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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012
Associação Portuguesa de Sociologia
PAP1223 - O Olhar Bourdiano sobre os Trajectos Escolares de Contratendência
Parte da curiosidade suscitada pelos trajectos escolares de sucesso de alguns jovens com origens sociais desfavorecidos, aquilo a que chamaremos na linha de Costa e Lopes et al (2008), trajectos escolares de contratendência ascendente, advém de aparentemente terem pouco lugar nas teorias que, entre as décadas de 60 e 80, se debruçaram sobre a maior vulnerabilidade escolar das classes populares. Aliás, as pesquisas pioneiras sobre esses trajectos “inesperados”, na sua maioria de origem francesa, tecem-se num movimento mais geral de crítica àquilo a que podemos chamar, talvez correndo o risco de uma excessiva simplificação, “teorias da reprodução cultura”, na qual o trabalho de Pierre Bourdieu pode ser enquadrado.
Na extensa obra de Pierre Bourdieu não é conhecida nenhuma pesquisa especificamente dedicada a esse tipo de trajectos. É interessante aliás, que das poucas vezes que se refere directamente a esses casos o autor considere que dão “uma aparência de legitimidade à selecção escolar” e “crédito ao mito da escola libertadora” (Bourdieu, 1998, 1966:59). Ainda assim, é possível encontrar não só pequenos apontamentos do autor sobre estes trajectos “inesperados”, como algumas pistas analíticas para a sua explicação, algumas advindas dos contributos do autor para a análise das classes sociais e recomposição social, outras das suas propostas para a análise das desigualdades sociais na escola.
Na presente comunicação pretende-se discutir parte dessas ferramentas analíticas, cruzando-as com as conclusões de algumas pequisas sobre trajectos escolares de contratendência nas classes populares e com os resultados obtidos na análise dos dados do questionário Estudantes à Entrada do Secundário 07/08 do Observatório de Trajectos dos Estudantes do Ensino Secundário (OTES-GEPE/ME).
- ROLDÃO, Cristina

Cristina Roldão
Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES-IUL)
Licenciada e doutoranda em Sociologia
A investigadora tem-se dedicado, entre outras coisas, à análise das desigualdades sociais – de classe e de origem étnico-nacional – no acesso à escola e no sucesso escolar, quer de um ponto de vista extensivo, através da participação no Observatório de Trajectos dos Estudantes do Ensino Secundário (OTES), quer qualitativo, por via do trabalho de terreno em projetos como a avaliação do Programa Escolhas, do Programa TEIP e nos territórios do Programa K’CIDADE. Outra linha de trabalho, tem sido aquela iniciada no projecto “Imigrantes Idosos: Uma Nova Face da Imigração em Portugal”, onde teve a oportunidade de desenvolver uma análise extensiva de fundo sobre esta população ainda pouco conhecida, assim como intensiva, através de múltiplas entrevistas biográficas.
PAP0997 - O debate sobre a politecnia na organização do trabalho: estudo de caso em uma cooperativa popular no Brasil
O conceito de politecnia remonta ao debate teórico sobre a fusão entre trabalho intelectual e trabalho manual, elementos separados no processo de trabalho capitalista. A proposta politécnica vislumbra a formação de trabalhadores omnilaterais, detentores dos conhecimentos técnicos e científicos para a execução das atividades e tendo o domínio das ferramentas de gestão da produção e do processo de trabalho, apresentando competências diversas e voltadas para uma atuação complexa na atividade produtiva. O debate teórico sobre politecnia esteve presente nas experiências socialistas do início do século XX, sendo recolocado em discussão sobre as perspectivas da organização democrática do trabalho a partir do final do século XX, enquanto importante elemento na construção da autogestão plena. Na perspectiva da autogestão, a formação dos trabalhadores tem como foco o trabalho associado em empreendimentos autogeridos, o que difere da constituição de um estoque de capital humano convertido em força de trabalho posta em atividade na produção pelas empresas capitalistas. Assim, a questão da empregabilidade, colocada em destaque na formação do capital humano, perde sentido em um ambiente autogestionário, em uma cooperativa popular, pois o foco na formação para o trabalho está em contribuir para o desenvolvimento pessoal e do empreendimento, e não apenas na perspectiva de auferir emprego ou colocação no mercado. A pesquisa realizada em uma cooperativa popular autogestionária no Estado do Rio Grande do Sul, região Sul do Brasil, formada por trabalhadores ligados aos movimentos sociais do campo, permite a observação de elementos em sua organização do trabalho voltados para a ampliação dos conhecimentos dos trabalhadores associados tanto no que tange à execução das atividades quanto no que diz respeito à gestão do empreendimento. Ao se observar a trajetória do trabalho associado, o rodízio de funções, a dinâmica nos cargos de gestão e execução, a forma de remuneração do trabalho e a formação técnica e geral de seus quadros, pode-se apontar a possível aplicação do conceito de politecnia em um ambiente autogestionário.
- CHIARIELLO, Caio Luis

- EID, Farid
Caio Luis Chiariello
Universidade Federal de Sao Carlos - Brasil
Doutorando em Engenharia de Producao
Organizacao do trabalho e cooperativismo