PAP1133 - Mutações do trabalho e da pobreza na modernidade avançada
TÍTULO:
Mutações do trabalho e da pobreza na
modernidade avançada.
Palavras – Chave: Trabalho; Mercado de
trabalho; Pobreza; Processos de marginalização
social.
O tema nuclear da comunicação é o das relações
entre trabalho, desigualdades sociais e
pobreza. A argumentação constrói-se a partir
de revisão bibliográfica sobre o tema e de
investigações anteriores levadas a cabo pelos
autores. Organiza-se em duas partes: na
primeira discutem-se as mutações que o
trabalho tem conhecido sobretudo nas últimas
quatro décadas, tanto ao nível das suas
manifestações empíricas como do seu valor
simbólico e poder estruturante dos percursos
biográficos; na segunda, a sua relação com a
pobreza e a marginalização social na
modernidade avançada.
Faz-se de início um breve percurso pelo modo
como foi assumindo, ao longo da Modernidade, o
papel de estratégia de normalização e de ética
da disciplina, adquirindo um elevado estatuto
socioeconómico e politiconormativo. Em
seguida, e com base na revisão de
investigações que têm procurado equacionar o
que está a acontecer ao trabalho e em
indicadores da sua caraterização fornecidos
por vários organismos, analisam-se as
transformações por que tem passado,
sistematizando-as em três linhas: a da sua
rarefação, a da sua segmentação e fragmentação
do estatuto do trabalhador e a da relação do
trabalho com a construção da experiência
biográfica dos atores.
As mutações a que aludimos não se impõem sem
resistência, mantendo-se atualmente respostas
que tendem a prolongar os papéis e a ética
tradicional do trabalho. É deste modo que
contextualizamos a procura de algumas novas
jazidas de emprego, bem como as politicas
implementadas, em Portugal como em grande
parte dos países da União Europeia, para a
promoção do emprego e de apoio aos
desempregados.
Ainda que se insista na manutenção desta
lógica, os dados de variadas investigações
mostram que as transformações em curso no
mercado de trabalho constituem mecanismos de
aprofundamento das desigualdades e de
clivagens sociais. Analisamos algumas leituras
que têm sido propostas para o esclarecimento
destes mecanismos.
Em suma, a problematização que perpassa toda
a comunicação é a das consequências já
detetáveis destas mutações, conduzindo-nos a
questões como a de saber se podemos continuar
a considerá-lo como o grande integrador da
experiência pessoal e social, ou se o papel da
atividade profissional nos processos de
socialização e de construção das identidades
deve ser relativizado, ou ainda, e mais
geralmente, saber se o trabalho se cumpre
ainda como forma de realização de si ou se,
pelo contrário, se arrisca a ser potenciador
de desigualdades e de marginalização social.
Agostinho Rodrigues Silvestre
Assistente social. Mestre em Psicologia do Comportamento Desviante pela FPCEUP, onde frequenta o programa Doutoral em Psicologia. É docente na Universidade Portucalense. É há 17 anos diretor executivo da Agência de desenvolvimento integrado de Lordelo do ouro (ADILO), no âmbito da qual tem concebido e coordenado vários projetos de intervenção social e comunitária. Presidente da associação Norte Vida. Desenvolve investigação sobre trabalho e processos de marginalização social extrema.