PAP0615 - A inserção dos estudantes estrangeiros englobados em programas de mobilidade universitária na comunidade académica da Universidade do Minho e no contexto social circundante
Este artigo reporta os resultados de uma investigação realizada no âmbito da licenciatura em Sociologia na Universidade do Minho. A partir das experiências de convívio numa residência universitária, onde residimos durante três anos, foi possível obter muitos contactos com estudantes estrangeiros de mobilidade universitária. Nesta convivência permanente percebemos que a inserção destes estudantes dentro da comunidade académica local, bem com o meio social envolvente da universidade, era uma questão pertinente. A partir desse ponto, observamos um certo distanciamento dentro da própria sala de aula entre os estudantes portugueses e os estrangeiros que frequentavam as nossas unidades curriculares. Um afastamento que, na nossa óptica, ia para além da sala de aula. Se por um lado os rituais de acolhimento têm os objectivos de inserir principalmente os estudantes portugueses que se matriculam para completar a licenciatura na Universidade do Minho, por outro, os estudantes estrangeiros têm o seu próprio espaço de acolhimento e constroem os seus próprios eventos e celebrações, como festas e passeios. Todos estes factores de complexidade, mas igualmente de distaciamento dos estudantes estrangeiros englobados em programas de mobilidade universitário com a comunidade académica local e no meio social da Universidade do Minho, integram o nosso objecto de estudo. Para compreender tais aspectos, foi fundamental enquadrar teoricamente o estudante universitário da academia minhota a partir de estudos realizados por Almeida et all (2002). Com base nestas investigações, partimos para uma observação empírica sobre os percursos de inserção dos estudantes estrangeiros englobados em programas de mobilidade universitária na comunidade académica local, bem no meio social que rodeia a Universidade do Minho. Esta observação foi apoiada em entrevistas semi-estruturadas realizadas a estes estudantes, que partilharam suas experiências e representações durante o intercâmbio que fizeram em Portugal. Experiências estas marcadas por um certo distaciamento em relação aos colegas portugueses, por falta de reciprocidade por parte destes últimos. Este distanciamento não se verifica no que toca ao meio social da cidade de Braga, onde os estudantes demonstram um sentimento de pertença quando se fala da cidade.
- FERREIRA, Filipe

Filipe André Von Nordeck Sousa Ferreira
Universidade do Minho
Mestrando de Sociologia - Desenvolvimento e Políticas Sociais
Cultura e Estilos de vida
Mobilidade e dinamicas sociais
Desenvolvimento e Políticas Sociais
PAP1402 - Caminhar e pedalar na cidade automobilizada : Análise das representações sociais vigentes
A reflexão em torno da mobilidade quotidiana
em espaço urbano remete-nos para as questões
associadas aos significados que lhe estão
inerentes. As práticas de mobilidade são muito
mais que práticas de deslocação física de um
ponto para outro, são práticas significativas,
uma vez que sendo a mobilidade uma prática
social, está relacionada com as normas
culturais e regras vigentes numa determinada
sociedade.
Cresswell (2006) defende as práticas de
mobilidade são ideológicas, sendo que a
mobilidade está associada a diversas
conotações que têm mudado ao longo do tempo e
que divergem de sociedade para sociedade. O
conceito de mobilidade é o equivalente
dinâmico do lugar transportando em si
significados, poder e compreensões
conflituais. O discurso em torno da mobilidade
integra diversos conceitos contraditórios,
encerrando em si múltiplos significados. Este,
tal como outros, é um conceito que não é
neutro.
Para Cresswell a “mobilidade é um emaranhado
de movimento físico, de significado e de
prática” (2009:25), sendo que cada um destes
elementos que se encontram ligados entre si
integra em si relações de poder.
Compreender os processos complexos de
mobilidade passa necessariamente pela análise
das representações sociais subjacentes aos
diversos sistemas de mobilidade (Cresswell
2006; 2009), uma vez que a escolha de
determinado meio de deslocação está em grande
parte associado ao modo como os actores
sociais apreendem a realidade social e
desenvolvem representações sociais acerca da
mesma.
A observação da imprensa escrita constitui uma
forma importante de recolha de dados sobre a
opinião pública, permitindo-nos, através da
sua análise, compreender as representações e
os significados relativos a um determinado
objecto cultural em circulação numa sociedade.
Em Portugal apenas 15% dos indivíduos se
desloca a pé e 1% de bicicleta contra 56% que
se deslocam diariamente de carro e 25% de
transportes públicos, segundo dados do
Eurobarómetro de 2007.
Com base no observatório de imprensa efectuado
no âmbito da dissertação para doutoramento em
curso para o qual recolhi notícias de três
jornais: Diário de Notícias, Jornal de
Notícias e Público relativas a duas formas
específicas de deslocação - a pedonal e a
velocipédica - pretendo analisar os
significados vigentes acerca das mesmas, tendo
em atenção que são dois modos de deslocação em
concorrência com o automóvel – a forma
dominante de deslocação numa sociedade como a
nossa – altamente “automobilizada”.
- MANTAS, Ana Isabel
PAP0394 - Educational Mobility in Intercultural Perspective. The Polish-Portuguese Case
The opening of state borders and job markets encourages mobility processes and intensifies intercultural contacts. These interactions are especially visible in the case of international programs, such as the Erasmus scholarship. The special value of these exchanges lies in the opportunity given to the attendants in their adolescence period: to associate with a different culture and society in a longer perspective, to get to know “the difference” and to develop their own cultural potential. The student exchange creates better educational conditions, gives the opportunity to raise the social status of scholarship holders and makes them gain new competences in a multicultural environment (e.g. language, education). To put it in Bourdieuan terms, they obtain a new habitus. Moreover, most of them become part of an international network of contacts and accumulate social capital – this fact influences later on their life attitudes and choices. The life learning process in an international environment is regarded nowadays as highly valuable. The competences acquired during this process smooth the path to the understanding of “the others”, and enable the work in the framework of different organizational cultures (G. Hofstede). However, the advantages of scholarship programs are not exploited enough in Polish-Portuguese relations. This causes losses both in the economical and socio-cultural dimensions, as mutual opportunities remain neglected. The aim of the paper will be to present the results of a research conducted among Polish youth of former holders of Erasmus scholarship in Portugal. The results will provide a sketch of the framing of Portuguese culture by Polish students, and also information about the influence of the Erasmus experience on their attitude life choices. We will try to answer the question whether these “Portuguese elements” are present in the career and private life of Polish students. It is a vital issue if experiences gained during external scholarships help to improve the competences to work in an international environment and facilitate intercultural contacts.
- BUKALSKA, Izabela

Izabela Bukalska is a PhD candidate in The Institute of Philosophy and Sociology of Polish Academy of Science and member of Sociology of Culture Department in Institute of Sociology in Cardinal Stefan Wyszyński University in Warsaw. She held scholarships in University in Porto and Eotvos Lorand University in Budapest. Research interests: intercultural communication, national minorities, changes in national identity as an effect of intercultural contacts, etc
PAP0620 - Educação mas não só: determinantes da mobilidade social em diferentes regiões da Europa
Um entendimento do que se tem passado, nas últimas décadas, quanto à mobilidade social na Europa é crucial para o debate sobre as crises e as reconfigurações que hoje vivemos. Embora exista um registo amplo das transformações estruturais que ocorreram nos mercados de trabalho e nos sistemas educativos, os efeitos destas sobre os padrões de mobilidade social permanecem difusos e controversos. Em particular, importa questionar se a noção de igualdade produzida em estudos anteriores está a ser posta em causa por desenvolvimentos recentes.
A comunicação começa por reunir contributos clássicos e recentes da sociologia das classes e da mobilidade social. Três questões são nomeadas: (1) que padrões de mobilidade social podemos observar ao longo das últimas décadas na Europa?; (2) qual o impacto dos diferentes sistemas educativos nesses padrões; (3) poderá a variação identificada ao longo do tempo e entre países estar relacionada com eixos de diferenciação interna das populações como o género e a etnia, amplamente documentados noutros campos da sociologia? A resposta é procurada com a análise de dados do European Social Survey de 2008. Numa breve secção sobre opções metodológicas, descrevem-se os indicadores utilizados e os cálculos de ‘mobilidade absoluta’ e ‘mobilidade relativa’. A comparação internacional assenta em cinco clusters regionais definidos a partir de afinidades significativas no que toca a estrutura de classe, regime de previdência social e sistema educativo.
Os resultados confirmam índices crescentes de mobilidade, na 2ª metade do século XX, associados a transformações estruturais de grande monta. A erosão do elo educação-ocupação constitui hoje uma ameaça a esta tendência. Os sistemas educativos do Reino Unido e Irlanda surgem como mais igualitários, mas a sua capacidade sobre a estrutura ocupacional é menor. Os sistemas escandinavos apresentam probabilidades mais elevadas de mobilidade social através da educação. Há diferenças significativas ao comparar homens e mulheres, assim como nativos e imigrantes. Mais do que corroborar a vulnerabilidade de mulheres e imigrantes, os números sugerem que o género e a imigração são aspectos fundamentais para entender as diferenças de padrões de mobilidade entre regiões da Europa.
O cluster dos países mediterrânicos merece especial atenção. Desde logo, estamos perante índices de fluidez menores quer na relação origem-educação (como na Europa de Leste), quer na relação educação-destino (como no Reino Unido e Irlanda). Em segundo lugar, a correlação entre desempenho escolar e classe de destino é mais acentuada entre as mulheres do que entre os homens, isto em ambas as extremidades da escala socioeconómica. Também a diferença entre população nativa e população imigrante é especialmente forte, fenómeno que congrega efeitos da reduzida escolaridade entre imigrantes e a sua elevada probabilidade de empregos abaixo das qualificações.
- ABRANTES, Pedro
- ABRANTES, Manuel

Manuel Abrantes é membro do SOCIUS: Centro de Investigação em Sociologia Económica e das Organizações, Universidade Técnica de Lisboa, e Professor Convidado de Sociologia do Trabalho e do Lazer na Universidade Aberta. Os seus principais interesses académicos incluem o trabalho, o género, a migração e a participação política. É autor do livro Borders: Opportunities and Risks for Immigrant Workers in Cities of the Netherlands e tem contribuído para diversos volumes conjuntos e revistas científicas. Desde 2010, está a conduzir estudos de doutoramento na Universidade Técnica de Lisboa sobre as condições e as relações de trabalho no setor dos serviços domésticos.
PAP0806 - GT Estudos Ciganos em Portugal - A integração de ciganos em Portugal
A integração social consiste na aprendizagem das normas sociais que se incorporam nas formas de estar, agir e sentir, ou seja, fazem com que o indivíduo se identifique com a realidade social que o rodeia. A aprendizagem decorre com o processo de socialização, nos quadros de vida envolventes e nas experiências sociais a que cada um tem acesso. Trata-se de uma realidade dinâmica com múltiplas combinações de traços sociais, culturais e identitários.
Num estudo qualitativo realizado em Portugal sobre ciganos integrados, constatou-se que os motivos ou factores na origem da integração podem ser diversos, sendo que há distinções de percursos e de histórias de vida de integração sobretudo por razões que se prendem com questões de género, com as origens socioeconómicas e culturais, a ascendência familiar, o tipo de uniões conjugais, a escolaridade, a habitação e as relações sociais diversificadas.
Os resultados deste estudo revelam a diversidade dessas trajectórias e percursos de vida, a heterogeneidade de origem e de traços culturais e identitários que, aparentemente, não coloca em causa o sentimento de pertença e de ancoragem à identidade cigana.
- MAGANO, Olga

Olga Magano, Universidade Aberta/ Centro de Estudos das Migrações e Relações Interculturais (CEMRI). Licenciatura e Doutoramento em Sociologia.
Interesses de investigação: ciganos; sociologia da integração; sociologia da exclusão; identidade social; mobilidade social.
PAP0568 - Mobilidade geográfica e desigualdades sociais. Desafios para a formulação de políticas públicas na AML.
A produção de mobilidades geográficas tem sido abordada de uma forma multifacetada (Urry, 2000; Cresswell, 2006; Kaufmann, 2004; Montulet, 2005). A mobilidade refere-se tradicionalmente a deslocações geográficas, a movimentos de uma origem a um destino através de uma trajectória que pode ser descrita em termos de espaço e de tempo (Kaufmann e outros, 2004: 746). Condição mutável, é resultado de tendências de classe, acesso às infra-estruturas e da definição social das obrigações familiares, conjugando aspectos sociopolíticos e estratégias diárias dos indivíduos ou das famílias (Camarero e Oliva, 2008:345).
Reflecte então dinâmicas de desigualdade – colocadas em termos de diferentes condições de acessibilidade aos lugares e de mobilidade das pessoas – que configuram situações de inclusão/ exclusão. Estas dinâmicas de desigualdade são simultaneamente produto e matéria do planeamento de base territorial. A estrutura urbana fornece possibilidades e constrangimentos para a mobilidade dos indivíduos e das famílias constituindo um factor determinante na maior ou menor acessibilidade aos lugares (de trabalho, residência, lazer, família, etc.). No entanto, os indivíduos transformam e apropriam-se destes espaços e possibilidades de mobilidade contribuindo para a produção social do espaço (Lefebvre, 1974). Entre a acção sobre a estrutura urbana e a promoção de boas práticas de mobilidade pela população, evocar-se-á o papel das políticas públicas na redução das desigualdades sociais e procura de maior justiça social/espacial (Harvey, 1973; Lefevbre, 1974; Asher, 2010; Soja, 2010).
Na Área Metropolitana de Lisboa (AML), são estreitas as relações entre o desenvolvimento dos sistemas de transportes, as alterações dos padrões de mobilidade e o desenvolvimento das configurações urbanas (Salgueiro, 2001; Ferrão e outros, 2002; Marques da Costa, 2007). De 1991 para 2001 o fluxo de veículos a entrar em Lisboa aumentou 60% (CML, 2005), colocando não só os mais conhecidos desafios ambientais, de congestão e disfuncionalidade da rede viária mas também questões de diferenciação social que poderão acentuar-se numa cidade cuja mobilidade parece cada vez mais dependente do transporte individual. Um análise preliminar dos dados do recenseamento de 2011 e das politicas urbanas e de transportes de Lisboa, ajudar-nos–ão a compreender como aqui se aborda a relação entre a mobilidade geográfica quotidiana, o planeamento em transportes públicos e dinâmicas de redução ou reprodução de desigualdades sociais.
- SANTOS, Sofia

Sofia Santos. Bolseira de doutoramento (sociologia) no CIES-IUL. Licenciada e mestre em Geografia Humana e Planeamento. Interesses de investigação: mobilidade geográfica, desigualdades socio-espaciais, identidades territoriais, políticas públicas, desenvolvimento local.
PAP1453 - O espaço público da cidade competitva: lazer e mobilidade; inclusão e exclusão
Em 1948, o plano diretor de Lisboa definiu a criação, na região oriental da cidade, de uma zona industrial associada ao porto. Ao longo do século XX, essa região foi também sendo utilizada como abrigo de políticas habitacionais destinadas à população de baixa renda (Gato 1997). Com a desativação e obsolescência de parte das indústrias e a viragem da economia portuguesa para o setor terciário/quaternário (Matias Ferreira e outros, 1997), a região oriental foi se consolidando como uma periferia social. Tais condições justificaram que a zona fosse escolhida para abrigar a Exposição Mundial de 1998, dada como trunfo para tornar Lisboa mais competitiva. A consecução desse objetivo dependia também do sucesso de um projeto de reurbanização que visava constituir ali a "nova centralidade" da capital portuguesa e um de seus principais pontos turísticos. A administração divulga hoje que o perímetro é visitado por 20 milhões de pessoas ao ano ante uma população residente de 25 mil. A gestão do território, batizado de Parque das Nações, é mais distante do poder local e mais próxima do Governo Central, acionista majoritário da empresa criada para realizar a intervenção e fazer a gestão urbana.
Apresentamos aqui os resultados de uma investigação dos espaços públicos do Parque, realizada por meio de observação direta, entrevistas não-estruturadas e análise de documentos. Descrevemos como o urbanismo adotado no Parque combina o favorecimento à circulação – uma característica da modernidade (Foucault, 2007) - com a valorização do lazer - uma característica do urbanismo e do modo de vida urbano atuais (Baptista, 2004). Tal combinação é uma estratégia para ancorar temporariamente o indivíduo nos espaços públicos, permitindo que esses sejam uma ferramenta de competitividade urbana por ajudarem a atrair a massa permanente de população cambiante (Martinotti, 2005) necessária à ocupação do Parque.
Demonstramos então como essa concepção de espaços públicos envolve exclusão de algumas formas de ocupação mas também pela própria inclusão, ainda que condicionada, de outras. Assim, para analisar como se dá a organização das ocupações, é necessário recorrer a uma dinâmica que apreendemos pelo conceito de "processos de inclusão e exclusão". Há uma expressiva negação, pela administração, da exclusão de qualquer indivíduo, o que é condizente com a ideia de que o espaço público deve ser acessível. Uma ideia que condiz com a ficção igualitária da modernidade (Martucelli, 2002).
- PEREIRA, Vitor Sorano

Graduado em comunicação e mestre em Sociologia, é jornalista do diário O Globo (Brasil), e investigador colaborador do Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa-UNL/Cesnova (Portugal). Entre 2007 e 2009, foi repórter investigativo de administração local e urbanismo na cidade de São Paulo (Brasil). Com a dissertação “Para o 'cidadão em abstracto': a produção de espaços públicos na cidade reurbanizada”, concluiu o mestrado em Sociologia, linha de especialização Território, Cidade e Ambiente, pela UNL. Apresentou a comunicação “Inclusão e exclusão: a suave e fragmentária organização do espaço de uso público consumível” (Sicyurb/2011). Entre os interesses de pesquisa está a relação entre o lazer e a mobilidade, como competências de indivíduos e características de ações, com a mobilização, a participação cívica e o urbanismo.
PAP0110 - Origens, destinos e trajectórias de classe: Uma análise da mobilidade social em 2 gerações de portugueses
Diversos estudos têm demonstrado a manutenção de elevados níveis de desigualdade na sociedade portuguesa, com a situação da família de origem a influenciar fortemente a trajectória social dos indivíduos. Tendo como pano de fundo as significativas alterações que enquadram a modernidade portuguesa, o objectivo central desta comunicação é o de apresentar um conjunto de reflexões e de dados novos sobre mobilidade social, a partir da investigação comparativa das trajectórias de classe social de portugueses nascidos em diferentes gerações. Parte-se de uma perspectiva teórica sobre as classes sociais, que as entende como um conjunto de agentes que ocupam posições aproximadas, num sistema pluridimensional de desigualdades, e valoriza-se uma perspectiva sobre o percurso de vida que reconhece a importância central dos constrangimentos estruturais, mas não os assume como um determinismo, salientando a necessidade de os analisar longitudinalmente. Usando dados do projecto "Trajectórias familiares e redes sociais: a trajectória de vida numa perspectiva intergeracional" examinam-se comparativamente trajectórias de classe seguindo o percurso de vida. Utiliza-se uma metodologia inovadora que recorre à análise sequencial procurando estabelecer uma relação entre tempo histórico e mobilidade social. Comparam-se trajectórias de classe dos indivíduos em função das suas origens de classe, visando relacionar mobilidade, geração e género. Conclui-se que a desigual distribuição de recursos, materiais e escolares, continua a ser fulcral para a compreensão das trajectórias de classe e de mobilidade social, embora se observem diferenças geracionais consideráveis nos mecanismos de reprodução das desigualdades. Para além da importância da classe social de origem, a desigual distribuição das qualificações escolares, em particular das mães, revela-se decisiva para compreender a mobilidade social em Portugal.
- RAMOS, Vasco

Vasco Ramos
Doutorando FCT no ICS-UL.
Mestre em Sociologia pelo ISCTE-IUL
Interesses: Classes e Estratificação Social; Família e Género; Populações, Gerações e Ciclos de Vida.
PAP1026 - Percursos laborais dos jovens nos novos sectores de serviços
O abstract que vimos por este meio submeter à apreciação dos coordenadores da Secção Temática “Trabalho, Organizações e Profissões” tem por base o projecto Percursos laborais e de vida dos jovens imigrantes e descendentes de imigrantes nos novos sectores de serviços, o qual resulta de um protocolo SOCIUS / ACIDI.
A existência de uma relação privilegiada entre as diversas formas flexíveis de emprego e os jovens, inseridas nos processos de reestruturação económica à escala global e em estratégias empresariais de acréscimo de competitividade, baseada na redução de custos com a mão-de-obra, é um facto relativamente bem conhecido. A crise actual dificulta ainda mais a transição da escola para a vida profissional e exacerba a vulnerabilidade dos jovens a situações de desemprego e a formas de trabalho precárias. No contexto actual de crise e desregulamentação dos mercados de trabalho fortemente penalizadora da mão-de-obra jovem em geral, levanta preocupações sérias a situação dos imigrantes jovens e daqueles que embora tendo nascido já em Portugal, por razões culturais, possam estar a ser afectados por processos de marginalização e dumping social.
A investigação incidiu sobre a área metropolitana de Lisboa, zona onde há uma maior concentração de imigrantes e, também, de actividades escolhidas para o estudo. Estas dizem respeito ao sector dos serviços, seleccionando, dentro destes, os subsectores portadores das novas tendências de uma economia de serviços avançados ligados às novas tecnologias de informação e comunicação (call centres), novas formas de comércio (centros comerciais) e restauração (nomeadamente fast-food).
Foram realizadas 40 entrevistas semi-estruturadas: 10 a interlocutores privilegiados (dirigentes sindicais, representantes de associações de jovens e de associações de imigrantes) e 30 a jovens de ambos os sexos, com idades entre os 15 e os 29 anos, que trabalham nos subsectores acima mencionados.
A comunicação que propomos terá na sua base a resposta do projecto às seguintes questões: Serão os jovens imigrantes e os descendentes de imigrantes mais afectados do que os “jovens nacionais” por percursos laborais e de vida mais irregulares e problemáticos? Estarão mais sujeitos a situações de desemprego, ao trabalho clandestino e a formas de emprego flexíveis e precarizantes?
Apresentaremos as principais conclusões retiradas das entrevistas, numa perspectiva de confronto entre as opiniões de interlocutores e jovens, e numa análise comparada da situação dos jovens em cada um dos sectores, nomeadamente no que diz respeito ao tipo de funções desempenhadas, horários de trabalho, tipos de contrato, condições de trabalho, remuneração e relações entre colegas e superiores, além das perspectivas futuras destes jovens a nível profissional.
- CERDEIRA, Maria Conceição

- EGREJA, Catarina

- KOVACS, Ilona
Maria da Conceição Santos Cerdeira é licenciada em Sociologia pelo ISCTE e doutorada em Sociologia Económica e das Organizações pelo ISEG-UTL, instituição onde exerceu actividade docente durante cerca de duas décadas. Actualmente é Professora Associada no ISCSP, membro integrado do CAPP e membro associado do SOCIUS. Participou na elaboração do Livro Verde das Relações Laborais e integrou a Comissão do Livro Branco das Relações Laborais. Isoladamente ou em co-autoria publicou algumas dezenas de obras, destacando-se, entre as últimas (com J. Dias): “Trade Union Strategies, Precariousness and Sustainable Development: an Analysis of the Portuguese Case”, in Garibaldo, Francesco / Yi, Dinghong (eds.), (20012), Labour and Sustainable Development North-South Perspectives, Frankfurt am Main, Berlin, Bern, Bruxelles, New York, Oxford, Wien: Peter Lang International Academic Publishers, pp. 219-236.
Catarina Egreja, licenciada em Sociologia e Mestre em Economia Social e Solidária, pelo ISCTE-IUL. Tem colaborado em variados projectos em diferentes centros de investigação, encontrando-se actualmente no IN+ (Centro de Estudos em Inovação, Tecnologias e Políticas de Desenvolvimento), do Instituto Superior Técnico. A sua principal área de investigação tem sido a Imigração.
PAP0412 - Trânsito religioso no Brasil: mudanças e tendências contemporâneas. Novas composições da religião e da crença num campo religioso em movimento.
O campo religioso brasileiro apresenta tendências em contínua movimentação. Pretende-se tematizar a mudança de religião no Brasil, fenômeno em expansão nas últimas décadas, decorrente do decrescimento dos católicos, crescimento dos evangélicos pentecostais, dos novos movimentos religiosos e do número de pessoas sem religião. A expansão destes movimentos, a fragilização das filiações religiosas institucionalizadas, a desregulação da crença, que se apresenta dúplice ou múltipla, a personalização da religiosidade, através de novas formas de crer, levam a uma recomposição da religião e ao repensar de seu enquadramento conceitual.
Para isso, oferece-se uma exposição da mobilidade religiosa brasileira, a partir de levantamentos realizados em escala nacional e regional. Para isso, procura-se reunir pesquisas de entidades e pesquisadores sobre a configuração do campo e da mobilidade religiosa, reunindo textos sociológicos e demográficos, que mostram a migração entre grupos e instituições, e estudos antropológicos que apontam para a necessidade de observações qualitativas na empresa de identificar não somente as migrações, mas as rotas das crenças e das práticas, as quais vão pluralizando ainda mais o campo. Além disso, abordam-se estudos que apontam para a personalização das escolhas religiosas, vivências dúplices e múltiplas das crenças e participações, com novas inclusões de percursos e trajetórias.
Nesse sentido, a recente disponibilização dos símbolos religiosos, a abolição de fronteiras confessionais, a tendência à negação da identidade das instituições, levam-nos a perceber a mobilidade religiosa através do foco das disposições subjetivas, mais do que uma competição entre grupos religiosos constituídos.
Como subsídio empírico, através de estudos de caso, narra-se diferentes trajetórias biográficas de mudança de filiação religiosa, casos e representações em que se redefine um novo crer personalizado. Assim, mudanças e tendências do próprio campo, cada vez mais plural e diversificado, e recomposições de identidade religiosa trazem novas possibilidades para se pensar o trânsito religioso no Brasil.
- BARTZ, Alessandro

Alessandro Bartz é teólogo, licenciado em história, mestre e doutorando pela Escola Superior de Teologia (EST), localizada em São Leopoldo/RS, Brasil. Atualmente é professor na Educação Básica, em Sapucaia do Sul, no mesmo Estado. Pesquisa a mobilidade religiosa no campo religioso brasileiro, especialmente, entre os protestantes tradicionais, com pesquisas de campo no Rio de Janeiro, São Luís do Maranhão e Rio Grande do Sul. Escreveu o livro, juntamente com Oneide Bobsin, intitulado "Mobilidade e adesão em comunidades urbanas da IECLB", lançado em 2011.
PAP0593 - “Os meus, os outros ou os nossos”: A integração dos alunos migrantes na Universidade de Aveiro.
Com esta comunicação pretende-se apresentar e assim debater um trabalho de mestrado em desenvolvimento na Universidade de Aveiro sobre a Integração dos Alunos Migrantes, nomeadamente, os alunos oriundos dos PALOP e Timor Leste. Este trabalho surge como forma de combater uma preocupação levantada pela própria instituição relativamente ao insucesso escolar e de enquadramento por parte destes mesmos alunos.
As migrações são uma realidade constante em Portugal e a imigração tem sido desde meados dos anos setenta um facto incontornável, com impacto necessariamente no ensino superior. Facto que merece especial atenção pelo significativo acréscimo do número de estrangeiros a residir em Portugal e pela sua forte heterogeneidade no que à nacionalidade da sua população concerne (Norte et al, 2004:7).
Além disso, com a crescente globalização do mercado de trabalho, com o desenvolvimento das redes transnacionais de apoio à imigração e com a livre circulação de bens, pessoas e capitais no seio da União Europeia, esta tendência imigratória foi-se alargando a outros países e continentes (Abreu & Peixoto, 2009:738).
Este projecto, se por um lado, pretende responder às necessidades dos alunos migrantes considerando as infra-estruturas políticas e sociais da instituição. Por outro, tenta perceber o que pode ser mudado ou criado para promover uma melhor vida académica e social (acolhimento, orientação e integração) aos mesmos durante o período de tempo que aí estudam.
Assim, procura-se delinear mecanismos que respondam à questão da integração dos alunos e sua orientação na universidade de Aveiro, isto é, com as infra-estruturas, medidas e apoios de que a universidade deve possuir de modo a permitir um bom desempenho por parte deste grupo de alunos.
Assiste-se, neste sentido, a um contraste entre os alunos dos programas de mobilidade e os outros, isto é, dois cenários semelhantes, mas simultaneamente muito diferentes. Os alunos europeus dos programas de mobilidade cujo processo de chegada e enquadramento na universidade de destino é previamente preparado contrariamente ao que acontece com os alunos migrantes. Alunos igualmente oriundos de países estrangeiros, imigrantes em Portugal ou detentores de background migrante, mas que não se encontram ao abrigo de um programa de cooperação interuniversitária nem lhes são, muitas vezes, facultados apoios de forma a facilitar a sua integração na universidade de destino.
- ALVES, Stephanie Silva

- GOMES, Maria Cristina Sousa
Stephanie Silva Alves
Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território da Universidade de Aveiro
Licenciatura em Línguas e Relações Internacionais
Interesses de investigação: Alunos estrangeiros, integração, políticas de acção social