PAP0700 - OS PRINCÍPIOS POLÍTICOS DO PROGRAMA BH CIDADANIA: O OLHAR DOS PROFISSIONAIS DO LAZER
O mercado de
trabalho na
administração
pública para atuar
com políticas de
lazer no Brasil
compreende em sua
maioria a
intervenção do
profissional com
formação em Educação
Física. Tal
realidade requer a
percepção desse
profissional das
novas formas de
fazer política
social e para tanto
trato da
problemática para
averiguar seus
avanços e limitações
relativos à gestão
governamental das
políticas públicas
de lazer. A inserção
dos princípios
políticos de
descentralização,
intersetorialidade,
participação popular
e territorialidade
para orientar a
gestão de políticas
sociais fazem parte
do processo de
mudanças na
administração da
Prefeitura de Belo
Horizonte. O
programa BH
Cidadania, espaço de
análise deste
estudo, foi
implantado no
município desde 2002
e utiliza das
diretrizes desses
princípios para
trabalhar a inclusão
social das famílias
residentes em
territórios de
vulnerabilidade
social propondo
consolidar unidades
integradas de
atuação profissional
na esfera pública.
Nesse contexto,
buscamos identificar
as compreensões dos
profissionais da
Secretaria Municipal
Adjunta de Esportes
(SMAES) de Belo
Horizonte que atuam
nesse programa na
condição de analista
técnico com relação
a esses princípios
políticos. A
investigação
qualitativa
compreendeu
observação nos
espaços de trabalho
do profissional nas
ações cotidianas
como reuniões
internas, entre os
setores e com
representantes da
população, bem como
entrevistas
semi-estruturadas
com os analistas. A
análise permite
dizer que para esses
profissionais
trabalharem com a
complexidade desses
territórios, as
estruturas
organizativas
propostas pelo
programa devem
compreender ações
integradas locais
dos serviços
públicos da
assistência social,
da psicologia, da
educação, da saúde,
da justiça, da
educação física e
outros. Para tanto,
essa reconfiguração
encontra impasses
provindos da
resistência das
formas tradicionais
de trabalho
setorial, da
hierarquia
profissional na
gestão social
limitando o
reconhecimento
técnico das
diferentes áreas. Na
tensão entre
interesses técnicos,
governo e população,
a expansão do
programa repercute
no aumento da
acessibilidade dos
atendidos aos
serviços e na
ampliação do quadro
de funcionários. A
ampliação envolve
por um lado
autonomia dos
analistas,
funcionários
públicos efetivos,
para selecionar e
contratar e pelo
outro a
proletarização da
profissão da
educação física pela
composição do quadro
de funcionários de
maneira
terceirizada, com
salários inferiores
e ainda a maioria na
condição de
estagiários e
estudante.
Carolina Gontijo Lopes
Graduada em Educação Física e especialista em Pedagogia do Esporte Escolar pela Universidade Estadual de Campinas e mestre em Lazer pela Universidade Federal de Minas Gerais. Atuou em políticas de esporte e lazer municipais, em instituições não governamentais e em escolas públicas. Possui interesse de investigação em políticas públicas de lazer; práticas culturais no tempo livre; espaço urbano e atuação profissional.
Hélder Ferreira Isayama
Possui graduação em Educação Física pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1993), mestrado em Educação Física pela Universidade Estadual de Campinas (1997) e doutorado em Educação Física pela Universidade Estadual de Campinas (2002). Atualmente é professor adjunto da Universidade Federal de Minas Gerais, Docente do Programa de Mestrado em Lazer da UFMG (área Interdisciplinar - Câmara de Ciências Humanas e Sociais) e Líder do grupo de pesquisa Oricolé - Laboratório de Pesquisas sobre Formação e Atuação Profissional em Lazer da UFMG. Membro do Grupo de Pesquisa em Lazer (GPL) da Unimep. Editor da Revista Licere. Tem experiência na área de Educação Física com ênfase na perspectiva interdisciplinar, atuando principalmente nos seguintes temas: lazer, educação física, recreação, políticas públicas, formação e atuação profissional.