PAP1475 - CRECIMIENTO, DESIGUALDAD Y HETEROGENEIDAD ESTRUCTURAL EN AMÉRICA LATINA BAJO DISTINTOS MODELOS DE POLÍCITA ECONÓMICA (1990-2010). EL CASO ARGENTINO
"GT: SOCIEDADE, CRISE E RECONFIGURAÇÕES NA
AMÉRIC LATINA"
Las reformas “neoliberales” llevadas a cabo a
fines del siglo XX en la mayor parte de los
países de América Latina con el objetivo de
integrar las economías nacionales a la dinámica
de la globalización, se realizaron acompañadas
de programas de ajuste y estabilización que
procuraban corregir desequilibrios macro
económicos crónicos. Si bien tales programas
buscaban restaurar dichos equilibrios, es bien
sabido que esta estrategia desencadenó tanto
una mayor concentración del poder económico
como una serie de nuevas crisis financieras.
Este proceso tuvo un impacto regresivo sobre
las estructuras productivas, el mercado de
trabajo y, en especial, sobre los niveles de
vida de amplios sectores de la población. De
esta manera, durante la década del noventa,
aunque creció el PBI per cápita, la pobreza no
cedió terreno y tuvo lugar un aumento de la
heterogeneidad estructural y de la desigualdad
económica en casi toda la región. Pero después
de varios años recesivos (1998-2002), la región
inició -en 2003- un nuevo ciclo de recuperación
económica, observándose mejoras en el empleo y
la pobreza, en el marco de nuevas políticas
macroeconómicas y condiciones internacionales.
En efecto, el crecimiento encontró respaldo en
una coyuntura externa favorable, caracterizada
por la sostenida expansión de la economía
mundial y la abundante liquidez en los mercados
de capitales, factores que permitieron un
significativo incremento del volumen exportado,
así como una mejora de los términos de
intercambio y en la expansión del mercado
interno. Justamente, el alejamiento de las
políticas ortodoxas habría potenciado este
ciclo virtuoso. Sin embargo, habría indicios de
que tal dinámica de crecimiento no sería
suficiente para revertir las marginalidades
estructurales que caracterizan a las economías
latinoamericanas. Es decir, que más allá de la
mayor heterodoxia de las medidas económicas,
ellas no estarían en condiciones de abrir un
efectivo sendero de desarrollo y convergencia
social. El proceso argentino es un caso
paradigmático –y a la vez ilustrativo- de este
proceso histórico y de los dos ciclos de
políticas arriba mencionados –ortodoxia radical
y heterodoxia ejemplar-. En este marco, la
presente ponencia presenta una revisión general
comparativa de lo ocurrido en una muestra de
países latinoamericanos a nivel de los
indicadores de crecimiento, ingresos, pobreza,
empleo, ingresos y desigualdad distributiva. El
análisis en particular del caso argentino
permitirá ilustrar los mecanismos sociales que
subyacen a los cambios y las tendencias
estructurales dominantes durante los diferentes
ciclos político-económicos analizados.
- SALVIA, Agustín

Dr. Agustín Salvia
Coordinador General - Investigador Jefe
Programa Observatorio de la Deuda Social
Universidad Católica Santa María de los Buenos Aires
Ed. San Alberto Magno, Alicia M. De Justo 1500 4º piso
Of. 462 - Buenos Aires (C1107AFD) - Tel. (54-11) 4338-0810
PAP0292 - Comunicação organizacional e identidade coletiva – a comunicação como uma meta-ideia
O artigo que nos propomos apresentar pretende dar conta das principais conclusões da investigação que produzimos no âmbito de um Doutoramento em ciências sociais que teve como objeto de estudo os processos de comunicação e a sua influência na redefinição da identidade de um agrupamento de escolas em contexto de mudança.
Nele pretendemos discutir o reforço e a diversificação do investimento na comunicação por parte das instituições educativas como uma das consequências da nova gestão pública (Santiago, Carvalho e Magalhães, 2005). O nosso argumento é o de que prosseguindo os ideais de ‘qualidade’ e ‘eficácia’, as escolas têm procurado reforçar o diálogo com os seus diferentes ‘públicos’, apostando na comunicação organizacional como parte integrante de uma estratégia empreendedora, que lhes tem vindo a conferir uma nova identidade colectiva, unificada em torno de valores neo-liberais.
Revelando a influência de pressões híbridas, os complexos sistemas de comunicação então criados, transformaram-se num contexto mediador da mudança que decorre das novas concepções de escola e dos novos mandatos para a educação, assumindo-se como o locus de produção de novas identidades. O que sustentamos é que tal acontece porque a comunicação constitui o ponto de convergência entre as diferentes políticas educativas e as práticas localmente adoptadas na sequência de um processo de interpretação criativa das diferentes pressões. É este o sentido com que afirmamos que a comunicação se constitui numa meta-ideia ao serviço da ‘qualidade’, ainda que, como argumenta Stensaker (2004) esta possa ser perspectivada a partir do ideal burocrático da organização (como sinónimo de eficiência administrativa), do ideal profissional (centrada no processo de ensino-aprendizagem) ou do ideal empreendedor (valorizando a capacidade de resposta às solicitações do mercado).
Os dados empíricos que sustentaram este estudo resultam da observação do quotidiano de um agrupamento de escolas do ensino básico e dos testemunhos recolhidos, ao longo de três anos, nesta comunidade educativa.
Quanto aos resultados, apontam para a centralidade dos processos de comunicação na transformação induzida pela nova gestão pública e para o desenvolvimento de uma matriz discursiva bilinguista (Clarke e Newman, 1997), que procura harmonizar os imperativos de ‘mercado’ com o discurso pedagógico e com modelos burocrático-profissionais de organização.
Clarke, J. and Newman J. (1997). The Managerial State. London: Sage Publications.
Santiago, R. A.; Magalhães. A. e Carvalho. T. (2005). O surgimento do managerialismo no sistema de ensino superior português. Coimbra: CIPES.
Stensaker. B. (2004). The transformation of organizational identities: Interpretations of policies concerning the quality of teaching and learning in Norwegian higher education. Twente: CHEPS/UT.
- FARIA, Susana

Susana Faria, Professora Adjunta na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Instituto Politécnico de Leiria, integra o Centro de Investigação Identidades e Diversidades (CIID) do Instituto Politécnico de Leiria.
Doutorada em Ciências Sociais pela Universidade de Aveiro, atua na área de Sociologia, em que é licenciada, e das Ciências da Educação, onde obteve o grau de Mestre. Nos últimos anos, tem vindo a privilegiar como áreas de investigação: a comunicação organizacional, a cultura e identidade(s) coletiva(s) e os processos de transformação identitária.
PAP0932 - Desigualdades sociais e acção colectiva: propostas teóricas para o estudo das práticas associativas em contexto local
A relevância do estudo da acção colectiva enquanto elemento configurador central das dinâmicas das sociedades contemporâneas tem constituído, ao longo do percurso pelas teorias sociológicas (desde os clássicos até à actualidade), um terreno de fértil e desafiante conhecimento sociológico acumulado. A persistência e perenidade das desigualdades sociais nas sociedades contemporâneas terão relevância sobre a acção colectiva e cidadania modernas? Mais especificamente, é proposta uma discussão teórica com vista ao aprofundamento do estudo das práticas associativas sob a óptica problemática das desigualdades sociais.
Com vista a um profícuo e acutilante «estado da arte» das relações entre as desigualdades sociais e a acção colectiva, serão convocados os contributos de Marx, Weber e Simmel; procurar-se-á um debate actualizado das teorias das classes sociais e do conflito (nas suas variantes neo-marxistas, neo-weberianas e interaccionistas); tal implicará a discussão das teorias organizacionais, da mobilização dos recursos e dos novos movimentos sociais; e incorporar-se-ão os novos contributos teóricos de autores como Pierre Bourdieu, Margaret Archer e Nicos Mouzelis.
As propostas teóricas avançadas visam o aprofundamento de perspectivas de pesquisa em contexto local, que procurem analisar a relevância e o impacto das desigualdades sociais sobre as práticas associativas dos actores colectivos e individuais, e respectivas dinâmicas de identidade cultural geradas. Ancorando no conceito de práticas associativas, e partindo da mobilização dos actuais e principais instrumentos da sociologia das classes sociais, constituem objectivos de investigação sociológica, a parametrização de um programa holístico no estudo da acção colectiva que, articulando os níveis macro, meso e micro–sociais, entrecruze os processos e as dinâmicas estruturais, institucionais, configuracionais, simbólicas, interactivas, posicionais e disposicionais que atravessam um determinado espaço social associativo.
Este é um contributo para um maior conhecimento das dinâmicas da acção colectiva, relativamente aos perfis e relações das classes sociais, condições objectivas, modos e estilos de vida, valores e referentes simbólico-ideológicos e correspondente produção de identidades culturais (individuais e colectivas), características e dinâmicas dos actores colectivos e do conflito, presença das instituições, configurações e processos de reprodução e mudança social.
São propostos horizontes teóricos que integrem no estudo da acção colectiva os efeitos multidimensionais e das intersecções das desigualdades sociais contemporâneas, no que diz respeito aos domínios das relações de produção, das sociedades do conhecimento e das instituições políticas.
- NUNES, Nuno

Envio a seguinte Nota Biográfica: Nuno Nunes é investigador do CIES-IUL do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE) e membro do Observatório das Desigualdades. As desigualdades sociais, a análise de classes, a ação coletiva e a mudança social são os seus principais interesses de investigação. A participação em projetos internacionais como o "European Social Survey" e o desenvolvimento de uma investigação pós-doutoral intitulada "Desigualdades sociais, atores coletivos e identidades culturais: práticas associativas em contexto local" visam o aprofundamento da problemática das desigualdades sociais. Destacam-se as seguintes publicações: Carmo, Renato and Nunes, Nuno (2012). Class and social capital in Europe: a transnational analysis of the European Social Survey, European Societies; Nunes, Nuno and Josué Caldeira (2011), "Desigualdades sociais e ação coletiva na sociedade portuguesa", in Carmo, Renato Miguel (coord.), Desigualdades em Portugal: Problemas e Propostas, Lisboa, Edições 70; e, Nunes, Nuno, and Renato Miguel do Carmo (2010), “Condições de classe e acção colectiva na Europa” in Carmo, Renato Miguel do (org.), Desigualdades Sociais 2010. Estudos e Indicadores, Lisboa, Editora Mundos Sociais.
PAP1184 - Empreendedorismo social e mediação: articulações e complementaridades na criação de mudança social
A comunicação agora proposta trata-se da apresentação dos resultados preliminares de uma tese de mestrado em Intervenção Social, Inovação e Empreendedorismo. Procurar-se-á promover uma discussão entre empreendedorismo social e mediação, analisando-se o modo como estes dois paradigmas se articulam e complementam entre si.
A sociedade contemporânea é marcada por uma complexidade crescente, onde os conflitos surgem revestidos de múltiplas formas, com níveis variados, envolvendo actores diversos. Em paralelo, deparamo-nos com alguma ineficácia ao nível das respostas tradicionais, que se demonstram falíveis. A emergência de realidades sociais complexas exige respostas criativas e inovadoras, nomeadamente a criação de mecanismos de mediação, capazes de promover o (re)estabelecimento e, ou a (re)configuração de laços sociais. A mediação assume-se, neste contexto, como um meio estruturado para promover a coesão social, capaz de promover o diálogo e a participação dos intervenientes.
Por outro lado, como forma de dar resposta a um conjunto de problemas diagnosticados têm surgido algumas iniciativas de intervenção social, que se assumem como uma forma de regulação partilhada entre o Estado, a sociedade civil e o próprio mercado. Grande parte destas iniciativas de intervenção híbrida são exemplos vivos daquilo que podemos designar por empreendedorismo social, na medida em que, com uma abordagem de proximidade inovadora, conseguem dar respostas sustentáveis para determinados problemas sociais, promovendo ainda o empowerment individual e colectivo dos cidadãos por eles abrangidos.
As iniciativas de empreendedorismo social e mediação social surgem em contextos de conflito. Ambos os modelos de intervenção, através de uma abordagem inovadora e participativa, procuram alcançar respostas sustentáveis para os problemas ou necessidades diagnosticadas. No seu modo de actuação, quer o empreendedorismo, quer a mediação, têm em comum o objectivo de alcançarem mudança social.
Defendemos que, para se alcançarem mudanças sociais efectivas, na prossecução de iniciativas de empreendedorismo social, os intervenientes no seu modo de agir assumem os princípios da mediação. Defendemos igualmente que as iniciativas de mediação social, ao transformarem os conflitos em momentos de aprendizagem social e ao converterem os problemas sociais em oportunidades, se assumem como exemplos de empreendedorismo social. Com base na investigação empírica em curso, procurar-se-á fundamentar cada uma destas hipóteses de trabalho.
- CARDOSO, Pedro

- ALMEIDA, Helena Neves

Pedro Cardoso é licenciado em Sociologia e pós graduado em Gerir Projetos em Parceria pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Atualmente frequenta o mestrado em Intervenção Social, Inovação e Empreendedorismo pela Faculdade de Economia e pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. A sua tese de mestrado procura discutir a relação entre mediação e empreendedorismo social. É membro da ISFEUC - Incubadora Social da Universidade de Coimbra. Em termos profissionais, tem colaborado com algumas organizações do terceiro setor, nas áreas do planeamento, gestão e avaliação de projetos. É co-autor de um programa de cultura de mediação em contexto escolar. Presentemente exerce as funções de coordenador de um projeto de intervenção social.
Helena Neves Almeida é professora convidada da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC). Licenciada em Serviço Social, mestre em Psicologia é doutorada em Trabalho Social, com tese em “Mediação Social”, pela Faculdade de Letras da Universidade de Fribourg (Suiça). Professora do ensino superior desde 1976, leciona atualmente na licenciatura em Serviço Social e no mestrado em Intervenção Social, Inovação e Empreendedorismo. Tem várias publicações na área da Intervenção Social, Mediação e Serviço Social, em revistas nacionais e estrangeiras, bem como livros e colaborações em obras coletivas. É investigadora do Instituto de Psicologia Cognitiva, do Desenvolvimento e Vocação Social (IPCDVS) da Universidade de Coimbra e consultora sénior em Serviço Social e Mediação do Observatório da Cidadania e Intervenção Social (OCIS) da FPCEUC, no âmbito do Projeto Europeu “Advisory Bureau of Social andCommunityMediation”.
PAP1260 - Institucionalização da Transferência de Conhecimento: Politicas Públicas e Formação de Actores-Rede na Universidade Portuguesa
A universidade em Portugal foi sujeita, em anos recentes, a um conjunto alargado de mudanças com reconfigurações na sua arquitectura e relação com a sociedade, nomeadamente com o mundo empresarial. Neste contexto a universidade consolidou rapidamente o estatuto de principal actor na produção de conhecimento científico no panorama nacional. Este papel fulcral, que se aliava à missão central no âmbito do ensino superior, foi alargado ao que tem vindo a ser denominado de terceira missão da universidade. Esta terceira missão designa um conjunto de actividades focadas na transferência de conhecimento entre a universidade e actores externos. Neste contexto, as políticas públicas têm enfatizado as relações da universidade com as empresas, através de um conjunto de mecanismos. Entre estes incluem-se iniciativas no âmbito da propriedade industrial, da criação de empresas spin-off ou da promoção da contratação de I&D, fortemente apoiadas em Portugal por programas como os GAPI, OTIC, NEOTEC e UTEN, estimulando o surgimento de novos actores de interface académico. A presente comunicação recorre à abordagem da Teoria do Actor-Rede para compreender a emergência destas dinâmicas de intermediação no contexto académico português. Ilustrando o processo de tradução procura-se analisar de que modo um gabinete de transferência de conhecimento se torna, ou não, como ponto passagem obrigatória na relação universidade-empresa, contribuindo assim para a institucionalização destes processos, numa perspectiva da endogeneização da mudança. A análise de redes do gabinete de transferência permite ainda identificar objectos de fronteira e o enfoque central em actividades de apoio à criação de spin-offs e patenteamento. Os resultados sublinham a evolução recente no contexto português, através de tentativas de estandardização de processos de transferência de conhecimento e formalização de actores de fronteira, mas revela também tensões emergentes na academia com a mudança institucional verificada.
- PINTO, Hugo

- PEREIRA, Tiago Santos
Hugo Pinto
hpinto@ualg.pt
Hugo Pinto é Mestre em Economia Regional e Desenvolvimento Local e Licenciado em Economia pela Universidade do Algarve, tendo preparado tese de Doutoramento no CES - Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, apoiado por uma bolsa individual da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Os seus temas de investigação são os sistemas de inovação, a transferência de conhecimento e o papel das universidades. Também interessado no debate da Economia enquanto ciência e na turbulência económica. Foi em 2008 finalista do Academic Tech Transfer and Commercialization Graduate Student Literature Review Prize da Association of University Technology Managers e vencedor do Prémio Bartolomeu 2012 (melhor comunicação de investigador jovem) da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Regional. Desde 2003 foi gestor de projectos em várias entidades de I&D em Portugal. Em 2010, Hugo Pinto foi investigador visitante no Instituto de Estudos Sociais Avançados do CSIC em Córdoba, Espanha. É assistente convidado na Faculdade de Economia da Universidade do Algarve (desde 2006/07) e actualmente membro associado do Centro de Investigação sobre Espaço e Organizações.
PAP1517 - O Planeamento Estratégico e a mudança organizacional participada - um estudo de caso numa Instituição de Ensino Superior Público
O novo Regime Jurídico de Instituições de Ensino Superior (RJIES) (Lei nº. 62/2007 de 10 de Setembro) enquadrou e definiu um novo cenário legal de funcionamento das Instituições de Ensino Superior (IES) em Portugal, dando expressão a valores e a preocupações manifestados nas reflexões sobre o ensino superior a nível europeu e mundial. O diploma introduz exigências adicionais ao nível do corpo docente e aumenta as responsabilidades das IES no que se refere à sua missão e objectivos estratégicos. É neste contexto que a IES em estudo desenvolveu o seu Plano Estratégico (PE), para o período de 2010-2013. A conceção decorreu durante 11 meses (entre Novembro de 2009 e Novembro de 2010) tendo assumido como metas fundamentais para o processo: •Melhorar a lógica de actuação transversal e inter-sectorial da instituição (apesar da centralização de serviços e da existência de Departamentos transversais desde 2010, a lógica de trabalho por sectores e/ou por unidades orgânicas tendia a imperar,simultâneo à inexistência de práticas de trabalho em equipa e entre diferentes sectores/departamentos); • Co-responsabilizar todos (pessoal docente, pessoal não docente, alunos e ex-alunos) na definição dos resultados, impactos e metas a alcançar até 2013;• Contribuir para a assunção da missão, visão e objectivos estratégicos organizacionais O PE resultou de um processo dividido em cinco fases assente numa metodologia de forte implicação e participação de todos os actores internos (pessoal docente, pessoal não docente, alunos e ex-alunos) e de múltiplos atores-chave locais, nacionais e internacionais. A metodologia adotada, concretizada em estratégias diversas, a saber: apresentações, workshops, fóruns de discussão, reuniões com as equipas responsáveis pelas intervenções do Plano de Ação, entre outras, contribuiu para que o PE tenha sido apropriado por todos na organização. O PE resultou do comprometimento partilhado entre a Presidência e as equipas responsáveis pelas intervenções do Plano de Ação delineado, que se envolveram afincadamente na definição realista dos indicadores de realização, resultados e metas a atingir no horizonte temporal assumido. Como corolário do processo, regista-se a atual elevada taxa de cumprimento das intervenções propostas e/ou o 1º prémio de boas práticas atribuído pelo Observatório Ibero-Americano de Boas Práticas em Direcção Estratégica no Ensino Superior. Através de uma reflexão sobre o percurso empírico que esteve na base da construção do PE e, igualmente, no respetivo processo de monitorização, pretendemos compreender de que forma se ‘reconfiguraram ‘ os formatos de intervenção e participação, individuais e colectivos, dos diferentes actores que trabalham na instituição. O nosso objectivo é, assim, o de refletir sobre a forma como, no caso em estudo, o planeamento estratégico permitiu a capacitação dos actores para a inovação e mudança organizacional. Palavras-chave:Estratégia, participação, planeamento, mudança organizacional
- SAÚDE, Sandra

- LOPES, Sandra

· Sandra Saúde
Doutorada em Sociologia, com especialização em Sociologia do Trabalho e das Organizações. É Profª Adjunta no Instituto Politécnico de Beja, desde 2003, e integra, atualmente, o Departamento de Educação, Ciências Sociais e do Comportamento.
Tem participado e coordenado vários projetos de investigação, de âmbito nacional e internacional, nas áreas da inserção profissional, da formação profissional e da avaliação de competências.
Atualmente é Pró-Presidente e Coordenadora dos Serviços de Planeamento e Desenvolvimento Estratégico do IPBeja. É consultora convidada do Observatório Português de Boas Práticas de Direção Estratégica em Instituições de Ensino Superior.
Sandra Lopes
Instituto Politécnico de Beja ( desde 1998 docente na Escola Superior de Educação de Beja sobretudo ligada ao cursos de Animação Sociocultural; desde 2009/10, colaboradora dos Serviços de Planeamanento e Desenvolvimento Estratégico do IPBeja);
Licenciada em Sociologia e Mestre em Demografia Histórica e Social (ambos pela FCSH/UNL)
Áreas de Investigação: Planeamento territorial; Demografia, Sociologia da Cultura
PAP0387 - O que se diz quando se pensa em energia? Reflexões sobre o tema da energia a partir das representações dos jovens e dos professores de uma escola secundária
A crescente importância da temática da eficiência energética em edifícios, designadamente os de uso colectivo como são as escolas, através do aperfeiçoamento das práticas de conservação energética e da implementação de novas tecnologias, tem paulatinamente enfatizado o papel que a mudança de comportamentos associados ao uso e à conservação de energia detém na melhoria desta eficiência. Mas como contribuir para a alteração de comportamentos sem antes conhecer os sentidos e significados sociais atribuídos ao tema da energia? Considerando que este conhecimento é fulcral no âmbito da alteração de comportamentos, o presente estudo caracteriza as representações sociais da energia de dois grupos – alunos e professores de uma escola secundária – investigando as possíveis articulações entre essas representações e a forma como ambos os grupos se pronunciam acerca das práticas de uso e conservação de energia. Na concretização deste objectivo, recorre-se aos resultados de um inquérito por questionário sobre o uso de energia desenvolvido com alunos e professores de uma escola secundária de Lisboa recentemente intervencionada no âmbito de um programa de reabilitação (Parque Escolar) –, conforme foi desenvolvido no âmbito do projecto Net Zero Energy School - Reaching the Community (FCT-MIT Portugal). A primeira pergunta do questionário solicitava aos inquiridos que indicassem as primeiras três palavras que lhes vinham à ideia quando pensavam em energia. Enquanto a maioria dos alunos associa a palavra “energia” às energias renováveis e à luz, para os professores energia é sinónimo de ambiente e de sustentabilidade energética, de questões de natureza económica e de consumo de energia. Só nas categorias menos referidas pelos professores é que estes concordam com os alunos e consideram que a energia se refere às fontes renováveis e à luz eléctrica/electricidade. Tomando como central a primeira ideia avançada, e a partir da articulação destas com outras variáveis de análise, explora-se os aspectos centrais e periféricos das representações da energia na explicitação dos sentidos e significados atribuídos a energia e discutem-se as questões fundamentais a considerar no âmbito da mudança de comportamentos de uso e conservação de energia de uma dada comunidade escolar.
- MENEZES, Marluci

- REBELO, Margarida

- CAEIRO, Tiago
- SCHMIDT, Luísa

- HORTA, Ana

- CORREIA, Augusta
- FONSECA, Susana

Nome: Marluci Menezes
Afiliação Institucional: Núcleo de Ecologia Social (NESO) do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC)
Área de formação: Geografia / Antropologia
Interesses de Investigação: habitat, espaço público e qualidade de vida urbana, cultura, património e intervenção urbana, práticas e representações do espaço e de sustentabilidade.
Nome: Margarida Rebelo
Afiliação: Laboratório Nacional de Engenharia Civil
Área de formação: Doutoramento em Psicologia Social
Interesses de investigação: Dimensões psicológicas e socio-culturais dos
comportamentos de sustentabilidade ambiental, designadamente, dos
comportamentos de uso e conservação de água e de energia.
Luísa Schmidt
Socióloga investigadora principal do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, dedica-se actualmente a duas áreas de investigação principais: Sociologia da Comunicação e Sociologia do Ambiente, em que se doutorou. No ICS-UL coordena a Linha de Investigação 'Sustentabilidade: Ambiente, Risco e Espaço' e integra o Comité Científico do Programa Doutoral em "Alterações Climáticas e Políticas de Desenvolvimento Sustentável". Faz parte da equipa de investigadores que criaram e montaram em 1996 o OBSERVA - Observatório de Ambiente e Sociedade que actualmente dirige, onde desenvolve vários projectos de investigação que articulam ciências sociais e ambiente.
Investigadora de pós-doutoramento no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa com bolsa da Fundação de Ciência e Tecnologia. Membro da equipa de investigação do Observa – Observatório de Ambiente e Sociedade. Doutoramento em Sociologia da Comunicação, Cultura e Educação, licenciatura em Sociologia e mestrado em Comunicação, Cultura e Tecnologias da Informação pelo ISCTE. Actualmente participa em projectos de investigação sobre questões sociais relacionadas com energia, sustentabilidade e alimentação.
- Susana Maria Duarte Fonseca
- Doutoranda do ISCTE-IUL no Programa de Doutoramento em Sociologia a trabalhar no projecto: “O princípio da prevenção nas políticas de ambiente - o caso da eficiência energética”;
- Colabora em projectos de investigação na área da sociologia do Ambiente no ISCTE– UL (Projecto GISA - Gestão Integrada da Saúde e do Ambiente no Litoral Alentejano) e no ICS-UL (Net Zero Energy School – Reaching the Community e Consensos e controvérsias socio-técnicas sobre energias renováveis);
- Tem colaborado em vários projectos de investigação nas áreas da percepção de risco, representações sociais, movimentos sociais, energia, ambiente e saúde;
- Voluntária da Quercus, tendo sido membro da Direcção Nacional entre Março de 2003 e Dezembro de 2011.
PAP0870 - Pluralidade, mudança e produção de valor na edição de livros: notas sobre a edificação social da cultura impressa
O mundo social do
livro não
corresponde ao mundo
do objecto, mas ao
das práticas e dos
agentes que o
viabilizam enquanto
tal. A afirmação de
semelhante truísmo
torna-se, por vezes,
necessária para que
se não perca de
vista uma das
características
centrais desse
mundo: o de que a
edição é um trabalho
de produção de
valor. O esforço de
materialização de um
livro é também o da
infusão de benefício
simbólico, sem o
qual o objecto
físico se perde
enquanto objecto de
desejo, factor de
aval de conteúdos ou
elemento de alarde
identitário. Em
matéria de livros e
de outros produtos
culturais, o fabrico
do bem palpável pode
estar destituído
simbolicamente, se
desacompanhado da
produção de valor
impalpável do
objecto fabricado. A
realização de um
livro é muito mais
que uma origem
autoral primordial;
é também o resultado
editorial e livreiro
da sua
instituição social
como obra conhecida
e reconhecida pelos
seus receptores
finais. O
conhecimento e
reconhecimento
radicam na convicção
dos seus
usufrutuários finais
no valor intrínseco
da obra. Muito mais
do que elemento
reduzido à
reificação do texto,
o editor produz a
crença no valor que
este adquire como
livro. E esse é, sob
vários aspectos, o
seu poder simbólico
de prescrição: o “de
constituir o dado
pela enunciação, de
fazer ver e fazer
crer, de confirmar
ou de transformar a
visão do mundo e,
deste modo, a acção
sobre o mundo,
portanto o mundo”. O
editor vê-se, então,
investido
objectivamente de um
papel também
veiculado
discursivamente como
ideologia do sector:
o de descobridor, o
de criador do
criador; preenchendo
um lugar central
enquanto peça
charneira no jogo
dinâmico entre a
cultura literária, a
emergência,
desenvolvimento e
declínio de géneros,
temas e autores, as
transformações do
mercado do livro e
as mudanças
tecnológicas que o
próprio objecto
traduz.
Personagem-filtro,
intérprete, mas
também interventor,
prescrevendo,
legitimando e
ordenando o universo
tipográfico, o
editor surge como
figura múltipla e
socialmente
investida de
atributos e práticas
mediadoras na sua
relação com o dado
textual. Produtor de
valor e
materialidade, o
editor inscreve o
projecto do livro
num espaço social
colaborativo de
trabalho, o campo da
edição. A presente
proposta de
comunicação procura
sistematizar
teoricamente alguns
tópicos relativos à
articulação do
editor com a
construção social do
campo editorial e a
edificação da
cultura impressa.
Empreender
semelhante
exploração é abdicar
forçosamente de uma
visão linear,
unidimensional e
historicamente
asséptica do mundo
social e cultural do
livro, cuja
morfologia e
suportes conhecem
crescentemente os
desafios da
desmaterialização.
- MEDEIROS, Nuno

Nuno Medeiros é investigador no CesNova - Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa e na Númena - Centro de Investigação em Ciências Sociais e Humanas. Sociólogo e mestre em sociologia histórica, encontra-se a terminar a redacção de tese de doutoramento em Sociologia Histórica da Cultura. É professor da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa do Instituto Politécnico de Lisboa. Os seus actuais interesses de investigação centram-se na sociologia e história do livro, da edição, da leitura e da livraria, e na sociologia e história da alimentação. Em 2010 publicou Edição e editores: o mundo do livro em Portugal, 1940-1970 (Lisboa: Imprensa de Ciências Sociais).
PAP1490 - Poderes e padrões culturais numa aldeia minhota: continuidade e mudança (1970-2004)
Esta comunicação faz parte de um estudo mais
abrangente, a dois níveis (municipal e
aldeão), o qual consistiu saber em que medida
as organizações, associações e entidades
locais, ao potenciarem os recursos endógenos
e, eventualmente, ao captarem recursos
exógenos, representam formas de
desenvolvimento das comunidades em contexto
local, designadamente rural.
A partir da referida questão foi seleccionado
como estudo de caso o concelho de Barcelos e,
dentro deste, a aldeia de Durrães. Recorreu-se
ao inquérito, entrevista aprofundada e
observação participante.
As mudanças na estrutura económica e
profissional e respectiva organização aldeã
não poderiam deixar de ter suas repercussões
na vida local, nas práticas e interacções, nos
padrões culturais e nas atitudes dos
residentes. Verificam-se diferenças em algumas
das práticas, estratégias e padrões de
comportamento, principalmente as relações de
vizinhança e ajuda mútua e solidariedade entre
os dois tempos: os actuais e os dos anos
sessenta.
Nos anos sessenta a população vivenciava
fortemente os acontecimentos religiosos
(festas principais e outras celebrações). O
poder eclesiástico local representado no
pároco, bem vigilante sobre os seus
paroquianos, estava em relativa sintonia e
correspondência com a Junta de freguesia.
Decorridos mais de trinta anos, podemos dizer
que há uma menor frequência no cumprimento de
certas obrigações. O significado dos rituais
(baptismo, primeira comunhão e casamento) tem
hoje mais um sentido de encontro, afirmação
familiar e, por vezes, de exibição social.
Quanto às actividades culturais ocorrem ainda
sob a luta de poderes no seio da freguesia
entre dois grupos. Fora desta competição não
se verifica uma estratégia global de interesse
e mobilização de toda a comunidade.
No plano social e político, a alteração dos
processos produtivos e ocupações profissionais
também representou uma forte diminuição das
relações da autoridade tradicional.
Em termos de vivências e representações socio-
culturais que dão força e renovam as velhas
identidades, há moradores que procuram
destacar e dar novo impulso a elementos
identitários: vestígios arqueológicos, a
igreja e outros monumentos, manifestações
culturais e religiosas. Confirmando conclusões
doutros estudos, os habitantes de Durrães têm
um forte apego e identificação cultural e
religiosa com a sua terra, mas hoje de maneira
diferente da do passado.
Com o 25 de Abril e sobretudo nas duas últimas
décadas mudou algo na relação de forças quanto
a poderes e padrões culturais. Persistem
certamente as relações clientelares na aldeia
mas a política local ocorre pela intermediação
dos alinhamentos partidários e a propósito dos
mais variados assuntos. Por outro lado, o
quadro relacional entre os moradores mudou
consideravelmente: maior afrouxamento dos
vínculos comunitários e aumento da relativa
autonomia familiar e individual
- CARDOSO, António
PAP1228 - Sociedade de Metamorfose: a criação de uma orquestra sinfónica num bairro da Amadora
A Orquestra Geração apresenta-se como um processo de aprendizagem musical que está desenhado para ensinar crianças e jovens em situações sociais de adversidade. O projecto da Orquestra Geração está a ser implementado em Portugal desde 2007 em escolas, que estão alocadas a alunos de bairros periféricos, do 1º, 2º e 3º ciclo de escolaridade. As bases da formação musical das orquestras assenta no sistema de ensino das orquestras sinfónicas da Venezuela, que se denomina, El Sistema. O sistema classifica as orquestras por níveis de aprendizagem: A, B, C, ou D. O nível “A” corresponde ao nível mais desenvolvido e o “D” abrange as crianças mais novas, normalmente do 1º ciclo. Embora exista esta “arrumação conceptual” temos de considerar as palavras de uma coordenadora pedagógica: “... cada escola é um mundo e temos de estar atentos às suas circunstâncias.”
A comunicação que pretendo realizar quer explorar e reflectir as relações entre cultura urbana e risco de exclusão social. Como é que os jovens que vivem um determinado contexto familiar, social e cultural, do bairro analisado, se entregam ao esforço de aprender a executar composições de música erudita? Quais são os padrões culturais em jogo? Quais são as mudanças, se elas existirem, nesses padrões? Qual a interdependência entre mobilidade social e identidade cultural nos jovens que integram a Orquestra? Que peso têm os conceitos de papel e status? Como é que os trajectos individuais são alterados através da interacção e do interconhecimento vivido entre os elementos da Orquestra Geração?
Na Orquestra geração podemos encontrar uma dupla ambiguidade. Se as relações da periferia com o centro geram sempre algumas tensões, o que sucede quando o centro, visto aqui como a instituição da orquestra sinfónica, se desloca para a periferia? A música erudita como expressão cultural elitista está usualmente conectada a uma rede de relações complexa. Essa rede é, regra geral, o resultado das decisões politicas, económicas e sociais que permitem o surgimento de instituições complexas, como neste caso específico: escolas de música, conservatórios, e orquestras.
A presente comunicação procura apresentar resposta às questões formuladas, através da articulação entre o social e o cultural, na interacção e observação com os diversos elementos da Orquestra Geração e do estudo dos contextos da vida urbana do bairro analisado. Para tal está a ser desenvolvido um trabalho de campo, com o acompanhamento da orquestra que está inserida no bairro, edificado em 2001, para realojamento de diversas famílias do concelho da Amadora que, anteriormente, viviam em bairros degradados.
- BENTO, Ricardo Alves

Ricardo Alves Bento, estudante no ramo de investigação no âmbito do
mestrado de Sociologia ministrado no ISCTE-IUL, tem uma licenciatura
em Filosofia pela Universidade Nova de Lisboa (UNL). As principais
áreas de interesse de investigação relacionam-se com Educação, Arte,
Inovação Social, Desigualdades e Antropologia Urbana.