Ficha Técnica:
Organização e Edição:
Associação Portuguesa de Sociologia
Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9
1600-189 Lisboa
Tel: 217804738 / Fax: 217940274 / E-mail: aps@aps.pt / http://www.aps.pt
Produção técnica:
Plug & Play
Rua José Augusto Coelho nº 117
2925-543 Azeitão
Tel: 210 854 236 / Fax: 210 854 236 / http://www.plugeplay.com
ISBN: 978-989-97981-0-6
Depósito legal: 281456/08
Requisitos Mínimos:
Windows XP ou superior.
Adobe Acrobat Reader
©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012
Associação Portuguesa de Sociologia
PAP1175 - A reestruturação dos anos 1990 e o perfil do trabalhador bancário no Banco do Brasil
Durante os anos 1990, os bancos públicos brasileiros sofreram processos complexos e intensos de reestruturação capitalista, com profundas conseqüências para os processos e os espaços de trabalho, afetando particularmente o perfil da categoria bancária. No Banco do Brasil a reestruturação teve seu momento decisivo entre 1994 e 1997, envolvendo inovações e mudanças tecnológicas, institucionais, organizacionais, discursivas, no perfil bancário e nos modos de gestão e contratação da força de trabalho. As análises aqui desenvolvidas foram geradas a partir de observação direta e participante, da análise de documentos bancários e sindicais e da realização de entrevistas semi-estruturadas e coleta de depoimentos informais. O foco do texto é o debate sobre a reconfiguração do perfil do trabalhador bancário no Banco do Brasil a partir da reestruturação. Para tanto, apresenta-se a evolução do capital e do trabalho no Banco do Brasil, evidenciando a transição do trabalho de ofício para o taylorismo, a emergência do fordismo como forma de regulação do trabalho e a industrialização do trabalho bancário. Em seguida, expondo a transição da estabilidade para a empregabilidade, discutem-se a heterogeneização e fragmentação do trabalhador, a emergência do bancário-vendedor, a multifuncionalidade, a competitividade e a segmentação no atendimento aos clientes. Para finalizar, avaliando que as mudanças recriaram as formas de exploração e subordinação do trabalho ao capital e os modos de equacionamento dos conflitos nos processos e locais de trabalho, são apresentadas duas conclusões sobre os significados da reestruturação. Em primeiro lugar, a partir de referenciais de Antonio Gramsci, caracterizando a reestruturação como parte de um longo processo de evolução das relações, processos e tecnologias capitalistas no Banco do Brasil, evidencia-se o seu sentido de recriação da hegemonia do capital sobre o trabalho. Para tanto, apresentam-se dimensões materiais e imateriais e reflete-se sobre as articulações entre coerção e consenso que compõem diferentes momentos e faces da reestruturação. Em segundo lugar, e a partir da teoria sociológica de Pierre Bourdieu, evidencia-se a reestruturação enquanto um processo de recriação do espaço social do capital e do trabalho, entendido este enquanto um campo onde convivem e interagem agentes sociais com posições, trajetórias, capitais e disposições sociais distintas e processualmente constituídas.
- MACHADO, Eduardo Gomes
PAP0765 - Precariedade laboral em situação de pobreza: contributos para uma tipologia
Os dados estatísticos disponíveis permitem perceber que a precariedade no emprego afecta um número crescente de indivíduos. Concomitantemente, os discursos políticos e mediáticos sobre este processo social são omnipresentes. Contudo, os estudos sistemáticos sobre a temática não abundam, quer a nível nacional, quer a nível internacional, pelo que discursos e decisões políticas sobre o assunto não têm por base informações factuais aprofundadas.
Nesta comunicação, propomo-nos contribuir para a caracterização sistemática deste processo social, recorrendo a um inquérito por questionário aos beneficiários do Rendimento Social de Inserção que trabalham, e à reflexão enquadradora de Beck, Castels e Barbier, relativamente às transformações do mercado de trabalho e à definição de precariedade no emprego.
Os indivíduos em situação de pobreza que trabalham constituem uma população particularmente adequada para estudar a precariedade no emprego, quer por ser entre eles que se encontram todas as formas de precariedade, incluindo as mais extremas, quer porque se trata de uma categoria social em que a questão se coloca de forma persistente no tempo.
Na análise a apresentar, confrontam-se as diferentes formas de vinculação em relação ao emprego com as principais características sócio-demográficas dos inquiridos construindo-se diferentes perfis de ser precário. Com efeito, a precariedade no emprego não é um processo social homogéneo. Apesar da incerteza em relação ao futuro como denominador comum, existem formas de precariedade com diferentes graus de intensidade, porque mais ou menos afastadas da norma do emprego sem termo, havendo mesmo trabalhadores pobres caracterizados pela condição de efectivo.
Os métodos de pesquisa de dados, compreendem as análises univariada, bivariada e multivariada (análise factorial das correspondências múltiplas).
O inquérito aos beneficiários do RSI que trabalham tem como âmbito (e representatividade) os Açores e recorrer-se-á a dados nacionais (INE) e europeus (Eurostat) para contextualizar e aprofundar as questões abordadas.
Neste sentido, partindo da análise de um estudo de caso, através da construção de tipos a utilizar em contexto mais vasto (quer sociológico, quer geográfico), esta comunicação é uma contribuição para a compreensão aprofundada deste processo social.
- DIOGO, Fernando Jorge Afonso

Fernando Jorge Afonso Diogo
É Doutorado em Sociologia e Professor da Universidade dos Açores.
Na sua pesquisa científica tem sido autor de estudos e publicações na interceção das áreas da pobreza, do trabalho e do emprego feminino, em especial sobre os Açores. Boa parte do seu trabalho tem sido efetuado sobre os beneficiários do RMG/RSI e, mais recentemente, sobre a precariedade no emprego entre os indivíduos pobres.
É membro da Direção do Centro de Estudos Sociais da Universidade dos Açores e cocoordenador da secção de Pobreza, Exclusão Social e Políticas Sociais da Associação Portuguesa de Sociologia.