PAP0963 - À Escala do Lugar. Lazer e Consumo na Praia de Carcavelos
"Mas contrariamento àquilo que se teme ou
espera, estas tecnologias [TIC] não põem em
causa a concentração metropolitana nem
substituem as cidades reais pelas cidades
virtuais."
François Ascher
Conhecer o sentido das práticas sociais à
escala do lugar permite-nos, de igual modo,
atribuir sentidos às vivências quotidianas de
um território inequivocamente mais extenso, e
denso, como a metrópole de Lisboa.
Neste documento propomo-nos a desvelar algumas
dessas práticas, compreendendo que os lugares
não se circunscrevem apenas por limites
fronteiriços socialmente construídos, antes
que os mesmos concentram em si toda uma
panóplia de actores sociais, que os usam e dos
quais se apropriam, provenientes de diferentes
segmentos etários e de distintos segmentos no
que concerne à estratificação social.
A opção de termos traçado como laboratório uma
praia enquadrada na metrópole de Lisboa e no
concelho de Cascais em particular não foi, de
modo algum, ingénuo ou obra do acaso. Também
não o foram a escolha do lazer e do consumo,
fenómenos que amiúde se encontram entrosados
pelas suas características específicas.
Decidiu-se enveredar pela escolha de um lugar
que pelas suas particularidades reúne o
consenso na escolha do seu uso por actores
sociais provenientes dos mais diferentes
territórios da metrópole de Lisboa. Tal deve-
se, em nosso entender, à imagem positiva que
consegue transmitir para o exterior, tornando-
se assim um espaço em que a atractividade
desenrola um papel da maior relevância.
Neste caso específico também decidimos
orientar o nosso olhar sociológico para uma
prática que cada vez mais é valorizada quer
por actores sociais individuais, quer por
actores sociais colectivos, pertençam, estes
últimos, tanto à esfera pública - o Estado na
sua dimensão de poder público nacional como
local - como à esfera privada, onde os agentes
económicos desempenham uma diversidade de
papéis no sentido de satisfazerem objectivos
orientados para o lucro.
Sabemos que os tempos de lazer têm vindo a
impôr-se cada vez mais como uma exigência de
uma sociedade civil, que cada vez mais
segmentada e ancorada em processos de
individualização, ávida por tempos que
qualidade desprendidos da esfera laboral ou do
trabalho. Esses mesmos tempos de lazer querem-
se, então, vistos preenchidos por práticas que
lhes são específicas e que podem ocorrer em
diversas alturas do ano e, inclusivamente, em
distintos momentos do dia. Incidiremos
portanto a análise não só num lazer diurno,
mas também no lazer nocturno, que muito
sensibiliza camadas mais jovens.
No lugar da Praia de Carcavelos é no espaço
público ou nos espaços de cariz de uso público
que encontramos um mosaico de vivências
urbanas ricas em diversidade e dotadas de uma
durabilidade a que se tem vindo a assistir.
Importa mencionar que a ocupação dos tempos
livres se encontra amiúde entrosada com
lógicas de consumo, relativamente próprias, às
quais nos iremos igualmente dedicar.
- Pedro Miguel (Carvalho Pacheco de) Almeida
- CesNova / FCSH-UNL
- Sociologia – Licenciado Universidade Autónoma de Lisboa (opção preferencial – Exclusão Social) ; Mestre FCSH-UNL (op – Território, Cidade e Ambiente); Doutorando FCSH-UNL (op – Urbana, Território e Ambiente)
- Sociologia Urbana, do Quotidiano, do Consumo, do Turismo, do Género, dos Comportamentos Desviantes