PAP1170 - Crença e política entre portugueses(as): valores, práticas e percepções
É frequente afirmar-se que, perante o processo de secularização, as pessoas vão deixando de professar e sobretudo praticar actividades religiosas e, por outro, perante a crise do sistema político-partidário, vão descrendo dos políticos profissionais e da própria política, designadamente partidária.
O objectivo desta comunicação visa testar e aferir estas afirmações com base em dois tipos de instrumentos: um primeiro, de teor estatístico, que dê conta da evolução das crenças e práticas religiosas com base nos censos e noutros estudos já realizados em Portugal; e um segundo com base em dados empíricos recolhidos a propósito de uma investigação centrada nas (des)igualdades de género, que teve, entre outros instrumentos e técnicas quantitativas e qualitativas, a aplicação de um inquérito a 800 pessoas em Portugal Continental distribuídas por sexo, idade, profissão, tipo de residência (rural ou urbano), activo-não activo, projecto este aprovado e financiado pela FCT e finalizado em 2011 (PTDC/SDE/72257/2006).
As questões colocadas remetem para problematização e uma breve avaliação sobre as várias perspectivas sobre a religião e, sobretudo, para a necessidade de analisar a relação da religião quer com os valores, quer com a política.
Considerando variáveis como o sexo, a profissão, a idade, foram colocadas e analisadas diversas questões tais como o tipo de crença ou religião professada (ou nenhuma) e respectivas práticas diferenciadas por profissão e género, o grau de adesão e confiança, também por profissão e género, nos partidos para defender seus interesses ou resolver problemas e, em especial, as atitudes perante as desigualdades de género por sexo, grupo profissional e nível de escolaridade.
Os dados recolhidos confirmam que a grande maioria dos portugueses é católica, distribuindo-se os restantes por outras religiões ou simplesmente são agnósticos ou ateus. Todavia, em termos de práticas religiosas regulares, além de a taxa de não praticantes ser superior à dos praticantes, as taxas de praticantes são diferenciadas por grupos profissionais e mais elevadas entre as mulheres que entre os homens. Por outro lado, em termos de expectativas e percepções face aos partidos no que respeita a defesa dos seus interesses e resolução de problemas, os inquiridos mostram, em termos relativos, uma maior confiança em entidades não partidárias (sindicatos, movimentos cívicos, centros sociais/paroquiais e associações de vária ordem) que nos partidos políticos.
Palavras- chave: religião, política, valores, práticas e percepções, Portugal.
Silva, Manuel Carlos
Licenciado e doutorado pela Universidade de Amesterdão em Ciências Sociais, Culturais e Políticas. Professor catedrático em Sociologia e Director do Centro de Investigação em Ciências Sociais (CICS) na Universidade do Minho. Distinguido com o Prémio Sedas Nunes pela obra “Resistir e Adaptar-se” (1998, Afrontamento) sobre o campesinato, tem publicado sobre o rural-urbano, o desenvolvimento e as desigualdades sociais. Foi Presidente da Associação Portuguesa de Sociologia (APS).
PAP0633 - Percepções do risco de terrorismo: a influência dos media e do conhecimento
A análise das percepções individuais de risco é complexa, dado que é determinada por factores psicológicos, sociais, demográficos e também geográficos. Uma quantidade considerável de estudos recentes realça a importância de se estudarem as percepções individuais pois, elas ajudam a compreender o modo como as pessoas reagem e respondem a ameaças, sendo úteis para a implementação de políticas de segurança e planos de emergência. Embora na maioria dos países exista um sentimento generalizado de que existe risco de um ataque terrorista, será que o público o considera baixo ou elevado? A percepção do risco depende do nível de conhecimento, da idade ou da cultura? E qual a influência dos media?
Esta comunicação tem por finalidade contribuir para responder às questões acima expostas, apresentando um breve survey sobre as percepções do risco de terrorismo e elaborando um estudo empírico exploratório preliminar para Portugal. Pretende verificar algumas hipótese relativas à influência dos seguintes factores: a) os media; b) o conhecimento e/ou opinião especializada por contraste ao público em geral.
(Em Inglês - Abstract)
Perceptions of the risk of terrorism: the influence of the media and knowledge
The risk of terrorism represents a big challenge for governments as it is not enough to keep people safe but they also must feel safe and this has to do with perceptions of the threat.
The analysis of the individual perceptions of risk is complex given their psychological, social, economic, demographic and also geographic determinants. A considerable amount of recent studies highlight the importance of studying individual perceptions as they help understanding how people react and respond to threats, being useful for the implementation of security policies and emergency plans.
Although in most countries, there is a generalized feeling that there is risk from a terrorist attack, does the public perceive it as being small, considerable or high? Does risk perception depend on the level of education, on age and on culture? And the influence of media?
This paper aims at contributing to provide an answer to the above stated questions presenting a brief survey of the literature on perceptions of terrorism and providing a preliminary and exploratory empirical test for Portugal. It verifies some hypothesis relating to the influence on perceptions of the following factors: a) the media; b) knowledge an/or expert opinion as opposed to the layman.
Ana Bela Santos Bravo, Doutorada em Economia pela Univ. de York, 1989
Prof. Cat. Economia e Adm Militar
Depart C. Soc.Humanas daAcademia Militar
Áreas de investigação: Economia Política, Finanças e Administração Públicas, Economia da Defesa