esta temática importa saber quem são os académicos em Portugal. Esta análise é empiricamente suportada pela discussão de dados quantitativos provenientes de uma base de dados compilada pela Agência Nacional de Avaliação e Acreditação no Ensino Superior (A3ES) relativa a docentes do ensino superior português. A comparação com estudos anteriores permite-nos analisar e discutir o sentido da evolução deste grupo profissional no contexto nacional.
  • CARVALHO, Teresa CV de CARVALHO, Teresa
  •  SOUSA, Sofia CV - Não disponível 
BIOGRAFIA
Teresa Carvalho é professora auxiliar no Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território da Universidade de Aveiro. Licenciada em Sociologia pela Universidade de Coimbra, Mestre em Gestão de Recursos Humanos pela Universidade do Minho e Doutorada em Ciências Sociais pela Universidade de Aveiro. É investigadora no Centro de Investigação e Políticas do Ensino Superior (CIPES). É membro eleito da Comissão Executiva da RN19 – Sociologia das Profissões da ESA (European Sociological Association).

PAP0549 - Feminismo islâmico no Oriente Médio: Egito e Turquia
Resumo de PAP0549 - Feminismo islâmico no Oriente Médio: Egito e Turquia  PAP0549 - Feminismo islâmico no Oriente Médio: Egito e Turquia
PAP0549 - Feminismo islâmico no Oriente Médio: Egito e Turquia

Os feminismos no Oriente Médio são as expressões da intersecção entre modernidade e Islã. Enquanto defesa e luta política pela emancipação da mulher surge pioneiramente no Egito, nos anos 20, com inspiração nos modos de vida seculares franceses, porém em conseqüência de hibridação cultural se transformaram profundamente, num processo de confrontação e assimilação teórico-discursiva entre movimentos seculares e islâmicos. No Egito o feminismo secular amargou ostracismo com as repressões de Gamal Nasser e sofreu limitações pelo autoritarismo de Hosni Mubarak. Na Turquia, o feminismo secular surgiu apoiando incondicionalmente as reformas de emancipação de Kemal Atatürk, contudo ressurge nos anos 80 com um posicionamento altamente crítico a estas mesmas reformas, alegando que elas reafirmavam o status quo islâmico de sexualidade e gênero na esfera privada. Nesse mesmo processo histórico surgem no Egito os movimentos islâmicos de mulheres, o que origina por volta dos anos 80 o feminismo islâmico. Atualmente, o feminismo secular e o islâmico convergem, paradoxalmente, com agendas programáticas e políticas diferentes. As argumentações teórico-discursivas do feminismo islâmico são de justiça e emancipação a homens e mulheres que seriam expostas se as leituras das escrituras sagradas do Islã forem feitas com um olhar feminista. Nesse sentido, esta comunicação compreende num primeiro momento, um detalhamento dos feminismos seculares no Oriente Médio, considerando como exemplos o Egito e a Turquia e num segundo momento propõe reflexões a cerca dos métodos e discursos do feminismo islâmico e sua inter-relação com a modernidade.
  •  LIMA, Cila CV - Não disponível 

PAP1437 - Imagens da sexualidade e virtudes femininas: Um diálogo afro-brasileiro de Imaculada Conceição e Iemanjá
Resumo de PAP1437 - Imagens da sexualidade e virtudes femininas: Um diálogo afro-brasileiro de Imaculada Conceição e Iemanjá PAP1437 - Imagens da sexualidade e virtudes femininas: Um diálogo afro-brasileiro de Imaculada Conceição e Iemanjá
PAP1437 - Imagens da sexualidade e virtudes femininas: Um diálogo afro-brasileiro de Imaculada Conceição e Iemanjá

Esta comunicação tem por mote uma interpretação acerca de imagens de duas entidades femininas, que centralizam no Catolicismo e no Candomblé a feminilidade e o papel da mulher diante das virtudes determinadas pelas suas qualidades. Considerando que o Candomblé tem base nas tradições pagãs africanas e que, a partir do sincretismo com a primeira, constitui-se em uma religião cristã eminentemente brasileira, bem como a constatação de Roger Bastide de que a Imaculada Conceição, a partir do mesmo sincretismo, é reconhecida pelos candomblistas como Iemanjá, entidade das águas salgadas, dona dos reinos marítimos, e decorrência direta das mães ancestrais (Iá Mi Oxongá), são debatidas as confluências e embates entre essas duas representações sacras, no sentido de identificar como a sexualidade e a transposição dos vícios sexualizados-femininos passam a ser evidenciados por meio de pinturas e imagens de ambas no imaginário ocidental, principalmente brasileiro. A partir de narrativas mitológicas, textos litúrgicos e registros imagéticos, procura-se evidenciar o modo pelo qual essas imagens apresentam características que delineiam as qualidades femininas, considerando uma passagem e, também, um confronto entre a fecundidade e a condição de mãe, assim como o papel da sexualidade e a categoria de amante, já que há, por um lado, a fecundação sem sexo e a superação do corpo nu de Eva e Lilith, por exemplo, e por outro a relação com a deusa de seios gigantes e a sereia, em contraponto à mulher branca de cabelos e vestido longos, representada por uma beleza casta e distanciada. Neste sentido, abordar o tema por meio da imagem remete à interpretação objetiva acerca da artificialidade do corpo coletivo, onde é possível percorrer as representações que se sublimam através dele pelos olhares que o viram e o vêem em continuum, sendo que, num relacionamento entre a imagem do feminino e a construção da imagem das mulheres-referenciais, é possível também promover um olhar sobre as construções contemporâneas na percepção dos indivíduos, no sentido de ilustrar os desejos, vontades e as expressões corporais que se elaboram como respostas às prerrogativas e provocações do mundo exterior a ele mesmo, sobretudo quando estas dizem respeito à convergência entre sexualidade e religiosidade.
  • EDOARDO, Laysmara Carneiro CV de EDOARDO, Laysmara Carneiro
Laysmara Carneiro Edoardo - PAP1437
Mestre em Letras pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná, bacharel e licenciada em Ciências Sociais pela mesma instituição. Docente no ensino superior, produz pesquisa interdisciplinar sobre as relações entre imagem, juventude e sexualidade, no que tange a ficcionalização do cotidiano.

PAP0975 - Modos de apropriação de informação sobre saúde: adaptação de um instrumento de investigação qualitativa.
Resumo de PAP0975 - Modos de apropriação de informação sobre saúde: adaptação de um instrumento de investigação qualitativa. PAP0975 - Modos de apropriação de informação sobre saúde: adaptação de um instrumento de investigação qualitativa.
PAP0975 - Modos de apropriação de informação sobre saúde: adaptação de um instrumento de investigação qualitativa.

Este trabalho foca-se, essencialmente, na adaptação e aplicação de um instrumento de investigação qualitativa que pretende avaliar o estado atual do conhecimento da populacão portuguesa sobre um conjunto de doenças (asma e cancro). Trata-se de um guião de entrevista semi-estruturado (McGill Illness Narrative Interview – MINI), que tem como objetivo diagnosticar as representações que emergem das narrativas de doentes sobre o modo como vivenciaram a doença. O MINI, construído por três investigadores do departamento da psiquiatria transcultural da Universidade de McGill, pode também ser utilizado noutras áreas das ciências sociais, nomeadamente, em estudos sociais sobre saúde e medicina (Groleau, Young & Kirmayer, 2006). Nesse sentido, o instrumento está atualmente a ser adaptado e validado pelos membros da equipa de um projeto que tem como objetivo geral investigar o uso e os modos de apropriação da informação em saúde na população portuguesa. O projeto a), onde o presente trabalho se integra, insere-se no âmbito do Programa Harvard Medical School-Portugal Program. O MINI apresenta-se originalmente estruturado em cinco módulos: 1. Narrativa Exploratória; 2. Narrativa Protótipo; 3. Modelo da Narrativa Explicativa; 4. Serviços Médicos e Respostas ao Tratamento; 5. Impacto na Vida. Este guião foi adaptado e reconfigurado para a população portuguesa e em concordância com os objetivos do projeto acrescentou-se um sexto módulo sobre fontes da informação. O MINI adaptado (MINIa) permite compreender até que ponto a doença e a experiência do entrevistado são influenciados pelos processos sociais e pelos contextos culturais, possibilitando identificar os conceitos de angústia e os estereótipos sociais emergentes dos respetivos contextos socioculturais (Groleau e Kirmayer, 2004). Utilizando o guião MINIa, realizaram-se entrevistas piloto durante 12 meses a doentes com patologias específicas: cancro da mama e asma. Uma análise qualitativa preliminar dos dados recolhidos coloca como principais fontes de informação, em primeiro lugar os Médicos, seguidos da Internet e da Televisão. A recolha de dados evidenciou, ainda, que o MINIa se revelou um valioso instrumento quer para estudar a eficácia das ferramentas de comunicação, quer para identificar potenciais fontes/redes de comunicação de sáude. _________ a O projecto designa-se «Evaluating the state of public knowledge on health and health information in Portugal» do Programa Harvard Medical School Portugal e é financiado pela FCT – Fundação para a Ciência e Tecnologia.
  • ABREU, L. CV de ABREU, L.
  •  BORLIDO-SANTOS, J. CV - Não disponível 
  •  NUNES, J.A. CV - Não disponível 
  •  VILAR-CORREIA, M.R. CV - Não disponível 
Liliana Abreu

LicenciadaemSociologia e mestreemSociologia, pelaFaculdade de Letras da Universidadedo Porto. Desde o fim da licenciatura tem trabalhadoemprojetos de investigação, comobolseira FCT. Trabalhouemprojetos no âmbito da Sociologia da Cultura e EducaçãoArtística; Mobilidade de ConhecimentoCientífico e, maisrecentemente, naarea da Sociologia da Saúde, enquantobolseira de investigaçãonumprojeto no âmbito do Programa Harvard Medical School. Demomento, vaiiniciar a suabolsa de doutoramento FCT, ingressando no ProgramaDoutoralemSaúdePública(2012) da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

PAP0913 - O determinismo cultural na prática esportiva: estudo dos casos do futebol no Brasil e do rúgbi na Nova Zelândia
Resumo de PAP0913 - O determinismo cultural na prática esportiva: estudo dos casos do futebol no Brasil e do rúgbi na Nova Zelândia PAP0913 - O determinismo cultural na prática esportiva: estudo dos casos do futebol no Brasil e do rúgbi na Nova Zelândia
PAP0913 - O determinismo cultural na prática esportiva: estudo dos casos do futebol no Brasil e do rúgbi na Nova Zelândia

O Brasil é aclamado, em todo o mundo, como o “país do futebol”. Tal reconhecimento ocorre, primordialmente, pelos excelentes resultados obtidos pelas seleções brasileiras de futebol nas Copas do Mundo de 1958, 62, 70, 94 e 2002. Além do sucesso representado por essas conquistas, a forma dos brasileiros praticarem o esporte futebol é admirada mundialmente pela habilidade de seus jogadores e pela beleza plástica com que suas equipes praticam o esporte. A Nova Zelândia, por outro lado, é reconhecida universalmente pela excelência de sua seleção nacional de rúgbi, os All Blacks. Em sete disputas da Copa do Mundo do esporte, a seleção neozelandesa conquistou o título em duas oportunidades (1987 e 2011). Muito mais do que os triunfos obtidos, a mítica dos All Blacks consagrou a Nova Zelândia como o principal país do esporte. O objetivo deste trabalho é analisar, de forma superficial, as relações existentes entre a formação cultural do brasileiro e do neozelandês com o sucesso obtido pelo futebol, no Brasil, e o rúgbi, na Nova Zelândia. É nossa intenção comprovar que os aspectos culturais são fundamentais para que, na prática desses esportes, os brasileiros tenham sucesso no futebol e os neozelandeses no rúgbi. Tal suspeita se baseia nas ideias de T. S. Eliot que afirma que “a cultura do individuo depende da cultura de um grupo ou classe, e que a cultura do grupo ou classe, e que a cultura do grupo ou classe depende da cultura da sociedade a que pertence este grupo ou classe”. Em função do exposto acima, pretendemos mostrar que, na formação cultural dos brasileiros e dos neozelandeses, estão presentes elementos que, no caso brasileiro favorecem a prática do esporte futebol; e, no caso neozelandês, estimulam o jogo esportivo e as características do rúgbi enquanto esporte. A educação, segundo Eliot, funciona como o elemento propagador da cultura. Cultura que se compõe de vários elementos e, no entender do autor, “vai da habilidade rudimentar e do conhecimento à interpretação do universo e do homem pela qual vive a comunidade”. Determinadas modalidades esportivas, por suas características peculiares, se adaptam melhor à formação cultural de sociedades peculiares. É essa relação – formação cultural x prática esportiva – que pretendemos investigar através do estudo dos casos Brasil-futebol e Nova Zelândia-rugbi.
  •  JUNIOR, Ary José Rocco CV - Não disponível 

PAP0077 - Vidas excluídas: trajectórias ciganas femininas reflectidas em contexto prisional
Resumo de PAP0077 - Vidas excluídas: trajectórias ciganas femininas reflectidas em contexto prisional  PAP0077 - Vidas excluídas: trajectórias ciganas femininas reflectidas em contexto prisional
PAP0077 - Vidas excluídas: trajectórias ciganas femininas reflectidas em contexto prisional

Diversas pesquisas realizadas em Portugal, assim como em países da UE, revelam que entre os grupos e categorias sociais mais expostos a situações de exclusão e discriminação sociais são de destacar os grupos étnicos, em particular o grupo étnico cigano. Um estudo da década de 90 realizado em contexto prisional português indica que a proporção de indivíduos de etnia cigana atrás das grades representa 5 a 6 por cento da população total reclusa. Assiste-se, portanto, a uma sobrerepresentação deste grupo em contexto prisional, que é ainda mais evidente na população reclusa feminina. Nesta comunicação, tendo em consideração este panorama de exclusão e discriminação e de sobrerepresentação deste grupo em contexto prisional e conjugando-o com uma perspectiva de género, propomo-nos a caracterizar sociologicamente as reclusas de etnicidade cigana a cumprir pena efectiva num Estabelecimento Prisional feminino português, tal como a analisar as suas trajectórias de vida. Baseando-nos em trabalho de campo desenvolvido entre 2010 e 2011, pretendemos explorar as especificidades ao nível sociológico, criminal e penal das reclusas ciganas, assim como os aspectos relacionados com as relações familiares, para a compreensão das suas trajectórias. Mapeando singularidades e aspectos comuns, analisaremos de que forma cada uma das dimensões se espelha, conjuga e reconfigura no contexto prisional. Os aspectos abordados englobam i) o contexto pré- prisional, sobre o qual se analisam os modos de vida condicionados, dinâmicas e configurações familiares, tal como motivações e constrangimentos estruturais que conduziram à prática do crime; ii) a vivência prisional, onde se expõe relações familiares no contexto prisional (tendo em conta que as redes de inter-familiaridade podem englobar até 3 gerações de familiares) e que conexões se evidenciam com as redes em meio exterior; iii) e as perspectivas futuras das reclusas, que se prendem com questões mais amplas de exclusão e discriminação social às quais estas populações não são alheias.
  • GOMES, Sílvia CV de GOMES, Sílvia
  • GRANJA, Rafaela CV de GRANJA, Rafaela
Gomes, Sílvia
Investigadora no Centro de Investigação em Ciências Sociais da Universidade do Minho. Licenciada em Sociologia pela Universidade do Minho (2008), é estudante de doutoramento no Instituto de Ciências Sociais da mesma universidade, sob as orientações dos Professores Doutores Manuel Carlos Silva e Helena Machado. O projecto de doutoramento tem como título provisório “Criminalidade, Exclusão Social e Racismo: um estudo comparado entre portugueses, ciganos e imigrantes dos PALOP e do Leste Europeu”. No âmbito do projecto de doutoramento, desenvolveu o projecto “Criminalidade, Etnicidade e Desigualdades” junto de Estabelecimentos Prisionais portugueses e foi investigadora visitante na Universidade da Califórnia, Berkeley, sobre a orientação do Professor Loïc Wacquant. O seu trabalho está relacionado com a criminalidade, exclusão social e etnicidade, designadamente as representações sociais dos grupos étnicos e imigrantes nos media, as representações sociais dos guardas prisionais sobre os fenómenos da imigração e do crime e também as trajectórias de vida e estatísticas da reclusão feminina e masculina em Portugal.
Rafaela Granja é socióloga e está atualmente a desenvolver a sua tese de doutoramento que se intitula Representações sobre os impactos sócio-familiares da reclusão: visões femininas e masculinas. É membro do Centro de Investigação em Ciências Sociais da Universidade do Minho. As principais áreas de interesse do seu trabalho centram-se nos estudos prisionais, relações familiares, criminalidade, género e etnicidade.