• English version
  • Versão Portuguesa
  • Versão Espanhola
  • Versão Francesa


VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

PARA O VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

Ficha Técnica:

Organização e Edição:
Associação Portuguesa de Sociologia
Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9
1600-189 Lisboa
Tel: 217804738 / Fax: 217940274 / E-mail: aps@aps.pt / http://www.aps.pt

Produção técnica:
Plug & Play
Rua José Augusto Coelho nº 117
2925-543 Azeitão
Tel: 210 854 236 / Fax: 210 854 236 / http://www.plugeplay.com

ISBN: 978-989-97981-0-6

Depósito legal: 281456/08

Requisitos Mínimos:
Windows XP ou superior.
Adobe Acrobat Reader

©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012

Associação Portuguesa de Sociologia

 

Como referenciar os textos desta edição

SOBRENOME DO AUTOR, Prenome(s) (2012). Título do texto. in Atas do VII Congresso Português de Sociologia, Lisboa: APS. ISBN: 978-989-97981-0-6. Disponível em http://www.aps.pt/vii_congresso/?area=016&lg=pt. Acesso em: Dia mês (abreviado) ano.

Pesquisa:

Resultados da pesquisa por: «Sexualidade»

PAP1238 - A sexualidade como direito de cidadania: participação e juventude
Resumo de PAP1238 - A sexualidade como direito de cidadania: participação e juventude PAP1238 - A sexualidade como direito de cidadania: participação e juventude
PAP1238 - A sexualidade como direito de cidadania: participação e juventude

Entendida como habilitação social e empoderamento, a participação conforma um processo de socialização cujas experiências e significados elaborados permitem aos jovens estruturar e organizar seus papéis, práticas sociais e visões de mundo. Apresenta-se um recorte de um estudo mais amplo que discute alguns modos de construção da sexualidade por jovens brasileiros participantes de organizações estudantis, partidos políticos e movimentos sociais. Por meio da observação participante e de entrevistas em profundidade com jovens de diferentes orientações sexuais, analisa-se a construção de um discurso que relaciona a sexualidade à cidadania, conferindo-lhe, então, um sentido político. As narrativas evidenciam o entendimento da igualdade de direitos como princípio basilar à construção de um país socialmente democrático. Eles se opõem a heterossexualidade normativa, subvertendo esta norma através da proposição da liberdade de expressão da sexualidade como condição de legitimidade do contrato social. Considerar a sexualidade como um atributo do indivíduo-cidadão implica transformá-la em uma questão política. O discurso elaborado pelos jovens apresenta a sexualidade como um atributo pessoal reivindicado perante a sociedade enquanto individualidade e poder de escolha. Deste modo, indivíduos invisibilizados e estigmatizados socialmente por sua opção quanto à prática sexual são redefinidos como cidadãos. Parte-se da ênfase em um atributo geral que dilui as diferenças e, ao mesmo tempo, possibilitaria o exercício da diferença. Importar a noção de cidadania de outras esferas e apropria-la em função da sexualidade, pressupõe a exigência de que a sexualidade se descole de significados nucleares como intimidade, gênero, identidade e se articule aos da política (leis, direito, respeito, convivência). Esse vocabulário centra-se na discussão de formas para melhorar a qualidade de vida das pessoas homossexuais, distanciando-se da problematização das narrativas do eu segundo os gêneros masculino e feminino, que se repõe nas e se sobrepõe às identidades homossexuais. Abdicar da busca do eu na sexualidade, nesse sentido, demonstra que a questão de gênero, embora considerada importante, é secundarizada pelos jovens participantes. As especificidades de gênero, de comportamentos e práticas sexuais são diluídas em nome do que seria comum a todos: a “cidadania”. Esta negativa em considerar a formação de uma identidade sexual demonstra uma valorização da esfera pública, em detrimento da privada, revelando a superioridade da questão política diante da pessoal.
  • GUIMARÃES, Jamile Silva CV de GUIMARÃES, Jamile Silva
Jamile Silva Guimarães é bacharel em Sociologia e mestre em Saúde Comunitária pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Desde a graduação propôs-se a desenvolver uma linha de estudos de caráter holístico sobre a Infância e a Juventude. Dedicou sua monografia a discutir a construção da Infância como questão social no Brasil e na dissertação analisou o papel da participação juvenil na promoção da saúde. Atua em estudos interdisciplinares nos seguintes temas: promoção da saúde, participação social, direitos humanos, desenvolvimento humano, educação, sexualidade e uso de drogas.

PAP0954 - A transexualidade e o género: Identidades e (in)visibilidades de homens e mulheres transexuais
Resumo de PAP0954 - A transexualidade e o género: Identidades e (in)visibilidades de homens e mulheres transexuais PAP0954 - A transexualidade e o género: Identidades e (in)visibilidades de homens e mulheres transexuais
PAP0954 - A transexualidade e o género: Identidades e (in)visibilidades de homens e mulheres transexuais

Pretende-se na presente comunicação dar conta de parte dos resultados obtidos com o projecto “Transexualidade e transgénero: identidades e expressões de género”, desenvolvido no CIES-IUL, com financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), que constitui uma das primeiras abordagens da temática no âmbito das ciências sociais em Portugal. Do vasto leque de expressões de género que o termo aglutinador “transgénero” inclui, nesta comunicação centrar-nos-emos apenas nas pessoas transexuais, ou seja, aquelas que permanentemente se sentem e se expressam no género “oposto” ao sexo que lhes foi atribuído à nascença. A informação que sustenta esta comunicação provém sobretudo de 25 entrevistas biográficas realizadas a pessoas transexuais, complementada por um conjunto de informação conseguida pela abordagem etnográfica desenvolvida ao longo da investigação. A transexualidade revela-se um terreno fértil para as discussões em torno da feminilidade e da masculinidade, do que é ser homem e do que é ser mulher íntima e socialmente. No decurso das entrevistas biográficas e das incursões etnográficas realizadas sobressaiu uma diferença acentuada entre homens e mulheres transexuais, a nível das identidades de género e dos percursos sociais, revelando-se pois o sexo/género para a população transexual, tal como acontece para a população cissexual (ou seja, aquela em que não existe descoincidência entre sexo atribuído à nascença e género experienciado), como uma das principais variáveis produtoras de diferença. Só que neste caso a complexidade analítica é acrescida, uma vez que obriga a jogar com uma dupla referência: o sexo/género atribuído e o sentido e expressado. Um elemento chave a mobilizar para análise é o capital corporal, que, condicionando ou possibilitando a invisibilidade social das pessoas transexuais, actua diferentemente sobre homens e mulheres e contribui (ou não) para a credibilidade social de género. Um outro foco de análise é a relação que é socialmente estabelecida entre “a masculinidade e os homens” e “a feminilidade e as mulheres” e a medida da sua exclusividade ou permeabilidade. Para a análise das identidades transexuais, há ainda que ter em conta estarmos perante identidades fortemente medicalizadas, existindo uma “narrativa clássica da transexualidade” oriunda das ciências médicas, à qual se têm vindo a juntar mais recentemente, e com frequência em oposição, novas referências ou referências alternativas construídas a partir de movimentos vindos de “dentro”. Estas novas referências, materializadas em novas expressões de género, têm potencialidades para alterar as identidades e visibilidades de homens e mulheres transexuais.
  •  SALEIRO, Sandra Palma CV - Não disponível 

PAP1221 - Educação Sexual em contextos heterogéneos: Instituições de acolhimento de crianças e jovens de Braga
Resumo de PAP1221 - Educação Sexual em contextos heterogéneos: Instituições de acolhimento de crianças e jovens de Braga  PAP1221 - Educação Sexual em contextos heterogéneos: Instituições de acolhimento de crianças e jovens de Braga
PAP1221 - Educação Sexual em contextos heterogéneos: Instituições de acolhimento de crianças e jovens de Braga

Como quaisquer outros jovens a viverem com as suas famílias, os que foram institucionalizados sentem-se agradavelmente melhor, quando encontrem quem mostre interesse por si e pelo que digam, sem se sentirem desvalorizarem por terem ultrapassado o risco sexual e/ou sofrido assédio, abuso, negligência e maus tratos. Nesse sentido, nas sociedades ocidentais, para o domínio da Educação Sexual, continuam a ser analisados e debatidos programas modelares de formação de adultos em escolas (Barragán, 1991; Kirby, 2007; Kirby et al., 2007), e em instituições de acolhimento de crianças e jovens (Daly, 2004; Garcia Ruíz, 2009). Na equipa multidisciplinar da Universidade do Minho – Instituto de Educação, realizamos uma investigação-ação, em Braga, junto de escolas públicas e instituições religiosas de acolhimento, com as seguintes ações ordenadas, oficializados acordos de cooperação entre instituições (ação 1): (1) analise/interpretação de espírito de missão/finalidades e crenças, valores e ideologias, presentes nos discursos e nos processos de trabalho formativo/educativo das estruturas e organizações locais, com projetos socioeducativos e individuais explícitos (ação 2); (2) levantamento de potencialidades, necessidades e formação de adultos implicados e utentes (crianças e jovens), de acordo com nível de desenvolvimento profissional e psicossocial e etário, respetivamente, conhecidas as retaguardas familiar e institucional (ações 3 e 4); (3) caracterização de dinâmicas escolares e institucionais, a partir da análise dos dados quantitativos e qualitativos recolhidos (ação 5); (4) diagnóstico biopsicossocial, ponto de chegada/partida para a planificação e implementação de ação/programa de Educação Sexual, uma intervenção heterogénea (com a colaboração de unidades de saúde pública) (ações 6 e 7); (5) registo e avaliação de dados do programa de intervenção, por meio de instrumentos adequados a estratégias e técnicas utilizadas e posterior triangulação de análise quantitativa e qualitativa (ações 8, 9 e 10); (6) avaliação global, com base nos resultados (ação 11); e (7) formulação de orientações futuras (ação 12). No Congresso, iremos apresentar dados iniciais e exploratórios das ações 1 e 2, relativos às instituições de menores. A possível eficácia de intervenções planeadas será explorada, por análise de congruências, discrepâncias e da sua superação nessas realidades, consumadas orientações e sugestões a aplicar em organismos religiosos e educativos similares da região (ação 12). Aposta-se na capacitação bilateral e dialética (formadores/formandos; adultos/crianças), com recurso a metodologias diversas e complementares, que pretendemos desenvolver um projeto de Educação Sexual não para todos, esperando-se ir ao encontro de modelos viáveis de educação para o amor e sexualidade saudável.
  • ZAMITH.CRUZ, Judite CV de ZAMITH.CRUZ, Judite
  •  ANASTÁCIO, Zélia CV - Não disponível 
  •  TERROSO, Nuno CV - Não disponível 
Judite Maria Zamith Cruz - doutorada em psicologia, mestre em educação e mestre em ciências cognitivas, é professora auxiliar no Instituto de Educação, da Universidade do Minho, onde realiza formação em domínios de desenvolvimento na infância e adolescência, motivação e dificuldades de aprendizagem, em licenciatura e mestrados. Trabalha em projeto de educação sexual, em contexto de acolhimento de crianças e jovens. Tem experiência clínica, em necessidades especiais (sobredotação com perturbação de Asperger) e em atendimento neuropsicológico a doentes de Alzheimer. É autora de livros e publicou artigos nas áreas psicossociais, por metodologias qualitativas: Grounded Theory, Histórias de Vida e Análise de Discurso.

PAP0959 - Gays em busca de cidadania no Rio de Janeiro: controvérsias e avanços
Resumo de PAP0959 - Gays em busca de cidadania no Rio de Janeiro: controvérsias e avanços PAP0959 - Gays em busca de cidadania no Rio de Janeiro: controvérsias e avanços
PAP0959 - Gays em busca de cidadania no Rio de Janeiro: controvérsias e avanços

Nosso trabalho pretende demonstrar que os homossexuais freqüentadores do trecho da Praia de Ipanema em frente às ruas Farme de Amoedo e Teixeira de Mello, na cidade do Rio deJaneiro, buscam afirmar sua cidadania. Nesse local é freqüente o hasteamento da bandeira do arco-íris símbolo do movimento homossexual no Brasil e no mundo. Nele pode-se observar também comportamentos e atitudes denunciadoras da condição homossexual desses freqüentadores. Por isso, buscamos pensar tal espaço como lócus de afirmação da identidade e da luta política homossexual, bem como identificar alguns valores (de gênero, sexo e cidadania), compartilhados pelos freqüentadores do referido espaço da praia de Ipanema. Para isso, realizamos entrevistas e pesquisa de campo no local. Do ponto de vista teórico nos estribaremos nos textos de Daniel Welzer-Lang, Pierre Bourdieu e Elisabeth Badinter. Dessa forma, a pesquisa , pretendeu demonstrar que os homossexuais freqüentadores do trecho da Praia de Ipanema em frente às ruas Farme de Amoedo e Teixeira de Mello buscam afirmar sua cidadania. Para isso, consideramos que a demonstração pública de sua orientação sexual é uma estratégia de luta política em prol da mesma. Tal estratégia de luta que, em um primeiro momento pode parecer limitada, tem, porém repercussões nacionais e internacionais contribuindo dessa forma para o avanço das lutas dos homossexuais.Consideramos em nossas reflexões que o trecho da praia de Ipanema, em análise neste trabalho, é um lócus importantíssimo da luta política homossexual, para dar visibilidade pública a homossexualidade como possibilidade fora dos parâmetros heterossexuais e também para reafirmar os pressupostos básicos da homossexualidade como uma condição possível. Nossa afirmação se legitima quando analisamos o resultado da pesquisa realizada pelas fundações, Perseu Abramo e Rosa Luxemburgo, sobre o preconceito e a intolerância da população brasileira contra homossexuais. Nessa pesquisa foram entrevistados 2.014 brasileiros em 150 cidades. Os dados coligidos demonstram que 99% da população brasileira tem preconceito contra homossexuais. Os resultados da pesquisa foram classificados em dois blocos: o dos indivíduos que assumiram não gostar de gays, lésbicas e travestis ou transexuais somando 29% dos entrevistados. Estes consideram os homossexuais como safados, sem caráter e doentes. E o dos que possuem o preco
  •  PESSANHA , Fábio CV - Não disponível 

PAP1129 - Girls' Pleasure in Boys' Love: Yaoi Fandom as Women Empowerment
Resumo de PAP1129 - Girls PAP1129 - Girls
PAP1129 - Girls' Pleasure in Boys' Love: Yaoi Fandom as Women Empowerment

INTRODUCTION The history of technology evolution has always been permeated by fierce voices that denounced the mind control that they would cause. In this sort of criticisms were include mass communication and culture. Following this logic, consumers were not able to interpret and select the information, but absorbed everything that was delivered to them. I wish to present a phenomenon that demonstrates the existence of a culture of participation and the challenging and active role of women on it. Named Yaoi, from the Japanese, and meaning Boys Love, refers to a diverse range of entertainment productions, all centered in the theme of male homosexuality. Mostly created by women and for women, Yaoi can use already popular masculine figures, and transform them into gay figures, or can create their own characters. These sort of productions came not only from professionals but there is a whole fan culture surround it and around the world. Following the steps of the western partner Slash Fiction, women and girls manipulate what we can call "hegemonic masculinity role models. OBJECTIVES The purposes of my presentation are to explain the Yaoi fandom, their purposes and characteristics, always having in mind three main goals. The first is to demonstrate Yaoi as a possibility for women empowerment in mass media and gender manipulation. The second is to reveal that they are unable to really contradict the gender dichotomy. AT last, I would like to expose the different representations of boys and girls concerning Yaoi. METHODOLOGY My communication will be based specially on literature review. Theoretical articles, studies, and even fan pages will be taken into account. They will be compared to some of the conclusions that I have gathered during my master's thesis, namelly concerning the comparison of the attitudes of girls and boys facing Yaoi and male homosexual scenarios. CONCLUSIONS The power of Yaoi comes from the sexual, erotic and gendered manipulation of masculine characters and from the deeply participatory culture around it. Yet the couples are still organized according to the dual logic, that associates the dominant with the masculine and the submissive with the feminine. In this way, it seems difficult to escape gender and sex inequality. Although using femininity and submission connected to a man can be a possibility of breakdown from the bipolar perspective about gender and sex, when it is the only, or the mainly, standard for this couples, it works as a reinforcement of the association of the feminine with subordination, This is even more accurate considering that most of the stories and situations involve the coercion by the dominant partner so that the submissive one accepts the relationship and all his demands. At last, and as expected, boys do not accept lightly this kind of productions, while girls are more open to it. KEYWORDS: Yaoi, gender, sexuality, fandom, culture, Japan
  • MONTEIRO, Núria Augusta Venâncio CV de MONTEIRO, Núria Augusta Venâncio
Núria Augusta Venâncio Monteiro,

Licenciada em Sociologia, com o Mestrado obtido na mesma área de estudos, exerce funções de investigação no Sapo Labs, Departamento de Comunicação e Arte, da Universidade de Aveiro. Os interesses de investigação orientam-se para as esferas da construção do género e da sexualidade, assim como para qualquer domínio de índole (sub)cultural.

PAP0567 - O PAPEL DA SEXUALIDADE NOS PERCURSOS DE FORMAÇÃO DOS CASAIS COABITANTES: GÉNERO, MUDANÇAS GERACIONAIS E CONTEXTOS SOCIAIS
Resumo de PAP0567 - O PAPEL DA SEXUALIDADE NOS  PERCURSOS DE FORMAÇÃO DOS CASAIS COABITANTES: GÉNERO, MUDANÇAS GERACIONAIS E CONTEXTOS SOCIAIS PAP0567 - O PAPEL DA SEXUALIDADE NOS  PERCURSOS DE FORMAÇÃO DOS CASAIS COABITANTES: GÉNERO, MUDANÇAS GERACIONAIS E CONTEXTOS SOCIAIS
PAP0567 - O PAPEL DA SEXUALIDADE NOS PERCURSOS DE FORMAÇÃO DOS CASAIS COABITANTES: GÉNERO, MUDANÇAS GERACIONAIS E CONTEXTOS SOCIAIS

A coabitação conjugal, quer como opção transitória, quer como alternativa ao casamento, faz parte de um movimento modernista de formação progressiva do casal e da família (Aboim, 2005; Bozon, 1991; Kaufmann, 1993) em que, por um lado, o início do relacionamento sexual quase sempre coincidente com o começo do namoro e, por outro, a transição para uma vivência a dois sob o mesmo tecto deixam de representar fronteiras perfeitamente definidas. As linhas divisórias entre o «antes» e o «depois» surgem, do ponto de vista sujectivo, cada vez mais diluídas. A coabitação, de acordo com uma interpretação modernista do fenómeno, estaria assim profundamente implicada no processo de individualização da vida familiar (Beck e Beck-Gernsheim, 1995), tornando-a cada vez mais privada e flexível de acordo com a diversidade de escolhas, trajectórias e biografias individuais. Num contexto de crescente desconexão entre sexualidade e casamento, sexualidade e procriação, conjugalidade e casamento, parentalidade e casamento (Giddens, 1992), alguns autores interrogam-se sobre a própria noção de conjugalidade e as suas fronteiras (Kaufmann, 1993; Singly, 1996). Quando começa um casal? O início do relacionamento sexual como acontecimento marcante na formação dos casais substitui, hoje, o papel outrora desempenhado pelo casamento? Quando é que os homens e as mulheres sentem que fazem parte de um casal? Antes ou depois de irem viver juntos? É necessário viver junto para se ter uma relação conjugal? Neste debate, a própria definição de «coabitação» e de «casal» é problemática. Os casais pesquisados, residentes, na sua maioria, na região da Grande Lisboa, com diferentes percursos conjugais, com filhos e sem filhos, de diferentes idades e contextos sociais de classe, têm em comum o facto de terem iniciado uma primeira ou segunda conjugalidade de modo informal. Para os coabitantes, apesar da diversidade de trajectórias individuais, situações conjugais, contextos e significados associados à coabitação, o casamento deixou de ser o acto fundador do casal, ritual de passagem para a vida sexual, conjugal e familiar. Esta comunicação explora alguns dos resultados obtidos através de 48 entrevistas em profundidade que fazem parte de uma investigação mais ampla concluída em 2007 no âmbito de uma dissertação de doutoramento sobre a coabitação conjugal na sociedade portuguesa. Mais especificamente, foca o papel das primeiras vivências e modos de encarar a sexualidade nos percursos de formação dos casais coabitantes, procurando reflectir acerca da importância de algumas variáveis como a classe social, o género, os percursos biográficos mas também a religião, a componente de ruralidade presente em algumas famílias a residir em meio urbano e a pressão social exercida pelas gerações mais velhas sobre os jovens casais, de modo a compreender, em particular, as mudanças e continuidades face à sexualidade e às relações de género.
  • SANTOS, Filomena Matias dos CV de SANTOS, Filomena Matias dos
Filomena Santos, 49 anos, dois filhos, actualmente a viver na Covilhã onde trabalha como docente na Universidade da Beira Interior. Licenciada e Mestre em Sociologia pelo ISCTE, concluiu o doutoramento na UBI em 2008. Os seus principais interesses de investigação incidem na área da Família, Sexualidade e Género. O trabalho que conduziu à dissertação de doutoramento, e que teve como principal objectivo mostrar a diversidade dos significados e contextos das experiências de coabitação na sociedade portuguesa, chegou a uma tipologia de oito perfis: a coabitação moderna, de transgressão, de experimentação, de noivado, circunstancial, masculina, de tradição e instável (Cf. Santos, Filomena (2008), Sem Cerimónia nem Papéis – um estudo sobre as uniões de facto em Portugal, Universidade da Beira Interior. Disponível: http://ubithesis.ubi.pt//hdl.handle.net/10400.6/654; Santos, F. (2012). Perfis de Coabitação em Portugal. Forum Sociológico, 21 (II Série, 2011), 117-126).

PAP1418 - PARA ALÉM DA DOR: FANTASIAS DE PRAZER, PODER E ENTREGA. Um estudo sobre Sadomasoquismo
Resumo de PAP1418 - PARA ALÉM DA DOR: FANTASIAS DE PRAZER, PODER E ENTREGA. Um estudo sobre Sadomasoquismo PAP1418 - PARA ALÉM DA DOR: FANTASIAS DE PRAZER, PODER E ENTREGA. Um estudo sobre Sadomasoquismo
PAP1418 - PARA ALÉM DA DOR: FANTASIAS DE PRAZER, PODER E ENTREGA. Um estudo sobre Sadomasoquismo

O BDSM (Bondage e Disciplina, Dominação e Submissão e Sadomasoquismo), vulgarmente designado por sadomasoquismo, tem sido associado à perversão sexual e à patologia mental, tanto pela comunidade científica, como pelo discurso mediático. Contudo, este é um fenómeno complexo que não é compreensível através de visões simplistas e redutoras. Nesta comunicação apresentamos as conclusões de uma investigação cujos objetivos foram conhecer e caracterizar os atores, as práticas e os contextos do BDSM em Portugal, aceder às motivações e aos significados que estes atores atribuem ao seu envolvimento nas práticas e examinar a perceção que detêm sobre a reação social do exogrupo. Optamos por uma visão próxima do fenómeno, escolhendo uma metodologia qualitativa assente na realização de entrevistas semiestruturadas e na observação participante, tanto em contexto virtual como real, por considerarmos relevante tomar a perspetiva dos atores sociais envolvidos. Na análise de dados, recorreu-se à análise de conteúdo, adoptando a lógica indutiva de construção de categorias a partir dos dados. Da nossa investigação concluímos que o comportamento BDSM não é homogéneo e que este é um termo genérico que inclui uma variedade de dinâmicas e identidades sujeitas a alterações no espaço e no tempo. Ainda inferimos que o comportamento dos praticantes de BDSM resulta de uma construção pessoal e social que pode ser vivenciada de diferentes formas e ter diversos significados. Para estes praticantes, todos os aspetos ligados com o BDSM precisam de ser negociados e enquadrados num relacionamento consentido. Também concluímos que o BDSM não se encerra nos equívocos populares sobre extrema dor e danos duradouros, devendo ser entendido como uma fantasia. Por fim, as representações sociais detidas sobre o BDSM conduzem à estigmatização dos praticantes que gerem a sua identidade, ocultando o comportamento BDSMer ou desenvolvendo construções de oposição ao mainstream sexual. Julgamos que a pertinência dos dados obtidos com esta investigação se liga com a quase total ausência de estudos em Portugal sobre este tema e que esta abordagem compreensiva pode contribuir para uma visão mais ampliada das sexualidades. Ainda mais, quando a perspectiva médico-psiquiátrica tem patologizado estes comportamentos, parece-nos que esta investigação, ao dar voz aos atores, pode fornecer uma visão da prática de BDSM como manifesto de um princípio básico de autonomia sexual e de autodeterminação, o que ganha particular importância num momento de crise financeira como a actual que pode desprezar a luta contra a falta de reconhecimento e cidadania dos grupos minoritátios.
  • MOTA, Ana Mafalda CV de MOTA, Ana Mafalda
  • OLIVEIRA, Alexandra Alves CV de OLIVEIRA, Alexandra Alves
Ana Mafalda Mota, é mestre em Psicologia, especialização na área de Comportamento Desviante e Sistema de Justiça, tendo efectuado uma tese sobre BDSM, vulgarmente designado por Sadomasoquismo, no contexto português. A sua área de interesse de investigação reside nas sexualidades minoritárias.
Alexandra Oliveira é professora da Universidade do Porto, na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, onde exerce funções de docente e de investigadora na área da Psicologia do Comportamento Desviante e da Justiça. Os seus interesses relacionam-se com o género e a sexualidade; a norma, o desvio e a reação social, tendo vindo a dedicar as suas pesquisas ao trabalho sexual. Das suas publicações destaca o livro "Andar na vida: prostituição de rua e reacção social" (Almedina, 2011), uma adaptação da sua tese de doutoramento.

PAP0883 - Pleasure in the Body, Pain in the Soul: the Identity Construction in BDSM
Resumo de PAP0883 - Pleasure in the Body, Pain in the Soul: the Identity Construction in BDSM PAP0883 - Pleasure in the Body, Pain in the Soul: the Identity Construction in BDSM
PAP0883 - Pleasure in the Body, Pain in the Soul: the Identity Construction in BDSM

INTRODUCTION For my presentation I would like to share a knowledge renewal, or revival, inspired in my academic monography, developed for the purpose of obtaining the undergratuade level. The central theme of the research was BDSM, that is, bondage/Discipline, Domination/submission and Sadomasochism. These are erotic and sexual practices that (re)create situations of power and pain in the pursuit of pleasure. The size of the first letters of each word was intentionally written to express that the power equilibrium is not balanced. On one side, the masterful; on the other, the obedient. Yet, due to the demands of deep communication and understanding of each parts, BDSM is perhaps one of the most egalitarian worlds of power exercise. These terms are interchangeable, that is, there is a blend between all these possibilities. OBJECTIVES One of the main objectives, and given the lack of studies in this area, was to assess the evolution of BDSM until the aggregation into pathologized pratices and identities. My presentantion will focus on the paths that practitioners choose when managing their personal and grupal identities facing the discrimination which they are targets.Their sources of inspiration, their relations to the group, and the association of the BDSM with their other social roles will be taken into account. To this end, their interpretations about BDSM,about the ways they think society sees and treats them, and the ways they seem themselves, will be revealed. Methodology The initial contacts were made through a portuguese internet forum dedicated to BDSM. After, some observations were made on a weekly basis on a bar where the participants of that forum usually gathered. From there, it was possible to achieve a sample of 11 interviewees. CONCLUSIONS As expected, the identity management is highly conflituous. The consciousness of the discrimination they could be faced to leads them to occult or dissimulate any revealing signal. Discrete symbols are used to express the belonging to the group, but they are only recognizable by other members. Even participants that seem more secure and open about their choices, demonstrate some sort of difficulties to treat BDSM as another part of their identity. Coping strategies are created and shared between them, generating an individual and collective form of handling with the feelings of stigma. Keywords: BDSM, Bondage, Discipline, Domination, Submission, Sadomasoquism, identity, sexuality, body
  • MONTEIRO, Núria Augusta Venâncio CV de MONTEIRO, Núria Augusta Venâncio
Núria Augusta Venâncio Monteiro,

Licenciada em Sociologia, com o Mestrado obtido na mesma área de estudos, exerce funções de investigação no Sapo Labs, Departamento de Comunicação e Arte, da Universidade de Aveiro. Os interesses de investigação orientam-se para as esferas da construção do género e da sexualidade, assim como para qualquer domínio de índole (sub)cultural.

PAP0144 - Representações Sociais do Erotismo Nipônico: Dominação, Consumo e Influências na Produção de BD´s
Resumo de PAP0144 - Representações Sociais do Erotismo Nipônico: Dominação, Consumo e Influências na Produção de BD´s PAP0144 - Representações Sociais do Erotismo Nipônico: Dominação, Consumo e Influências na Produção de BD´s
PAP0144 - Representações Sociais do Erotismo Nipônico: Dominação, Consumo e Influências na Produção de BD´s

O trabalho analisa as interligações semióticas na produção e consumo de Bandas Desenhadas e desenhos animados vinculados aos produtos eróticos produzidos pelo mercado Japonês, através dos Mangás e Animes. Apesar das trocas sexuais e das relações inter-raciais entre os grupos seguir os parâmetros da normalidade social, a produção de uma arte erótica midiatizada, através das BD´s produzidos no Japão, caminho no sentido contrário. Em relação às animações e às BD´s, existe uma dominação no gênero erótico pelo mercado japonês. Até que ponto estas trocas interculturais, de consumo e produção destes bens afeta as relações interpessoais? Um dos ambientes destacados na pesquisa faz referências à grande diversidade de modalidades eróticas produzidas pelo Japão nestes produtos midiáticos e as reconstruções múltiplas quanto às práticas homoafetivas e de outras sexualidades. Estes produtos são desenvolvidos não só para Gays e Lésbicas, mas para meninas héteros que gostam de vê relações entre meninos (Boy´s Lover) ou com meninas (Shoujo-Ai) o contrário, meninos héteros que gostam de lê histórias com romances lésbicos (Yuri) ou entre meninos (Yaoi) e ainda BD´s para Crossdressing, Hermafroditas (Futanari), ou que se vinculem a modalidades sexuais ainda consideradas desviantes socialmente como Pedofilia. Compreender a inserção destes temas inusitados (para os padrões ocidentais) é compreender que é possível dialogar com a diversidade sexual sem o perigo de tropeçar em visões deterministas quanto aos conceitos de impropriedade, barbárie ou quais outros levantados por aqueles que vêem a diversidade sexual como antinatural ou problemática. Os japoneses, através dos mangás, conseguem apresentar esta pluralidade de papeis e identidades sexuais sem tratar tais questões como problema ou transtorno. O trabalho avalia as mudanças indiretas que penetram através da publicação e consumo de Bandas Desenhadas Japonesas (Mangas) com temas vinculados a Sexualidade ou com concepções de gênero completamente distintas e que são apropriadas pelos leitores destes gêneros e que inconscientemente incorporam seus valores sociais e definitórios. Questiona-se até que ponto elas corroboram para uma emancipação compreensiva ou fortalecem estereótipos sobre as questões de sexualidade e gênero, ocasionando uma reconfiguração sobre a percepção da população quanto às temáticas envolvidas.
  •  JÚNIOR, Amaro Xavier Braga CV - Não disponível 

PAP0137 - Sexualidade e género no quotidiano escolar: análise de uma formação contínua para professores/as de 1.º ciclo (EB) e educadores/as de infância
Resumo de PAP0137 - Sexualidade e género no quotidiano escolar: análise de uma formação contínua para professores/as de 1.º ciclo (EB) e educadores/as de infância PAP0137 - Sexualidade e género no quotidiano escolar: análise de uma formação contínua para professores/as de 1.º ciclo (EB) e educadores/as de infância
PAP0137 - Sexualidade e género no quotidiano escolar: análise de uma formação contínua para professores/as de 1.º ciclo (EB) e educadores/as de infância

Esta comunicação aborda as questões de género e sexualidade no quotidiano escolar tendo como foco a investigação-ação que realizamos por meio de oficinas de formação com professores/as de 1.º ciclo (EB) e educadores/as de infância para identificar as representações, discutir e adquirir conhecimentos sobre questões de género e sexualidade na docência (com ênfase na análise da prática pedagógica), promovendo reflexão dos/as docentes sobre as suas práticas profissionais e desmistificação de alguns preconceitos que envolvem os papéis dos/as professores/as de 1.º ciclo (EB) e educadores/as de infância, incluindo as suas considerações sobre a sexualidade e o seu papel de género na docência, com a finalidade de que as suas ações para com os seus alunos e as suas próprias considerações se transformem. Portanto, enfocamos a formação do/a professor/a ao incitar reflexões e debates sobre as questões de género e sexualidade sobre como os papéis sexuais e de género ditos normais são construídos socialmente, questões que parecem distantes dos contextos escolares, mas que afloram nos mínimos detalhes da docência, designadamente nos aspectos da profissão considerados femininos (paciência/sensibilidade...) e nos preconceitos divulgados sobre a docência (como da incapacidade do homem para lidar com crianças). Atualmente, o povo português tem várias conquistas legais que atendem a urgência de respostas para as preocupações da sociedade referentes às questões relativas à saúde sexual e reprodutiva, à igualdade de género, ao direito de acesso à contracepção, à generalização do planeamento familiar, à promoção da maternidade e da paternidade responsáveis e conscientes e à garantia da não discriminação em função da orientação sexual, estas estão devidamente enquadradas no ordenamento jurídico de Portugal. Porém, tais conquistas ainda não se revertem em estatísticas igualitárias em questões de género e sexualidade. Por exemplo, a educação sexual ainda é pouco abordada nas escolas. Nas formações que implementamos percebemos que, apesar de investigações recenetes mostrarem que os/as docentes portugueses sentem-se à vontade para abordar esse assunto com os seus alunos, na realidade não estão tão à vontade assim, principalmente por causa da falta de estruturas que apoiem a iniciativa desses profissionais nas escolas, bem como por causa da falta de formação dos/as docentes para estas temáticas. Analisaremos, então, as motivações, representações e dúvidas destes docentes e os debates que surgiram sobre estas temáticas durante a formação.
  • RABELO, Amanda Oliveira CV de RABELO, Amanda Oliveira
Amanda Oliveira Rabelo é Pós-doutora em Ciências da Educação na Universidade
de Coimbra, com projeto de investigação financiado pela FCT, Doutora em Ciências da Educação pela Universidade de Aveiro (2009), mestre em Memória Social pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio) (2004) e licenciada em Pedagogia pela UniRio (2000). Atualmente é professora da UFF/INFES (RJ-Brasil). Tem publicações e atua com vários temas da educação principalmente com: formação de professores, género, escolha profissional, sexualidade, história da educação e educação especial.