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VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

PARA O VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

Ficha Técnica:

Organização e Edição:
Associação Portuguesa de Sociologia
Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9
1600-189 Lisboa
Tel: 217804738 / Fax: 217940274 / E-mail: aps@aps.pt / http://www.aps.pt

Produção técnica:
Plug & Play
Rua José Augusto Coelho nº 117
2925-543 Azeitão
Tel: 210 854 236 / Fax: 210 854 236 / http://www.plugeplay.com

ISBN: 978-989-97981-0-6

Depósito legal: 281456/08

Requisitos Mínimos:
Windows XP ou superior.
Adobe Acrobat Reader

©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012

Associação Portuguesa de Sociologia

 

Como referenciar os textos desta edição

SOBRENOME DO AUTOR, Prenome(s) (2012). Título do texto. in Atas do VII Congresso Português de Sociologia, Lisboa: APS. ISBN: 978-989-97981-0-6. Disponível em http://www.aps.pt/vii_congresso/?area=016&lg=pt. Acesso em: Dia mês (abreviado) ano.

Pesquisa:

Resultados da pesquisa por: «Práticas»

PAP0618 - Como se escreve a vida? Regimes de socialização da classe trabalhadora no Portugal contemporâneo
Resumo de PAP0618 - Como se escreve a vida? Regimes de socialização da classe trabalhadora no Portugal contemporâneo PAP0618 - Como se escreve a vida? Regimes de socialização da classe trabalhadora no Portugal contemporâneo
PAP0618 - Como se escreve a vida? Regimes de socialização da classe trabalhadora no Portugal contemporâneo

Os modos de construção/representação do self e do mundo são formados, não apenas na escola, mas em diversos contextos sociais. No caso da classe trabalhadora (operários e empregados e executantes), no Portugal contemporâneo, sabemos que os percursos escolares foram geralmente curtos e/ou mal-sucedidos, mas também que as suas disposições não constituem a mera reprodução de estruturas familiares, frequentemente tradicionais, rurais e agrícolas. Como se formaram? A comunicação apresenta resultados de uma pesquisa de pós-doc, discutindo-se o processo de socialização, à luz de cinquenta e quatro histórias de vida produzidas por trabalhadores, no decurso de processos de reconhecimento, validação e certificação de competências. Estas narrativas apontam para um conjunto de momentos, relações e processos relevantes na formação dos indivíduos, guardados na memória devido ao seu importante papel na definição e apresentação do self. Partimos das conceptualizações de Elias, Berger & Luckman e Bourdieu, discutindo estudos recentes sobre a socialização, produzidos por Wenger e Lave, Dubar, Lahire ou Hotkinson e Goodson. Com recurso a teorias da psicologia e neurociências, explora-se o papel das emoções. Assim, apresenta-se uma noção de socialização como processo de constituição dos indivíduos e das sociedades, através das interações, atividades e práticas sociais, regulado por emoções, relações de poder e projetos identitários-biográficos, numa dialética entre organismos biológicos e contextos socioculturais. Seleccionámos uma amostra diversificada em termos de idade, ocupação, sexo e escolaridade, a partir dos inscritos em quatro Centros Novas Oportunidades – situados em contextos distintos (centro de Lisboa, Barreiro, Torres Vedras e Entroncamento) – que, após a nossa solicitação, nos enviaram cópia dos seus trabalhos. Recorremos ao método biográfico como forma de interpretar as cerca de 5000 páginas de informação apurada (textos e imagens). Nesta comunicação, discutimos o modo como estes trabalhadores organizam as suas autobiografias, destacando padrões comuns, enquanto marcadores culturais do modo como a vida é elaborada e representada. Focaremos os seguintes aspectos: (1) o nascimento e os rasgos de bebé, enquanto mitos fundacionais do “eu”; (2) a formação infantil, entre as obrigações familiares e as brincadeiras entre pares; (3) a escola como “experiência estranha”, de abertura de horizontes e interiorização de incapacidades; (4) o trabalho, a religião, o serviço militar e o desporto como principais comunidades iniciáticas; (5) o casamento, a parentalidade e a construção/aquisição da casa como “fixadores” de identidades e competências; (6) o desdobramento da vida adulta em três cenários: o trabalho, a família/casa e os hobbies/paixões pessoais. Será equacionado como estas dimensões evoluem no tempo, comparando três coortes: n. 1945- 1959; 1960-1974 e 1975-1990.
  •  ABRANTES, Pedro CV - Não disponível 

PAP1170 - Crença e política entre portugueses(as): valores, práticas e percepções
Resumo de PAP1170 - Crença e política entre portugueses(as): valores, práticas e percepções  PAP1170 - Crença e política entre portugueses(as): valores, práticas e percepções
PAP1170 - Crença e política entre portugueses(as): valores, práticas e percepções

É frequente afirmar-se que, perante o processo de secularização, as pessoas vão deixando de professar e sobretudo praticar actividades religiosas e, por outro, perante a crise do sistema político-partidário, vão descrendo dos políticos profissionais e da própria política, designadamente partidária. O objectivo desta comunicação visa testar e aferir estas afirmações com base em dois tipos de instrumentos: um primeiro, de teor estatístico, que dê conta da evolução das crenças e práticas religiosas com base nos censos e noutros estudos já realizados em Portugal; e um segundo com base em dados empíricos recolhidos a propósito de uma investigação centrada nas (des)igualdades de género, que teve, entre outros instrumentos e técnicas quantitativas e qualitativas, a aplicação de um inquérito a 800 pessoas em Portugal Continental distribuídas por sexo, idade, profissão, tipo de residência (rural ou urbano), activo-não activo, projecto este aprovado e financiado pela FCT e finalizado em 2011 (PTDC/SDE/72257/2006). As questões colocadas remetem para problematização e uma breve avaliação sobre as várias perspectivas sobre a religião e, sobretudo, para a necessidade de analisar a relação da religião quer com os valores, quer com a política. Considerando variáveis como o sexo, a profissão, a idade, foram colocadas e analisadas diversas questões tais como o tipo de crença ou religião professada (ou nenhuma) e respectivas práticas diferenciadas por profissão e género, o grau de adesão e confiança, também por profissão e género, nos partidos para defender seus interesses ou resolver problemas e, em especial, as atitudes perante as desigualdades de género por sexo, grupo profissional e nível de escolaridade. Os dados recolhidos confirmam que a grande maioria dos portugueses é católica, distribuindo-se os restantes por outras religiões ou simplesmente são agnósticos ou ateus. Todavia, em termos de práticas religiosas regulares, além de a taxa de não praticantes ser superior à dos praticantes, as taxas de praticantes são diferenciadas por grupos profissionais e mais elevadas entre as mulheres que entre os homens. Por outro lado, em termos de expectativas e percepções face aos partidos no que respeita a defesa dos seus interesses e resolução de problemas, os inquiridos mostram, em termos relativos, uma maior confiança em entidades não partidárias (sindicatos, movimentos cívicos, centros sociais/paroquiais e associações de vária ordem) que nos partidos políticos. Palavras- chave: religião, política, valores, práticas e percepções, Portugal.
  • SILVA, Manuel Carlos CV de SILVA, Manuel Carlos
  •  RIBEIRO, Fernando Bessa CV - Não disponível 
Silva, Manuel Carlos
Licenciado e doutorado pela Universidade de Amesterdão em Ciências Sociais, Culturais e Políticas. Professor catedrático em Sociologia e Director do Centro de Investigação em Ciências Sociais (CICS) na Universidade do Minho. Distinguido com o Prémio Sedas Nunes pela obra “Resistir e Adaptar-se” (1998, Afrontamento) sobre o campesinato, tem publicado sobre o rural-urbano, o desenvolvimento e as desigualdades sociais. Foi Presidente da Associação Portuguesa de Sociologia (APS).

PAP0823 - Gestão de Conhecimento em Organizações Turísticas
Resumo de PAP0823 - Gestão de Conhecimento em Organizações Turísticas PAP0823 - Gestão de Conhecimento em Organizações Turísticas
PAP0823 - Gestão de Conhecimento em Organizações Turísticas

O debate sobre a Gestão do Conhecimento tem mobilizado uma variedade de áreas que procuram descortinar a complexidade do conceito e do próprio processo. Atendendo à importância crescente do conhecimento nos processos de inovação e de desenvolvimento das sociedades na era da globalização, a diferença entre as sociedades e as organizações depende, cada vez mais, da qualidade da gestão do capital humano e do conhecimento. O cerne da questão não se encontra no recurso em si mas sim na criação de um contexto, onde a criação, a aquisição e a difusão de novo conhecimento possa ser promovida e alimentada, recorrendo aos instrumentos organizacionais explicitamente criados para o efeito. Assim, o conhecimento da organização deve ser entendido como o fruto de interacções específicas entre indivíduos, sendo um activo socialmente construído. No âmbito das organizações, a Gestão do Conhecimento emerge intrinsecamente ligada à capacidade destas utilizarem e combinarem as várias fontes e tipos de conhecimento organizacional, com os objectivos de promoverem o desenvolvimento de competências específicas e assumirem uma capacidade inovadora, traduzida em novos produtos, novos processos e, desejavelmente, a liderança do mercado onde se inserem. A importância da Gestão do Conhecimento no sector turístico é ainda mais fulcral devido ao facto de este se basear em serviços que apresentam características associadas à intangibilidade, à perecibilidade ou à heterogeneidade. Neste âmbito, a presente comunicação, consubstancia-se na apresentação do um modelo de análise e dos resultados preliminares de uma investigação, designada “Gestão do Conhecimento Organizacional em Organizações Turísticas”. A qual, tem como objectivo analisar a forma como organizações turísticas no Algarve gerem o seu conhecimento, ou seja, observar como criam, retêm, partilham e utilizam o conhecimento. A investigação empírica, ainda a decorrer, tem como metodologia de base a análise aprofundada a três estudos de caso em grupos hoteleiros com recurso ao inquérito por questionário, à entrevista semi-estruturada e à análise documental. O modelo de análise utilizado nesta investigação estrutura-se em torno de dois eixos analíticos: i) as etapas do processo e ii) as práticas facilitadoras da Gestão do Conhecimento; os quais, embora não existindo isoladamente afiguram-se como fundamentais para uma abordagem global dos processos de Gestão do Conhecimento Organizacional. A abordagem da Gestão do Conhecimento centra-se nos processos relacionados com a criação, retenção, transferência e utilização do conhecimento organizacional, realçando a importância de diversas práticas de gestão facilitadoras dos mesmos: gestão estratégica; cultura organizacional; estrutura e processos de trabalho; políticas de recursos humanos; sistemas de informação e comunicação; medição de resultados e relação com o ambiente externo.
  • SEQUEIRA, Bernardete Dias CV de SEQUEIRA, Bernardete Dias
  •  SERRANO, António Manuel CV - Não disponível 
  • MARQUES, João Filipe CV de MARQUES, João Filipe
Bernardete Dias Sequeira, Assistente da Faculdade de Economia da Universidade do Algarve, investigadora integrada do Centro de Investigação em Inovação, Espaço e Organizações (CIEO) da Faculdade de Economia da Universidade do Algarve, licenciada em Sociologia, Mestre em Organização e Sistemas de Informação, interesses de investigação em Sociologia das Organizações, Recursos Humanos, Sociologia da Comunicação e Metodologias de Investigação.
João Filipe Marques é Doutor em Sociologia pela École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris, Professor Auxiliar na Faculdade de Economia da Universidade do Algarve e Director da Licenciatura e do Mestrado em Sociologia daquela Universidade. Para além de leccionar na área das Teorias Sociológicas, tem publicado e ensinado nas áreas da Sociologia do Racismo, das Relações Inter-étnicas e da Etnicidade. Para além de vários artigos e capítulos de livros sobre aqueles temas é autor do livro Du «non racisme» portugais aux deux racismes des Portugais, (Lisboa, Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural, 2007). Atualmente, é membro da Direção da Associação Portuguesa de Sociologia.

PAP1103 - In-school marketing: between social responsibility and commercialism
Resumo de PAP1103 - In-school marketing: between social responsibility and commercialism PAP1103 - In-school marketing: between social responsibility and commercialism
PAP1103 - In-school marketing: between social responsibility and commercialism

Advertising has long been taboo in public education, but budget reductions and shortfalls have annulated schools as “commercial free zones” (Molnar, 2007:7). This study was built on an analysis about the state, market and society working together and demarcates one another to enhance a win-win relationship, a legitimacy/visibility one. One strand of my research uses the school as the unit of analysis (Feuerstein, 2001), trying to understand how in-school marketing activities are taking place according to the headteachers perceptions in the last 5 years in Portuguese public schools (10-15 year olds). The majority of studies have focused more on a passive type of marketing, that which children see, hear and read (Alves, 2002), rather than forms of interactive marketing (Moran, 2006). Therefore, this study developed a national survey to show that interactive in-school marketing includes activities to be carried out revolving a given company. Other strand looks deep in the position of directly or indirectly involved state, market and civil society players (26 semi-structured interviews were made to WFA's National Advertiser Association Member, Ministry of Education, teachers, parent/guardian representative, marketers and advertising agencies, consumer rights-related institutions, town councils, Federations) to illustrate the inherent paradoxes: How can a profit orientated commercial activity be distinguished by a social responsibility one? What are the general views of in-school marketing? Is it morally controversial? Which ethical and law safeguards are needed in a world of brands and globalised products? In fact, the verbal analysis shows different ideological viewpoints about the win-win effect of socially responsible in-school marketing vs commercialism itself. Another purpose was also testing a “Working with Schools-Best Practice Principles Checklists" as a business decision-making tool for schools and partners to ensure that both schools and their commercial and non-commercial partners can build an ethical and responsible relationship. We are able to say that headteachers have autonomy, although some in-school marketing activities remain an ideological or controversial issue. Also, the inclusion of any advertising messages necessarily implies the acquisition of consumer competencies by children and teachers, a way to decode commercial messages in today’s consumer society, and that acquisition of media literacy competencies can prevent the ‘manipulated child’. Finally, there were several messages from schools headteachers indicating that they wouldn´t participate in the survey because they are deontological and morally against it. Key Words: in-school marketing, school commercialism, child consumer, captive audience.
  • FARINHA, Isabel CV de FARINHA, Isabel
Nome: Isabel Farinha
Afiliação Institucional: Professora Assistente IADE;Investigadora
IDIMCOM/UNIDCOM
Área de Formação: Licenciada em Sociologia, e mestre em Comunicação,
Cultura e Tecnologias da Informação pelo ISCTE-IUL, onde se encontra
também a concluir o doutoramento em Sociologia da Comunicação, Cultura
e Educação.
Interesses de Investigação: Marketing e Comunicação Escolar

PAP0119 - Literacia mediática: Novas competências para infoadictos
Resumo de PAP0119 - Literacia mediática: Novas competências para infoadictos PAP0119 - Literacia mediática: Novas competências para infoadictos
PAP0119 - Literacia mediática: Novas competências para infoadictos

Nas culturas multimediáticas típicas da contemporaneidade, a propagação global e extremamente intensa de informação, em particular via digital e em rede, parece estar a potenciar o nascimento de uma geração de infoadictos. A multiplicação de (novos) meios multiplataforma e a correspondente multiplicação de “utilizadores-participantes” (Silverstone) e dos seus conteúdos/mensagens traduz-se na emergência de um novo paradigma sociocomunicacional de grande complexidade. Novas competências interpretativas, críticas e comunicativas são requeridas na sociedade da informação, na sociedade do “tempo-espaço comprimido” (Harvey), e essas competências são, em rigor, competências de literacia mediática. Esta comunicação – versão abreviada de um dos capítulos de “Literacia Mediática e Cidadania”, trabalho de investigação actualmente em curso no âmbito do Programa de Doutoramento em Sociologia do ISCTE-IUL, com apoio da FCT, que indaga acerca da relação específica entre competências de literacia mediática e práticas de cidadania – reflecte, por um lado, sobre a centralidade da literacia mediática nas sociedades contemporâneas [evidenciada, de forma mais ou menos explícita, desde a “Declaração de Grünwald sobre a Educação para os Media” (1982)], e, por outro, sobre a pesquisa empírica que tem sido desenvolvida neste domínio de investigação científica (na verdade, ainda manifestamente insuficiente), colocando a tónica numa muito adequada distinção entre avaliação de práticas e avaliação de competências de literacia mediática, reflexão que obriga à identificação rigorosa dos principais estudos e investigadores, tanto a nível nacional como internacional.
  • LOPES, Paula Cristina CV de LOPES, Paula Cristina
Paula Cristina Lopes (n. 06.12.1967, Lisboa). Investigadora no Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES-IUL) do ISCTE-IUL. Bolseira de Doutoramento da Fundação para a Ciência e Tecnologia (desde 2010). Professora de Jornalismo na Universidade Autónoma de Lisboa (desde 1996).
Licenciada e mestre em Ciências da Comunicação.
Interesses de investigação: Sociologia da Comunicação; Sociologia da Educação. Ciências da Comunicação.

PAP1226 - Na Cozinha De Famílias Rurais: Práticas De Escolarização De Mães Com Filhos Em Idade Escolar
Resumo de PAP1226 - Na Cozinha De Famílias Rurais: Práticas De Escolarização De Mães Com Filhos Em Idade Escolar PAP1226 - Na Cozinha De Famílias Rurais: Práticas De Escolarização De Mães Com Filhos Em Idade Escolar
PAP1226 - Na Cozinha De Famílias Rurais: Práticas De Escolarização De Mães Com Filhos Em Idade Escolar

A comunicação proposta se insere em uma pesquisa mais abrangente denominada As práticas de escolarização de famílias rurais com filhos em idade escolar: o caso do povoado de Goiabeiras, São João del-Rei, Minas Gerais, Brasil (PORTES e outros, 2010), que vem sendo desenvolvida nos últimos cinco anos. Ela procura responder uma pergunta básica: como é o cotidiano de mães que vivem no meio rural na lida com seus filhos naquilo que diz respeito às questões escolares? Assim, tomamos os relatos construídos em vivências diárias junto a 15 famílias, acompanhadas de segunda a domingo, de 11 da manhã às 18 horas da noite. Anotamos os acontecimentos diários dessas famílias, mas especialmente aqueles voltados para as ações da criança e daquilo que diz respeito às práticas escolares. Este acompanhamento durou dois meses e meio. Trata-se de um estudo etnográfico e baseamo-nos nos diários construídos durante o acompanhamento. Queríamos construir um painel complexo de uma realidade já definida, utilizando de diferentes técnicas e métodos de pesquisa, para que pudéssemos cruzar discursos e práticas de famílias e professores. Inspiramo-nos basicamente nos trabalhos de Bernard Lahire, notadamente nas questões configuracionais; nos trabalhos de Daniel Thin, principalmente aqueles relacionados às diferentes lógicas socializadoras da escola e da família; na etnografia efetuada por Pedro Silva sobre um conjunto de escolas portuguesas de diferentes posições sociais e nos trabalhos de Anettle Lareau. Para além dos aportes teóricos já indicados, concentramos nossas leituras em textos etnográficos de Fonseca, Mauss, Geertz, Velho, Ezpeletta e Rockwell, Van Zanten, Martins, Elias e Scotson. Precisávamos estar providos de uma compreensão simbólica do sentido da nossa inserção nessas famílias e dos efeitos da nossa presença em uma cena complexa, privada, que se abria generosamente à nossa curiosidade investigativa. Para interpretar esse conjunto de dados, apoiamo-nos em um conceito que vem sendo trabalhado por Portes (2001), denominado circunstâncias atuantes. As primeiras análises indicam um aprofundamento dos estudos no que se refere: ao conceito de famílias rurais, ao significado de tempo e de espaço no meio rural, ao lugar ocupado pela criança nas famílias e no povoado, ao lugar da mãe nas famílias, as manifestações simbólicas das famílias, a ordenação da casa, ao lugar da escola na casa e as práticas específicas de escolarização no meio rural. Os dados mostram que se essas famílias são semelhantes materialmente falando, as inserções simbólicas diferenciam sobremaneira as suas práticas de escolarização.
  • PORTES, Écio CV de PORTES, Écio
  •  SILVA, Pedro CV - Não disponível 
  •  CAMPOS, Alexandra CV - Não disponível 
  •  SANTOS, Valéria CV - Não disponível 
Écio Antônio Portes, professor adjunto da Universidade Federal de São João del-Rei, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais, pesquisa no campo da Sociologia da Educação, com ênfase nas trajetórias escolares de estudantes pobres e nas práticas de escolarização da famílias rurais. É ainda, professor do Programa de Pós-Graduação Processos Sócioeducativos e Práticas Escolares da UFSJ.

PAP1381 - O projeto “Entorno Escolar”, entre meio-ambiente e modernidade (Florianópolis-Brasil)
Resumo de PAP1381 - O projeto “Entorno Escolar”, entre meio-ambiente e modernidade (Florianópolis-Brasil) PAP1381 - O projeto “Entorno Escolar”, entre meio-ambiente e modernidade (Florianópolis-Brasil)
PAP1381 - O projeto “Entorno Escolar”, entre meio-ambiente e modernidade (Florianópolis-Brasil)

O desenvolvimento e reorganização de territórios são indicativos do processo de modernização das cidades. Em particular, eles andam de mãos dadas com a modernização de equipamentos e estruturas coletivas, e no presente, cada vez mais ligadas às questões relativas ao meio-ambiente. Indicativo de um horizonte de projeções políticas e econômicas, novos projetos forjam a utopia urbana através de novas vias de circulação, de ocupação e renovação do espaço. O ambiente urbano engendra vários interesses e estes estão presentes nas práticas sociais em instituições públicas. Áreas territoriais da cidade refletem a modelos políticos e organizacionais de uma época. Atualmente, as políticas de desenvolvimento urbano realçam a qualidade de vida e utilizam como "sinônimo" da mesma, o desenvolvimento urbano sustentável. No entanto nas tomadas de decisões os habitantes nem sempre são consultados, o que muitas vezes gera tensões entre o que é do domínio do espaço público e do privado. Com uma paisagem ímpar e uma riqueza histórica, multicultural e ambiental peculiar a Armação, ao sul da cidade de Florianópolis, capital do Estado de Santa Catarina, é uma das localidades da ilha que ainda resiste ao processo de expansão urbana emanado do centro de Florianópolis depois do início dos anos 90. A localidade conta com a escola Dilma Lúcia dos Santos que tem um papel social notável na comunidade. Ela participa na organização social do espaço urbano local e projeta a reconfiguração espacial do lugar através do Projeto “Entorno Escolar”. Este foi concebido em 2005 pela comunidade escolar, e desde então mobiliza moradores e associações de bairro. O objetivo principal do projeto é, cito: “Transformar o terreno do entorno da escola Dilma Lúcia dos Santos em área pública e propor formas de ocupação visando o desenvolvimento sustentável e o exercício da cidadania.” Mas o caminho não é tão fácil porque o terreno se situa num território de grande interesse político e econômico. Entre as dificuldades de executar o projeto está a oposição dos atuais proprietários que objetivam a construção de um condomínio fechado. Esta comunicação pretende a partir da experiência de campo de minha pesquisa de doutorado, apresentar elementos que despontam em torno do projeto “Entorno Escolar” como práticas sociais, políticas e culturais locais e problemáticas vividas na execução deste.
  • PARABOA, Clara Rosana Chagas CV de PARABOA, Clara Rosana Chagas
Clara Rosana Chagas Paraboa
PAP1381 - O projeto “Entorno Escolar”, entre meio-ambiente e modernidade (Florianópolis -Brasil)

CV
Licenciada em Geografia (UFSC[1]), com Mestrados em Ciências da Educação (UFSC e Lyon 2[2]). Especialista no ensino de geografia e meio-ambiente para crianças, atuou como professora durante 15 anos em Florianópolis (Br) e desde 2010 desenvolve numa escola em St. Fons (Fr) um projeto intitulado P’tits Architectes de la Ville[3]. Encontra-se no segundo ano de doutorado em Antropologia (Lyon 2) associada ao Laboratório CREA (Centre de Recherches et d’Etudes Anthropologiques) com o projeto de tese intitulado “O território da escola: Contexto e desafios no planejamento urbano. Sociabilidade, reivindicações identitárias e meio-ambiente. Florianópolis (Brasil) e Saint Fons (França)”


[1] Universidade Federal de Santa Catarina - Brasil
[2] Université Lumière Lyon 2 – Lyon - France
[3] Pequenos Arquitetos da cidade

PAP0262 - Tipos religiosos juvenis
Resumo de PAP0262 - Tipos religiosos juvenis PAP0262 - Tipos religiosos juvenis
PAP0262 - Tipos religiosos juvenis

Num mundo notabilizado globalmente pela hipertrofia do indivíduo e do consumo, em que tudo se pode escolher, em que o homem é realmente o centro do seu universo, a individualização desenvolveu-se de forma explosiva. Também a religião sofreu o efeito desta modernidade altamente individualista, permeada pelas recomposições religiosas, pela bricolage, pela religião à carta. Do menu de conteúdos religiosos ou seculares disponíveis, o homem selecciona os que lhe proporcionam maior sentido à sua vida. A morte das grandes narrativas, das religiões tradicionais e seculares, libertou o homem das cosmovisões, das utopias terrenas ou supraterrenas, sendo agora o seu sonho a realização de si, o seu desenvolvimento pessoal, aqui e agora. Num mundo marcado pela reflexividade, pela individualização e pelo consumo, e estando Portugal a assistir a um declínio religioso, fruto da secularização, podemos questionar a eventual saída da religião do nosso país ou a quebra da religião tradicional de forma homogénea. Desta forma, foi aplicado um inquérito com base numa amostra de 500 estudantes universitários do ensino superior público universitário de Lisboa (ISCTE-IUL, UL, UNL e UTL). Os questionários incluíam perguntas sobre crenças e práticas católicas, atitudes em relação ao casamento, vida e sexualidade, assim como sobre crenças e práticas não católicas, para além de itens da socialização e de aspectos importantes na vida. Do cruzamento dos três primeiros conjuntos de itens, surgiram tipos religiosos. Estes foram cruzados com os outros aspectos, caracterizando-os relativamente a esta nossa modernidade. Na verdade, a amostra não é homogénea mas dispersa-se por três tipos religiosos: católicos nucleares, católicos intermédios e não católicos. Estes grupos são distintos, com identidades claramente desiguais, com diferentes graus de crenças, de práticas e de atitudes. As crenças e as práticas não católicas, ou seja, as recomposições religiosas são maiores nos católicos intermédios, onde as convicções religiosas são menores permitindo uma plasticidade das crenças e das práticas.
  • COUTINHO, José Maria Pereira CV de COUTINHO, José Maria Pereira
Nome: José Maria Pereira Coutinho
Afiliação institucional: Investigador da NÚMENA
Área de formação: Doutoramento em sociologia (ISCTE-IUL)
Interesses de investigação: Religião (religiosidade (crenças, práticas, atitudes), espiritualidade, bricolage, sagrado, oração, socialização) e Juventude.

PAP0412 - Trânsito religioso no Brasil: mudanças e tendências contemporâneas. Novas composições da religião e da crença num campo religioso em movimento.
Resumo de PAP0412 - Trânsito religioso no Brasil: mudanças e tendências contemporâneas. Novas composições da religião e da crença num campo religioso em movimento. PAP0412 - Trânsito religioso no Brasil: mudanças e tendências contemporâneas. Novas composições da religião e da crença num campo religioso em movimento.
PAP0412 - Trânsito religioso no Brasil: mudanças e tendências contemporâneas. Novas composições da religião e da crença num campo religioso em movimento.

O campo religioso brasileiro apresenta tendências em contínua movimentação. Pretende-se tematizar a mudança de religião no Brasil, fenômeno em expansão nas últimas décadas, decorrente do decrescimento dos católicos, crescimento dos evangélicos pentecostais, dos novos movimentos religiosos e do número de pessoas sem religião. A expansão destes movimentos, a fragilização das filiações religiosas institucionalizadas, a desregulação da crença, que se apresenta dúplice ou múltipla, a personalização da religiosidade, através de novas formas de crer, levam a uma recomposição da religião e ao repensar de seu enquadramento conceitual. Para isso, oferece-se uma exposição da mobilidade religiosa brasileira, a partir de levantamentos realizados em escala nacional e regional. Para isso, procura-se reunir pesquisas de entidades e pesquisadores sobre a configuração do campo e da mobilidade religiosa, reunindo textos sociológicos e demográficos, que mostram a migração entre grupos e instituições, e estudos antropológicos que apontam para a necessidade de observações qualitativas na empresa de identificar não somente as migrações, mas as rotas das crenças e das práticas, as quais vão pluralizando ainda mais o campo. Além disso, abordam-se estudos que apontam para a personalização das escolhas religiosas, vivências dúplices e múltiplas das crenças e participações, com novas inclusões de percursos e trajetórias. Nesse sentido, a recente disponibilização dos símbolos religiosos, a abolição de fronteiras confessionais, a tendência à negação da identidade das instituições, levam-nos a perceber a mobilidade religiosa através do foco das disposições subjetivas, mais do que uma competição entre grupos religiosos constituídos. Como subsídio empírico, através de estudos de caso, narra-se diferentes trajetórias biográficas de mudança de filiação religiosa, casos e representações em que se redefine um novo crer personalizado. Assim, mudanças e tendências do próprio campo, cada vez mais plural e diversificado, e recomposições de identidade religiosa trazem novas possibilidades para se pensar o trânsito religioso no Brasil.
  • BARTZ, Alessandro CV de BARTZ, Alessandro
Alessandro Bartz é teólogo, licenciado em história, mestre e doutorando pela Escola Superior de Teologia (EST), localizada em São Leopoldo/RS, Brasil. Atualmente é professor na Educação Básica, em Sapucaia do Sul, no mesmo Estado. Pesquisa a mobilidade religiosa no campo religioso brasileiro, especialmente, entre os protestantes tradicionais, com pesquisas de campo no Rio de Janeiro, São Luís do Maranhão e Rio Grande do Sul. Escreveu o livro, juntamente com Oneide Bobsin, intitulado "Mobilidade e adesão em comunidades urbanas da IECLB", lançado em 2011.

PAP1354 - Vinhos: práticas de consumo, construção de gostos e socializações vínicas
Resumo de PAP1354 - Vinhos: práticas de consumo, construção de gostos e socializações vínicas PAP1354 - Vinhos: práticas de consumo, construção de gostos e socializações vínicas
PAP1354 - Vinhos: práticas de consumo, construção de gostos e socializações vínicas

Actualmente, e cada vez mais, o homem está inserido num conjunto de relações sociais que estabelece não só com os outros homens mas também com os objectos e com as coisas de que se rodeia (Baudrillard) e que considera fulcrais para a sua vivência no quotidiano. Neste contexto, os vinhos e os estabelecimentos que os comercializam são apenas o exemplo que nos leva a equacionar toda uma prática de consumo que daí decorre. O consumo, em sentido lato, insere-se no quadro das práticas sociais passíveis de serem analisadas numa perspectiva sociológica. Estudar o consumo, não obstante, implica circunscrevê-lo a um determinado bem, tendo sido, para o efeito, elegido o vinho, nomeadamente o vinho corrente e o vinho do Porto. O vinho é um bem cujo consumo se insere no âmbito muito mais alargado das práticas alimentares. Não se limitando à mera necessidade fisiológica, extravasa-a largamente, reportando-se ao social. Decorre, então, daqui, a pertinência em abordar-se sociologicamente a prática vínica em contexto social. Tabernas, adegas, casas de pasto e clubes de elite foram os espaços eleitos, uma vez que a diferentes potencialidades de consumo vínico se associam diferentes (pré)disposições para a ação vínica. Neste sentido, a comunicação que nos propomos apresentar incide no consumo do vinho em espaços semipúblicos portuenses e privilegia os frequentadores-consumidores in loco. Neste patamar, sublinhamos o relevo particular que adquirem os consumos em si, intrínsecos a hábitos e práticas consolidados no quotidiano. Isto é, importa ter em linha de conta não só o tipo de consumo vínico, mas também o locus escolhido e o motivo subjacente ao consumo em geral e ao tipo de consumo em particular. Todo o hábito está inscrito no mundo de vida de quem o pratica e é passível de ser equacionado, respectivamente, enquanto vertente integrante do seu habitus de classe. Por conseguinte, a ele não é alheio um conjunto de (pré)disposições consonantes com a construção social de gostos e com socializações vínicas, aspectos centrais nesta apresentação.
  • MAGALHÃES, Dulce Maria da Graça CV de MAGALHÃES, Dulce Maria da Graça
Nome, - Dulce Maria da Graça Magalhães

afiliação institucional - Faculdade de Letras da Universidade doPorto

área de formação - Sociologia

interesses de investigação - Sociologia das classes sociais, sociologia da Educação e sociologia do consumo