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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012
Associação Portuguesa de Sociologia
PAP0395 - O Consumo Cultural nos Museus Virtuais: O caso do Museu virtual da Rádio e Televisão de Portugal (RTP)
Nas últimas décadas tem-se vindo a observar profundas transformações nos mais diversos contextos, dando origem a novas dimensões culturais. As mudanças de paradigma são o resultado da crescente globalização e interdependência internacional nos finais do século XX. Desta forma, é fundamental implementar novas e criativas soluções no sector cultural, como o recurso às novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). Neste sentido, a presente investigação, pretende desconstruir o impacto das mesmas nas instituições culturais, concretamente no caso dos museus, que se deparam com mudanças paradigmáticas ao nível conceptual, impulsionando a emergência de novas tendências de consumo e acessibilidade, nomeadamente através da sua virtualização. Surge assim uma nova concepção do espaço museológico, como forma de ultrapassar as dificuldades de comunicação com o seu consumidor, única e exclusivamente associada à virtualização do seu espaço físico - museu virtual - que se caracteriza pela divulgação de “informações mais detalhadas sobre o seu acervo e, muitas vezes, através de visitas virtuais” (Oliveira e Silva). O museu virtual é ainda caracterizado por Deloche (2001) como um museu ubíquo, sem fronteiras, e como “um espaço paralelo e complementar que privilegia a medição da relação do utilizador com o património” (Oliveira e Silva: 7).
O Museu da RTP é um exemplo desta mudança no contexto museológico português, notando-se um investimento e esforço por parte da instituição em adaptar–se às tendências do consumidor contemporâneo. É de salientar que esta instituição é de carácter estatal, pelo que enfatiza a valorização de reorganização do sector cultural por parte do Estado português, no sentido de actualizar e dinamizar as suas instituições. Em suma, esta investigação centra-se na virtualização do Museu da RTP, procurando identificar as motivações que levam o público a aceder (ou não) a esta plataforma e de que forma esta mudança conceptual contribui para o desenvolvimento do consumo cultural no contexto museológico português.
- ALVES, Sofia Branquinho

- ALVES, Tânia Patrícia Lima
Sofia Branquinho Alves, Research Analyst na Sonae Sierra, Portugal. Licenciada em Comunicação Social – especialização em Comunicação Cultural (ESE- Instituto Politécnico de Setúbal) e Mestranda em Comunicação Social – especialização em Comunicação Estratégica (ISCSP – Universidade Técnica de Lisboa). Iniciou o seu percurso como estagiária na AYR - Consulting, empresa de consultoria na área da inovação estratégica (tendências & consumer research), onde também desempenhou funções de Coolhunting. Colaborou na edição do livro “Tendências e Gestão da Inovação” e publicou um artigo na área do consumo: “Museu Virtual da RTP”. Em 2011, começou a estagiar no departamento de Market Intelligence, da empresa Sonae Sierra (Portugal), onde desempenhou funções na área do Market Research, Competitive Intelligence & Scouting. Em 2012, integrou a equipa de Data Analysis & Reporting, no mesmo departamento, onde exerce atualmente funções.
PAP0375 - Social media como ferramenta de comunicação para museus: Tendências e práticas actuais
A evolução da Internet e especialmente da Web, originou mudanças expressivas na forma como o indivíduo comunica. Os social media permitem que os indivíduos interajam de formas inovadoras e colaborativas, alterando a forma como estes se relacionam. Os museus não são indiferentes a esta mudança de paradigma comunicacional, estando cada vez mais a desenvolver esforços para se integrarem com ferramentas que permitem novas estratégias de comunicação que facultem o acesso de forma mais eficaz ao seu público. Os social media oferecem novas formas de colaboração, o que permite ao museu conhecer melhor o público, podendo ajustar-se na gestão, curadoria e comunicação, com a contribuição dessas novas ideias e visões. O desafio, para o museu, da utilização dessas ferramentas com base em estratégias de comunicação com o público adequadas, representa uma tarefa que se mostra complexa devido à inexistência de directrizes de aplicação e medição de resultados nos social media. A utilização de social media por parte dos museus necessita mais do que ferramentas digitais ou novas tecnologias, visto que pressupõe formas alternativas de comunicação museológica, substituindo a inércia pela interactividade, a observação pela geração de conteúdos e elitismo pela heterogeneidade de públicos que concebem novas visões e perspectivas. Para tal são utilizados, estruturadamente, variados sistemas online que permitem a interacção dos indivíduos e a criação de forma descentralizada, colaborativa e participativa de conteúdos. Desta forma, os museus têm diversas aplicações concebidas com base nos fundamentos tecnológicos e ideológicos da Web 2.0, que permitem a concepção, troca e partilha de conteúdos concebidos pelo utilizador. São exemplos das aplicações de social media: os blogues e microblogues, as redes sociais, wikis, media sharing services, social bookmarking, social tagging, RSS feeds, etc.
Concebe-se que os social media oferecem oportunidades significativas para as instituições museológicas se relacionarem com públicos diversos e heterogéneos, iniciando diálogos personalizados com o seu público com o objectivo de de aumentar o envolvimento deste com o museu promovendo a participação e a colaboração, e fornecendo informação mais direccionada para um público especifico podendo promover a utilização não só dos social media como a visita a outros canais de comunicação do museu e bem como a visita presencial ao museu.
- CARVALHO, Joana

- RAPOSO, Rui
Joana Carvalho, Professora do Instituto Superior de Tecnologias Avançadas. Doutoranda em Informação e Comunicação em Plataformas Digitais da Universidade de Aveiro e Faculdade de Letras da Universidade do Porto e licenciada em Engenharia Multimédia no ISTEC. Desenvolve atualmente trabalho de investigação em Social Media, Comunicação e Cibermuseologia, dedicando-se a construção da Tese de doutoramento com o título “A adopção de social media por museus como uma ferramenta de comunicação”.
PAP0515 - TRANSFORMAÇÕES NAS POLÍTICAS PÚBLICAS CULTURAIS: A ANÁLISE DA CRIAÇÃO DO INSTITUTO BRASILEIRO DE MUSEUS
O presente trabalho analisa as políticas públicas de museus implementadas no Brasil ao longo do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre 2003 e 2010 e em que medida elas incidiram sobre o arbitrário cultural dominante. De início, realizo análise teórica acerca do tema, ressaltando que os bens que compõem o patrimônio cultural de uma sociedade são incomensuráveis. No entanto, o patrimônio oficial, legitimado pelo Estado, reúne poucos e escolhidos bens eleitos preserváveis à posteridade. Isso quer dizer que a determinação de concepções como “nação”, “história”, “arte”, “arquitetura”, “paisagem”, “afeição”, dentre outras, é que define o que será considerado patrimônio e preservado e o que será relegado ao esquecimento. Daí a possibilidade de se pensar o patrimônio como representação social, como alvo de escolhas que estabelecem relações entre o visível e o invisível. Para tanto, Bourdieu fornece as bases conceituais que permitem associar os sistemas simbólicos considerados legítimos em uma dada configuração social àqueles construídos e operados pelos grupos que conseguiram se colocar em posição dominante. A desigual distribuição do capital cultural estimula, portanto, o conflito pela posse desse bem, denunciando o constante jogo de dominação de um grupo sobre o outro para manter estrategicamente a estrutura simbólica reconhecida e legitimamente aceita pelo mainstream. A noção de capital cultural, para se tornar operacional, exige dispositivos que arbitrem e definam a cultura de um determinado grupo como a cultura legítima, ao mesmo tempo em que se constituam como instância de validação da posse dessa cultura, emitindo indicadores, na forma ou não de certificados, que dão entrada às posições reservadas àqueles que detêm essa cultura. A existência de museus em determinadas comunidades pode cumprir tal papel. Assim, a partir de documentos oficiais do Ministério da Cultura e do Instituto Brasileiro de Museus, verifica-se que o setor de museus foi um dos beneficiários da maior atenção despendida às políticas culturais por parte do governo brasileiro no período presidido por Lula. Merece destaque o lançamento da Política Nacional de Museus em 2003, a construção do Sistema Brasileiro de Museus a partir de 2004 e a criação do Instituto Brasileiro de Museus em 2009. Esta organização tem dado nova institucionalidade e consolidado a gestão de novas políticas públicas para o setor, alçando os museus a um papel de destaque nas políticas públicas em geral e favorecendo a inversão do arbitrário cultural dominante, definido por Bourdieu. Com a mudança infringida pelo governo federal a partir de 2003, os atores sociais, públicos e privados que atuam na esfera pública, encontraram no campo museal perspectiva de operar e transformar a realidade que se inserem. Assim, os museus ingressaram na agenda política brasileira e trouxeram com eles uma série de novos desafios.
- POZZER, Márcio Rogério Olivato