PAP0009 - A ARTE
Pierfranco Malizia, LUMSA, Roma
A ARTE “SOCIAL”
Notas sobre os quadros sociais da
criatividade artística
RESUMO
Este trabalho parte de um tema de base e de
uma hipótese; o tema consiste na idéia
segundo a qual – sem aliás nada tirar ao
sistema “competências-capacidades-
genialidades” que fazem de um artista um
artista, ou seja, a individualidade, a
subjetividade do artista e da sua
criatividade,ecc., a hipótese consiste no
fato que seja possível individuar os quadros
sociais que, tanto a apriori quanto a
posteriori, ora mais evidentemente ora mais
ocultamente tais, orientam e influenciam a
criatividade artística (uma enésima ação
social “efervescente”, come diria Durkheim) e
a arte em geral.
No âmbito de tal hipótese, os quadros sociais
aqui propostos são:
a) fatores estruturais de contexto (ou
seja, situações sociais “totalizantes” como a
anomia e a morfogênese entendida,
precisamente como cenários complexos que vêm
a descompor uma situação existente,
estimulando a mudança e a criatividade;
b) fatores ligados aos “círculos
sociais” (artísticos, nesse caso) e relativos
sistemas de relação e interação sociais como
os mundos artísticos (Becker);
c) os condicionamentos provenientes das
tradições, essa espécie de “memória coletiva
canonizada” , de “modelos estabilizados de
crenças, valores etc.” as quais de qualquer
forma podem orientar de fato o
pensamento/ação do artista;
d) fatores ligados ao sistema da
indústria cultural e da totalidade das
relações estabilizadas que em diferentes
maneiras e com diversas modalidades dele
derivam .
Como se pode deduzir, trata-se somente de
alguns dos possíveis quadros sociais que
podem vir a ter significado no âmbito do
discurso que aqui se sustenta; se entende que
o quanto acenado possa, de toda forma, trazer
confirmações para a hipótese inicial e que
reflexões, mesmo se não totalmente concluídas
como essas, sem nada tirar às tantas
diferentes modalidades de estudo dos
fenômenos artísticos, pretendem ser
enriquecedoras ao debate e à reflexão sobre
a própria arte.
- MALIZIA, Pierfranco

Pierfranco Malizia Mestre em Filosofia e em Letras,Phd. em Sociologia da cultura na Universidade “La Sapienza” de Roma,è professor de Sociologia na Universidade LUMSA de Roma e Diretor do Curso de pos-graduaçao em Comunicação e Diretor do Centro de pesquisa em comunicação: é tamben visiting professor de Teoria contemporaneas da comunicaçã no ISCEM de Lisboa. Atùa principalmente nas areas das trasformaçoes sociais,da produçao cultural e da comunicaçao.
PAP1162 - A Mediação Penal em Portugal - do debate à implementação
No âmbito da tese de
mestrado Mediação
Penal e Justiça
restaurativa. O
debate em Portugal,
ISCTE-IUL, 2010,
procurou-se
compreender a
recente
implementação da
Mediação Penal em
Portugal. Esta
comunicação servirá
para apresentar e
colocar à discussão
os seus resultados.
Primeiramente,
desvendar o contexto
internacional em que
a mediação penal
emergiu. Em seguida,
dar conta do debate
nacional promovido
em torno da
temática,
desenvolvendo uma
reflexão que
evidencia os actores
que mais se
realçaram no espaço
público nacional,
onde se sobressaem
intervenientes
políticos,
académicos e
profissionais que
intervêm
directamente na sua
implementação, como
os Mediadores e
Magistrados do
Ministério Público.
E, finalmente,
procura-se
enriquecer a
exposição e a
discussão com alguns
dados empíricos
relativos à
implementação da
Mediação Penal em
Portugal, recolhidos
no âmbito do estudo
Monitorização da
Mediação Penal
(2008-2010, em
resultado do
protocolo celebrado
entre o GRAL e a
Faculdade de Direito
da Universidade Nova
de Lisboa. Dados que
se prendem com os
tipos de crimes
remetidos para
mediação, as forma
de resolução
encontradas e a
satisfação das
partes.
A mediação
inscreve-se num
processo mais lato
de desjudicialização
e informalização do
sistema de justiça.
Este processo
procura promover a
participação dos
cidadãos, destacar o
papel da vítima e a
ressocialização do
infractor. Por outro
lado, procura
colmatar a crescente
ineficiência do
sistema de justiça
formal. O debate
nacional,
particularmente
centrado na noção de
mediação penal sob o
pano de fundo da
justiça
restaurativa, parece
ser no essencial
impelido pelas
orientações
internacionais,
tanto mais que,
cronologicamente, se
inicia sob a forma
de medidas políticas
e reflexões
teóricas, na
sequência da
directiva
comunitária,
Decisão-Quadro
2001/220/JAI. De
facto, as últimas
duas décadas do
século XX são
frutíferas num
debate internacional
sobre esta temática,
facilmente
verificável pela
produção documental
de nível político
internacional.
Contudo, em Portugal
o debate despoletou
apenas no início do
século XXI que
culmina com a
implementação da
Mediação Penal em
2007 sob a Lei n.º
21/2007, de 12 de
Junho.
- COSTA, Sónia
PAP0536 - A oferta científica sobre Economia Política da Comunicação para a formação de jovens jornalistas
GT Comunicação Social
Esta comunicação identifica a oferta científica
especializada na Economia Política da
Comunicação, nomeadamente sobre a propriedade e
as estratégias de gestão das empresas
jornalísticas portuguesas. Ter-se-á como
objecto de estudo a estrutura curricular dos
cursos de licenciatura do ensino superior
português, mas também os de formação
profissional e a produção científica publicada
em publicações de Universidades e organizações
profissionais ligadas ao jornalismo. Dar-se-á
destaque aos conteúdos dirigidos à formação de
futuros ou actuais jovens jornalistas.
Num contexto de crise e reconfiguração das
estratégias dos media, parte-se da definição da
Economia Política da Comunicação feita por
Nicholas Garnham como o âmbito de estudo das
formas institucionais e do poder social das
empresas capitalistas, entre elas as
jornalísticas, a comunicação procura analisar
as condições de formação dos jovens jornalistas
na área.
De seguida, procurar-se-á interpretar o
potencial de mobilização de competências dos
jovens jornalistas sobre a gestão da produção e
da distribuição do jornalismo nas actuais
condições de mercado. O objectivo é concluir
acerca do possível horizonte de representação
do seu lugar enquanto jovens jornalistas e das
suas carreiras neste campo profissional e
empresarial.
- FERREIRA, Vanda

FERREIRA, Vanda
Licenciada em Ciências da Comunicação, variante Jornalismo, pós-graduada em Comunicação, Cultura e Tecnologias da Informação e em Análise de Dados em Ciências Sociais
ISCTE/CIES – Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (Centro de Investigação e Estudos de Sociologia
ferrvanda@gmail.com
PAP0469 - A revista Ozono, camada a camada
Entre Outubro de 2000 e Fevereiro de 2003 foram publicados 18 números da Ozono - Revista de Ecologia, Sociedade e Conservação da Natureza.
Dirigida por Paulo Trancoso, ecologista politicamente empenhado e dirigente do Partido da Terra (MPT), a revista era impressa com tintas vegetais em papel reciclado e, ao longo de toda a sua publicação, foi acompanhada de cassetes de vídeo alusivas a temas ambientais, aproveitando o facto de a proprietária do título ser a distribuidora Costa do Castelo Filmes.
Nesta comunicação, propomo-nos abordar as várias camadas da revista, da capa, que destacava a «melhor ilustração portuguesa», à contracapa, que ora acolhia publicidade própria ou de anunciantes, ora incluía referências a campanhas cívicas.
Dessa abordagem constará a análise dos seguintes tópicos: a rubrica editorial “Buraco da Ozono”; a opção da revista por um jornalismo “ambientalmente comprometido”; as escolhas temáticas e ângulos de abordagem dos vários artigos; a diversidade de colaboradores e colunistas; a parceria com revistas de referência estrangeiras, como a The Ecologist, a World Watch e a Integral; as opções de design; a interacção com os leitores; e as limitações comerciais auto-impostas por motivos de coerência filosófica (ou seja, a selecção da publicidade com vista a incluir apenas anunciantes “amigos do ambiente”).
Não serão esquecidas questões relacionadas com a gestão do produto, como a tiragem, a colocação da revista em banca, a gestão da relação com os assinantes, a estratégia de diferenciação do título face à concorrência e a promoção da revista com vista à captação de um público mais alargado. Procuraremos também fazer o retrato do funcionamento interno da redacção e do departamento comercial, de modo a obter uma imagem o mais completa possível do projecto e compreender que razões levaram a que este se tornasse economicamente insustentável.
Esperamos deste modo contribuir para um mais profundo conhecimento de uma iniciativa editorial que marcou o início do século XXI no nicho das publicações portuguesas especializadas em temas ambientais.
- TEIXEIRA, Luís Humberto

- FREITAS, Helena de Sousa

Luís Humberto Teixeira nasceu em Setúbal em 1977, onde se licenciou em Comunicação Social (ESE-IPS). Enquanto jornalista, colaborou em órgãos locais, regionais, nacionais e internacionais, e é membro da organização do Festroia – Festival Internacional de Cinema de Setúbal desde 2005.
Mestre em Política Comparada (ICS-UL), efectuou diversos estudos sobre o sistema eleitoral português e escreveu os livros Reciclemos o Sistema Eleitoral! (2003) e Verdes Anos - História do Ecologismo em Portugal (2011).
Traduziu o livro A Tradição da Liberdade – Grandes obras do pensamento liberal (2010), do politólogo belga Corentin de Salle e, em 2011, escreveu o argumento do documentário Setúbal, Cidade Verde, realizado por Helena de Sousa Freitas e vencedor do Prémio do Público do IV Curtas Sadinas.
Helena de Sousa Freitas (Lisboa, 1976) é licenciada em Comunicação Social, pós-graduada em Direito da Comunicação Social e mestre em Comunicação, Cultura e Tecnologias da Informação.
Bolseira da FCT no CIES – IUL, desenvolve actualmente a investigação “Histórias Que as Paredes Contam – O Muralismo como Forma de Comunicação Alternativa na Cidade de Setúbal (1974-2010)” no âmbito do doutoramento em Ciências da Comunicação.
Jornalista desde 1996, ingressou na agência Lusa em 1998 e foi galardoada pela APDSI com o Prémio Editorial Sociedade da Informação 2010.
É autora dos ensaios “Jornalismo e Literatura: Inimigos ou Amantes?” (2002), “Sigilo Profissional em Risco” (2006) e “O DN Jovem entre o Papel e a Net” (2011).
PAP0566 - As dinâmicas de domesticação dos novos media pelas diferentes gerações e o relacionamento inter-geracional no seio familiar
Apresentam-se os resultados do estudo que visa compreender de que forma é que a existência dos novos media, em casa, pode ter interferência nas tradicionais relações que pais e filhos, avós e netos estabelecem, ou seja, estão ou não as relações inter-geracionais a serem alteradas pela mediação tecnológica?
A investigação que dá suporte a esta comunicação procurou aferir quais as causas que podem imprimir mudanças na forma como as gerações se relacionam de acordo com as utilizações que cada geração faz dos novos media e quais as consequências que daí podem advir.
Tendo como questão de investigação “Quais as dinâmicas de domesticação dos novos media pelas diferentes gerações, e em que medida isso se reflete no relacionamento inter-geracional?”, esta comunicação visa apresentar os principais resultados do estudo que procurou compreender o papel desempenhado pelos novos media nos relacionamentos entre as gerações, no sentido de averiguar se se estabelecem relações de cooperação e/ou conflito. Do ponto de vista teórico a investigação tem como referencias os estudos sobre as implicações das TIC nas rotinas cognitivas e sociais e, especificamente, a proposta de apropriação enquanto domesticação da tecnologia.
A importância da investigação realizada, da qual se apresentam os resultados, passa, não só, pelo contributo no que respeita à caracterização dos relacionamentos inter-geracionais, mas também, pela caraterização que se tem vindo a tentar fazer no que respeita às designações entre as diferentes gerações, tendo em conta o uso que cada uma faz dos novos media de acordo com as suas potencialidades.
O trabalho empírico recorreu-se à realização de inquéritos por questionário junto de crianças e jovens dos 6 aos 18 anos, a nível nacional, com 1902 inquéritos por questionário e 13 entrevistas a famílias de acordo com vários perfis traçados tendo em conta nº de gerações que coabita na família; nº de filhos; idade dos filhos e nível de literacia info-comunicacional das famílias. Na análise dos resultados foram consideradas várias variáveis: a idade, género, número de gerações que habitam a mesma casa e a tipologia de novo medium que habitualmente são utilizados em casa pelas famílias.
Os resultados obtidos permitem perceber que apesar das muitas reticências dos mais velhos em relação às tecnologias no que respeita ao seu próprio uso, eles percebem que a sua utilização é fundamental para os mais novos não só pelas capacidades que desenvolvem, mas porque a própria escola faz o apelo ao uso das tecnologias.
Verificou-se ainda que, apesar das assimetrias na utilização e manipulação que as diferentes gerações fazem das tecnologias e apesar dos mais novos serem mais audazes e expeditos na sua utilização, as relações podem ter pequenos conflitos, mas o que mais prevalece é a cooperação entre gerações com os mais velhos a aproveitarem as capacidades dos mais novos e assim aprenderem com eles.
- RODRIGUES, Filipa

- SILVA, Lídia Oliveira

Filipa Rodrigues, é Licenciada em Comunicação Social pela Escola Superior de Educação de Viseu (2007) e Mestre em Comunicação Multimédia pela Universidade de Aveiro (2011). Professora na Escola Superior de Educação de Viseu com a categoria de Assistente Convidada. Os seus interesses de investigação passam pelas implicações do uso dos novos media pelas diferentes gerações, mas pretende desenvolver o doutoramento na área da infografia associada ao jornalismo de ciencia e tecnologia.
Lídia J. Oliveira L. Silva é doutorada em Ciências e Tecnologias da Comunicação pela Universidade de Aveiro (2002) onde é professora auxiliar com agregação. Investigadora do CETAC.MEDIA – Centro de Estudos das Tecnologias e Ciências da Comunicação (http://www.cetacmedia.org/) dedica-se a investigar as implicações das tecnologias da informação e da comunicação em rede nas rotinas cognitivas e sociais dos indivíduos, dos grupos e das organizações, estando a sua investigação situada nos estudos de Cibercultura.
PAP0116 - Avaliação de competências de literacia mediática: O que medir, como medir e com que instrumentos?
A literacia mediática constitui um tema
emergente de investigação sociológica em
Portugal. O interesse por este domínio tem
crescido nos últimos anos mas a pesquisa
empírica é ainda manifestamente insuficiente.
A avaliação da literacia mediática dos
cidadãos tem assentado em referenciais teórico-
empíricos quantitativos-extensivos e tem
visado mais “práticas” do que “competências”.
A avaliação de competências de literacia
mediática está ainda, a nível internacional,
numa fase embrionária, exploratória.
Esta comunicação apresenta um instrumento
metodológico original de avaliação directa de
competências deste tipo: uma Prova de
Literacia Mediática (e o seu respectivo
framework). A operacionalização deste
instrumento de medida – concebido e aplicado
em “Literacia Mediática e Cidadania”, trabalho
de investigação actualmente em curso no âmbito
do Programa de Doutoramento em Sociologia do
ISCTE-IUL, com o apoio da FCT, que indaga
acerca da relação específica entre
competências de literacia mediática e práticas
de cidadania –, traduz um dilatado esforço
teórico reflexivo, um cruzamento de saberes
que invoca a tradição empírica dos grandes
estudos extensivos de literacia (como, por
exemplo, o ENL, o IALS, o ALL ou o PIAAC) e a
investigação mais ou menos recente no domínio
da literacia mediática, tanto na área
científica da Sociologia como na das Ciências
da Comunicação (Quin e McMahon, 1991, 1995;
Potter, 2001, 2004; Hobbs e Frost, 2003; Arke,
2005; Mihailidis, 2008; Arke e Primark, 2009).
Nesta comunicação revela-se o mapa conceptual
da prova de literacia mediática, as dimensões
e os domínios operacionais de processamento da
informação, e os critérios que sustentam a
medição de competências de literacia mediática.
- LOPES, Paula Cristina

Paula Cristina Lopes (n. 06.12.1967, Lisboa). Investigadora no Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES-IUL) do ISCTE-IUL. Bolseira de Doutoramento da Fundação para a Ciência e Tecnologia (desde 2010). Professora de Jornalismo na Universidade Autónoma de Lisboa (desde 1996).
Licenciada e mestre em Ciências da Comunicação.
Interesses de investigação: Sociologia da Comunicação; Sociologia da Educação. Ciências da Comunicação.
PAP1558 - Crise, novo paradigma, o próximo jornalismo e arbitragem da ética
A emergência dos novos média e o crescente empoderamento das audiências puseram em causa a agenda comunicacional e informativa unilateral e centralizada, prevalecente ao longo do século passado. A crise financeira de 2008 acelerou o fim do modelo industrial em que assentara a prosperidade do sistema de imprensa.
Gurus do novo jornalismo matraqueiam a ideia de que users can do it for themselves e que uma onda sísmica digital submerge os modelos jornalísticos tradicionais (Starkman, 2011e 2012).
A partir duma reflexão crítica sobre o estado dos média à luz do ComitteeofConcernedJournalists e da respectiva réplica portuguesa, o Projecto Jornalismo e Sociedade, o autor problematiza tentativas de conciliar, no próximo jornalismo, a dominante digital, nas suas diferentes declinações, com um núcleo de regras e padrões éticos e profissionais do velho jornalismo (Rosen, 2006 e 2012; Kovach e Rosenstiel, 2007 [2001] e 2010, e Beckett, 2008).
- GOMES, Adelino

Adelino Gomes
Investigador no CIES-IUL e docente no mestrado Comunicação, Cultura e Novas Tecnologias, do ISCTE-IUL
Doutorado em Sociologia (especialidade em Sociologia da Comunicação, da Cultura e da Educação).
Interesses de investigação: Sociologia da Comunicação e Jornalismo.
Integrou a equipa, coordenada por José Rebelo, que procedeu à Análise Sociológica do Jornalista Português (na origem do livro Ser Jornalista em Portugal. Perfis sociológicos). A investigação alarga-se actualmente ao perfil das Novas Gerações de Jornalistas, num trabalho que conta agora também com os sociólogos José Luís Garcia e Rui Brites. Integra ainda a equipa coordenada por Gustavo Cardoso, do Projecto Jornalismo e Sociedade.
PAP0194 - Dos velhos aos “novos” protagonistas dos “espaços de opinião” nos media portugueses: quando o humor se torna um recurso argumentativo na análise política
O subcampo que substancia e dá visibilidade à
actividade de tornar pública a opinião - lugar
de intersecção entre o campo político e o
jornalístico – é um “espaço” protagonizado
pelos actores tradicionais. Da caracterização
destes e da “conceptualização” desta
actividade, das percepções dos colunistas
sobre a política nacional (publicadas em
jornais de “referência portugueses”)e da
receptividade que obtêm junto dos leitores,
nos ocupámos anteriormente (tese de
doutoramento apresentada em 2009, ISCTE-IUL).
Para a presente comunicação, propomo-nos
retomar brevemente algumas questões e
resultados que daqui emergiram, mas também
prestar, agora, atenção a outros protagonistas
de reconhecida notoriedade mediática, a
outros “conteúdos” com considerável impacto
nas “audiências” (entendidas aqui em sentido
lato).
Importará partir da ideia de que na
actualidade se observa não só uma sob
representação de áreas como a economia, alguns
indícios de “afunilamento ideológico”, como
assume cada vez mais destaque um pequeno grupo
de colunistas ligado à cultura (escritores,
poetas ou jornalistas relacionados com
actividades culturais). Os seus textos,
publicados nos jornais ou servindo de base a
intervenções em programas televisivos e
radiofónicas, têm características
particulares. Realçam-se duas: estão presentes
nos “ media de referência” – os que estão mais
direccionados para a informação e análise
política; nos seus comentários recorrem ao
humor e à ironia enquanto “ recurso
argumentativo “ - um misto de informação e
diversão, um certo modo de infotainment -
informando e analisando a actualidade
política, combinam o registo interpretativo
com o humor. Obedecendo a estas
características, em Portugal identificamos
quatro projectos jornalísticos em cujos
conteúdos encontramos a “assinatura” destes
espaços.
Assim, partindo das concepções e perspectivas
teóricas que já accionámos para interpretar
a “opinião publicada”, bem como dos resultados
da pesquisa empírica então efectuada, propomo-
nos agora também iniciar a exploração de uma
nova abordagem que, por um lado, contemple
protagonistas que ainda não tínhamos
suficientemente considerado; e, por outro,
aprofunde as questões das identidades
profissionais na actividade de tornar pública
a opinião. Em tempos de crise, estará também
este subcampo em reconfiguração?
- BARRIGA, Antónia do Carmo

Antónia do Carmo Barriga é Licenciada em Sociologia, Mestre em Comunicação, Cultura e Tecnologias da Informação, e Doutora em Sociologia pelo ISCTE_IUL. Foi docente no Ensino Profissional, tendo aí desempenhado cargos directivos. Leccionou no Instituto Superior de Serviço Social. Atualmente é Professora Auxiliar convidada na Universidade da Beira Interior. É investigadora no CIES-IUL e colaboradora no CICS-UM. Interessa-se pelo estudo das interações entre o campo político e o campo dos media. Tem investigado a "opinião publicada" nos media tradicionais. Mais recentemente, tem-se interessado também pelos "novos media" e pelo seu papel na participação política".
PAP1184 - Empreendedorismo social e mediação: articulações e complementaridades na criação de mudança social
A comunicação agora proposta trata-se da apresentação dos resultados preliminares de uma tese de mestrado em Intervenção Social, Inovação e Empreendedorismo. Procurar-se-á promover uma discussão entre empreendedorismo social e mediação, analisando-se o modo como estes dois paradigmas se articulam e complementam entre si.
A sociedade contemporânea é marcada por uma complexidade crescente, onde os conflitos surgem revestidos de múltiplas formas, com níveis variados, envolvendo actores diversos. Em paralelo, deparamo-nos com alguma ineficácia ao nível das respostas tradicionais, que se demonstram falíveis. A emergência de realidades sociais complexas exige respostas criativas e inovadoras, nomeadamente a criação de mecanismos de mediação, capazes de promover o (re)estabelecimento e, ou a (re)configuração de laços sociais. A mediação assume-se, neste contexto, como um meio estruturado para promover a coesão social, capaz de promover o diálogo e a participação dos intervenientes.
Por outro lado, como forma de dar resposta a um conjunto de problemas diagnosticados têm surgido algumas iniciativas de intervenção social, que se assumem como uma forma de regulação partilhada entre o Estado, a sociedade civil e o próprio mercado. Grande parte destas iniciativas de intervenção híbrida são exemplos vivos daquilo que podemos designar por empreendedorismo social, na medida em que, com uma abordagem de proximidade inovadora, conseguem dar respostas sustentáveis para determinados problemas sociais, promovendo ainda o empowerment individual e colectivo dos cidadãos por eles abrangidos.
As iniciativas de empreendedorismo social e mediação social surgem em contextos de conflito. Ambos os modelos de intervenção, através de uma abordagem inovadora e participativa, procuram alcançar respostas sustentáveis para os problemas ou necessidades diagnosticadas. No seu modo de actuação, quer o empreendedorismo, quer a mediação, têm em comum o objectivo de alcançarem mudança social.
Defendemos que, para se alcançarem mudanças sociais efectivas, na prossecução de iniciativas de empreendedorismo social, os intervenientes no seu modo de agir assumem os princípios da mediação. Defendemos igualmente que as iniciativas de mediação social, ao transformarem os conflitos em momentos de aprendizagem social e ao converterem os problemas sociais em oportunidades, se assumem como exemplos de empreendedorismo social. Com base na investigação empírica em curso, procurar-se-á fundamentar cada uma destas hipóteses de trabalho.
- CARDOSO, Pedro

- ALMEIDA, Helena Neves

Pedro Cardoso é licenciado em Sociologia e pós graduado em Gerir Projetos em Parceria pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Atualmente frequenta o mestrado em Intervenção Social, Inovação e Empreendedorismo pela Faculdade de Economia e pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. A sua tese de mestrado procura discutir a relação entre mediação e empreendedorismo social. É membro da ISFEUC - Incubadora Social da Universidade de Coimbra. Em termos profissionais, tem colaborado com algumas organizações do terceiro setor, nas áreas do planeamento, gestão e avaliação de projetos. É co-autor de um programa de cultura de mediação em contexto escolar. Presentemente exerce as funções de coordenador de um projeto de intervenção social.
Helena Neves Almeida é professora convidada da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC). Licenciada em Serviço Social, mestre em Psicologia é doutorada em Trabalho Social, com tese em “Mediação Social”, pela Faculdade de Letras da Universidade de Fribourg (Suiça). Professora do ensino superior desde 1976, leciona atualmente na licenciatura em Serviço Social e no mestrado em Intervenção Social, Inovação e Empreendedorismo. Tem várias publicações na área da Intervenção Social, Mediação e Serviço Social, em revistas nacionais e estrangeiras, bem como livros e colaborações em obras coletivas. É investigadora do Instituto de Psicologia Cognitiva, do Desenvolvimento e Vocação Social (IPCDVS) da Universidade de Coimbra e consultora sénior em Serviço Social e Mediação do Observatório da Cidadania e Intervenção Social (OCIS) da FPCEUC, no âmbito do Projeto Europeu “Advisory Bureau of Social andCommunityMediation”.
PAP1456 - Entre o estigma e a afirmação positiva: os territórios educativos como espaços de mediação sociopedagógica
O aumento da diversidade de públicos na escola portuguesa tem originado políticas de discriminação positiva que investem na luta contra a indiferença à diversidade sociocultural, e num ensino centrado na organização e gestão de situações diferenciadas e interactivas de aprendizagem que contemple a educação social na própria escola. Temos, assim, vindo a assistir à criação de pedagogias que conjugam políticas de discriminação positiva e sua aplicação num território específico. A territorialização das políticas públicas visa colmatar necessidades específicas tendo em conta as características de determinado território, contando, para tal, com a participação da população territorializada, buscando a articulação entre o Estado e o Local. Estas práticas implicam alterações profundas nas formas de trabalhar dos professores e dos novos actores sociais na escola.
Num Territórios Educativos de Intervenção Prioritária (TEIP) e num Gabinete de Apoio ao Aluno e à Família (GAAF), de que aqui daremos conta, tem-se optado por dotar os agrupamentos escolares com equipas de profissionais sociais (educadores sociais, técnicos de serviço social, mediadores, outros trabalhadores sociais…) que, em conjunto com os professores, respondam à multiplicidade de solicitações e responsabilidades que são pedidos à escola actualmente.
Os principais objectivos desta comunicação são dar conta de um trabalho de natureza etnográfica feito num TEIP e num GAAF para construir projectos educativos inclusivos e significativos para todos os alunos. Nos dois territórios educativos que apresentaremos, situados na região de Leiria, há um estigma associado à maioria dos alunos que os frequentam e a educação social e mediação sociopedagógica pretende pôr em diálogo a cultura da escola com a cultura dos bairros donde provêm os alunos.
Através de narrativas dos actores sociais destes agrupamentos escolares, discutir-se-ão as vantagens e desvantagens desta mediação sociopedagógica e seus efeitos perversos que têm levado à coisificação dos territórios e dos alunos que os habitam.
Dar-se-á ainda conta da interacção, complementaridade e tensões várias nestes processos de mediação que são alguns dos temperos que constroem as representações sociais destes territórios.
- VIEIRA, Ana

- VIEIRA, Ricardo

Ana Vieira é Assistente Convidada do Instituto Politécnico de Leiria e investigadora do CIID-IPL. Foi professora no ensino básico durante 20 anos. É doutorada em Ciências da Educação, na área da educação social e mediação sociopedagógica. A sua investigação incide sobre mediação sociocultural, área onde tem publicado em revistas nacionais e estrangeiras e onde tem desenvolvido comunicações que tem apresentado em congressos nacionais e internacionais.
Ricardo Vieira, antropólogo e sociólogo, é Professor Coordenador Principal da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Instituto Politécnico de Leiria e investigador do CIID-IPL. Concluiu a sua Agregação em 2006. A sua investigação tem incidido sobre multiculturalidade e educação intercultural; histórias de vida e identidades; identidades pessoais e profissionais; identidades e velhices; mediação intercultural; educação e serviço social. No ano de 2000 foi galardoado com o prémio Rui Grácio, prémio para a melhor investigação em Portugal no domínio das Ciências da Educação. É autor e co-autor de uma dúzia de livros e de dezenas de artigos publicados em revistas nacionais e estrangeiras.
PAP0888 - Estilo de vida e apropriação social em cidades intermediárias
Tendo como referência a noção sociológica de espaço, cotejada das pesquisas de Jean Remy na Universidade de Lovaina (Bélgica), este trabalho discute estilo de vida, modos de apropriação e formas de espacializações em “cidades intermediárias”. Procura estabelecer uma comparação da noção que se tem do conceito intermédiarie, tanto em Portugal como no Brasil, considerando seu aspecto primordialmente interpretativo (Gault, 1989). No entanto, ao estudar espacializações do social, tendo como referência a noção de “cidade intermediária”, nossa análise assimila uma situação concreta, como propõe Jean Remy (1992) – juntamente com Liliane Voyé –, quando desenvolve sua interpretação de espaço e de transacção social. A cidade é, por excelência, o lugar onde indivíduos vários, embora permanecendo distintos uns dos outros, encontram entre si possibilidades múltiplas de coexistência e de trocas mediante a partilha legítima de uma “unidade social”. O espaço surge como lugar de convergência onde se detecta facilmente a presença de atores diferentes, que participam na vida cotidiana da transacção social. Na cidade, as configurações dos espaços sociais são ambíguas, onde a construção de um estilo de vida moderno, no contexto binário rural/urbano, caracteriza-se pelo hibridismo cultural – refratário e acessível, concomitante, ao que ainda é considerado “local” e “estrangeiro”, “tradicional” e “moderno”, paradoxalmente. Em meio a contrastes e similaridades, no dia a dia a estética da cidade suscita formas “tradicionais” e “modernas” de vida social, cuja visibilidade pública se reproduz nos estilos de habitação e ocupação dos espaços urbanos. Como “situação concreta”, a referência empírica é uma cidade brasileira que consideramos “intermediária”, Montes Claros, a maior aglomeração urbana de Minas Gerais localizada na interseção Sudeste/Nordeste do país, onde se verifica intensa mobilidade espacial, difusa e generalizada. Concomitante, identificamos alguns estudos realizados em Portugal que aplicam o conceito de “cidade intermediária”, formulado por Michel Gault. O nosso interesse é discutir a pertinência prática do conceito – apesar de contextos diferenciados de cada cidade – por considerar que a expansão urbana atinge proporções históricas e universais. Entende-se que o estudo do fenômeno urbano, suas dinâmicas sócio-culturais e mobilidades passam pela construção de um paradigma sociológico que extrapole a visão funcionalista do “urbanismo”, cuja interpretação de urbanização e posições intermédias das cidades é definido como processo que integra a mobilidade/fluxo regional, não apenas de pessoas e de bens, mas também de mensagens e de idéias na vida cotidiana.
- CARDOSO, Antonio Dimas

CARDOSO, Antônio Dimas
É bacharel e especialista em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Montes Claros – UNIMONTES (Brasil), mestre e doutor em Sociologia, com tese sobre ação coletiva e arranjos corporativos, no Centro de Pós-Graduação sobre as Américas, na Universidade de Brasília (UnB/Brasil). Atualmente, está realizando projeto de pós-doutoramento na Universidade Nova de Lisboa/UNL, Portugal, com investigação sobre "Modos de Apropriação de Espaço", no estudo da Sociologia de Jean Rémy. É professor efetivo da Universidade Estadual de Montes Claros (Brasil), na Graduação em Ciências Sociais, onde ministra cursos de Sociologia Urbana, e no Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Social. Possui experiência como sociólogo em Administração Pública, com atuação em projetos de geração de trabalho e renda e apoio às atividades produtivas, além de atuar como gestor público em planejamento de cidade média no Brasil, implementando programas de governança democrática.
PAP0694 - Futebol, Racismo e Eurocentrismo: Os media portugueses e o mundial na África do Sul
O debate teórico em torno do fenómeno do futebol tem envolvido investigadores de diferentes áreas. A persistência e continuidade dos actos violentos nos jogos de futebol atraiu a atenção inicial dos autores que se centraram, quase exclusivamente, na questão da violência no contexto britânico.
A partir da última década do século XX, os estudos estendem-se a outras realidades empíricas com a publicação dos primeiros trabalhos sobre as culturas de adeptos na Europa do Sul. Num plano secundário, surgiram, simultaneamente, diversas investigações que procuraram abordar a questão do racismo e dos movimentos anti-racistas no contexto do futebol.
Porém, este tipo de análise evidencia alguns limites críticos que impedem o avanço do debate teórico. De um modo geral, as manifestações racistas no contexto do futebol têm sido atribuídas a grupos de extrema-direita que, de uma forma mais ou menos organizada, veriam nos estádios uma arena privilegiada para expressar as suas ideologias. Numa tentativa de combater este tipo de manifestações - comummente atribuídas a ‘marginais’ e ‘extremistas’ - inúmeras iniciativas de ‘combate ao racismo’ têm sido desenvolvidas, em diversos países europeus, abrangendo diferentes actores. No entanto, simultaneamente, de uma forma mais ou menos subtil, as visões eurocêntricas e racistas são constantemente difundidas pelos organismos que tutelam o futebol, pelos media, pelos dirigentes e pelos adeptos.
Esta comunicação tem como objectivo analisar de que forma é que o futebol constitui um poderoso veículo de produção e perpetuação de perspectivas eurocêntricas e racistas, presentes nos discursos e nas práticas dos diversos actores, nomeadamente, nos media.
Partindo da análise das publicações dos media portugueses a propósito do campeonato mundial realizado na África do Sul, pretende-se mostrar que o futebol constitui não só uma metáfora da sociedade, como também produz, reproduz e reifica determinados valores e normas sociais contribuindo assim para uma naturalização das identidades culturais. Tendo sido o primeiro evento do género realizado no continente africano, desde cedo se assistiu a um discurso marcadamente eurocêntrico, que iria, ainda que no plano futebolístico, pôr em confronto a ‘modernidade’ e o ‘tradicional’, a ‘razão’ e a ‘magia’, ganhando assim uma nova visibilidade um discurso altamente enraizado na herança colonial. Este trabalho pretende contribuir para um alargamento do debate teórico nos estudos sobre futebol e sociedade que, de um modo geral, têm abordado a questão do racismo meramente sob uma perspectiva durkheimiana, isto é, como um mero reflexo ou espelho das relações sociais ou sob uma perspectiva historicista, assente na ideia de que o racismo é um fenómeno marginal e residual nas sociedades europeias e, consequentemente, nos estádios de futebol.
- ALMEIDA, Pedro Sousa de

Pedro Sousa de Almeida é licenciado em Antropologia pela Universidade de Coimbra. Realizou o Mestrado, na área da Sociologia, no Instituto Superior Miguel Torga de Coimbra onde exerceu, entre 2002 e 2010, funções de docência. Actualmente frequenta o programa de doutoramento em ‘Democracia no Século XXI’, do Centro de Estudos Sociais. Privilegiando o futebol como via de acesso ao estudo da própria sociedade, o seu trabalho de investigação tem-se centrado na abordagem crítica do fenómeno do racismo e eurocentrismo nas sociedades contemporâneas, nas inter-relações entre futebol e neoliberalismo e no papel do futebol em contextos pós-conflito.
Violência e Euro 2004: a centralidade do futebol na cultura popular, publicado pelas edições Colibri, em 2006, constitui a sua principal publicação.
PAP0494 - Interrogações sobre a natureza do poder dos media noticiosos
GT Comunicação Social
O que se propõe nesta comunicação é uma reflexão sobre os contornos do poder dos jornalistas e dos media noticiosos, revisitando teorias da comunicação que se cruzam com a sociologia dos media e tendo em conta a centralidade do seu papel na vida pública e o questionamento da sua legitimidade.
Únicos actores da vida pública a recolherem a sua legitimidade apenas no espaço público, na leitura de Missika e Wolton (1983), os jornalistas teriam uma legitimidade fundamentada “na recolha e tratamento da informação” e seriam como que “guardiões” do espaço público. Mas poder dos jornalistas e poder dos media noticiosos não devem confundir-se. Glorificados, uns e outros, mas também eles objecto de escrutínio permanente, o seu trabalho é exercido em quadros de constrangimentos que nos propomos identificar.
Para além de balizar os termos em que é exercida a actividade dos media noticiosos, enquanto dispositivos de produção do jornalismo; e de convocar distintos entendimentos do conceito de “opinião pública”; propõe-se um questionamento da natureza do poder mediático. Se em regimes autoritários o espaço para os media serem outra coisa que não instrumento de propaganda será nulo ou inexistente, distintos autores realçam a importância do seu papel nas democracias.
Quarto poder? Contrapoder? Instrumento de exercício de poderes e controlo social? Poder delegado por outros campos, exercido num quadro de constrangimentos? As questões sobre os media noticiosos, que pelo seu papel na vida pública podem ser encarados como actores políticos, multiplicam-se.
- ROCHA, João Manuel

João Manuel Rocha é estudante de doutoramento em Ciências da Comunicação no ISCTE-IUL, onde prepara uma tese sobre narrativas jornalísticas na guerra colonial. Licenciado em Comunicação Social pela Universidade Nova de Lisboa, é pós-graduado em Jornalismo e mestre em Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação pelo ISCTE. Membro do Centro de Investigação Media e Jornalismo (CIMJ), interessa-se pela sociologia e história do jornalismo e pelas relações entre media e poderes. Publicou o livro "Quando Timor-Leste foi uma causa" (MinervaCoimbra, 2011). É jornalista profissional desde 1984.
PAP0539 - Jornalistas e Consultores de Comunicação Estratégica - Reconfiguração, precisa-se
GT Comunicação Social
A democraticidade do ato de comunicar/informar, através de um progressivo número de suportes, redes e plataformas, para públicos cada vez mais diversificados e em contextos de grande transformação social, exige o surgimento do Novo Comunicador/Jornalista.
Enquadre-se este na atividade jornalística formal, ou na consultoria de comunicação estratégica, junto das fontes.
As novas tecnologias de informação, as redes sociais, os novos canais posicionaram o jornalista-cidadão lado a lado com o cidadão-jornalista.
A visão utópica da isenção jornalística recolocou a autocensura no seio dos profissionais, enquanto a opinião pública ignora a existência condicionante do gatekeeping, nas plataformas mais modernas, “em favor dos mais fortes”.
A profunda alteração necessária ao exercício dos novos comunicadores passa também pela Escola, sob pena de os jovens profissionais, recém-formados, qualquer que seja a dimensão em que se situem, não percecionarem, em tempo útil, que os mercados mudaram.
Os meios de comunicação social tradicionais estão em plano descendente e existe uma nova realidade a que têm de se adaptar.
Na reorganização da atividade comunicacional, dos novos meios e dos seus agentes/atores, há um novo papel para o Gestor/Consultor de Comunicação Estratégica e para o Jornalista, ainda não interiorizado.
Em tempo de mudança, reconfiguração, precisa-se.
- ESTEVES, Álvaro

Álvaro Batista Esteves
Doutorando/Ciências da Comunicação/ISCTE-IUL.
Antigo jornalista profissional (1974-88); chefe dos Serviços de Comunicação Social (1988-89); sócio e director geral da agência Média Alta - Comunicação (1989-2012).
Antigo vogal do Conselho Fiscalização da EPNC-Emp. Pública Jornais Notícias e Capital (1979-88); antigo membro da Direção do Sindicato dos Jornalistas; ex-membro e presidente da APECOM-Assoc. Port. Empresas Conselho em Comunicação e Relações Públicas (1996-2002); ex-presidente do Conselho Consultivo e coordenador Comissão do Código de Conduta da APCE-Assoc. Port. Comunicação de Empresa. Membro da Comissão Organizadora do Congresso Port. Relações Públicas (out.2012).
PAP0119 - Literacia mediática: Novas competências para infoadictos
Nas culturas multimediáticas típicas da contemporaneidade, a propagação global e extremamente intensa de informação, em particular via digital e em rede, parece estar a potenciar o nascimento de uma geração de infoadictos. A multiplicação de (novos) meios multiplataforma e a correspondente multiplicação de “utilizadores-participantes” (Silverstone) e dos seus conteúdos/mensagens traduz-se na emergência de um novo paradigma sociocomunicacional de grande complexidade. Novas competências interpretativas, críticas e comunicativas são requeridas na sociedade da informação, na sociedade do “tempo-espaço comprimido” (Harvey), e essas competências são, em rigor, competências de literacia mediática.
Esta comunicação – versão abreviada de um dos capítulos de “Literacia Mediática e Cidadania”, trabalho de investigação actualmente em curso no âmbito do Programa de Doutoramento em Sociologia do ISCTE-IUL, com apoio da FCT, que indaga acerca da relação específica entre competências de literacia mediática e práticas de cidadania – reflecte, por um lado, sobre a centralidade da literacia mediática nas sociedades contemporâneas [evidenciada, de forma mais ou menos explícita, desde a “Declaração de Grünwald sobre a Educação para os Media” (1982)], e, por outro, sobre a pesquisa empírica que tem sido desenvolvida neste domínio de investigação científica (na verdade, ainda manifestamente insuficiente), colocando a tónica numa muito adequada distinção entre avaliação de práticas e avaliação de competências de literacia mediática, reflexão que obriga à identificação rigorosa dos principais estudos e investigadores, tanto a nível nacional como internacional.
- LOPES, Paula Cristina

Paula Cristina Lopes (n. 06.12.1967, Lisboa). Investigadora no Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES-IUL) do ISCTE-IUL. Bolseira de Doutoramento da Fundação para a Ciência e Tecnologia (desde 2010). Professora de Jornalismo na Universidade Autónoma de Lisboa (desde 1996).
Licenciada e mestre em Ciências da Comunicação.
Interesses de investigação: Sociologia da Comunicação; Sociologia da Educação. Ciências da Comunicação.
PAP0860 - O trabalho de mediação cultural em Portugal: alguns contextos e os seus figurinos organizacionais
O aumento da programação de actividades
pedagógicas para os públicos de museus,
teatros e outros espaços culturais constitui
uma das principais mudanças que marcam o
sector cultural e artístico, em Portugal, nas
últimas duas décadas. Possuindo um historial
mais antigo nos museus, este tipo de
intervenção tem vindo a intensificar-se num
número crescente de instituições e de
iniciativas.
A prática da mediação cultural não é uma
realidade homogénea, verificando-se a
existência de percursos profissionais diversos
e de diferentes modelos organizacionais nas
instituições/contextos que promovem e acolhem
actividades de mediação cultural.
Esta comunicação foca algumas iniciativas de
divulgação cultural e criação de novos
públicos – nas áreas das artes visuais, música
e livro e leitura –, dando destaque aos
formatos organizacionais que, nos diversos
contextos, estruturam o seu funcionamento. Na
área das artes visuais, são abordados os
Serviços educativos do Centro de Arte Moderna
José de Azeredo Perdigão da Fundação Calouste
Gulbenkian, em funcionamento desde 2002, e da
Área de Exposições do Centro Cultural de
Belém, com actividades pedagógicas desde 1998.
No domínio da música analisam-se duas
iniciativas de divulgação musical, com
diferente longevidade: i) Música em Diálogo,
orientada pelo maestro José Atalaya desde os
anos 80 do século XX; ii) Descobrir. Programa
Gulbenkian Educação para a Cultura, iniciativa
da Fundação Calouste Gulbenkian, e em especial
a intervenção pedagógica do Serviço da Música,
intensificada desde 2005. Na área do livro e
da leitura, consideram-se dois projectos de
promoção e o incentivo do gosto pela leitura e
pela escrita, ambos lançados em 1997: i)
Programa de Acções de Promoção da
Leitura/Itinerâncias, promovido pela tutela da
cultura; ii) Artes na Escola, projecto
coordenado pelo Ministério da Educação.
A análise conjunta destas diferentes
iniciativas e contextos evidencia traços
comuns – desde logo, no que se refere aos
figurinos organizacionais mas também no que
respeita ao crescente investimento das
políticas do sector público e do terceiro
sector em iniciativas tendo por objectivo
disseminar o conhecimento da cultura e das
artes. E identifica características mais
distintivas – como a centralidade que a figura
do divulgador cultural pode assumir na
dinamização de um projecto, reconfigurando-o
de acordo com as transformações que vão
ocorrendo no sector cultural.
- MARTINHO, Teresa Duarte

Teresa Duarte Martinho é socióloga e completou o doutoramento em Sociologia em 2011 no ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL). É licenciada em Sociologia (1990) pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE). É mestre em Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação (2000), pelo ISCTE, e em Estudos Curatoriais (2006), pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa (FBAUL).
Actualmente, é investigadora de pós-doutoramento no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL) (http://www.ics.ul.pt). Desde 1996, participou em diversos projectos de investigação no Observatório das Actividades Culturais (OAC) (http://www.oac.pt) entidade fundada em 1996 por: Ministério da Cultura, Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e Instituto Nacional de Estatística (INE). Interesses de investigação: profissões e ocupações culturais e artísticas; políticas culturais; processos de mediação da arte e da ciência: práticas, actores e trajectórias.
PAP0191 - O turismo como via de engrandecimento para as cidades: Dilemas e estratégias de desenvolvimento de quatro cidades médias da Península Ibérica
Os discursos que vêm
sendo produzidos
sobre as cidades no
mundo ocidental
tenderam a perpetuar
a ideia de que as
cidades deveriam ser
coisas grandes,
independentemente de
serem
extraordinárias ou
terríveis na sua
grandeza. A
literatura produzida
pela sociologia
urbana concedeu
desde cedo primazia
a determinadas
geografias centrais
e privilegiadas do
ponto de vista
socioeconómico – a
grandes cidades
encaradas pelos
teóricos como os
casos mais
tipicamente urbanos
e, por isso, mais
representativos das
cidades de todo o
mundo. A assunção
desta possibilidade
de generalização a
outros contextos
implicou, por seu
turno, um
esquecimento
razoável das cidades
de pequena e média
dimensão. Nesta
comunicação
pretende-se,
justamente, discutir
um conjunto de
interrogações
teóricas sobre as
cidades que não são
grandes e as várias
formas como tais
conceptualizações
são diversamente
percetíveis nas
realidades físicas e
simbólicas destas
cidades.
Partindo de
investigação em
curso acerca do
papel do turismo na
(re)construção das
paisagens, das
imagens e da
identidade cultural
das cidades,
equaciono a pequenez
de tamanho por
comparação ao
engrandecimento que
algumas cidades
perseguem. Faço-o
por referência a uma
atividade específica
– o turismo – nas
suas componentes
económica, cultural
e simbólica, e com
recurso a situações
exemplares dos
contextos urbanos
português e espanhol
– onde, a uma escala
comparativa global,
existem sobretudo
pequenos aglomerados
urbanos.
Centrando a atenção
em cidades que estão
geralmente ausentes
da literatura
globalizada dos
estudos urbanos, e
considerando a
componente turística
de cada uma, discuto
os modos como
(re)inventam,
justificam ou
perseguem formas de
grandeza ou
pequenez. Defendendo
a hipótese de que o
turismo permite às
cidades alcançar uma
influência que
supera o seu tamanho
geográfico,
considero alguns
materiais de
promoção turística
que, descrevendo
cidades idealizadas
e apresentando-as de
forma atrativa, as
inscrevem em espaços
mais vastos,
enunciando formas de
engrandecimento e
valorização que as
colocam para além da
sua dimensão física
e material mais
imediata.
Procura-se assim
problematizar o
estatuto, as funções
e as possibilidades
que o fenómeno
turístico encerra em
cidades pequenas –
cidades que entre a
grandeza cosmopolita
das metrópoles e a
proximidade ao rural
mais localista,
enfrentam
constantemente
desafios e dilemas
entre a
possibilidade de
crescimento e a
conservação da sua
pequenez.
- GOMES, Carina Sousa

Carina Sousa Gomes
Investigadora do Centro de Estudos Sociais, integra o Núcleo de Estudos sobre Cidades, Culturas e Arquitetura. É licenciada em Sociologia, pela Universidade de Coimbra e mestre em Sociologia pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. É doutoranda em Sociologia, no programa "Cidades e Culturas Urbanas", da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Os seus interesses atuais de investigação centram-se nas questões das cidades e seus centros históricos, turismo, imaginários turísticos urbanos, património e culturas urbanas.
PAP1288 - Relevância da mediação escolar na actualidade em Portugal: Uma reflexão
No meio escolar os actores sociais são confrontados, não raras vezes, com a necessidade de terem de lidar com desejos, interesses, preferências e valores distintos dos seus e podem ver-se implicados em problemas e conflitos que exigem respostas eficazes na forma como são enfrentados.
O papel dos conflitos interpessoais na escola (organização assente numa profunda rede de relações de interdependência afectiva, social e profissional) constitui um repto para responder à necessidade de conhecer a realidade suscitada pelos mesmos, tanto por parte dos investigadores como dos docentes e outros profissionais que se movem no universo escolar, nomeadamente com o sentido de se preconizar as bases para o desenvolvimento de recursos psicossociais de uma cultura de paz em tão relevante organização social.
O desenvolvimento de competências de gestão construtiva de conflitos na escola é, pois de indiscutível actualidade, sendo que a mediação constitui uma metodologia de resolução de conflitos cada vez mais aplicável aos mais diversos tipos de conflitualidade escolar.
Assim, a presente comunicação, para além de pretender descrever o processo de mediação escolar e as suas principais fases, procura analisar e debater os papéis, competências e características de um mediador escolar, isto é, de um facilitador do relacionamento interpessoal quando este se vê ameaçado pelo espectro do conflito entre diferentes actores sociais. Reflectir-se-á igualmente sobre o desenvolvimento das condições organizacionais necessárias para a implementação de um programa de mediação na escola. Para finalizar, ressaltam-se as principais vantagens e limitações dos programa de mediação escolar na realidade actual do nosso país.
- CUNHA, Pedro

Pedro Cunha
Pós-Doutorado em Psicologia na USC, sob orientação dos Profs. Doutores Gonzalo Serrano (Espanha) e Jorge Correia Jesuíno (Portugal). Doutor em Psicologia pela USC (bolseiro da Fundação para a Ciência e Tecnologia), Licenciado em Psicologia e Mestre em Psicologia Clínica e da Saúde pela FEP da Universidade Católica e Licenciado em Sociologia pela Faculdade de Letras do Porto, possui Certificado de Mediador de Conflitos e Mediador Familiar.
Director da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Fernando Pessoa (2001-2004), na qual é Professor Associado com Agregação. Docente convidado da FEP – Faculdade de Economia e na EGP/Business School da Universidade do Porto. Os seus interesses de investigação direccionam-se prioritariamente para as áreas de gestão de conflitos, negociação e mediação.
PAP0667 - Ro-Hallyu: The influence of Korean wave in Romania
The “Koreean wave” is a cultural phenomenon specific to Asia and it refers to the impact of cultural products from Korea (music, movies, TV series) on that part of the world (Dator and Seo, 2004; Endo and Matsumoto, 2004; Seo, 2005). For the Romanian society the exposure at the K-drama and Koreean popular culture’s type of products is a very recent phenomenon that started in the summer of 2009 when the national television service broadcasted the first K-drama: “Jewelry of the Palace”. The “experiment” was a successful one, other twenty Korean “dramas” being broadcasted until present. The main reason for this editorial decision of the national television was the dramatic increase of this TV channel’s audience during the broadcasting of this type of cultural. At the same time, one of the Romanian TV musical channel (U-TV) started to weekly broadcast one hour of K-Pop music at the national level and the number of Romanian active K-Pop fan groups increased on the internet (there are around forty-five K-Pop fan-groups on-line active at present in Romania).
The present study analyses the reception of the Korean cultural products in Romania. We were interested on one hand to identify the underlying reasons that lead a part of the Romanian public to view this type of cultural products, and, on the other, to offer some tentative answers at the research questions.
The research questions of the study were:
1. What is the influence of the Korean popular culture products on the Romanians’ perceptions and representations about Asia culture and society?
2. What are the factors that explain the increasing popularity of this type of cultural products among Romanian audience?
In order to answer at the above-mentioned questions we used a set of twenty interviews with Romanian viewers of Korean TV series and a survey made on 250 K-Pop Romanian fans.
The results proved Liebes and Katz’s thesis about the cultural reasons underlying the media consumption in the case of Romanian audience (Katz, Liebes 1985: 188; Katz, Liebes 1986; Katz, Liebes 1988. Furthermore, the same set of data aimed at the “glocal” character of Korean cultural products
- MARINESCU, Valentina

Valentina Marinescu, PhD in Sociology, (Structural-functional transformation of the relation between media and society in Romania after 1990, University of Bucharest) is Associate professor at the University of Bucharest – Faculty of Sociology and Social Work. She teaches undergraduate and graduate courses in media and society, and methods of researching mass communication. Her interests lie in media and gender studies in Eastern Europe, particularly in Romania. She was a fellow of Universite de Montreal (Canada), University of British Columbia (Canada) and Academy of Korean Studies (South Korea). She has also published articles and book chapters on mass media, communication, gender and popular culture (Shade of Violence: The Media Role, Women’s Studies, International Forum, Elsevier; Challenges of the european information market and Romanian investigative journalism, in Alec Charles (ed.) “Media in the Enlarged Europe”, Intellect Publishers Inc. 2009; Communication and Women in Eastern Europe: Challenges in Reshaping the Democratic Sphere. in Leslie Regan Shade, Katharine Sarikakis (eds.), “Feminist International Communication Studies”, Rowman and Littlefield Publisers Inc. 2007)..
PAP0375 - Social media como ferramenta de comunicação para museus: Tendências e práticas actuais
A evolução da Internet e especialmente da Web, originou mudanças expressivas na forma como o indivíduo comunica. Os social media permitem que os indivíduos interajam de formas inovadoras e colaborativas, alterando a forma como estes se relacionam. Os museus não são indiferentes a esta mudança de paradigma comunicacional, estando cada vez mais a desenvolver esforços para se integrarem com ferramentas que permitem novas estratégias de comunicação que facultem o acesso de forma mais eficaz ao seu público. Os social media oferecem novas formas de colaboração, o que permite ao museu conhecer melhor o público, podendo ajustar-se na gestão, curadoria e comunicação, com a contribuição dessas novas ideias e visões. O desafio, para o museu, da utilização dessas ferramentas com base em estratégias de comunicação com o público adequadas, representa uma tarefa que se mostra complexa devido à inexistência de directrizes de aplicação e medição de resultados nos social media. A utilização de social media por parte dos museus necessita mais do que ferramentas digitais ou novas tecnologias, visto que pressupõe formas alternativas de comunicação museológica, substituindo a inércia pela interactividade, a observação pela geração de conteúdos e elitismo pela heterogeneidade de públicos que concebem novas visões e perspectivas. Para tal são utilizados, estruturadamente, variados sistemas online que permitem a interacção dos indivíduos e a criação de forma descentralizada, colaborativa e participativa de conteúdos. Desta forma, os museus têm diversas aplicações concebidas com base nos fundamentos tecnológicos e ideológicos da Web 2.0, que permitem a concepção, troca e partilha de conteúdos concebidos pelo utilizador. São exemplos das aplicações de social media: os blogues e microblogues, as redes sociais, wikis, media sharing services, social bookmarking, social tagging, RSS feeds, etc.
Concebe-se que os social media oferecem oportunidades significativas para as instituições museológicas se relacionarem com públicos diversos e heterogéneos, iniciando diálogos personalizados com o seu público com o objectivo de de aumentar o envolvimento deste com o museu promovendo a participação e a colaboração, e fornecendo informação mais direccionada para um público especifico podendo promover a utilização não só dos social media como a visita a outros canais de comunicação do museu e bem como a visita presencial ao museu.
- CARVALHO, Joana

- RAPOSO, Rui
Joana Carvalho, Professora do Instituto Superior de Tecnologias Avançadas. Doutoranda em Informação e Comunicação em Plataformas Digitais da Universidade de Aveiro e Faculdade de Letras da Universidade do Porto e licenciada em Engenharia Multimédia no ISTEC. Desenvolve atualmente trabalho de investigação em Social Media, Comunicação e Cibermuseologia, dedicando-se a construção da Tese de doutoramento com o título “A adopção de social media por museus como uma ferramenta de comunicação”.
PAP0486 - Tensões e equilíbrios na mediatização da justiça: As perspetivas dos atores
As relações entre os media e a justiça vêm sendo fonte recorrente de tensões e conflitos com reflexos legislativos, políticos e sociais, mas também com impactos para a cidadania. Com efeito, numa era em que a circulação da informação é efetuada cada vez mais rapidamente e através de mais canais, afigura-se pertinente lançar questões aos atores envolvidos nas relações entre a justiça e os media no intuito de compreender as suas perspetivas enquanto co-construtores daquelas relações, tanto do ponto de vista individual, como estrutural.
Com base numa tese de mestrado sobre esta temática, esta comunicação tem como objetivo principal lançar um olhar sobre as dinâmicas relacionais que se estabelecem no relacionamento mútuo entre os atores do sistema judicial e dos média. As auto e heterorepresentações poderão fornecer pistas relevantes para o modo como as ideologias e idiossincrasias profissionais influenciam a problemática das relações justiça/média.
As conclusões apontam para a configuração e manutenção de um ambiente algo dualista, marcado por aproximações e afastamentos, frequentemente influenciadas por experiências pessoais, mas também pelos constrangimentos profissionais de ambos os grupos. Embora sejam avançadas possíveis soluções com vista a uma normalização dos contactos entre a justiça e os media, estas são encaradas pelos atores com algum ceticismo quanto à sua exequibilidade e eficácia.
- SANTOS, Filipe José da Silva Cardoso

Filipe Santos é mestre em sociologia e doutorando em sociologia na Universidade do Minho. Foi investigador nos projetos “Justiça, Media e Cidadania” e “Base de dados de perfis de DNA com propósitos forenses em Portugal: questões atuais de âmbito ético, prático e político do Centro de estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Tem pesquisado na área dos estudos sociais da ciência, tecnologia e tribunais e estudos de comunicação na área da justiça, tendo recentemente editado, com Helena Machado, o livro Direito, Justiça e Média: Tópicos de Sociologia (Afrontamento, 2012).
PAP0131 - Utilização dos novos media por três gerações de meio rural: apresentação de resultados dos focus groups e diários
Será a utilização de novos media realizada de forma diferente dependendo das gerações, residentes em meio rural? Esta é a questão que serve de mote a uma investigação que pretende compreender que utilização os indivíduos nascidos nas décadas de 50, 70 e 90, e que se encontram inseridos no meio rural, fazem dos media, nomeadamente, da televisão, do computador e do telemóvel, os três ecrãs. Assim, e uma vez que estão em estudo três das principais tecnologias utilizadas no quotidiano, é importante compreender como se faz essa utilização nos diferentes contextos, como o/a trabalho/escola, o contexto familiar e de lazer.
Esta comunicação pretende apresentar os resultados da primeira etapa da investigação em desenvolvimento, enquadrada no Programa Doutoral Informação e Comunicação em Plataformas Digitais, sob o tema mais vasto “Gerações de ecrã em meio rural. As práticas de utilização dos novos media no quotidiano rural de três gerações.” O estudo inicia-se com a realização de focus groups a três gerações diferentes (nascidos nos anos 50, 70 e 90), colocando-as em interação monogeracional (três grupos com nove elementos de cada década), mas também multigeracional (um grupo com três elementos nascidos em cada década), com o objetivo essencial de compreender as mudanças históricas na utilização dos media, assim como as práticas dos dias de hoje, quer nas gerações mais novas, como nas mais velhas.
Como complemento à análise de conteúdo realizada a partir das discussões ocorridas nos focus groups, nos quais a posição é fruto da dinâmica discursiva e argumentativa desse grupo, pretende-se analisar uma perspetiva mais individual, através da solicitação aos participantes do focus group multigeracional do preenchimento de diários durante 15 dias, os quais se pretendem preenchidos com informações sobre o tipo de media que utilizam, quando (altura do dia e contexto – de lazer, laboral/escolar ou familiar), a duração da utilização, a finalidade e se o fazem sozinhos ou acompanhados e, neste caso, com quem. O preenchimento realiza-se em todos os dias da semana, incluindo os fins de semana para, dessa forma, se conseguir captar informações reativas a períodos que se consideram ter dinâmicas de trabalho/estudo, familiar e de lazer diferentes.
A aplicação dos focus group e dos diários será realizada em freguesias rurais de Ponte de Lima, interior Norte de Portugal, durante os meses de novembro e dezembro, sendo a sua análise realizada entre dezembro e janeiro.
- MELRO, Ana

- OLIVEIRA, Lídia

Ana Melro é aluna do doutoramento Informação e Comunicação em Plataformas Digitais, na
UA e na FLUP. Pertence ao CETAC.MEDIA e é bolseira de investigação na Escola de Engenharia,
da UM. É licenciada em Sociologia (2004) e mestre em Sociologia da Infância (2007), pela
Universidade do Minho, Braga. Os interesses de investigação são: a literacia e inclusão digital,
a utilização de ecrãs e as perspetivas socio-históricas da apropriação dos novos media.
Lídia Oliveira é Professora Auxiliar com Agregação da UA. Licenciada (1991) em Filosofia pela
UC, mestre (1995) em Educação Tecnológica pela UA, Valenciennes (França) e Mons (Bélgica) e
doutorada (2002) em Ciências e Tecnologias da Comunicação também pela UA. Os seus
interesses de investigação concentram-se na sociologia da comunicação, novos media,
ecologia dos media e cibercultura. Investigadora no CETAC.MEDIA e no CES.
PAP0572 - “Façam o Milagre!”. Poluição, media e protesto ambiental na bacia do Lis
No final da década de 80 a suinicultura portuguesa transformou-se para dar resposta à crescente procura de carne de porco. Seguindo uma tendência internacional, reforçou a especialização e concentração regional da produção e diminuiu de forma acentuada o número de explorações, o que significou o aumento do número de efectivos produzidos por unidade. Se, por um lado, o sector conquistou um papel de relevo no aumento do rendimento económico e na criação de emprego, por outro lado, a concentração de suiniculturas com elevado número de efectivos reflectiu-se na degradação dos recursos hídricos e na perda de qualidade de vida e bem-estar das populações. A esta tendência juntou-se o adiar de soluções quanto ao tratamento de esgotos domésticos, industriais e suinícolas, apesar do elevado investimento público realizado a partir de 1986 com financiamento de Fundos Comunitários. Como resultado, temos assistido ao agravamento da qualidade da água dos principais rios nacionais e ao eclodir de importantes conflitos ambientais. Pela sua amplitude e maior visibilidade, a poluição da bacia hidrográfica do rio Lis é elucidativa quanto à situação do país. Em poucos anos, a produção de suínos transformou-se numa das principais actividades económicas da região, ao concentrar cerca de 1/5 da produção nacional, por sua vez maioritariamente praticada no troço a montante de um dos seus principais afluentes – a Ribeira dos Milagres. A poluição hídrica daí resultante tem gerado enorme controvérsia pública entre movimentos de defesa do ambiente de base local e os suinicultores, razão para a persistência do tema nos meios de comunicação nacional e regional. A alimentar a controvérsia acrescem dificuldades sucessivas na implementação de infra-estruturas de despoluição e a inconsequência das acções de fiscalização. O nosso objectivo passa por apresentar, a partir dos registos noticiosos de dois jornais regionais – Região de Leiria e Jornal de Leira – os principais momentos do conflito ambiental, os seus protagonistas, os cursos de água mais mediatizados, os avanços e recuos do processo, assim como as diferenças e semelhanças relativamente à mediatização feito pela imprensa de base nacional a partir das notícias publicadas pelo jornal Público.
- FERREIRA, José Gomes

José Gomes Ferreira, licenciado em Sociologia pelo ISCTE-IUL e mestre em Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação pelo mesmo Instituto. Encontra-se actualmente a terminar o seu projecto de doutoramento em Ciências Sociais, especialidade de Sociologia, no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, com o título “Saneamento básico: factores sociais no insucesso de uma política adiada. O caso do Lis”, orientado pela Prof. Doutora Luísa Schmidt. Integra desde 1998 a equipa do Programa Observa – Observatório de Ambiente e Sociedade, onde tem colaborado em diversos projectos.