PAP0912 - A inserção profissional de recém-graduados do ensino superior: uma realidade heterogénea.
Grupo de trabalho em que se inscreve a comunicação: “Inserção de diplomados do ensino superior: relações objectivas e subjectivas com o trabalho”.
A inserção profissional dos recém-graduados do ensino superior assumiu, nos últimos anos, um papel central no debate público em torno do emprego e da empregabilidade. Regra geral, os mediáticos discursos produzidos nesse contexto traçam um cenário catastrófico, onde o desemprego ou a precariedade se assumem como um destino provável para a maioria dos finalistas universitários, o que os leva a questionar o valor do investimento escolar realizado. Estes discursos proliferam, ainda que recentes investigações sociológicas demonstrem que a realidade profissional dos graduados do ensino superior é bastante mais auspiciosa do que tais discursos nos podem levar a crer.
Numa sociedade actualmente enredada num ciclo económico negativo, a compreensão dos processos de inserção no mercado de trabalho assume um papel fulcral na elaboração de estratégias pessoais, académicas e políticas, assim como para informar o debate público sobre o emprego e empregabilidade.
Esta comunicação parte da análise de dados quantitativos que ilustram as experiências profissionais de graduados do ensino superior em diversas áreas de formação académica, cinco anos após a finalização do curso. Apresenta-se uma proposta de interpretação sociológica dos distintos percursos e situações profissionais, assim como se procura aferir a amplitude dessas desigualdades face às distintas áreas de formação académica.
Os dados empíricos apresentados resultam do projecto de investigação “Percursos de inserção dos licenciados: relações objectivas e subjectivas com o trabalho”, sediado no Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa (CESNOVA) e financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT). O universo em análise incluiu dois dos principais pólos do ensino superior público Português – a Universidade de Lisboa (UL) e a Universidade Nova de Lisboa (UNL) – e observou graduados de 1º ciclo em seis áreas de formação académica.
- MORAIS, César
PAP1380 - AS CIÊNCIAS SOCIAIS DO VISUAL E OS MÉTODOS GEONEOLÓGICOS
A Sociologia e Antropologia Visuais registaram um desenvolvimento notável nos últimos anos. Em particular, os métodos de recolha, análise e interpretação de fontes visuais propõem novos cursos e percursos para o investigador. No entanto, a incomensurável mudança epistemológica recente deriva da emergência das metodologias visuais nunca dantes vistas, utilizando instrumentos digitais, transmedia e em rede.
Neste texto, para além da apresentação de um estudo de públicos num museu de arte, pretende-se mostrar e demonstrar algumas das cumplicidades e permeabilidades entre as Ciências Sociais do visual e os utensílios experimentais digitais para a pesquisa, que englobaremos no conceito federador ‘Metodologia GeoNeológica’.
Par isoo, o projecto intitulado Comunicação Pública da Arte-CPA visou 2 direcções principais da pesquisa:
1) Uma reflexão sociológica, através da qual foi efectuado um diagnóstico de situação sobre a CPA em museus de arte físicos e virtuais.
No respectivo campo empírico, foi testada, entre outros conceitos, a ideia de museabilidade (i.e., as condições contextuais, económicas, sócio-culturais e politicas da musealização, no interior de uma dada sociedade).
A musealização significa o conjunto de estratégias de apresentação de obras de arte, pelos profissionais do museu, a um público de não-especialistas. Algumas questões iniciais nesta perspectiva foram as seguintes:
2) Uma parte mais prática e pedagógica do projecto visa a aplicação de um sistema digital de aprendizagem e investigação informais para as artes, a usar em museus ou em outras instituições culturais, baseado em hipermédia apresentando novas interfaces, como uma mesa interactiva multitoque para consulta e comentários das obras de um artista. Nesta perspectiva, foi realizado um Questionário Interactivo Multitoque e um jogo cultural nomeado Jogo das Tricotomias, na referida exposição da artista Joana Vasconcelos em 2010.
- ANDRADE, Pedro de

Professor na FBAUL. Investigador do CECL, FCSH-UNL e no CECS, ICS da Univ. do Minho. Coordenador do projecto de pesquisa 'Comunicação Pública da Arte: o caso dos museus de arte locais/globais', entre outros projetos apoiado pela FCT e por outras instituições nacionais e internacionais. Membro do Conselho Editorial da Revista de Comunicação e Linguagens. Membro do Comité de Rédaction da revista LORETO, Ministère de la Culture e Université Libre de Bruxelles. Director da revista Atalaia. Autor de diversas obras e eventos nas áreas da Sociologia, cinema, artes visuais e digitais e no ciberespaço/cibertempo. Obras recentes: 2011a, Sabores e saberes do beber: consumos de lazer, poder e cultura em cafés, tabernas e bares Portugueses, Ed. Univ. Estadual da Paraíba, Brasil. 2011b, Sociologia Semântico-Lógica da Web 2.0/3.0 na sociedade da investigação: significados e discursos quotidianos em blogs, wikis, mundos/museus virtuais e redes sociais semântico-lógicas, Lisboa, Ed. Caleidoscópio. 2011c, Novas autorias / leitorias / actorias: escrita comum, literacias híbridas e anti-vigilâncias na Web 2.0, Ed.Caleid. 2011d, Novela GeoNeológica nº 1: um caso de Literatura Transmediática, Caleid.
PAP1002 - Academia, Activismo e Sexualidade: reflexões acerca de uma Sociologia Pública Queer
Apesar de amplamente contestado, o legado positivista continua a produzir efeitos na forma como fazemos sociologia hoje. Tal herança traduz-se nos modos dominantes de recolher e analisar informação, conducentes a resultados fracos, por vezes despiciendos, e com pouca ressonância social e política.
O conceito de sociologia pública, proposto inicialmente por Herbet J. Gans e amplamente desenvolvido por Michael Burrawoy, foi crucial na crítica a uma sociologia tradicional de influência positivista. Com base nesta noção, e claramente inspirada pelos contributos feministas e queer, nesta apresentação sugere-se a possibilidade – e a importância –, de assumir o carácter sempre político de todas as formas de conhecimento, incluindo o conhecimento sociológico. O argumento central é que apenas uma sociologia assumidamente comprometida pode levar a resultados transparentes, relevantes e úteis, em particular na esfera dos estudos sobre sexualidade.
Esta apresentação está dividida em quatro partes. Na primeira parte, consideram-se brevemente para os antecedentes da Teoria Queer, de forma a clarificar contextos e conceitos.
Segue-se uma revisitação do modelo de sociologia pública, enfatizando o seu potencial analítico e político. Subjacente ao conceito de sociologia pública está a premissa de que o conhecimento pode contribuir para processos de inclusão ou exclusão, dependentes da utilização que lhe é dada.
A terceira parte trata dos impactos epistemológicos e éticos de ‘agentes-duplos’, ou seja, de quem assume um duplo estatuto enquanto cientista-activista na esfera dos estudos LGBT/queer. Sugere-se aqui que este duplo estatuto de cientista-activista constitui uma oportunidade para construir e disseminar conhecimento de base empírica, mantendo simultaneamente um sentido de responsabilidade social e empenho político.
Por fim, propõe-se o desenvolvimento de uma Sociologia Pública Queer, uma nova perspectiva crítica que dialoga directamente com a noção de cidadania sexual. A Sociologia Pública Queer reconhece o seu carácter politicamente situado, ao mesmo tempo que contribui para a desconstrução de preconceitos e processos de exclusão e opressão com base na orientação sexual e identidade de género. Defende-se que tal compromisso entre academia e activismo fortalece a acção colectiva, respondendo simultaneamente a desafios que se colocam aos estudos sobre sexualidade no momento presente.
- SANTOS, Ana Cristina
PAP1085 - Animação Sociocultural: imprecisões e ambiguidades de uma ocupação profissional
O presente artigo – surgido no âmbito do projecto de doutoramento “Animação Sociocultural, Actores e Controvérsias Públicas”, a decorrer na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa – tem como objectivo dar conta das problemáticas suscitadas no seio da Animação Sociocultural, problemáticas relacionadas com a definição do conceito de “Animação Sociocultural”, com as “licenças” e o “mandato” (Hughes, 1993), com o “poder profissional” (Freidson, 1986 e 1994), com a “jurisdição profissional” (Abbott, 1988) e com o “estatuto profissional”. Ao mesmo tempo, procura-se dar conta da pluralidade de justificações e/ou críticas apresentadas pelos seus protagonistas (Animadores Socioculturais com formação superior, estudantes finalistas de cursos superiores de Animação Sociocultural, professores desses mesmos cursos e dirigentes das associações que representam os Animadores Socioculturais) para as posições que vão assumindo nas controvérsias públicas em que se envolvem em torno dessas mesmas problemáticas. O trabalho de recolha exploratória de informação – através de documentos e através de entrevistas – com o propósito de perceber, por um lado, as posições que os vários protagonistas da Animação Sociocultural assumem face às problemáticas enunciadas e, por outro lado, os meios utilizados para dar expressão a essas mesmas posições, deixou clara a diversidade de posições que estes assumem, bem como a diversidade de meios utilizados para a sua expressão pública (jornais, revistas, fóruns de discussão, blogues, congressos, encontros, entre outros). Desta maneira, à luz da perspectiva da Sociologia Pragmática (Thévenot, 2006) – perspectiva que considera a acção como o produto de um encontro entre as situações/contextos /acontecimentos e as formas como os actores nelas se envolvem em determinados regimes –, tudo indica que a acção dos Animadores é orientada num regime de envolvimento em público, onde se realçam as questões da justiça e do bem comum. Verificado, pois, o seu envolvimento em controvérsias públicas em torno de situações problemáticas de justiça suscitadas pela Animação Sociocultural, importa perceber que dispositivos servem de base às justificações da sua acção e/ou à produção de juízos críticos sobre acção dos outros. Os dados resultantes do trabalho exploratório indicam que esses dispositivos resultam de “diferentes mundos” (cités) justificativos (Boltanski e Thévenot, 1991; Bolthanski e Chiapello, 1999, Boltanski, 2001), especialmente do mundo cívico, parecendo ser este o regime de acção justificativo mais presente e em que o bem colectivo, a promoção da participação na vida da cidade e a igualdade constituem as formas de expressão privilegiadas. Mas não deixam também de resultar do mundo industrial e, ao mesmo tempo, do mundo inspirado e do mundo assente numa lógica de projectos.
- BAPTISTA, António Manuel Rodrigues Ricardo

NOTA BIOGRÁFICA
• António Manuel Rodrigues Ricardo Baptista, aricardo1959@gmail.com.
• Formação académica: Doutorando em Sociologia, Faculdade de Ciências Sociais e
Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Diploma de Estudos Avançados em
Sociologia, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de
Lisboa (Novembro de 2010). Mestrado em Sociologia, Faculdade de Ciências Sociais
e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (Janeiro de 2010). Pós-Graduação em
Sociologia. Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de
Lisboa (Agosto de 2008). Licenciatura em Sociologia, ISCTE – Instituto Superior de
Ciências do Trabalho e da Empresa (Julho de 1985).
• Experiência profissional após a licenciatura até ao presente: áreas do emprego, da
educação e da formação profissional.
• Áreas de investigação: trabalho, organizações e profissões.
PAP1411 - Aplicação do levantamento bibliométrico em pesquisa sobre processo de socialização e construção de identidades profissionais no campo da Administração: um exemplo de delineamento teórico-metodológico
Este trabalho demonstra o processo de “Levantamento Bibliométrico” e sua relevância quando utilizado como parte da metodologia de investigação científica numa área de alto índice de produção acadêmica como são as Ciências Sociais. Inicialmente, diferenciamos levantamento bibliométrico de pesquisa bibliomética, em seguida, descrevemos o processo desde a escolha dos descritores a serem utilizados, enfatizando a importância da ligação com o referencial teórico empregado na pesquisa, a escolha das bases de dados e a organização e utilização dos resultados obtidos. Um levantamento bibliométrico consiste em encontrar toda e qualquer produção feita acerca de um tema num determinado período de tempo e publicado em bases de dados que permite ao pesquisador aprofundar seu conhecimento em relação ao seu campo de interesse e proporciona uma visualização em escala mundial da ocorrência de publicações de artigos. É possível mapear onde, quando e como autores ao redor do mundo estão escrevendo dando subsídio para a construção do Estado da Arte no campo investigado. Para efeito de ilustração é demonstrado o levantamento realizado para a pesquisa “Processo de socialização e construção de identidades profissionais no campo da Administração” que aconteceu nas bases de dados do site da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior) que publica periódicos relevantes para a área de interesse, no caso, as Ciências Sociais. O trabalho foi realizado em dez bases internacionais e somente uma de origem nacional. Em função do referencial teórico da investigação para a qual o levantamento foi realizado, Berger e Luckmann(2000), Dubar (2005) e Dubet (1994), foram definidos os descritores socialização (socialization), trajetória de vida (lived experience) e identidade profissional (professional identity). A aplicação do filtro utilizando os descritores trouxe 11.993 artigos publicados, a partir do ano 1990, que foram tabulados em planilha. Isso nos possibilitou analisar de maneira mais sistemática a quantidade e a qualidade dos artigos encontrados nas bases de dados o que nos levou a selecionar após a leitura dos títulos e resumos apenas 64 efetivamente relacionados com nossa pesquisa. Cumpre destacar, à guisa de conclusão, que foram enfrentadas algumas dificuldades como incoerência dos conteúdo do trabalho com os descritores, instabilidade do sistema de busca o que reiniciou muitas vezes a busca e, algumas vezes, os links dos artigos disponibilidades no site da CAPES não direcionavam ao site da base de dados na qual o trabalha estava. Contudo, o levantamento bibliométrico alcança resultados satisfatórios, pois apresenta frutos quantitativos e qualitativos, ao contrário de uma pesquisa bibliométrica, que tem por finalidade encontrar somente a quantidade do que foi produzido sobre determinado tema em determinado intervalo de tempo.
- CUNHA, Marciano de Almeida

- SOARES, Gabrielle Tosin
- SOBRAL, Mariana Cristina Tosta
Marciano de Almeida Cunha
Professor da área de Gestão de Pessoas da Escola de Negócios da Pontifícia Universidade Católica do Paraná - PUCPR Brasil, atuando nos cursos de graduação e pós-graduação. Doutor em Educação (PUCSP) com estágio sandwich na Université de Montréal - Canadá, Mestre em Administração e em Educação (PUCPR) e formação em Administração e Ciências Biológicas (UEPB). Palestrante e consultor em Desenvolvimento Humano. e profissional. É líder do grupo de pesquisa “Formação e profissionalização no campo das Ciências Sociais Aplicadas”, no qual desenvolve pesquisas vinculado às seguintes Linhas de Pesquisa 1. “Processos de socialização, formação e profissionalização: da escolarização à carreira profissional” e 2. “Impactos de práticas e tecnologias de desenvolvimento profissional nos processos da Gestão de Pessoas e nas estratégias das organizações”. para conhecer mais www.marcianocunha.com.br
PAP1261 - As diferenças de género no consumo de automóveis premium em Portugal: uma perspectiva sociológica
O automóvel privado desempenha um papel de
relevo nas sociedades ocidentais
contemporâneas e tem sido um indicador
clássico de status na sociologia do consumo e
no marketing.
Os trabalhos sobre consumo automóvel de
Sheller (2003) e Shove (1998) remetem-nos para
a importância do indivíduo e das suas
escolhas. Porém, os dados estatísticos em
Portugal sobre o consumo de automóveis do
segmento premium, mostram que a afirmação
individual não é um critério relevante. Além
disso, confirmam a existência de diferenças
significativas por géneros no que toca à
preferência de cada marca, parecendo reforçar
o que Mohammadian (2004) verificou quanto à
existência de diferenças nas motivações de
compra de automóveis por parte indivíduos do
género masculino e feminino.
Este trabalho tem por objecto o consumo de
automóveis do segmento premium em dois
períodos, 2003 e 2009, em Portugal. A escolha
deste segmento prende-se com a forte carga
simbólica e identitária de cada uma das marcas
que o compõem, conferindo ao automóvel um
estatuto que ultrapassa largamente o conceito
de meio de transporte.
Pretendemos identificar os factores
sociológicos que enformam as decisões de
consumo de automóveis premium em Portugal,
verificar se há critérios de escolha
distintivos entre o género masculino e
feminino e observar se estes registaram uma
evolução significativa no intervalo de 6 anos.
Com o intuito de caracterizar a realidade
sociológica da população em estudo, bem como
as vendas e a posse de automóveis, recorremos
à análise quantitativa de várias fontes, entre
outras o principal estudo realizado em
Portugal sobre o consumo automóvel. Foram
ainda aprofundadas as motivações de compra
através da aplicação de um inquérito a homens
e mulheres, proprietários de automóveis das
marcas seleccionadas.
Os resultados deste estudo revelam uma menor
proporção de mulheres proprietárias de
automóveis de marcas premium, tendo-se
registado, inclusive, uma variação negativa
nesta proporção entre 2003 e 2009.
Nos critérios de escolha confirmam-se as
conclusões de estudos efectuados anteriormente
noutras geografias, sobre a maior
racionalidade das mulheres, traduzida na
valorização dos aspectos relacionados com a
fiabilidade, segurança e economia em
detrimento das variáveis hedonísticas e
estatutárias, próprias do género masculino
(Mohammadian, 2004; Mitchell & Walsh, 2004).
- RODRIGUES, Paulo

- CORREIA, Ana
Paulo Farias Rodrigues, Consultor e Partner da Visão Maior Consultores, Lda.
Consultor e Formador nas Áreas Comportamental, Gestão Estratégica, Comercial e de Marketing.
Licenciado em Marketing, Publicidade e Relações Públicas (ISLA-Lisboa) e Mestrando em Comunicação Social, na variante de Comunicação Estratégica (ISCSP - Universidade Técnica de Lisboa).
Iniciou recentemente a sua carreira académica com as funções de docência na ESCS (Escola Superior de Comunicação Social – Lisboa), no ISEG (Universidade Técnica de Lisboa) e no ISLA (Instituto Superior de Línguas e Administração) em programas de Formação Avançada.
Possui cerca de 20 de anos de experiência de gestão em várias empresas multinacionais do sector farmacêutico, tendo desempenhado funções de responsabilidade crescente nos cargos de Director de Marketing, Director de Vendas e Director-Geral.
Tem artigos publicados na Revista “Marketing Farmacêutico”.
PAP0808 - Between reason and and literary imagination: travel literature and the rise of modern science in Brazil
The history of science in occidental world shows us a singular path. The rise of modern science – an empirical and experimental way of produce formal knowledge about the nature and culture – has specifics features according to the structure of society. We are talking about the existence of connections between science and society. Robert K. Merton and Joseph Ben-David, using a comprehensive approach, argue that the rise of modern science in the main European societies has special connections with the protestant ethics. In other words, the rise of modern science in Europe was directed linked with the “spirit of capitalism” and, consequently, associated with the process of “disenchantment of the world”. Thus, the legitimacy of science in society as an integral discourse resulted from its capacity to glorify the God’s faith, and this was possible because science was comprehended through the protestant ethic. The sociological elucidation of the pre-institutional moment of science, therefore, can reveal the process of transmission of a new kind of knowledge.
In this paper we try to show the connections between science, literature and pictorial arts (landscape paintings) as a way to comprehend the rise science in Brazil in the late 18th and in the first half of 19th. Without the protestant ethic element, the natural science in Brazil was disseminated through a special kind of literary genre: the scientific travel literature. The connection between modern science and literature substituted in Brazil the connection between science and religious. But, this type of social process reveals the rise of a specific kind of science. The narrative of scientific expeditions in 18th and 19th centuries was ordered by a singular methodological approach based on a descriptive procedure that mixed formal perceptions with subjective feelings. That type of science is called “romantic science” because it have a large personal substance – Alexander Humboldt, for instance, can be understood as a central reference of that kind of science. Romantic science was assimilated in Brazil through literary groups. These social groups diffused a literary type of science as a result of the structural organization of society in Brazil (colonial state with no class structure and no social competition). Finally, our goal in this paper is i) to show the main characteristics of the scientific travel literature; and ii) to describe the main characteristics of the Brazilian society between 18th and 19th century; and, finally, iii) we pretend to understand the connections between “fruition” and “reason” in the literary and science domains, that allowed the assimilation and the diffusion of a special type of a scientific thought in the pre-institutional science in Brazil.
- FETZ, Marcelo

- FERREIRA, Leila C.
Marcelo Fetz
Cientista Social, PhD em Sociologia pela Universidade Estadual de Campinas (Brasil) com estágio de doutoramento na The University of Mississippi (USA). Atualmente realiza pesquisas na área de Sociologia da Ciência, Sociologia do Conhecimento e Sociologia da Cultura, com especial interesse no envolvimento entre ciência, literatura e pintura de paisagem no pensamento científico presente na passagem do século XVIII para o XIX, naquilo que convencionou-se denominar por Segunda Revolução Científica. Desenvolve trabalhos na área de Teoria Social e Epistemologia da Ciência, com ênfase no processo de formação do pensamento científico e da Instituição Científica brasileira.
PAP1020 - Dilemas éticos e morais em torno de uma doença genética autossómica dominante
Esta comunicação insere-se na investigação de doutoramento em Sociologia, integrada no CesNova, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, iniciada em 2007, com orientação do Prof. Doutor José Manuel Resende, intitulada A construção social do estigma dos doentes de Machado-Joseph: os dilemas científicos, morais e sociais.
Pretende-se reflectir sobre as controvérsias em torno da doença de Machado-Joseph, procurando perceber as lógicas de acção dos diversos actores envolvidos.
Procurar-se-ão apresentar os resultados da recolha de informação realizada ao longo dos últimos dois anos em Portugal e no Brasil, mais especificamente nas ilhas de São Miguel e Flores no Arquipélago dos Açores e em Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul no Brasil.
Para esta comunicação integrada no doutoramento em Sociologia, foram realizadas entrevistas semi-estruturadas (cerca de 70 entrevistas) numa perspectiva de "narração de vida" a doentes, portadores, cuidadores e familiares acompanhantes, em São Miguel e Flores (nos Açores) e em Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul (no Brasil), com questões que abordaram as experiências do sujeito e as suas concepções sobre saúde e doença, relações e interacções com os outros actores sociais envolvidos, abordando-se também a experimentação da fase inicial da doença e do seu diagnóstico, as controvérsias relativas ao diagnóstico pré-natal e teste preditivo numa situação de transmissão autossómica dominante e consequente hereditariedade da DMJ. Além destes actores, também foram entrevistados, em Portugal e no Brasil, especialistas médicos e profissionais de saúde, e um terceiro grupo de actores constituído por técnicos e dirigentes de Ong’s e IPSS’s que apoiam estes doentes e familiares.
Nesta investigação recorreu-se às teorias crítica e da justificação durante todo o processo de investigação, desde a problematização e fundamentação do quadro de referência à pesquisa empírica e análise de conteúdo.
Parte-se do pressuposto que a reflexividade é uma característica dos actores e que estes apresentam denúncias e críticas perante o que consideram (des)igual e (in)justo. Assim, nesta pesquisa pretende-se responder às questões: como as famílias vivenciam a experiência da visibilidade social desta doença crónica incapacitante nas várias regiões em análise? Que factores influenciam as vivências da doença? Que denúncias de (in)justiça são apresentadas pelos actores face à desigual distribuição e acesso ao diagnóstico e à saúde?
- SOARES, Daniela

Nome: Daniela Almeida de Medeiros de Sousa Soares
Afiliação institucional: Doutoranda na FCSH-UNL, investigadora (não doutorada) do CESNOVA, investigadora (não doutorada) do CESUA, assistente convidada no Departamento de História, Filosofia e Ciências Sociais da Universidade dos Açores.
Área de formação: Licenciada e mestre em Sociologia
Interesses de investigação: Sociologia da Saúde; Metodologias de Investigação
PAP0859 - Inundações e ação social em Campos dos Goytacazes (Rio de Janeiro, Brasil)
O presente artigo aborda pesquisas realizadas
no Brasil no campo da sociologia dos desastres,
buscando esclarecimentos conceituais e
metodológicos relevantes à interpretação da
dimensão sócio-política do acontecimento das
inundações periódicas na região Norte do estado
do Rio de Janeiro, com destaque para o
município de Campos dos Goytacazes. Entre os
meses de novembro e dezembro de 2008, Campos
recebeu um grande volume de chuvas que
desencadeou intensas inundações, como a que
atingiu o bairro de Ururaí, localizado às
margens do rio de mesmo nome, que atravessa
parte deste município. Neste período, mais de
setecentas pessoas foram alojadas em abrigos
improvisados nas escolas do bairro, mas logo
tiveram de ser transferidas para outras escolas
do centro da cidade – interrompendo-se assim o
calendário escolar –, em função de uma nova
elevação do nível das águas. Segundo a Defesa
Civil cerca de 8 mil pessoas foram “atingidas
pela chuva” nas áreas mais críticas do evento
neste município (2.450 desabrigados e 5.500
desalojados), e em todo o estado do Rio de
Janeiro contabilizou-se mais de 394 mil pessoas
afetadas pelas inundações. Concordando com
Mattedi & Butzke (2001), partimos da
compreensão do desastre como um fenômeno
social, buscando interpretar o acontecimento da
inundação através de uma abordagem integrada a)
da construção das condições sociais prévias ao
desastre e b) da dinâmica de enfrentamento,
durante e após o evento. Diferentemente das
situações de desterritorialização a partir de
eventos de desastres, apontadas em Valencio e
outros (2009) – quando a prática institucional
da Defesa Civil aliada ao discurso técnico dos
mapeamentos de áreas de risco promove o
deslocamento involuntário dos moradores –,
chamou-nos à atenção o fato do governo
municipal de Campos intensificar os trabalhos
para a consolidação da urbanização do bairro de
Ururaí em 2011, nesta chamada área de risco.
Este fato pareceu-nos indicar, por um lado, um
esforço de fortalecimento de alianças políticas
locais por parte do governo municipal – como
também sugerem alguns depoimentos de moradores
locais; e por outro lado, provoca-nos a
construir uma compreensão mais aprofundada
sobre a percepção, enraizamento e ação dos
próprios moradores do bairro, que lutam por
permanecer na área. Buscamos assim debater
algumas possibilidades de interpretação desta
dinâmica social associada às inundações
periódicas neste bairro, de modo a trazer novos
elementos que colaborem para uma reflexão
crítica das políticas públicas de enfrentamento
das inundações no município e região.
- MALAGODI, Marco Antonio Sampaio
- SIQUEIRA, Antenora Maria da Mata
PAP0957 - Lógica do concreto, lógica do significado: assimilações nuançadas de objetos e modos na obra de Gilberto Freyre
A intensidade e extensão dos contatos entre culturas, tornados contemporaneamente mais freqüentes e velozes, ainda que não menos conflituosos e complexos, têm levado sociólogos a buscar modos de olhar mais generosos à capacidade dos povos em criar maneiras próprias de assimilação do Outro. A variedade das formas de tais contatos – imitação, apropriação, tradução, transculturação, hibridização, entre outros – depende de como a "lógica do concreto" se relaciona com a "lógica da significação" em cada encontro entre sistemas de categorização (Sahlins). Um olhar atento deve ser capaz de rearticular as polaridades criadas pelas próprias ciências humanas, para explicar a estabilidade, bem como a mudança social, a partir da (re)ligação entre mundo material e imaterial, visível e invisível. Parte da obra de Gilberto Freyre, talvez menos conhecida do que a clássica trilogia do autor – Casa Grande e Senzala (1933), Sobrados e mucambos (1936) e Ordem e progresso (1959) – oferece este olhar, sob o qual se desvelam nuançadas trocas entre sociedades que comportam distintas visões de mundo. Neste trabalho, que é apenas uma parte da tese de doutorado em desenvolvimento, constitui objeto de estudo a análise de Freyre das influências francesa e britânica sobre a cultura brasileira nos livros Um engenheiro francês no Brasil (1940) e Ingleses no Brasil (1948). Em tais obras, o foco de análise recai sobre a influência técnica e material transmitida cotidianamente por personagens "menores", figuras na aparência as mais humildes, da história íntima brasileira. Aqui, as trocas culturais, ainda que enredadas por relações de poder – tendo em vista o estado avançado das “carboníferas” culturas estrangeiras em relação à brasileira, impregnada de Orientalismos – jamais ocorrem como via de mão única. Este aspecto da obra de Freyre ressalta criativos processos de tropicalização que ocorrem num tipo de "revolução macia", e tem sido ressaltado em anos recentes não somente por constituir o “coração” e o foco de maior atenção internacional de sua obra (Pallares-Burke, 2011), mas também por sua proficuidade no debate atual. Esta "revolução branca" e de mão dupla se difere do diagnóstico vislumbrado ao final de Sobrados e mucambos, em que a reeuropeização do Brasil aparece como estetização totalizadora, oposta ao equilíbrio de antagonismos próprio à assimilação luso-tropical. É este tipo de revolução que pretendemos capturar em tais obras, revolução que fez Freyre vislumbrar, de maneira entusiástica, o futuro do Brasil como nação exemplar ao mundo, triunfando, na trilha dos britânicos, “nas artes de combinar e fazer interpenetrar contrários”.
- FREITAS, Isabella Mendes

Isabella Mendes Freitas
Doutoranda em Sociologia pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade Estadual do Rio de Janeiro desde 2010, sob orientação do professor Dr. Ricardo Benzaquen de Araújo. Desenvolve atualmente, em sua pesquisa de tese, investigação sobre os impactos materiais e imateriais da presença estrangeira no Brasil e as formas brasileiras de acomodação de tais influências, a partir da interpretação de Gilberto Freyre em obras específicas sobre o tema. Tem graduação em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de Viçosa e mestrado em Sociologia pela Universidade Federal de Minas Gerais. Nessas instituições, realizou pesquisas a respeito do tema da urbanização e da condição do estrangeiro a partir da interpretação de Georg Simmel e Walter Benjamin, a partir de representações do cinema latino-americano. Com estes dois autores, procurou desenvolver estudos a respeito de uma perspectiva sociológica estética.
PAP0858 - O estudo do trabalho cultural e artístico pela sociologia em Portugal
A abordagem das profissões pela sociologia
constitui uma tendência recente na história
desta disciplina em Portugal. E se as
primeiras análises sociológicas de grupos
ocupacionais incidiram em profissões
institucionalizadas – como médicos e
engenheiros –, o sector da cultura e das artes
e os agentes que aí intervêm têm sido alvo de
uma vaga analítica mais tardia. Impulsionada
pela expansão da sociologia da cultura nas
últimas duas décadas, esta vaga traduz-se num
acervo de investigações em fase de crescimento.
Que perfis profissionais têm sido focados?
Através de que metodologias? Com que
contributos para o melhor conhecimento do
sector cultural e artístico? O objectivo da
presente comunicação é responder a estas
questões, caracterizando o leque de estudos
que a sociologia em Portugal tem produzido
sobre profissões culturais e artísticas. Trata-
se de ocupações compondo um grupo heterogéneo
e com especificidades, por nele caberem
domínios e ocupações com maior ou menor ênfase
na criação, difusão e conservação e ainda pela
diversidade de funções em causa (artísticas,
técnico-artísticas e de mediação).
Optou-se por estabelecer como critério de
recenseamento de textos a posse conjunta de
três atributos: ter autoria de sociólogos;
ancorar em investigações empíricas; estar
publicado.
No balanço contido nesta comunicação, os
estudos sociológicos sobre o trabalho cultural
e artístico são categorizados de acordo com os
objectos e as metodologias utilizadas. Os
principais resultados dos estudos sistematizam-
se em seis tópicos/seis secções temáticas: i)
artistas e companhias; ii) trajectórias e
reconhecimento – juventude, género,
nacionalidade; iii) escritores, editores e
política; iv) da importância dos mediadores
culturais; v) novos modelos de produção/
difusão e redefinição de perfis; vi)
representações e relação com a profissão.
O balanço aponta as áreas menos abordadas pela
sociologia na análise dos agentes e profissões
culturais e artísticas. Consideram-se ainda os
traços que o trabalho no sector da cultura e
das artes partilha com o emprego noutras áreas
de actividade.
- MARTINHO, Teresa Duarte

Teresa Duarte Martinho é socióloga e completou o doutoramento em Sociologia em 2011 no ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL). É licenciada em Sociologia (1990) pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE). É mestre em Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação (2000), pelo ISCTE, e em Estudos Curatoriais (2006), pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa (FBAUL).
Actualmente, é investigadora de pós-doutoramento no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL) (http://www.ics.ul.pt). Desde 1996, participou em diversos projectos de investigação no Observatório das Actividades Culturais (OAC) (http://www.oac.pt) entidade fundada em 1996 por: Ministério da Cultura, Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e Instituto Nacional de Estatística (INE). Interesses de investigação: profissões e ocupações culturais e artísticas; políticas culturais; processos de mediação da arte e da ciência: práticas, actores e trajectórias.
PAP0902 - Para uma sociologia da condição adepta (de futebol) em Portugal
Num texto já do presente ano (2011) intitulado “Le douzième homme”,
Christian Bromberger demora-se na identificação e análise de adeptos
de perfis variados: os “ultras” e os “oficiais” (respeitáveis, comedidos,
avessos à violência). Este exercício ao mesmo tempo encontra e
desencontra um dos pressupostos que, em trabalho com alguns anos
(2008), nos levou até à condição adepta (de futebol) em Portugal. Se,
com Bromberger, a considerámos enquanto espaço plural, nos tipos,
perfis, práticas, normatividades, quadros de interacção e
representações que compreende, contra este autor, rechaçámos (ao
menos parcialmente) a cedência normativa que consiste em fechá-la
em torno dos “verdadeiros adeptos”, sejam ultras ou oficiais ou doutro
género qualquer, apreendendo-a através dum indicador de intensidade
da afinidade clubista e da tipologia de vinculação clubista que esse
indicador permitiu construir.
Na comunicação ora proposta visa-se revisitar criticamente este
dispositivo e a forma teórica que o baliza, não prescindindo de
aprofundar o princípio de construção de objecto sociológico que esteve
na sua origem: o de que a restituição das realidades sociais não deve
rasurar a pluralidade que as constitui. A comunicação abrir-se-á pois a
dois momentos diferenciados mas sequenciais: 1) um primeiro de
natureza analítica, em que se informará e discutirá as propriedades
lógicas e empíricas do artefacto teórico-metodológico aplicado na
pesquisa citada; 2) um segundo de natureza conjectural, em que,
entroncando nos desenvolvimentos recentes que a sociologia à escala
individual conheceu e nas novas possibilidades de objectivação que
rompem da sociologia pragmática, se equacionará um conjunto de
hipóteses que desafiam a pesquisa no domínio da sociologia da
condição adepta. Na verdade, estará em causa (diga-se: mais
complementarmente do que alternativamente) dar conta das diferenças
e clivagens que atravessam essa condição “dentro” de cada sujeito
vinculado e nos “investimentos de forma” para que é compelido.
Trata-se, noutros termos, de trazer para o centro da objectivação
sociológica da “condição adepta” nada mais nada menos do que o
segmento da sociologia contemporânea mais promissora que até agora
dela se manteve alheada. Com isso vincando, finalmente, uma posição
de amplo alcance: todos os objectos sociológicos, seja qual for o
domínio empírico que os abranja, têm necessariamente de se submeter
à teoria sociológica geral e aos respectivos progressos.
- NUNES, João Sedas

- CHAVES, Miguel

João Sedas Nunes, doutorou-se em Sociologia da Cultura em 2008 com uma tese sobre Culturas Adeptas do Futebol. É docente na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, investigador do CESNOVA e director da revista Forum Sociológico. As suas áreas de especialização recobrem diferentes polaridades empíricas: sociologia da inserção profissional e do trabalho; sociologia do futebol; sociologia da juventude e sociologia da cultura.
Miguel Chaves é professor na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e investigador do CESNOVA. Enquanto investigador dedicou parte do seu percurso ao estudo da exclusão social, do desvio e da marginalidade, tendo produzido vários textos sobre estas matérias, dos quais se destaca o livro Casal Ventoso: da Gandaia ao Narcotráfico. Actualmente, desenvolve e coordena vários estudos centrados na inserção profissional e nos estilos de vida de jovens altamente qualificados, tendo neste âmbito publicado o livro Confrontos com o Trabalho entre Jovens Advogados: as Novas configurações da Inserção Profissional, bem como diversos artigos.
PAP1363 - Propostas para o ensino de Sociologia na educação básica: o caso brasileiro
Esta comunicação traz um mapeamento das orientações curriculares para o ensino da Sociologia na educação básica brasileira. A intenção é, por um lado, refletir sobre as diretrizes elaboradas, no âmbito do Ministério da Educação, para o ensino da Sociologia, levantando os objetivos traçados para esta disciplina, as propostas de seleção de conteúdos, de materiais e de recursos didáticos, bem como a sugestão de estratégias de ensino. Por outro lado, analisa a participação dos membros da comunidade científica na elaboração desses documentos, problematizando em que medida as discussões acadêmicas foram incorporadas aos documentos oficiais ou estiveram relacionadas a eles. O trabalho recorre à pesquisa documental e bibliográfica, tendo como foco os documentos e materiais produzidos pelo Ministério da Educação a partir do ano 2000. Ele abarca algumas reflexões sobre as publicações direcionadas para os docentes e para a seleção de manuais didáticos e, principalmente, sobre os Parâmetros Curriculares Nacionais, de 2000 e de 2002, e sobre as Orientações Curriculares Nacionais para o Ensino Médio, de 2006. Com um histórico de descontinuidade nas propostas curriculares nacionais desde 1925, quando começou a ser oferecida como disciplina do ensino secundário ou, nos termos utilizados no Brasil, do “ensino médio”, a Sociologia tornou-se obrigatória em 2008, com a aprovação da lei 11.684, que revogou o item III da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996. À intermitência da Sociologia nos currículos da educação básica ao longo de muitos anos, soma-se a ausência de um acúmulo de experiências e de pesquisas sobre a questão ou até mesmo a inexistência de uma tradição de ensino. No próprio meio acadêmico, chama a atenção a carência de estudos científicos sobre o ensino de Sociologia no sistema escolar. Ensinada atualmente em todas as escolas brasileiras, públicas e privadas, nos três anos do ensino secundário, a Sociologia consolida-se como componente curricular da educação básica. Aponta-se, neste trabalho, que com esta obrigatoriedade do ensino da disciplina, o Ministério da Educação tem ampliado e diversificado a produção de materiais que versam sobre este componente curricular, contando com a participação de professores e pesquisadores das universidades brasileiras.
- NEUHOLD, Roberta dos Reis
PAP0302 - Religião e Comensalidade: Max Weber e o dia de Antioquia
Quando, em nossos dias, partilhamos a mesa em restaurantes com pessoas cuja religião, ou cujas crenças e valores de um modo geral, nos são inteiramente desconhecidos, dificilmente imaginamos que uma experiência dessa natureza está longe de ser uma trivialidade. Assim, qualquer leitor da Epístola de Paulo aos Gálatas há de se impressionar com o incidente de Antioquia, no qual Paulo repreende Pedro em razão de este último ter se recusado a compartilhar a mesa com os gentios. Max Weber viu neste episódio o limiar de uma transição evolutiva (ou "desenvolvimental") decisiva, na qual um padrão particularista, heteronômico de conduta, simbolizado pela recusa farisaica de Pedro em manter-se à mesa com os gentios, deu lugar a um padrão universalista e autônomo de conduta, simbolizado pela repreensão cristã que Paulo lhe dirigiu. Mais que um “precedente memorável” para a “comensalidade universal” que poderia se estabelecer a partir de então, Weber enxergou na repreensão de Paulo a Pedro o momento mesmo de “concepção” da cidadania tal como hoje a conhecemos. No rastro de Weber, o sociólogo alemão Wolfgang Schluchter viu nesse episódio bíblico um momento paradigmático de transição de uma ética utilitária da “estrita reciprocidade”, característica da expectativa de ajuda mútua peculiar a vizinhos, a uma autêntica “ética religiosa da fraternidade”, regida pelo princípio da “unilateralidade do ‘dever do amor’”; de uma conduta regida pelo princípio do “do ut des” (dou-te para que me dês) a uma que encerra a “renúncia à (mundana) reciprocidade estrita”; e de uma ética dual (isto é, que supõe um padrão de conduta em relação aos do mesmo grupo e outro em relação aos de fora) ao universalismo. Argumenta-se que esta linha de raciocínio, embora impecável em seus próprios termos, conduz-nos a um quadro empiricamente falso a respeito da importância histórico-cultural do trabalho missionário de Paulo, das relações entre cristãos, gentios e judeus no período que se seguiu à sua pregação e das relações entre a ética farisaica e a ética peculiar ao cristianismo primitivo. A obtenção de um quadro mais veraz a respeito de tudo isto requereria um exame mais detido a respeito do significado do advento da sinagoga, por um lado, e da importância da apologia patrística para o desenvolvimento do cristianismo, por outro. A ênfase de Weber no trabalho missionário de Paulo levou-o a eximir-se de tais tarefas.
- FREITAS, Renan Springer de

Graduado em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Minas Gerais (1980), mestre em Sociologia pela Sociedade Brasileira de Instrução - SBI/IUPERJ (1983) e doutor em Sociologia pela mesma Instituição (1989). Pesquisador visitante na Universidade de Amsterdam, no período 1990-1992, com bolsa de pós-doutorado concedida pela CAPES e Professor visitante na Duke University, EUA, em setembro de 2006. Atualmente é membro do Conselho Editorial da Revista Philosophy of the Social Sciences. Professor Titular da Universidade Federal de Minas Gerais. Temas sobre os quais leciona e publica: teoria sociológica, sociologia do conhecimento, sociologia da ciência e sociologia da religião.
PAP0472 - Sociologia no Ensino Médio: a Teoria de Gênero abordada no material didático e nas práticas educativas das escolas públicas de Uberlândia/MG/Brasil
O presente projeto busca analisar conteúdo
programático de Sociologia, presente no
material didático, referente à questão de
gênero, bem como as práticas pedagógicas
estabelecidas entre professores e estudantes
do Ensino Médio, nas escolas públicas da
cidade de Uberlândia/MG/Brasil, no intuito de
compreender e contribuir para diversas e
distintas posturas em relação a temática em
questão. Em conformidade com o II Plano
Nacional de Políticas para as Mulheres, cujo
princípio fundamental é “assegurar direitos e
melhorar a qualidade de vida das mulheres
brasileiras em toda a sua diversidade, por
meio da igualdade e respeito à diversidade,
equidade na garantia dos direitos universais
às mulheres, respeito à autonomia das mulheres
com justiça social, aliadas à presença do
Estado com Políticas Públicas direcionadas à
elas, por meio de universalidadedas políticas
e transparência dos atos públicos”, nosso
estudo faz-se importante na busca do
cumprimento desses princípios. Nos últimos
anos, a sociedade brasileira entrou no grupo
das sociedades mais violentas do mundo. Hoje,
o país tem altíssimos índices de violência
urbana (violências praticadas nas ruas, como
assaltos, seqüestros, extermínios, etc.);
violência doméstica (praticadas no próprio
lar); violência familiar e violência contra a
mulher, que, em geral, é praticada pelo
marido, namorado, ex-companheiro, etc., enfim
relações de violência, preconceito,
discriminação em relação às mulheres de todas
as classes sociais, raças, etnias, profissões,
etc. Dessa forma, as relações entre homens e
mulheres encontram-se longe da
complementaridade, da igualdade, da
convivência pacífica. Compõem-se como relações
de oposição, contraditórias, desiguais, muitas
vezes violentas e por conseguinte justificamos
a necessidade de refletir sobre o assunto de
forma prática e teórica, a fim de realizarmos
o enfrentamento dessas questões nos diferentes
níveis. Embora esse projeto não trabalhe com a
violência explícita, ao trabalharmos com
processo educativo e material didático,
estaremos trabalhando com a idéia de violência
simbólica (Bourdieu) presente nas relações
educativas e entre gêneros. Compreendemos ser
de fundamental importância tratar sobre
questões de gênero e violência nos conteúdos
programáticos da disciplina de Sociologia no
Ensino Médio. Sendo assim, o nosso projeto
propõe-se a analisar o material didático, bem
como as estratégias de trabalho pedagógico
utilizados na disciplina de Sociologia, em
escolas públicas de Ensino Médio de
Uberlândia, a fim de compreender e propor
alternativas de análise e trabalho pedagógico
que contemplem as discussões clássicas e
críticas de gênero e sua adequação a vida
cotidiana.
- PAULA, Sandra Leila de
- MACEDO, Miriam Rosa
- MORAES, Karine Ferreira de
PAP1368 - Uma abordagem compreensiva aos processos de identificação com a profissão – o caso de psiquiatras em início de carreira
O ponto de partida proposto é uma discussão em torno do trabalho teórico-metodológico desenvolvido no âmbito de uma dissertação de Mestrado, na qual se procurou observar empiricamente a experiência subjectiva produzida no domínio profissional da Psiquiatria. Teve-se em vista abordar as representações que médicos psiquiatras em início de carreira manifestam face aos seus saberes, às suas práticas e aos contextos onde exercem a sua actividade profissional. Em ternos teóricos, procurou-se equacionar este objectivo à luz dos quadros conceptuais que informam o fenómeno identitário. É, portanto, objectivo desta comunicação apresentar os desafios que esta abordagem encerra, bem como as propostas de superação encontradas. No domínio das Ciências Sociais, a Psiquiatria aparece inscrita num espaço marcado por controvérsias teóricas que acentuam em graus e níveis diversos as dicotomias expressas nos pares indivíduo versus sociedade, e liberdade versus constrangimento. Àquelas, acrescentam-se as implicações políticas relativas ao alcance, ao impacto e às funções que esta especialidade tem assumido na individualização dos problemas sociais. Por outro lado, o tema da «identidade» e a sua recente transposição para os quadros da Sociologia impõem a superação de vários obstáculos decorrentes de uma observação à «escala dos sujeitos». Assim, tanto em termos substantivos como metodológicos, a delimitação deste objecto revelou ser um percurso íngreme, de contornos sinuosos. Informada por uma orientação metodológica qualitativa, esta pesquisa reclamou um trabalho de vaivém, multi-posicionado e atento na definição de uma correspondência progressiva entre as condições específicas do terreno, as perguntas orientadoras da pesquisa e os recursos teóricos disponíveis. A resolução (provisória) dos dilemas analíticos presentes, concretizou-se na concepção de um desenho de pesquisa que procurou integrar a dupla valência da descoberta e da construção, faseado por dois momentos, com objectivos e procedimentos diferenciados. Obteve-se, em resultado, um tratamento qualitativo das entrevistas realizadas, organizado na apresentação de um registo duplo – biográfico e relacional – de apreensão aos processos de identificação manifestados por médicos psiquiatras face à profissão exercida. Os resultados obtidos vêem acrescentar contributos ao debate metodológico no que toca a observação e operacionalização da temática identitária quando equacionada à escala das profissões de natureza intelectual e científica. Nomeadamente ao esclarecer e discutir o estatuto sociológico a atribuir às singularidades e ao conhecimento de «especialistas», à entrevista como técnica de recolha central, e às exigências epistemológicas que aquelas circunstâncias colocam na situação social de interacção entre os papéis de entrevistador e entrevistado.
- COSTA, Nádia

Nome: Nádia Costa (PAP 1368)
Formação/Afiliações institucionais: Licenciada e Mestre em Sociologia pela FLUP.
A colaborar actualmente no âmbito do projecto "Empreendedorismo Social em Portugal: as políticas, as organizações e as práticas de educação" desenvolvido pelo ISFLUP em parceria com a A3S - Associação para o Terceiro Sector - e Dinâmia/ISCTE.
Interesses de investigação: interesse teórico-metodológico em torno do tema mais lato das "identidades", da produção do conhecimento (científico e leigo), dos valores, dos estilos de vida e das formas de participação cívica.
PAP0600 - VIVER COM DEPRESSÃO CRÓNICA – RECONSTRUÇÃO BIOGRAFICA E REPRESENTAÇÕES SOBRE A SUA PROPRIA DOENÇA
O aumento das doenças crónicas, nomeadamente das doenças mentais crónicas, bem como as mudanças operadas no domínio das respostas à doença mental coloca-nos perante a necessidade de avaliar os seus impactos na vida das pessoas, dos grupos e das organizações sociais, mas também de compreender as vivências, as alterações e ajustamentos que exige ao nível da identidade e dos modos de vida.
Em Portugal há poucos estudos sobre a experiência com a doença mental, sobretudo sobre a forma como aqueles que a vivenciam no seu quotidiano a experienciam e com ela convivem quotidianamente. Nesta comunicação, que se baseia em evidência empírica resultante de um estudo exploratório apoiado em entrevistas em profundidade junto de 10 pessoas com diagnóstico psiquiátrico de depressão crónica, onde se analisam as concepções sobre a sua própria doença e a percepção sobre os impactos na vida quotidiana, procuram-se os sentidos que se tecem a partir dessas experiências pessoais no quotidiano.
Esta pesquisa adopta uma abordagem qualitativa que privilegia o ponto de vista do nativo de Geertz (1993) e se apoia no argumento de pluralidade de habitus e de contextos de acção (Lahire, 2005).
Procurámos assim compreender como é que os próprios sujeitos que vivenciam a depressão a entendem, a explicam e interpretam, a introduzem no seu quotidiano e lidam com as suas consequências e impactos nos vários níveis e contextos onde a sua vida decorre. Daremos especial ênfase às concepções e representações sobre a sua própria doença, evidenciando as tensões entre a ‘normalidade’ (passado) e a experimentação subjectiva do novo ‘eu’ (identidade actual).
Nota: Pesquisa efectuada no âmbito do Mestrado em Sociologia da Saúde e da Doença (ISCTE/IUL) por Cecília Neto (na qualidade de mestranda) e Fátima Alves (na qualidade de orientadora cientifica).
- NETO, Cecília

- ALVES, Fátima

Nome:
Neto, Cecília
Afiliação institucional:
Centro de Educação Especial Rainha Dona Leonor – Socióloga e responsável técnica do serviço CAAAPD – Centro de Atendimento, Acompanhamento e Animação à Pessoa com Deficiência e Doença Mental
Área de formação:
Mestrado em Sociologia da Saúde e da Doença (2008-2010)
Licenciatura em Sociologia Industrial das Organizações e do Trabalho (1990-1995)
Pós-Graduação em Gestão de Projectos em Parceria (2004-2005)
Interesses de investigação:
Sociologia da Saúde e da Doença, com Preferencial interesse Saúde e Doença Mental
Trabalhos de Investigação:
2012/2013 – Participação no Projeto Luso-Alemão Doença Mental, coordenado pela Profª Fátima Alves
2010/2011 – Projecto de Investigação “Experiência Subjectiva com a Doença Mental Crónica”enquadrado no âmbito do Mestrado em Sociologia da Saúde e da Doença do ISCTE/IUL, Co-coordenado por Fátima Alves e Graça Carapinheiro.
2009/2011 – Elemento do grupo de trabalho epidemiológico “Rastreio no âmbito da doença mental no conselho de Caldas da Rainha” em parceria do Núcleo de Intervenção em Saúde Mental de Caldas da Rainha com a Delegação de Saúde Pública; com orientação do Doutor Luís Pais Ribeiro
Publicações
2011 – Artigo: “A Experiência Subjectiva com a Doença Mental Crónica - Estudo Exploratório sobre os Impactos na Vida Quotidiana em sujeitos diagnosticados com Depressão Crónica”, Co-autoras: Cecília Neto; Fátima Alves; Graça Carapinheiro; (Enviado para publicação em revista nacional).
2012 – Documento conjunto, J. Pais-Ribeiro, Cecília Neto, Jorge Nunes, Mafalda Silva, Carla Abrantes, Sílvia Freitas, Sílvia Ferreira, Ângela Cerqueira, Ana Almeida, e Vítor Coelho, “Ulterior validação do questionário de saúde geral de Goldberg de 28 itens”, apresentada pelo Profº J. Pais-Ribeiro no 9º Congresso Nacional de Psicologia da Saúde, held in Aveiro, Portugal, 9-11 February 2012.
Fátima Alves
prof Auxiliar do Departamento de Ciências Sociais e de Gestão da Universidade Aberta; Investigadora integrada no CEMRI - Participa atualmente em dois projectos de investigação financiados: 'Politicas e Racionalidades de Saúde' em parceria com o ISCSP; ISCTE; UNiversidade de Évora; Universidade Federal do Rio Grande do Sul; é investigadora responsável pelo projeto “Impacto das políticas de saúde mental nas redes sociais de apoio à reabilitação e integração em contextos interculturais diversos: o caso de Portugal e Alemanha”, em parceria com a Universidade de Hamburgo, o Centro de Psicologia da Universidade do Porto, o CAPP/ISCSP e o Laboratório de reabilitação psicossocial.