PAP0072 - As Redes Sociais das Famílias Anónimas: Tipos e Funções
No âmbito do projecto de pesquisa realizado
para provas de mestrado, entretanto concluído,
estudei as famílias de pessoas com adições
(Famílias Anónimas) e, através da utilização
de metodologias qualitativas em que se
destacou a observação directa e a observação
participante nas sociabilidades destas
famílias, construí uma tipologia de redes que
caracterizam as respectivas sociabilidades no
presente. A apresentação que me proponho fazer
ao congresso aborda as principais conclusões
do estudo realizado e a tipologia de redes
sociais destas famílias.
As principais conclusões e construção ideal-
típica em que se consubstancia esta proposta,
aferiram não somente como são as redes sociais
destas pessoas como também qual é o papel das
Famílias Anónimas nestas redes. Os capitais
sociais, económicos e culturais (escolarmente
comprovados ou não) foram factores de
ponderação.
Numa conjuntura de crise, com a consequente
falência acentuada do estado-providência,
salta à vista a importância dos apoios/ajudas
informais de certas comunidades de indivíduos.
As Famílias Anónimas, grupos de auto-ajuda
para familiares de toxicodependentes,
constituem um exemplo notório de um elo de
certas redes sociais que apoiam alguns
indivíduos e que têm um papel fulcral para a
sua coesão e integração em sociedade.
Resulta, portanto, evidente a importância de
motivar e divulgar os diversos modos de
sociabilidades primárias que têm origem na
sociedade informal e aos quais subjaz uma
profunda hibridez, bem como aos apoios/ajudas
existentes no seu seio que vêm substituir as
funcionalidades da sociedade-providência.
- RAMOS, Carla Sofia Magalhães Cabaço da Silveira

Carla da Silveira Ramos é licenciada em Sociologia na Universidade Autónoma de Lisboa (UAL), mestre em Família e Sociedade no Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL) e doutoranda em Sociologia no Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL). Pertence ao Projeto ‘Velhice e Modos de Vida’, do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES), coordenado pela Professora Doutora Maria das Dores Guerreiro.
Tendo-se ocupado, durante a Tese de Licenciatura, das interações entre as comunidades virtuais de heroinómanos e cocainómanos e a sociedade de acolhimento, deu-se conta da importância das interações no estudo das redes sociais. Esta última temática foi desenvolvida na Tese de Mestrado no que respeita às redes sociais em Famílias Anónimas (FA). Desenvolve a sua Tese de Doutoramento sobre a influência do espaço urbano nas redes de relações intergeracionais e nas configurações familiares.
PAP0592 - Desemprego e acção colectiva: um estudo exploratório
À semelhança do verificado na maior parte dos países europeus, o desemprego é hoje um dos maiores desafios enfrentados em Portugal. Ao mesmo tempo que uma parte importante da população é excluída do mercado de trabalho, é colocado em causa o paradigma do pleno emprego, com implicações quanto à sua salvaguarda enquanto direito de cidadania, tal como foi internacionalmente consagrado após a II Guerra Mundial, e, a nível nacional, após a Revolução de 1974. A presente dissertação pretende explorar os constrangimentos e as potencialidades à acção colectiva de pessoas desempregadas e, adoptando uma lógica investigação-acção, fornecer contributos para uma melhor compreensão da relação entre desemprego e acção colectiva. No processo de recolha e análise de dados, foi adoptada uma estratégia articulando aquilo que são os aspectos estruturais associados ao desemprego com as definições que as pessoas fazem da sua situação, com vista a identificar apotencialidades de partilha colectiva de significados e pistas para o desenvolvimento de estruturas de mobilização sensíveis à experiência do desemprego. Foram equacionados quatro problemas chave: a acção colectiva não é uma categoria abstracta que se sustente fora da história e da política; o isolamento das pessoas e o seu desenraizamento social bloqueiam a sua capacidade de envolvimento na acção colectiva; a mobilização colectiva é mais difícil entre pessoas com identidades e interesses heterogéneos; para que os processos de elaboração possam potencialmente questionar a legitimidade do sistema, as pessoas têm de se sentir simultaneamente lesadas acerca de algum aspecto das suas vidas e optimistas quanto às possibilidades de êxito da acção colectiva para a solução dos problemas. A partir da análise de entrevistas a pessoas desempregadas, foram identificadas orientações e possíveis modalidades de participação e são tecidas breves considerações sobre estratégias para ampliar as possibilidades de acção colectiva de pessoas desempregadas.
- FERNANDES, Lídia
PAP0331 - Dilemas das redes de cooperação interorganizacionais e a formação dos profissionais de saúde. O caso da Enfermagem.
Mobilizadas pela indispensabilidade de partilha de recursos, as organizações de serviços de saúde e as de ensino superior procuram cada vez mais plataformas de entendimento e lógicas de acção para melhor atender às necessidades de aprendizagem in loco das componentes clínicas dos estudantes da área da enfermagem, de formação contínua dos seus profissionais, assim como às solicitações da própria comunidade. Por outro lado, sabemos que a cooperação interorganizacional é cada vez mais entendida como uma estratégia de desenvolvimento para gerar progresso e ainda que a “University- business dialogue and co-operation” é recomendada (European Commission, 2011).
Face a tais pressupostos é objectivo desta comunicação, promover o debate e a reflexão sociológica acerca das lógicas de redes de cooperação entre instituições de ensino superior e de saúde, questionando, por um lado, as diferentes formas de governação das acções na rede, e por outro lado, a estratégia emancipatória para o desenvolvimento do conhecimento e geradora de capital social na saúde.
Para tal, contamos com os resultados da investigação que efectuámos em doze organizações (onze de saúde e uma organização de ensino superior na área da enfermagem) através do recurso a metodologias qualitativas e das técnicas de análise de redes sociais, designadamente através da aplicação informática do UCINET e do NETDRAW.
Neste estudo desocultámos a estrutura, conteúdo e dinâmicas das relações interorganizacionais estabelecidas, verificando a existência de uma cooperação assente em redes de relações formais e informais, sustentadas em normas, mas também em valores simbólicos e ideológicos ligados à profissão, assim como relações de confiança e amizade, que eram condicionadoras do funcionamento. Identificámos potencialidades, mas também constrangimentos ao desenvolvimento da rede.
Num desafio critico mas construtivo, colocamos à discussão os resultados encontrados reflectindo acerca dos mesmos, propondo soluções alternativas para um modelo de governação da cooperação interorganizacional para a formação em saúde, em geral, e para a enfermagem, em particular, que ainda se configura mais perto do tradicional que dos novos paradigmas, ainda que vestido com roupagens apelativas ornadas por protocolos onde estão prescritas eventuais filosofias inovadoras.
- ARCO, Helena

- SILVA, Carlos Alberto da

Helena Maria de Sousa Lopes Reis do Arco – ProfessoraAdjunta da Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Portalegre.Doutora em Sociologia pela Universidade de Évora, Mestre em Sociologia pelamesma Universidade, Licenciada em Enfermagem e Especialista em EnfermagemComunitária. Investigadora do Centro Interdisciplinar de Investigação eInovação do Instituto Politécnico de Portalegre. Tem nos últimos anosdesenvolvido os seus trabalhos em torno das questões relacionadas com as redessociais no âmbito da saúde. Os seus atuais interesses de investigação situam-senas áreas da Sociologia da Saúde e da Educação, bem como na Análise de RedesSociais enquanto ferramenta metodológica para o diagnóstico e intervençãosocial.
e-mail: helenamaria.arco@gmail.com
Carlos Alberto da Silva - Director do Departamento de Sociologia da Escola de Ciências Sociais da Universidade de Évora (2011-...). Director do Programa de Doutoramento em Sociologia da Universidade de Évora (2011-...). Investigador integrado no CESNOVA - Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa (2011-...). Doutorado em Sociologia. Agregação em Sociologia. Mestrado em Sociologia. Licenciatura em Investigação Social Aplicada. Bacharel em Radiologia. Autor de vários trabalhos científicos e relatórios técnicos co-finaciados por programas nacionais e europeus nas áreas do diagnóstico e avaliação de projectos sociais, planificação estratégica e desenvolvimento regional. Principais áreas de interesses deinvestigação: a) Análise de redes sociais como ferramenta metodológica para o diagnóstico e intervenção social; b) Redes e cooperação territorial e transfronteiriça; c) Análise prospectiva; d) Avaliação da qualidade e satisfação de utentes e profissionais nas unidades de saúde; Avaliação em tecnologias da saúde.
PAP0020 - Do envolvimento associativo à mobilização cívica: o potencial das redes sociais
A participação dos cidadãos através das novas tecnologias tem marcado os estudos mais recentes sobre comunicação e democracia. A participação cívica e política, através da Internet, surgem-nos neste contexto como o objecto de estudo.
Contudo, nos últimos anos tem sido dedicada atenção especial às associações e aos seus efeitos no plano político, entendendo-as enquanto mecanismos de representação de determinados interesses.
Consideramos que este trabalho vai ao encontro de recentes recomendações de alguns estudos na área do associativismo e da democracia, segundo os quais é necessário “(...) continuar a investir na produção de conhecimento analítico sobre o universo associativo português”, nomeadamente indagando “(...) em que medida a adesão a modalidades de associativismo novas, menos orgânicas e não baseadas na integração hierárquica dos seus membros, está a crescer e o que significa esse crescimento eventual” (Viegas, Faria e Santos, 2010, p. 178).
É no seguimento deste conjunto de estudos que procuramos desenvolver o nosso trabalho, reflectindo sobre o papel das associações e o envolvimento associativo na democracia e muito particularmente, sobre as alterações que o desenvolvimento das novas tecnologias, e em particular a Internet, trouxeram ao movimento associativo. Nesta medida, questionamos se a integração nas redes sociais na Internet se assumem como mecanismos alternativos de associação ecapacitação dos sujeitos para a intervenção cívica? Assim, na primeira parte do trabalho será realizado o estado da arte do fenómeno associativo. Num segundo momento, pretende-se verificar até que ponto o nvolvimento associativo tem vindo a sofrer mudanças no âmbito das novas plataformas da Internet. Neste sentido, desenvolvemos uma análise exploratória quanto à presença de associações nas redes sociais, de seguida retendemos aplicar a análise de conteúdo às respectivas páginas, através da prévia concepção de uma grelha de análise.
- MORAIS, Ricardo

- SOUSA, João

Ricardo Morais - Investigador de Doutoramento em Ciências da Comunicação na Universidade da Beira Interior. Nesta mesma Universidade tirou a licenciatura em Ciências da Comunicação e o Mestrado em Jornalismo: Imprensa, Rádio e Televisão. Desenvolve a sua investigação na análise das diferentes dimensões das oportunidades de participação oferecidas aos cidadãos pelos novos media. É Bolseiro de Investigação do projecto “Agenda dos Cidadãos: jornalismo e participação cívica nos media Portugueses” no Laboratório de Comunicação Online.
João Carlos Sousa - Licenciado em Sociologia pela Universidade da Beira Interior. É Bolseiro de Investigação do projecto “Agenda dos Cidadãos: jornalismo e participação cívica nos media Portugueses” no Laboratório de Comunicação Online. As suas áreas de interesse na investigação estão centradas na sociologia da juventude, política e religião.
PAP0156 - Governo Electrónico Local: Acção Colectiva e Políticas Públicas dos Municípios do Distrito de Évora (Portugal).
Numa época em que se verificam perdas de legitimidade do Estado, de confiança e de interesse dos cidadãos na sua articulação com os órgãos de decisão, assistimos ao surgimento e desenvolvimento de um novo modelo de estrutura governamental local, a Administração-Rede, onde confluem vínculos entre a lógica burocrática, a lógica política e as relações inter-administrativas, entre outros aspectos. Estamos perante novas lógicas de reconfiguração do governo local balizadas por um novo conjunto de regras, processos e práticas que dizem respeito à qualidade do exercício do poder, essencialmente no que se refere à responsabilidade, transparência, coerência, eficiência e eficácia.
Esta comunicação centra-se na explicação das lógicas da acção colectiva desenvolvidas por municípios do distrito de Évora no domínio da concretização de políticas orientadas para o governo electrónico local (Local e-Government), enquanto processo de uso das TIC por parte dos órgãos de governo local (como as câmaras municipais) com vista à optimização da prestação de serviços públicos (e-Administração) e ao aumento da participação cívica e política (e-Democracia) dos cidadãos no seu território.
Tomando como pano de fundo os eixos da sociologia da acção, questionámos os processos de dinamização de políticas públicas na área do governo electrónico local no Distrito de Évora. Mediante uma orientação metodológica situada no quadro dos exercícios prospectivos (La Prospective) complementada com o recurso a técnicas de análise de redes sociais (Social Analysis Network), explicitámos o sistema do governo electrónico local (e-Governo Local) no Distrito de Évora e procedemos à análise da estratégia de actores, através da identificação dos projectos estratégicos dos actores e a sua posição relativamente aos seus objectivos estratégicos, da compreensão das dinâmicas da rede de actores e da avaliação das tácticas e as alianças possíveis no seio do sistema de governo electrónico local concreto.
As principais conclusões sugerem que a) as estruturas de acção colectiva identificadas são produtoras de ordem, de certa forma incompatíveis com o jogo da mera configuração estrutural pré-existente ao desenvolvimento da região digital; b) as relações de dependência e influência e o cenário tendencial resultam de um compromisso de mudança por parte dos actores-chave ancorado numa bifurcação da sua racionalidade que opõe a lógica utilitarista do governo electrónico local e a racionalidade subjectiva dos actores; c) a participação cidadã através das novas tecnologias (e-Participação) é um desafio assumido discursivamente pelos actores, mas sem correspondência em acções estratégicas concretas e eficazes em termos de políticas públicas, situação que obstaculiza o surgimento de um novo paradigma de governança electrónica no território.
- SARAGOÇA, José

- SILVA, Carlos Alberto da

- FIALHO, Joaquim

José Saragoça
É Professor Auxiliar na Escola de Ciências Sociais da Universidade de Évora.
No Departamento de Sociologia leciona Sociologia da Educação, Planeamento e Gestão de Projetos, Diagnóstico e Prospetiva Social, Sociologia do Desporto, entre outras u.c..
É adjunto do Diretor do Departamento de Sociologia e membro do Conselho Pedagógico da Escola de Ciências Sociais da Universidade de Évora.
É Docente Convidado no Instituto Piaget (Campus de Santo André).
É investigador integrado do CESNOVA (Centro de Investigação da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa).
Os seus interesses de investigação científica direcionam-se para os future studies/prospetiva estratégica e para a análise de redes sociais/social network analysis, sobretudo nos domínios da educação/formação, cooperação entre territórios e governo eletrónico. É autor de diversos artigos científicos, de capítulos de livros e do livro Tecnologias da Informação e da Comunicação, Educação e Desenvolvimento dos Territórios (publicado pela Fundação Alentejo em 2009).
Carlos Alberto da Silva - Director do Departamento de Sociologia da Escola de Ciências Sociais da Universidade de Évora (2011-...). Director do Programa de Doutoramento em Sociologia da Universidade de Évora (2011-...). Investigador integrado no CESNOVA - Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa (2011-...). Doutorado em Sociologia. Agregação em Sociologia. Mestrado em Sociologia. Licenciatura em Investigação Social Aplicada. Bacharel em Radiologia. Autor de vários trabalhos científicos e relatórios técnicos co-finaciados por programas nacionais e europeus nas áreas do diagnóstico e avaliação de projectos sociais, planificação estratégica e desenvolvimento regional. Principais áreas de interesses deinvestigação: a) Análise de redes sociais como ferramenta metodológica para o diagnóstico e intervenção social; b) Redes e cooperação territorial e transfronteiriça; c) Análise prospectiva; d) Avaliação da qualidade e satisfação de utentes e profissionais nas unidades de saúde; Avaliação em tecnologias da saúde.
JOAQUIM MANUEL ROCHA FIALHO, Licenciado em Serviço Social, é quadro superior do Instituto do Emprego e Formação Profissional desde 1999, onde exerce funções de assistente social no Centro de Formação Profissional de Évora. É detentor do Mestrado em Sociologia, na variante de recursos humanos e desenvolvimento sustentável (2003), tendo desenvolvido a tese sobre a re-integração de desempregados de longa duração no mercado de emprego. Em 2008, obteve, com distinção e louvor a aprovação nas provas de Doutoramento em Sociologia, onde apresentou a sua investigação sobre as redes de formação profissional. É professor auxiliar convidado no Departamento de Sociologia da Universidade de Évora e docente no Campus Universitário de Santo André do Instituto Superior de Estudos Interculturais e Transdisciplinares (Instituto Piaget). Tem mais de uma de dezena de artigos publicados sobre organizações e formação profissional, bem como a participação em inúmeros eventos científicos como orador. As suas principias linhas de investigação são a análise de redes sociais, dinâmicas organizacionais e a formação profissional.
E-mail: jfialho@uevora.pt
PAP1562 - Transferência de I&D em empresas multinacionais: uma análise de redes sociais
A economia emergente, "informacional" e "global", é também descrita como uma economia em "rede". Segundo Castells (2005), é informacional porque, como vimos, "é a revolução das tecnologias da informação que fornece a base indispensável à criação da nova economia". É global porque "tudo está organizado à escala global". É em rede porque as principais actividades se desenvolvem numa rede global de interacções. Desde as grandes multinacionais até às pequenas empresas, desde as indústrias emergentes de alta tecnologia até às indústrias tradicionais, cada vez mais as organizações são descritas como redes. Na verdade, as organizações de que aqui nos ocupamos, as Multinacionais (EMN) , têm os seus fornecedores, tal como os seus clientes e outras empresas associadas, espalhados pelo mundo, numa rede de relações, contratos e alianças. Assim, as EMN actuam numa rede dinâmica de relações externas a funcionar à escala planetária, mas elas próprias constituem uma rede, cuja gestão se baseia na interrelação entre as diferentes unidades situadas nos diferentes países. Assistimos, actualmente, a uma tendência crescente rumo à internacionalização de funções de I&D, o que parece estar também associado à possibilidade de as subsidiárias gerarem novos conhecimentos, tecnologias e/ou produtos inovadores. A questão de fundo que está na base desta comunicação prende-se com esta tendência e respeita, especificamente, a análise das vantagens comparativas que levaram à deslocalização de competências de I&D dentro da estratégia global das multinacionais. Neste sentido, importa saber que competências de I&D se destinam às subsidárias instaladas em vários pontos do mundo e qual o lugar e o peso das unidades de I&D deslocalizadas na rede multinacional e como as multinacionais gerem as competências e os conhecimentos e operam a sua transferência na rede. A presente comunicação tem como base os resultados alcançados no projecto I&D.COM _ COMpetências Locais de I&D em Cadeias de Valor Globais. A componente empírica da comunicação baseia-se num estudo de caso "estendido" (que inclui unidades de I&D e os headquarters). Como suporte à análise e discussão dos dados obtidos no estudo empírico, utilizou-se a teoria das redes sociais. Ao focalizar a sua atenção na análise das relações entre entidades sociais, esta teoria permite a construção de modelos que potenciam uma melhor discussão dos resultados obtidos, uma vez que dispõe de um vocabulário que permite catalogar um conjunto de propriedades relacionadas com as estruturas sociais e de um formalismo matemático que permite utilizar um conjunto de conceitos para caracterizar essas estruturas.
- URZE, Paula
- ABREU, António
PAP1516 - Um olhar interorganizacional sobre a formação profissional. Dilemas e desafios para as organizações
O primado das organizações fechadas e auto-suficientes está excedido. Neste clima de incerteza ganha fundamento a necessidade das organizações se associarem, unirem esforços, delinearem estratégias comuns de actuação, rumo a objectivos individuais e colectivos.Consequentemente, também a necessidade das organizações actuarem conjuntamente e associadas, partilhando os mais diversos recursos, como por exemplo, informação e conhecimento, vem fundamentar a tese da necessidade de cooperação interoganizacional. A concorrência cada vez mais «perversa, implica uma cultura organizacional estratégica e de ruptura com anteriores modelos organizacionais virados para dentro, em busca duma economia de escala e sem preocupações com as variáveis do ambiente. Esta comunicação resulta duma reconstrução e actualização dos resultados obtidos num trabalho de investigação realizado entre os anos de 2004 e 2007, cujas principais linhas de orientação se centraram na identificação das dinâmicas interorganizacionais das entidades formadoras, designadamente ao nível dos processos e formas de cooperação desenvolvidas pelas entidades que desenvolvem acções de formação profissional no Alentejo (Portugal). Com o recurso à metodologia de análise de redes sociais, a equipa de investigação procurou compreender as dinâmicas de cooperação que se estabeleceram entre as organizações que desenvolvem acções de formação profissional neste território. Sendo uma região prioritária em termos de aplicação de Fundos Estruturais da União Europeia, a equipa de investigação procurou desocultar as lógicas de partilha de recursos, a definição de estratégias de formação e, por último, o posicionamento dos actores na rede. PALAVRAS-CHAVE: análise de redes sociais, organizações, cooperação, formação profissional
- FIALHO, Joaquim

- SILVA, Carlos Alberto da

- SARAGOÇA, José

JOAQUIM MANUEL ROCHA FIALHO, Licenciado em Serviço Social, é quadro superior do Instituto do Emprego e Formação Profissional desde 1999, onde exerce funções de assistente social no Centro de Formação Profissional de Évora. É detentor do Mestrado em Sociologia, na variante de recursos humanos e desenvolvimento sustentável (2003), tendo desenvolvido a tese sobre a re-integração de desempregados de longa duração no mercado de emprego. Em 2008, obteve, com distinção e louvor a aprovação nas provas de Doutoramento em Sociologia, onde apresentou a sua investigação sobre as redes de formação profissional. É professor auxiliar convidado no Departamento de Sociologia da Universidade de Évora e docente no Campus Universitário de Santo André do Instituto Superior de Estudos Interculturais e Transdisciplinares (Instituto Piaget). Tem mais de uma de dezena de artigos publicados sobre organizações e formação profissional, bem como a participação em inúmeros eventos científicos como orador. As suas principias linhas de investigação são a análise de redes sociais, dinâmicas organizacionais e a formação profissional.
E-mail: jfialho@uevora.pt
Carlos Alberto da Silva - Director do Departamento de Sociologia da Escola de Ciências Sociais da Universidade de Évora (2011-...). Director do Programa de Doutoramento em Sociologia da Universidade de Évora (2011-...). Investigador integrado no CESNOVA - Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa (2011-...). Doutorado em Sociologia. Agregação em Sociologia. Mestrado em Sociologia. Licenciatura em Investigação Social Aplicada. Bacharel em Radiologia. Autor de vários trabalhos científicos e relatórios técnicos co-finaciados por programas nacionais e europeus nas áreas do diagnóstico e avaliação de projectos sociais, planificação estratégica e desenvolvimento regional. Principais áreas de interesses deinvestigação: a) Análise de redes sociais como ferramenta metodológica para o diagnóstico e intervenção social; b) Redes e cooperação territorial e transfronteiriça; c) Análise prospectiva; d) Avaliação da qualidade e satisfação de utentes e profissionais nas unidades de saúde; Avaliação em tecnologias da saúde.
José Saragoça
É Professor Auxiliar na Escola de Ciências Sociais da Universidade de Évora.
No Departamento de Sociologia leciona Sociologia da Educação, Planeamento e Gestão de Projetos, Diagnóstico e Prospetiva Social, Sociologia do Desporto, entre outras u.c..
É adjunto do Diretor do Departamento de Sociologia e membro do Conselho Pedagógico da Escola de Ciências Sociais da Universidade de Évora.
É Docente Convidado no Instituto Piaget (Campus de Santo André).
É investigador integrado do CESNOVA (Centro de Investigação da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa).
Os seus interesses de investigação científica direcionam-se para os future studies/prospetiva estratégica e para a análise de redes sociais/social network analysis, sobretudo nos domínios da educação/formação, cooperação entre territórios e governo eletrónico. É autor de diversos artigos científicos, de capítulos de livros e do livro Tecnologias da Informação e da Comunicação, Educação e Desenvolvimento dos Territórios (publicado pela Fundação Alentejo em 2009).
PAP1201 - Velhice, institucionalização e redes sociais
Palavras-chave: velhice, institucionalização, redes sociais, qualidade de vida
Num contexto de envelhecimento demográfico é preocupação individual e colectiva juntar Qualidade de Vida aos anos de vida ganhos. Nesta perspectiva, as redes de suporte emocional desempenham um papel de relevo uma vez que contribuem para um envelhecimento individual bem-sucedido e traduzem potenciais recursos disponíveis em eventuais momentos de fragilidade dos idosos.
A análise da literatura põe em evidência inúmeros estudos realizados pela Psicologia sobre as redes de suporte emocional dos indivíduos mas, a Sociologia só mais tardiamente e de forma menos incisiva passou a interessar-se pela questão.
Este estudo visa caracterizar e comparar as redes sociais dos idosos em função do contexto institucional em que se encontram (Lar, Centro de Dia, Apoio Domiciliário). Apesar do reconhecimento generalizado da importância do apoio emocional aos idosos, poder-se-à afirmar que estes diferentes enquadramentos institucionais criam oportunidades/promovem idêntico suporte aos seniores? De acordo com alguns estudos, os idosos institucionalizados apresentam redes de apoio emocional menos densas e manifestam maior solidão que os indivíduos não institucionalizados (Barroso, 2008).
A amostra deste trabalho é constituída por 64 indivíduos com idades compreendidas entre os 50 e os 90 anos, residentes na Região Norte de Portugal que, por apresentarem algumas limitações no desempenho das atividades da vida quotidiana, são enquadrados por diversas instituições na modalidade de Lar (19 indivíduos), Centro de Dia (20 indivíduos) ou Apoio Domiciliário (25 indivíduos).
A informação foi recolhida com base num questionário de caracterização socio-demográfica, da rede social e relações entre os membros que a compõem, numa perspectiva egocêntrica. Enveredando por uma perspectiva de análise não convencional (Social Network Analysis) que difere da abordagem clássica em Ciências Sociais por adoptar como unidade principal de observação a própria relação social, caracterizam-se as redes de suporte emocional dos idosos pondo em evidência as regularidades e diferenças em função do contexto institucional.
Os principais resultados obtidos convergem com a literatura consultada, evidenciando a dimensão mais reduzida das redes dos indivíduos em Lares, comparativamente às redes dos indivíduos em Centro de Dia e Apoio Domiciliário. Estes últimos possuem as redes sociais de maior dimensão e manifestam também o grau de satisfação mais elevado com a sua rede social. Estes e outros resultados do estudo fundamentam uma reflexão crítica sobre o impacto das redes sociais na qualidade de vida dos idosos e as suas oportunidades de interação social em função do tipo de enquadramento institucional de que são alvo.
- SILVA, Patrícia

- MATOS, Alice Delerue
"Patrícia Silva é mestranda de Sociologia na Universidade do Minho onde prepara uma dissertação sobre as redes de suporte emocional dos idosos portugueses. Tem colaborado em projectos de investigação do Centro de Investigação em Ciências Sociais, da Universidade do Minho."