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VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

PARA O VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

Ficha Técnica:

Organização e Edição:
Associação Portuguesa de Sociologia
Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9
1600-189 Lisboa
Tel: 217804738 / Fax: 217940274 / E-mail: aps@aps.pt / http://www.aps.pt

Produção técnica:
Plug & Play
Rua José Augusto Coelho nº 117
2925-543 Azeitão
Tel: 210 854 236 / Fax: 210 854 236 / http://www.plugeplay.com

ISBN: 978-989-97981-0-6

Depósito legal: 281456/08

Requisitos Mínimos:
Windows XP ou superior.
Adobe Acrobat Reader

©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012

Associação Portuguesa de Sociologia

 

Como referenciar os textos desta edição

SOBRENOME DO AUTOR, Prenome(s) (2012). Título do texto. in Atas do VII Congresso Português de Sociologia, Lisboa: APS. ISBN: 978-989-97981-0-6. Disponível em http://www.aps.pt/vii_congresso/?area=016&lg=pt. Acesso em: Dia mês (abreviado) ano.

Pesquisa:

Resultados da pesquisa por: «Metodologia»

PAP0624 - Entrevista como técnica em terreno das reformas da justiça
Resumo de PAP0624 -  Entrevista como técnica em terreno das reformas da justiça PAP0624 -  Entrevista como técnica em terreno das reformas da justiça
PAP0624 - Entrevista como técnica em terreno das reformas da justiça

A justiça e os tribunais têm sido objecto de constantes reformas. Algumas compõem-se por alterações legislativas que afectam apenas os códigos, outras afectam a sua estrutura e funcionamento interno. Esta comunicação aborda os aspectos práticos de uma investigação na Comarca Piloto Lisboa-Noroeste, no Palácio da Justiça de Sintra em pleno processo de intervenção e outra na Comarca de Lisboa no Palácio da Justiça de Lisboa em que foi anunciado o alargamento do novo mapa judiciário. A atenção aqui é dada o efeito que teve nas entrevistas, assim como as constantes adaptações necessárias à utilização desta técnica. A singularidade da justiça apresenta algumas adaptações em relação a outros campos, nomeadamente na questão do segredo de justiça e no direito à reserva de funcionários e magistrados. O principal desafio não é o que perguntar, mas como perguntar sem quebrar estas duas regras.
  • CAMALHÃO, Serafim CV de CAMALHÃO, Serafim
Serafim Leopoldo Ferreira Camalhão Mestre em Sociologia do Trabalho, das Organizações, do Trabalho e do Emprego no I.S.C.T.E e a frequentar o Programa Doutoral em Sociologia no I.S.C.T.E. IUL. Especializou-se na área da Sociologia do Trabalho e das Organizações, com especial atenção no funcionamento dos tribunais. A par deste aspecto sempre manteve um grande interesse no campo da metodologia. Presentemente outra área que o cativa, é lançar uma Sociologia da Deficiência.

PAP1380 - AS CIÊNCIAS SOCIAIS DO VISUAL E OS MÉTODOS GEONEOLÓGICOS
Resumo de PAP1380 - AS CIÊNCIAS SOCIAIS DO VISUAL E OS MÉTODOS GEONEOLÓGICOS PAP1380 - AS CIÊNCIAS SOCIAIS DO VISUAL E OS MÉTODOS GEONEOLÓGICOS
PAP1380 - AS CIÊNCIAS SOCIAIS DO VISUAL E OS MÉTODOS GEONEOLÓGICOS

A Sociologia e Antropologia Visuais registaram um desenvolvimento notável nos últimos anos. Em particular, os métodos de recolha, análise e interpretação de fontes visuais propõem novos cursos e percursos para o investigador. No entanto, a incomensurável mudança epistemológica recente deriva da emergência das metodologias visuais nunca dantes vistas, utilizando instrumentos digitais, transmedia e em rede. Neste texto, para além da apresentação de um estudo de públicos num museu de arte, pretende-se mostrar e demonstrar algumas das cumplicidades e permeabilidades entre as Ciências Sociais do visual e os utensílios experimentais digitais para a pesquisa, que englobaremos no conceito federador ‘Metodologia GeoNeológica’. Par isoo, o projecto intitulado Comunicação Pública da Arte-CPA visou 2 direcções principais da pesquisa: 1) Uma reflexão sociológica, através da qual foi efectuado um diagnóstico de situação sobre a CPA em museus de arte físicos e virtuais. No respectivo campo empírico, foi testada, entre outros conceitos, a ideia de museabilidade (i.e., as condições contextuais, económicas, sócio-culturais e politicas da musealização, no interior de uma dada sociedade). A musealização significa o conjunto de estratégias de apresentação de obras de arte, pelos profissionais do museu, a um público de não-especialistas. Algumas questões iniciais nesta perspectiva foram as seguintes: 2) Uma parte mais prática e pedagógica do projecto visa a aplicação de um sistema digital de aprendizagem e investigação informais para as artes, a usar em museus ou em outras instituições culturais, baseado em hipermédia apresentando novas interfaces, como uma mesa interactiva multitoque para consulta e comentários das obras de um artista. Nesta perspectiva, foi realizado um Questionário Interactivo Multitoque e um jogo cultural nomeado Jogo das Tricotomias, na referida exposição da artista Joana Vasconcelos em 2010.
  • ANDRADE, Pedro de CV de ANDRADE, Pedro de
Professor na FBAUL. Investigador do CECL, FCSH-UNL e no CECS, ICS da Univ. do Minho. Coordenador do projecto de pesquisa 'Comunicação Pública da Arte: o caso dos museus de arte locais/globais', entre outros projetos apoiado pela FCT e por outras instituições nacionais e internacionais. Membro do Conselho Editorial da Revista de Comunicação e Linguagens. Membro do Comité de Rédaction da revista LORETO, Ministère de la Culture e Université Libre de Bruxelles. Director da revista Atalaia. Autor de diversas obras e eventos nas áreas da Sociologia, cinema, artes visuais e digitais e no ciberespaço/cibertempo. Obras recentes: 2011a, Sabores e saberes do beber: consumos de lazer, poder e cultura em cafés, tabernas e bares Portugueses, Ed. Univ. Estadual da Paraíba, Brasil. 2011b, Sociologia Semântico-Lógica da Web 2.0/3.0 na sociedade da investigação: significados e discursos quotidianos em blogs, wikis, mundos/museus virtuais e redes sociais semântico-lógicas, Lisboa, Ed. Caleidoscópio. 2011c, Novas autorias / leitorias / actorias: escrita comum, literacias híbridas e anti-vigilâncias na Web 2.0, Ed.Caleid. 2011d, Novela GeoNeológica nº 1: um caso de Literatura Transmediática, Caleid.

PAP1020 - Dilemas éticos e morais em torno de uma doença genética autossómica dominante
Resumo de PAP1020 - Dilemas éticos e morais em torno de uma doença genética autossómica dominante PAP1020 - Dilemas éticos e morais em torno de uma doença genética autossómica dominante
PAP1020 - Dilemas éticos e morais em torno de uma doença genética autossómica dominante

Esta comunicação insere-se na investigação de doutoramento em Sociologia, integrada no CesNova, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, iniciada em 2007, com orientação do Prof. Doutor José Manuel Resende, intitulada A construção social do estigma dos doentes de Machado-Joseph: os dilemas científicos, morais e sociais. Pretende-se reflectir sobre as controvérsias em torno da doença de Machado-Joseph, procurando perceber as lógicas de acção dos diversos actores envolvidos. Procurar-se-ão apresentar os resultados da recolha de informação realizada ao longo dos últimos dois anos em Portugal e no Brasil, mais especificamente nas ilhas de São Miguel e Flores no Arquipélago dos Açores e em Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul no Brasil. Para esta comunicação integrada no doutoramento em Sociologia, foram realizadas entrevistas semi-estruturadas (cerca de 70 entrevistas) numa perspectiva de "narração de vida" a doentes, portadores, cuidadores e familiares acompanhantes, em São Miguel e Flores (nos Açores) e em Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul (no Brasil), com questões que abordaram as experiências do sujeito e as suas concepções sobre saúde e doença, relações e interacções com os outros actores sociais envolvidos, abordando-se também a experimentação da fase inicial da doença e do seu diagnóstico, as controvérsias relativas ao diagnóstico pré-natal e teste preditivo numa situação de transmissão autossómica dominante e consequente hereditariedade da DMJ. Além destes actores, também foram entrevistados, em Portugal e no Brasil, especialistas médicos e profissionais de saúde, e um terceiro grupo de actores constituído por técnicos e dirigentes de Ong’s e IPSS’s que apoiam estes doentes e familiares. Nesta investigação recorreu-se às teorias crítica e da justificação durante todo o processo de investigação, desde a problematização e fundamentação do quadro de referência à pesquisa empírica e análise de conteúdo. Parte-se do pressuposto que a reflexividade é uma característica dos actores e que estes apresentam denúncias e críticas perante o que consideram (des)igual e (in)justo. Assim, nesta pesquisa pretende-se responder às questões: como as famílias vivenciam a experiência da visibilidade social desta doença crónica incapacitante nas várias regiões em análise? Que factores influenciam as vivências da doença? Que denúncias de (in)justiça são apresentadas pelos actores face à desigual distribuição e acesso ao diagnóstico e à saúde?
  • SOARES, Daniela CV de SOARES, Daniela
Nome: Daniela Almeida de Medeiros de Sousa Soares
Afiliação institucional: Doutoranda na FCSH-UNL, investigadora (não doutorada) do CESNOVA, investigadora (não doutorada) do CESUA, assistente convidada no Departamento de História, Filosofia e Ciências Sociais da Universidade dos Açores.
Área de formação: Licenciada e mestre em Sociologia
Interesses de investigação: Sociologia da Saúde; Metodologias de Investigação

PAP0065 - Espírito e sociedade – retomar investigações esquecidas com novos métodos
Resumo de PAP0065 - Espírito e sociedade – retomar investigações esquecidas com novos métodos PAP0065 - Espírito e sociedade – retomar investigações esquecidas com novos métodos
PAP0065 - Espírito e sociedade – retomar investigações esquecidas com novos métodos

O biologismo tem funcionado como argumento de legitimação de uma estratégia epistemológica de fechamento da teoria social às oportunidades e necessidades de cooperação interdisciplinar com as ciências da vida, com consequências limitativas tanto da clareza como da capacidade científicas da sociologia. Para lá das propostas de interdisciplinaridade dentro das ciências sociais e entre estas e as ciências da cultura e da comunicação, este artigo considera a possibilidade de retomar as perspectivas positivistas para organizar um programa de investigações sobre a natureza social humana, tomando como equivalente do átomo na sociologia a noção de estados-de-espírito. Estes poderão ser observados e caracterizados através de medidas a produzir pelas modernas tecnologias de saúde, utilizadas por métodos adequados. Desse modo, velhas noções clássicas abandonadas, como os espíritos revolucionário, solidário, do capitalismo, poderão ser revisitadas, clarificadas e desenvolvidas. Em tempos de transformação social, este debate teórico e metodológico espera ser uma contribuição para o avanço de processos de integração das ciências sociais e das ciências da vida, no novo ciclo que irá provavelmente denunciar as limitações e mesmo os malefícios da hiper-especialização vigente nas ciências sociais.
  • DORES, António Pedro CV de DORES, António Pedro
Doutorado e agregado em Sociologia no ISCTE em 1996 e 2004 respectivamente, http://iscte.pt/~apad/novosite2007/. Docente responsável pelo ramo “Sociologia da Violência” do mestrado de Sociologia do ISCTE-IUL. Membro da Associação Contra a Exclusão pelo Desenvolvimento/ACED, http://iscte.pt/~aced/ACED, iniciativa de pessoas reclusas para romperem o cerco que as inibe de exercer os direitos de livre expressão.

Organizador dos livros a) Vozes contra o silêncio – movimentos sociais nas prisões portuguesas, com Alte Pinho, Prisões na Europa – um debate que apenas começa e Ciências de Emergência; b) Autor da trilogia Estados de Espírito e Poder (Espírito Proibir, Espírito de Submissão e Espírito Marginal).

PAP1115 - O Bio-gráfico: desenvolvimento, aplicação e contributos do instrumento na investigação qualitativa
Resumo de PAP1115 - O Bio-gráfico: desenvolvimento, aplicação  e contributos do instrumento na investigação qualitativa PAP1115 - O Bio-gráfico: desenvolvimento, aplicação  e contributos do instrumento na investigação qualitativa
PAP1115 - O Bio-gráfico: desenvolvimento, aplicação e contributos do instrumento na investigação qualitativa

Esta proposta de comunicação pretende descrever um instrumento qualitativo de apoio à recolha de dados – o bio-gráfico. Desenvolvido a partir da necessidade de dar suporte à realização de entrevistas focadas na reconstituição de informação passada, o bio-gráfico consiste numa representação gráfica de informação histórica de um indivíduo, sendo composto por várias dimensões organizadas sobre uma linha cronológica central, permitindo estruturar os discursos de cada entrevistado e constituindo-se uma base privilegiada para o desenvolvimento da narrativa. A construção do instrumento teve origem em pressupostos da Psicologia e da Sociologia, em particular nas metodologias usadas no domínio do comportamento desviante (Agra e Matos, 1997) e no modelo da interdependência dos sistemas de vida (Curie, 2000), o que explica a importância atribuída à experiência individual, à dimensão processual dos acontecimentos e ao significado construído pelos indivíduos. O bio-gráfico foi concebido no âmbito de um estudo sobre envelhecimento e trabalho (Ramos, 2010), incluindo cinco dimensões de análise: percurso profissional; história de saúde; percurso escolar; história familiar; meio social e geográfico. O instrumento foi usado em outros contextos de investigação, como por exemplo na reconstituição de trajectórias de desempregados de longa duração e de trabalhadores temporários,com vista à identificação de perfis. Houve ainda lugar à sua adaptação para contextos específicos de investigação, como é o caso de um estudo sobre análise de projectos de concepção de postos de trabalho (Gil-Mata, Lacomblez & Bellies, 2011). Aqui, o instrumento é centrado sobre um projecto e não sobre um indivíduo, sendo apelidado de projectográfico (Gil-Mata & Lacomblez, 2010), assumindo-se como representação partilhada da evolução do projecto e incluindo também cinco dimensões: espaço de trabalho; meios de trabalho; organização do trabalho; reflexão e elaboração. A utilização do instrumento tem mostrado vantagens a diferentes níveis: i) na condução de entrevistas, já que este serve de orientação à narrativa dos sujeitos; ii) na validação e restituição dos dados, contribuindo para a validade dos estudos; iii) no cruzamento de dados hetero e autobiográficos, possibilitando a triangulação de fontes de informação; iv) na visualização dos dados, permitindo uma ilustração da trajectória pessoal ou projecto em estudo, permitindo a análise temporal ou histórica dos mesmos; v) no interface entre o sujeito e os dados, ao possibilitar, ao próprio indivíduo, através do confronto com o registo gráfico, repensar a sua trajectória, atribuir novos significados e construir novas relações entre acontecimentos. Este instrumento constitui não só um suporte para a recolha de dados mas também um elemento de intervenção em si, dada a importância deste exercício de atribuição de significados e sentido às vivências dos indivíduos.
  • RAMOS, Sara CV de RAMOS, Sara
  •  MATA, Rita Gil CV - Não disponível 
Sara Ramos doutorou-se em Psicologia, na especialidade de Psicologia do Trabalho pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação,da Universidade do Porto, em 2006. É Professora Auxiliar no Departamento de Recursos Humanos e Comportamento Organizacional no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, desde 2007. As suas áreas de ensino incluem métodos de investigação, métodos qualitativos, psicologia do trabalho e recursos humanos. Os trabalhos de investigação mais recentes têm-se centrado na relação entre saúde, idade e trabalho mais especificamente na temática do envelhecimento e trabalho.

PAP0858 - O estudo do trabalho cultural e artístico pela sociologia em Portugal
Resumo de PAP0858 - O estudo do trabalho cultural e artístico pela sociologia em Portugal PAP0858 - O estudo do trabalho cultural e artístico pela sociologia em Portugal
PAP0858 - O estudo do trabalho cultural e artístico pela sociologia em Portugal

A abordagem das profissões pela sociologia constitui uma tendência recente na história desta disciplina em Portugal. E se as primeiras análises sociológicas de grupos ocupacionais incidiram em profissões institucionalizadas – como médicos e engenheiros –, o sector da cultura e das artes e os agentes que aí intervêm têm sido alvo de uma vaga analítica mais tardia. Impulsionada pela expansão da sociologia da cultura nas últimas duas décadas, esta vaga traduz-se num acervo de investigações em fase de crescimento. Que perfis profissionais têm sido focados? Através de que metodologias? Com que contributos para o melhor conhecimento do sector cultural e artístico? O objectivo da presente comunicação é responder a estas questões, caracterizando o leque de estudos que a sociologia em Portugal tem produzido sobre profissões culturais e artísticas. Trata- se de ocupações compondo um grupo heterogéneo e com especificidades, por nele caberem domínios e ocupações com maior ou menor ênfase na criação, difusão e conservação e ainda pela diversidade de funções em causa (artísticas, técnico-artísticas e de mediação). Optou-se por estabelecer como critério de recenseamento de textos a posse conjunta de três atributos: ter autoria de sociólogos; ancorar em investigações empíricas; estar publicado. No balanço contido nesta comunicação, os estudos sociológicos sobre o trabalho cultural e artístico são categorizados de acordo com os objectos e as metodologias utilizadas. Os principais resultados dos estudos sistematizam- se em seis tópicos/seis secções temáticas: i) artistas e companhias; ii) trajectórias e reconhecimento – juventude, género, nacionalidade; iii) escritores, editores e política; iv) da importância dos mediadores culturais; v) novos modelos de produção/ difusão e redefinição de perfis; vi) representações e relação com a profissão. O balanço aponta as áreas menos abordadas pela sociologia na análise dos agentes e profissões culturais e artísticas. Consideram-se ainda os traços que o trabalho no sector da cultura e das artes partilha com o emprego noutras áreas de actividade.
  • MARTINHO, Teresa Duarte CV de MARTINHO, Teresa Duarte
Teresa Duarte Martinho é socióloga e completou o doutoramento em Sociologia em 2011 no ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL). É licenciada em Sociologia (1990) pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE). É mestre em Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação (2000), pelo ISCTE, e em Estudos Curatoriais (2006), pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa (FBAUL).
Actualmente, é investigadora de pós-doutoramento no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL) (http://www.ics.ul.pt). Desde 1996, participou em diversos projectos de investigação no Observatório das Actividades Culturais (OAC) (http://www.oac.pt) entidade fundada em 1996 por: Ministério da Cultura, Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e Instituto Nacional de Estatística (INE). Interesses de investigação: profissões e ocupações culturais e artísticas; políticas culturais; processos de mediação da arte e da ciência: práticas, actores e trajectórias.

PAP0897 - Ordem da interacção e corpora de gravações: a análise da conversação como paradigma teórico-metodológico
Resumo de PAP0897 - Ordem da interacção e corpora de gravações: a análise da conversação como paradigma teórico-metodológico PAP0897 - Ordem da interacção e corpora de gravações: a análise da conversação como paradigma teórico-metodológico
PAP0897 - Ordem da interacção e corpora de gravações: a análise da conversação como paradigma teórico-metodológico

Gravar quem, onde, quando, como, para evidenciar e/ou demonstrar o quê? Qual é o valor descritivo e explicativo em sociologia de um corpus de gravações de interacções verbais (Binet, 2011)? Qual é o lugar da teoria no trabalho de transcrição e quais são os programas computacionais que auxiliam as tarefas do transcritor (Monteiro, 2011)? Quais são os fenómenos sociais observáveis e analisáveis num tal corpus (ten Have, 2005)? Como conciliar uma investigação de escala micro-analítica com a orientação holística da sociologia (Erickson, 2004; Cicourel, 2008; Binet, 2011)? Surgida no quadro da sociologia americana, nos anos 60 do século XX, a análise da conversação (Sacks, 1992) pretende responder de forma argumentada a estas perguntas, apoiando-se para tal num já rico patrimonio de pesquisas empíricas, na origem de uma vasta literatura científica (Goodwin & Heritage, 1990). Na Europa, os linguístas foram os primeiros a abrir o seu campo investigativo aos contributos desta corrente interaccionista de filiação etnometodológica (Kerbrat-Orecchioni, 1990), o que acabou por travar, pelo menos até uma data recente, a difusão entre os sociólogos europeus de um corpo de teoria e de método susceptível de configurar um paradigma que renova e enriquece vários domínios de investigação sociológica (Rodrigues, 2001). A nossa comunicação, que pretende contribuir para o pleno reconhecimento da análise da conversação como paradigma de investigação sociológica, apoiar-se-á numa pesquisa desenvolvida em coparticipação (Bartunek & Louis, 1996) com mais de vinte interventores sociais da Rede Social do Concelho de Sintra, que colaboraram na recolha de um corpus de gravações de atendimentos realizados nos seus serviços de acção social (Binet & Sousa (de), 2011). Os conhecimentos alcançados nesta pesquisa constituem uma base solida para travar uma discussão acerca da integração da análise da conversação no desenho e na operacionalização das investigações, no domínio da sociologia das profissões e dos estudos organizacionais (Drew & Heritage, 1992; Peräkylä & Vehviläinen, 2003; Arminen, 2005; Sarangi, 2005; Mondada, 2006; Rawls, 2008; Koester, 2010; etc.).
  • BINET, Michel CV de BINET, Michel
  •  MONTEIRO, David CV - Não disponível 
Bolseiro da FCT (SFRH / BD / 63799 / 2009), Michel Binet elabora uma
Tese de Doutoramento em Antropologia na Universidade Nova de Lisboa
(FCSH), na confluência de três áreas disciplinares (antropologia,
linguística e sociologia), sob a orientação de Adriano Duarte
Rodrigues. Membro do Centro de Linguística da Universidade Nova de
Lisboa (CLUNL) e colaborador do Centro Lusíada de Investigação em
Serviço Social e Intervenção Social (CLISSIS), a sua Tese, que se
situa no domínio de uma "Micro-Etnografia", tem por quadro teórico e
metodológico a Análise da Conversação etnometodológica e por base
empírica um Corpus de mais de 50 horas de gravações de interacções
verbais entre interventores sociais e utentes de serviços sociais do
Concelho de Sintra (Corpus ACASS), recolhido com a coparticipação de
mais de 20 profissionais da Rede Social de Sintra, em parceria com
Isabel de Sousa (CLISSIS).
Mestre em Ciências da Linguagem e membro do Centro de Linguística da
Universidade Nova de Lisboa (CLUNL), David Monteiro colabora na
análise do Corpus ACASS, estudando a organização sequencial dos
atendimentos e a argumentação na fala-em-interacção.

PAP1112 - Os focus group dinâmicos na Sociologia da educação: virtudes e potencialidades
Resumo de PAP1112 - Os focus group dinâmicos na Sociologia da educação: virtudes e potencialidades  PAP1112 - Os focus group dinâmicos na Sociologia da educação: virtudes e potencialidades
PAP1112 - Os focus group dinâmicos na Sociologia da educação: virtudes e potencialidades

Na presente comunicação realiza-se uma reflexão sobre a trajetória metodológica do estudo de acompanhamento e monitorização do Programa de Modernização das Escolas de Ensino Secundário (PMEES) considerando que a mesma apresenta inovações face a metodologias mais convencionais, discutindo, em particular, a técnica dos grupos focais dinâmicos. Constituindo a análise do impacto da renovação dos edifícios escolares nas práticas de ensino-aprendizagem, um objetivo central da pesquisa, a sua complexidade implicou o desenvolvimento de uma estratégia metodológica de natureza intensiva e extensiva, com recurso a diversos tipos de técnicas. A análise documental dos fundamentos da intervenção constituiu o ponto de partida, tendo ainda sido realizada recolha de informação através de entrevistas aos vários intervenientes (administração da Parque Escolar, arquitetos, diretores e presidentes do Conselho Geral) e da realização de inquéritos por questionário a alunos e professores de uma amostra de escolas intervencionadas. Posteriormente, com base na informação recolhida, procurou-se desencadear um processo de reflexão coletiva nas escolas (com caráter delimitado) sobre o impacto das intervenções. Para tal recorreu-se à realização de grupos focais dinâmicos com alunos e professores, através de um processo que articulava formas de debate coletivo em sala (focus group, no seu sentido clássico) com a realização prévia de uma visita guiada e comentada pelos intervenientes através da escola. Este traduziu-se num instrumento de pesquisa compósito e interativo, permitindo um regime metodológico de triangulação com grande potencialidade para a compreensão da temática e fenómeno em estudo. A realização de grupos focais não é algo novo nas ciências sociais (Morgan, 1988), vindo crescentemente a ser utilizado, na identificação de necessidades e avaliação de programas ou medidas de política em educação. A componente da visita guiada e comentada através da escola com elementos da comunidade escolar constituiu um momento central dos grupos focais, já que forneceu aos investigadores informação fundamental à sua condução, abrindo caminho à discussão posterior de dimensões novas até aí relativamente ocultas. Em termos empíricos foi possível constatar que a articulação destas técnicas forneceu à investigação uma mais-valia considerável em termos de identificação de aspetos críticos ou positivos mencionados sobre os espaços, não retidos nas fases antecedentes da pesquisa; na explicitação das diferenças entre alunos e professores, assim como na compreensão sobre as diferentes formas de apropriação dos espaços, que em momentos prévios não tinha sido possível decifrar de forma tão clara. Deste modo, esta comunicação visa discutir as vantagens da realização dos focus group com as especificidades com que foram desenvolvidos, enquadrando-os na estratégia e objetivos da investigação realizada.
  • DUARTE, Alexandra CV de DUARTE, Alexandra
  •  VELOSO, Luísa CV - Não disponível 
  • SEBASTIÃO, João CV de SEBASTIÃO, João
  •  MARQUES, Joana CV - Não disponível 
Alexandra Duarte é licenciada e mestre em Sociologia e doutoranda em Políticas Públicas pelo Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL). Recentemente obteve bolsa de doutoramento da Fundação para a Ciência e Tecnologia, sendo o CIES-IUL a sua instituição de acolhimento. Tem participado em vários projectos de investigação no mesmo centro de investigação nas temáticas do trabalho, emprego, sociedade da informação e conhecimento e mais recentemente em educação e políticas públicas.
João Sebastião é graduado em Pedagogia (1980) e em Sociologia (1988), Mestre em Sociologia Urbana e Rural (1995) e doutorado em Sociologia (2007). Tem como principais áreas de investigação a educação, as políticas educativas e a marginalidade juvenil. Durante o período de 1989 e 2011, lecionou sociologia na Escola Superior de Educação de Santarém, principalmente na graduação e pós-graduação em formação de professores e em Educação Social. Atualmente é professor do Instituto Universitário de Lisboa. Investigador do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Universitário de Lisboa (CIES-IUL) desde 1988. Autor e co-autor de diversos artigos em revistas científicas, capítulos de livros e livros. Algumas de suas publicações mais recentes incluem capítulos de livros e artigos de revistas sobre desigualdades sociais em educação e violência escolar. Membro do Conselho Editorial das revistas Interacções (Portugal) e Meta: Avaliação (Brasil). Membro do Coordinating Board of the Sociology of Education Research Network of the European Sociological Association.

PAP0777 - Pela mão das crianças: metodologias em construção
Resumo de PAP0777 - Pela mão das crianças: metodologias em construção PAP0777 - Pela mão das crianças: metodologias em construção
PAP0777 - Pela mão das crianças: metodologias em construção

O referencial recente dos estudos sociais da infância, em que as crianças são vistas como actores competentes que contribuem activamente para a produção do seu contexto envolvente e lhe atribuem significado, tem uma tradução metodológica na investigação: dar-lhes voz é uma prioridade, na medida em que elas possuem uma perspectiva única acerca da sua condição de vida. Neste âmbito, tem-se assistido ao desenvolvimento de pesquisas e métodos inovadores de carácter inclusivo e participativo de forma a conseguir captar as experiências, perspectivas e interpretações das crianças. Estas metodologias mais centradas na criança têm-se mostrado fundamentais e úteis na investigação com e sobre a infância. Assim, e com referência a uma etapa do projecto “Crianças e Internet”, a decorrer no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian), pretende-se nesta comunicação apresentar uma reflexão crítica a propósito da utilização de metodologias qualitativas de cariz etnográfico. As mesmas representam uma contribuição complementar e adicional aos resultados obtidos nas fases anteriores do projecto, que envolveram a aplicação de um inquérito por questionário e a realização de entrevistas, e procuram ultrapassar algumas limitações que aquelas abordagens “convencionais” evidenciaram junto das crianças e jovens. O recurso a metodologias qualitativas mais minoritárias, por exemplo os “métodos visuais”, justifica-se também pela natureza da temática em estudo, centrada nos usos e representações infantis da internet em casa. Foram estudadas 30 crianças residentes na Área Metropolitana de Lisboa, provenientes de meios sociais distintos, entre os 10 e os 15 anos de idade. Optou-se pela combinação de múltiplas técnicas: observação em casa e “visita guiada” ao cenário tecnológico doméstico; recolha e interpretação de print-screens e fotografias tiradas pelas crianças sobre as suas actividades no computador e na internet; realização de focus-groups onde as informações individualmente recolhidas são postas à discussão do grupo. O objectivo principal da comunicação é portanto, a partir destes resultados, explorar e apresentar as principais potencialidades e obstáculos das técnicas utilizadas, não esquecendo os dilemas éticos que se lhes associam.
  • ALMEIDA, Ana Nunes de CV de ALMEIDA, Ana Nunes de
  •  CARVALHO, Diana CV - Não disponível 
  • DELICADO, Ana CV de DELICADO, Ana
  •  ALVES, Nuno de Almeida CV - Não disponível 
Ana Nunes de Almeida, socióloga, investigadora coordenadora do Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Lisboa; Pró-Reitora na mesma Universidade, com o pelouro da Garantia da Qualidade e o do Observatório dos Percursos dos Estudantes. Objectos científicos preferidos: família, trabalho e fecundidade; escola, ensino superior e trajectórias dos estudantes; a infância, as crianças e a internet.
Publicações mais recentes:

Almeida, Ana Nunes de, Delicado, Ana e Alves, Nuno de Almeida, Carvalho, Tiago (2012) “Children and digital diversity: from ‘unguided rookies’ to ‘self-reliant cybernauts’, Childhood, 19(2), pp. 219-234 (doi: 10.1177/090756821140897)

Almeida, Ana Nunes de e Vieira, M. Manuel (2012). “From university to diversity: the making of Portuguese Higher Education” in Guy Neave e A. Amaral (eds). Higher Education in Portugal, 1974-2009. A Nation, a Generation. London, NYork: Springer, pp.137-160
Almeida, Ana Nunes de (coord) (2011). História da Vida Privada, vol IV (coordenação geral da obra de J. Mattoso). Lisboa: Círculo dos Leitores
Almeida, Ana Nunes de (2009). Para uma sociologia da infância. Lisboa: ICS.
Ana Delicado é investigadora auxiliar do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Socióloga, licenciada pela FCSH-UNL, mestre e doutorada pela Universidade de Lisboa. Foi investigadora do Observatório das Ciências e Tecnologias (Ministério da Ciência e Tecnologia) e do Institute for Prospective Technological Studies (Joint Research Centre - European Commission).
Trabalha principalmente na área dos estudos sociais da ciência. Já desenvolveu investigação sobre organizações não governamentais e voluntariado, riscos ambientais, museus de ciência e cultura científica e mobilidade internacional dos cientistas. Coordena atualmente projectos sobre associações científicas e sobre energias renováveis. Participa ainda em outros projectos sobre o uso da internet pelas crianças, sobre erosão costeira, sobre energia nuclear e sobre alterações climáticas.
É autora de um livro, "A musealização da ciência em Portugal" (Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian), que recebeu o Prémio de Investigação em Museologia da APOM Associação Portuguesa de Museologia, co-autora de outros dois livros e tem publicados 14 capítulos de livros e 20 artigos em revistas científicas nacionais e internacionais.

PAP1496 - Práticas Familiares, Rituais e Imaginação Sociológica. Dilemas e desafios na adaptação da ‘entrevista de episódio’ a múltiplos episódios.
Resumo de PAP1496 - Práticas Familiares, Rituais e Imaginação Sociológica. Dilemas e desafios na adaptação da ‘entrevista de episódio’ a múltiplos episódios. PAP1496 - Práticas Familiares, Rituais e Imaginação Sociológica. Dilemas e desafios na adaptação da ‘entrevista de episódio’ a múltiplos episódios.
PAP1496 - Práticas Familiares, Rituais e Imaginação Sociológica. Dilemas e desafios na adaptação da ‘entrevista de episódio’ a múltiplos episódios.

No ano em que se assinalam 100 anos sobre a publicação de 'As Formas Elementares da Vida Religiosa' (1912), procuramos nesta comunicação demonstrar a actualidade, operacionalidade e proficuidade das teses durkheimianas em torno do estudo do ritual, a partir da análise empiricamente ilustrada das virtualidades e limitações da opção metodológica por uma forma particular de entrevista – ‘a entrevista de episódio’ – utilizada para uma aproximação à família contemporânea enquanto «categoria realizada» (Bourdieu, 1993).Como ir além do discurso dedutivo e generalista das teses da desinstitucionalização, individualização e risco que desenham um diagnóstico de instabilidade, diluição, fragilidade ou até mesmo desaparecimento da família contemporânea (Brannen e Nielsen, 2005)? Como captar empiricamente esta realidade de um modo que dê, simultaneamente, conta das suas transformações recentes e do significado que assume para os actores, e que permita uma compreensão ampla, plural e actual das inúmeras evidências pelas quais a família se nos apresenta na contemporaneidade? Orientados por esta questão de partida, optámos por estudar as «práticas familiares» (Morgan 1996, 1999), especificamente, os rituais familiares (Bossard e Boll, 1950; Wolin e Bennett, 1984).Argumentamos nesta comunicação que a opção por uma abordagem metodológica qualitativa, intensiva e em profundidade, assente principalmente no recurso a uma entrevista de episódio (Flick, 1997; 2005 [2002]), permitiu captar experiências e significados associados a práticas e representações pluridimensionais dos rituais familiares enquanto processos interactivos e significantes, simultaneamente localizados na cultura, história e biografia pessoal, decisivos para estabelecer e desenvolver o argumento principal da tese a que chegámos, o que iremos ilustrar com exemplos retirados da prática empreendida. Ao partir do pressuposto que as experiências dos indivíduos são armazenadas e recordadas na forma de conhecimento semântico (conceitos e inter-relações entre conceitos) e de narração de episódios (experiências, situações e circunstâncias concretas), a entrevista de episódio permite a recolha de dados (da parte do investigador) sob a forma de uma narrativa contextualizada (pelo entrevistado), o que traz maior densidade ao discurso, uma vez que os significados estão mais próximos das experiências e do contexto que os gera. Julgamos que um maior conhecimento por parte da comunidade científica portuguesa das vantagens da entrevista de episódio em alternativa à entrevista em profundidade ou semi-estruturada poderá contribuir para, do ponto de vista da prática da investigação, aumentar a eficácia, eficiência e rigor dos métodos e técnicas de pesquisa por referência a um enquadramento teórico específico e, ao mesmo tempo, promover o debate interdisciplinar sobre a “prática da razão sociológica”.
  • COSTA, Rosalina Pisco CV de COSTA,  Rosalina Pisco
Rosalina Pisco Costa é professora auxiliar na Universidade de Évora e investigadora no CEPESE – Centro de Estudos da População, Economia e Sociedade. É licenciada e mestre em Sociologia na área de especialização ‘Família e População’ pela Universidade de Évora. Em 2011, depois de ter sido bolseira FCT, Gulbenkian e Visiting Student no Morgan Centre for the Study of Relationships and Personal Life da Universidade de Manchester, concluiu o Doutoramento em Ciências Sociais (Sociologia) no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL), com a tese Pequenos e Grandes Dias: Os Rituais na Construção da Família Contemporânea. As suas principais áreas de interesse, investigação e publicação são a família e vida pessoal; tempo social e idades da vida; e, mais recentemente, as questões da ritualização, consumo, memória e imaginário, aplicadas às representações, discursos e práticas n(d)a família contemporânea.

PAP1368 - Uma abordagem compreensiva aos processos de identificação com a profissão – o caso de psiquiatras em início de carreira
Resumo de PAP1368 - Uma abordagem compreensiva aos processos de identificação com a profissão – o caso de psiquiatras em início de carreira PAP1368 - Uma abordagem compreensiva aos processos de identificação com a profissão – o caso de psiquiatras em início de carreira
PAP1368 - Uma abordagem compreensiva aos processos de identificação com a profissão – o caso de psiquiatras em início de carreira

O ponto de partida proposto é uma discussão em torno do trabalho teórico-metodológico desenvolvido no âmbito de uma dissertação de Mestrado, na qual se procurou observar empiricamente a experiência subjectiva produzida no domínio profissional da Psiquiatria. Teve-se em vista abordar as representações que médicos psiquiatras em início de carreira manifestam face aos seus saberes, às suas práticas e aos contextos onde exercem a sua actividade profissional. Em ternos teóricos, procurou-se equacionar este objectivo à luz dos quadros conceptuais que informam o fenómeno identitário. É, portanto, objectivo desta comunicação apresentar os desafios que esta abordagem encerra, bem como as propostas de superação encontradas. No domínio das Ciências Sociais, a Psiquiatria aparece inscrita num espaço marcado por controvérsias teóricas que acentuam em graus e níveis diversos as dicotomias expressas nos pares indivíduo versus sociedade, e liberdade versus constrangimento. Àquelas, acrescentam-se as implicações políticas relativas ao alcance, ao impacto e às funções que esta especialidade tem assumido na individualização dos problemas sociais. Por outro lado, o tema da «identidade» e a sua recente transposição para os quadros da Sociologia impõem a superação de vários obstáculos decorrentes de uma observação à «escala dos sujeitos». Assim, tanto em termos substantivos como metodológicos, a delimitação deste objecto revelou ser um percurso íngreme, de contornos sinuosos. Informada por uma orientação metodológica qualitativa, esta pesquisa reclamou um trabalho de vaivém, multi-posicionado e atento na definição de uma correspondência progressiva entre as condições específicas do terreno, as perguntas orientadoras da pesquisa e os recursos teóricos disponíveis. A resolução (provisória) dos dilemas analíticos presentes, concretizou-se na concepção de um desenho de pesquisa que procurou integrar a dupla valência da descoberta e da construção, faseado por dois momentos, com objectivos e procedimentos diferenciados. Obteve-se, em resultado, um tratamento qualitativo das entrevistas realizadas, organizado na apresentação de um registo duplo – biográfico e relacional – de apreensão aos processos de identificação manifestados por médicos psiquiatras face à profissão exercida. Os resultados obtidos vêem acrescentar contributos ao debate metodológico no que toca a observação e operacionalização da temática identitária quando equacionada à escala das profissões de natureza intelectual e científica. Nomeadamente ao esclarecer e discutir o estatuto sociológico a atribuir às singularidades e ao conhecimento de «especialistas», à entrevista como técnica de recolha central, e às exigências epistemológicas que aquelas circunstâncias colocam na situação social de interacção entre os papéis de entrevistador e entrevistado.
  • COSTA, Nádia CV de COSTA, Nádia
Nome: Nádia Costa (PAP 1368)
Formação/Afiliações institucionais: Licenciada e Mestre em Sociologia pela FLUP.
A colaborar actualmente no âmbito do projecto "Empreendedorismo Social em Portugal: as políticas, as organizações e as práticas de educação" desenvolvido pelo ISFLUP em parceria com a A3S - Associação para o Terceiro Sector - e Dinâmia/ISCTE.
Interesses de investigação: interesse teórico-metodológico em torno do tema mais lato das "identidades", da produção do conhecimento (científico e leigo), dos valores, dos estilos de vida e das formas de participação cívica.