PAP0651 - Cidades Litorais. Vulnerabilidade e Resiliência no âmbito da Sociologia do Risco e Incerteza
O que torna algumas cidades mais vulneráveis e menos resilientes face a eventos naturais? As cidades, nomeadamente as litorais, são, hoje, locais com enormes recursos, mas também territórios de grandes vulnerabilidades. Representando tecidos sociais muito complexos, palcos de diversas mudanças e recomposições ao longo dos anos, incorporam a questão dos riscos urbanos, onde se cruzam, entre outros, problemas como os planos de ordenamento, as assimetrias no desenvolvimento das relações socioeconómicas, que se repercutem nomeadamente no acesso desigual ao espaço e à informação pelas comunidades, grupos e indivíduos presentes. De facto, o que transforma um evento natural num desastre não são apenas os aspectos físicos dos fenómenos, associados à destruição ambiental e parque edificado, mas o grau e a qualidade da informação das pessoas sobre tais eventos e consequentes reacções aos mesmos. E, por isso, as causas e efeitos do impacto de fenómenos naturais não poderão ser entendidas à parte dos contextos sociais onde ocorrem. Com base no modelo de vulnerabilidade contextualmente situada, e tendo Cascais como objecto de análise, propomo-nos identificar os factores de vulnerabilidade bem como as características que permitem responder e recuperar do impacto de eventos naturais que podem configurar desastres ou mesmo catástrofes. Os conceitos de vulnerabilidade e resiliência, neste sentido, aparecem interconectados, dando visibilidade às características que demonstram tanto a respectiva variação geográfica da sua componente social, como o espectro causal da mesma. Em suma, numa perspectiva da sociologia do risco faz-se uma reflexão sobre os conceitos de perigo, incerteza e risco e sua interligação com a problemática dos desastres. O foco será orientado para a cultura de risco e suas implicações sociais, económicas e políticas, relacionadas com as dimensões físicas de eventos naturais, mas também com as acções humana que podem contribuir para aumentar ou reduzir a incerteza tanto em medidas preventivas como na capacidade de resposta, e de recuperação, tendo por base que tanto a vulnerabilidade como a resiliência são parte de um processo que ocorre ao longo de um tempo em que organizações sociais operam como sistemas sociais complexos.
- CARMEN, Diego Gonçalves

- RIBEIRO, Manuel João

- MENDES-VICTOR, Luís Alberto

Carmen Diego Gonçalves: Doutorada em Sociologia, especialidade da Comunicação, Cultura e Educação, pelo ISCTE. Investigadora de pós-doutoramento, com bolsa da FCT, e Investigadora Associada ao Núcleo de Estudos em Ciência, Economia e Sociedade, no Centro de Estudos Sociais da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. A sua investigação centra-se nas dimensões da vulnerabilidade e resiliência, incidindo: (a) na natureza compósita do conceito de desastre natural; (b) no desenvolvimento de métodos e métricas para avaliar e quantificar as condições de base da vulnerabilidade e resiliência aos desastres, mas também para avaliar os adversos e diferenciais impactos dos hazards, nomeadamente o impacto traumático nas populações e equipas de emergência; e (c) os factores que inibem a resposta eficaz a desastres. Desenvolveu a actividade profissional nas áreas da docência, investigação e formação universitárias. Participou em vários projectos nacionais e internacionais. Experiência na concepção, implementação, desenvolvimento e acompanhamento de projectos de investigação em rede, nacionais e internacionais. Autora de diversas comunicações. O seu trabalho tem sido publicado em revistas e livros nacionais e internacionais.
Manuel João Ribeiro: Sociólogo, pelo ISCTE. Doutorando do Programa de Doutoramento "Território, Risco e Políticas Públicas, do Centro de Estudos Sociais da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Actualmente Director de Departamento do Serviço Municipal de Protecção Civil da Câmara Municipal de Cascais. Tem desenvolvido trabalho na área da vulnerabilidade, com construção de índices, nomeadamente das zonas históricas de Lisboa. Colabora em projectos nacionais e internacionais, tendo o seu trabalho sido publicado em revista nacionais e internacionais da especialidade.
Luís Alberto Mendes Víctor: Geófisico, Professor Emeritus, FCUL. Ingressou no quadro de docentes da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa em 1971, criou o Grupo de Geofísica Interna da FCUL em ligação com o Instituto Geofísico do Infante D. Luís. Desenvolveu intensa actividade científica nacional e internacional nos domínios da Geofísica Interna, assegurou a participação científica em dezenas de reuniões das Comissão Sismológica Europeia, Sociedade Europeia de Geofísica, União Europeia de Geociências, Associação Internacional de Sismologia e de Física do Interior da Terra e União Geodésica e Geofísica Internacional, desde 1975. Actualmente é Presidente do Centro Europeu de Riscos Urbanos ( EUR-OPA – Conselho da Europa) e Presidente do Comité Português para o Ano Polar Internacional. Tem vindo a dedicar-se a estudos interdisciplinares, com ênfase para a interacção ciência-sociedade, nomeadamente no que diz respeito à redução dos impacto de fenómenos naturais nas populações.
PAP0747 - Literacia e desigualdades sociais em Portugal: Uma análise a partir dos dados do PISA (2000-2009)
O PISA tem estado na vanguarda da avaliação internacional das competências dos alunos de 15 anos um pouco por todo o mundo (países da OCDE e parceiros) nos domínios da leitura, da matemática e das ciências, permitindo acompanhar a evolução do desempenho e aperfeiçoar a qualidade e eficiência na educação. Para além de sofisticados procedimentos de medição das competências nos domínios referidos, este instrumento de larga escala recolhe também informação socio-demográfica detalhada que permite uma análise comparativa, complexa e de natureza sociológica, da literacia juvenil.
No âmbito dos princípios de comparabilidade pelos quais se rege o PISA, é seguida uma das duas estratégias possíveis nos estudos sobre composição social, a que resulta na utilização de um índice (quantitativo e estandardizado) que usa implicitamente a noção de escala social (por oposição à que utiliza a noção de “classe social”, usando mais uma classificação nominal do que uma ordenação ou hierarquização quantitativa). No caso do PISA, o complexo índice utilizado é denominado de Estatuto Socioeconómico e Cultural (ESCS) e abrange variáveis como o estatuto profissional (com base na classificação ISCO) e o nível (em anos) de escolaridade dos pais, bem como variáveis relacionadas com os bens domésticos (índices de bem-estar familiar, recursos educacionais e culturais em casa).
Entre outras evidências, os dados demonstram que apesar de, em Portugal, o efeito do ESCS na literacia em leitura ter vindo a diminuir entre 2000 e 2009, dos alunos com origens sociais mais desfavorecidas terem sido aqueles que, neste período, mais melhoraram o desempenho neste domínio, e da percentagem dos alunos a que a equipa do PISA denomina de “resilientes” ser superior à da OCDE; o ESCS continua a ser a variável que, em todos os domínios e todas as escalas geográficas (OCDE, UE e Portugal), maior correlação mantém com o desempenho em literacia. A análise destes dados pode colocar-se, desta forma, no centro de um dos infindáveis mas mais importantes debates da arena sociológica, sobre a relação entre percursos escolares e mobilidade social.
- CARVALHO, Helena

- ÁVILA, Patrícia
- NICO, Magda

- PACHECO, Pedro
HELENA CARVALHO tem o doutoramento em Sociologia. Professora auxiliar do ISCTE-IUL. Diretora do Departamento de Métodos de Pesquisa Social no ISCTE-IUL. Diretora da Pós-graduação em Análise de Dados em Ciências Sociais (ISCTE-IUL). Leciona e coordena diversas disciplinas de Estatística e Análise de Dados em Mestrados. É investigadora do(CIES-ISCTE-IUL). A sua área de investigação privilegiada tem por enfoque os métodos quantitativos e multivariados para variáveis categorizadas, privilegiadamente métodos de interdependência e de dependência (Categorical Regression) via optimal scaling (Escola de Leiden). Tem participado em diversos projetos de investigação desenvolvendo as suas competências em análise de dados. Tem publicado diversos livros e artigos. Algumas publicações mais recentes: Ramos, M. and Carvalho, H. (2011) Perceptions of quantitative methods in higher education: mapping students profile. Higher Education, 61, pp:629-647.; Oliveira, L. and Carvalho, H. (2010). Why firms do not enrol in socio-technical networks- empirical evidence from Portugal. Sociology of Science and Technology, Vol 1, 3-d Issue; Oliveira, L. and Carvalho, H. (2009). The segmentation of the S&T space and gender discrimination in Europe. In Prpic, K., Oliveira, L. and Hemlin, S. (editors), Women in Science and Technology. Institute for Social Research, Zagreb, pp. 27-51. Carvalho, H. (2008). Análise Multivariada de Dados Qualitativos. Utilização da Análise de Correspondências Múltiplas (ACM) com o SPSS, Lisboa, Edições Sílabo.
Magda Nico, Investigadora de Pós Doutoramento do CIES - Instituto Universitário de Lisboa, actualmente a desenvolver um projecto sobre gerações, cursos de vida e mobilidade social.
Autora da tese de doutoramento "Transição Biográfica Inacabada. Transições para a Vida Adulta na Europa e em Portugal na Perspectiva do Curso de Vida", desenvolvida no CIES-Institutito Universitário de Lisboa.
Os principais interesses de investigação e temas de publicações são: Metodologias do Curso de Vida, Transições para a Vida Adulta e Mudança Social, Saída de casa dos pais, Gerações, Género e mais recentemente Mobilidade Social.
PAP1014 - TERRITÓRIOS RESILIENTES, CRIATIVOS E SOCIALMENTE INOVADORES: desafios e paradoxos à transformação e mudança face a disrupções e processos com expressões difusas e diluídas no tempo
No actual contexto de reconfiguração de paradigmas, modificam-se as relações sociais e as formas de apropriação do espaço. A necessidade de adaptação a estes processos assume uma actualidade e urgência de dimensões colectivas que convida a uma reflexão critica sobre conceitos como resiliência, criatividade e inovação social na tentativa de compreender e explorar formas alternativas das mudanças em curso.
Para Walker, Holling et al (2004), o conceito de resiliência está associado à “capacity of a system to absorb disturbance and reorganize while undergoing change so as to still retain essentially the same function, structure, identity and feedbacks”. O conceito de resiliência centra-se assim na capacidade de superar ou recuperar da adversidade, mas surge normalmente associado a epifenómenos tais como desastres naturais e/ou tecnológicos ou actos terroristas. Porém torna-se importante reflectir sobre o conceito de resiliência na acomodação da transformação e das mudanças dos territórios e das comunidades que resultam de processos mais diluídos no tempo, tais como a sua desvitatização ou a "crise" vivida na sua expressão territorial.
Também, a criatividade surge em contextos de mudança e de “crise” como um activo importante. Muitas vezes, associa-se a criatividade ao combate à adversidade, à imprevisibilidade, à incerteza e/ou ao risco respondendo aos desafios com outras formas de interpretar os processos que desencadeiam transformação. São condições necessárias à configuração e ao desenvolvimento de um meio criativo ser resilente, ou seja, permitir a mudança sem se fragmentar e sem perder a sua unidade e coerência, associando-se o conhecimento, a diversidade, a aprendizagem, a tolerância e/ou a participação.
A esta configuração associa-se também a inovação social que permite encontrar novas respostas para problemas não reconhecidos ou não solucionados, visando a transformação das relações sociais, a coesão das comunidades locais e o combate à exclusão (Moulaert et al. 2009; Klein e Harrisson 2007, André e Abreu 2006).
A conciliação destes conceitos – resiliência, criatividade e inovação social – coloca assim questões específicas à sua abordagem e desenvolvimento quando aplicada a processos colectivos com expressão territorial disruptiva cuja visibilidade e diluição no tempo assumem uma forma mais difusa. Qual o papel da resiliência face a estes factores disruptivos? Quais as suas fronteiras com o do conceito de "resistência" e de "sobrevivência"? Onde entra a criatividade e a inovação social nestes contextos numa perspectiva de "community (re)building"? Uma comunidade resiliente é necessariamente uma comunidade criativa e aberta à inovação social? Porquê? E o que é que isso poderá querer dizer, na prática, na reconfiguração dos papeis, das relações e dos desafios que se colocam aos vários actores em acção ou com acção junto destas comunidades?
- FREITAS, Maria João

- ESTEVENS, Ana
Maria João Freitas. *Socióloga, Investigadora Auxiliar no Núcleo de
Ecologia Social do Laboratório Nacional de Engenharia Civil,.Tem
desenvolvido atividade de investigação, contrato e consultoria técnica
em torno das questões da habitação e das questões urbanas, nomeadamente
em torno modelos de habitar, intervenções integradas de base
territorial, modelos de governança colaborativa, dinâmicas de ação
coletiva e processos de transformação e desenvolvimento sócio-territorial.