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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012
Associação Portuguesa de Sociologia
PAP0020 - Do envolvimento associativo à mobilização cívica: o potencial das redes sociais
A participação dos cidadãos através das novas tecnologias tem marcado os estudos mais recentes sobre comunicação e democracia. A participação cívica e política, através da Internet, surgem-nos neste contexto como o objecto de estudo.
Contudo, nos últimos anos tem sido dedicada atenção especial às associações e aos seus efeitos no plano político, entendendo-as enquanto mecanismos de representação de determinados interesses.
Consideramos que este trabalho vai ao encontro de recentes recomendações de alguns estudos na área do associativismo e da democracia, segundo os quais é necessário “(...) continuar a investir na produção de conhecimento analítico sobre o universo associativo português”, nomeadamente indagando “(...) em que medida a adesão a modalidades de associativismo novas, menos orgânicas e não baseadas na integração hierárquica dos seus membros, está a crescer e o que significa esse crescimento eventual” (Viegas, Faria e Santos, 2010, p. 178).
É no seguimento deste conjunto de estudos que procuramos desenvolver o nosso trabalho, reflectindo sobre o papel das associações e o envolvimento associativo na democracia e muito particularmente, sobre as alterações que o desenvolvimento das novas tecnologias, e em particular a Internet, trouxeram ao movimento associativo. Nesta medida, questionamos se a integração nas redes sociais na Internet se assumem como mecanismos alternativos de associação ecapacitação dos sujeitos para a intervenção cívica? Assim, na primeira parte do trabalho será realizado o estado da arte do fenómeno associativo. Num segundo momento, pretende-se verificar até que ponto o nvolvimento associativo tem vindo a sofrer mudanças no âmbito das novas plataformas da Internet. Neste sentido, desenvolvemos uma análise exploratória quanto à presença de associações nas redes sociais, de seguida retendemos aplicar a análise de conteúdo às respectivas páginas, através da prévia concepção de uma grelha de análise.
- MORAIS, Ricardo

- SOUSA, João

Ricardo Morais - Investigador de Doutoramento em Ciências da Comunicação na Universidade da Beira Interior. Nesta mesma Universidade tirou a licenciatura em Ciências da Comunicação e o Mestrado em Jornalismo: Imprensa, Rádio e Televisão. Desenvolve a sua investigação na análise das diferentes dimensões das oportunidades de participação oferecidas aos cidadãos pelos novos media. É Bolseiro de Investigação do projecto “Agenda dos Cidadãos: jornalismo e participação cívica nos media Portugueses” no Laboratório de Comunicação Online.
João Carlos Sousa - Licenciado em Sociologia pela Universidade da Beira Interior. É Bolseiro de Investigação do projecto “Agenda dos Cidadãos: jornalismo e participação cívica nos media Portugueses” no Laboratório de Comunicação Online. As suas áreas de interesse na investigação estão centradas na sociologia da juventude, política e religião.
PAP1307 - Porque se mobilizam os professores? Juízos plurais sobre o que é “um bom profissional de ensino”. Análises exploratórias
A comunicação visa empreender, no quadro da
Sociologia Pragmática de Thévenot e Boltanski,
uma primeira abordagem ao movimento de
contestação dos professores ao Estatuto da
Carreira Docente (ECD) aprovado em 2007
enquanto questão intimamente ligada à
problemática de juízos morais e políticos
plurais sobre “o que é ser professor num
contexto de incerteza” nas escolas como arenas
públicas.
Tendo como pano de fundo a contestação às
sucessivas reformas na educação implementadas
desde os anos 80, procurar-se-á, à luz do
trabalho teórico desenvolvido pelos autores em
“De la Justification” e “L’action au pluriel”,
apresentar os resultados das primeiras análises
de dados empíricos recolhidos (através de
fontes documentais e entrevistas realizadas
junto de porta-vozes e representantes sindicais
dos professores) de forma a compreender que
“regimes de justificação” foram mobilizados
para justificar as críticas aos princípios de
justiça que presidiram à reforma do ECD e para
a receptibilidade pública da denúncia como
“injustiça” através da referência a “ordens de
grandeza de carácter moral e político”.
Mediante fontes consultadas, identificaram-se
como principais focos de conflito a
estruturação vertical da carreira docente, com
a criação de duas categorias (“Professor” e
“Professor titular”) e a correspondente
diferenciação funcional, aliada a uma avaliação
de desempenho dos professores com efeitos na
progressão na carreira (e limitada por quotas
no acesso aos escalões cimeiros).
Com esta reforma, os seus responsáveis visavam
a instauração de um sistema de avaliação e
progressão mais responsabilizador dos
professores pelos resultados escolares dos seus
alunos (e distinção dos “melhores
profissionais”) e uma hierarquização que
estimulasse uma maior exigência nas práticas
pedagógicas.
No entender dos professores, o novo ECD
acarreta a introdução de mecanismos de
“controlo” que corroem a autonomia e
reflexividade que devem pautar a actividade
docente e coloca em causa o papel integrador
das escolas que só pode ser cumprido por uma
concepção do trabalho pedagógico como um
esforço colectivo dos docentes de cada
estabelecimento de ensino – posto em causa por
uma avaliação limitadora da progressão na
carreira.
À luz do corpo teórico mobilizado, a primeira
hipótese a explorar é a de que o novo estatuto
assenta numa representação do professor
orientada pela lógica da “cité industrial” –
concepção da “eficácia” e “direcção” aplicada à
acção docente – e pela lógica da “cité
mercantil” – a “concorrência” e “competição”
mediante um sistema de desempenho limitador da
progressão. Em segundo, procura-se demonstrar
que as críticas dos professores ao ECD são
orientadas pela lógica da “cité inspirada” – a
autonomia e inovação na acção pedagógica – e a
lógica da “cité cívica” – a solidariedade
cívica entre os professores em prol da
igualdade de oportunidade entre os alunos e o
combate à exclusão escolar.
- RESENDE, José Manuel
- GOUVEIA, Luís

Licenciado em Sociologia pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Doutorando na mesma instituição desde 2011. Bolseiro de Investigação da Fundação para a Ciência e Tecnologia com o projecto intitulado "Porque se mobilizam os professores? Representações colectivas e coordenações de acções públicas dos professores do Ensino Básico e Secundário em função de juízos plurais sobre o que é um bom profissional de ensino".