PAP0525 - Viver até morrer: que modelos organizativos inventar?
A transformação das estruturas da população
segundo a idade tem fortes implicações na
organização da vida colectiva.
Nas sociedades em que o trabalho é factor
crucial de integração social, a passagem à
condição social de “idoso” representa, para
muitos, a entrada num processo de
vulnerabilidade social ou, até, de exclusão.
A sociedade portuguesa é um caso de evolução
contraditória. A progressiva integração
económica dos reformados não impediu que
grande parte da população envelhecida fosse
remetida para condições objectivas de
existência que os expõem a diversas formas de
marginalização. São de destacar a pobreza, a
perda dos laços sociais e de significado da
existência, assim como do sentido da utilidade
social.
Um importante contingente dos activos
envelhecidos que exerceram a sua actividade
profissional com baixos níveis remuneratórios
corre o risco de não contar com redes mínimas
de protecção social.
A nossa investigação propõe-se analisar as
repostas sociais existentes e conceber e
planear intervenções que diminuam o risco de
pobreza e evitem que a reforma seja vivida
como morte social.
As profundas alterações que afectam as
estruturas familiares têm um impacto directo
sobre as relações de poder entre as gerações,
nomeadamente sobre o conteúdo e intensidade
das trocas entre filhos e pais e sobre a
definição das suas obrigações recíprocas.
Grande parte das tarefas e cuidados
tradicionalmente assumidos pela família, e que
contribuíam para a sua coesão, está a ser
remetida para instituições e profissionais
especializados. Esta mudança, que secundariza
os mecanismos de resolução de problemas na
base de trocas e negociações directas quer no
quadro da família, quer na colectividade de
vizinhança, está na base do isolamento social
e da solidão, bem como do fechamento da
identidade no passado.
Neste quadro, a qualidade da protecção social
dos idosos é crucial para preservar a sua
dignidade social e para que possam viver até
morrer. O contributo das organizações
produtoras de serviços para criar redes de
relacionamento social é crucial para prevenir
ou corrigir o isolamento e a solidão,
substituindo ou complementando os laços
primários.
A nossa investigação pretende, pois, conceber
modelos organizacionais compatíveis com a
valorização simbólica, a intensificação das
relações sociais, a descoberta de interesses e
o envolvimento na prestação de serviços à
colectividade de modo a permanecerem
integrados na vida social, demonstrando a sua
utilidade social.
Nome: Maria Sidalina Almeida
Afiliação institucional: Instituto Superior de Serviço Social do Porto
Área de formação - licenciatura em serviço social; mestrado em serviço social e política social e doutoramento em ciências da educação.
Interesses de investigação: diversos temas no campo da gerontologia social; transição dos jovens para a vida adulta.