PAP0474 - Ter saúde na última fase da vida: lógicas do saber leigo
O mundo contemporâneo da saúde reúne
características que permitem a produção de
contextos sociais plurais, por vezes com
elementos contraditórios entre si. Nestes,
cada indivíduo constrói o seu espaço singular
face à saúde, apropriando-se e recriando no
seu quotidiano o material social que lhe é
mais significativo. Esta acção criativa
expressa um território de decisão e
transformação importante, a que acresce ainda
a diferença de expressão da saúde por
associação a cada etapa do trajecto de vida.
Cada tempo social de vida confere um pano de
fundo único na compreensão das lógicas que
movem as práticas e o pensar sobre a saúde
individual. Na velhice, a leitura realizada
sobre as mudanças fisiológicas ocorridas
determina a progressiva alteração de
necessidades, do tipo de problemas que podem
surgir, assim como a percepção que cada
indivíduo desenvolve sobre a sua condição,
recursos necessários e estratégias de actuação
adequadas. Nesta fase, ocorrem igualmente
significativas mudanças ao nível da estrutura
familiar, actividade económica e redes
sociais, com potenciais efeitos na saúde,
assim como no tipo de utilização dos recursos
sociais disponíveis. O ter saúde é uma noção
subjectiva em permanente mudança, construída
no confronto dinâmico entre as disposições
sociais dominantes ou mesmo residuais sobre o
significado de ser saudável. Constitui assim
um elemento micro de leitura das lógicas
sociais que estabelecem a condição pessoal
perante a saúde num certo tempo da vida, num
determinado tempo sócio-histórico. Por outro
lado, o progressivo aumento da esperança de
vida tem vindo a permitir o aparecimento de
uma última idade temporalmente mais longa, com
a possibilidade de ser vivida com mais saúde.
Esta expectativa social permite o
desenvolvimento de novas lógicas em torno da
noção de saúde pessoal, que importa analisar.
Com base na realização de entrevistas junto de
mulheres e homens em idade mais avançada,
procurou-se apreender e explorar as lógicas
que suportam à construção das suas noções
pessoais de saúde no seu tempo actual de
vida.
- GOMES, Inês

Inês Gomes é Investigadora Colaboradora no CESNOVA – Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa, onde actualmente desenvolve o seu doutoramento em sociologia, subordinado ao tema “Saúde e envelhecimento: Práticas e representações sociais de género”. Mestre em Saúde Pública, conta com um trajecto profissional e académico na área da saúde, tendo-se dedicado neste âmbito aos temas do envelhecimento e do género.
PAP1195 - A EMERGÊNCIA DE UM NOVO CORPO: O CONTRIBUTO DA EDUCAÇÃO FÍSICA E DESPORTO
Com esta comunicação pretendemos atingir os seguintes objectivos:
1 – Analisar o impacto que o discurso higienista teve na génese da Educação Física e Desporto;
2 – Discutir o papel que foi atribuído à Educação Física e Desporto no combate ao definhamento da raça.
Métodos/resultados: para analisarmos o problema enunciado seguimos a análise do discurso seguindo a perspectiva de Michel Foucault. Do trabalho que realizámos verificámos que o discurso higienista trouxe uma nova racionalidade, servindo para fazer a fundamentação à protecção colectiva e individual. O exercício físico surgiu, com a higiene, legitimado pelo saber científico. Desde o século XVII que assistimos a um discurso que relaciona a importância do exercício com a conservação da saúde. A grande aspiração da higiene era governar, ultrapassando os parâmetros da fisiologia, querendo também abraçar a sociologia e a moral. A ignorância, a incúria, fomentavam o viver anti-higiénico. Face a esta realidade, considerou-se que a escola poderia servir de instrumento de mudança. O apelo feito pela higiene veio contribuir para dar relevância à educação física e ao desporto. As vítimas que a surménage provocava e os trabalhos que Mosso desenvolveu, vieram colocar a necessidade de as reformas cuidarem da saúde dos jovens. Os trabalhos de antropologia escolar apareceram para se tentar saber a correlação existente entre o desenvolvimento físico e o desenvolvimento da inteligência. Daí que a avaliação antropométrica dos alunos tivesse ganho tão elevado interesse.
Como conclusão podemos dizer que a educação física e o desporto ganharam reconhecimento com o discurso higienista através do combate às doenças escolares. Foi num contexto de degenerescência da raça - como então se dizia - que se colocaram novas exigências à governação da população. Nesta viragem de mundividência, a população saudável passa a ser vista como uma riqueza. Para esta mundividência, foram muito importantes os contributos da política de saúde, da educação física e do desporto.
Palavras-chave: saúde, corpo, educação física, desporto.
- BRÁS, José Viegas

- GONÇALVES, Maria Neves

José Gregório Viegas Brás
Doutorado em História da Educação, pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, Universidade de Lisboa (2006).
Mestre em Ciências da Educação, pela Faculdade de Motricidade de Humana, Universidade Técnica de Lisboa (1990).
Professor Associado na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias (ULHT).
Coeditor da Revista Lusófona de Educação
Coeditor da revista electrónica Entretextos
Coordenador do Grupo de Investigação Memórias das Instituições Educativas e do Pensamento Pedagógico do Centro de Estudos e Intervenção em Educação e Formação (CeiEF) da ULHT.
Autor de diversas comunicações ( em eventos nacionais e estrangeiros).
Autor de diversos artigos publicados em livros, revistas nacionais e estrangeiras.
Maria Neves Leal Gonçalves
Professora Auxiliar na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias (ULHT) em Lisboa. Doutora em História da Educação, pela Universidade de Évora. É coeditora da Revista Lusófona de Educação. E co-coordenadora do Grupo de Investigação Memórias das Instituições Educativas e do Pensamento Pedagógico do Centro de Estudos e Intervenção em Educação e Formação (CeiEF) da ULHT. Áreas de interesse: Republicanismo, laicização do ensino; História do Currículo; Professores e Associativismo Docente.
PAP0556 - A FORMAÇÃO PARA O TRABALHO EM SAÚDE E O DEBATE SOBRE AS NOVAS COMPETÊNCIAS
Os anos noventa do século XX configuram-se como espaço de ruptura do modelo de organização e institucionalização do sistema de saúde brasileiro. A saúde é entendida como um direito com base nos princípios da integralidade, universalidade e equidade. Em tempos de ajustes macro-econômicos e politicas neoliberais ocorreu, no pais, a reforma democrática consubstanciada na Constituição Federal de 1988, espaço privilegiado para o protagonismo de vários movimentos sociais. Neste espaço, o movimento sanitário, exerceu uma contra-hegemonia política e cultural, ensejando a implantação de um modelo de saúde baseado no ideais da Reforma Sanitária, conseguindo incorporar legalmente parte de sua proposta na legislação do Sistema Único de Saúde (SUS). Neste cenário de modificações, reorganização, reestruturação do trabalho em saúde e redefinição do seu objeto, novas exigências são postas para os trabalhadores em saúde, e amplia-se o debate em relação a uma formação voltada para a construção de novas competências que não se restrinja ao aspecto técnico-instrumental, mas que possibilite uma ampliação e construção de competências organizacionais, comunicativas, comportamentais sociais, intelectuais e técnicas. Adotando a perspectiva histórico/crítica e a visão de totalidade na abordagem da relação entre Educação, Trabalho e Saúde, esta pesquisa objetivou analisar o processo de formação dos enfermeiros participantes do Centro de Educação Permanente em Saúde (CEPS) em Aracaju/SE/Brasil, desenvolvido com base na reestruturação organizacional do modelo de saúde e da política de qualificação empreendida no período de 2002 a 2006, conforme princípios orientadores da Política de Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde. A abordagem qualitativa por meio estudo de caso possibilitou a consulta de diferentes fontes bibliográficas (revisão da literatura) e documentais como: o relatório de gestão, projeto político pedagógico do Curso de Especialização Integrado em Saúde Coletiva (EISC). O acesso aos respondentes da pesquisa ocorreu com a realização de dezessete entrevistas semi-estruturadas com os enfermeiros que participaram da EISC. Especial destaque foi atribuído à pedagogia do fator de exposição, utilizada no CEPS, significando um modo de ver e intervir, uma possibilidade pedagógica real e coerente de se exercer uma ação educacional política problematizadora da realidade, visando à transformação das práticas com base nos conteúdos trabalhados. Os resultados descobr
- BORGES, J.Lusitânia de J
- CRUZ, Maria Helena Santana
PAP0317 - A noção de “saúde mental” e a funcionalidade político-científica da psiquiatria contemporânea: uma problematização
Esta comunicação, diretamente relacionada à minha pesquisa de doutorado em curso, tem como objetivo questionar a funcionalidade político-científica da psiquiatria de orientação biológica contemporânea. Em um primeiro momento, a partir da reflexão de Michel Foucault no curso "Os Anormais" [1974-1975], trata-se de evidenciar como o poder médico-psiquiátrico alcançou, ainda no século XIX, a noção de virtualidade da patologia. Examina-se, desse modo, como a psiquiatria, em seu processo de “desalienização”, pôde tornar patológicas diversas condutas sem referir-se à alienação propriamente dita. Assim, com a difusão do poder médico-psiquiátrico sobre o não patológico, ressaltamos, por meio da noção foucaultiana de biopolítica, a importância da vida biológica e da saúde dos indivíduos e da população como problemas de poder e governo. Considerado então o valor político do dado biológico, trata-se de problematizar e questionar como – e de acordo com quais mecanismos de poder – a psiquiatria contemporânea de orientação biológica e a Organização Mundial da Saúde (OMS) podem operar uma significativa mudança de paradigma com a incorporação do elemento mental no conceito de saúde. Essa expressiva transformação de paradigma destinada à incitação da “saúde mental” – de fundamental importância para essa comunicação – encontra-se oficializada no Relatório Mundial da Saúde de 2001, da OMS, e sublinhada já no título do documento, a saber: "Saúde Mental: nova concepção, nova esperança". A partir da indicação a respeito da substituição do conceito moderno de “doença mental” pelo contemporâneo de “saúde mental”, a finalidade dessa comunicação é problematizar o poder médico-psiquiátrico contemporâneo da seguinte forma: i) qual pode ser a lógica de um paradoxo que amplia a nomenclatura do patológico (como atesta o DSM-IV [1994] – "Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais", da Associação Americana de Psiquiatria) e reforça simultaneamente a necessidade de “saúde mental”; ii) de que maneira a intensificação da saúde e a eliminação do sofrimento podem afetar, modular e moldar a experiência do indivíduo contemporâneo; iii) como, por meio da noção de saúde e a pretexto de incentivá-la, a vigilância e o controle científicos da psiquiatria podem criar formas de subjetivação dos indivíduos, determinando o modo de se viver em sociedade.
- CORBANEZI, Elton Rogério

Elton Rogério Corbanezi. Possui Graduação em Ciências Sociais (bacharelado e licenciatura) pela Faculdade de Filosofia e Ciências da Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (FFC/Unesp) e Mestrado em Sociologia pelo Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas (IFCH/Unicamp). Foi bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) em Iniciação Científica e no Mestrado, com pesquisa em Michel Foucault, Friedrich Nietzsche e Machado de Assis, em relação aos seguintes temas: racionalidade médica, psiquiatria, loucura, razão, modernidade, literatura e sociedade. Atualmente é doutorando em Sociologia pelo IFCH/Unicamp e bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), com pesquisa sobre a depressão e os processos de subjetivação provocados pelos dispositivos psiquiátricos contemporâneos.
PAP1233 - A participaçao dos cidadãos nos cuidado primario de saude. A experiencia dos Conselhos de Comunidade.
Os temas da participação e da governance têm assumido grande relevância no âmbito das democracias ocidentais, tendo-se multiplicado, nos últimos anos, as iniciativas de participação provenientes da sociedade civil. Esse debate, muito intenso entre os cientistas sociais a partir dos anos 80, aplica-se com grande vitalidade à discussão sobre participação nos sistemas de saúde. De facto, um dos temas centrais dos processos de reforma sanitária dos últimos vinte anos tem sido o reconhecimento da centralidade do utente e da importância da sua voz e da sua perspectiva de análise. Em Portugal, o Plano Nacional de Saúde 2004-2010 tem atribuído muita importância à participação dos cidadãos e tem reafirmado o compromisso do Ministério da Saúde em apoiar o desenvolvimento de diversos mecanismos para envolver pacientes, utentes e comunidades. O Decreto-Lei n.º 28/2008 instituiu os Conselhos de Comunidades (CC) nos Agrupamento dos Centros de Saúde (ACES) com o objectivo de aumentar a ligação dos cuidados primários aos cidadãos e incentivar, portanto, a participação dos diferentes atores. Depois de algumas dificuldades iniciais, a partir de 2010 acelerou-se o processo de constituição dos CC nas cinco Administrações Regionais de Saúde. Numa pesquisa exploratória, a nível nacional, realizada pelo Centro de Estudos Sociais e Centro de Estudos e Investigação em Saúde da Universidade de Coimbra foi possível analisar com detalhe o processo de constituição dos CC e reunir informações sobre o seu funcionamento, a sua composição e os principais obstáculos que se lhe interpuseram na primeira fase de implantação. A maioria dos ACES (quase 80% dos que responderam ao inquérito) já criaram os respetivos CC, embora seja ainda limitada a avaliação da sua atividade devido às poucas reuniões realizadas até ao momento em que foi aplicado o inquérito. Entre as barreiras identificadas durante o processo de constituição e de desenvolvimento dos Conselhos, cabe destacar as seguintes: i) Inércia das entidades na nomeação dos representantes; ii) Dispersão geográfica entre os elementos constituintes do CC; iii) Influência excessiva das autarquias; iv) Falta de associações de utentes para constituir o CC. Sem dúvida, o ponto mais crítico, pelo menos nesta primeira fase de implantação dos CC, é a limitada presença de associações de utentes nas áreas de atuação dos ACES. De facto, o estudo desenvolvido revelou que cerca de metade dos CC não incluem entre as entidades representadas na sua constituição os representantes das associações de utentes. Para além disso, questiona-se se a atual composição dos CC é realmente adequada para dar voz aos utentes dos cuidados de saúde primários. Ou seja, face a uma ampla presença de porta-vozes das câmaras municipais e de outras instituições (sindicatos, hospitais, escolas, etc.), não se poderá considerar insuficiente a representação dos utentes na constituição do CC?
- SERAPIONI, Mauro

- FERREIRA, Pedro Lopes

- ANTUNES, Patrícia

Mauro Serapioni é licenciado em Ciências Políticas e Sociais pela Universidade de Bolonha (1983), obteve o mestrado em Gestão dos Sistemas Locais de Saúde pelo Instituto Superior de Saúde de Roma (1994) e possui o doutorado em Ciências Sociais e Saúde pela Universidade de Barcelona (2003). Atualmente é investigador do Centro de Estudos Sociais e docente do Doutorado “Democracia no Século XXI” da Universidade de Coimbra. Anteriormente foi Visiting Fellow da Universidade de Bolonha, professor da Universidade Estadual do Ceará, consultor da Organização Pan-Americana de Saúde e do Ministério de Saúde do Brasil, docente da Universidade de Bolonha (UNIBO) e da Universidade de Modena e Reggio Emilia (UNIMORE). Principais áreas de investigação: Participação dos cidadãos no sistema de saúde, Desigualdades sociais e saúde, Avaliação de serviços e políticas de saúde, Processo de reforma do sistema de saúde. É autor de vários trabalhos publicados em Brasil, Itália, Portugal e França, sobre essas temáticas.
Pedro Lopes Ferreira licenciou-se em Matemática Aplicada pela FCTUC (1976), obteve o Mestrado em Ciências da Computação (1987) pela mesma Universidade e possui o PhD Industrial Engineering (Decision theory – Health systems) pela Universidade de Wisconsin-Madison, EUA (1990). É atualmente Professor Associado com Agregação da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, onde tem lecionado unidades curriculares de Economia da Saúde, Medição em Saúde, Políticas e Sistemas de Saúde e Estatística. É Diretor do Centro de Estudos e Investigação em Saúde da Universidade de Coimbra (CEISUC), Coordenador do Observatório Português dos Sistemas de Saúde (OPSS), Membro fundador do Capítulo IberoAmericano da International Society of Quality of Life (ISOQOL) e Coordenador do Mestrado em Gestão e Economia da Saúde e da Pós-graduação em Economia e Gestão nas Organizações de Saúde da FEUC. Tem diversos trabalhos publicados em revistas científicas nacionais e internacionais, assim como alguns livros.
Patrícia Antunes licenciou-se em Economia pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (2006), realizou a Pós-Graduação em Gestão e Organização dos Cuidados de Saúde Primários na Escola Nacional de Saúde Pública – Universidade Nova de Lisboa (2008) e obteve o Mestrado em Gestão e Economia da Saúde pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (2010). Exerce funções como Técnica Superior no Departamento de Contratualização – Cuidados de Saúde Primários da Administração Regional de Saúde do Centro. É investigadora no Centro de Estudos e Investigação em Saúde da Universidade de Coimbra (CEISUC) e colaboradora, desde 2008, do Observatório Português dos Sistemas de Saúde (OPSS). Tem um livro publicado na área da avaliação da satisfação dos utilizadores dos cuidados de saúde primários.
PAP1016 - De um modelo biomédico de saúde a um modelo reflexivo de saúde: controvérsias em torno do Testamento Vital
O processo de afirmação e respeito pelos direitos humanos, particularmente das pessoas doentes, tem assumido uma maior centralidade na sociedade portuguesa, nomeadamente no que respeita ao direito ao acesso à informação pessoal do doente, ao consentimento informado em cuidados de saúde e à possibilidade de emitir declarações antecipadas de vontade, jurídica e socialmente designadas por Testamento Vital, uma manifestação escrita que declara antecipadamente a sua vontade em relação a cuidados de saúde que deseja ou não receber no caso de se encontrar incapaz de se expressar pessoalmente e de forma autónoma.
Esta comunicação pretende reflectir sociologicamente sobre os juízos que estão na origem da criação das directivas antecipadas de vontade, não se tratando apenas de um instrumento de regulamentação de vontades em relação ao fim de vida, mas de toda uma atitude reflexiva em torno da autodeterminação da pessoa doente e dos dilemas e controvérsias a que estes estão sujeitos na sua vulnerabilidade.
Partindo da génese da controvérsia pretendo caracterizar dois sistemas de argumentação, onde os modos de envolvimentos dos agentes envolvidos na disputa se fazem a partir de uma maior ou menor autonomia e autodeterminação face aos cuidados de saúde a que são sujeitos.
O modelo biomédico de saúde, centrado no avanço das tecnologias da saúde e das ciências da vida, através da criação de novos instrumentos de prevenção, diagnóstico e análise cada vez mais sofisticados, que define a doença através de critérios objectivos, coloca o profissional de saúde no centro da acção médica, e defende que um corpo pode voltar a ser saudável quando submetido a um tratamento médico assistindo-se a um aumento da esperança média de vida e por consequência de situações de doença terminal, que levam a um prolongamento desnecessário da vida humana e de situações de grande sofrimento que podem advir deste modelo de acção. A partir da reflexão sobre este modelo de cuidados de saúde surge uma nova problemática mais direccionada aos direitos das pessoas doentes destacando todo um conjunto de questões relacionadas com a bioética, assumindo uma maior sensibilidade pelos direitos individuais dos doentes, no que respeita à sua situação de dependência, vulnerabilidade e dignidade, surgindo a necessidade de regulamentação que destaque o direito dos doentes relativamente à sua autonomia em cuidados de saúde, quebrando-se o papel de doente passivo, sem poder de acção decisivo sobre o seu tratamento e processo de cura.
- VICENTE, Inês Pedro

Inês Pedro Vicente é Licenciada em Sociologia pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e mestranda da mesma instituição em Sociologia, especialização em Conhecimento Educação e Sociedade, sob a orientação do Professor Doutor José Manuel Resende, com o projecto Controvérsias públicas em torno do direito dos doentes à informação e ao consentimento informado e às directivas antecipadas de vontade e bolseira de investigação da Fundação para a Ciência e Tecnologia no projecto Construindo caminhos para a morte: uma análise de quotidianos de trabalho em cuidados paliativos, desenvolvido pelo CESNOVA – Centro de Estudos em Sociologia da Universidade Nova de Lisboa.
PAP1020 - Dilemas éticos e morais em torno de uma doença genética autossómica dominante
Esta comunicação insere-se na investigação de doutoramento em Sociologia, integrada no CesNova, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, iniciada em 2007, com orientação do Prof. Doutor José Manuel Resende, intitulada A construção social do estigma dos doentes de Machado-Joseph: os dilemas científicos, morais e sociais.
Pretende-se reflectir sobre as controvérsias em torno da doença de Machado-Joseph, procurando perceber as lógicas de acção dos diversos actores envolvidos.
Procurar-se-ão apresentar os resultados da recolha de informação realizada ao longo dos últimos dois anos em Portugal e no Brasil, mais especificamente nas ilhas de São Miguel e Flores no Arquipélago dos Açores e em Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul no Brasil.
Para esta comunicação integrada no doutoramento em Sociologia, foram realizadas entrevistas semi-estruturadas (cerca de 70 entrevistas) numa perspectiva de "narração de vida" a doentes, portadores, cuidadores e familiares acompanhantes, em São Miguel e Flores (nos Açores) e em Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul (no Brasil), com questões que abordaram as experiências do sujeito e as suas concepções sobre saúde e doença, relações e interacções com os outros actores sociais envolvidos, abordando-se também a experimentação da fase inicial da doença e do seu diagnóstico, as controvérsias relativas ao diagnóstico pré-natal e teste preditivo numa situação de transmissão autossómica dominante e consequente hereditariedade da DMJ. Além destes actores, também foram entrevistados, em Portugal e no Brasil, especialistas médicos e profissionais de saúde, e um terceiro grupo de actores constituído por técnicos e dirigentes de Ong’s e IPSS’s que apoiam estes doentes e familiares.
Nesta investigação recorreu-se às teorias crítica e da justificação durante todo o processo de investigação, desde a problematização e fundamentação do quadro de referência à pesquisa empírica e análise de conteúdo.
Parte-se do pressuposto que a reflexividade é uma característica dos actores e que estes apresentam denúncias e críticas perante o que consideram (des)igual e (in)justo. Assim, nesta pesquisa pretende-se responder às questões: como as famílias vivenciam a experiência da visibilidade social desta doença crónica incapacitante nas várias regiões em análise? Que factores influenciam as vivências da doença? Que denúncias de (in)justiça são apresentadas pelos actores face à desigual distribuição e acesso ao diagnóstico e à saúde?
- SOARES, Daniela

Nome: Daniela Almeida de Medeiros de Sousa Soares
Afiliação institucional: Doutoranda na FCSH-UNL, investigadora (não doutorada) do CESNOVA, investigadora (não doutorada) do CESUA, assistente convidada no Departamento de História, Filosofia e Ciências Sociais da Universidade dos Açores.
Área de formação: Licenciada e mestre em Sociologia
Interesses de investigação: Sociologia da Saúde; Metodologias de Investigação
PAP1482 - Doença psiquiátrica e Itinerários terapêuticos – contributos para uma reflexão sobre a reconfiguração dos cuidados formais de saúde mental
Pese embora uma legislação pioneira, que desde a década de 60 preconiza um sistema de cuidados psiquiátricos de proximidade, integrados no seio da própria comunidade – por contraposição ao modelo tradicionalmente vigente, centrado nas grandes instituições psiquiátricas (“totais”) –, Portugal só muito recentemente iniciou o seu processo de desinstitucionalização. Trata-se de um processo de reconfiguração dos serviços formais de saúde mental que se tem traduzido num desigual andamento dos objectivos estabelecidos pelo Plano Governamental. Com efeito, tem-se assistido mais rapidamente ao desmantelamento dos hospitais psiquiátricos do que à criação dos correspondentes serviços alternativos na comunidade. No actual contexto de crise financeira (como se sabe, já traduzida em significativos retrocessos do Estado Social), é muito elevado o risco de que o processo de desinstitucionalização em curso venha a ser interrompido ou venha a concretizar-se de forma muito incompleta, potenciando o aprofundamento da vulnerabilidade das pessoas com doença mental e suas famílias. É este um risco tanto mais elevado quanto se sabe que, historicamente, estamos perante um domínio tendencialmente desvalorizado pelo investimento estatal, mesmo em tempos de relativa estabilidade económica. Assim sendo, perante um tal enquadramento, é acrescida a responsabilidade da Sociologia quanto à realização e disseminação de estudos empiricamente sustentados, capazes de contribuir para uma profícua reflexão sobre os desafios em causa. É precisamente neste sentido que se propõe a presente comunicação. Partindo dos resultados de um estudo recentemente concluído no Centro de Estudos Sociais, analisam-se os itinerários terapêuticos de um conjunto de homens e mulheres com diagnósticos de doença mental (esquizofrenia e doença bipolar). Tendo como referência as suas primeiras experiências de institucionalização hospitalar, a análise faz-se percorrendo as seguintes fases: fase que antecede o 1º internamento; fase coincidente com o 1º internamento; fase posterior ao 1º internamento. Do estudo empreendido, decorrem importantes conclusões quanto às características das modalidades de acompanhamento actualmente existentes, bem como à forma como estas se articulam (ou não) entre si. Numa última análise, pela forma como permite identificar quer os aspectos mais negativos, quer os aspectos mais positivos do modelo vigente, a análise dos itinerários individuais permite-nos escrutinar um conjunto de ilações para o futuro, não apenas sobre os caminhos que se devem abandonar, como também sobre os caminhos que se devem manter/desenvolver, como, finalmente, sobre os caminhos que se devem reinventar ou até mesmo inventar de novo no sentido de incrementar o mais possível os níveis de bem-estar e de autonomia de quem tem uma doença mental.
- NOGUEIRA, Cláudia
PAP1062 - Entre os interstícios das estruturas e a metamorfose social: uma reflexão sobre o impacto da pouca abrangência dos serviços públicos de saúde brasileiros na vida de crianças diagnosticadas com câncer
Este trabalho
analisa a trajetória
de crianças de 7 a
12 anos em
tratamento contra o
câncer,
institucionalizadas
temporariamente em
uma casa de apoio
localizada em
Fortaleza/Ceará/Brasil.
A metodologia
utilizada foi a
etnografia, aliada a
entrevistas
semiestruturadas. Os
brasileiros
diagnosticados com
câncer tem
disponível uma rede
pública de saúde
integral, universal
e gratuita formada
por unidades e
centros de alta
complexidade em
oncologia que tem
sido mantida e
aperfeiçoada ao
longo dos anos para
tratar a doença de
forma cada vez mais
eficaz. Entretanto,
apesar de sua
amplitude, o Sistema
Público de Saúde
brasileiro (SUS)
ainda não consegue
cobrir muitas
localidades,
principalmente nas
regiões norte e
nordeste do país.
Percebemos no estado
do Ceará (nordeste),
por exemplo, que
existe no sistema
público tratamento
completo de câncer
em apenas três
cidades. Este número
tem se mantido desde
a realização de
nossa pesquisa
realizada entre os
anos de 2004 e 2005.
Por seu caráter
grave, crônico,
mutilador e
potencialmente
letal, o câncer é
uma doença capaz de
trazer uma série de
transformações na
vida daqueles que
recebem seu
diagnóstico. O
impacto de um câncer
desestrutura a
criança emocional e
socialmente de forma
a mudar as
estruturas de suas
relações. Além
disso, em se
tratando de
localidades
desprovidas de
centros de
tratamento
especializado no
sistema público de
saúde, a criança é
obrigada a se
deslocar para
grandes centros
urbanos,
intensificando o
rompimento simbólico
após o diagnóstico e
ao longo do
tratamento. A teoria
do rito de passagem
facilitou o
entendimento dos
processos de
desconstrução das
relações familiares,
comunitárias,
escolares e a
construção de novos
vínculos na casa de
apoio e no hospital
a partir do olhar da
criança participante
do processo ritual.
Os dados da pesquisa
foram apresentados
primeiramente em
2005, através de um
trabalho
monográfico. Desde
então, pouco mudou
no interior do Ceará
no tocante à oferta
de tratamento do
câncer infantil.
Atualmente, trazemos
uma releitura dos
dados com novas
discussões para o
assunto,
demonstrando
principalmente que
muitas das
implicações do
diagnóstico do
câncer na vida das
crianças – desde a
mudança na forma de
comer até a completa
transformação na
estrutura familiar –
estão diretamente
relacionadas à falta
de um sistema
público de saúde
melhor distribuído
nas regiões
brasileiras.
- COSTA, Irlena M.M. da

- ANDRADE, J.T

- LIMA, R.C.A

Autora 1: Irlena Maria Malheiros da Costa
Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Estadual do Ceará (2005), cujo trabalho de conclusão de curso foi "Os meninos jesus: crianças com câncer acolhidas em uma casa de apoio". Tem experiência na área de Antropologia, com ênfase em Antropologia da Criança e da Saúde. É especialista em Saúde Pública pela Universidade Estadual do Ceará (2010). Atualmente, é aluna do Mestrado Acadêmico em Políticas Públicas e Sociedade (UECE) e seu interesse de pesquisa alia Antropologia, Sociologia e Políticas Públicas na compreensão de questões relativas à violência sexual infantil.
CV: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4506330U2
Autor 2: João Tadeu de Andrade
Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Ceará (1985), com Mestrado em Sociologia pela Universidade de Brasília (1990) e Doutorado em Antropologia pela Universidade Federal da Bahia (2004), tendo realizado estágios na Case Western Reserve University, nos EUA, e na London School of Hygiene and Tropical Medicine, na Inglaterra. Professor adjunto da Universidade Estadual do Ceará. Tem experiência em Antropologia médica, atuando nas seguintes áreas: sistemas e processos terapêuticos, medicina complementar, práticas de cura tradicional, humanização da atenção à saúde e métodos qualitativos de pesquisa. Atualmente realiza Pós-doutoramento na University of Toronto, Canada, com bolsa PDE do CNPq.
CV: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4782226D6
Autor 3: Roberto Cunha Alves de Lima
possui graduação em Antropologia pela Universidade de Brasília (1993) , mestrado em Antropologia Social pela Universidade Estadual de Campinas (1997) , doutorado em Antropologia pela Universidade de Brasília (2002) e pós-doutorado pelo Colegio de Mexico (2010) . Atualmente é Professor Adjunto da Universidade Federal de Goiás, Membro de corpo editorial da Sociedade e Cultura e Membro de corpo editorial da Cadernos de Campo (USP. 1991). Tem experiência na área de Antropologia , com ênfase em Teoria Antropológica. Atuando principalmente nos seguintes temas: Rio São Francisco, Memória, Antropologia Social, Mimesis, Narrativas. CV: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4700029J0
PAP1325 - Estudo da Anatomia da Saúde Pública a Partir da Análise às Veias de Orientação Estratégica e Prática da Estratégia da Saúde EU (2008-2013)
Estudo da Anatomia da Saúde Pública a Partir da Análise às Veias de Orientação Estratégica e Prática da Estratégia da Saúde EU (2008-2013)
Mónica de Melo Freitas
Doutoranda em Sociologia
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas e Universidade Nova de Lisboa
Investigadora em Estudos Sociais
Centro de Investigação em Estudos Sociais CESNOVA
monicaflul@hotmail.com
José Manuel Resende
Prof. Associado e Orientador Científico
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa FCSH/UNL
Investigador em Estudos Sociais
Centro de Investigação em Estudos Sociais CESNOVA
josemenator@hotmail.com
Maria João Nicolau dos Santos
Profa. Associada e Co-Orientadora Científica
Instituto Superior de Economia e Gestão ISEG
Investigadora SOCIUS
mjsantos@gmail.com
RESUMO
O presente artigo visa sobretudo compreender em que medida as linhas de orientação da estratégia de saúde EU (2008-2013) vêm sendo incorporada pelas políticas públicas de saúde dos estados membros da CE e que argumentos justificativos foram accionados com vista a mobilizar os actores a realizarem a referida incorporação.
Partindo do pressuposto que a referida estratégia não foi integrada na sua totalidade pelos estados – membros e demais parceiros da CE , devido às assimetrias existentes nas linhas de orientação estratégica e de acção http://ec.europa.eu/health/strategy/docs/midtermevaluation_euhealthstrategy_2011_report_en.pdf, consultado em 26.11.11), propomos analisar as lógicas argumentativas que estiveram na base da mobilização social a partir da Grelha Taxonómica das Lógicas de Justificação (Boltanski & Thèvénot, 1991).
Acreditamos que a compreensão das lógicas de justificação que estiveram na base da mobilização social dos actores da saúde possui a pertinência de dar a conhecer aos outros actores e instituições interessadas, a possibilidade de tomarem conhecimento do que verdadeiramente move os actores deste sector.
Importa-nos ainda neste artigo, verificarmos até que ponto as referidas lógicas de justificação mobilizadas incentivam ou não a prática da Responsabilidade Social e a constituição de clusters da saúde, pelo facto destas estratégias terem sido evidenciadas pelos autores ligados à economia e à gestão, como as formas mais viáveis de conciliação dos interesses relacionados ao bem - comum e à prosperidade económica (Almeida, 2010); (Blownfield & Murray, 2010); (Krisher, Nueva Sociedad:202); (Lee, 2007); Rego, Cunha, Costa, Gonçalves, Cabral-Cardoso (2006), (Porter, 1996).
- FREITAS, Mónica de Melo

Mónica de Melo Freitas
É Doutoranda em Sociologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e Investigadora Associada no Centro de Estudos Sociológicos da Universidade Nova de Lisboa.
No âmbito do Doutoramento realiza uma investigação intitulada «A Responsabilidade Social e a Saúde: Um Estudo Compreensivo das Lógicas de Acção, Sentidos e Valores» sob a orientação científica do Professor Doutor José Resende da Universidade Nova de Lisboa e co-orientação científica da Professora Doutora Maria João dos Santos do Instituto Superior de Economia e Gestão.
Realiza um projecto voluntário de investigação científica nas áreas da Segurança e da Defesa em conjunto com a Escola da Guarda Nacional Republicana e com a Universidade Nova de Lisboa com o seguinte título «Angola, Brasil e Portugal: Um Triângulo Estratégico e Técnico - Operacional de Expressão Portuguesa com Potencialidades Internacionais.
Realizou o estudo acerca das potencialidades e dificuldades para a constituição de um cluster na área da saúde em Cascais o qual foi integrado na Agenda XXI (2008) do Concelho de Cascais.
Participou no 12 th European Congress on Creativity and Innovation que decorreu no Algarve entre os dias 14 e 17.09.11, com a apresentação da Comunicação «O Estudo da Responsabilidade Social da Saúde em Portugal» com publicação em e-book.
Integrou a equipa de investigadores da Universidade Nova de Lisboa que participou no Congresso Luso-Afro-Brasileiro que se realizou entre os dias 10 e 14.08.11 em Salvador da Bahia – Brasil, tendo apresentado neste a comunicação intitulada «A Responsabilidade Social enquanto ferramenta estratégica de redução de conflitos e de concertação da acção social entre os actores da área da Saúde» com publicação no anal a ser editado pelo Congresso.
Foi convidada a fazer publicações pela China-USA Business Review em 15 de Setembro de 2011 devido à sua apresentação no 12th European Congress on Creativity and Innovation.
PAP0739 - Factores estruturais, práticas e consumo – Impactos percebidos e efectivos na saúde das crianças
Investigação realizada pela Organização Mundial
de Saúde demonstra que as causas ambientais são
um dos principais factores que influenciam a
mortalidade/morbilidade das crianças com menos
de 5 anos. Problemas como a poluição do ar
exterior e interior, contaminação da água,
produtos tóxicos e a degradação dos
ecossistemas estão entre os principais factores
de risco de origem ambiental para as crianças.
Nos países desenvolvidos a poluição do ar (seja
exterior, seja interior) surge como uma das
preocupações principais em termos de impactos
sobre a saúde das crianças.
Tendo em consideração que na região do Alentejo
Litoral está instalado um dos principais
clusters industriais em Portugal, um consórcio
de diferentes organizações juntaram-se para
procurar avaliar o impacto que a poluição
industrial pode estar a ter nas populações e,
muito em particular, nas crianças. O projecto
GISA – Gestão Integrada de Saúde e Ambiente na
região do Alentejo Litoral apresenta como
principal objectivo desenvolver um sistema de
gestão que possibilite às autoridades locais,
regionais e nacionais, bem como aos diferentes
grupos de interesse, analisarem a evolução da
poluição do ar e os seus potenciais impactos na
região do Alentejo Litoral.
Uma das principais linhas de investigação do
GISA prende-se com a procura de compreender o
impacto da poluição do ar nas crianças com
menos de 2 anos de idade. Para o cumprimento
deste objectivo foram realizados inquéritos
presenciais a mais de 1600 mães dos concelhos
de Alcácer do Sal, Grândola, Santiago do Cacém,
Sines e Odemira, tendo estes sido
complementados com 20 entrevistas em
profundidade. A informação recolhida permite
monitorizar indicadores sócio-económicos
(profissão, condições de habitabilidade,
contexto familiar) e indicadores culturais
(estilos de vida; práticas alimentares, de
cuidado pessoal e de consumo; práticas
relacionadas com a saúde) que poderão assumir
um papel relevante na saúde das crianças.
Permite ainda conhecer as percepções das mães
sobre relações potenciais entre factores
estruturais, práticas quotidianas, práticas de
consumo e a saúde das crianças.
Os resultados preliminares apontam no sentido
de uma reduzida percepção dos possíveis
impactos dos diferentes indicadores em análise
sobre a saúde das crianças, particularmente dos
relacionados com práticas quotidianas. A
elevada confiança depositada nos profissionais
de saúde enquanto conselheiros sobre as
melhores práticas, associado ao facto destes
não integrarem no seu aconselhamento muitos das
práticas e factores em análise, surge como uma
interessante hipótese de trabalho para explicar
os resultados obtidos.
- FONSECA, Susana

- NAVE, Joaquim Gil
- PEREIRA, Maria João
- RIBEIRO, Manuel
- SANTOS, Fernanda
- Susana Maria Duarte Fonseca
- Doutoranda do ISCTE-IUL no Programa de Doutoramento em Sociologia a trabalhar no projecto: “O princípio da prevenção nas políticas de ambiente - o caso da eficiência energética”;
- Colabora em projectos de investigação na área da sociologia do Ambiente no ISCTE– UL (Projecto GISA - Gestão Integrada da Saúde e do Ambiente no Litoral Alentejano) e no ICS-UL (Net Zero Energy School – Reaching the Community e Consensos e controvérsias socio-técnicas sobre energias renováveis);
- Tem colaborado em vários projectos de investigação nas áreas da percepção de risco, representações sociais, movimentos sociais, energia, ambiente e saúde;
- Voluntária da Quercus, tendo sido membro da Direcção Nacional entre Março de 2003 e Dezembro de 2011.
PAP1150 - Mais é melhor? Das escolhas aos desafios conceptuais e metodológicos em narrativas pessoais de doença.
Na heterogeneidade daquilo que é culturalmente entendido e vivenciado enquanto doença, um formato de concepção e análise desse fenómeno tem ganho crescente relevância nos estudos sociais da saúde e da medicina, as narrativas de experiência pessoal de doença.
Estas permitem reconhecer o modo como os indivíduos constroem materiais para explorar a forma pela qual atribuem sentido à experiência de doença, e possibilitam igualmente aceder aos modelos explicativos e protótipos salientes (Kleinman, 1989) a partir dos quais constituem e definem as suas experiências para e com o conhecimento biomédico. É a partir da relação com este tipo particular de conhecimento que vão fazer uso do vocabulário e conceitos ali apreendidos e, consequentemente, estabelecer algum tipo de ligação, mais ou menos informada, com o sistema biomédico.
No projecto de investigação “Avaliação do estado do conhecimento público sobre saúde e informação médica em Portugal”, procuramos explorar, através das narrativas de doença, novas abordagens sobre a experiência da doença e, particularmente, colocar a tónica naquilo que é a multiplicidade e singularidade de experiências, usando uma metodologia designada por sampling for range (Small, 2009), isto é, ao invés de procurar a representatividade estatística, são selecionados casos para entrevistas procurando cobrir uma diversidade de situações associadas a uma patologia específica. Deste modo, torna-se possível explorar os diferentes modos pelos quais emergem as experiências e trajetórias dos sujeitos em relação à doença.
Procuramos, assim, através da apresentação das ferramentas metodológicas privilegiadas no projecto (particularmente o MINI – McGill Illness Narrative Interview, um guião de entrevista) e da sua articulação com resultados preliminares do mesmo, contribuir para um adensamento da discussão em torno das narrativas pessoais de doença (p.e. definição daquilo que conta como conhecimento da doença e do significado do conhecimento baseado na experiência), bem como para um levantamento sobre os desafios conceptuais e metodológicos que tal escolha apresenta.
- BARRADAS, Carlos
- NUNES, João Arriscado
- QUEIRÓS, Ana Filipa
- SERRA, Rita
PAP0085 - Medindo pobreza, riqueza e desigualdade em saúde
A quantificação da
desigualdade, da
pobreza e, mais
recentemente, da
riqueza tem o seu
espaço próprio na
literatura
especializada. A
aplicação de medidas
tradicionais no
contexto de
avaliação da
distribuição do
rendimento pode ser
desenvolvida com
vantagem no contexto
da avaliação
empírica da saúde. A
nossa contribuição
para a literatura
está na utilização
desse tipo de
medidas com base num
índice de saúde
susceptível de
captar a
multidimensionalidade do
fenómeno. Ilustramos
a aplicação das
medidas de pobreza,
riqueza e
desigualdade em
saúde ao caso
português, usando
dados do último
Inquérito Nacional
de Saúde (INS).
A análise da
desigualdade e da
pobreza –
tradicional no
contexto de
avaliação da
distribuição do
rendimento – pode
ser alargada a
outras dimensões de
fenómenos mais
abrangentes como o
desenvolvimento dos
países ou o
bem-estar das suas
populações.
Enquadra-se neste
âmbito, por um lado,
a literatura que tem
procurado explorar,
de forma individual,
cada uma dessas
dimensões adicionais
e, por outro, a
vertente que se tem
centrado na leitura
multidimensional da
pobreza e da
desigualdade. Neste
artigo, seguimos a
primeira destas vias
de análise,
centrando o nosso
foco na dimensão
saúde.
Adicionalmente,
agregamos à
avaliação da
desigualdade e da
pobreza a leitura da
riqueza em saúde,
alargando, desta
forma, a abrangência
do conceito. Apesar
de relativamente
escassos, é possível
identificar na
literatura
especializada,
contributos no
sentido da
mensuração da
pobreza e da
desigualdade em
saúde. Todavia,
esses trabalhos
utilizam como
variável de
referência uma
variável simples de
saúde, como seja o
peso ou o índice de
massa corporal. A
principal limitação
desse procedimento
reside no facto de
essas variáveis não
captarem cabalmente
a
multidimensionalidade que
caracteriza os
estados de saúde.
Neste artigo
procuramos contornar
essa limitação
propondo o cálculo
de um índice de
saúde, isto é,
aplicando ao caso
português a
metodologia
utilizada pelo
EuroQol na
determinação dos
estados de saúde,
com base nos
micro-dados do INS.
- CRESPO, Nuno
- SIMÕES, Nádia
- MOREIRA, Sandrina

- Docente na Escola Superior de Ciências Empresariais do Instituto Politécnico de Setúbal. Pertence ao Departamento de Economia e Gestão.
- Investigadora na Business Research Unit (BRU) do ISCTE-IUL, Instituto Universitário de Lisboa. Pertence ao Grupo de Economia do Centro BRU/UNIDE.
- Doutora em Economia pelo ISCTE-IUL, Instituto Universitário de Lisboa; Mestre em Economia pelo ISEG, Instituto Superior de Economia e Gestão; Licenciada em Economia pela FEUC, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.
- Atuais Interesses de Investigação: Medição do Desenvolvimento de Países ou Regiões, incluindo Componentes do Desenvolvimento como Distribuição do Rendimento, Emprego, Saúde...
PAP0454 - Quando a unidade se divide: um olhar sociológico sobre a reforma dos cuidados de saúde primários
QUANDO A UNIDADE SE DIVIDE: UM OLHAR SOCIOLÓGICO SOBRE A REFORMA DOS CUIDADOS DE SAÚDE PRIMÁRIOS
Lurdes Teixeira
CIES – ISCTE – IUL e CESPU – IPSN
lurdesteixeira@clix.pt
O Serviço Nacional de Saúde (SNS) está estruturado em duas peças nucleares: o hospital e o centro de saúde (CS). Desde que foi criado, em 1971, que se vem repetindo a absoluta centralidade do CS no sistema global dos serviços de saúde. Porém, na realidade, o hospital destaca-se com uma função de primazia e o CS tende a ser remetido para a periferia do SNS.
Em 2005 inicia-se uma reforma dos Cuidados de Saúde Primários (CSP) para reconfigurar todo este sector e (re)coloca-lo no centro do SNS. Por mera coincidência, a investigação, cujos resultados agora se apresentam, começou a ser desenhada no mesmo ano, tornando-se, provavelmente, a única investigação sociológica portuguesa que decorreu em total simultaneidade com a implementação da reforma dos CSP, facto que possibilitou um acompanhamento in timmimg das medidas reformativas, dos seus efeitos no terreno, dos discursos políticos e ideológicos, bem como a monitorização da opinião dos profissionais sobre as mudanças que diariamente iam sendo produzidas.
Desenvolveu-se um estudo de metodologia qualitativa, um estudo de caso, sobre um CS, representativo do modelo tradicional, e duas Unidades de Saúde Familiar (USF). A USF representa um novo modelo de organização do trabalho e de produção de cuidados e, para além de ser a primeira unidade a ser implementado no terreno, é também uma das principais novidades da reforma.
Os resultados do estudo apontam para uma posição de menoridade científica e social do CS na estrutura global dos cuidados de saúde e para um desprestígio dos profissionais que ali trabalham em relação aos trabalhadores do hospital.
O modelo USF inscreve-se na tendência New Public Management, assente na importação de princípios de gestão privada para aplicação às organizações públicas, o que origina um vasto conjunto de (novos) questionamentos sociológicos. A organização do trabalho e a produção de cuidados são baseados na contratualização de indicadores uniformizados que devem ser alcançados com níveis de desempenho padronizados e racionalizados. Como compatibilizar estas novas formas de trabalho, enraizadas em princípios de produtividade quantitativa e padrões de qualidade profundamente biomédicos, com as abordagens holísticas e biográficas da doença que a medicina familiar reclama como principal marca de distinção? A USF, enformada pela medicina holística, poderá, afinal, reforçar o pendor biomédico das práticas e dos cuidados prestados.
- TEIXEIRA, Lurdes

Lurdes Teixeira, doutorada em Sociologia pelo ISCTE – IUL, é Docente no Instituto Politécnico de Saúde do Norte – CESPU e Investigadora do CIES, ISCTE – IUL. Como principais interesses de investigação destaca a área da saúde, das organizações e das políticas de saúde e dos cuidados de saúde primários. Realizou mestrado em Relações Interculturais, no âmbito do qual desenvolveu um estudo sobre comunicação em medicina convencional e alternativa. Na investigação realizada para o curso de doutoramento, concluída em 2011, estudou a reforma dos cuidados de saúde primários. A tese foi recentemente publicada em livro com o título “A Reforma do Centro de Saúde: percursos e discursos”.
PAP0982 - Sistema de Saúde Brasileiro: Mudanças e reconfigurações (1988-2010)
A ideologia se faz presente em todos os aspectos da sociedade, inclusive na produção intelectual das ciências sociais. O objetivo desta pesquisa é investigar as questões ideológicas que colaboram para que os serviços públicos em saúde sobrevivam em condições precárias. Um eixo inicial de análise partirá dos discursos sobre a “individualização” e da “eficiência” aplicados à saúde como uma configuração ideológica que se opõe à ideia de direitos sociais. Um dos focos do trabalho está na transição do SUS, de suas origens no movimento sanitarista dos anos 1970 até o presente, analisando as origens do projeto de implementação dos serviços do SUS e o fomento à expansão do sistema de saúde privado. A análise teórica reflete sobre o discurso da individualização, que será considerado a partir de duas vertentes: a primeira se refere à concepção tradicional, ou seja, no sentido de “individualismo metodológico”, que fundamenta as estratégias de mecanismos de mercado na prestação de serviços públicos; a segunda corresponde à tese da individualização institucionalizada, como proposta por Ulrich Beck e Elisabeth Beck-Gernheim. No cenário histórico brasileiro houve um arrefecimento dos movimentos sociais nos anos 90 , em especial do movimento da Reforma Sanitária logo após a consolidação dos direitos da saúde na constituição de 1988. A partir da oficialização dos direitos para o setor da saúde na constituinte, a busca pela efetivação na prática desses direitos tomou outro caminho. Por um lado a via da individualização se fortalece com os planos e seguros de saúde. Ou seja, a conquista do direito a saúde está sendo efetivado pela via da esfera judiciária ou através do mercado de planos e seguros de saúde e não pelo Sistema Universal de Saúde. No contra projeto das sociedade modernas, Beck afirma que o ideal de igualdade passa a ser o impulso a segurança. O lugar do sistema axiológico da sociedade “desigual” é ocupado assim pelo sistema axiológico da sociedade “insegura” . Enquanto a utopia da igualdade contém uma abundância de metas consteudístico - positivas de alterações social, a utopia da segurança continua sendo peculiarmente negativa e defensiva: nesse caso, já não se trata de alcançar efetivamente algo “bom”, mas tão somente de evitar o pior. O sonho da sociedade de classe é: todos querem e devem compartilhar do bolo . A meta da sociedade de risco é: todos devem ser poupados do veneno. Ainda há muito a fazer para que o sistema de saúde brasileiro se torne universal. Nos últimos vinte anos houve muitos avanços, como investimento em recursos humanos, em ciência e tecnologia e na atenção básica, além de um grande processo de descentralização, ampla participação social e maior conscientização sobre o direito à saúde. No contexto atual, as relações entre o SUS e a saúde suplementar, provocam desafios para o futuro do sistema universal.
- JURCA, Ricardo de Lima

Ricardo de Lima Jurca possui Bacharelado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP) e atualmente cursa mestrado em Ciências Sociais pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Seguindo a linha de pesquisa Estado, pensamento social e ação coletiva possui experiência sobre pesquisas de políticas públicas de saúde mais especificamente sobre a relação entre o sistema público e privado de saúde com a recente expansão dos planos e seguros de saúde no Brasil.
PAP0600 - VIVER COM DEPRESSÃO CRÓNICA – RECONSTRUÇÃO BIOGRAFICA E REPRESENTAÇÕES SOBRE A SUA PROPRIA DOENÇA
O aumento das doenças crónicas, nomeadamente das doenças mentais crónicas, bem como as mudanças operadas no domínio das respostas à doença mental coloca-nos perante a necessidade de avaliar os seus impactos na vida das pessoas, dos grupos e das organizações sociais, mas também de compreender as vivências, as alterações e ajustamentos que exige ao nível da identidade e dos modos de vida.
Em Portugal há poucos estudos sobre a experiência com a doença mental, sobretudo sobre a forma como aqueles que a vivenciam no seu quotidiano a experienciam e com ela convivem quotidianamente. Nesta comunicação, que se baseia em evidência empírica resultante de um estudo exploratório apoiado em entrevistas em profundidade junto de 10 pessoas com diagnóstico psiquiátrico de depressão crónica, onde se analisam as concepções sobre a sua própria doença e a percepção sobre os impactos na vida quotidiana, procuram-se os sentidos que se tecem a partir dessas experiências pessoais no quotidiano.
Esta pesquisa adopta uma abordagem qualitativa que privilegia o ponto de vista do nativo de Geertz (1993) e se apoia no argumento de pluralidade de habitus e de contextos de acção (Lahire, 2005).
Procurámos assim compreender como é que os próprios sujeitos que vivenciam a depressão a entendem, a explicam e interpretam, a introduzem no seu quotidiano e lidam com as suas consequências e impactos nos vários níveis e contextos onde a sua vida decorre. Daremos especial ênfase às concepções e representações sobre a sua própria doença, evidenciando as tensões entre a ‘normalidade’ (passado) e a experimentação subjectiva do novo ‘eu’ (identidade actual).
Nota: Pesquisa efectuada no âmbito do Mestrado em Sociologia da Saúde e da Doença (ISCTE/IUL) por Cecília Neto (na qualidade de mestranda) e Fátima Alves (na qualidade de orientadora cientifica).
- NETO, Cecília

- ALVES, Fátima

Nome:
Neto, Cecília
Afiliação institucional:
Centro de Educação Especial Rainha Dona Leonor – Socióloga e responsável técnica do serviço CAAAPD – Centro de Atendimento, Acompanhamento e Animação à Pessoa com Deficiência e Doença Mental
Área de formação:
Mestrado em Sociologia da Saúde e da Doença (2008-2010)
Licenciatura em Sociologia Industrial das Organizações e do Trabalho (1990-1995)
Pós-Graduação em Gestão de Projectos em Parceria (2004-2005)
Interesses de investigação:
Sociologia da Saúde e da Doença, com Preferencial interesse Saúde e Doença Mental
Trabalhos de Investigação:
2012/2013 – Participação no Projeto Luso-Alemão Doença Mental, coordenado pela Profª Fátima Alves
2010/2011 – Projecto de Investigação “Experiência Subjectiva com a Doença Mental Crónica”enquadrado no âmbito do Mestrado em Sociologia da Saúde e da Doença do ISCTE/IUL, Co-coordenado por Fátima Alves e Graça Carapinheiro.
2009/2011 – Elemento do grupo de trabalho epidemiológico “Rastreio no âmbito da doença mental no conselho de Caldas da Rainha” em parceria do Núcleo de Intervenção em Saúde Mental de Caldas da Rainha com a Delegação de Saúde Pública; com orientação do Doutor Luís Pais Ribeiro
Publicações
2011 – Artigo: “A Experiência Subjectiva com a Doença Mental Crónica - Estudo Exploratório sobre os Impactos na Vida Quotidiana em sujeitos diagnosticados com Depressão Crónica”, Co-autoras: Cecília Neto; Fátima Alves; Graça Carapinheiro; (Enviado para publicação em revista nacional).
2012 – Documento conjunto, J. Pais-Ribeiro, Cecília Neto, Jorge Nunes, Mafalda Silva, Carla Abrantes, Sílvia Freitas, Sílvia Ferreira, Ângela Cerqueira, Ana Almeida, e Vítor Coelho, “Ulterior validação do questionário de saúde geral de Goldberg de 28 itens”, apresentada pelo Profº J. Pais-Ribeiro no 9º Congresso Nacional de Psicologia da Saúde, held in Aveiro, Portugal, 9-11 February 2012.
Fátima Alves
prof Auxiliar do Departamento de Ciências Sociais e de Gestão da Universidade Aberta; Investigadora integrada no CEMRI - Participa atualmente em dois projectos de investigação financiados: 'Politicas e Racionalidades de Saúde' em parceria com o ISCSP; ISCTE; UNiversidade de Évora; Universidade Federal do Rio Grande do Sul; é investigadora responsável pelo projeto “Impacto das políticas de saúde mental nas redes sociais de apoio à reabilitação e integração em contextos interculturais diversos: o caso de Portugal e Alemanha”, em parceria com a Universidade de Hamburgo, o Centro de Psicologia da Universidade do Porto, o CAPP/ISCSP e o Laboratório de reabilitação psicossocial.