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VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

PARA O VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

Ficha Técnica:

Organização e Edição:
Associação Portuguesa de Sociologia
Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9
1600-189 Lisboa
Tel: 217804738 / Fax: 217940274 / E-mail: aps@aps.pt / http://www.aps.pt

Produção técnica:
Plug & Play
Rua José Augusto Coelho nº 117
2925-543 Azeitão
Tel: 210 854 236 / Fax: 210 854 236 / http://www.plugeplay.com

ISBN: 978-989-97981-0-6

Depósito legal: 281456/08

Requisitos Mínimos:
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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012

Associação Portuguesa de Sociologia

 

Como referenciar os textos desta edição

SOBRENOME DO AUTOR, Prenome(s) (2012). Título do texto. in Atas do VII Congresso Português de Sociologia, Lisboa: APS. ISBN: 978-989-97981-0-6. Disponível em http://www.aps.pt/vii_congresso/?area=016&lg=pt. Acesso em: Dia mês (abreviado) ano.

Pesquisa:

Resultados da pesquisa por: «Movimentos Sociais»

PAP0793 -
Resumo de PAP0793 -  PAP0793 -
PAP0793 -

Esta comunicação tem como fito apresentar resultados parciais de uma investigação de doutoramento em curso sobre os públicos e práticas de consumo de uma modalidade alternativa de consumo, o Comércio Justo. A emergência do capitalismo industrial favoreceu o surgimento de um consumo massificado. Com o surgimento da globalização, esta homogeneização do consumo deu lugar ao culto do indivíduo, sustentado na procura de singularidade, presente no consumo de bens diferenciados, revestidos de simbolismo, e potenciadores de individualização e distinção. Esta nova modalidade de fruição, eminentemente individualizada, opera todo um significativo conjunto de alterações e reconfigurações sociais. Surgem novos padrões e novas formas de consumo, dos quais destacamos os consumos verdes, associados ao consumo sustentável, ao consumo responsável, à alimentação vegetariana, vegan e macrobiótica, e ao consumo de produtos de agricultura biológica. O Comércio Justo emerge neste segmento alternativo de consumo. Define-se como um movimento social que visa promover o desenvolvimento sustentável e a melhoria das condições de vida dos pequenos produtores dos países do hemisfério Sul. É nosso intuito avaliar o potencial do Comércio Justo enquanto acção de subversão das lógicas hegemónicas de distribuição, e perceber se o acto de compra surge, ou não, dissociado dos movimentos de contestação aos desequilíbrios gerados pelo mercado convencional, seguindo critérios mercantilistas tradicionais. Pretendemos, igualmente, cogitar sobre a emergência de valores ligados ao consumo na pós-modernidade, e enquadrar as práticas de consumo alternativas nas sociedades actuais, bem como detectar a existência de valorização simbólica neste sistema comercial: os artigos são bens simbólicos, dotados de significação, ou somente mera mercadoria? Quais são as razões e motivações para a compra nos espaços simbólicos corporizados das lojas de Comércio Justo? Quais os significados que revestem essa acção: será este um consumo de “sentidos”, de simbologias, e não tanto de objectos materiais? Estas são algumas das questões a que procuraremos dar resposta.
  • COELHO, Sandra Lima CV de COELHO, Sandra Lima
Nome: Sandra Lima Coelho
Sandra Lima Coelho, licenciada em Sociologia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, e mestre em Desenvolvimento e Inserção Social pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto. Investigadora integrada no Instituto de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Os principais interesses de investigação desenrolam-se em torno da Sociologia da Cultura, Sociologia do Consumo e Sociologia dos Movimentos Sociais, áreas em que se enquadram as mais recentes pesquisas e publicações.
Doutoranda em Sociologia, com área de especialização em Desigualdades, Cultura e Território, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, a desenvolver a tese “O Comércio Justo: públicos e práticas de consumo de uma modalidade comercial alternativa”, projecto financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (SFRH / BD / 48838 / 2008).



PAP1427 - 15 de Outubro: o discurso dos protagonistas
Resumo de PAP1427 - 15 de Outubro: o discurso dos protagonistas PAP1427 - 15 de Outubro: o discurso dos protagonistas
PAP1427 - 15 de Outubro: o discurso dos protagonistas

Apesar de não configurar uma dimensão esmagadoramente frutífera na investigação em sociologia, o tema dos movimentos sociais representa actualmente um campo de considerável produção científica – em particular a partir da sua expansão nas décadas de 60 e 70 do séc. XX, com o desenvolvimento de múltiplas discussões sobre as condições da sua emergência, a sua natureza ou as dinâmica sociais em que se inscrevem. A actual conjuntura favorece a emergência de “antigos” e “novos” movimentos sociais, muitas vezes marcados por acções públicas de protesto com forte mobilização colectiva – tendência ciclicamente observável nas últimas décadas, acompanhando de forma recorrente períodos de crise económica mais ou menos profunda. Neste sentido, não parece demasiado arriscado apontar o ano de 2011 como um período de importantes acções de protesto, com múltiplos níveis de impacto no funcionamento de diferentes áreas da vida social, incluindo o direito. Ainda se recordam facilmente acções locais e transnacionais como as de 2009 na Islândia, 2010 na Grécia e a partir do final de 2010 e durante 2011 de forma mais global – da “primavera Árabe” ao “anti-governo” russo, passando pela “geração à rasca” portuguesa, “indignados” espanhóis e “ocupantes” norte-americanos – muito apoiadas no recurso a novas tecnologias e redes sociais virtuais, invocando “perda de direitos”, exigindo que “os direitos e deveres dos cidadãos estejam assegurados” ou pedindo atenção para a violação de “direitos laborais” ou “direitos humanos”. A presente comunicação decorre de um estudo mais alargado sobre o tema, apoiado nas discussões teóricas de Luhmann (1989, 1993 e 1996), Habermas (1981) e Hellmann (1996 e 1998) sobre movimentos de protesto, assumindo como objecto central o que se reconhece em Portugal como a plataforma “15 de Outubro”, subscrita por 39 movimentos sociais com diferentes dimensões e formas de organização. A actualidade do tema funciona simultaneamente como elemento facilitador e condicionante – justificando a importância de uma observação sociológica, mas exigindo cuidado na abordagem a dinâmicas muito recentes e imprevisíveis, tanto na sua emergência e desenvolvimento como na sua volatilidade. Esta condição indica o caminho de uma análise de natureza mais exploratória, tendo-se privilegiado como foco principal o discurso apresentado pelo referido grupo. Metodologicamente, procura-se assegurar a representatividade desta plataforma, recorrendo a documentos publicados por cada um dos subscritores – manifestos, cartazes, comunicados e outros. Mobilizando métodos de análise documental, linguística e semiótica visual, procuram- se interpretar diferentes categorias de expressão escrita e visual que permitam a sistematização de uma primeira análise sobre percepções face ao(s) direito(s) - que direitos reivindicam? que instrumentos mobilizam? a que objectivos se propõem? que relação com a autoridade?
  •  VELEZ, António CV - Não disponível 

PAP0213 - Alter-globalisation, Politics and Citizenship: An Account out of Portuguese Social Movements
Resumo de PAP0213 - Alter-globalisation, Politics and Citizenship: An Account out of Portuguese Social Movements PAP0213 - Alter-globalisation, Politics and Citizenship: An Account out of Portuguese Social Movements
PAP0213 - Alter-globalisation, Politics and Citizenship: An Account out of Portuguese Social Movements

Social movements, and more concretely the alter-globalisation ones, are spaces that permit to maintain a certain public sphere, which is not reserved to a particular social class – that is to say, neither the bourgeoisie nor the popular strata, but rather it is about a sphere which aims for the universality by incorporating wide and diverse sectors of the society. Following Habermasian terms in particular and the language of the Frankfurt School’s critical theory in general, I assume that social movements construct “communicative reason” as when activists denounce “instrumental rationality” under its economicist and neo-liberal variant or when they call into question globalisation in its current and hegemonic form. They are places for “ideal speech situation”, that is, beyond their personal or private interests, beyond their idiosyncrasies, people through social movements discuss and debate publicly, rationally and critically about issues concerning the public realm. They use their reason for political matters. This concretely occurs notably via assemblies, print and virtual media. But, this is also the case through other repertoires of collective action as when they take to the streets during marches and demonstrations, as when they re-appropriate common kinds of public places as the square. This process also happens through the activation of various artistic expressions (dramaturgies, mises-en-scène, paintings, sculptures, songs, music, etc.), games, exchanges, sometimes around foods and drinks, all of them often taking place in the proper recuperated square. Hence, through the example of Portuguese alter-globalisation social movements, we shall also see how their members make public spheres and reinvent democracy. This happens via repertoires of collective action that are often considered as “non-conventional politics” and including as “irrational”, in particular by a certain Establishment and adversaries. However, we shall observe that these actions have, on the contrary, their own rationalities, which reappraise the concept of conventionality in politics and in democracy, and finally the ideas and practices of politics and democracy themselves. These are therefore the aspects I would like to develop in the following paper.
  • MASSE, Cédric CV de MASSE, Cédric
Trained in social sciences, notably in anthropology and sociology, Cédric Masse is working on topics related to social movements, non-governmental organisations (NGOs), civil society. More precisely, he is currently doing research on alter-globalisation and social movements in Portugal as part of a doctoral thesis in sociology at the Institute of Social Sciences of the University of Lisbon and with the financial support of FCT. This study also deals with sociology of action, knowledge and identity from an epistemological perspective. He published a book entitled Les organisations non-gouvernementales face aux gouvernants: Les rapports majeurs des ONG avec l’ONU, la Banque Mondiale et la Commission Européenne (2007, Paris, Editions Le Manuscrit).

PAP0629 - Conflitos ambientais, redes de resistência e a perspectiva do lugar na mobilização dos moradores do bairro Camargos/Brasil.
Resumo de PAP0629 - Conflitos ambientais, redes de resistência e a perspectiva do lugar na mobilização dos moradores do bairro Camargos/Brasil. PAP0629 - Conflitos ambientais, redes de resistência e a perspectiva do lugar na mobilização dos moradores do bairro Camargos/Brasil.
PAP0629 - Conflitos ambientais, redes de resistência e a perspectiva do lugar na mobilização dos moradores do bairro Camargos/Brasil.

As contradições que entrelaçam o paradigma do desenvolvimento sustentável e a emergência de conflitos ambientais devem ser pensadas através da crítica à perspectiva que considera a priori a existência do meio ambiente como uma realidade objetiva ao mesmo tempo em que universal. Nesse sentido, ao largo do debate globalcêntrico (ESCOBAR, 2005) a respeito das causas da alarmada crise ambiental ou ecológica, sujeitos e grupos sociais se organizam em busca da legitimidade e do reconhecimento de suas visões a respeito do espaço vivido (LEFEBVRE, 1999), resistindo frente a processos cada vez mais intensificados pela apropriação capitalista do espaço. No Brasil, tem-se verificado como os conflitos ambientais evidenciam assimetrias nas relações de poder do campo ambiental (BOURDIEU, 2007; CARNEIRO, 2005) que se expressam muitas das vezes de forma objetiva em instâncias decisórias, como nos conselhos gestores do meio ambiente. Contudo, considerando a perspectiva crítica que pressupõe o ambiente como uma construção simbólica e material (ACSELRAD, 2004a; ZHOURI et al. 2005), o caráter conflitivo dessas situações atravessa questões que remetem a uma reflexão analítica pautada na centralidade das construções sociais do ambiente a partir dos pontos de vista do lugar (ESCOBAR, 2005; ZHOURI & OLIVEIRA, 2010). A partir da análise da configuração de um conflito ambiental envolvendo moradores do bairro Camargos - localizado na cidade de Belo Horizonte/Brasil - e uma empresa de incineração de resíduos, o presente artigo discute como a perspectiva progressista do lugar (MASSEY, 2000) permeia significações e práticas sociais a respeito do ambiente e suas formas de expressão enquanto mobilização política em torno de sua defesa. Com efeito, a organização do movimento do bairro Camargos remete às interpretações sobre os movimentos sociais na atualidade, que têm no conceito de rede sua chave analítica (SCHERER-WARREN, 2003; ESCOBAR, 2003). No entanto, a própria formação sociohistórica do bairro traz à luz aspectos identitários e políticos intrínsecos às relações sociais estabelecidas no e com o lugar, que se configuram de fundo como uma luta por reconhecimento de uma autonomia frente à heteronomia dos atores dominantes em fazer valer sua visão sobre o espaço concreto.
  • VASCONCELOS, Max CV de VASCONCELOS, Max
Max Vasconcelos
Graduado em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Minas Gerais. Atua desde 2008 como pesquisador do GESTA - Grupo de Estudos em Temáticas Ambientais da UFMG no âmbito das pesquisas Mapa dos Conflitos Ambientais do Estado de Minas Gerais e A Política dos Biocombustíveis e os Conflitos Ambientais. Tem experiência na área de Sociologia, atuando principalmente nos seguintes temas: conflitos ambientais; meio ambiente; justiça ambiental; desenvolvimento.

PAP0415 - Conflitos socioambientais e coletivos de mulheres: reflexões sobre a oposição às novas agrobiotecnologias no Brasil e Argentina
Resumo de PAP0415 - Conflitos socioambientais e coletivos de mulheres: reflexões sobre a oposição às novas agrobiotecnologias no Brasil e Argentina PAP0415 - Conflitos socioambientais e coletivos de mulheres: reflexões sobre a oposição às novas agrobiotecnologias no Brasil e Argentina
PAP0415 - Conflitos socioambientais e coletivos de mulheres: reflexões sobre a oposição às novas agrobiotecnologias no Brasil e Argentina

O artigo discute a centralidade da atuação de mulheres que se autodenominam camponesas ou agricultoras/rurais na formulação das críticas ao modelo de desenvolvimento em curso no Brasil e Argentina, que em grande medida, vigora também no restante dos países latino-americanos nas três últimas décadas. Na América Latina as políticas de fortalecimento de uma economia agroexportadora (ainda fortemente baseada na plantation colonial), incorporam durante o período de 60-70 os conhecimentos tecnocientíficos da chamada Revolução Verde. “Revolução” caracterizada pelo uso de agroquímicos e de métodos e tecnologias que pudessem gerar aumento de produtividade dos principais monocultivos. Nos anos 90 os “pacotes tecnológicos para o campo” incorporam as “inovações” na própria genética dos cultivos. As novas agrobiotecnologias ganham espaço com a disseminação de sementes transgênicas, que se tornam amplamente utilizadas pelos principais países exportadores de grãos em todo mundo. Apesar da rápida disseminação dessa tecnologia, não se pode afirmar que seja amplamente aceita. Os alimentos transgênicos enfrentam oposição de agricultores, consumidores, organizações e movimentos sociais. Os riscos dos Organismos Geneticamente Modificados e as questões de biossegurança seguem sendo temas controversos. A proposta deste artigo é refletir sobre os discursos e as práticas de movimentos que compartilhem críticas as agrobiotecnologias, evidenciando o papel das mulheres. No Brasil, o Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), coloca questões como: soberania alimentar por meio da produção agroecológica camponesa, da recuperação de sementes crioulas e não cultivo de transgênicos. Na Argentina, grupos de mulheres ou coletivos mistos do meio rural também têm colocado propostas semelhantes. A metodologia para a pesquisa esteve baseada em entrevistas e observação nos dois países em viagens durante o ano de 2011. O material obtido foi colocado em diálogo com abordagens de autores como Alberto Melucci, Boaventura Sousa Santos e com autoras que exploram as relações entre gênero e ambientalismo (Ecofeminismo). O fio condutor é a discussão sobre como a participação de mulheres em coletivos no Brasil e Argentina pode estar contribuindo para formação de um discurso singular que articula a dimensão da ecologia e do feminismo a um enfrentamento econômico e político às grandes corporações e proprietários de terra que monopolizam o agronegócio.
  • LIMA, Márcia Maria Tait CV de LIMA, Márcia Maria Tait
Comunicadora social e especialista em jornalismo científico. Concluiu
o mestrado em Política de Ciência e Tecnologia na Universidade
Estadual de Campinas (Unicamp), local onde desenvolve atualmente o
doutorado e participa como pesquisadora do Grupo de Análise de
Política de Inovação (Gapi). Seu mestrado deu origem ao livro
“Tecnociência e Cientistas: cientificismo e controvérsias na política
de biossegurança brasileira”. Atualmente trabalha com o tema da
oposição às novas agrobiotecnologias e relações com movimentos sociais
de mulheres e está realizando um estágio de pesquisa exterior (com
bolsa Fapesp) vinculado a Universidade de Valladolid. Também acaba de
concluir uma especialização em Teoria do Feminismo vinculada à Cátedra
de a Universidade Complutense de Madrid.

PAP0725 - Dos “antigos” aos “novos” movimentos sociais
Resumo de PAP0725 - Dos “antigos” aos “novos” movimentos sociais PAP0725 - Dos “antigos” aos “novos” movimentos sociais
PAP0725 - Dos “antigos” aos “novos” movimentos sociais

Contestação social sempre existiu ao longo dos tempos, de acordo com as conjunturas de cada período histórico. No século XVIII, a transição do Antigo Regime para o Liberalismo provocou revoltas consideradas por alguns autores como “primitivas” ou “pré-modernas”. O século XIX trouxe a afirmação do movimento operário e do sindicalismo com a consequente organização das manifestações sociais, como as greves. O século XX assistiu ao surgimento de uma série de movimentos sociais que se demarcam dos tradicionais quanto aos objetivos e atores envolvidos, como os movimentos pacifistas, ecologistas, feministas, atuando à margem de partidos e sindicatos. Hoje, o mundo assiste a movimentos sociais como o dos “Indignados”. Estaremos perante uma nova forma de protesto? É tudo isto que procuraremos analisar.
  • SILVA, Célia Maria Taborda da CV de SILVA, Célia Maria Taborda da
Célia Taborda Silva é doutorada em História Contemporânea pela Faculdade de Letras do Porto. É Professora Auxiliar na Universidade Lusófona do Porto e membro Efetivo do CETRAD (Centro de Estudos Transdisciplinares para o Desenvolvimento) da UTAD. A sua área de investigação são os Movimentos Sociais no século XIX, história política e económica. Tem dois livros publicados, um deles intitulado:Movimentos sociais no Douro no período de implantação do liberalismo (1834-1855). Porto: Gehvid, 2007, e vários artigos em revistas científicas portuguesas e estrangeiras.

PAP0282 - O intelectual engagé dos movimentos sociais
Resumo de PAP0282 - O intelectual engagé dos movimentos sociais PAP0282 - O intelectual engagé dos movimentos sociais
PAP0282 - O intelectual engagé dos movimentos sociais

Considerando tanto as continuidades e descontinuidades sócio- históricas, políticas e culturais, como também as constantes metamorfoses na esfera pública, este trabalho pretende uma análise comparativa entre o impacto multidimensional da crítica dos intelectuais dos anos 60 e 70 com a primeira década dos anos 2000. Irá, deste modo, averiguar se subsistem algumas nuances do engagement dos intelectuais dos movimentos sociais dos anos 60/70 no papel do intelectual hodierno face às crises emergentes de índole cultural, social, político-económica que - embora motivadas por públicos, interesses e contextos diferentes - tendem a ter algumas características e contornos em comum. Tendo como referência modelos distintos de lutas e movimentos sociais, este artigo procura estudar a relação e/ou transformação da relação entre activistas e a comunidade intelectual. No entanto, antes de deslindar esta ligação torna-se fulcral compreender a figura e representação do próprio intelectual da modernidade tardia. Ora, e seguindo a tese de Z. Bauman de 1987, os intelectuais legisladores, e politicamente comprometidos à la Jean-Paul Sartre, Martin Luther King, Vaclav Havel, que - através da imaginação democrática, de um vasto repertório de ideias, avaliações, capacidades e lógicas – divulgavam e defendiam os valores dos direitos humanos, da paz e da democracia, esfumam-se aquando o próprio desaparecimento das grandes metanarrativas (Lyotard, 1979). Agora, defende Bauman, os intelectuais pós-modernos têm de se cingir ao papel de intérprete, ou seja, “o de traduzir as diferentes tradições [...]” (Bauman, 1987), de traduzir os múltiplos imaginários, repertórios, códigos que florescem diariamente na esfera pública e lutam em paralelo pelo reconhecimento identitário/cultural no campo político. Não obstante, e considerando o actual contexto de agitação social, a intervenção social, cívica e política dos agentes do campo cultural, parece ir para além do papel de mediador, pois retoma o “efeito desestabilizador”, que tende a provocar “abalos sísmicos e sacode as pessoas” (Said, [1993] 2000: 157). Em suma, este trabalho ambiciona perceber 1) se os intelectuais recuperaram a sua voz, até agora adormecida, na esfera pública; 2) se têm vindo a contribuir com alternativas sócio-culturais e políticas e até mesmo 3) se têm vindo a fomentar um fórum de comunicação com o intuito de instigar alternativas à alternativa imposta pelo sistema.
  • MEDEIROS, Pilar Damião de CV de MEDEIROS, Pilar Damião de
Pilar Damião de Medeiros é desde 2007 doutorada pela Universidade de Freiburg,
Alemanha. Licenciada pela Brock University, Canada e tirou o mestrado na Queen’s
University, Canada e na Universidade de Karlsruhe, Alemanha. É Prof. Auxiliar
Convidada desde 2009 na Universidade dos Açores. Já publicou um livro intitulado
Rollenästhetik und Rollensoziologie (Wuerzburg, Koenigshausen & Neumann, 2007) –
que obteve 3 recensões críticas internacionaise – publicou igualmente 9 artigos e
capítulos de livro na área da Teoria crítica da cultura moderna, globalização cultural,
sociologia dos intelectuais e cultura política. Tem artigos publicados em revistas
como International Journal of Interdisciplinary Social Sciences, International
Journal of Multidisciplinary Thought, Rhetorical Analysis eJournal, Perspectivas,
Economia e Sociologia, entre outros. É membro efectivo do Núcleo de Investigação
em Ciência Política e Relações Internacionais da Universidade do Minho [Coimbra e
Évora] financiado pela FCT (Referência: FEDER/POCI 2010).