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VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

PARA O VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

Ficha Técnica:

Organização e Edição:
Associação Portuguesa de Sociologia
Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9
1600-189 Lisboa
Tel: 217804738 / Fax: 217940274 / E-mail: aps@aps.pt / http://www.aps.pt

Produção técnica:
Plug & Play
Rua José Augusto Coelho nº 117
2925-543 Azeitão
Tel: 210 854 236 / Fax: 210 854 236 / http://www.plugeplay.com

ISBN: 978-989-97981-0-6

Depósito legal: 281456/08

Requisitos Mínimos:
Windows XP ou superior.
Adobe Acrobat Reader

©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012

Associação Portuguesa de Sociologia

 

Como referenciar os textos desta edição

SOBRENOME DO AUTOR, Prenome(s) (2012). Título do texto. in Atas do VII Congresso Português de Sociologia, Lisboa: APS. ISBN: 978-989-97981-0-6. Disponível em http://www.aps.pt/vii_congresso/?area=016&lg=pt. Acesso em: Dia mês (abreviado) ano.

Pesquisa:

Resultados da pesquisa por: «Tecnologia»

PAP0415 - Conflitos socioambientais e coletivos de mulheres: reflexões sobre a oposição às novas agrobiotecnologias no Brasil e Argentina
Resumo de PAP0415 - Conflitos socioambientais e coletivos de mulheres: reflexões sobre a oposição às novas agrobiotecnologias no Brasil e Argentina PAP0415 - Conflitos socioambientais e coletivos de mulheres: reflexões sobre a oposição às novas agrobiotecnologias no Brasil e Argentina
PAP0415 - Conflitos socioambientais e coletivos de mulheres: reflexões sobre a oposição às novas agrobiotecnologias no Brasil e Argentina

O artigo discute a centralidade da atuação de mulheres que se autodenominam camponesas ou agricultoras/rurais na formulação das críticas ao modelo de desenvolvimento em curso no Brasil e Argentina, que em grande medida, vigora também no restante dos países latino-americanos nas três últimas décadas. Na América Latina as políticas de fortalecimento de uma economia agroexportadora (ainda fortemente baseada na plantation colonial), incorporam durante o período de 60-70 os conhecimentos tecnocientíficos da chamada Revolução Verde. “Revolução” caracterizada pelo uso de agroquímicos e de métodos e tecnologias que pudessem gerar aumento de produtividade dos principais monocultivos. Nos anos 90 os “pacotes tecnológicos para o campo” incorporam as “inovações” na própria genética dos cultivos. As novas agrobiotecnologias ganham espaço com a disseminação de sementes transgênicas, que se tornam amplamente utilizadas pelos principais países exportadores de grãos em todo mundo. Apesar da rápida disseminação dessa tecnologia, não se pode afirmar que seja amplamente aceita. Os alimentos transgênicos enfrentam oposição de agricultores, consumidores, organizações e movimentos sociais. Os riscos dos Organismos Geneticamente Modificados e as questões de biossegurança seguem sendo temas controversos. A proposta deste artigo é refletir sobre os discursos e as práticas de movimentos que compartilhem críticas as agrobiotecnologias, evidenciando o papel das mulheres. No Brasil, o Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), coloca questões como: soberania alimentar por meio da produção agroecológica camponesa, da recuperação de sementes crioulas e não cultivo de transgênicos. Na Argentina, grupos de mulheres ou coletivos mistos do meio rural também têm colocado propostas semelhantes. A metodologia para a pesquisa esteve baseada em entrevistas e observação nos dois países em viagens durante o ano de 2011. O material obtido foi colocado em diálogo com abordagens de autores como Alberto Melucci, Boaventura Sousa Santos e com autoras que exploram as relações entre gênero e ambientalismo (Ecofeminismo). O fio condutor é a discussão sobre como a participação de mulheres em coletivos no Brasil e Argentina pode estar contribuindo para formação de um discurso singular que articula a dimensão da ecologia e do feminismo a um enfrentamento econômico e político às grandes corporações e proprietários de terra que monopolizam o agronegócio.
  • LIMA, Márcia Maria Tait CV de LIMA, Márcia Maria Tait
Comunicadora social e especialista em jornalismo científico. Concluiu
o mestrado em Política de Ciência e Tecnologia na Universidade
Estadual de Campinas (Unicamp), local onde desenvolve atualmente o
doutorado e participa como pesquisadora do Grupo de Análise de
Política de Inovação (Gapi). Seu mestrado deu origem ao livro
“Tecnociência e Cientistas: cientificismo e controvérsias na política
de biossegurança brasileira”. Atualmente trabalha com o tema da
oposição às novas agrobiotecnologias e relações com movimentos sociais
de mulheres e está realizando um estágio de pesquisa exterior (com
bolsa Fapesp) vinculado a Universidade de Valladolid. Também acaba de
concluir uma especialização em Teoria do Feminismo vinculada à Cátedra
de a Universidade Complutense de Madrid.

PAP0597 - Crianças e computador Magalhães: usos e contextos
Resumo de PAP0597 - Crianças e computador Magalhães: usos e contextos PAP0597 - Crianças e computador Magalhães: usos e contextos
PAP0597 - Crianças e computador Magalhães: usos e contextos

Propomo-nos apresentar resultados provenientes de uma pesquisa sociológica sobre os usos e efeitos, escolares e sociais, do computador Magalhães num agrupamento de escolas de Leiria. Centrar-nos-emos aqui nos seus usos por parte das crianças, em diversos contextos (casa, escola e outros espaços de sociabilidade), a partir do cruzamento do olhar de distintos atores sociais: as próprias crianças, pais e professores. Um dos desafios que se coloca na sociedade da informação refere-se às desigualdades e relações de poder que lhe estão subjacentes, fenómeno que tem assumido designações diferentes, como infoexclusão, divisão digital ou fosso digital. Genericamente, o que parece estar em causa é a clivagem entre dois grupos opostos: os que têm e os que não têm acesso às tecnologias de informação. Múltiplas investigações realizadas nos últimos anos têm vindo a mostrar os contornos destas clivagens noutros países (Cruz, 2008) e em Portugal (Cardoso et al., 2005), apontando estudos relativamente recentes para uma realidade crescentemente complexa e multifacetada. Assim, por um lado, Almeida et al. (2008) sugerem uma rápida disseminação no uso de computadores e da internet, com algum esbatimento das desigualdades sociais entre as crianças e jovens em idade escolar; por outro, Rodrigues e Mata (2003) notam que a utilização das TIC apresenta uma correlação mais forte com o nível de escolaridade do que com a idade, parecendo esbater, pois, o efeito geracional; paralelamente, dados recentes mostram que em Portugal o número de crianças que usa computadores tende a aumentar, mas diminui a vantagem que este grupo tinha sobre os adultos quanto ao uso da internet, estando, agora, quase a par (EU Kids on-line, 2011). A presente pesquisa visa encontrar respostas para um variado leque de questões, nomeadamente: quem usa o computador Magalhães? Quais os seus usos? Em que contextos? Quais os modos de regulação sobre os usos? Por parte de quem? Que efeitos, escolares e sociais, dos seus usos nos vários atores sociais e nas suas interações? Em particular, na sala de aula e na relação escola-família? Perante o problema e este conjunto de questões, a pesquisa assumiu uma natureza longitudinal (2009-2011), pelo que se optou por um design metodológico misto, com uma natureza extensiva (questionários a crianças, professores e famílias) e intensiva (etnografia de uma turma). O tratamento da informação incluiu procedimentos estatísticos com recurso ao SPSS e análise de conteúdo. Os dados apontam para a) uma adesão maciça ao computador Magalhães, mais notória nas famílias de meios desfavorecidos; e b) um uso regular deste portátil pelas crianças, em particular no espaço doméstico. Ele sobressai ainda como c) um computador pessoal para a criança; d) parcialmente, um computador familiar; e, e) um instrumento que permite respeitar os ritmos de aprendizagem, o que se revela particularmente significativo no contexto de sala de aula.
  •  SILVA, Pedro CV - Não disponível 
  •  COELHO, Conceição CV - Não disponível 
  •  FERNANDES, Conceição CV - Não disponível 
  •  VIANA, Joana CV - Não disponível 

PAP1064 - Discursos técnico-científicos sobre energias renováveis em Portugal
Resumo de PAP1064 - Discursos técnico-científicos sobre energias renováveis em Portugal PAP1064 - Discursos técnico-científicos sobre energias renováveis em Portugal
PAP1064 - Discursos técnico-científicos sobre energias renováveis em Portugal

As energias renováveis têm sido apontadas como cruciais não só para a mitigação das alterações climáticas mas também como panaceia para a dependência dos combustíveis fósseis em países que não os produzem, como Portugal. Neste país, nos últimos anos, o governo fez um forte investimento na promoção destas energias. As respostas sociais a estas tecnologias são um factor essencial para a sua difusão e sucesso. Porém, a macro-geração de energias renováveis, designadamente as centrais solares e eólicas, não produz apenas consensos, sendo igualmente alvo de crescentes controvérsias socio-técnicas pelo mundo fora, que tardaram mas chegaram a Portugal. Veja-se o caso de resistências à instalação de centrais eólicas por parte de grupos de conservação da natureza e de populações locais em espaço rural e periurbano, numa clara manifestação do efeito NIMBY (not in my backyard). Pretende-se então traçar uma imagem abrangente do debate em torno destas tecnologias, com base nas acções e discursos dos actores sociais envolvidos: políticos, decisores, empresas, ONG ambientais, outras organizações da sociedade civil, cientistas. Sob análise estarão os processos de desenvolvimento de políticas e incentivos, de planeamento e tomada de decisão sobre localizações específicas, de gestão de interesses e valores divergentes. Será prestada uma atenção particular ao recurso ao aconselhamento de peritos e ao uso de argumentação científica, ao tipo de participação dos cidadãos nos processos deliberativos e como esta é vista pelos diferentes intervenientes. A metodologia escolhida para esta actividade é a análise documental e a entrevista a informantes privilegiados (cientistas, decisores políticos, empresários, representantes de ONG). Uma análise detalhada dos processos de Avaliação de Impacto Ambiental das centrais solares e eólicas é uma fonte central para este trabalho. Esta apresentação tem por base um projecto de investigação financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, executado por uma equipa multidisciplinar numa parceria entre várias instituições científicas.
  • DELICADO, Ana CV de DELICADO, Ana
  • TRUNINGER, Mónica CV de TRUNINGER, Mónica
  • HORTA, Ana CV de HORTA, Ana
  • FIGUEIREDO, Elisabete CV de FIGUEIREDO, Elisabete
  •  SILVA, Luis CV - Não disponível 
Ana Delicado é investigadora auxiliar do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Socióloga, licenciada pela FCSH-UNL, mestre e doutorada pela Universidade de Lisboa. Foi investigadora do Observatório das Ciências e Tecnologias (Ministério da Ciência e Tecnologia) e do Institute for Prospective Technological Studies (Joint Research Centre - European Commission).
Trabalha principalmente na área dos estudos sociais da ciência. Já desenvolveu investigação sobre organizações não governamentais e voluntariado, riscos ambientais, museus de ciência e cultura científica e mobilidade internacional dos cientistas. Coordena atualmente projectos sobre associações científicas e sobre energias renováveis. Participa ainda em outros projectos sobre o uso da internet pelas crianças, sobre erosão costeira, sobre energia nuclear e sobre alterações climáticas.
É autora de um livro, "A musealização da ciência em Portugal" (Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian), que recebeu o Prémio de Investigação em Museologia da APOM Associação Portuguesa de Museologia, co-autora de outros dois livros e tem publicados 14 capítulos de livros e 20 artigos em revistas científicas nacionais e internacionais.
Mónica Truninger, socióloga, integrou o Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL) em 2008 como investigadora auxiliar. Tem uma Licenciatura em Sociologia pelo ISCTE (1996), trabalhou como assistente de investigação no Observa entre 1997 e 2001 em vários projectos sobre ambiente e sociedade. Em 2001 vai para Inglaterra onde fez o seu doutoramento em Sociologia na Universidade de Manchester. A tese intitulada Organic Food in Portugal: Conventions and Justifications tratou o consumo e o mercado dos produtos de agricultura biológica em Portugal, particularmente na cidade de Lisboa. Entre 2005 e 2008 integrou uma equipa interdisciplinar das Universidades de Bangor (País de Gales) e de Surrey (Inglaterra) como investigadora de pós-doutoramento. Antes do regresso a Portugal, passou ainda pela Universidade de Cardiff (País de Gales) onde foi assistente de investigação num projecto comparativo entre o Reino Unido e Itália sobre ementas escolares e sustentabilidade. Em 2010 publicou o livro O Campo Vem à Cidade – Agricultura Biológica, Mercado e Consumo Sustentável, editado pela Imprensa de Ciências Sociais. E em 2012 publicará o livro em co-autoria com Mara Miele intitulado Children, Food and Nature: linking the plate and the planet through school meals (Ashgate). Tem publicado artigos em revistas internacionais como: Journal of Consumer Culture; Food Trends in Science and Technology; International Journal of Agricultural Resources, Ecology and Governance e International Journal of Life Cycle Assessment.
Investigadora de pós-doutoramento no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa com bolsa da Fundação de Ciência e Tecnologia. Membro da equipa de investigação do Observa – Observatório de Ambiente e Sociedade. Doutoramento em Sociologia da Comunicação, Cultura e Educação, licenciatura em Sociologia e mestrado em Comunicação, Cultura e Tecnologias da Informação pelo ISCTE. Actualmente participa em projectos de investigação sobre questões sociais relacionadas com energia, sustentabilidade e alimentação.
Elisabete Figueiredo, Socióloga (ISCTE, 1989), doutorada em Ciências Aplicadas ao Ambiente (Universidade de Aveiro, 2003). Professora Auxiliar no Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território e investigadora na Unidade de Investigação GOVCOPP – Governança, Competitividade e Políticas Públicas. Os principais interesses de investigação são a sociologia rural, o turismo rural, a sociologia do ambiente e as perceções sociais de riscos ambientais e tecnológicos. É autora e co-autora de mais de 100 comunicações e publicações nacionais e internacionais nas áreas mencionadas. Coordena atualmente o projeto Rural Matters – significados do rural em Portugal- entre as representações sociais, os consumos e as estratégias de desenvolvimento, financiado pela FCT e COMPETE.

PAP1391 - Indicadores de Apropriação de Tecnologias da Informação. Entre a conceituação e construção de categorias analíticas
Resumo de PAP1391 - Indicadores de Apropriação de Tecnologias da Informação. Entre a conceituação e construção de categorias analíticas PAP1391 - Indicadores de Apropriação de Tecnologias da Informação. Entre a conceituação e construção de categorias analíticas
PAP1391 - Indicadores de Apropriação de Tecnologias da Informação. Entre a conceituação e construção de categorias analíticas

O presente artigo tem como objetivo a conceituação e construção de categorias elementares para a organização dos indicadores de Apropriação de Tecnologias da Informação. Essa proposta surge da necessidade inicial de entender e pontuar o conceito de Apropriação tecnológica, e da própria condição da revolução informacional. Buscamos ultrapassar a analise superficial dos números de uso das tecnologias da informação, através de uma categorização que atrele os dados de acesso e perfil de navegação na internet. Entendemos a Apropriação Tecnológica como a forma em que se configura o acesso as TIC’s, seguindo assim uma tendência de disposição social tanto na perspectiva individual quanto de suas relações sociais. A possibilidade de acesso crescente e veloz de informações potencializa a necessidade de indicadores que consigam abarcar o mundo digital como espaço de conhecimento. A origem dessa revolução informacional estaria na oposição entre a máquina como instrumento objetificado e a automação com a transferência de funções cerebrais para a máquina. O caráter novo da dinâmica informacional e da revolução iniciada envolve a complexidade de condicionalidade das tecnologias, o que demonstra que não é uma simples revolução do instrumento ou do computador, mas influi nas relações profissionais e não profissionais. A perspectiva comunicativa e emancipatória que as tecnologias da informação englobam, demonstram como a discussão dos indicadores de TIC’s tem de buscar também os ‘sentidos’ latentes dos números de navegação, dos conteúdos visitados e da produção de conhecimentos através da internet. Através da identificação de um panorama de constituição das tecnologias da informação em uma determinada realidade, é possível analisar a condição de apropriação das TIC’s baseada em três categorias centrais em que se observem as condições físicas, digitais e sociais de acesso às tecnologias.O nosso exercício metodológico se acresce com preenchimento dessas categorias com os indicadores concernentes a cada uma, em que pese as seguintes descrições: Condição Física – Conformação do acesso a computadores e conexão com de internet. Condição Digital – Material digital, páginas criadas, perfil de acesso as informações. Condição Social – Relação estabelecida com as estruturas socioeconômicas e relação com as tecnologias. A analise conceitual dessas três categorias nos possibilita a organização dos dados de pesquisas sobre TIC’s serem concentradas e analisadas cada qual em sua esfera epistemológica, possibilitando a identificação de avanços e empecilhos para o desenvolvimento da sociedade informacional.
  •  OLIVEIRA, Janikelle Bessa CV - Não disponível 
  • CARDOSO, Antonio Dimas CV de CARDOSO, Antonio Dimas
CARDOSO, Antônio Dimas

É bacharel e especialista em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Montes Claros – UNIMONTES (Brasil), mestre e doutor em Sociologia, com tese sobre ação coletiva e arranjos corporativos, no Centro de Pós-Graduação sobre as Américas, na Universidade de Brasília (UnB/Brasil). Atualmente, está realizando projeto de pós-doutoramento na Universidade Nova de Lisboa/UNL, Portugal, com investigação sobre "Modos de Apropriação de Espaço", no estudo da Sociologia de Jean Rémy. É professor efetivo da Universidade Estadual de Montes Claros (Brasil), na Graduação em Ciências Sociais, onde ministra cursos de Sociologia Urbana, e no Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Social. Possui experiência como sociólogo em Administração Pública, com atuação em projetos de geração de trabalho e renda e apoio às atividades produtivas, além de atuar como gestor público em planejamento de cidade média no Brasil, implementando programas de governança democrática.

PAP0091 - Laboratórios do sujeito: práticas de meditação como agenciamentos heterogéneos
Resumo de PAP0091 - Laboratórios do sujeito: práticas de meditação como agenciamentos heterogéneos PAP0091 - Laboratórios do sujeito: práticas de meditação como agenciamentos heterogéneos
PAP0091 - Laboratórios do sujeito: práticas de meditação como agenciamentos heterogéneos

A literatura dos estudos de ciência e tecnologia tem abordado aspectos de performatividade e política ontológica em temas tão diversos como a medicina (Mol, 1999), a economia (Callon, 1998), metodologias das ciências sociais (Law, 2004) e a cibernética (Pickering, 2010). O tema da performatividade também tem sido um tópico central para o feminismo (Butler, 1990) e para a filosofia da ciência (Barad, 2003). Tendo como pano de fundo essa mesma literatura, o meu objectivo nesta apresentação é analisar práticas de meditação Vipassana e Zen como mecanismos que visam performar modelos de subjectividade. Através de observação participante em retiros, entrevistas semi-estruturadas, uma extensa revisão de literatura e a análise de experiências com meditação, pretendo demonstrar que os retiros vipassana funcionam como máquinas para transformar o "eu” através do recrutamento de dispositivos heterogéneos, tanto humanos como não humanos. Estes mecanismos comportam a modificação da performance psicossomática do sujeito através da aplicação de tecnologias meditativas, a regulação de aspectos organizacionais e ambientais e o recurso a diversos actantes (como sinos ou televisões transmitindo discursos durante os retiros). Estas formas calculadas de promover diversas associações têm um telos específico - o desenvolvimento de um ethos performativo (Spry, 2010) que governa a forma como o sujeito regula a esfera pessoal e inter-subjectiva. De facto, estas diferentes tecnologias contêm projectos para a transformação do sujeito através da modulação dos seus automatismos e dos ambientes que o rodeiam, constituindo projectos do humano. Tal possibilita que as interpretemos como agenciamentos heterogéneos para a subjectivação do indivíduo meditativo, como redes tecno-espirituais que visam uma modificação do sujeito. Como estes dois movimentos espirituais têm aplicações sociais mais vastas (como a introdução de cursos Vipassana em prisões para “disciplinar” os automatismos dos prisioneiros, ou a organização de retiros Israelo-Palestinianos, considerando o ethos meditativo como “motor” para a paz mundial), estes situam a prática da meditação numa agenda tecno-ontológica mais vasta. De facto, estas práticas recorrem à modulação tecnológica do indivíduo para governar a esfera psicológica e a social. Reconhecendo a interligação entre o subjectivo, o social e o tecnológico, os modos como diferentes camadas ontológicas são transformadas através da meditação serão explorados através de uma abordagem performativa.
  • CARVALHO, António CV de CARVALHO, António
António Carvalho é doutorando no departamento de sociologia e filosofia da Universidade de Exeter, Reino Unido, e investigador associado do centro de estudos sociais da Universidade de Coimbra. É licenciado em filosofia e mestre em sociologia. Os interesses de investigação dizem respeito aos estudos de ciência e tecnologia, tecnologias do sujeito e práticas de meditação.

PAP1136 - Sindicatos portugueses, utilização da internet e culturas digitais
Resumo de PAP1136 - Sindicatos portugueses, utilização da internet e culturas digitais PAP1136 - Sindicatos portugueses, utilização da internet e culturas digitais
PAP1136 - Sindicatos portugueses, utilização da internet e culturas digitais

A grande maioria dos movimentos sindicais dos países mais desenvolvidos passou a enfrentar uma crise a partir dos anos 70. Com vista a superar esses tempos difíceis (Chaison, 1996) desenvolveram um conjunto de estratégias diversificadas, entre as quais se conta a adoção das TIC – Tecnologias da Informação e da Comunicação e, em particular, a utilização da internet. Os sindicatos adotaram estas tecnologias mais tardiamente do que as empresas ou outro tipo de organizações (Ad-Hoc Committee on Labor and the Web, 1999; Fiorito et al., 2000; Pinnock, 2005), mas as vantagens competitivas que elas oferecem e a sua flexibilidade encorajou-os a utilizarem-nas de uma forma crescente. Um pouco por todo o mundo, os sindicatos estão a fazer um investimento significativo no campo das TIC, utilizando-as em diversas áreas com determinados objetivos. Alguns estudos revelam que esse investimento tem tido um impacto relevante na organização mas um efeito mais mitigado na eficiência geral dos sindicatos (Fiorito et al, 2002). Contudo há autores que vão mais longe enfatizando que as TIC têm não apenas um grande impacto nos resultados da atividade sindical mas contribuem também para uma transformação qualitativa levando à emergência de novas formas de organização sindical. Os conceitos de e-union (Darlington, 2000) e cyberunion (Shostak, 1999, 2002) são disso exemplos. No entanto, o insuficiente ou baixo grau de literacia informática suscita a questão da mudança cultural na transição do uso de dispositivos e práticas analógicas para novos sistemas e práticas digitais. Esta transição problemática poderá explicar, pelo menos parcialmente, a lentidão na adoção das TIC por parte de sindicatos cujas lideranças tiveram determinadas trajetórias específicas (Castells, 1999; Dantas, 1999; Kroker e Weinstein, 1994; Santos, 2002; Mattelart, 2000). Com esta comunicação visa-se compreender as razões que levaram os sindicatos portugueses a adotar as TIC, a relativa lentidão com que tal foi feito sobretudo em alguns deles, e os fatores que condicionam essa adoção. Pretende-se também analisar as atitudes dos líderes sindicais para com as TIC. Metodologicamente, aliou-se a análise extensiva (inquérito realizado junto dos sindicatos portugueses ativos em 2011 e análise da presença sindical na internet), à análise intensiva (estudo de caso incidindo sobre a CGTP-IN).
  • CORREIA, Manuel CV de CORREIA, Manuel
  • ALVES, Paulo Marques CV de ALVES, Paulo Marques
  • GARRIDO, Ulisses CV de GARRIDO, Ulisses
  • GONÇALVES, Luís CV de GONÇALVES, Luís
  • FIDALGO, Fernando CV de FIDALGO, Fernando
Esta comunicação é o resultado de um trabalho colectivo envolvendo cinco sociólogos (Manuel Correia, Paulo Marques Alves, Ulisses Garrido, Luís Gonçalves e Fernando Fidalgo), cujos interesses de investigação incidem sobre o sindicalismo, as tecnologias da informação e da comunicação e as relações laborais e será apresentada por Ulisses Garrido, director do Departamento de Educação do ETUI – European Trade Union Institute.
Esta comunicação é o resultado de um trabalho colectivo envolvendo cinco sociólogos (Manuel Correia, Paulo Marques Alves, Ulisses Garrido, Luís Gonçalves e Fernando Fidalgo), cujos interesses de investigação incidem sobre o sindicalismo, as tecnologias da informação e da comunicação e as relações laborais e será apresentada por Ulisses Garrido, director do Departamento de Educação do ETUI – European Trade Union Institute.
Esta comunicação é o resultado de um trabalho colectivo envolvendo cinco sociólogos (Manuel Correia, Paulo Marques Alves, Ulisses Garrido, Luís Gonçalves e Fernando Fidalgo), cujos interesses de investigação incidem sobre o sindicalismo, as tecnologias da informação e da comunicação e as relações laborais e será apresentada por Ulisses Garrido, director do Departamento de Educação do ETUI – European Trade Union Institute.
Esta comunicação é o resultado de um trabalho colectivo envolvendo cinco sociólogos (Manuel Correia, Paulo Marques Alves, Ulisses Garrido, Luís Gonçalves e Fernando Fidalgo), cujos interesses de investigação incidem sobre o sindicalismo, as tecnologias da informação e da comunicação e as relações laborais e será apresentada por Ulisses Garrido, director do Departamento de Educação do ETUI – European Trade Union Institute.
Esta comunicação é o resultado de um trabalho colectivo envolvendo cinco sociólogos (Manuel Correia, Paulo Marques Alves, Ulisses Garrido, Luís Gonçalves e Fernando Fidalgo), cujos interesses de investigação incidem sobre o sindicalismo, as tecnologias da informação e da comunicação e as relações laborais e será apresentada por Ulisses Garrido, director do Departamento de Educação do ETUI – European Trade Union Institute.