PAP0711 - Fragmentos de vidas profissionais de professores: vivências e reacções às recentes reformas educativas
Enquanto medidas profissionais e gestionárias definidas “de fora para dentro”, a implementação da revisão do Estatuto da Carreira Docente (2007) e da Gestão e Direcção Escolar (2008) tiveram implicações na autonomia e autoridade dos professores, desafiando e reenquadrando as suas identidades profissionais. Apresentamos nesta comunicação resultados parciais obtidos numa investigação qualitativa que, procurando um aprofundamento das trajectórias profissionais dos professores para desvendar as suas identidades profissionais, permitiu entender a relação entre perfis de identidade e respostas às reformas educativas. Interessou-nos, fundamentalmente, analisar as reacções em função de variáveis que têm sido consideradas relevantes - anos de serviço, género, área disciplinar, experiência profissional -, mas também o nível de envolvimento dos professores em associações e sindicatos de professores. Esta abordagem implica, por um lado, uma análise dos processos institucionais tendo em consideração os processos individuais e, por outro, o entendimento da identidade profissional como processo dinâmico, construído e reconstruído em determinadas épocas histórias e contextos sociais, através de dinâmicas de conflito e negociação. A partir de uma discussão articulada entre a Sociologia da Educação, a Sociologia das Profissões e a utilização da metodologia de Histórias de Vida, analisamos fragmentos de biografias e discursos de um conjunto de professores do ensino secundário que ilustram características-chave das formas de posicionamento e apropriação simbólica das reformas: aceitação, conformidade, afastamento, resistência, transformação. Os resultados obtidos permitem constatar que os professores se posicionam baseando-se em esquemas de pensamento e acção reflexivos, na mobilização de valores e poderes e na expressão de emoções. Trazemos para a discussão algumas questões pertinentes e actuais: poder-se-á falar de um posicionamento generalizado dos professores face às reformas? Existirão diferenças consoante grupos específicos? São essas reacções estratégias de preservar poderes profissionais, uma identidade profissional reivindicada?