PAP0050 - Partidas, Largadas, Fugidas. Uma análise da saída de casa dos pais a partir dos pontos de viragem amorosos.
As diferenças de género no timing da saída de casa dos pais ao longo do tempo e do espaço europeu são consistentes. As mulheres
saem mais cedo de casa dos pais do que os homens, padrão em muito justificado (como, aliás, as diferenças entre os países e as
gerações) pela predominância destas na co-ocorrência da saída de casa com a entrada em papéis conjugais. Mas este padrão está a
alterar-se, sobretudo em países onde estas diferenças de género (quantitativas e qualitativas) na saída de casa dos pais são mais
evidentes. Com base em dados com representatividade europeia, pode afirmar-se que é precisamente essa uma das maiores
alterações nas sequências das transições para a vida adulta: a co-ocorrência feminina da saída de casa dos pais com a conjugalidade
tende a diminuir, aproximando-se das trajectórias masculinas (Nico, 2011).
A democratização e a feminização do ensino superior não explicam na totalidade esta recente tendência. Há, para além deste
fenómeno, aspectos relacionados com a “emergência de uma especificidade da individualização feminina” (Thomson, 2009) e com o
facto do período da transição para a vida adulta “ser o mais genderizado de todo o desenvolvimento humano” (Kimmel, 2008) que
simplesmente não são apreendidos através de uma análises ziguezagueantes entre países e gerações, mas sim necessariamente
através de uma metodologia centrada no indivíduo. Com base em 52 entrevistas de carácter biográfico alicerçadas em calendários de
vida, foram analisados os “turning points”, “inerentemente narrativos” (Abbott, 2001), associados a trajectórias e rupturas amorosas
durante o período de transição para a vida adulta, e o seu impacto nos processos de saída de casa dos pais e de redireccionamento do
curso de vida. Foram encontrados efeitos de género vários no impacto que o processo e rupturas amorosas têm na emancipação
residencial dos jovens adultos. Algumas evidências apontam, portanto, para uma dicotomização da ”especificidade da individualização
feminina” dos processos de transição para a vida adulta em Portugal.
Magda Nico, Investigadora de Pós Doutoramento do CIES - Instituto Universitário de Lisboa, actualmente a desenvolver um projecto sobre gerações, cursos de vida e mobilidade social.
Autora da tese de doutoramento "Transição Biográfica Inacabada. Transições para a Vida Adulta na Europa e em Portugal na Perspectiva do Curso de Vida", desenvolvida no CIES-Institutito Universitário de Lisboa.
Os principais interesses de investigação e temas de publicações são: Metodologias do Curso de Vida, Transições para a Vida Adulta e Mudança Social, Saída de casa dos pais, Gerações, Género e mais recentemente Mobilidade Social.