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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012
Associação Portuguesa de Sociologia
PAP1062 - Entre os interstícios das estruturas e a metamorfose social: uma reflexão sobre o impacto da pouca abrangência dos serviços públicos de saúde brasileiros na vida de crianças diagnosticadas com câncer
Este trabalho
analisa a trajetória
de crianças de 7 a
12 anos em
tratamento contra o
câncer,
institucionalizadas
temporariamente em
uma casa de apoio
localizada em
Fortaleza/Ceará/Brasil.
A metodologia
utilizada foi a
etnografia, aliada a
entrevistas
semiestruturadas. Os
brasileiros
diagnosticados com
câncer tem
disponível uma rede
pública de saúde
integral, universal
e gratuita formada
por unidades e
centros de alta
complexidade em
oncologia que tem
sido mantida e
aperfeiçoada ao
longo dos anos para
tratar a doença de
forma cada vez mais
eficaz. Entretanto,
apesar de sua
amplitude, o Sistema
Público de Saúde
brasileiro (SUS)
ainda não consegue
cobrir muitas
localidades,
principalmente nas
regiões norte e
nordeste do país.
Percebemos no estado
do Ceará (nordeste),
por exemplo, que
existe no sistema
público tratamento
completo de câncer
em apenas três
cidades. Este número
tem se mantido desde
a realização de
nossa pesquisa
realizada entre os
anos de 2004 e 2005.
Por seu caráter
grave, crônico,
mutilador e
potencialmente
letal, o câncer é
uma doença capaz de
trazer uma série de
transformações na
vida daqueles que
recebem seu
diagnóstico. O
impacto de um câncer
desestrutura a
criança emocional e
socialmente de forma
a mudar as
estruturas de suas
relações. Além
disso, em se
tratando de
localidades
desprovidas de
centros de
tratamento
especializado no
sistema público de
saúde, a criança é
obrigada a se
deslocar para
grandes centros
urbanos,
intensificando o
rompimento simbólico
após o diagnóstico e
ao longo do
tratamento. A teoria
do rito de passagem
facilitou o
entendimento dos
processos de
desconstrução das
relações familiares,
comunitárias,
escolares e a
construção de novos
vínculos na casa de
apoio e no hospital
a partir do olhar da
criança participante
do processo ritual.
Os dados da pesquisa
foram apresentados
primeiramente em
2005, através de um
trabalho
monográfico. Desde
então, pouco mudou
no interior do Ceará
no tocante à oferta
de tratamento do
câncer infantil.
Atualmente, trazemos
uma releitura dos
dados com novas
discussões para o
assunto,
demonstrando
principalmente que
muitas das
implicações do
diagnóstico do
câncer na vida das
crianças – desde a
mudança na forma de
comer até a completa
transformação na
estrutura familiar –
estão diretamente
relacionadas à falta
de um sistema
público de saúde
melhor distribuído
nas regiões
brasileiras.
- COSTA, Irlena M.M. da

- ANDRADE, J.T

- LIMA, R.C.A

Autora 1: Irlena Maria Malheiros da Costa
Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Estadual do Ceará (2005), cujo trabalho de conclusão de curso foi "Os meninos jesus: crianças com câncer acolhidas em uma casa de apoio". Tem experiência na área de Antropologia, com ênfase em Antropologia da Criança e da Saúde. É especialista em Saúde Pública pela Universidade Estadual do Ceará (2010). Atualmente, é aluna do Mestrado Acadêmico em Políticas Públicas e Sociedade (UECE) e seu interesse de pesquisa alia Antropologia, Sociologia e Políticas Públicas na compreensão de questões relativas à violência sexual infantil.
CV: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4506330U2
Autor 2: João Tadeu de Andrade
Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Ceará (1985), com Mestrado em Sociologia pela Universidade de Brasília (1990) e Doutorado em Antropologia pela Universidade Federal da Bahia (2004), tendo realizado estágios na Case Western Reserve University, nos EUA, e na London School of Hygiene and Tropical Medicine, na Inglaterra. Professor adjunto da Universidade Estadual do Ceará. Tem experiência em Antropologia médica, atuando nas seguintes áreas: sistemas e processos terapêuticos, medicina complementar, práticas de cura tradicional, humanização da atenção à saúde e métodos qualitativos de pesquisa. Atualmente realiza Pós-doutoramento na University of Toronto, Canada, com bolsa PDE do CNPq.
CV: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4782226D6
Autor 3: Roberto Cunha Alves de Lima
possui graduação em Antropologia pela Universidade de Brasília (1993) , mestrado em Antropologia Social pela Universidade Estadual de Campinas (1997) , doutorado em Antropologia pela Universidade de Brasília (2002) e pós-doutorado pelo Colegio de Mexico (2010) . Atualmente é Professor Adjunto da Universidade Federal de Goiás, Membro de corpo editorial da Sociedade e Cultura e Membro de corpo editorial da Cadernos de Campo (USP. 1991). Tem experiência na área de Antropologia , com ênfase em Teoria Antropológica. Atuando principalmente nos seguintes temas: Rio São Francisco, Memória, Antropologia Social, Mimesis, Narrativas. CV: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4700029J0