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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012
Associação Portuguesa de Sociologia
PAP0676 - O Homem de negócios contemporâneo: três perfis em construção
A pesquisa na qual se insere esta proposta de
comunicação parte do pressuposto de que para a
manutenção e fortalecimento do sistema
capitalista contemporâneo, faz-se necessária a
consolidação de um personagem socialmente
reconhecido como “vencedor”. Diretamente
relacionado a uma fração de classe que orienta
sua existência para alcançar os êxitos
valorizados em nosso tempo, o homem de negócios
é tido, de modo geral, como dinâmico, moderno,
arrojado, possuidor de diplomas de renomadas
escolas de negócios, detentor de “capitais
cultural, social, econômico e simbólico”
(Bourdieu, 2007) específicos. Este tipo de
profissional incorpora os ideais de mercado
hoje vigentes, justamente por apresentar
características e ostentar símbolos que o
situam como referencial social contemporâneo de
“sucesso” e assim constituir fração de classe
que serve de modelo-ideal em tempos
(neo)liberais. Quem são eles? Como vivem? Como
foram constituídos historicamente seus modos de
pensar, agir e sentir, sua visão de mundo? Qual
o impacto de seus estilos de vida nas demais
frações de classes? Estas são, de modo geral,
as questões que norteiam a pesquisa. Os
principais aportes teóricos até então
utilizados foram os trabalhos dos sociólogos
franceses Pierre Bourdieu (2007) e Bernard
Lahire (2010), seus estudos exploratórios e
resultados parciais alcançados foram publicados
em Sá (2011) e Sá et al. (2010a, 2010b).
Inserindo-se no conjunto de esforços já
realizados nesse âmbito, esta comunicação
pretende apresentar os resultados de uma etapa,
recentemente realizada, da referida
investigação: o detalhamento dos principais
traços de três perfis em construção: (1)
Formado para os negócios, (2) Ascendente social
por meio dos negócios, e (3) Herdeiro da
tradição do comércio. Para o avanço na
caracterização destes três perfis foram
acessados e entrevistados empresários e
executivos atuantes em cidades do Nordeste do
Brasil.
Referências:
BOURDIEU, P. A Distinção: crítica social do
julgamento. São Paulo: Edusp; Porto Alegre:
Editora Zouk, 2007 [1979].
LAHIRE, B. Por uma sociologia disposicionalista
da ação. In: JUNQUEIRA, L. Cultura e classes
sociais pela perspectiva disposicionalista.
Recife: Editora da UFPE, 2010.
SÁ, M. O homem de negócios contemporâneo.
Recife: Editora da UFPE, 2011.
SÁ, M.; et al. Por um lugar no mercado... Ou
jovens em luta na TV: O que os fazem perder?
In: JUNQUEIRA, L. Cultura e classes sociais
pela perspectiva disposicionalista. Recife:
Editora da UFPE, 2010a, p. 63-88.
______. O “super-homem” de negócios. In:
JUNQUEIRA, L. Cultura e classes sociais pela
perspectiva disposicionalista. Recife: Editora
da UFPE, 2010b, p. 271-304.
- SÁ, Marcio

Marcio Sá é doutorando em Sociologia no Instituto de Ciências Sociais(ICS) da
Universidade do Minho e professor da Universidade Federal de Pernambuco
(UFPE-Brasil). É autor dos livros "Sobre Organizações e Sociedade","O
homem de negócios contemporâneo", "Feirantes: Quem são e como
administram seus negócios" e "Frutos do Agreste: Sobre ensino e
pesquisa em Administração".
PAP1223 - O Olhar Bourdiano sobre os Trajectos Escolares de Contratendência
Parte da curiosidade suscitada pelos trajectos escolares de sucesso de alguns jovens com origens sociais desfavorecidos, aquilo a que chamaremos na linha de Costa e Lopes et al (2008), trajectos escolares de contratendência ascendente, advém de aparentemente terem pouco lugar nas teorias que, entre as décadas de 60 e 80, se debruçaram sobre a maior vulnerabilidade escolar das classes populares. Aliás, as pesquisas pioneiras sobre esses trajectos “inesperados”, na sua maioria de origem francesa, tecem-se num movimento mais geral de crítica àquilo a que podemos chamar, talvez correndo o risco de uma excessiva simplificação, “teorias da reprodução cultura”, na qual o trabalho de Pierre Bourdieu pode ser enquadrado.
Na extensa obra de Pierre Bourdieu não é conhecida nenhuma pesquisa especificamente dedicada a esse tipo de trajectos. É interessante aliás, que das poucas vezes que se refere directamente a esses casos o autor considere que dão “uma aparência de legitimidade à selecção escolar” e “crédito ao mito da escola libertadora” (Bourdieu, 1998, 1966:59). Ainda assim, é possível encontrar não só pequenos apontamentos do autor sobre estes trajectos “inesperados”, como algumas pistas analíticas para a sua explicação, algumas advindas dos contributos do autor para a análise das classes sociais e recomposição social, outras das suas propostas para a análise das desigualdades sociais na escola.
Na presente comunicação pretende-se discutir parte dessas ferramentas analíticas, cruzando-as com as conclusões de algumas pequisas sobre trajectos escolares de contratendência nas classes populares e com os resultados obtidos na análise dos dados do questionário Estudantes à Entrada do Secundário 07/08 do Observatório de Trajectos dos Estudantes do Ensino Secundário (OTES-GEPE/ME).
- ROLDÃO, Cristina

Cristina Roldão
Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES-IUL)
Licenciada e doutoranda em Sociologia
A investigadora tem-se dedicado, entre outras coisas, à análise das desigualdades sociais – de classe e de origem étnico-nacional – no acesso à escola e no sucesso escolar, quer de um ponto de vista extensivo, através da participação no Observatório de Trajectos dos Estudantes do Ensino Secundário (OTES), quer qualitativo, por via do trabalho de terreno em projetos como a avaliação do Programa Escolhas, do Programa TEIP e nos territórios do Programa K’CIDADE. Outra linha de trabalho, tem sido aquela iniciada no projecto “Imigrantes Idosos: Uma Nova Face da Imigração em Portugal”, onde teve a oportunidade de desenvolver uma análise extensiva de fundo sobre esta população ainda pouco conhecida, assim como intensiva, através de múltiplas entrevistas biográficas.