PAP0726 - Estado democratico de direito, globalização e neoliberalismo na América Latina
Nesta comunicação, pretendemos discutir o
Estado democrático de direito na sua versão
mais recente, isto é, neoliberal. Trata-se de
analisar o processo contraditório de
redemocratização da America Latina e do
Caribe, ocorrido nos meados da década de 1980.
Assim, a nossa hipotese central é a de que o
neoliberalismo que domina a America Latina
desde o inicio da década de 80 possibilitou
certa democratizaçao da região. Esse processo
será analisado como necessário para o
estabelecimento do Estado democratico-
neoliberal, o qual não é senão o corrolario
das politicas neoliberais e da implementação
de maquiladoras deslocadas do Norte. Isso como
resposta à crise do fim dos anos sesenta no
centro do capitalismo em particular. Com
efeito, no contexto de reconceitualização e/ou
de ampliação da cidadania no chamado Terceiro-
mundo, ocorreu a neoliberalização dos Estados
latino-americanos e caribenhos. Portanto,
tentaremos, num primeiro momento,
contextualizar o processo de redemocratização
da região. Num segundo momento, procuraremos
mostrar como, num movimento dialético, o
neoliberalismo, tanto propiciou a volta da
democracia, o surgimento da sociedade civil, e
a recolocação da defesa da cidadania nas
pautas políticas na America Latina, quanto
contribuiu para a sua derrota. Num terceiro
momento, queremos mostrar como enquanto
occoria este processo, no centro do
capitalismo continuava a ser observado um
minimo de “ welfare state”, até as ofensivas
radicais mais recentes da logica neolibéral-
capitalista nas politicas governamentais em
momentos de crise profunda do sistema
capitalista. Discutiremos com enfãse as
categorias de cidadania, liberalismo e
democracia nos marcos da sociabilidade
capitalista-racista-machista. Pois acreditamos
que é neste ambito que devem ser apreendidos
os debates sobre: Globalização, Política e
Cidadania, e as Crises globais que rodam o
mundo hoje e que se expressam nas atuais “
revoltas sociais” nos países do chamado Norte
em particular e no mundo em geral.
Michaëlle Desrosiers possui graduação em Serviço Social pela Universidade do Estado de Haiti (UEH, Port-au-Prince, Haïti) e é mestre em Serviço Social pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE, Pernambuco, Brasil). É doutoranda em Sociologia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP, São Paulo, Brasil) e professora do departamento de Serviço social da UEH. Ela vem trabalhando desde a graduação a questão de gênero, da educaçâo diferenciada segundo o sexo e a dominação masculina e os direitos das mulheres. Presentemente, as suas linhas de pesquisa são: trabalho, gênero, raça e lutas feministas além de interessar-se pela cidadania, democracia e neoliberalismo na contemporaneidade capitalista. Ela trabalhou na intervenção feminista em violencia contra mulheres de 2003 à 2007 assim como publicou varios artigos no jornal feminista Ayiti-fanm entre 2004 e 2007. Publicou em revistas hatiana e estrangeira sobre a questâo das mulheres haitianas e a formação social haitiana. O seu atual tema de pesquisa é: As operarias das zonas francas no Haiti e as organizaçôes feministas ditas progressistas no Haïti contemporâneo.