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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012
Associação Portuguesa de Sociologia
PAP0930 - Contributo para a definição de uma tipologia de comportamentos e atitudes face aos sintomas de doença
A comunicação que se propõe centra-se na apresentação dos resultados de uma investigação que teve por objectivo a construção de uma tipologia de atitudes face a sintomas de doença com base nos dados disponibilizados pelo European Social Survey. Procura-se, desta forma, contribuir para a caracterização de padrões diferenciados de comportamento perante a doença através da definição de perfis de comportamento e da identificação dos referenciais simbólicos envolvidos no processo de cura e na relação médico/paciente.
A metodologia seguida baseou-se no recurso a diferentes técnicas estatísticas: numa primeira fase, recorreu-se à Análise de Clusters, de modo a identificar diferentes perfis de comportamento em relação a um conjunto de sintomas de doença; posteriormente, utilizou-se a Análise de Componentes Principais na análise dos referenciais simbólicos relativamente ao processo de cura e à relação médico/paciente.
Os resultados obtidos demonstram a existência de padrões diferenciados de comportamentos associados a factores sociais e culturais relacionados com a condição dos indivíduos. Foi possível definir uma tipologia de atitudes face aos sintomas de doença constituída por quatro grupos, confirmando que as diferenças de atitude correspondem a diferentes universos de referência relativamente à idealização do processo de cura e à conceptualização da relação médico/paciente.
Perfil 1: constituído por indivíduos que valorizam, sobretudo, o papel do médico e as propriedades dos medicamentos no processo de cura, desvalorizando, de forma acentuada, a capacidade auto-regenerativa do organismo. Na concepção da relação médico/paciente evidenciam facilidade na comunicação e proximidade no estatuto dos actores envolvidos.
Perfil 2: perfil marcado por posições intermédias relativamente às diferentes questões consideradas. Ao nível do processo de cura, os indivíduos atribuem o mesmo grau de importância às capacidades do médico, às propriedades do medicamento e à capacidade regenerativa do organismo.
Perfil 3: constituído por indivíduos que, face aos sintomas de doença, privilegiam os contactos informais, constatámos que as atitudes evidenciadas no processo de cura passam pela confiança na capacidade de autocura e nas propriedades dos medicamentos. Em termos comparativos, este grupo, entre todos os considerados, é o único que desvaloriza o papel do médico no processo de recuperação.
Perfil 4: indivíduos que apresentam grande confiança na capacidade auto-reguladora do organismo na recuperação dos desequilíbrios fisiológicos e subestimam o papel dos medicamentos nesse processo. A percepção que têm da relação médico/paciente é marcada, em especial, pelo distanciamento entre os intervenientes e pela desconfiança de ocultação da informação por parte do médico.
- CALHA, António Geraldo Manso

António Calha é docente na Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Portalegre, licenciado em Sociologia pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e mestre em Sociologia pela Universidade de Évora. Investigador do C3I-IPP. Doutorando em Sociologia no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL). As suas áreas de interesse incluem: sociologia da saúde; sociologia da educação; sociologia do desenvolvimento. Contactos: antoniocalha@hotmail.com; antoniocalha@essp.pt.
PAP1157 - Relação com os Fármacos: casos de toxicodependentes e alcoólicos em tratamento
Com base na experiência de trabalho numa comunidade terapêutica e na centralidade que a medicação parece assumir para os toxicodependentes e alcoólicos aí internados, propusemo-nos indagar da relação destes com os fármacos. Apoiamo-nos nos estudos existentes sobre automedicação e nas indagações acerca dos usos problemáticos e dos usos não problemáticos de substâncias psicoactivas. A nossa abordagem conjuga a medicalização das sociedades e a farmacologização da vida quotidiana com a especificidade de uma população cuja “doença” consiste no abuso de álcool e/ou de outras drogas. Coloca-se a hipótese de que a familiaridade desta população com essas substâncias e os seus efeitos, e a banalidade da procura de estados alterados de consciência por via de consumos, tornam a experiência própria e dos pares uma das fontes de conhecimento, favorecendo a interpenetração dos seus saberes experienciais com os saberes dos sistemas periciais. Outra dimensão equacionada no desenho da relação desta população com os medicamentos é o seu estatuto de indivíduos inseridos nos dispositivos de tratamento específico do sistema nacional de saúde, que se constituiria como facilitadora da permeabilização dos seus saberes aos saberes periciais consolidando assim a especialização dos seus saberes leigos.
É abordado não só o comportamento presente – em que o internamento restringe a autonomia dos indivíduos e estes se engajam num processo declarado de mudança de comportamentos face a substâncias e a outras dimensões globalizantes da própria vida – como os comportamentos passados – de quotidiano não institucionalizado, com a “doença” activa e com o eventual recurso a formas de aquisição desviante das substâncias, quer nos casos em que os consumos são ocultados com sucesso através da arte de administrar impressões, quer nos casos em que são assumidos rótulos como o de “agarrado” .
Avaliar-se-à, entre outros, se o comportamento face aos medicamentos difere com a legalidade ou ilegalidade da droga de eleição (álcool/outras drogas) e se a relação com medicamentos de efeito psicotrópico se distingue da relação com os restantes tipos de medicamentos.
- NUNES, Madalena

Madalena Ferreira Nunes
Licenciatura em Sociologia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP), em 1996.
Mestrado em Sociologia pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH-UNL), em 2008.
Formadora certificada pelo Conselho Científico-Pedagógico.
Directora de Sociodrama pela Sociedade Portuguesa de Psicodrama (SPP).
Trabalha junto de toxicodependentes e alcoólicos na Comunidade Terapêutica de Ponte da Pedra (ARS-Norte)