PAP0301 - Reconfigurações organizacionais, organizações em rede e o papel da confiança
A procura crescente de flexibilidade tem
favorecido as formas de cooperação entre
empresas e, consequentemente, a sua
organização em rede.
As configurações organizacionais em rede
indiciam novos modelos de relacionamento entre
empresas, os quais integram várias estruturas
organizacionais com diferentes lógicas de
funcionamento.
No contexto das redes empresariais, as
relações de cooperação e de subcontratação
assumem contornos mais ou menos vantajosos
para as empresas, em função do papel que estas
ocupam na rede, ou seja, da divisão do
trabalho entre empresas. As empresas
subcontratantes – que detêm o trabalho
qualificado e tecnológico – têm oportunidade
de desenvolver a especialização, aumentar a
flexibilidade, concentrar recursos nas
actividades cruciais e aceder ao mercado
externo, por exemplo. As empresas
subcontratadas – que detêm o trabalho
desqualificado e manual – ganham
possibilidades de aprendizagem em vários
domínios (e.g. gestão, tecnológico), mas
também sofrem algumas desvantagens:
participação nas redes como uma condição de
sobrevivência, imposições de exclusividade,
perda de contacto directo com o mercado, fraco
poder de negociação e dependência da empresa
subcontratante, entre outros.
Nesta comunicação propomo-nos analisar o
modelo de relacionamento numa rede de
empresas, com especial atenção para o grau de
dependência das empresas subcontratadas
relativamente à empresa subcontratante e para
o papel que a confiança desempenha na dinâmica
relacional entre os elementos da rede.
Para a caracterização do modelo de
relacionamento da rede consideraram-se os
seguintes indicadores: duração da relação,
formas de contratualização, grau de
dependência, valores dominantes e vantagens da
cooperação. No que concerne à confiança, a
análise do discurso dos empresários permitiu
identificar aquilo que consideram ser os
principais suportes da confiança: preço,
qualidade, cumprimento de prazos, proximidade
geográfica, cliente final e relações informais.
Analisam-se os aspectos formais (definidos nos
contratos comerciais) e informais (baseados na
confiança) do funcionamento da rede.
Os resultados apresentados derivam de um
estudo de caso sobre uma rede formada por seis
empresas localizada no sul de Portugal. A
recolha de dados fez-se essencialmente com
base em entrevistas (aos dirigentes das
empresas) e questionários (aos trabalhadores).
Maria Manuel Serrano é Doutorada em Sociologia Económica e das Organizações e Mestre em Sistemas Socio-Organizacionais da Atividade Económica, pelo ISEG/UTL e Licenciada em Sociologia pela Universidade de Évora.
É investigadora do SOCIUS – Centro de Investigação em Sociologia Económica e das Organizações do ISEG/UTL .
É Professora Auxiliar no Departamento de Sociologia da Universidade de Évora e Diretora do 1.º Ciclo de Estudos em Sociologia desta Universidade, desde 2009.
É autora de diversas publicações científicas na área da Sociologia Económica e das Organizações.
Paulo Neto é Professor na Universidade de Évora, Departamento de Economia, tem Doutoramento e Agregação em Economia, e é autor de vários artigos e livros científicos publicados em Portugal e no estrangeiro. Foi Pró-Reitor para o Planeamento Estratégico e Director do Departamento de Economia desta Universidade, onde também coordenou vários cursos de licenciatura, pós-graduação e mestrado. É investigador colaborador do Centro de Estudos e Formação Avançada em Gestão e Economia da Universidade de Évora (CEFAGE-UE) e do Centro de Investigação sobre o Espaço e as Organizações da Universidade do Algarve (CIEO-UALG).