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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012
Associação Portuguesa de Sociologia
PAP1210 - Contingências e disposições na sala de aula: a relação pedagógica no secundário e a influência de processos extra-escolares
Pretende-se dar a conhecer uma pesquisa feita no âmbito da tese de doutoramento em Sociologia. Tendo em conta o título da comunicação, o objecto geral da análise encerra em si, à partida, inúmeras linhas de partida para aspectos muito diversificados da vida escolar. Bastará, no entanto, um determinado conjunto de lógicas operacionais para se analisar a ligação entre a interacção na sala de aula e algumas dinâmicas de mudança da sociedade em geral.
A sala de aula é aqui entendida como o ponto de convergência, o reflexo das mudanças maiores, com implicações ao nível do habitus dos agentes (re)socializados no espaço escolar.
Numa qualquer aula do secundário podemos encontrar toda uma série de dinâmicas de negociação e de atenção que giram em torno da relação entre professor e aluno(s). São como diferenciadores de atitudes em termos da relação com a autoridade e as normas, revelando mais ou menos autonomia ou mais ou menos proximidade com o professor. Estas dinâmicas, transfiguradas em práticas de sala de aula, transmitem modos e maneiras de estar perante o trabalho escolar (no sentido de Perrenoud), reflexos de disposições mais ou menos concorrentes entre si, e acabam por revelar aspectos éticos que regem de uma forma ou de outra a conduta dos alunos. O conjunto de mudanças despoletadas por uma nova ética perante o plágio, com recursos informacionais cada vez mais presentes, é disso exemplo.
A observação no terreno, revelou importantes dinâmicas de confiança, afinal subjacentes às dinâmicas atrás descritas. Faz, portanto, todo o sentido contemplar a própria confiança na autoridade e a forma como esta se entrelaça na confiança depositada e dada nos alunos, pelo professor. São estes os ingredientes da definição da situação (Goffman). Mas como identificar, então, uma eventual influência dos processos extra-escolares?
A forma mais óbvia – contudo, fundamental – será ter em conta o impacto das TIC na sala de aula, sob uma perspectiva da permeabilidade do contexto de sala de aula face à influência da comunicação ou conectividade permanente possibilitadas pelos telemóveis. Refira-se – de forma menos óbvia – que tal permeabilidade abrange o efeito – ao nível, então, das disposições – no trabalho escolar (ritmo, atenção, etc.) e nos modos e conduta na relação pedagógica, com impacto relevante na definição, também, dos papéis. Trata-se, no fundo, de dar a conhecer a própria negociação de papéis e de diferentes disposições incorporadas (trabalho, lazer, etc.) entre professor e alunos.
Pretende-se, enfim, dar a conhecer os resultados da pesquisa, apoiada num dispositivo metodológico que incluiu observação no terreno (sala de aula), recolha de dados extensivos (inquérito por questionário), entrevistas a professores do secundário e entrevistas a jovens em idade escolar do secundário.
- FERREIRA, Nuno

Nuno Ferreira: licenciado em Sociologia pelo ISCTE-IUL. Presentemente
a terminar o
doutoramento em Sociologia pela mesma instituição. Tem como interesses de
pesquisa as metodologias de investigação, a identidade pessoal, os processos
educativos e juventude. Assistente convidado na ESECS - Instituto
Politécnico de Leiria.
PAP1408 - O impacto das TIC no quotidiano juvenil: implicações para as dinâmicas de confiança, autonomia e identidade pessoal
Esta comunicação pretende apresentar os resultados de uma pesquisa feita no âmbito de uma tese de doutoramento em sociologia na qual se procura desmontar – em disposições e atitudes – as diversas práticas relacionadas com as TIC, entrelaçadas com as dinâmicas de sociabilidade, práticas identitárias e autonomia de adolescentes de classe média urbana e escolarizada. Pretende-se, pois, dar a conhecer os resultados do estudo que utilizou um dispositivo metodológico baseado numa série de entrevistas a jovens e um inquérito extensivo, por questionário.
As TIC, tornaram-se ferramentas predominantes para a coordenação da vida diária, para a actualização de si próprio e das relações sociais. O impacto do telemóvel no quotidiano juvenil, imprime novos ritmos e formas de comunicar. A sobrevalorização da contingencialidade das regras sociais exprime-se na coordenação das actividades diárias, a qual é negociada e alterada no momento, assumindo um carácter flexível e potenciando, ainda, aspectos da autonomia pessoal (Stald; Castells). Outra característica impactante nas disposições quotidianas dos jovens é a possibilidade de conectividade permanente, seja através de SMS’s, telefonemas ou da internet.
Alguns indícios recolhidos na pesquisa revelam uma preponderante necessidade de comunicação e actualização instantâneas. As consequências para a sociabilidade são imensas. Refira-se, por exemplo, a interrupção do fluxo normal de interacção em co-presença, ou a permeabilidade das próprias relações amorosas face aos riscos associados à privacidade ou a um acesso virtualmente ilimitado às redes sociais.
As implicações para a identidade pessoal tornam-se importantes se tivermos em conta o feedback social facilitado e instantâneo dos outros: se este for positivo, os ganhos para a confiança – um dos pilares da construção identitária – são integrados no mundo offline. Contudo, uma sobrevalorização do feedback poder minar a autonomia, evidenciando um conflito latente entre as escolhas pessoais e estilo de vida e a importância da aprovação instantânea – porque mais facilitada e mais rápida – das amizades virtuais ou reais. O risco aumenta com a conectividade permanente, que permite contornar a solidão.
Apesar de terem sido observadas diferentes atitudes perante o uso do telemóvel, sobressaem traços de dependência comunicacional e mesmo alguma compulsividade onde, por exemplo, as chamadas e SMS’s assumem uma função fática – manter a comunicação como o principal objectivo, em detrimento do conteúdo. O telemóvel torna-se, assim, um meio de suporte instantâneo e presença emocional (Stald) actuando como um “substituto” da confiança (Giddens).
O quotidiano juvenil actual parece, assim, ser pautado por complexas dinâmicas de confiança e de reciprocidade, sendo que esta parece assumir um carácter mais imediatista (contingencial) em detrimento de um ethos coerente ao nível dos valores.
- FERREIRA, Nuno

Nuno Ferreira: licenciado em Sociologia pelo ISCTE-IUL. Presentemente
a terminar o
doutoramento em Sociologia pela mesma instituição. Tem como interesses de
pesquisa as metodologias de investigação, a identidade pessoal, os processos
educativos e juventude. Assistente convidado na ESECS - Instituto
Politécnico de Leiria.