PAP0072 - As Redes Sociais das Famílias Anónimas: Tipos e Funções
No âmbito do projecto de pesquisa realizado
para provas de mestrado, entretanto concluído,
estudei as famílias de pessoas com adições
(Famílias Anónimas) e, através da utilização
de metodologias qualitativas em que se
destacou a observação directa e a observação
participante nas sociabilidades destas
famílias, construí uma tipologia de redes que
caracterizam as respectivas sociabilidades no
presente. A apresentação que me proponho fazer
ao congresso aborda as principais conclusões
do estudo realizado e a tipologia de redes
sociais destas famílias.
As principais conclusões e construção ideal-
típica em que se consubstancia esta proposta,
aferiram não somente como são as redes sociais
destas pessoas como também qual é o papel das
Famílias Anónimas nestas redes. Os capitais
sociais, económicos e culturais (escolarmente
comprovados ou não) foram factores de
ponderação.
Numa conjuntura de crise, com a consequente
falência acentuada do estado-providência,
salta à vista a importância dos apoios/ajudas
informais de certas comunidades de indivíduos.
As Famílias Anónimas, grupos de auto-ajuda
para familiares de toxicodependentes,
constituem um exemplo notório de um elo de
certas redes sociais que apoiam alguns
indivíduos e que têm um papel fulcral para a
sua coesão e integração em sociedade.
Resulta, portanto, evidente a importância de
motivar e divulgar os diversos modos de
sociabilidades primárias que têm origem na
sociedade informal e aos quais subjaz uma
profunda hibridez, bem como aos apoios/ajudas
existentes no seu seio que vêm substituir as
funcionalidades da sociedade-providência.
- RAMOS, Carla Sofia Magalhães Cabaço da Silveira

Carla da Silveira Ramos é licenciada em Sociologia na Universidade Autónoma de Lisboa (UAL), mestre em Família e Sociedade no Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL) e doutoranda em Sociologia no Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL). Pertence ao Projeto ‘Velhice e Modos de Vida’, do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES), coordenado pela Professora Doutora Maria das Dores Guerreiro.
Tendo-se ocupado, durante a Tese de Licenciatura, das interações entre as comunidades virtuais de heroinómanos e cocainómanos e a sociedade de acolhimento, deu-se conta da importância das interações no estudo das redes sociais. Esta última temática foi desenvolvida na Tese de Mestrado no que respeita às redes sociais em Famílias Anónimas (FA). Desenvolve a sua Tese de Doutoramento sobre a influência do espaço urbano nas redes de relações intergeracionais e nas configurações familiares.
PAP0834 - Condição juvenil e trajetórias de desvio
Esta comunicação situa o desvio juvenil no
espectro mais alargado das condições
socioeconómicas das metrópoles ocidentais,
exigindo o cruzamento de perspectivas micro e
macro sociológicas. Parte-se da compreensão das
condições materiais e simbólicas que determinam
os modos de vida nas cidades e a forma como se
repercutem na vida dos jovens, configurando
processos de desinscrição social. A condição
juvenil é associada aos actuais processos de
desregulação laboral: instabilidade,
flexibilidade e precariedade laborais,
multiplicidade de experiências de trabalho
fragmentárias, deriva no espaço de consumo
urbano. Questiona-se a centralidade discursiva
do trabalho nas sociedades pós-modernas, a
partir do paradoxo entre as narrativas que
sustentam o valor do trabalho e as condições de
efectivação da atividade produtiva, apontando-
se para um novo pacto social baseado no acesso
ao consumo. Identificam-se, deste modo,
trajectórias de deriva juvenil, a partir das
quais é possível perspectivar o desenho de
rotas desviantes.
O objectivo desta comunicação prende-se com a
apresentação de um estudo exploratório de
delimitação teórico-conceptual que sustenta um
projecto de investigação empírica sobre os
processos de desinscrição social de populações
desviantes. O desenho metodológico aponta para
uma opção qualitativa assente numa abordagem
indutiva e exploratória das narrativas
biográficas produzidas pelos jovens
institucionalizados em Centro Educativo por
prática de facto qualificado pela lei como
crime.
As expectativas de análise admitem a associação
da condição juvenil a trajetórias de deriva,
marcadas pela situação de desinscrição dos
jovens dos tradicionais espaços de
socialização. Aponta-se, assim, para a
possibilidade de uma leitura de duplo enfoque
das rotas desviantes: (i) o desvio como
expressão do agravamento das trajectórias de
deriva juvenil, representando forma última da
desinscrição do jovem na ordem social
estabelecida; (ii) o desvio como alternativa de
inscrição no plano da normatividade, permitindo
o acesso do jovem às instituições e à
confirmação da existência do Eu pela reacção
social do Outro.
Esta leitura sugere a necessidade de repensar
as narrativas sociais sobre a desviância e o
ideal de reintegração inerente à lógica de
funcionamento das instituições de custódia das
metrópoles actuais.
Palavras-chave: desvio juvenil; trajectórias de
deriva; desinscrição social.
- MANSO, Ana

- FERNANDES, Luís
Ana Manso
Professora de Filosofia do Ensino Secundário público. Termina, em 2006, o mestrado em Estudos da Criança, na área de especialização em Intervenção Psicossocial com Crianças, Jovens e Famílias pelo Instituto de Estudos da Criança da Universidade do Minho. Tem dedicado o seu trabalho de investigação à problemática do desvio juvenil e aos processos de desinscrição social de populações jovens. Frequenta atualmente o Programa Doutoral em Psicologia na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, sob orientação de Luís Fernandes.
PAP0988 - DESIGUALDADES DE PERCURSO DOS ESTUDANTES DO ENSINO SUPERIOR
A partir de uma abordagem assente no cruzamento de três escalas de observação, apresentamos nesta comunicação os resultados de um processo de pesquisa sobre factores de insucesso, sucesso e abandono escolares no ensino superior português, em resposta a um desafio em forma de concurso lançado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, através da FCT (PSE/DIV/0001/2006, realizado entre 2008 e 2009 em consórcio entre o CIES/ISCTE-IUL e o ISFLUP).
Assim, procurámos desenvolver a análise destes fenómenos em torno de três níveis intrinsecamente articulados: um nível extensivo, de enquadramento estrutural, simultaneamente sincrónico e diacrónico, assente na exploração de uma vasta plêiade de bases de dados, nacionais e internacionais, sobre condições sociais e (in)sucesso nos estudantes do ensino superior; um segundo nível, de tipo meso, centrado em estudos organizacionais sobre a missão das instituições de ensino superior (analisando documentos e discursos de actores); um terceiro nível, o mais desenvolvido, de cariz microssociológico, elaborado a partir da construção de 170 retratos sociológicos (metodologia inspirada em Bernard Lahire e que visa resgatar a pluralidade disposicional e contextual das práticas sociais). Sobre este nível delinearam-se oito percursos-tipo de estudantes no ensino superior.
Concluiu-se, então, pela existência cumulativa e intersectada de desigualdades de índole vária: de acesso (concomitante aos fenómenos da “democratização” e “massificação”), de sucesso e de percurso, estas últimas frequentemente sub-representadas em pesquisas análogas e fortemente relacionadas à articulação entre modos de agência e coeficientes de singularidade dos actores sociais.
- LOPES, João Teixeira
- COSTA, António Firmino da
PAP0712 - Dinâmicas sociais da metropolização: uma abordagem longitudinal das trajectórias residenciais da população da AML
O estudo das trajectórias residenciais situa-se
na confluência de duas questões distintas: a
das dinâmicas sociais de (re)composição dos
territórios e aquela outra das biografias
residenciais individuais que, nesta pesquisa,
se desenvolve a partir da abordagem do curso de
vida. Nesta comunicação, analisa-se as
trajectórias residenciais da população da Área
Metropolitana de Lisboa num aprofundamento do
conhecimento das lógicas de desenvolvimento
deste território nos últimos 60 anos,
justamente o período coincidente com o arranque
e expansão do respectivo processo de
metropolização. Esta análise desenvolve-se a
partir de uma metodologia longitudinal que,
distintamente dos procedimentos metodológicos
dominantes centrados em análises transversais,
põe a tónica na diacronia e na reconstituição
dos percursos de vida dos indivíduos ao longo
do tempo, os quais no caso da habitação têm
três componentes fundamentais: 1. a localização
que reenvia para o sentido geográfico dos
percursos; 2. o modelo habitacional que remete
mais directamente para a questão da morfologia
dos espaços; 3. o regime de ocupação que ganha
no actual contexto de crise, marcado pelas
crescentes dificuldades de acesso ao crédito de
onde resulta o recuo da propriedade, um
interesse redobrado. Serão apresentados os
resultados de um inquérito (N=1500) à população
residente na AML nascida entre 1945-1975 e cuja
aplicação decorreu em 2011. Focar-nos-emos,
apenas, na exploração da primeira componente
supra-referida de modo a identificar as
trajectórias dominantes (ex: Norte Portugal –
AML Norte; Sul Portugal – AML Sul; LX-LX,
etc.). Segue-se uma discussão acerca dos
diversos perfis sociológicos dos protagonistas
das trajectórias dominantes, percebendo as
múltiplas constelações de variáveis - classe
social (ISPC) e respectiva trajectória, idade,
tipo de família, estado civil e género - que
os caracterizam e diferenciam mutuamente.
- PEREIRA, Sandra Marques

- FERREIRA, Ana Cristina

- RAMOS, Vasco

- COTO, Marta
Sandra Marques Pereira,
Doutorada Em Sociologia
Investigadora Pós-Doc do Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL), DINÂMIA’CET
Áreas de Interesse: habitação, cidades, arquitectura
Ana Cristina Ferreira, nascida em Lisboa em 1962, licenciada em Sociologia, pelo ISCTE, 1984 e Doutoramento em Sociologia, especialidade em Sociologia da Família e da Vida Quotidiana (Família e Habitat (ISCTE 2002)). Sou actualmente professora Auxiliar do ISCTE, na área dos Métodos Quantitativos para Ciências Sociais, Departamento de Métodos de Pesquisa Social e Investigadora do DINAMIA/CET (ISCTE).
Os meus principais interesses relacionam-se com os domínios da sociologia do Território (modos de vida e apropriação do alojamento e território) e com a Demografia (nomeadamente a integração dos imigrantes em Portugal).
Vasco Ramos
Doutorando FCT no ICS-UL.
Mestre em Sociologia pelo ISCTE-IUL
Interesses: Classes e Estratificação Social; Família e Género; Populações, Gerações e Ciclos de Vida.
PAP0110 - Origens, destinos e trajectórias de classe: Uma análise da mobilidade social em 2 gerações de portugueses
Diversos estudos têm demonstrado a manutenção de elevados níveis de desigualdade na sociedade portuguesa, com a situação da família de origem a influenciar fortemente a trajectória social dos indivíduos. Tendo como pano de fundo as significativas alterações que enquadram a modernidade portuguesa, o objectivo central desta comunicação é o de apresentar um conjunto de reflexões e de dados novos sobre mobilidade social, a partir da investigação comparativa das trajectórias de classe social de portugueses nascidos em diferentes gerações. Parte-se de uma perspectiva teórica sobre as classes sociais, que as entende como um conjunto de agentes que ocupam posições aproximadas, num sistema pluridimensional de desigualdades, e valoriza-se uma perspectiva sobre o percurso de vida que reconhece a importância central dos constrangimentos estruturais, mas não os assume como um determinismo, salientando a necessidade de os analisar longitudinalmente. Usando dados do projecto "Trajectórias familiares e redes sociais: a trajectória de vida numa perspectiva intergeracional" examinam-se comparativamente trajectórias de classe seguindo o percurso de vida. Utiliza-se uma metodologia inovadora que recorre à análise sequencial procurando estabelecer uma relação entre tempo histórico e mobilidade social. Comparam-se trajectórias de classe dos indivíduos em função das suas origens de classe, visando relacionar mobilidade, geração e género. Conclui-se que a desigual distribuição de recursos, materiais e escolares, continua a ser fulcral para a compreensão das trajectórias de classe e de mobilidade social, embora se observem diferenças geracionais consideráveis nos mecanismos de reprodução das desigualdades. Para além da importância da classe social de origem, a desigual distribuição das qualificações escolares, em particular das mães, revela-se decisiva para compreender a mobilidade social em Portugal.
- RAMOS, Vasco

Vasco Ramos
Doutorando FCT no ICS-UL.
Mestre em Sociologia pelo ISCTE-IUL
Interesses: Classes e Estratificação Social; Família e Género; Populações, Gerações e Ciclos de Vida.
PAP0523 - Reconstrução de identidades estigmatizadas: o caso dos jovens consumidores de drogas
Quem recusa uma visão determinista dos comportamentos indivíduos e dos factores que os ocasionam terá que colocar os seguintes problemas: como desencadear a construção de uma identidade positiva, valorizada, normativa e integrada em indivíduos que descrêem profundamente de si próprios? Como dotar os toxicodependentes de instrumentos que os façam significar a realidade, rompendo com as racionalizações que aprenderam a construir no grupo de pares? Como propiciar vivências que induzam a descolagem dos modos de vida estruturados enquanto as sociabilidades estiveram fechadas no grupo de pares?
A resposta a estas questões funda-se no estudo das condições de existência e modos de vida de indivíduos cujos consumos se iniciaram na infância e na adolescência e cujo acompanhamento se diversifica por tipos de instituições e programas de tratamento. A administração de um inquérito por questionário à totalidade dos utilizadores destas instituições na Área Metropolitana do Porto permitirá explorar a hipótese, com fundamento na observação de terreno proporcionada pela actividade profissional que desenvolvemos, de as práticas de consumo de drogas terem significados consideravelmente distintos, consoante se trata de jovens originários das classes médias e altas ou de jovens das classes populares e do sub proletariado.
Algumas análises que incidem sobre o funcionamento global das modernas sociedades mais desenvolvidas têm vindo a assinalar a instalação de uma crise civilizacional que atinge os próprios fundamentos da coesão social. Lipovetsky, Sennett, Castel, e outros produziram reflexões que desvendam a fragilização dos valores universais, o desaparecimento das causas colectivas e dos laços que preservavam os indivíduos dos acidentes da existência e lhes asseguravam o acesso a formas de organização colectiva compatíveis com a afirmação de interesses próprios e da dignidade social.
Há fundamentos para admitir que a crise dos laços sociais tem implicações mais complexas nos jovens originários de famílias privadas de recursos fundamentais, expondo-os a uma vulnerabilidade profunda em todas as dimensões cruciais da inclusão social. Interessa-nos contribuir para criar dispositivos de intervenção orientados para a ampliação dos recursos educacionais, económicos e relacionais dos jovens socialmente mais desmunidos.
- QUEIROZ, Maria Cidália
- PINTO, Maria Luisa
PAP1022 - Trajectórias-tipo dos jovens imigrantes e descendentes de imigrantes: percursos laborais e de vida
O abstract que vimos por este meio submeter à apreciação dos coordenadores da Secção Temática Migrações, Etnicidade e Racismo tem por base o projecto Percursos laborais e de vida dos jovens imigrantes e descendentes de imigrantes nos novos sectores de serviços, o qual resulta de um protocolo SOCIUS / ACIDI.
O fluxo de imigrantes para o nosso país nas últimas três décadas constitui um dos aspectos mais relevantes da demografia portuguesa. Neste quadro, assume particular importância conhecer a forma como é que a socialização e a integração vêm a processar-se. No contexto actual de crise e desregulamentação dos mercados de trabalho fortemente penalizadora da mão-de-obra jovem em geral, levanta preocupações sérias a situação dos imigrantes jovens e daqueles que embora tendo nascido já em Portugal, por razões culturais, possam estar a ser afectados por processos de marginalização e dumping social.
A investigação incidiu sobre a área metropolitana de Lisboa, zona onde há uma maior concentração de imigrantes e, também, de actividades escolhidas para o estudo. Estas dizem respeito ao sector dos serviços, seleccionando, dentro destes, os subsectores portadores das novas tendências de uma economia de serviços avançados ligados às novas tecnologias de informação e comunicação (call centres), novas formas de comércio (centros comerciais) e restauração (nomeadamente fast-food).
Foram realizadas 40 entrevistas semi-estruturadas: 10 a interlocutores privilegiados (dirigentes sindicais, representantes de associações de jovens e de associações de imigrantes) e 30 a jovens de ambos os sexos, com idades entre os 15 e os 29 anos, que trabalham nos subsectores acima mencionados, repartidos entre jovens nacionais, descendentes de imigrantes e imigrantes eles mesmo.
A comunicação que propomos terá na sua base as respostas do projecto às seguintes questões: Serão os jovens imigrantes e os descendentes de imigrantes mais afectados do que os “jovens nacionais” por percursos laborais e de vida mais irregulares e problemáticos? Quais as «trajectórias-tipo» de uns e de outros? Qual a percepção destes jovens sobre as suas condições de trabalho e de vida?
Apresentaremos as principais conclusões retiradas das entrevistas, sendo que existem indícios que a inserção no mercado de trabalho é afectada sobretudo por outros factores que não necessariamente a condição da nacionalidade (de onde destacamos a escolaridade e os recursos familiares). Concluímos também que os jovens imigrantes parecem ter uma perspectiva mais positiva face ao futuro do que os restantes. Por seu lado, os descendentes são os que aparentam ter menores possibilidades de saída de situações de trabalho e de vida mais precárias.
- CERDEIRA, Maria Conceição

- EGREJA, Catarina

- KOVACS, Ilona
Maria da Conceição Santos Cerdeira é licenciada em Sociologia pelo ISCTE e doutorada em Sociologia Económica e das Organizações pelo ISEG-UTL, instituição onde exerceu actividade docente durante cerca de duas décadas. Actualmente é Professora Associada no ISCSP, membro integrado do CAPP e membro associado do SOCIUS. Participou na elaboração do Livro Verde das Relações Laborais e integrou a Comissão do Livro Branco das Relações Laborais. Isoladamente ou em co-autoria publicou algumas dezenas de obras, destacando-se, entre as últimas (com J. Dias): “Trade Union Strategies, Precariousness and Sustainable Development: an Analysis of the Portuguese Case”, in Garibaldo, Francesco / Yi, Dinghong (eds.), (20012), Labour and Sustainable Development North-South Perspectives, Frankfurt am Main, Berlin, Bern, Bruxelles, New York, Oxford, Wien: Peter Lang International Academic Publishers, pp. 219-236.
Catarina Egreja, licenciada em Sociologia e Mestre em Economia Social e Solidária, pelo ISCTE-IUL. Tem colaborado em variados projectos em diferentes centros de investigação, encontrando-se actualmente no IN+ (Centro de Estudos em Inovação, Tecnologias e Políticas de Desenvolvimento), do Instituto Superior Técnico. A sua principal área de investigação tem sido a Imigração.
PAP0766 - Trajetórias profissionais de mulheres na atual economia flexível e sua relação com dinâmicas familiares
O diálogo entre a mulher, o trabalho e a família, sob o ponto de vista das trajetórias profissionais, é um objecto de estudo que destaca como relevante a sua possibilidade de concretização nestas esferas sociais. Conhecer as trajectórias profissionais e sua relação com as estratégias de uma economia flexível e com as dinâmicas familiares, é o objectivo a que nos propomos. A aplicação de questionários a uma amostra de 450 mulheres (idade média=41, 67 anos ± 10,76 anos) foi fundamental. Numa perspetiva etnográfica delineou-se uma estratégia negociada no próprio terreno com mulheres em diversos contextos da área metropolitana do Porto: trabalhadoras da Administração Pública e Segurança Social; trabalhadoras do privado, nomeadamente hipermercados; desempregadas nos Gabinetes de Inserção Profissional de várias Juntas de Freguesia e Centros de Emprego. Os registos em diário de campo, a fotografia social e as entrevistas semi-estruturadas complementaram os dados recolhidos. Os resultados sugerem que: (i) a ênfase na intermitência das trajectórias profissionais desmonta a invisibilidade associada ao trabalho doméstico e de prestação de cuidados a familiares mostrando que o diálogo estabelecido com a família coloca estas mulheres em desvantagem social e em risco de pobreza; (ii) nas trajectórias profissionais mais instáveis e precárias encontramos mulheres com baixas qualificações, com empregos intermitentes e por tempo determinado, desempenhando profissões em setores pouco valorizados, com vínculos contratuais precários e ocupando postos sem autoridade; (iii) o trabalho por turnos e o trabalho em regime de tempo parcial, enquanto estratégias de flexibilização dos horários de trabalho, não fazem parte da vontade de conciliação do emprego com as responsabilidade familiares, confirmando a submissão destas mulheres à precariedade laboral; (iv) a inserção desigual da mulher na vida activa agrava-se quando é casada e tem filhos, pois ao seu desempenho profissional associar-se-á a “obrigatoriedade” de despender tempo para cuidar da família, acentuando as suas trajectórias de precariedade laboral. Em conclusão, entendemos que este estudo é um alerta actual que poderá contribuir para diluir a sub representação do trabalho feminino, identificando os estereótipos de género que persistem na vida familiar e profissional e mostrando como a imprevisibilidade da família afecta as trajetórias profissionais das mulheres.
- NOVAIS, Carina

Carina Novais, mestre em sociologia pela Faculdade de Letras desenvolve o seu percurso profissional em investigação científica tendo desenvolvido trabalhos diversos resultantes da pesquisa sobre o género e o desporto na área da infância e adolescência e também no âmbito do envelhecimento ativo participando nos projetos "Iniquidades sociais, ambientais e de género na prática de actividade física e desportiva de adolescentes" e atualmente no projecto "Actividade física objectivamente avaliada e obesidade em adolescentes: Estudo dos determinantes pessoais, sociais e ambientais" no Centro de Investigação em Atividade Física e Lazer da Faculdade do Desporto da Universidade do Porto. Tem também contributos enquanto investigadora na organização "Movimento Democrático de Mulheres" participando num projeto "Uma vida de Trabalhos? Trajetórias Profissionais de Mulheres e Participação cívica" onde desenvolveu o seu projeto de mestrado em torno da temática,"género, família e trabalho" e com a publicação "Percursos de Mulheres: Trabalho e Participação Política de Mulheres na área Metropolitana do Porto".
PAP0077 - Vidas excluídas: trajectórias ciganas femininas reflectidas em contexto prisional
Diversas pesquisas realizadas em Portugal,
assim como em países da UE, revelam que entre
os grupos e categorias sociais mais expostos a
situações de exclusão e discriminação sociais
são de destacar os grupos étnicos, em
particular o grupo étnico cigano. Um estudo da
década de 90 realizado em contexto prisional
português indica que a proporção de indivíduos
de etnia cigana atrás das grades representa 5
a 6 por cento da população total reclusa.
Assiste-se, portanto, a uma sobrerepresentação
deste grupo em contexto prisional, que é ainda
mais evidente na população reclusa feminina.
Nesta comunicação, tendo em consideração este
panorama de exclusão e discriminação e de
sobrerepresentação deste grupo em contexto
prisional e conjugando-o com uma perspectiva
de género, propomo-nos a caracterizar
sociologicamente as reclusas de etnicidade
cigana a cumprir pena efectiva num
Estabelecimento Prisional feminino português,
tal como a analisar as suas trajectórias de
vida.
Baseando-nos em trabalho de campo desenvolvido
entre 2010 e 2011, pretendemos explorar as
especificidades ao nível sociológico, criminal
e penal das reclusas ciganas, assim como os
aspectos relacionados com as relações
familiares, para a compreensão das suas
trajectórias. Mapeando singularidades e
aspectos comuns, analisaremos de que forma
cada uma das dimensões se espelha, conjuga e
reconfigura no contexto prisional. Os aspectos
abordados englobam i) o contexto pré-
prisional, sobre o qual se analisam os modos
de vida condicionados, dinâmicas e
configurações familiares, tal como motivações
e constrangimentos estruturais que conduziram
à prática do crime; ii) a vivência prisional,
onde se expõe relações familiares no contexto
prisional (tendo em conta que as redes de
inter-familiaridade podem englobar até 3
gerações de familiares) e que conexões se
evidenciam com as redes em meio exterior; iii)
e as perspectivas futuras das reclusas, que se
prendem com questões mais amplas de exclusão e
discriminação social às quais estas populações
não são alheias.
- GOMES, Sílvia

- GRANJA, Rafaela

Gomes, Sílvia
Investigadora no Centro de Investigação em Ciências Sociais da Universidade do Minho. Licenciada em Sociologia pela Universidade do Minho (2008), é estudante de doutoramento no Instituto de Ciências Sociais da mesma universidade, sob as orientações dos Professores Doutores Manuel Carlos Silva e Helena Machado. O projecto de doutoramento tem como título provisório “Criminalidade, Exclusão Social e Racismo: um estudo comparado entre portugueses, ciganos e imigrantes dos PALOP e do Leste Europeu”. No âmbito do projecto de doutoramento, desenvolveu o projecto “Criminalidade, Etnicidade e Desigualdades” junto de Estabelecimentos Prisionais portugueses e foi investigadora visitante na Universidade da Califórnia, Berkeley, sobre a orientação do Professor Loïc Wacquant. O seu trabalho está relacionado com a criminalidade, exclusão social e etnicidade, designadamente as representações sociais dos grupos étnicos e imigrantes nos media, as representações sociais dos guardas prisionais sobre os fenómenos da imigração e do crime e também as trajectórias de vida e estatísticas da reclusão feminina e masculina em Portugal.
Rafaela Granja é socióloga e está atualmente a desenvolver a sua tese de doutoramento que se intitula Representações sobre os impactos sócio-familiares da reclusão: visões femininas e masculinas. É membro do Centro de Investigação em Ciências Sociais da Universidade do Minho. As principais áreas de interesse do seu trabalho centram-se nos estudos prisionais, relações familiares, criminalidade, género e etnicidade.