• English version
  • Versão Portuguesa
  • Versão Espanhola
  • Versão Francesa


VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

PARA O VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

Ficha Técnica:

Organização e Edição:
Associação Portuguesa de Sociologia
Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9
1600-189 Lisboa
Tel: 217804738 / Fax: 217940274 / E-mail: aps@aps.pt / http://www.aps.pt

Produção técnica:
Plug & Play
Rua José Augusto Coelho nº 117
2925-543 Azeitão
Tel: 210 854 236 / Fax: 210 854 236 / http://www.plugeplay.com

ISBN: 978-989-97981-0-6

Depósito legal: 281456/08

Requisitos Mínimos:
Windows XP ou superior.
Adobe Acrobat Reader

©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012

Associação Portuguesa de Sociologia

 

Como referenciar os textos desta edição

SOBRENOME DO AUTOR, Prenome(s) (2012). Título do texto. in Atas do VII Congresso Português de Sociologia, Lisboa: APS. ISBN: 978-989-97981-0-6. Disponível em http://www.aps.pt/vii_congresso/?area=016&lg=pt. Acesso em: Dia mês (abreviado) ano.

Pesquisa:

Resultados da pesquisa por: «Trajectórias»

PAP0072 - As Redes Sociais das Famílias Anónimas: Tipos e Funções
Resumo de PAP0072 - As Redes Sociais das Famílias Anónimas: Tipos e Funções PAP0072 - As Redes Sociais das Famílias Anónimas: Tipos e Funções
PAP0072 - As Redes Sociais das Famílias Anónimas: Tipos e Funções

No âmbito do projecto de pesquisa realizado para provas de mestrado, entretanto concluído, estudei as famílias de pessoas com adições (Famílias Anónimas) e, através da utilização de metodologias qualitativas em que se destacou a observação directa e a observação participante nas sociabilidades destas famílias, construí uma tipologia de redes que caracterizam as respectivas sociabilidades no presente. A apresentação que me proponho fazer ao congresso aborda as principais conclusões do estudo realizado e a tipologia de redes sociais destas famílias. As principais conclusões e construção ideal- típica em que se consubstancia esta proposta, aferiram não somente como são as redes sociais destas pessoas como também qual é o papel das Famílias Anónimas nestas redes. Os capitais sociais, económicos e culturais (escolarmente comprovados ou não) foram factores de ponderação. Numa conjuntura de crise, com a consequente falência acentuada do estado-providência, salta à vista a importância dos apoios/ajudas informais de certas comunidades de indivíduos. As Famílias Anónimas, grupos de auto-ajuda para familiares de toxicodependentes, constituem um exemplo notório de um elo de certas redes sociais que apoiam alguns indivíduos e que têm um papel fulcral para a sua coesão e integração em sociedade. Resulta, portanto, evidente a importância de motivar e divulgar os diversos modos de sociabilidades primárias que têm origem na sociedade informal e aos quais subjaz uma profunda hibridez, bem como aos apoios/ajudas existentes no seu seio que vêm substituir as funcionalidades da sociedade-providência.
  • RAMOS, Carla Sofia Magalhães Cabaço da Silveira CV de RAMOS, Carla Sofia Magalhães Cabaço da Silveira
Carla da Silveira Ramos é licenciada em Sociologia na Universidade Autónoma de Lisboa (UAL), mestre em Família e Sociedade no Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL) e doutoranda em Sociologia no Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL). Pertence ao Projeto ‘Velhice e Modos de Vida’, do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES), coordenado pela Professora Doutora Maria das Dores Guerreiro.
Tendo-se ocupado, durante a Tese de Licenciatura, das interações entre as comunidades virtuais de heroinómanos e cocainómanos e a sociedade de acolhimento, deu-se conta da importância das interações no estudo das redes sociais. Esta última temática foi desenvolvida na Tese de Mestrado no que respeita às redes sociais em Famílias Anónimas (FA). Desenvolve a sua Tese de Doutoramento sobre a influência do espaço urbano nas redes de relações intergeracionais e nas configurações familiares.

PAP0834 - Condição juvenil e trajetórias de desvio
Resumo de PAP0834 - Condição juvenil e trajetórias de desvio  PAP0834 - Condição juvenil e trajetórias de desvio
PAP0834 - Condição juvenil e trajetórias de desvio

Esta comunicação situa o desvio juvenil no espectro mais alargado das condições socioeconómicas das metrópoles ocidentais, exigindo o cruzamento de perspectivas micro e macro sociológicas. Parte-se da compreensão das condições materiais e simbólicas que determinam os modos de vida nas cidades e a forma como se repercutem na vida dos jovens, configurando processos de desinscrição social. A condição juvenil é associada aos actuais processos de desregulação laboral: instabilidade, flexibilidade e precariedade laborais, multiplicidade de experiências de trabalho fragmentárias, deriva no espaço de consumo urbano. Questiona-se a centralidade discursiva do trabalho nas sociedades pós-modernas, a partir do paradoxo entre as narrativas que sustentam o valor do trabalho e as condições de efectivação da atividade produtiva, apontando- se para um novo pacto social baseado no acesso ao consumo. Identificam-se, deste modo, trajectórias de deriva juvenil, a partir das quais é possível perspectivar o desenho de rotas desviantes. O objectivo desta comunicação prende-se com a apresentação de um estudo exploratório de delimitação teórico-conceptual que sustenta um projecto de investigação empírica sobre os processos de desinscrição social de populações desviantes. O desenho metodológico aponta para uma opção qualitativa assente numa abordagem indutiva e exploratória das narrativas biográficas produzidas pelos jovens institucionalizados em Centro Educativo por prática de facto qualificado pela lei como crime. As expectativas de análise admitem a associação da condição juvenil a trajetórias de deriva, marcadas pela situação de desinscrição dos jovens dos tradicionais espaços de socialização. Aponta-se, assim, para a possibilidade de uma leitura de duplo enfoque das rotas desviantes: (i) o desvio como expressão do agravamento das trajectórias de deriva juvenil, representando forma última da desinscrição do jovem na ordem social estabelecida; (ii) o desvio como alternativa de inscrição no plano da normatividade, permitindo o acesso do jovem às instituições e à confirmação da existência do Eu pela reacção social do Outro. Esta leitura sugere a necessidade de repensar as narrativas sociais sobre a desviância e o ideal de reintegração inerente à lógica de funcionamento das instituições de custódia das metrópoles actuais. Palavras-chave: desvio juvenil; trajectórias de deriva; desinscrição social.
  • MANSO, Ana CV de MANSO, Ana
  •  FERNANDES, Luís CV - Não disponível 
Ana Manso

Professora de Filosofia do Ensino Secundário público. Termina, em 2006, o mestrado em Estudos da Criança, na área de especialização em Intervenção Psicossocial com Crianças, Jovens e Famílias pelo Instituto de Estudos da Criança da Universidade do Minho. Tem dedicado o seu trabalho de investigação à problemática do desvio juvenil e aos processos de desinscrição social de populações jovens. Frequenta atualmente o Programa Doutoral em Psicologia na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, sob orientação de Luís Fernandes.

PAP0988 - DESIGUALDADES DE PERCURSO DOS ESTUDANTES DO ENSINO SUPERIOR
Resumo de PAP0988 - DESIGUALDADES DE PERCURSO DOS ESTUDANTES DO ENSINO SUPERIOR PAP0988 - DESIGUALDADES DE PERCURSO DOS ESTUDANTES DO ENSINO SUPERIOR
PAP0988 - DESIGUALDADES DE PERCURSO DOS ESTUDANTES DO ENSINO SUPERIOR

A partir de uma abordagem assente no cruzamento de três escalas de observação, apresentamos nesta comunicação os resultados de um processo de pesquisa sobre factores de insucesso, sucesso e abandono escolares no ensino superior português, em resposta a um desafio em forma de concurso lançado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, através da FCT (PSE/DIV/0001/2006, realizado entre 2008 e 2009 em consórcio entre o CIES/ISCTE-IUL e o ISFLUP). Assim, procurámos desenvolver a análise destes fenómenos em torno de três níveis intrinsecamente articulados: um nível extensivo, de enquadramento estrutural, simultaneamente sincrónico e diacrónico, assente na exploração de uma vasta plêiade de bases de dados, nacionais e internacionais, sobre condições sociais e (in)sucesso nos estudantes do ensino superior; um segundo nível, de tipo meso, centrado em estudos organizacionais sobre a missão das instituições de ensino superior (analisando documentos e discursos de actores); um terceiro nível, o mais desenvolvido, de cariz microssociológico, elaborado a partir da construção de 170 retratos sociológicos (metodologia inspirada em Bernard Lahire e que visa resgatar a pluralidade disposicional e contextual das práticas sociais). Sobre este nível delinearam-se oito percursos-tipo de estudantes no ensino superior. Concluiu-se, então, pela existência cumulativa e intersectada de desigualdades de índole vária: de acesso (concomitante aos fenómenos da “democratização” e “massificação”), de sucesso e de percurso, estas últimas frequentemente sub-representadas em pesquisas análogas e fortemente relacionadas à articulação entre modos de agência e coeficientes de singularidade dos actores sociais.
  •  LOPES, João Teixeira CV - Não disponível 
  •  COSTA, António Firmino da CV - Não disponível 

PAP0712 - Dinâmicas sociais da metropolização: uma abordagem longitudinal das trajectórias residenciais da população da AML
Resumo de PAP0712 - Dinâmicas sociais da metropolização: uma abordagem longitudinal das trajectórias residenciais da população da AML  PAP0712 - Dinâmicas sociais da metropolização: uma abordagem longitudinal das trajectórias residenciais da população da AML
PAP0712 - Dinâmicas sociais da metropolização: uma abordagem longitudinal das trajectórias residenciais da população da AML

O estudo das trajectórias residenciais situa-se na confluência de duas questões distintas: a das dinâmicas sociais de (re)composição dos territórios e aquela outra das biografias residenciais individuais que, nesta pesquisa, se desenvolve a partir da abordagem do curso de vida. Nesta comunicação, analisa-se as trajectórias residenciais da população da Área Metropolitana de Lisboa num aprofundamento do conhecimento das lógicas de desenvolvimento deste território nos últimos 60 anos, justamente o período coincidente com o arranque e expansão do respectivo processo de metropolização. Esta análise desenvolve-se a partir de uma metodologia longitudinal que, distintamente dos procedimentos metodológicos dominantes centrados em análises transversais, põe a tónica na diacronia e na reconstituição dos percursos de vida dos indivíduos ao longo do tempo, os quais no caso da habitação têm três componentes fundamentais: 1. a localização que reenvia para o sentido geográfico dos percursos; 2. o modelo habitacional que remete mais directamente para a questão da morfologia dos espaços; 3. o regime de ocupação que ganha no actual contexto de crise, marcado pelas crescentes dificuldades de acesso ao crédito de onde resulta o recuo da propriedade, um interesse redobrado. Serão apresentados os resultados de um inquérito (N=1500) à população residente na AML nascida entre 1945-1975 e cuja aplicação decorreu em 2011. Focar-nos-emos, apenas, na exploração da primeira componente supra-referida de modo a identificar as trajectórias dominantes (ex: Norte Portugal – AML Norte; Sul Portugal – AML Sul; LX-LX, etc.). Segue-se uma discussão acerca dos diversos perfis sociológicos dos protagonistas das trajectórias dominantes, percebendo as múltiplas constelações de variáveis - classe social (ISPC) e respectiva trajectória, idade, tipo de família, estado civil e género - que os caracterizam e diferenciam mutuamente.
  • PEREIRA, Sandra Marques CV de PEREIRA, Sandra Marques
  • FERREIRA, Ana Cristina CV de FERREIRA, Ana Cristina
  • RAMOS, Vasco CV de RAMOS, Vasco
  •  COTO, Marta CV - Não disponível 
Sandra Marques Pereira,
Doutorada Em Sociologia
Investigadora Pós-Doc do Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL), DINÂMIA’CET
Áreas de Interesse: habitação, cidades, arquitectura
Ana Cristina Ferreira, nascida em Lisboa em 1962, licenciada em Sociologia, pelo ISCTE, 1984 e Doutoramento em Sociologia, especialidade em Sociologia da Família e da Vida Quotidiana (Família e Habitat (ISCTE 2002)). Sou actualmente professora Auxiliar do ISCTE, na área dos Métodos Quantitativos para Ciências Sociais, Departamento de Métodos de Pesquisa Social e Investigadora do DINAMIA/CET (ISCTE).

Os meus principais interesses relacionam-se com os domínios da sociologia do Território (modos de vida e apropriação do alojamento e território) e com a Demografia (nomeadamente a integração dos imigrantes em Portugal).
Vasco Ramos
Doutorando FCT no ICS-UL.
Mestre em Sociologia pelo ISCTE-IUL
Interesses: Classes e Estratificação Social; Família e Género; Populações, Gerações e Ciclos de Vida.

PAP0110 - Origens, destinos e trajectórias de classe: Uma análise da mobilidade social em 2 gerações de portugueses
Resumo de PAP0110 - Origens, destinos e trajectórias de classe: Uma análise da mobilidade social em 2 gerações de portugueses PAP0110 - Origens, destinos e trajectórias de classe: Uma análise da mobilidade social em 2 gerações de portugueses
PAP0110 - Origens, destinos e trajectórias de classe: Uma análise da mobilidade social em 2 gerações de portugueses

Diversos estudos têm demonstrado a manutenção de elevados níveis de desigualdade na sociedade portuguesa, com a situação da família de origem a influenciar fortemente a trajectória social dos indivíduos. Tendo como pano de fundo as significativas alterações que enquadram a modernidade portuguesa, o objectivo central desta comunicação é o de apresentar um conjunto de reflexões e de dados novos sobre mobilidade social, a partir da investigação comparativa das trajectórias de classe social de portugueses nascidos em diferentes gerações. Parte-se de uma perspectiva teórica sobre as classes sociais, que as entende como um conjunto de agentes que ocupam posições aproximadas, num sistema pluridimensional de desigualdades, e valoriza-se uma perspectiva sobre o percurso de vida que reconhece a importância central dos constrangimentos estruturais, mas não os assume como um determinismo, salientando a necessidade de os analisar longitudinalmente. Usando dados do projecto "Trajectórias familiares e redes sociais: a trajectória de vida numa perspectiva intergeracional" examinam-se comparativamente trajectórias de classe seguindo o percurso de vida. Utiliza-se uma metodologia inovadora que recorre à análise sequencial procurando estabelecer uma relação entre tempo histórico e mobilidade social. Comparam-se trajectórias de classe dos indivíduos em função das suas origens de classe, visando relacionar mobilidade, geração e género. Conclui-se que a desigual distribuição de recursos, materiais e escolares, continua a ser fulcral para a compreensão das trajectórias de classe e de mobilidade social, embora se observem diferenças geracionais consideráveis nos mecanismos de reprodução das desigualdades. Para além da importância da classe social de origem, a desigual distribuição das qualificações escolares, em particular das mães, revela-se decisiva para compreender a mobilidade social em Portugal.
  • RAMOS, Vasco CV de RAMOS, Vasco
Vasco Ramos
Doutorando FCT no ICS-UL.
Mestre em Sociologia pelo ISCTE-IUL
Interesses: Classes e Estratificação Social; Família e Género; Populações, Gerações e Ciclos de Vida.

PAP0523 - Reconstrução de identidades estigmatizadas: o caso dos jovens consumidores de drogas
Resumo de PAP0523 - Reconstrução de identidades estigmatizadas: o caso dos jovens consumidores de drogas PAP0523 - Reconstrução de identidades estigmatizadas: o caso dos jovens consumidores de drogas
PAP0523 - Reconstrução de identidades estigmatizadas: o caso dos jovens consumidores de drogas

Quem recusa uma visão determinista dos comportamentos indivíduos e dos factores que os ocasionam terá que colocar os seguintes problemas: como desencadear a construção de uma identidade positiva, valorizada, normativa e integrada em indivíduos que descrêem profundamente de si próprios? Como dotar os toxicodependentes de instrumentos que os façam significar a realidade, rompendo com as racionalizações que aprenderam a construir no grupo de pares? Como propiciar vivências que induzam a descolagem dos modos de vida estruturados enquanto as sociabilidades estiveram fechadas no grupo de pares? A resposta a estas questões funda-se no estudo das condições de existência e modos de vida de indivíduos cujos consumos se iniciaram na infância e na adolescência e cujo acompanhamento se diversifica por tipos de instituições e programas de tratamento. A administração de um inquérito por questionário à totalidade dos utilizadores destas instituições na Área Metropolitana do Porto permitirá explorar a hipótese, com fundamento na observação de terreno proporcionada pela actividade profissional que desenvolvemos, de as práticas de consumo de drogas terem significados consideravelmente distintos, consoante se trata de jovens originários das classes médias e altas ou de jovens das classes populares e do sub proletariado. Algumas análises que incidem sobre o funcionamento global das modernas sociedades mais desenvolvidas têm vindo a assinalar a instalação de uma crise civilizacional que atinge os próprios fundamentos da coesão social. Lipovetsky, Sennett, Castel, e outros produziram reflexões que desvendam a fragilização dos valores universais, o desaparecimento das causas colectivas e dos laços que preservavam os indivíduos dos acidentes da existência e lhes asseguravam o acesso a formas de organização colectiva compatíveis com a afirmação de interesses próprios e da dignidade social. Há fundamentos para admitir que a crise dos laços sociais tem implicações mais complexas nos jovens originários de famílias privadas de recursos fundamentais, expondo-os a uma vulnerabilidade profunda em todas as dimensões cruciais da inclusão social. Interessa-nos contribuir para criar dispositivos de intervenção orientados para a ampliação dos recursos educacionais, económicos e relacionais dos jovens socialmente mais desmunidos.
  •  QUEIROZ, Maria Cidália CV - Não disponível 
  •  PINTO, Maria Luisa CV - Não disponível 

PAP1022 - Trajectórias-tipo dos jovens imigrantes e descendentes de imigrantes: percursos laborais e de vida
Resumo de PAP1022 - Trajectórias-tipo dos jovens imigrantes e descendentes de imigrantes: percursos laborais e de vida PAP1022 - Trajectórias-tipo dos jovens imigrantes e descendentes de imigrantes: percursos laborais e de vida
PAP1022 - Trajectórias-tipo dos jovens imigrantes e descendentes de imigrantes: percursos laborais e de vida

O abstract que vimos por este meio submeter à apreciação dos coordenadores da Secção Temática Migrações, Etnicidade e Racismo tem por base o projecto Percursos laborais e de vida dos jovens imigrantes e descendentes de imigrantes nos novos sectores de serviços, o qual resulta de um protocolo SOCIUS / ACIDI. O fluxo de imigrantes para o nosso país nas últimas três décadas constitui um dos aspectos mais relevantes da demografia portuguesa. Neste quadro, assume particular importância conhecer a forma como é que a socialização e a integração vêm a processar-se. No contexto actual de crise e desregulamentação dos mercados de trabalho fortemente penalizadora da mão-de-obra jovem em geral, levanta preocupações sérias a situação dos imigrantes jovens e daqueles que embora tendo nascido já em Portugal, por razões culturais, possam estar a ser afectados por processos de marginalização e dumping social. A investigação incidiu sobre a área metropolitana de Lisboa, zona onde há uma maior concentração de imigrantes e, também, de actividades escolhidas para o estudo. Estas dizem respeito ao sector dos serviços, seleccionando, dentro destes, os subsectores portadores das novas tendências de uma economia de serviços avançados ligados às novas tecnologias de informação e comunicação (call centres), novas formas de comércio (centros comerciais) e restauração (nomeadamente fast-food). Foram realizadas 40 entrevistas semi-estruturadas: 10 a interlocutores privilegiados (dirigentes sindicais, representantes de associações de jovens e de associações de imigrantes) e 30 a jovens de ambos os sexos, com idades entre os 15 e os 29 anos, que trabalham nos subsectores acima mencionados, repartidos entre jovens nacionais, descendentes de imigrantes e imigrantes eles mesmo. A comunicação que propomos terá na sua base as respostas do projecto às seguintes questões: Serão os jovens imigrantes e os descendentes de imigrantes mais afectados do que os “jovens nacionais” por percursos laborais e de vida mais irregulares e problemáticos? Quais as «trajectórias-tipo» de uns e de outros? Qual a percepção destes jovens sobre as suas condições de trabalho e de vida? Apresentaremos as principais conclusões retiradas das entrevistas, sendo que existem indícios que a inserção no mercado de trabalho é afectada sobretudo por outros factores que não necessariamente a condição da nacionalidade (de onde destacamos a escolaridade e os recursos familiares). Concluímos também que os jovens imigrantes parecem ter uma perspectiva mais positiva face ao futuro do que os restantes. Por seu lado, os descendentes são os que aparentam ter menores possibilidades de saída de situações de trabalho e de vida mais precárias.
  • CERDEIRA, Maria Conceição CV de CERDEIRA, Maria Conceição
  • EGREJA, Catarina CV de EGREJA, Catarina
  •  KOVACS, Ilona CV - Não disponível 
Maria da Conceição Santos Cerdeira é licenciada em Sociologia pelo ISCTE e doutorada em Sociologia Económica e das Organizações pelo ISEG-UTL, instituição onde exerceu actividade docente durante cerca de duas décadas. Actualmente é Professora Associada no ISCSP, membro integrado do CAPP e membro associado do SOCIUS. Participou na elaboração do Livro Verde das Relações Laborais e integrou a Comissão do Livro Branco das Relações Laborais. Isoladamente ou em co-autoria publicou algumas dezenas de obras, destacando-se, entre as últimas (com J. Dias): “Trade Union Strategies, Precariousness and Sustainable Development: an Analysis of the Portuguese Case”, in Garibaldo, Francesco / Yi, Dinghong (eds.), (20012), Labour and Sustainable Development North-South Perspectives, Frankfurt am Main, Berlin, Bern, Bruxelles, New York, Oxford, Wien: Peter Lang International Academic Publishers, pp. 219-236.
Catarina Egreja, licenciada em Sociologia e Mestre em Economia Social e Solidária, pelo ISCTE-IUL. Tem colaborado em variados projectos em diferentes centros de investigação, encontrando-se actualmente no IN+ (Centro de Estudos em Inovação, Tecnologias e Políticas de Desenvolvimento), do Instituto Superior Técnico. A sua principal área de investigação tem sido a Imigração.

PAP0766 - Trajetórias profissionais de mulheres na atual economia flexível e sua relação com dinâmicas familiares
Resumo de PAP0766 - Trajetórias profissionais de mulheres na atual economia flexível e sua relação com dinâmicas familiares PAP0766 - Trajetórias profissionais de mulheres na atual economia flexível e sua relação com dinâmicas familiares
PAP0766 - Trajetórias profissionais de mulheres na atual economia flexível e sua relação com dinâmicas familiares

O diálogo entre a mulher, o trabalho e a família, sob o ponto de vista das trajetórias profissionais, é um objecto de estudo que destaca como relevante a sua possibilidade de concretização nestas esferas sociais. Conhecer as trajectórias profissionais e sua relação com as estratégias de uma economia flexível e com as dinâmicas familiares, é o objectivo a que nos propomos. A aplicação de questionários a uma amostra de 450 mulheres (idade média=41, 67 anos ± 10,76 anos) foi fundamental. Numa perspetiva etnográfica delineou-se uma estratégia negociada no próprio terreno com mulheres em diversos contextos da área metropolitana do Porto: trabalhadoras da Administração Pública e Segurança Social; trabalhadoras do privado, nomeadamente hipermercados; desempregadas nos Gabinetes de Inserção Profissional de várias Juntas de Freguesia e Centros de Emprego. Os registos em diário de campo, a fotografia social e as entrevistas semi-estruturadas complementaram os dados recolhidos. Os resultados sugerem que: (i) a ênfase na intermitência das trajectórias profissionais desmonta a invisibilidade associada ao trabalho doméstico e de prestação de cuidados a familiares mostrando que o diálogo estabelecido com a família coloca estas mulheres em desvantagem social e em risco de pobreza; (ii) nas trajectórias profissionais mais instáveis e precárias encontramos mulheres com baixas qualificações, com empregos intermitentes e por tempo determinado, desempenhando profissões em setores pouco valorizados, com vínculos contratuais precários e ocupando postos sem autoridade; (iii) o trabalho por turnos e o trabalho em regime de tempo parcial, enquanto estratégias de flexibilização dos horários de trabalho, não fazem parte da vontade de conciliação do emprego com as responsabilidade familiares, confirmando a submissão destas mulheres à precariedade laboral; (iv) a inserção desigual da mulher na vida activa agrava-se quando é casada e tem filhos, pois ao seu desempenho profissional associar-se-á a “obrigatoriedade” de despender tempo para cuidar da família, acentuando as suas trajectórias de precariedade laboral. Em conclusão, entendemos que este estudo é um alerta actual que poderá contribuir para diluir a sub representação do trabalho feminino, identificando os estereótipos de género que persistem na vida familiar e profissional e mostrando como a imprevisibilidade da família afecta as trajetórias profissionais das mulheres.
  • NOVAIS, Carina CV de NOVAIS, Carina
Carina Novais, mestre em sociologia pela Faculdade de Letras desenvolve o seu percurso profissional em investigação científica tendo desenvolvido trabalhos diversos resultantes da pesquisa sobre o género e o desporto na área da infância e adolescência e também no âmbito do envelhecimento ativo participando nos projetos "Iniquidades sociais, ambientais e de género na prática de actividade física e desportiva de adolescentes" e atualmente no projecto "Actividade física objectivamente avaliada e obesidade em adolescentes: Estudo dos determinantes pessoais, sociais e ambientais" no Centro de Investigação em Atividade Física e Lazer da Faculdade do Desporto da Universidade do Porto. Tem também contributos enquanto investigadora na organização "Movimento Democrático de Mulheres" participando num projeto "Uma vida de Trabalhos? Trajetórias Profissionais de Mulheres e Participação cívica" onde desenvolveu o seu projeto de mestrado em torno da temática,"género, família e trabalho" e com a publicação "Percursos de Mulheres: Trabalho e Participação Política de Mulheres na área Metropolitana do Porto".

PAP0077 - Vidas excluídas: trajectórias ciganas femininas reflectidas em contexto prisional
Resumo de PAP0077 - Vidas excluídas: trajectórias ciganas femininas reflectidas em contexto prisional  PAP0077 - Vidas excluídas: trajectórias ciganas femininas reflectidas em contexto prisional
PAP0077 - Vidas excluídas: trajectórias ciganas femininas reflectidas em contexto prisional

Diversas pesquisas realizadas em Portugal, assim como em países da UE, revelam que entre os grupos e categorias sociais mais expostos a situações de exclusão e discriminação sociais são de destacar os grupos étnicos, em particular o grupo étnico cigano. Um estudo da década de 90 realizado em contexto prisional português indica que a proporção de indivíduos de etnia cigana atrás das grades representa 5 a 6 por cento da população total reclusa. Assiste-se, portanto, a uma sobrerepresentação deste grupo em contexto prisional, que é ainda mais evidente na população reclusa feminina. Nesta comunicação, tendo em consideração este panorama de exclusão e discriminação e de sobrerepresentação deste grupo em contexto prisional e conjugando-o com uma perspectiva de género, propomo-nos a caracterizar sociologicamente as reclusas de etnicidade cigana a cumprir pena efectiva num Estabelecimento Prisional feminino português, tal como a analisar as suas trajectórias de vida. Baseando-nos em trabalho de campo desenvolvido entre 2010 e 2011, pretendemos explorar as especificidades ao nível sociológico, criminal e penal das reclusas ciganas, assim como os aspectos relacionados com as relações familiares, para a compreensão das suas trajectórias. Mapeando singularidades e aspectos comuns, analisaremos de que forma cada uma das dimensões se espelha, conjuga e reconfigura no contexto prisional. Os aspectos abordados englobam i) o contexto pré- prisional, sobre o qual se analisam os modos de vida condicionados, dinâmicas e configurações familiares, tal como motivações e constrangimentos estruturais que conduziram à prática do crime; ii) a vivência prisional, onde se expõe relações familiares no contexto prisional (tendo em conta que as redes de inter-familiaridade podem englobar até 3 gerações de familiares) e que conexões se evidenciam com as redes em meio exterior; iii) e as perspectivas futuras das reclusas, que se prendem com questões mais amplas de exclusão e discriminação social às quais estas populações não são alheias.
  • GOMES, Sílvia CV de GOMES, Sílvia
  • GRANJA, Rafaela CV de GRANJA, Rafaela
Gomes, Sílvia
Investigadora no Centro de Investigação em Ciências Sociais da Universidade do Minho. Licenciada em Sociologia pela Universidade do Minho (2008), é estudante de doutoramento no Instituto de Ciências Sociais da mesma universidade, sob as orientações dos Professores Doutores Manuel Carlos Silva e Helena Machado. O projecto de doutoramento tem como título provisório “Criminalidade, Exclusão Social e Racismo: um estudo comparado entre portugueses, ciganos e imigrantes dos PALOP e do Leste Europeu”. No âmbito do projecto de doutoramento, desenvolveu o projecto “Criminalidade, Etnicidade e Desigualdades” junto de Estabelecimentos Prisionais portugueses e foi investigadora visitante na Universidade da Califórnia, Berkeley, sobre a orientação do Professor Loïc Wacquant. O seu trabalho está relacionado com a criminalidade, exclusão social e etnicidade, designadamente as representações sociais dos grupos étnicos e imigrantes nos media, as representações sociais dos guardas prisionais sobre os fenómenos da imigração e do crime e também as trajectórias de vida e estatísticas da reclusão feminina e masculina em Portugal.
Rafaela Granja é socióloga e está atualmente a desenvolver a sua tese de doutoramento que se intitula Representações sobre os impactos sócio-familiares da reclusão: visões femininas e masculinas. É membro do Centro de Investigação em Ciências Sociais da Universidade do Minho. As principais áreas de interesse do seu trabalho centram-se nos estudos prisionais, relações familiares, criminalidade, género e etnicidade.