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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012
Associação Portuguesa de Sociologia
PAP0127 - Critérios de justiça e penas em Portugal
Uma das principais características da sociedade pós-moderna ou do capitalismo avançado, a configuração contemporânea que articula sociedade, instituições e modos de vida, é o aumento imparável do número de prisioneiros, bem como os sinais evidentes de discriminação social na selecção étnica, etária, sexual dos encarcerados. Há quem entenda tal facto como uma consequência da perversidade das instituições. E há quem acrescente ou contraponha a perversidade da própria opinião pública: os sentimentos de insegurança das populações, mais ou menos aumentados ou provocados pelos media sensacionalistas e em luta de audiências, reclamariam “acção e não palavras”. As propostas políticas de troca da liberdade por segurança são populares e fazem o seu caminho.
No estudo de inquérito por questionário feito com uma amostra de conveniência sobre como punir criminosos e como os reabilitar, procuraram-se indicações sobre qual a convicção dos inquiridos relativamente às soluções em escrutínio, qual a força dos partidos dos duros e dos moles com o crime, quais os principais agentes de ressocialização dos condenados, aos olhos dos inquiridos.
O objectivo principal do estudo foi observar a reacção dos inquiridos à proposta de ser o Estado a ficar encarregue de dar emprego aos condenados à saída da prisão, já que o Estado está encarregue de cumprir a principal finalidade da pena que é a reintegração social.
A análise dos dados aponta sobretudo para uma importante margem dos inquiridos para aceitarem a posição socialmente dominante relativamente ao que possa ser a solução a adoptar.
- DORES, António Pedro

Doutorado e agregado em Sociologia no ISCTE em 1996 e 2004 respectivamente, http://iscte.pt/~apad/novosite2007/. Docente responsável pelo ramo “Sociologia da Violência” do mestrado de Sociologia do ISCTE-IUL. Membro da Associação Contra a Exclusão pelo Desenvolvimento/ACED, http://iscte.pt/~aced/ACED, iniciativa de pessoas reclusas para romperem o cerco que as inibe de exercer os direitos de livre expressão.
Organizador dos livros a) Vozes contra o silêncio – movimentos sociais nas prisões portuguesas, com Alte Pinho, Prisões na Europa – um debate que apenas começa e Ciências de Emergência; b) Autor da trilogia Estados de Espírito e Poder (Espírito Proibir, Espírito de Submissão e Espírito Marginal).
PAP0194 - Dos velhos aos “novos” protagonistas dos “espaços de opinião” nos media portugueses: quando o humor se torna um recurso argumentativo na análise política
O subcampo que substancia e dá visibilidade à
actividade de tornar pública a opinião - lugar
de intersecção entre o campo político e o
jornalístico – é um “espaço” protagonizado
pelos actores tradicionais. Da caracterização
destes e da “conceptualização” desta
actividade, das percepções dos colunistas
sobre a política nacional (publicadas em
jornais de “referência portugueses”)e da
receptividade que obtêm junto dos leitores,
nos ocupámos anteriormente (tese de
doutoramento apresentada em 2009, ISCTE-IUL).
Para a presente comunicação, propomo-nos
retomar brevemente algumas questões e
resultados que daqui emergiram, mas também
prestar, agora, atenção a outros protagonistas
de reconhecida notoriedade mediática, a
outros “conteúdos” com considerável impacto
nas “audiências” (entendidas aqui em sentido
lato).
Importará partir da ideia de que na
actualidade se observa não só uma sob
representação de áreas como a economia, alguns
indícios de “afunilamento ideológico”, como
assume cada vez mais destaque um pequeno grupo
de colunistas ligado à cultura (escritores,
poetas ou jornalistas relacionados com
actividades culturais). Os seus textos,
publicados nos jornais ou servindo de base a
intervenções em programas televisivos e
radiofónicas, têm características
particulares. Realçam-se duas: estão presentes
nos “ media de referência” – os que estão mais
direccionados para a informação e análise
política; nos seus comentários recorrem ao
humor e à ironia enquanto “ recurso
argumentativo “ - um misto de informação e
diversão, um certo modo de infotainment -
informando e analisando a actualidade
política, combinam o registo interpretativo
com o humor. Obedecendo a estas
características, em Portugal identificamos
quatro projectos jornalísticos em cujos
conteúdos encontramos a “assinatura” destes
espaços.
Assim, partindo das concepções e perspectivas
teóricas que já accionámos para interpretar
a “opinião publicada”, bem como dos resultados
da pesquisa empírica então efectuada, propomo-
nos agora também iniciar a exploração de uma
nova abordagem que, por um lado, contemple
protagonistas que ainda não tínhamos
suficientemente considerado; e, por outro,
aprofunde as questões das identidades
profissionais na actividade de tornar pública
a opinião. Em tempos de crise, estará também
este subcampo em reconfiguração?
- BARRIGA, Antónia do Carmo

Antónia do Carmo Barriga é Licenciada em Sociologia, Mestre em Comunicação, Cultura e Tecnologias da Informação, e Doutora em Sociologia pelo ISCTE_IUL. Foi docente no Ensino Profissional, tendo aí desempenhado cargos directivos. Leccionou no Instituto Superior de Serviço Social. Atualmente é Professora Auxiliar convidada na Universidade da Beira Interior. É investigadora no CIES-IUL e colaboradora no CICS-UM. Interessa-se pelo estudo das interações entre o campo político e o campo dos media. Tem investigado a "opinião publicada" nos media tradicionais. Mais recentemente, tem-se interessado também pelos "novos media" e pelo seu papel na participação política".