PAP0931 - A política ambiental brasileira e a Amazônia: contradições e interesses
A crescente demanda por politicas de proteção ambiental é uma decorrência das alterações climáticas e dos recursos limitados existentes no planeta. Porém, o dinamismo industrial exige uma vertiginosa demanda de matérias primas para alimentar sua produção. Neste cenário, regiões com vastas riquezas tornam-se alvo direto de predações do capital econômico. Por outro lado, a Amazônia centra-se como recurso único da humanidade e fator de equilíbrio ecológico de todo o globo e uma degradação de tal sistema poderia trazer impactos devastadores a diversas regiões do globo.
Acima disto, não se trata somente de falar sobre a floresta em si, mas de todo um ecossistema único e que esconde recursos dos mais diversos para a humanidade. É afetada também toda uma população que reside nessa área, seja ela nativa ou ribeirinha, que depende diretamente do extrativismo para a sobrevivência. Esse conflito entre interesses e a garantia dos direitos do cidadão que vive na floresta tem como resultado o desmando, a ingerência e mesmo o massacre de povos e comunidades que além de viverem na Amazônia, sempre foram seus guardiões indiretos.
Em alguns anos, pode mostrar claramente qual o real detentor de decisões nessa área no Brasil, se o governo público que deve zelar pelo patrimônio natural e pelos cidadãos, ou as empresas e seus proprietários que buscam explorar da forma que melhor lhe convier tais riquezas.
- CAMPOS, Rogério Pereira de
PAP0096 - O Perfil dos Visitantes e a Preservação Ambiental no Parque Estadual do Caracol no Município de Canela - Brasil
O Brasil tornou-se ao longo dos anos, um
destino turístico competitivo e consolidado
tanto no âmbito nacional quanto internacional.
Isso se deve aos segmentos turísticos
ofertados no país, entre eles, os segmentos
que exploram atividades com a natureza, onde
encontramos algumas áreas de preservação
ambiental, que visam resguardar as
características naturais de uma determinada
região ou município. O Estado do Rio Grande do
Sul tem algumas das principais áreas de
prioridade para a conservação da
biodiversidade do país. Entre elas, temos o
Parque Estadual do Caracol, local de estudo da
presente pesquisa que integra o turismo
natural do município de Canela sendo o
principal parque de visitação. Apresentando
como objetivo geral, descrever o perfil dos
visitantes que estiveram no Parque Estadual do
Caracol. Os objetivos específicos foram,
mencionar as ações relativas ao meio ambiente
que estão sendo aplicadas no parque; apontar
os pontos relevantes que dizem respeito à
infraestrutura do parque e indicar possíveis
melhorias a se realizar no parque.Para essa
pesquisa foi empregado o método descritivo
estatístico, sendo utilizado para a coleta de
dados, o questionário, de caráter
quantitativo, contendo perguntas abertas e
fechadas. Realizada no mês de abril de 2011, a
amostragem contemplou duzentos (200)
visitantes. O Parque Estadual do Caracol se
situa a 7 km do centro do município de Canela
no Estado do Rio Grade do Sul, Brasil,
inicialmente, suas terras eram uma fazenda
produtiva, porém, um lugar que já chamava a
atenção pelas belas paisagens naturais. Em
1954, o poder público e o governo do Rio
Grande do Sul decretaram a área, como de
utilidade pública. No ano de 1968 ocorreu sua
desapropriação legal, e foi transferida para a
Secretária de Turismo do Estado do Rio Grande
do Sul - SETUR e para a Prefeitura Municipal
de Canela. O processo culminou com a criação
do complexo turístico do Parque Estadual do
Caracol em 1973, contando com uma área total
de 100 hectares, apresentando como principal
atrativo a Cascata do Caracol, além de
trilhas, passeio de trem, observatório
ecológico e lojas de artesanato.A pesquisa
revelou que a grande maioria dos entrevistados
são brasileiros provenientes da região sul
totalizando 50,50%, apresentando como
influência para a visita indicação de alguém,
com o percentual de 34,77%, assim como,
estavam visitando o parque pela primeira vez,
um total de 57,50% dos entrevistados,
permanecendo nele de 1 a 3 horas, o percentual
de 77,50%, o turismo e a paisagem receberam
destaque enquanto motivos principais para a
visita, apresentando os resultados de 55,05%
e 18,91% respectivamente e por fim, 95,50% dos
entrevistados disseram que recomendariam e
92,50% disseram que voltariam ao parque.Os
resultados evidenciam que uma revitalização no
parque, visando melhorar aspectos como
infraestrutura e atrativos, faz-se necessária,
buscando atrair cada vez mais visitantes e a
própria comunidade local.
- SILVA, Paula Carina Mayer da
- SANTOS, Eurico de Oliveira
- BONATTO, Gilberto
PAP1381 - O projeto “Entorno Escolar”, entre meio-ambiente e modernidade (Florianópolis-Brasil)
O desenvolvimento e reorganização de territórios são indicativos do processo de modernização das cidades. Em particular, eles andam de mãos dadas com a modernização de equipamentos e estruturas coletivas, e no presente, cada vez mais ligadas às questões relativas ao meio-ambiente. Indicativo de um horizonte de projeções políticas e econômicas, novos projetos forjam a utopia urbana através de novas vias de circulação, de ocupação e renovação do espaço. O ambiente urbano engendra vários interesses e estes estão presentes nas práticas sociais em instituições públicas. Áreas territoriais da cidade refletem a modelos políticos e organizacionais de uma época. Atualmente, as políticas de desenvolvimento urbano realçam a qualidade de vida e utilizam como "sinônimo" da mesma, o desenvolvimento urbano sustentável. No entanto nas tomadas de decisões os habitantes nem sempre são consultados, o que muitas vezes gera tensões entre o que é do domínio do espaço público e do privado. Com uma paisagem ímpar e uma riqueza histórica, multicultural e ambiental peculiar a Armação, ao sul da cidade de Florianópolis, capital do Estado de Santa Catarina, é uma das localidades da ilha que ainda resiste ao processo de expansão urbana emanado do centro de Florianópolis depois do início dos anos 90. A localidade conta com a escola Dilma Lúcia dos Santos que tem um papel social notável na comunidade. Ela participa na organização social do espaço urbano local e projeta a reconfiguração espacial do lugar através do Projeto “Entorno Escolar”. Este foi concebido em 2005 pela comunidade escolar, e desde então mobiliza moradores e associações de bairro. O objetivo principal do projeto é, cito: “Transformar o terreno do entorno da escola Dilma Lúcia dos Santos em área pública e propor formas de ocupação visando o desenvolvimento sustentável e o exercício da cidadania.” Mas o caminho não é tão fácil porque o terreno se situa num território de grande interesse político e econômico. Entre as dificuldades de executar o projeto está a oposição dos atuais proprietários que objetivam a construção de um condomínio fechado. Esta comunicação pretende a partir da experiência de campo de minha pesquisa de doutorado, apresentar elementos que despontam em torno do projeto “Entorno Escolar” como práticas sociais, políticas e culturais locais e problemáticas vividas na execução deste.
- PARABOA, Clara Rosana Chagas

Clara Rosana Chagas Paraboa
PAP1381 - O projeto “Entorno Escolar”, entre meio-ambiente e modernidade (Florianópolis -Brasil)
CV
Licenciada em Geografia (UFSC[1]), com Mestrados em Ciências da Educação (UFSC e Lyon 2[2]). Especialista no ensino de geografia e meio-ambiente para crianças, atuou como professora durante 15 anos em Florianópolis (Br) e desde 2010 desenvolve numa escola em St. Fons (Fr) um projeto intitulado P’tits Architectes de la Ville[3]. Encontra-se no segundo ano de doutorado em Antropologia (Lyon 2) associada ao Laboratório CREA (Centre de Recherches et d’Etudes Anthropologiques) com o projeto de tese intitulado “O território da escola: Contexto e desafios no planejamento urbano. Sociabilidade, reivindicações identitárias e meio-ambiente. Florianópolis (Brasil) e Saint Fons (França)”
[1] Universidade Federal de Santa Catarina - Brasil
[2] Université Lumière Lyon 2 – Lyon - France
[3] Pequenos Arquitetos da cidade
PAP0414 - Segregação socioespacial e ambiental em São Pedro (Vitória – ES/Brazil)
Dentre os municípios da Região Metropolitana da Grande Vitória (RMGV), Vitória, capital do estado do Espírito Santo, apresenta as menores proporções de população sem rendimentos da região. Entretanto, no processo de segregação socioespacial e ambiental da ilha, destaca-se, como resultado de políticas públicas excludentes, o Bairro de São Pedro, “lugar de toda pobreza” (espaço caracterizado por comunidade de catadores de lixo, no lado oeste da ilha de Vitória, especificamente no Bairro São Pedro, onde a população, durante a implantação do bairro retira do lixo sua sobrevivência).
Dentre as causas responsáveis por essa situação estão as políticas adotadas no Espírito Santo, ao longo do século XX, objetivando a expansão do espaço urbano para atender aos projetos de modernização e inserção do estado na economia mundial, o que acirrou o processo de exclusão e segregação urbana, em Vitória, e a ocupação de áreas de preservação ambiental.
O bairro surgiu no final da década de 70, época do crescimento desordenado de Vitória e de expansão da população favelada, a partir da ocupação do lixão da cidade e da invasão de áreas de manguezal.
Além disso, o bairro apresenta a maior concentração do grupo de trabalhadores do setor terciário e do terciário não especializado, em Vitória, único espaço da Capital, que possui alta porcentagem de população sem rendimentos, acima de 36%.
Assim, apesar do discurso na intensificação dos investimentos em urbanização, recuperação e preservação ambiental no bairro, a partir da década de 1990, São Pedro permanece como espaço altamente excludente, e com impactos ambientais, que repercutem no clima e na qualidade de vida, não só da população local, como estadual.
- MATTOS, Rossana
- ROSA, Teresa da Silva