PAP0616 - O MUNDIAL DE FUTEBOL DE 2014 E A SUSTENTABILIDADE: ALGUMAS ABORDAGENS SOBRE O SÍTIO OFICIAL DO GOVERNO FEDERAL BRASILEIRO – O PORTAL DA COPA
Em outubro de 2007, a Federação Internacional de Futebol Associação (FIFA) – entidade que regulamenta a prática do futebol em todo o mundo – elegeu o Brasil como sede da XX Copa do Mundo FIFA, evento global a ser realizado nos meses de junho e julho de 2014. Quatro anos após esse anúncio, o país depara-se ainda com alguns problemas ligados a infra-estruturas (transportes e acessibilidades), com atrasos na construção e/ou reforma de estádios, com a polêmica em torno da liberação de recursos públicos para a realização das obras e com a ausência de uma discussão mais séria em torno da sustentabilidade do evento.
Diante desse cenário, o tema e objeto desta comunicação é analisar como vem sendo apresentada a questão da sustentabilidade nos discursos do comitê de organização local do evento publicados no Portal da Copa (http://www.copa2014.gov.br/), sítio oficial do Governo Federal Brasileiro. Com versões de texto em três idiomas (português, espanhol e inglês), o veículo procura ser um porta-voz das autoridades brasileiras na divulgação de notícias e de informações sobre a organização da Copa do Mundo de 2014. O objetivo do estudo é verificar como os principais conceitos relacionados à sustentabilidade (como desenvolvimento sustentável, ecoeficiência, responsabilidade socioambiental e governança corporativa, por exemplo) comparecem no discurso institucional do Portal da Copa e como algumas questões polemizadas pelo discurso dos media são retratadas nesse espaço.
Partimos da hipótese de que as questões vinculadas à sustentabilidade, apesar de nominadas em diversas páginas do Portal da Copa, não têm sido levadas a sério na organização do Mundial de Futebol de 2014. Desse modo, o discurso do Comitê Organizador Local aponta para ações que, à primeira vista, diferem da práxis atual. O conceito do “Triple Bottom Line”, ratificado pela ONU (Organização das Nações Unidas) e elaborado pelo economista britânico John Elkington – o qual defende a viabilidade econômica do negócio, o cuidado com o meio ambiente e a responsabilidade social (Profit, Planet, People) – não parece estar sendo considerado na organização do evento esportivo.
Para dar conta dessa análise, colocaremos em perspectiva o conceito de ecosofia definido pelo pensador francês Félix Guattari (segundo o qual o equilíbrio ambiental deveria incluir a subjetividade humana, o meio-ambiente e as relações sociais) e ampliado pelo sociólogo francês Michel Maffesoli (para quem algumas práticas cotidianas da contemporaneidade estariam recuperando valores naturais e arcaicos). A metodologia de análise a ser aplicada nesta comunicação deriva da aplicação de alguns conceitos advindos da Análise do Discurso de linha Francesa (AD), desenvolvidos por Émile Benveniste e Mikhail Bakhtin.
Prof. Dr. José Carlos Marques
Docente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Universidade Estadual Paulista (UNESP - Brasil). É Doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP - Brasil) e Mestre em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP - Brasil). Licenciou-se em Letras (Português-Francês) pela Universidade de São Paulo. Ocupa atualmente, pelo segundo mandato consecutivo, o cargo de Diretor Administrativo da Intercom (Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação). É autor do livro "O futebol em Nelson Rodrigues" (São Paulo, Educ/Fapesp, 2000) e de diversos artigos em que discute as relações entre comunicação e esporte. É líder do GECEF (Grupo de Estudos em Comunicação Esportiva e Futebol - UNESP) e integrante do LUDENS (Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Futebol e modalidades Lúdicas - USP).