PAP1455 - A Contra-urbanização: paisagem e humanidade
A contra urbanização é hoje uma realidade incontornável, prolixa e caracterizada por dinâmicas estruturantes de dimensão diversa. Este fenómeno, designado na linguagem anglosaxónica por population turnaround, consiste no declínio demográfico e industrial das áreas urbanas centrais em detrimento da revitalização populacional e industrial de espaços rurais do mundo desenvolvido. Por isso mesmo, como acabamos de afirmar, trata-se de um fenómeno prolixo, não generalizado, que coincide com o declínio das cidades industriais e define um novo marco de urbanização do espaço rural e/ou crescimento das periferias, contrariando os processos de urbanização e reurbanização, que transformaram as cidades em pólos aglutinadores de recursos.
Surge como uma reacção à degradação física e social das cidades centrais, potenciada pelo rápido desenvolvimento tecnológico, com incidências directas ao nível das vias de comunicação, e o declínio das indústrias tradicionais, factores geradores de uma urbanização dispersa e difusa. Por isso, contrariamente à suburbanização, a contraurbanização marca uma ruptura simbólica com a cidade, iniciando-se com ela uma nova fase de produção do espaço e de relações.
Assume particular relevância no contexto actual, onde se sente cada vez mais a necessidade de um desenvolvimento local que se quer homogéneo, integrado e sustentável. Neste sentido, porque tem a particularidade de descongestionar as cidades e revitalizar os espaços rurais, a contra urbanização afigura-se como um factor de que pode contribuir para o desenvolvimento equilibrado das regiões e, por isso mesmo, passível de ser planificado.
Decidimos abordar esta temática a partir de uma metodologia tripartida: noção e enquadramento histórico do fenómeno da contra urbanização; a cidade e as suas metamorfoses ao longo do tempo e, por último, os fundamentos teóricos da contra urbanização e sua materialização.
Numa primeira fase vamos tentar definir o conceito de contra urbanização, conceito este de difícil fixação. Por isso mesmo, depois de lermos as diversas abordagens metodológicas a esta temática, optamos por apresentar uma noção que sintetiza a panóplia de abordagens a que fizemos referência. No entanto, enquadramos a contra urbanização na sua génese histórica e nas dinâmicas que lhe deram origem.
Por isso mesmo, lançamo-nos na tarefa de analisar a cidade e as suas metamorfoses ao longo do tempo, de modo a compreendermos a génese da contra urbanização e os pontos de encontro que esta tem com os próprios processos de urbanização.
Na terceira parte explicitaremos os fundamentos teóricos da contra urbanização, designadamente as dinâmicas económicas e territoriais da sociedade pós-industrial e a revolução tecnológica ao nível da Sociedade do Conhecimento. Para além disso, abordaremos sinteticamente os factores que determinam a escolha do espaço rural como alternativo ao espaço urbano.
Nome: António Almeida Calheiros
Instituição: Centro Regional de Braga da Universidade Católica Portuguesa
Área de Formação: Doutorando em Planeamento e Organização do Espaço Territorial
Interesses de investigação: Glocalização; governança, cultura, política e cidades.
Professor da Faculdade de Ciências Sociais da UCP e Membro Integrado do Centro de Investigação em Ciências Sociais da Universidade do Minho. Doutor em Sociologia pela Faculdade de Ciências Políticas e Sociologia da Universidade Complutense de Madrid (2008).
As áreas de investigação e atuação têm incidido sobre religião e valores na pós-modernidade, dinâmicas sociais, tendências socioculturais e metodologias.