PAP1221 - Educação Sexual em contextos heterogéneos: Instituições de acolhimento de crianças e jovens de Braga
Como quaisquer outros jovens a viverem com as suas famílias, os que foram institucionalizados sentem-se agradavelmente melhor, quando encontrem quem mostre interesse por si e pelo que digam, sem se sentirem desvalorizarem por terem ultrapassado o risco sexual e/ou sofrido assédio, abuso, negligência e maus tratos.
Nesse sentido, nas sociedades ocidentais, para o domínio da Educação Sexual, continuam a ser analisados e debatidos programas modelares de formação de adultos em escolas (Barragán, 1991; Kirby, 2007; Kirby et al., 2007), e em instituições de acolhimento de crianças e jovens (Daly, 2004; Garcia Ruíz, 2009).
Na equipa multidisciplinar da Universidade do Minho – Instituto de Educação, realizamos uma investigação-ação, em Braga, junto de escolas públicas e instituições religiosas de acolhimento, com as seguintes ações ordenadas, oficializados acordos de cooperação entre instituições (ação 1): (1) analise/interpretação de espírito de missão/finalidades e crenças, valores e ideologias, presentes nos discursos e nos processos de trabalho formativo/educativo das estruturas e organizações locais, com projetos socioeducativos e individuais explícitos (ação 2); (2) levantamento de potencialidades, necessidades e formação de adultos implicados e utentes (crianças e jovens), de acordo com nível de desenvolvimento profissional e psicossocial e etário, respetivamente, conhecidas as retaguardas familiar e institucional (ações 3 e 4); (3) caracterização de dinâmicas escolares e institucionais, a partir da análise dos dados quantitativos e qualitativos recolhidos (ação 5); (4) diagnóstico biopsicossocial, ponto de chegada/partida para a planificação e implementação de ação/programa de Educação Sexual, uma intervenção heterogénea (com a colaboração de unidades de saúde pública) (ações 6 e 7); (5) registo e avaliação de dados do programa de intervenção, por meio de instrumentos adequados a estratégias e técnicas utilizadas e posterior triangulação de análise quantitativa e qualitativa (ações 8, 9 e 10); (6) avaliação global, com base nos resultados (ação 11); e (7) formulação de orientações futuras (ação 12).
No Congresso, iremos apresentar dados iniciais e exploratórios das ações 1 e 2, relativos às instituições de menores. A possível eficácia de intervenções planeadas será explorada, por análise de congruências, discrepâncias e da sua superação nessas realidades, consumadas orientações e sugestões a aplicar em organismos religiosos e educativos similares da região (ação 12).
Aposta-se na capacitação bilateral e dialética (formadores/formandos; adultos/crianças), com recurso a metodologias diversas e complementares, que pretendemos desenvolver um projeto de Educação Sexual não para todos, esperando-se ir ao encontro de modelos viáveis de educação para o amor e sexualidade saudável.
Judite Maria Zamith Cruz - doutorada em psicologia, mestre em educação e mestre em ciências cognitivas, é professora auxiliar no Instituto de Educação, da Universidade do Minho, onde realiza formação em domínios de desenvolvimento na infância e adolescência, motivação e dificuldades de aprendizagem, em licenciatura e mestrados. Trabalha em projeto de educação sexual, em contexto de acolhimento de crianças e jovens. Tem experiência clínica, em necessidades especiais (sobredotação com perturbação de Asperger) e em atendimento neuropsicológico a doentes de Alzheimer. É autora de livros e publicou artigos nas áreas psicossociais, por metodologias qualitativas: Grounded Theory, Histórias de Vida e Análise de Discurso.