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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012
Associação Portuguesa de Sociologia
PAP0620 - Educação mas não só: determinantes da mobilidade social em diferentes regiões da Europa
Um entendimento do que se tem passado, nas últimas décadas, quanto à mobilidade social na Europa é crucial para o debate sobre as crises e as reconfigurações que hoje vivemos. Embora exista um registo amplo das transformações estruturais que ocorreram nos mercados de trabalho e nos sistemas educativos, os efeitos destas sobre os padrões de mobilidade social permanecem difusos e controversos. Em particular, importa questionar se a noção de igualdade produzida em estudos anteriores está a ser posta em causa por desenvolvimentos recentes.
A comunicação começa por reunir contributos clássicos e recentes da sociologia das classes e da mobilidade social. Três questões são nomeadas: (1) que padrões de mobilidade social podemos observar ao longo das últimas décadas na Europa?; (2) qual o impacto dos diferentes sistemas educativos nesses padrões; (3) poderá a variação identificada ao longo do tempo e entre países estar relacionada com eixos de diferenciação interna das populações como o género e a etnia, amplamente documentados noutros campos da sociologia? A resposta é procurada com a análise de dados do European Social Survey de 2008. Numa breve secção sobre opções metodológicas, descrevem-se os indicadores utilizados e os cálculos de ‘mobilidade absoluta’ e ‘mobilidade relativa’. A comparação internacional assenta em cinco clusters regionais definidos a partir de afinidades significativas no que toca a estrutura de classe, regime de previdência social e sistema educativo.
Os resultados confirmam índices crescentes de mobilidade, na 2ª metade do século XX, associados a transformações estruturais de grande monta. A erosão do elo educação-ocupação constitui hoje uma ameaça a esta tendência. Os sistemas educativos do Reino Unido e Irlanda surgem como mais igualitários, mas a sua capacidade sobre a estrutura ocupacional é menor. Os sistemas escandinavos apresentam probabilidades mais elevadas de mobilidade social através da educação. Há diferenças significativas ao comparar homens e mulheres, assim como nativos e imigrantes. Mais do que corroborar a vulnerabilidade de mulheres e imigrantes, os números sugerem que o género e a imigração são aspectos fundamentais para entender as diferenças de padrões de mobilidade entre regiões da Europa.
O cluster dos países mediterrânicos merece especial atenção. Desde logo, estamos perante índices de fluidez menores quer na relação origem-educação (como na Europa de Leste), quer na relação educação-destino (como no Reino Unido e Irlanda). Em segundo lugar, a correlação entre desempenho escolar e classe de destino é mais acentuada entre as mulheres do que entre os homens, isto em ambas as extremidades da escala socioeconómica. Também a diferença entre população nativa e população imigrante é especialmente forte, fenómeno que congrega efeitos da reduzida escolaridade entre imigrantes e a sua elevada probabilidade de empregos abaixo das qualificações.
- ABRANTES, Pedro
- ABRANTES, Manuel

Manuel Abrantes é membro do SOCIUS: Centro de Investigação em Sociologia Económica e das Organizações, Universidade Técnica de Lisboa, e Professor Convidado de Sociologia do Trabalho e do Lazer na Universidade Aberta. Os seus principais interesses académicos incluem o trabalho, o género, a migração e a participação política. É autor do livro Borders: Opportunities and Risks for Immigrant Workers in Cities of the Netherlands e tem contribuído para diversos volumes conjuntos e revistas científicas. Desde 2010, está a conduzir estudos de doutoramento na Universidade Técnica de Lisboa sobre as condições e as relações de trabalho no setor dos serviços domésticos.
PAP0806 - GT Estudos Ciganos em Portugal - A integração de ciganos em Portugal
A integração social consiste na aprendizagem das normas sociais que se incorporam nas formas de estar, agir e sentir, ou seja, fazem com que o indivíduo se identifique com a realidade social que o rodeia. A aprendizagem decorre com o processo de socialização, nos quadros de vida envolventes e nas experiências sociais a que cada um tem acesso. Trata-se de uma realidade dinâmica com múltiplas combinações de traços sociais, culturais e identitários.
Num estudo qualitativo realizado em Portugal sobre ciganos integrados, constatou-se que os motivos ou factores na origem da integração podem ser diversos, sendo que há distinções de percursos e de histórias de vida de integração sobretudo por razões que se prendem com questões de género, com as origens socioeconómicas e culturais, a ascendência familiar, o tipo de uniões conjugais, a escolaridade, a habitação e as relações sociais diversificadas.
Os resultados deste estudo revelam a diversidade dessas trajectórias e percursos de vida, a heterogeneidade de origem e de traços culturais e identitários que, aparentemente, não coloca em causa o sentimento de pertença e de ancoragem à identidade cigana.
- MAGANO, Olga

Olga Magano, Universidade Aberta/ Centro de Estudos das Migrações e Relações Interculturais (CEMRI). Licenciatura e Doutoramento em Sociologia.
Interesses de investigação: ciganos; sociologia da integração; sociologia da exclusão; identidade social; mobilidade social.
PAP0110 - Origens, destinos e trajectórias de classe: Uma análise da mobilidade social em 2 gerações de portugueses
Diversos estudos têm demonstrado a manutenção de elevados níveis de desigualdade na sociedade portuguesa, com a situação da família de origem a influenciar fortemente a trajectória social dos indivíduos. Tendo como pano de fundo as significativas alterações que enquadram a modernidade portuguesa, o objectivo central desta comunicação é o de apresentar um conjunto de reflexões e de dados novos sobre mobilidade social, a partir da investigação comparativa das trajectórias de classe social de portugueses nascidos em diferentes gerações. Parte-se de uma perspectiva teórica sobre as classes sociais, que as entende como um conjunto de agentes que ocupam posições aproximadas, num sistema pluridimensional de desigualdades, e valoriza-se uma perspectiva sobre o percurso de vida que reconhece a importância central dos constrangimentos estruturais, mas não os assume como um determinismo, salientando a necessidade de os analisar longitudinalmente. Usando dados do projecto "Trajectórias familiares e redes sociais: a trajectória de vida numa perspectiva intergeracional" examinam-se comparativamente trajectórias de classe seguindo o percurso de vida. Utiliza-se uma metodologia inovadora que recorre à análise sequencial procurando estabelecer uma relação entre tempo histórico e mobilidade social. Comparam-se trajectórias de classe dos indivíduos em função das suas origens de classe, visando relacionar mobilidade, geração e género. Conclui-se que a desigual distribuição de recursos, materiais e escolares, continua a ser fulcral para a compreensão das trajectórias de classe e de mobilidade social, embora se observem diferenças geracionais consideráveis nos mecanismos de reprodução das desigualdades. Para além da importância da classe social de origem, a desigual distribuição das qualificações escolares, em particular das mães, revela-se decisiva para compreender a mobilidade social em Portugal.
- RAMOS, Vasco

Vasco Ramos
Doutorando FCT no ICS-UL.
Mestre em Sociologia pelo ISCTE-IUL
Interesses: Classes e Estratificação Social; Família e Género; Populações, Gerações e Ciclos de Vida.