PAP0262 - Tipos religiosos juvenis
Num mundo notabilizado globalmente pela hipertrofia do indivíduo e do consumo, em que tudo se pode escolher, em que o homem é realmente o centro do seu universo, a individualização desenvolveu-se de forma explosiva. Também a religião sofreu o efeito desta modernidade altamente individualista, permeada pelas recomposições religiosas, pela bricolage, pela religião à carta. Do menu de conteúdos religiosos ou seculares disponíveis, o homem selecciona os que lhe proporcionam maior sentido à sua vida. A morte das grandes narrativas, das religiões tradicionais e seculares, libertou o homem das cosmovisões, das utopias terrenas ou supraterrenas, sendo agora o seu sonho a realização de si, o seu desenvolvimento pessoal, aqui e agora.
Num mundo marcado pela reflexividade, pela individualização e pelo consumo, e estando Portugal a assistir a um declínio religioso, fruto da secularização, podemos questionar a eventual saída da religião do nosso país ou a quebra da religião tradicional de forma homogénea. Desta forma, foi aplicado um inquérito com base numa amostra de 500 estudantes universitários do ensino superior público universitário de Lisboa (ISCTE-IUL, UL, UNL e UTL). Os questionários incluíam perguntas sobre crenças e práticas católicas, atitudes em relação ao casamento, vida e sexualidade, assim como sobre crenças e práticas não católicas, para além de itens da socialização e de aspectos importantes na vida. Do cruzamento dos três primeiros conjuntos de itens, surgiram tipos religiosos. Estes foram cruzados com os outros aspectos, caracterizando-os relativamente a esta nossa modernidade. Na verdade, a amostra não é homogénea mas dispersa-se por três tipos religiosos: católicos nucleares, católicos intermédios e não católicos. Estes grupos são distintos, com identidades claramente desiguais, com diferentes graus de crenças, de práticas e de atitudes. As crenças e as práticas não católicas, ou seja, as recomposições religiosas são maiores nos católicos intermédios, onde as convicções religiosas são menores permitindo uma plasticidade das crenças e das práticas.
Nome: José Maria Pereira Coutinho
Afiliação institucional: Investigador da NÚMENA
Área de formação: Doutoramento em sociologia (ISCTE-IUL)
Interesses de investigação: Religião (religiosidade (crenças, práticas, atitudes), espiritualidade, bricolage, sagrado, oração, socialização) e Juventude.